Arquivo de May 2008

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1962 - A execução de Adolf Eichmann

Primeira página do Jornal do Brasil: Quarta-feira, 1º de junho de 1962


"Diz-se que etmologicamente o nome Eichmann significaria o mesmo que o Everyman do poema inglês: isto é, Cada Homem, ou melhor, Todos os Homens. Seja como for, a terrível verdade é que um pouco de Cada Homem foi enforcado com Adolf Eichmann. Como um pouco de Cada Homem suicidou-se com Adolf Hitler. Num caso e no outro, foi punido e puniu-se o que há de mais sinistro no ser humano. Mas, por outro lado, não um pouco, porém muito, de cada um de nós, do que temos de maior e melhor foi assassinado nos seis milhões de vítimas desses dois homens...". Jornal do Brasil

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 1º de junho de 1962 - página 2
O alemão e ex-Coronel da Gestapo Adolf Eichmann foi enforcado na prisão de Ramleh, em Israel, como responsável pelo extermínio de seis milhões de judeus nos campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Capturado pelas tropas americanas no final do conflito mundial, Eichmann conseguiu fugir da prisão um ano depois. Após circular por diversos países clandestinamente, chegou à Argentina no início da década de 50, onde viveu, sob identidade falsa até ser raptado pelo serviço secreto israelense em 1960, que o levou para ser julgado em Israel, onde foi sentenciado à pena de morte.

O carrasco alemão - sem remorso e proclamando-se inocente até o fim - teve seu pedido de clemência negado pelo Presidente de Israel, Itshak Ben-Zvi, e não conseguiu, como pretendia, obter a intervenção da ONU para a sua salvação. O enforcamento se fez pouco menos de uma hora depois de rejeitado seu pedido.
Além de crimes contra o povo judeu e a humanidade, foi responsabilizado por deportações, pilhagens e extorções.


O gesto extremo de Israel

Não se pode dizer que a execução de Eichmann tenha sido uma catarse do mais terrível drama da história da humanidade. Mas não há dúvidas que o processo de sua condenação e morte tenha causado forte impacto na consciência humana. A opinião pública mundial dividiu-se diante da postura de Israel, de cujo ato extremo não abdicou. Mas afinal, como julgar o ato de um povo mutilado de seus pais, irmãos, maridos, esposas, filhos e amigos, cruelmente silenciados, humilhados, violados, torturados e mortos sob o comando do mais frio e calculista exterminador que já surgiu na espécie humana?


Amanhã: Em 1993 - Castelinho, Coluna de Mestre


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1953 - O homem chega ao topo do Everest

Hillary e Norgay no topo do mundo. Reprodução/CPDoc JB
"A bandeira britânica
está desfraldada
na cumiada do mundo,
a uma altura
de 8.820 metros
do Monte Everest,
que jamais foi pisada
por um pé humano
".
Jornal do Brasil


Jornal do Brasil: Quarta-feira, 3 de junho de 1953 - página 12
Num feito inédito, Edmund Hillary, apicultor da Nova Zelândia e Tenzing Norgay, guia sherpa-nepalês, integrantes de uma expedição britânica, conquistaram uma das maiores ambições humanas: o topo do Monte Everest, o pico mais alto do mundo, situado na Cordilheira do Himalaia, na fronteira entre o Nepal e o Tibet.

A prova de superação durou aproximados quinze minutos, tempo em se cumprimentaram pela realização, desfraldaram as bandeiras das Nações Unidas, da Grã-Bretanha, do Nepal e da Índia, fizeram oferendas aos deuses da montanha e respiraram oxigênio de garrafões, antes de iniciar a descida.


O triunfo da escalada aconteceu um século depois da montanha asiática ter sido identificada como teto do mundo pelo procurador-geral da Coroa Britânica na Índia, e após inúmeras expedições terem fracassado ao longo do caminho.

A missão coincidiu com os festejos ingleses em torno da coroação da Rainha Elizabeth II. Hillary e Norgay foram aclamados heróis, símbolos da persistência humana. Era a sétima tentativa do sherpa e a segunda do neozelandês.


