21 de abril de 1927: O triunfo de São Januário - o estádio do proletariado
"Constituiu um verdadeiro acontecimento, a festa de inauguração do grandioso stadium do Club de Regatas Vasco da Gama. A formidável massa de povo que afluiu à vasta praça de sports de São Januário deu à festa um caráter de imponência que deslumbrou". Jornal do Brasil
Fruto do esforço de uma campanha intensa de arrecadação de verbas, dez meses depois de lançada sua pedra fundamental, estava erguido o Estádio Vasco da Gama, com engenharia assinada pela Cristiani & Nielsen, a mesma empresa que pouco antes havia erguido o Jockey Club Brasileiro no hipódromo da Gávea. Entre o numeroso público que prestigiou o evento de inauguração, estavam presentes o Presidente da República Washington Luis, o Major Sarmento de Beires, o Presidente da Confederação de Desportos, Oscar Costa e o jornalista Célio de Barros. Todos acolhidos pelo Presidente do clube Raul da Silva Santos, na tribuna de honra.
O auge da festa ficou por conta da partida entre Vasco e Santos, em que os anfitriões foram derrotados pelos paulistas (3 x 5). O placar desfavorável, contudo, não ofuscou o brilho do sonho realizado.
Até o ano de 1941, quando foi inaugurado o Pacaembu, em São Paulo, São Januário reinou absoluto como o maior e melhor estádio do Brasil.
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Embora dono de um futebol que não deixava nada a desejar em relação aos seus adversários, a falta de um estádio próprio, mascarando o esforço da elite em coibir a popularização do esporte no país, condicionava-se como justificativa para o Vasco não conseguir sua inclusão na nova liga. Motivo suficiente para que os admiradores do clube se mobilizassem. Erguido após superar uma série de empecilhos contrários à sua construção, o Estádio Vasco da Gama transformou-se num símbolo da luta das classes menos favorecidas no Brasil. Sua identificação com as camadas populares não se ateve às linhas do gramado, quando tornou-se o primeiro clube brasileiro a admitir jogadores negros em seu elenco. Durante a vigência do Estado Novo (1937-1945), o estádio abrigou sucessivas manifestações operárias, que traçaram os rumos para a ideologia trabalhista brasileira.
