Arquivo de June 2012

RSS Feeds

29 de junho de 1940: Morre o pintor alemão Paul Klee

Paul Klee. Reprodução

O pintor suiço, naturalizado alemão Paul Klee, 60 anos, Paul Klee morreu em Muralto, na Suíça.

De grande contribuição à arte do desenho e da pintura, O título de uma de suas obras, Fries, streng gefasst (Livre, mas rigorosamente contido), poderia servir como divisa para toda sua criação artística.

Outras efemérides de 29 de junho
1958: Brasil conquista a Copa de 58
1971: A tragédia da Soyuz

Paul Klee nasceu em 18 de dezembro de 1879 em Münchenbuchsee, perto de Berna, na Suíça. Inspirado nas histórias que sua vó contava, foi nesse tempo que descobriu o interesse por desenhos e pinturas, mas sempre tematizando fantasias. Não parou mais... Em 1900, inscreveu-se na Academia de Munique, mas largou os estudos para viajar pela Itália. Seis anos depois, casado com Lily Stumpf, instalou-se em Munique, na Alemanha. Foi nessa época, durante uma temporada em Paris, que conheceu renomados cubistas franceses, e se impressionou principalmente com a combinação de cores, que viriam a ter forte presença em sua obra.

O talento de Klee custou a ser aceita. Desenhos e gravuras que enviou a revistas foram recusados. Somente após 1912, sua produção tornou-se conhecida e começou a encontraram compradores. A arte de Klee e sua lição de liberdade exerceram influência crescente no pós-guerra, sobre tudo na luta dos novos artistas contra o normativismo.

Capaz de aliar o rigor artesanal a uma absoluta liberdade de invenção, Klee surpreende pela multiplicidade de formas, que abrangem um universo temático de enorme variação, desde composições em que se insinua a representação figurativa até fascinantes experiências com formas puras e inusitadas. Embora apaixonado pelo estudo da cor, Klee é antes de tudo um mestre do desenho, com a obra dominada pela linha.

Nos anos 20, lecionou na escola de Bauhaus e na Academia de Dusseldorf. A primeira exposição individual aconteceria em Paris no ano de 1925. Em 1935, realizou uma grande retrospectiva em Berna e, no ano seguinte, no Kunsthaus de Zurique. Com a ascensão do nazismo, sua obra foi atacada e exposta na Mostra de Arte Degenerada (1937).

 Comentar

25 de junho de 1984: O mundo se despede da genialidade de Michel Foucault

Morre Michel Foucault. Jornal do Brasil: terça-feira, 26 de junho de 1984.

O filósofo e historiador francês Michel Foucalt, 57 anos, morreu na UTI do Hospital La Salpêtrière em Paris, onde estava internado no setor de doenças nervosas, para uma série de exames investigativos, motivados por um tumor no cérebro.

Autor de extensa obra sobre Medicina, História e Ciência Política, Foucault foi um crítico implacável da Pquisiatria e da Psicanálise tradicionais.

Outras efemérides de 25 de junho
1960: Tragédia na Baía de Guanabara
1975: Moçambique conquista a independência
1997: Silêncio no mundo oceânico. Morre Jacques Cousteau

Michel Foucault

Calvo, grandes orelhas, uma espécie de guru dos filósofos de vanguarda da atualidade, Michel Foucault na tinha ainda 30 anos quando - com sua obra de estréia, Doença Mental e Psicologia (1954) - começou a dividir seus leitores em adeptos fervorosos e adversários contundentes. Uns e outros, no entanto, o admiravam, e respeitavam como um pensador prolífero e imaginoso, um rompedor de novas trilhas para a filosofia dos nossos tempos.

Ex-discípulo de Louis Althusser, ex-comunista de Partido (foi militante do PCF), ex-estruturalista, Foucalt, nascido a 15 de outubro de 1926 em Poitiers, filho de um médico, especializou-se em Psicologia, depois de completar seus estudos de humanidades. Mas foi sempre um professor de Filosofia, matéria que lecionou em várias universidades francesas, antes de conquistar em 1970 a cátedra de História dos Sistemas do Pensamento, no Colégio de França, a principal instituição universitária francesa.