A vez do triunfo brasileiro

No dia 14 de maio de 1995, o paranaense Waldemar Niclevicz e o fluminense Mozart Catão tornaram-se os primeiros brasileiros a conquistar o topo do Everest, escrevendo uma importante página na história do esporte nacional. A façanha foi realizada pelo norte da montanha, no Tibet. Dez anos depois, Waldemar repetiu a aventura. Dessa vez sem a presença de Catão, morto em uma avalanche durante uma escalada no Aconcágua em 1998. Foi na companhia de Irivan Burda que Waldemar levou a bandeira brasileira a tremular pela segunda vez no topo do mundo.


Amanhã: Em 1962 - Brasil estréia na copa


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1987 - Avião pousa no centro de Moscou

Jornal do Brasil: Sábado, 30 de maio de 1987
Cerca de 300 pessoas estavam na Praça Vermelha, quando surgiu um pequeno avião mono motor, branco com uma faixa azul e a bandeira da Alemanha Ocidental pintada na cauda, e que, após dar três rasantes sobre o mausoléu de Lênin, aterrisou a 50 metros das muralhas do Kremlin, em pleno coração soviético.

Desceu do avião um jovem alemão, de óculos, alto e magro, botas de alpinistas e blusão vermelho de aviador, acompanhado de uma mocinha. Foram logo cercados por moscovitas e turistas que lhes pergutaram de onde vinha. O rapaz respondeu com a maior naturalidade: "Helsinque".

O jovem alemão, identificado como Mathias Rust, 19 anos, morador de Hamburgo, brincou com as crianças e distribui autógrafos, até que os policiais de serviço no local, recuperando-se da surpresa, lembraram de detê-lo.

O mundo todo se perguntou como um aviãozinho de turismo pôde penetrar numa capital protegida por um cinturão de mísseis antiaéreos, poderosas estações de radares civis e militares e instrumentos capazes de detectar qualquer objeto voando pouco acima do solo num raio de 30 km.

Segundo fontes da OTAN, o fato parece indicar que nenhum avião-radar soviético operava perto de Moscou na ocasião.
Jornal do Brasil: Sábado, 30 de maio de 1987



Avião derruba ministro da defesa

vôo de Mathias Rust pelo espaço da União Soviética, que começou em Helsinque na Finlândia e terminou com um pouso em plena Praça Vermelha em Moscou, levou a demissão do ministro da Defesa soviético, o marechal Sergei Sokolov, por negligência.

O marechal foi acusado de grave abandono do comando de suas forças.
A façanha do jovem alemão mostrou como pode ser frágil o sistema de defesa soviético.
Por cúmulo da ironia, comemorava-se o Dia da Guarda Soviética das Fronteiras.



Amanhã: Em 1953 - O homem chega ao topo do mundo


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1977 - Golpe e barbárie em Angola

Jornal do Brasil: sábado, 28 de maio de 1977

Com auxílio de tropas cubanas o Governo angolano dominou a rebelião de oficiais do Exército ligados a dois dirigentes do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) - principal força política na luta de libertação nacional, Nito Alves e José Van Dunen, recém demitidos dos cargos de Ministro do Interior e de Comissário Político do Exército e prontamente presos, após serem acusados de fraccionismo.

O golpe em Angola eclodiu no início da madrugada, na capital desse país africano, e não resistiu sequer ao final da manhã. Logo após as oito horas, os rebeldes se renderam na Rádio de Luanda, de onde eram transmitidos os comunicados ao povo angolano. O rápido fracasso da rebelião, contudo não impediu que houvesse conflitos e explosões em diversos pontos da cidade. Mesmo depois daquelas horas sangrentas, muitas pessoas morreram, foram presas ou desapareceram em decorrência da maciça repressão desencadeada pelo regime contra seus opositores, a partir de então. A barbárie perduraria pelos dois anos seguintes.

Muita polêmica ainda gira em torno daquela fatídica manhã. Há quem diga que os responsáveis pela violência foram os golpistas e há quem diga que se tratou de uma conspiração política da polícia, que o fez para incriminar os golpistas.


