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30 de junho de 1934 - A implacável noite dos Longos Punhais

Jornal do Brasil: Domingo, 1º de julho de 1934 - página 9
A Noite dos Longos Punhais foi um episódio de conspiração, traição e morte nas entranhas do poder da Alemanha nazista. Numa mal sucedida resistência à liderança de Adolf Hitler, o capitão Ernst Röhm, seu antigo colaborador e comandante da Seção de Assalto - SA Sturmabteilung, braço militar do Partido Nazista, passou a defender publicamente a transformação da mesma em uma milícia independente, e com poderes para controlar o exército alemão. Seu discurso foi repelido pela classe média e inquietou as bases militares e industriais, indispensáveis para os planos de longo prazo do Führer. A reivindicação de Röhm alarmou os generais, que passaram a cobrar de Hitler uma resposta enérgica. O ex-colaborador não imaginava o seu destino, após cair em desgraça com o Chanceler.

Alegando reação a uma rebelião no seio da SA, então com dois milhões e meio de soldados, Hitler livrou-se de maneira brutal dos seus traidores. Durante a madrugada, elementos da sua guarda pessoal, a SS - Schutzstaffel, invadiram o hotel em que Röhm se encontrava na companhia de outros líderes da SA. Surpreendidos, todos foram detidos e rapidamente fuzilados. A inquietação pública na capital foi evidente e deu margens aos mais aterradores boatos. Para conter a agitação, o governo reforçou a segurança nas ruas com a SS, e deu ordens extremas à imprensa que não noticiasse os fatos, sob risco de severa punição aos desobedientes.



O triunfo e a hegemonia de Hitler

Oficialmente, o governo alegou que a SA preparara um golpe contra o Reich. Na realidade, porém, Hitler concretizava mais uma de suas estratégias de poder. Como um ano antes ele tinha liquidado a esquerda alemã, o massacre significou a eliminação dos seus últimos rivais. Sem contestação, era o líder supremo. A SS, força de elite ideológica e racial, passou a ter grande relevância na estrutura do poder, encarregada da segurança interna da Alemanha e, na guerra, dos países ocupados. O banho de sangue custou dezenas de vidas, muitas sem qualquer ligação com Röhm.

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26 de junho de 1968 - A Passeata dos Cem mil e uma só voz

"Os amores na mente / As flores no chão / A certeza na frente / A história na mão / Caminhando e cantando/ e seguindo a canção / Aprendendo e ensinando/ Uma nova lição..."
Prá não dizer que não falei das flores - Geraldo Vandré
Jornal do Brasil: 27 de junho de 1968




Menos de uma semana após um violento enfrentamento com a polícia, organizados sob a liderança de Wladimir Palmeira, os estudantes voltaram às ruas.

Iniciada a partir de um ato político na Cinelândia, uma nova passeata invadiu o Centro do Rio, reivindicando liberdade aos presos políticos e o fim da repressão.


Uma manifestação contra a ditadura, mas também em oposição à política educacional do governo, que revelava uma tendência à privatização. Questionava-se a subordinação brasileira aos objetivos e diretrizes do capitalismo norte-americano.

Reunindo em condição de protesto uma multidão jamais vista durante a ditadura, a Passeata do Cem Mil, tornou-se o evidente símbolo do crescente descontentamento popular com o regime autoritário instaurado no país. Desse dia em diante, aumentaria na mesma proporção o número de perseguidos, presos e desaparecidos. Um dia que duraria mais de duas décadas para chegar ao fim.

26/06/1968: Passeata dos Cem Mil. Evandro Teixeira/AJB


O ano de 1968 foi um ano de violência extrema em diversos setores da vida pública. Expressiva parcela dela advinda das agitações estudantis e da repressão policial que eclodiu primeiro em Paris e, depois, em várias partes de todo o mundo.