Uma de suas obras mais conhecidas e mais polêmica, Vigiar e Punir (1975) é exatamente fruto dessa experiência. Trata-se de um amplo estudo sobre a extensão da disciplina na sociedade moderna. O enclausuramento físico da era clássica - sustenta Foucault - foi pouco a pouco substituído por um enclausuramento muitas vezes subjetivo, que resultou na exclusão de grupos inteiros da sociedade. Cada pessoa está submetida a mil formas de punição - na escola, no trabalho, em toda parte. "A disciplina" - garante Foucault - "é uma técnica de produção de corpos dóceis". Ao analisar nessa obra o instituto da prisão, o filósofo assegura que seu objetivo é separar fora-de-lei do proletariado, para reduzir, assim, a solidariedade e o protesto da classe inferior. As ilegalidades da classe dominante sobreviveriam através do confinamento das ilegalidades da classe dominada - conclui.

De certa forma, ele dissecava ai um tema paralelo ao da sua obra anterior de maior repercussão História da Loucura (1961), no qual narra como se deu, no início da era clássica, o "grande aprisionamento" dos indivíduos à margem da nova sociedade.

Depois da revisão da Psicanálise, Foucault empreendeu uma revisão política da sexualidade. iniciou com a publicação de uma monumental História da Sexualidade, cujo primeiro volume A Vontade do Saber (1976) afirma que a sociedade ocidental usa o sexo, como um dos seus instrumentos de Poder, não por meio de sua repressão, mas ao contrário, através de sua expressão, por vezes forçada. Para Foucautl, historicamente o Poder ocidental recorria para isso, à confissão. Modernamente, recorre à Psicanálise. Nessa fase permaneceu até o fim, embora tenha deixado incompleta. O segundo volume O Cuidado de Si (1984) foi lançado no Brasil logo após sua morte.

Foucault, que não gostava de ser chamado de filósofo ou pensador (dizia-se um artesão dos instrumentos da Filosofia), esteve muitas vezes no Brasil, sobretudo nos anos 70.

 Comentar

21 de junho de 1977: O último show de Elvis

Elvis Presley

"Eu amei, eu ri e chorei. Eu tive minhas faltas, minha parte de perder. E agora que as lágrimas cessaram, eu acho isso tudo tão divertido. Pensar eu fiz tudo aquilo... Eu fiz do meu jeito". Elvis Presley

Na noite do dia 21 de junho de 1977, Elvis Presley subiria ao palco pela última vez. A apresentação ao vivo, em que tocou piano para milhares de espectadores, aconteceu no recém inaugurado Rushmore Plaza Civic Center, em Los Angeles, Califórnia.
Ingresso do último show de Elvis Presley
My Way
And now the end is near
So I face the final curtain
My friend, I'll say it clear
I'll state my case of which I'm certain
I've lived a life that's full
I've traveled each and every highway
And more, much more than this
I did it my way
Regrets, I've had a few
But then again, too few to mention
I did what I had to do
And saw it through without exception
I planned each charted course
Each careful step along the byway
Oh, and more, much more than this
I did it my way
Yes, there were times, I'm sure you knew
When I bit off more than I could chew
But through it all when there was doubt
I ate it up and spit it out
I faced it all and I stood tall
And did it my way
I've loved, I've laughed and cried
I've had my fails, my share of losing
And now as tears subside
I find it all so amusing
To think I did all that
And may I say, not in a shy way
Oh, no, no not me
I did it my way
For what is a man, what has he got
If not himself, then he has not
To say the words he truly feels
And not the words he would reveal
The record shows I took the blows
And did it my way
The record shows I took the blows
And did it my way


Outras efemérides de 21 de junho
1945: Americanos ocupam Okinawa
1968: A sexta-feira sangrenta
1970: Brasil é tri no México

 Comentar (1)

20 de junho de 1988: Morre Aracy de Almeida, a grande intérprete de Noel

Morre Aracy de Almeida. Jornal do Brasil: terça-feira, 21 de junho de 1988.

Depois de treze dias internada no Hospital dos Servidores do estado depois de sofrer uma embolia pulmonar, Aracy de Almeida, 74 anos, morreu vítima de um súbito aumento de pressão arterial.