A dura realidade da independência

A recém independente Angola vivia em meados da década de 70 um dos períodos mais dramáticos de sua história. Com a carência econômica, as classes populares sofriam com a falta de assistência de toda ordem: alimentação, saúde, emprego, saneamento básico, energia elétrica. Entretanto, continuava a crescer o aparelho de Estado — polícia, exército, funcionalismo das empresas estatais — privilegiando uma minoria dominante. As desigualdades sociais surgiam cada vez mais e de várias maneiras acelerando a marcha do país para o abismo da guerra civil (1975-2002).

Amanhã: 1987 - Avião pousa no centro de Moscou


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1968 - 10 milhões param a França

Primeira página do Jornal do Brasil: Quarta-feira, 21 de maio de 1968

Trezentas fábricas ocupadas e centenas interditadas, inclusive as grandes indústrias siderúrgicas, metalúrgicas, químicas e as automobilísticas. Paralisação total do sistema de transportes, à exceção dos táxis. Nenhum trem, ônibus ou avião em circulação para a locomoção municipal, interprovincial ou para o exterior. No setor das comunicações, em funcionamento apenas o sistema telefônico direto e o serviço de telegramas. Fora do ar todo o sistema de rádio e televisão. Contingentes da Polícia no entorno dos prédios públicos. Esgotados os estoques de alimentos, falta de combustíveis e acúmulo de lixo nas ruas. Pichados os muros e monumentos de Paris, historicamente zelados pela importância cultural. Escolas fechadas. A França isola-se. Paris transforma-se na capital da crise do mundo moderno.

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 21 de maio de 1968 - página 7




Continuando o efeito dominó, o movimento grevista, que já abalava a França desde o início do mês com os protestos dos estudantes e o apoio pleno da classe operária, alcançou seu ponto máximo estimando-se 10 milhões de integrantes, em virtude da adesão de novos setores em todo o país. Pararam os portos marítimos e fluviais, as instituições financeiras e os serviços públicos, que colocaram em xeque-mate o fornecimento de energia elétrica, gás e água.

Na maior greve de sua história, a França teve sua infra-estrutura largamente paralisada ou rendida ao controle operário.


O alvo das reivindicações era o Governo De Gaulle: reclamava-se a derrubada do governo, a tomada do poder e por mudanças políticas radicais. Acuado o presidente Charles de Gaulle anunciou que o governo levaria a cabo as reformas educacionais pedidas pelos estudantes e garantiria melhores condições à classe trabalhadora.

Os ecos do maio francês de 1968

Paradoxalmente, a greve geral que isolou a França atraiu para o país as atenções de todo o mundo. Após as tensas semanas da primavera, a paralisação chegou ao fim. Com os dias contados estava também o governo do General De Gaulle, que renunciaria ao mandato em abril de 1969, após uma derrota no referendo para transformar o Senado francês num corpo consultivo.

A dimensão daquele maio de 68 ficou evidente na repercussão dada à greve geral além das fronteiras da França. Propagando ideais de igualdade e liberdade, o movimento revolucionário inspirou levantes sociais no mundo inteiro.


Amanhã: 1935 - 50 anos sem Victor Hugo


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1991 - Sovieticos ficam livres para viajar

Jornal do Brasil: Terça-feira, 21 de maio de 1991


Um projeto lei que permitiria condicional aos cidadãos soviéticos saírem livremente do país foi aprovado pelo Parlamento da União Soviética após um ano e meio de debates. A nova medida entraria em vigor em 1º de janeiro de 1993, ao fim de muitos reveses e emendas desde que foi apresentada.

A nova lei acabava com a exigência de visto para sair do país e obrigava as autoridades a concederem passaportes para viagens internacionais num prazo de 30 dias - ou a recusá-los com base em critérios claramente definidos.

Um dos principais argumentos dos conservadores para tentar derrubar a lei eram os bilhões de rublos que o país teria de investir na modernização das comunicações aéreas e terrestr além da aquisição de divisas estrangeiras para possibilitar as viagens ao exterior. Um deputado alegou que a facilidade de viajar contribuiria para aumentar o perigo de uma epidemia de Aids no país, e outro argumentou que a aprovação da lei provocaria uma "fuga de cérebros" - um êxodo em massa dos melhores cientistas e técnicos soviéticos.

