Últimos posts

RSS Feeds

21 de abril de 1927: O triunfo de São Januário - o estádio do proletariado

A inauguração do Estádio de São Januário. Jornal do Brasil: Sexta-feira, 22 de abril de 1927

"Constituiu um verdadeiro acontecimento, a festa de inauguração do grandioso stadium do Club de Regatas Vasco da Gama. A formidável massa de povo que afluiu à vasta praça de sports de São Januário deu à festa um caráter de imponência que deslumbrou". Jornal do Brasil

Fruto do esforço de uma campanha intensa de arrecadação de verbas, dez meses depois de lançada sua pedra fundamental, estava erguido o Estádio Vasco da Gama, com engenharia assinada pela Cristiani & Nielsen, a mesma empresa que pouco antes havia erguido o Jockey Club Brasileiro no hipódromo da Gávea. Entre o numeroso público que prestigiou o evento de inauguração, estavam presentes o Presidente da República Washington Luis, o Major Sarmento de Beires, o Presidente da Confederação de Desportos, Oscar Costa e o jornalista Célio de Barros. Todos acolhidos pelo Presidente do clube Raul da Silva Santos, na tribuna de honra.

O auge da festa ficou por conta da partida entre Vasco e Santos, em que os anfitriões foram derrotados pelos paulistas (3 x 5). O placar desfavorável, contudo, não ofuscou o brilho do sonho realizado.

Até o ano de 1941, quando foi inaugurado o Pacaembu, em São Paulo, São Januário reinou absoluto como o maior e melhor estádio do Brasil.

Outras efemérides de 21 de abril
1960: A inauguração de Brasília
1976: Tiradentes, herói ou construção social?
1985: Brasil perde a liderança de Tancredo Neves

Embora dono de um futebol que não deixava nada a desejar em relação aos seus adversários, a falta de um estádio próprio, mascarando o esforço da elite em coibir a popularização do esporte no país, condicionava-se como justificativa para o Vasco não conseguir sua inclusão na nova liga. Motivo suficiente para que os admiradores do clube se mobilizassem. Erguido após superar uma série de empecilhos contrários à sua construção, o Estádio Vasco da Gama transformou-se num símbolo da luta das classes menos favorecidas no Brasil. Sua identificação com as camadas populares não se ateve às linhas do gramado, quando tornou-se o primeiro clube brasileiro a admitir jogadores negros em seu elenco. Durante a vigência do Estado Novo (1937-1945), o estádio abrigou sucessivas manifestações operárias, que traçaram os rumos para a ideologia trabalhista brasileira.

 Comentar (1)

29 de janeiro de 2009: O adeus a Hélio Gracie, o patriarca do jiu-jitsu

Hélio Gracie. Jornal do Brasil: Sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
"Meu pai sempre dizia: Zelo pela dignidade desse esporte com carinho, nervos e sangue. Foi oque ele fez a vida inteira, pondo o esporte para cima e ajudando as pessoas". Royler Gracie

Uma das maiores lendas das artes marciais, Helio Gracie, 95 anos, morreu em Itaipava, região serrana do Rio de Janeiro, onde morava num sítio. Segundo o Hospital Beneficência Portuguesa daquela cidade, onde esteve internado nos dois últimos dias, Helio apresentou um quadro de pneumonia.

Junto com seu irmão mais velho, Carlos Gracie, foi responsável pela difusão do jiu-jítsu no país e idealizou um estilo próprio de lutar, o Brazilian Jiu-Jitsu, que espalharia ao redor do mundo. Helio Gracie deixou mulher, Vera, e os filhos Rorion, Relson, Rickson, Rolker, Royler, Royce, Rherica, Robin e Ricci.

Outras efemérides de 29 de janeiro
1905: A morte de José do Patrocínio
1943: A política da boa vizinhança de Vargas e Roosevelt
1960: As histórias da bossa nova
1975: O assassinato do Bandido Lúcio Flávio
1981: Suárez deixa o Governo da Espanha

Helio nasceu no dia 1º de outubro de 1913, em Belém, no Pará. Ainda criança, mudou-se para o Rio com a família. Observador, era menino ainda quando começou a observar as aulas ministradas por seus irmãos de um esporte novo por aqui: o Jiu-Jitsu. Franzino e, dono de frágil saúde, não podia treinar o esporte como era tradicionalmente ensinado, especialmente por Carlos. Resolveu, então, a partir do aprendizado com seu irmão aprimorar a técnica do solo tradicional, através do uso do dispositivo de alavanca, dando-lhe a força extra que não possuía. Adaptou os princípios básicos para que qualquer pessoa pudesse praticar o jiu-jítsu.