Outras efemérides de 20 de junho
1963: A estratégia do telefone vermelho
1994: Brasil estréia como favorito na Copa dos EUA

Ela foi cria de Noel, que quando a viu cantando em 1933 na Radio Educadora, gostou tanto de sua voz áspera que a convidou para uns chopps na carioca Taberna da Glória. Surgia, então, a sua maior intérprete, cultuadora e divulgadora. "É preciso deixar claro", frisou ela a vida inteira, "que se não fosse Noel, eu não estaria aqui cantando. Só ele acreditou em mim...". Para Aracy, como ela, modesta, dizia, sua descoberta foi enternecimento do poeta, por vê-la tão mal vestida e pobre, cantando com aquela garra toda num programa chinfrim, de quinta categoria.

Nascida e criada no bairro do Encantado, suburbio carioca, Araci Teles de Almeida, filha de um pastor protestante que era chefe de trens na Central do Brasil, começou cantando, ainda menina, na Igreja Batista do Méier, até ser levada por um amigo para apresentar-se na rádio, onde o destino lhe colocaria frente-a-frente com Noel Rosa. Entre o Encantado e o Méier, passou a maior parte de sua vida, circulando num meio em que a boêmia, a arte e o trabalho formavam um todo. Com uma voz debochada e anasalada, passou por várias emissoras de rádio, até se firmar de vez na Rádio Nacional, que reunia a seleta nata da música da Época de Ouro das rádios. Seu jeito de cantar deu fama a composições como Palpite infeliz (1935), O xis do problema (1936), Eu sei sofrer (1937) e Último desejo (1938). Com a precoce morte de Noel Rosa, passou a dedicar-se mais as marchinhas de carnaval.

Dona de uma autenticidade impar, Aracy foi um personagem público, quase folclórico, com seu bom humor paradoxalmente expresso em carrancas e em palavrões muito bem explorados. Em 50 anos de carreira, gravou cerca de 400 músicas, fez cinema e shows. Trabalhou ainda na televisão.

 Comentar (1)

19 de junho: O Dia do Cinema Brasileiro

2º Festival de Cinema Amador - 1966. Rogerio Sganzerla e Andrea Tanacci
2º Festival de Cinema Amador - 1966
Rogerio Sganzerla e Andrea Tanacci | CPDoc JB

Outras efemérides de 19 de junho
1953: A execução do casal Rosenberg
1955: Perón sufoca revolta na Argentina
1965: Golpe derruba presidente da Argélia

A data escolhida para homenagear o Cinema Brasileiro remete ao dia em que o cinegrafista italiano Afonso Segreto, ao chegar ao Brasil, antes de pisar em terra firme, fez a primeira filmagem em território nacional, registrando sua entrada pela baía de Guanabara.

O Jornal do Brasil tem um capítulo importante na história do cinema brasileiro. Em mais uma iniciativa pioneira, logo após o golpe de 1964, lançou o Festival JB, voltado às produções de curtametragens. Além de revelar novos talentos que se projetariam como renomados cineastas e produtores na indústria nacional do cinema, se firmaria como uma das poucas experiências culturais permitidas à uma geração criativa, ávida da liberdade tolida pelo regime recém instaurado no país, num processo de amadurecimento que perduraria por 11 edições, começando com uma primeira fase amadora (1965-1970) até encerrar seu ciclo com a fase profissional (1971-1977).

 Comentar (1)

18 de junho de 1984: "Memórias do Cárcere" estréia nos cinemas do Rio

Jornal do Brasil: 18 de junho de 1984

Jornal do Brasil: 18 de junho de 198


Baseado do romance homônimo de Graciliano Ramos, o filme "Memórias do Cárcere" marca o reencontro do público com o cinema brasileiro.

Com direção de Nelson Pereira dos Santos, a história retrata a violenta repressão política na Era Vargas, e sua atuante perseguição aos seus opositores pela ótica de um desses perseguidos, o escritor Graciliano Ramos, protagonizado por Carlos Vereza.

Graciliano é encarcerado numa ilha do litoral do Rio, como preso político. E plenamente incerto de seu futuro, relata seus dias em clausura, expondo sua opinião política sobre aquele momento, e sua precariedade física na obra "Memórias do Cárcere". Participaram ainda do elenco: Glória Pires, José Dumont, Nildo Parente, Wilson Grey, Tonico Pereira, Jorge Cherques, Jofre Soares, Fabio Barreto e Marcos Vinícius.