Os EUA há muito tempo pressionavam os soviéticos para que fosse aprovada uma lei que facilitasse as viagens e a emigração dos cidadãos soviéticos, apesar da preocupação de alguns países ocidentais com uma eventual fuga em massa.


O fim da União Soviética

Mikhail Gorbachev subiu ao poder em 1985 e promoveu uma profunda reestruturação do socialismo soviético, injetando maior dinamismo à economia. Em agosto de 1991 a ala ortodoxa comunista tentou reinstaurar o controle centralizado através de um golpe de estado. Os reformistas, liderados por Boris Yeltsin, detiveram o golpe, e a força moral do Partido Comunista foi esfacelada. A derrota acabou levando à fragmentação do país. Gorbatchev renunciou em 25 de dezembro e no dia seguinte o Parlamento Soviético proclamou a dissolução da URSS.


Amanhã: Em 1968 - 10 milhões param a França

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1935 - Misteriosa morte de Lawrence da Arábia

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 22 de maio de 1935 - página 9

O coronel britânico Thomas Edward Lawrence, 47 anos, o enigmático Lawrence da Arábia, morreu em decorrência de um acidente de motocicleta no interior da Inglaterra. O funeral, respeitando sua vontade expressa, revestiu-se de absoluta simplicidade, reunindo pouco mais de cem pessoas, a maioria de seu convívio particular.

Embora o inquérito oficial tenha constatado acidente às circunstâncias de sua morte, as especulações de assassinato sempre rondaram, com fortes indícios, o parecer policial. Jovem e herói, com vasta experiência estrategista, reunia habilidades suficientes para transformar-se em franca ameça aos serviços secretos de inteligência, excitados por toda ordem de informação na acirrada espionagem dos anos entre-guerras.

Lawrence foi um notável legendário inglês. Abraçou com excelência as causas que procurou defender: arqueólogo, militar, agente secreto, diplomata e escritor. Foi fundamental na manobra política britânica para vencer o Império Turco Otomano, aliado da Alemanha durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1919). Hábil articulador, organizando um exército de beduínos, consagrou-se herói militar ao reverter a ocupação do território árabe. Impediu a retaliação turca, através de ações de guerrilha, alcançando o triunfo com a tomada de Damasco em outubro de 1918.

Memórias, literatura e cinema

A experiência de Lawrence no movimento nacionalista árabe que arruinou o Império Turco Otomano foi narrada na autobiografia Os Sete Pilares da Sabedoria: a saga épica do autor na solidão do deserto resgatada por suas memórias num painel de emoções, aventuras e sonhos. Foi publicada pela primeira vez em 1926, numa edição artesanal restrita a amigos e escritores. Em 1962 o épico chegou às telas de cinema. Sob a direção de David Lean, Lawrence da Arábia conquistou sete estatuetas do Oscar, se firmando um dos melhores filmes em todos os tempos.


Amanhã: 1991 - Soviéticos ficam livres para votar


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1973 - Araceli, vítima da crueldade

Jornal do Brasil: Domingo, 28 de agosto de 1977
Araceli Cabrera Sanches Crespo, oito anos, desapareceu quando regressava do Colégio São Pedro, para a sua residência, em Vitória, Espírito Santo. Trajava vestido azul com blusa de manga, com as iniciais SP em vermelho. Seu pai, Gabriel Sanches Crespo, pensando tratar-se de sequestro, distribuiu fotografias da filha aos jornais com o anúncio acima. No dia 24 de maio, seu corpo, desnudo e desfigurado com ácido, foi encontrado em um terreno baldio, junto ao Hospital Infantil de Vitória.

Depois que o sargento José Homero Dias, quando estava prestes a esclarecer tudo, fora morto com tiros nas costas, o caso ficou por algum tempo esquecido. Clério Falcão, na época vereador que se elegera com a promessa de levar o caso Araceli até o fim, conseguiu a constituição de uma CPI na Assembléia Capixaba. A comissão concluiu que houvera omissão da polícia local, interessada em manter distantes das suas investigações os reais assassinos que eram figuras de prestígio. O crime repercutiu em todo Brasil, exigindo a devida apuração e a punição dos culpados.