No Brasil, a série de episódios de protestos da classe estudantil começou no Rio de Janeiro, no final de março, quando um jovem foi assassinado no Restaurante Calabouço. Continuou durante seu funeral, e culminou com verdadeira batalha campal na Avenida Rio Branco e em outros pontos da cidade, no dia que ficaria registrado como a Sexta-feira Sangrenta. Era o estopim para que a causa ganhasse novas dimensões.

Em poucos dias, em uma nova investida contra a ditadura militar, a causa estudantil ganharia importante apoio com maciça adesão de intelectuais, artistas, padres, mães e cidadãos comuns, e profunda repercussão política. Como a grande maioria dos órgãos representativos da sociedade civil encontrava-se sob interdição, o movimento estudantil manteve-se como a grande liderança dessa oposição.

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23 de junho de 1978 - O julgamento das Brigadas Vermelhas

O julgamento das Brigadas Vermelhas. Jornal do Brasil: 24 de junho de 1978.
A Corte de Turim condenou 29 terroristas das Brigadas Vermelhas, absolveu 16 e ordenou a inclusão de Fabrizio Pelli, suspeito de integrar o grupo, em um outro processo que tramita em Milão.

O julgamento dos 46 acusados de participação direta ou cumplicidade com o grupo durou 100 horas e foi realizado a portas fechadas no tribunal montado no quartel de La Marmora.

A leitura emocionada da sentença, feita pelo presidente do Tribunal, Guido Barbaro, durou 15 minutos.

A soma de todas as condenações chegou a 210 anos. As maiores penas foram aprovadas contra Renato Cursio e Pietro Bassi, cada um deles condenado a 15 anos. Prevaleceu a orientação de não permitir que o processo de Turim se transformasse em um processo político. Desde o início do julgamento 10 pessoas foram assassinadas por companheiros dos terroristas julgados em Turim.

O crime mais conhecido dos brigadistas foi o sequestro e morte do presidente do partido Democrata Cristão, Aldo Moro, em 1978.

Cinco guarda-costas de Moro foram mortos durante a ação. Os sequestradores exigiam a libertação de 14 integrantes do grupo, que estavam sendo julgados em Turim. O corpo de Moro foi encontrado com vários tiros na mala de um carro depois de 55 dias em cativeiro.

O líder democrata cristão era um negociador hábil e apoiava um governo de coalizão entre o seu partido e o Partido Comunista.
O assassinato chocou o país e desencadeou uma caça aos terroristas, com a colaboração dos partidos políticos, dos sindicatos e da sociedade civil italiana. Mais de 50 mil homens das três forças policiais da Itália uniram-se para caçar os sequestradores.

Primeiros ataques foram contra fábricas
As Brigadas Vermelhas surgiram em Milão, em 1969, do encontro de ex-militantes do Partido Comunista Italiano, dirigentes sindicais e estudantis, alguns vindos de meios católicos. O grupo Brigadas apresentava-se como uma rede político-militar cujo objetivo era responder com violência à opressão exercida pelo governo sobre os operários.

Os primeiros ataques dos brigadistas foram contra empresas. Os brigadistas empregavam-se como operários das fábricas para sabotar a produção industrial. Essas iniciativas evoluíram para sequestros de altos dirigentes, como o diretor da Fiat, em Turim, e o juiz Maro Sossi.

Confira também:
16 de março de 1978 - Aldo Moro é sequestrado
9 de maio de 1978 - Fanatismo sentencia Aldo Moro

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21 de junho de 1968 - A sexta-feira sangrenta

A sexta-feira sangrenta. Jornal do Brasil: 22 de junho de 1968.

O que era uma passeata estudantil, se transformou em uma batalha a bala, cassetetes e pedras, entre estudantes e a Polícia Militar. Com a Avenida Rio Branco interditada, milhares de pessoas foram atraídas às janelas dos edifícios. Esses espectadores, em repúdio à repressão da manifestação, lançaram um mundo de coisas contra os policiais.

O Centro do da Cidade foi paralisado ao meio-dia, permanecendo assim por seis horas. Ao final, um policial foi morto e presumivelmente, dois civis. Cerca de 80 pessoas ficaram feridas e mais de mil prisões foram efetuadas.