Prêmios: melhor filme no Festival de Gramado, 1984, melhor filme da crítica internacional no Festival de Cannes, 1984, melhor filme no Festival de Veneza.
Outras efemérides de 18 de junho
1953: Egito proclama a República
1979: O inexplicável Procópio Ferreira
1988: Senna iguala recorde na F1

 Comentar

15 de junho de 1996: O silêncio de Ella Fitzgerald

Outras efemérides de 15 de junho
1953: A demolição do bairro da Misericórdia
1977: É aprovada a Lei do Divórcio

Morre Ella Fitzgerald. Jornal do Brasil: 16 de junho de 1996

Uma das mais belas vozes da história do jazz se calou na manhã do dia 15 de junho. A americana Ella Fitzgerald, aos 78 anos, faleceu em sua casa, na Califórnia, devido a complicações oriundas da diabetes. Nos últimos dias de vida, a intérprete se encontrava em estado de semicoma, mas sua luta contra a enfermidade tornou-se crítica em 1993, quanto a cantora amputou as duas pernas, logo abaixo dos joelhos.



Ella Fitzgerald deixou um legado de mais de 250 discos, tendo recebido 13 prêmios Grammy ao longo de uma carreira marcada pela aproximação da técnica depurada com a emoção interpretativa. Ninguém como ela expandiu as fronteiras vocais do jazz com a técnica do scatting (utilização da voz como um instrumento musical).

Ella começou a carreira de cantora quando tinha 16 anos. Sua primeira gravação de sucesso ocorreu em 1938, com o disco A tisket, a tasket, cuja canção homônima foi incluída na década passada no Grammy Hall of fame, dedicado aos temas musicais mais importantes da história.

Em 1946, Ella ultrapassou as fronteiras americanas com sua voz, viajando para apresentações na Europa e Japão. Em 1947, Ella gravou duas obras-primas em matéria de jazz: as canções How high the moon e Lady be good, clássicas nos registros de instrumentalização vocal. Daí para a fama universal foi um pulo. Ella passou a ser conhecida como a primeira-dama da canção, uma das maiores vozes do jazz.

Fitzgerald chegou a se apresentar no Brasil em 1960, acompanhada do pianista Paul Smith. Oito anos depois foi convidada a participar do Festival Internacional da Canção, aqui, mas rejeitou. Ella disse que não desejava ser vaiada pelo público brasileiro como ocorrera no ano anterior com o maestro Quincy Jones. “Não tenho culpa de ter nascido nos Estados Unidos, país que os brasileiros parecem não simpatizar”, declarou na época.

Ella afirmava nunca ter estudado música. Dizia que “aprendia com os músicos com quem tocava”, e só citava Connie Boswell como sua influência.

 Comentar

11 de junho de 1979: Hollywood perde John Wayne, o último dos cowboys

Morre  John Wayne. Jornal do Brasil: Segunda-feira, 13 de junho de 1979.

"O que quer que eu represente, seja um cowboy, um piloto, um capitão de navio, ou um Texas Ranger , tenho de ser sempre, e antes de tudo, John Wayne"

O veterano ator de cinema John Wayne, 72 anos, morreu no final da tarde no Centro Médico da Universidade da Califórnia, vítima de câncer, doença contra a qual combatera tenazmente por mais de 15 anos. Chegava a o fim a trajetória do grande ícone dos filmes de cowboy da indústria de Hollywood.

A morte de Wayne teve intensa repercussão e provocou numerosas manifestações de afeto e respeito nos meios cinematográficos. Sua última aparição pública ocorreu no dia 9 de abril daquele ano, por ocasião da entrega da premiação do Oscar, em Los Angeles. Foi recebido pelo público presente de pé, com uma grande ovação.

Outras efemérides de 11 de junho de 1962
1915: Os 50 anos da Batalha do Riachuelo
1962: A fundação da Eletrobras
1970: O sequestro do embaixador Alemão
1996: A tragédia no Osasco Plaza Shopping

Em meio século de cinema - estreou em 1928 - sua filmografia oficial registra nada menos de 155 títulos, mas somando-se a eles os curtas e mediametragens dos primeiros anos, a marca supera 200. Nessa longa trajetória, enriqueceu, ganhou Oscar, criou uma legenda em torno de seu nome e viu as novas gerações descobrirem em seus filmes o mesmo encanto que arrebatava os velhos fãs do Western.