A testemunha chave do caso foi Marisley Fernandes Muniz, antiga amante de Paulo Helal, que declarou que Araceli fora violentada e dopada com forte dose de LSD, à qual não resistiu. Dona Lola Cabrera Sanches, mãe de Araceli, também estava envolvida no crime.
Dona Lola - Jornal do Brasil: Domingo, 28 de agosto de 1977


O corpo de Araceli permaneceu no IML até outubro de 1975, quando foi enviado para autópsia no Rio de Janeiro, sendo sepultado no ano seguinte em Vitória. O perito carioca, Carlos Eboli, constatou que a causa mortis fora intoxicação exógena por barbitúricos, seguida de asfixia mecânica por compressão.

Os mais competentes advogados de Vitória foram contratados para destruir as provas do crime.



Dezoito anos depois, crime sem culpados


Jornal do Brasil: Domingo, 28 de agosto de 1977
Por trás do assassinato de Araceli se esconde uma vasta rede de traficantes e consumidores de cocaína, que já agiam na rota Brasil - Bolívia desde 1968. A mãe de Araceli, Lola participava do tráfico como transportadora da droga, e posteriormente como "contato" em Vitória, no Espírito Santo.
Jornal do Brasil: Domingo, 28 de agosto de 1977


Sete anos após o assassinato de Araceli, o juiz Hilton Sili condenou Paulo Constanteen Helal e Dante Brito Michelini a 18 anos de reclusão, e Dante Micheline a 5 anos.

Os empresários recorreram, e em 1991 os três condenados foram considerados inocentes.

Lola desapareceu de Vitória em 1981.



Amanhã: Em 1935 - Morre Lawrence da Arábia

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1989 - China inicia uma nova era

Jornal do Brasil: Quinta-feira, 17 de maio de 1989
O fim do passado e o começo de um novo tempo para as relações da China com a União Soviética, depois de 30 anos de crise. O aperto de mãos entre os líderes Deng Xiaoping e Mikhail Gorbachev deu-se no Palácio do Povo, em Pequim. Em meio a provérbios e frases de efeitos, os dois líderes anunciaram a normalização das relações, enquanto do lado de fora milhares de estudantes, operários e intelectuais continuavam com as manifestações que por dias lotavam completamente a Praça da Paz Celestial.

A reunião foi definida como uma abertura para o futuro e o começo de uma nova era.

Tanto Deng Xiaoping como Gorbachev tinham motivos de sobra para todos os sorrisos que distribuíam. O líder chinês, então com 84 anos, preparava-se para deixar a cena política, passando para a História como o homem que livrara a China do isolamento imposto pela Revolução Cultural de Mao Tsé-Tung, e realizou a aproximação com os soviéticos.

Uma das mais graves críticas chinesas era a alegada pretensão soviética em impor uma supremacia ideológica a Pequim. Além da questão ideológica, três outros pontos eram considerados vitais para a normalização das relações sino-soviéticas: a invasão do Afeganistão, de onde os soviéticos saíram em março desse ano; a militarização das fronteiras e a influência no Camboja.

A presença de observadores mudou inevitavelmente a natureza do evento. Os estudantes ficaram mais ousados com a cobertura da mídia ocidental. Mais de 300 mil pessoas deslocaram-se para a praça onde estavam cerca de 20 mil estudantes. Com 6 km e 10 pistas, a avenida Changan, a principal de Pequim, foi tomada pela multidão.

O vôo de Deng Xiaoping

Jornal do Brasil: Quinta-feira, 17 de maio de 1989
Deng Xiaoping ocupou diversos cargos na cúpula do regime comunista. Afastado duas vezes do governo, em 1965 e em 1976, ele voltaria ao poder em 1978, disposto a pôr a China na trilha da modernidade. A partir de 1980, anunciou reformas das instituições econômicas e políticas que levaram o país ao crescimento acelerado. Foi o criador do chamado socialismo de livre mercado. Ao reprimir com violência as manifestações pró-democracia na Praça da Paz Celestial, renunciou enfraquecido pela repercussão internacional. Em 1992 foi o primeiro líder comunista a se aposentar. Morreu em 1997.