O Jornal do Brasil foi testemunha daquela que ficaria conhecida como a sexta-feira sangrenta. Momento relembrado pelo nosso mestre da fotografia Evandro Teixeira: “ Foi um dia mais sangrentos que a Rio Branco em especial e o Rio de Janeiro viveu, nesta época. O Jornal do Brasil era o palco das reações. Tudo começava em frente ao Jornal que neste dia foi fechado a bala. A polícia começou a atirar e a fechar as portas. Eu participei ativamente com barreiras, fugindo das cavalarias, vendo estudante caindo. Inclusive tenho a foto do fotógrafo Rubem Seixa, do Correio da Manhã, quando a polícia o surrou depois de ter quebrado seu equipamento.”

Preocupados com a documentação da violência, elementos da PM, especialmente os mais graduados, e agentes do DOPS procuravam sempre que podiam atingir os jornalistas. A Associação Brasileira de Imprensa entregou ao Governador Negrão de Lima uma carta de protesto contra as violências cometidas pela Polícia contra os repórteres e fotógrafos de diversos jornais cariocas, inclusive com a danificação de máquinas de alto preço.

Veja aqui o vídeo com as imagens





Clique aqui para conferir a edição original do Jornal do Brasil.


A fúria: o passante espancado chama-se João Rui Carvalho Soares. É funcionário da justiça do Estado, 41 anos. Foi na Rua México, junto à Rua Santa Luzia.
O delírio: vencedor numa das batalhas contra a PM, na avenida Rio Branco, o rapaz partiu para a depredação.
O tributo a pagar: Jani Barros Lopes, 20 anos, estudante da faculdade de Filosofia da UEG, foi baleada perto do Edifício Avenida Central.
A ajuda: Ferida no primeiro tiroteio, perto da Embaixada americana, Márcia Juekiewi, estudante de Estatística foi socorrida por populares.
A carga: cada vez que os cavalarianos passaram pela Rio Branco, receberam verdadeira chuva de pedras, tinteiros, cinzeiros e sacos de água. O soldado caiu, em pleno desespero.
O aplauso: nas escaramuças, populares juntavam-se aos pelotões de frente, contra a Polícia. Do alto dos edifícios vinham as palmas solidárias.

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19 de junho de 1953 - A execução do Casal Rosenberg

A execução do Casal Rosenberg. Jornal do Brasil: Sábado, 20 de junho de 1953.


Julius e Ethel Rosenberg, casal de espiões a serviço da União Soviética, foram condenados à pena capital por terem passado à Rússia segredos atômicos durante a Segunda Guerra Mundial. O julgamento, realizado no contexto da Guerra Fria que se acirrava, despertou interesse e manifestações em todo o mundo. Houve alegações de parcialidade e mesmo de anti-semitismo.

A Suprema Corte anulou o adiamento da execução e rejeitou uma nova apelação interposta pelo advogado de defesa. O presidente americano, Eisenhower, reiterou sua negativa ao pedido de clemência. Por oito vezes, a Corte Suprema rejeitou os recursos apresentados pelos advogados do casal sentenciado.

Einsenhower, ao negar clemência, expressou o temor de que os Rosenberg, com a sua traição, tivessem aumentado "incomensuravelmente" a probabilidade de uma guerra atômica, e que talvez houvesem condenado à morte, no mundo inteiro, dezenas de milhões de seres inocentes. Em frente a Casa Branca, manifestantes conduziam cartazes em que pediam a libertação do casal de espiões.
O casal recebeu a notícia da execução iminente na prisão em Nova York, depois do último encontro de noventa minutos que lhes foi permitido.

O segredo continuou impenetrável
Os Rosenberg foram condenados à morte em 1951. Eles foram os primeiros civis americanos executados por crime de espionagem, culpados de haverem enviado para a Rússia um esboço da bomba atômica e informações correlatas. O juiz Irving Kaufman, que os condenou, frisou que o "assassinato com premeditação e maldade torna-se pequeno ante o crime que pode significar a vida de milhões de seres, os quais talvez tenham que pagar o preço de vossa traição". O casal não admitiu revelar os detalhes passados aos soviéticos, o que poderia ter poupado as suas vidas.