Em mais de 80 anos de prática esportiva, conseguiu provar que sua técnica estaria acima da força bruta. Enfrentou diversos oponentes de renome, sempre maiores que ele. Uma de suas lutas mais famosas foi contra o japonês Masahiko Kimura, campeão mundial, realizada no Maracanãzinho, em 1951. Helio, com 63 kg, enfrentou um adversário de 100 kg durante 13 minutos. Apesar de ter sido derrotado, revelou ter ficado inconsciente no meio do combate, mas conseguiu se recuperar para continuar a luta, até seu rival quebrar-lhe o braço.

A última luta oficial aconteceria no dia 24 de maio de 1955. Desafiado por um antigo discípulo vinte anos mais jovem, Valdemar Santana, 90 kg, Hélio lutaria por ininterruptos 3h45, até ser derrotado. A partir de então, Hélio passaria a dedicar-se integralmente ao ensino do Jiu-Jitsu.

O Jiu-Jitsu faz o Homem
Talvez poucos consigam ter a dimensão da importância de Hélio Gracie no mundo dos esportes. Como grande mestre, ele ensinou muito mais que jiu-jitsu. Incentivou jovens a ter mais qualidade de vida. Ensinou que devemos fazer o que achamos certo, não importa em que circunstância, e que, mesmo agindo assim, estamos sujeitos a um desígnio superior, a um plano espiritual que interage com o nosso. Era um estudioso do ser humano. Acreditava que estamos, sempre, sendo observados e que, ao chegar ao outro lado, teremos que responder pelos nossos atos. Hélio formou uma legião de seguidores. Gerações e gerações que se inspiraram em seus ensinamentos e mantém viva a sua memória.

Pode interessar também
1993: O tiro que matou Brandon Lee

 Comentar

23 de janeiro de 1933: Jogador de futebol, uma nova profissão

Jornal do Brasil: Terça-feira, 24 de janeiro de 1933

Após uma polêmica sessão que reuniu representantes dos clubes de futebol do Rio na sede do Fluminense em Laranjeiras, por 4 x 3 foi aprovada a fundação da Liga de Profissionais e jogar futebol tornou-se oficialmente uma profissão. Não que antes os jogadores se esforçassem apenas pelo amor à camisa. A decisão apenas ratificou uma prática já usual: pagar aos atletas para jogar e recompensá-los de acordo com os resultados.

Participaram da cerimônia os senhores Oscar Costa e Arnaldo Guinle, do Fluminense, Dr. Oliveira Santos, pelo Flamengo, Dr. Ary Franco, representando o Bangu, Dr. Antonio Avellar, do America, Dr. Castello Branco e Alvaro Novaes, pelo São Cristóvão, Dr. Paulo Azeredo, Cte. Viveiros de Castro e Eduardo Trindade, do Botafogo, e Manoel Ramos e Julio Malitz pelo Vasco da Gama.

A medida criou um novo racha no futebol carioca, que passou a ter dois torneios paralelos: um para os que apoiaram a decisão, os profissionais, com América, Bangu, Fluminense e Vasco; e outro para os que posicionaram contrários, que se mantiveram amadores, no qual estavam Botafogo, Flamengo e São Cristóvão.

Outras efemérides de 23 de janeiro
1973: Acordo de Paz no papel
1985: A viagem diplomática do Presidente Tancredo Neves
1989: A morte de Salvador Dalí

O objetivo da Liga era pleitear à CBD o reconhecimento como entidade dirigente do futebol profissional no Rio de Janeiro, o que foi negado poucos meses depois, motivando a fundação em agosto da quele ano da Federação Brasileira de Futebol, com sede na Capital Federal.

A essa altura já estava claro que a questão não era esportiva, mas sim política. A cisão permaneceu até 1937, quando o profissionalismo foi adotado em todo o território nacional.

 Comentar

Hoje na História - Siga no Twitter!