Amanhã: 1926 - Marinetti para leitor do JB

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1908 - Cem anos da Imprensa Régia

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 13 de maio de 1908 - página 11

"Posto que não seja precisamente esta de hoje a data do aparecimento do primeiro jornal publicado no Brasil, o acontecimento que ela recorda está tão intimamente ligado à origem da imprensa brasileira, que não pode passar sem a solene comemoração dos que, como o Jornal do Brasil, trilham ainda agora o caminho iluminado pelo brilho dos exemplos daqueles que fizeram da imprensa o baluarte onde o direito e o progresso encontraram sempre a mais ardente defesa". Jornal do Brasil

A edição de 13 de maio de 1908 do Jornal do Brasil relembrou o grande passo dado pela imprensa nacional um século antes, quando logo após abrir os portos do Brasil ao comércio mundial, o Príncipe Regente João VI, decretou a criação da Imprensa Régia para imprimir os atos normativos e administrativos oficiais, permitindo também a publicação de obras diversas, desde que em consonância com as normas censoras do governo.

A primeira casa impressora do Brasil serviu-se de prensas, tipos, entre outros recursos gráficos utilizados pelo governo português em Lisboa, e trazidos na bagagem da Família Real quando da transferência da Corte para o Rio de Janeiro. A iniciativa de D. João VI foi revolucionária. Até então, qualquer escrito que surgisse na colônia deveria ser publicado na Europa ou permanecer na forma de manuscrito - restrição atribuída ao conservadorismo do Marquês de Pombal (1750-1777), para quem a impressão na colônia significava fonte de poder e influência para o fortalecimento dos jesuítas.

A produção da Imprensa Régia promoveu uma demanda de leitura até então inexistente, impulsionando o surgimento de novas editoras e tipografias, e determinando mudanças significativas no Brasil.

O primeiro jornal, órgão do Governo

Em 10 de setembro de 1808 era lançada A Gazeta do Rio de Janeiro, o primeiro jornal impresso nas máquinas da Imprensa Régia no Brasil. Publicado duas vezes por semana, era um veículo oficial que, constituído para atender aos interesses da Coroa, voltava-se para o glamour da vida cortesã: promovia o calendário das festas na Corte, divulgava os aniversários da Família Real. Também discorria sobre a política internacional onde deixava clara a sua parcialidade, ao focalizar a realidade européia diante das investidas napoleônicas e a instabilidade das colônias americanas da Espanha.


Amanhã: 1998 - A América perde a Voz


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1937 - A coroação do Rei Jorge VI

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 12 de maio de 1937

A cidade despertou sem ter dormido, tamanha a agitação da circulação de pessoas. O branco, o azul e o vermelho ornamentavam a capital londrina ao longo do percurso do cortejo real. As flâmulas tremulando nos mastros por toda parte davam a impressão de se ter voltado, decididamente, ao passado.

Uma multidão calculada em cerca de quatro milhões de pessoas, dos mais ilustres convidados estrangeiros aos mais humildes espectadores, tomaram parte nas festas da coroação do Rei Jorge VI e da Rainha Elizabeth.

A Inglaterra exibiu seus mais velhos costumes, ressuscitando os hábitos mais antigos que remontavam à coroação de Guilherme o Conquistador.

A cerimônia de coroação dos soberanos da Grã Bretanha é usualmente celebrada alguns meses depois do falecimento do antecessor, após o período de luto nacional, quando a família real se abstêm de tomar parte nos atos oficiais e nos acontecimentos sociais.

Devido à abdicação do ex-monarca Eduardo VIII o programa da investidura solene do novo rei foi completamente alterado, tornando-se necessárias modificações radicais, pois Eduardo de Windsor era solteiro, enquanto seu irmão e sucessor Jorge VI compartilhava o trono com sua ilustre consorte.

Na vetusta Abadia de Westminster, edificada pelo santo Rei Eduardo I, o Rei Jorge foi apresentado ao povo pelo arcebispo de Canterbury, e prestou o juramento com voz clara.

Um considerável número de "Jorges" e "Elizabeths" nasceram na capital londrina neste dia. A coroação foi transmitida pela televisão pela primeira vez.

Cerca de mil pessoas compareceram ao baile de gala no palácio do governador e as festas duraram quatro dias.