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11 de junho de 1970 - O sequestro do embaixador alemão

O sequestro do embaixador alemão. Jornal do Brasil: Sexta-feira, 12 de junho de 1970.O Embaixador da Alemanha no Brasil, Sr. Ehrenfried von Holleben, 61 anos e 4 de Brasil, foi sequestrado por guerrilheiros urbanos, no Rio de Janeiro.

A operação não durou mais de dois minutos; quando o Mercedes Benz do embaixador, acompanhado por uma Variant com dois agentes de segurança, subia a Rua Cândido Mendes, na Glória, atiraram duas vezes nas lâmpadas da rua. Era o sinal para que uma pick-up, com duas pessoas, interceptasse o carro do embaixador.

Homens armados de metralhadoras apareceram e metralharam a Variant . O motorista policial caiu gravemente ferido. Outro seqüestrador chegou junto à janela do Mercedes e, antes que o agente conseguisse sacar a arma levou um tiro de revólver na cabeça.

O diplomata foi retirado de seu carro e levado ou para outro veículo que participava da operação, saindo em disparada.

O primeiro comunicado exigia: "Até o momento os critérios adotados para a liberação dos diplomatas que fizemos prisioneiros políticos eram a sua importância nas relações internacionais e o nível de ligações econômicas com a ditadura brasileira. A partir de agora esses critérios ficam abolidos, e estabeleceremos um mínimo de presos a serem trocados por qualquer diplomata de qualquer país". Foi solicitado a liberação de 40 presos políticos.

O Brasil vivia a era da repressão política e cultural, sem liberdade de imprensa, com os diretórios estudantis fechados, casas invadidas e pessoas desaparecidas. A esquerda se armou com a formação de vários grupos revolucionários. Assaltos a bancos, roubos de armas em quartéis, assaltos a carros fortes eram formas de angariar dinheiro para financiar a luta.


Organizações contra a ditadura
O sequestro durou 5 dias com diversas mensagens trocadas entre os governos brasileiro e alemão. No dia 15, os 40 presos chegavam na Argélia, em avião da Varig. O embaixador foi libertado no dia seguinte. O sequestro foi realizado pela VPR - Vanguarda Popular Revolucionária e pela FLN - Frente de Libertação Nacional. Teve a participação de 19 militantes, dentre os que decidiram, os que planejaram, os que executaram a ação e os que a apoiaram. Nos depoimentos à autoridades, o embaixador Holleben nada falou sobre suas conversas com os sequestradores.

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10 de junho de 1988 - Governo Sul coreano esmaga passeata estudantil

Coreia do Sul esmaga manifestação estudantil. Jornal do Brasil: Sábado, 11 de junho de 1988


Faltando 99 dias para o início das Olimpíadas da Coréia do Sul, cerca de 500 pessoas foram detidas e 100 ficaram feridas em violentos confrontos com que dezenas de milhares de policiais conseguiram impedir que outros tantos estudantes deixassem a capital rumo à fronteira com o vizinho do Norte. A marcha, destinada a negociar com uma delegação norte-coreana a promoção conjunta dos jogos Olímpicos daquele ano e estimular o processo de reunificação dos dois países, havia sido proibida pelo governo.

As batalhas do dia dez foram precedidas por quatro horas de confronto entre estudantes da Universidade de Yonsei e policiais, que resultaram em 134 feridos e 600 jovens detidos. A agitação maior ocorreu na capital, Seul, mas acredita-se que ao menos 20 mil estudantes, de universidades de todo o país, tenham participado de embate com as forças do governo.