A tradição dos soberanos da Inglaterra

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 12 de maio de 1937
Em todos os países monárquicos europeus os soberanos são consagrados solenemente pela autoridade religiosa, oferecendo o ato uma excelente oportunidade para impressionar o povo e intensificar o sentimento de lealdade ao monarca. A origem da cerimônia litúrgica da coroação dos reis da Inglaterra data de épocas remotas. O povo inglês, apegado à tradição, conserva, através dos séculos, o simbólico ritual, que já existia antes de nossa era, sendo copiado dos judeus pelos cristãos.

Desde a fundação da Abadia de Westminster, o majestoso ato celebra-se nesse grandioso templo.



Amanhã: Em 1908, o Centenário da Imprensa no Brasil

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1968 - A sexta-feira sangrenta

Jornal do Brasil: Domingo, 12 de maio de 1968
A capital francesa ficou dividida em dois campos, quando cerca de 20 mil estudantes enfrentaram outros milhares de policiais que lhes barraram o caminho até a Sorbonne, a famosa universidade parisiense. Os universitários armaram grandes barricadas com automóveis virados para impedir o avanço policial. Foram arrancados paralelepípedos das ruas, grades das árvores e postes de sinalização para se proteger da polícia.

No meio da batalha dezenas de automóveis ardiam e a atmosfera estava cheia de fumaça e gás lacrimogêneo. Os policiais atacavam as barricadas e os estudantes se defendiam, recuando passo a passo, mas sem fugir.

A crise estudantil, que provocou 367 feridos e 468 prisões na "noite sangrenta" de sexta-feira, englobou todo o país e ameaçou seriamente a estabilidade do governo, o que fez com que o Presidente De Gaulle passasse a madrugada reunido com os seus generais em um verdadeiro conselho de guerra.

Em apoio e solidariedade aos estudantes, foi emitida uma ordem de greve geral de 24 horas pelas organizações operárias de maior expressão na França. O caráter internacional da crise estudantil se manifestou propagando-se rapidamente pela Europa, pelos Estados Unidos e pelo Brasil, adquirindo uma feição particular em cada um desse países.

O Maio de 1968 foi um movimento libertário e de celebração da utopia, quando estudantes e operários se uniram contra a opressão e pela solidariedade, lutando por uma maior participação de todos na vida social. Trouxe mudanças consideráveis nas relações entre raças, sexos e gerações em todo o mundo ocidental. Embora efêmero na sua duração, os seus ecos se fazem ouvir 40 anos depois.


A utopia libertária dos estudantes

Jornal do Brasil: Domingo, 12 de maio de 1968
A França concentrou em um mês as transformações sociais de uma década. Nos anos 60, sob o comando do General De Gaulle, tinha-se uma sociedade conservadora, estratificada e hierarquizada, vivendo os reflexos das perdas da Segunda Guerra Mundial. Por outro lado, o após-guerra foi um período de grande expansão econômica e de crescimento da juventude urbana, particularmente dos estudantes. Esta juventude, afluente e cosmopolita, entrou em conflito com os valores sociais e familiares tradicionais, em um embate fortemente influenciado pelas ideologias predominantes da época.



Amanhã:Em 1981, Reggae perde Bob Marley


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1978 - Fanatismo sentencia Aldo Moro

Primeira página do Caderno B do Jornal do Brasil: Quarta-feira, 10 de maio de 1978
"Um crime e um erro. Os assassinos de Aldo Moro não se livrarão jamais do estigma de fanáticos sem fé.

O crime foi hediondo, o erro irreparável. A condenação universal já está caindo sobre esta intolerância incapaz de substituir a falta de convicção.

É certo que o nome de Aldo Moro sobreviverá. Seus assassinos, porém, continuarão anônimos, pois o crime é mais forte que os criminosos.

O assassínio praticado em nome da ação política é incompatível com tudo o que o homem erigiu como valor de História, Civilização e Progresso
". Jornal do Brasil

O Presidente da Democracia Cristã Italiana, Aldo Moro, 61 anos, foi encontrado morto a tiros dentro de um automóvel estacionado no Centro de Roma, a menos de 150 m da sede do partido, 55 dias após ser seqüestrado por terroristas da Organização de extrema esquerda Brigadas Vermelhas numa tentativa mal sucedida de ser negociado em troca de 13 presos políticos.