Na Universidade de Yonsei, cerca de 10 mil jovens passaram a noite e iniciaram o dia com um comício que deveria terminar em caminhada até a estação ferroviária. De lá, seguiriam para a cidade fronteiriça de Panmunjon, na zona desmilitarizada entre as duas Coréias. Os manifestantes, porém, foram barrados na porta da universidade por quatro mil agentes antimotim.

A onda de protestos tinha começado no ano anterior. Nessa ocasião, o então presidente Chun Su Hwan (1980-1987), que assumira o poder mediante um golpe militar, anunciara um sucessor que seria referendado por um colégio eleitoral obediente. Aos poucos o povo da Coréia ia ganhando mais liberdade política, enquanto a economia sul-coreana crescia exponencialmente. Assim, ao término do mandato de Hwan, Roh Tae Woo abraçava a cadeira de Chefe de Estado, iniciando, graças a uma forte pressão popular, uma era de redemocratização no país.

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8 de junho de 1964: Cassado mandato de JK

Primeira página do Jornal do Brasil: Sexta-feira, 9 de junho de 1964
Após um dia de tensão, foi à noite que o Senador Juscelino Kubitschek tomou conhecimento da cassação de seu mandato e suspensão dos seus direitos políticos por dez anos. A notícia foi divulgada no Programa A Voz do Brasil pelo Secretário de Imprensa José Vamberto no Palácio do Planalto. Considerando o panorama, configurado pelos princípios que norteavam o país desde a Revolução de 31 de março, a carismática popularidade de JK e sua proximidade a João Goulart davam indícios que a cassação era questão de tempo. Embora recebida sem surpresas, a notícia suscitou emocionada resposta na voz embargada de JK: "Este ato não marcará o fim do arbítrio. O vendaval de insânias arrastará na sua violenta arrancada mesmo os meus mais rancorosos desafetos. Um por um, eles sentirão os efeitos da tirania que ajudaram a instalar no poder". Destacou que a perda do mandato se fez em decorrência do receio das autoridades militares pelo êxito de seu desempenho nas urnas. E firme, garantiu que, diante da consumação da iniquidade, se posicionaria aguerrido e mais entusiasmado a lutar em favor da democracia, sem planos para deixar o Brasil.

Eleito para o Congresso por Goiás em 1961, JK foi expurgado isoladamente, mas logo encabeçou um encorpado rol de desafetos do Governo Castelo Branco que foram perdendo mandatos e direitos políticos. Senadores, governadores, deputados, juízes e ministros dos tribunais superiores, estaduais e federais. O furor no cenário político estremeceu o otimismo de JK, induzindo-o a repensar seus planos. No final da tarde de 13 de junho o ex-presidente embarcava para a Espanha em companhia de Dona Sarah para um exílio voluntário que o manteria fora do país até sua volta definitiva em 9 de abril de 1967.

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6 de junho de 1961 - Governo Jânio Quadros tira Rádio JB do ar

Primeira página do Jornal do Brasil: Quarta-feira, 6 de junho de 1961

"Há poucos meses, o Diretor-Superintendente da Rádio Jornal do Brasil foi chamado, às pressas, ao Gabinete do Presidente da Comissão Técnica de Rádio, para responder por uma notícia que a emissora não divulgara. Na ocasião, diante de certas advertências que lhe foram feitas, perguntamos em editorial, quem as havia determinado. Até ontem, o nosso editorial ficou sem resposta. Hoje, porém, podemos dizer que ela nos foi dada de maneira a não deixar mais dúvidas. O Presidente Jânio Quadros, finalmente, revelou-se. Suspendendo as transmissões da Rádio JB por ela ter divulgado uma notícia sem maior importância, e ameaçando todas as outras emissoras do País, mostrou qual é a sua verdadeira opinião a respeito da liberdade de informações. E deu-nos a entender que vai usar todos os meios possíveis para calar aqueles que o criticam". Jornal do Brasil


As transmissões da Rádio Jornal do Brasil foram suspensas por três dias, na véspera do Dia Internacional da Liberdade de Imprensa - pela Comissão Técnica de Rádio, por ordem do Presidente da República, Jânio Quadros. A medida foi justificada com base na divulgação de uma notícia que afirmou ser falsa e perturbadora para as Forças Armadas. Tratava-se de um suposto acordo entre Brasil e Argentina para a redução dos efetivos militares e melhor aproveitamento comercial da fábricas de armamento e munição brasileiras. A classe jornalista pronunciou seu enérgico apoio à rádio, a qual contou igualmente com a solidariedade calorosa da opinião pública.