As últimas vontades de Moro, expressas nas cartas enviadas do cativeiro, foram respeitadas. A família não revelou informações a respeito do enterro e dispensou todas as honras oficiais. A Itália parou, chocada com a violência, em manifestações que uniram todas as tendências políticas do país.

Só fanáticos como os assassinos de Moro poderiam considerar culpado um político cuja conduta era pautada pelo exercício da conciliação e do entendimento entre idéias que divergem quanto aos meios, mas que convergem na procura de melhorias para a vida humana e de uma organização social mais justa.

Como forma de julgamento, a condenação foi ato nulo e a execução da sentença um exercício de terror extremo dirigido contra a Humanidade.

Estado não negocia com seqüestradores

O caso Moro ainda suscita questionamentos sobre os motivos que levaram o Estado italiano a rejeitar qualquer negociação. Havia a promessa de sua libertação em troca de presos políticos militantes da Brigadas Vermelhas. O próprio seqüestrado implorou para que fossem considerada as condições impostas à sua libertação, conforme registrou nas inúmeras mensagens escritas do cativeiro. Mas o Governo manteve-se irredutível. Especula-se que sua política de coalizão e sua liderança tenham sido os responsáveis pela falta de vontade política oficial que culminou no ato extremo de sua execução.


Amanhã: 1968 - A sexta-feira sangrenta


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1945 - O dia da Vitoria

Jornal do Brasil: terça-feira, 8 de maio de 1945

"... Como Chefe de Governo e como brasileiro sinto-me orgulhoso pelos feitos dos nossos bravos expedicionários..."
(Getúlio Vargas)

Considerado feriado nacional, este dia marcou a volta ao Brasil dos primeiros escalões da Força Expedicionária Brasileira.
Jornal do Brasil: terça-feira, 8 de maio de 1945


A informação começou a circular logo cedo, veiculada por várias estações de rádio. A população carioca deixou-se contaminar com a notícia.

O comércio cerrou as portas e o movimento nas ruas tornou-se intenso. Ouviam-se a todo instante a buzina dos automóveis, o clamor das sirenes. Dos andares mais altos dos edifícios da Avenida Rio Branco e das avenidas e ruas próximas jogava-se papel picado, o que dava à cidade um ar festivo.


Quando os horrores da guerra se espraiaram até os mares do Brasil, o povo brasileiro veio para as ruas, em passeatas memoráveis, protestar contra o afundamento dos nossos navios; em comícios eloqüentes, pediu a guerra e reclamou a entrada do Brasil no grande conflito, e mais uma vez, à altura das suas tradições, vibrou de ardor cívico e patriótico com o dia em que a Alemanha se reconheceu aniquilada e se confessou vencida.

Jornal do Brasil: terça-feira, 8 de maio de 1945
A cidade marchou por várias ruas ao som de canções patrióticas, arrancando vibrantes aclamações do povo. Em meio ao imenso mar de gente que enchia a Avenida Rio Branco, dando-lhe características de singular apoteose, abria-se espaço para que, entre palmas e aclamações ruidosas, desfilassem soberbos os bravos integrantes do Corpo de Bombeiros ou os valorosos soldados do Exército Nacional, irmãos daqueles outros que, na Europa, honraram o nome do Brasil.

Foi uma vitória do povo o fim da guerra e, ao seu modo, ele a festejou.



O fim da II Guerra Munidal

Jornal do Brasil: terça-feira, 8 de maio de 1945
Anunciou-se oficialmente que a Alemanha rendeu-se incondicionalmente aos aliados, depois de seis anos de uma guerra sangrenta que se estendeu por todo o mundo civilizado.

A Alemanha, que começou a guerra com o impiedoso ataque à Polônia, seguido por agressões sucessivas e inomináveis brutalidades nos seus campos de concentração, rendeu-se com um apelo aos vencedores, pedindo misericórdia para com o povo alemão e as suas forças armadas.

O Japão continuou lutando desesperadamente por mais alguns meses no Pacífico.



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