O episódio da suspensão das transmissões da Rádio Jornal do Brasil foi um feito inédito em período de funcionamento do regime democrático no país. Após os três dias, as operações foram normalizadas.

O começo do fim da democracia
Será que o Presidente Jânio Quadros tinha intenções de intrigar uma instituição como o Jornal do Brasil, à época já com a tradição e credibilidade de mais de 70 anos, com outra, também tradicional, mais antiga e imponente, as das Forças Armadas, deturpando o sentido e as intenções de uma notícia? A resposta não demoraria a chegar. Numa desastrosa e frustrante gestão de sete meses que culminaria em sua renúncia ao cargo de Presidente da República, Jânio acendia o pavio que culminaria, três anos depois, no golpe militar, que colocaria a democracia brasileira à beira de um longínquo retrocesso.

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3 de junho de 1974 - A despedida de Golda Meir

Golda Meir deixa a liderança de Israel. Jornal do Brasil: Terça-feira, 4 de junho de 1974.

Pela última vez, Golda Meir presidiu a uma sessão de seu Gabinete. Depois de uma infância sofrida na Rússia e uma adolescência ativa nos EUA, ela foi uma das pioneiras da formação do Estado de Israel, que ajudou a governar como Ministra do Trabalho, do Exterior e finalmente Primeira-Ministra. enquanto o acordo entre sírios e israelenses reanimava as esperanças de uma solução pacífica para o conflito do Oriente Médio, a velha senhora de 77 anos preparava-se para viver num kibbutz, numa trajetória que já fora seguida antes por muitos líderes ilustres, entre eles David Ben Gurion.

Durante os anos em que chefiou os destinos do Estado de Israel, Golda Meir buscou impor-se como uma negociadora dura e respeitada. Desde sua indicação ao cargo, quando foi chamada numa tentativa de estabelecer a concórdia, sofreu todo tipo de objeção teológica contra um chefe de Governo feminino. O que não a impediu de tentar melhorar as posições israelenses no plano exterior e conservar a unidade do Partido internamente. Defendeu uma política mais agressiva de abertura para os novos Estados africanos e a ligação do país com os EUA. Mas não conseguiu fazer nada diante das mudanças que se operaram no mundo árabe, cada vez mais hábil em explorar as contradições internacionais. A Guerra do Yom Kippur, seguida pelo manejo da arma do petróleo, culminou o processo de desgaste dos velhos líderes israelenses. A popularidade de Golda caiu drasticamente, impacto que ela mesmo reconheceu: "Não sou a mesma pessoa que era na época anterior à Guerra do Yom Kippur". Um ano depois, sem surpreender o mundo, apresentou sua demissão, em caráter irrevogável, dadas as críticas à sua atuação no Poder.

Parlamento dá voto de confiança a Rabin
Yitzhak Rabin substituiu Golda Meir no cargo de Primeiro-Ministro de Israel, ao obter a confiança do Parlamento, com 61 votos a favor, 54 contra e cinco abstenções. Rabin foi o primeiro homem público nascido em Israel ocupar cargo tão alto, declararando querer fazer uma paz estável e justa com árabes, mas sem devolver todos os territórios conquistados em 1967. Reiterou a posição israelense de não negociar com os palestinos, rechaçando a dieia de um Estado palestino independente na Cisjordânia.

Leia também:
6 de outubro de 1973 – Começa a Guerra do Yom Kippur
10 de abril de 1974 — Golda Meir renuncia ao cargo
8 de dezembro de 1978 – Morre Golda Meir, a mãe do Estado de Israel

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