Em John Wayne, a lenda e a realidade, muitas vezes se confudem. Não há diferença entre o vaqueiro preso à sela de seu cavalo, a cavalgar poeirentas e intermináveis estradas desertas, e o jovem ator que o perseguiu, com a obstinação de um pioneiro, sua grande chance no cinema. Nem entre o mocionho implacável que destrói inimigos, ainda que índios inocentes, e o sujeito que liderou, em Hollywood, uma incansável cruzada contra seus adversários políticos. Nem entre o romântico conservador, tímido, mas machista, da maioria de seus filmes, e o homem que fora da tela sempre encarou as mulheres como adoráveis coadjuvantes.

Em seu último filme, The shootist (1976), Wayne é um cowboy que está morrendo de câncer. Nostalgicamente, ele revê os filmes que documentam suas façanhas no tempo das diligências. Lenda ou realidade?

E na mesma proporção que colecionou sucessos, Wayne por sua postura reacionária, extremista e intolerante, fez, em Hollywood, mais inimigos do que seus personagens entre os bandidos do Oeste. Nada que, contudo, o impedisse de ser até o fim John Wayne.

 Comentar

9 de junho de 1974: Adeus a Miguel Angel Asturias, a voz latino-americana


Morre Migual Alnges Asturias. Jornal do Brasil, 10 de junho de 1974



O escritor guatemalteco Miguel Angel Asturias, 74 anos, morre, sem concluir o livro que estava escrevendo e que levaria o título de Dos Veces Bastardo, uma continuação de sua última obra Viernes de Dolores, sobre seus anos de estudante na Bolívia.

Romancista, etnólogo, jornalista, ensaísta, poeta, diplomata, gastrônomo, Miguel Angel Asturias nasceu na Guatemala, a 19 de outubro de 1899.

Após cursar a Faculdade de Direito, onde recebeu o primeiro prêmio da universidade por sua tese de doutoramento sobre o problema social do índio, transferiu-se para Paris onde viveu por 10 anos.

Apaixonado pela Etnologia dedica os cinco primeiros anos ao estudo, na Sobornne, das religiões e culturas da América Latina. Em 1930 publica na França o seu primeiro livro, Lendas da Guatemala, no qual descreve a vida e a cultura maias antes da conquista espanhola. Paul Valéry escreveu no prefácio: "Volte para o seu país; somente o contacto com o povo guatemalteco poderá desenvolver sua obra". Descendente de índios, voz e máscara de guerreiro maia, nunca esqueceu o conselho que o poeta francês lhe deu, voltando sempre que pode para a Guatemala, "para a natureza, língua e magia que sustentam o meu romance".

Um dos fundadores da Universidade Popular da Guatemala, exerceu ainda, de volta à sua terra natal, uma dupla carreira de político e diplomata. Eleito deputado federal em 1942, organizou, em plena II Guerra Mundial, uma sociedade de ajuda à França Livre do General De Gaulle. Em 1946 inicia carreira diplomática e publica O Senhor Presidente, uma denúncia das atrocidades cometidas pelo ditador gualtemalteco Manuel Estrada Cabrera. Este romance atraiu a atenção internacional para a obra de Asturias e, conseqüentemente, para a literatura latino-americana.

Recebeu o Prêmio Lênine da Paz em 1966, e o Prêmio Nobel da Literatura, em 1967.

Outras efemérides de 9 de junho
1966: Americanos lideram corrida espacial
1999: Otan e Iugoslávia assinam acordo de paz

A função vital de sua obra literária
A obra de Miguel Asturias combina o misticismo maia com o protesto social e as aspirações morais de seu povo. Serviu nas Embaixadas da Guatemala no México e na Argentina, como Adido Cultural e, como Ministro Conselheiro na França e em El Salvador.

O então Embaixador guatemalteco em Paris tornar-se-ia rapidamente o escritor da América Latina mais lido no mundo.

 Comentar

6 de junho de 2000: Adeus a Kid Moringueira, o representante maior dos malandros de fina estampa

Adeus a Kid Moringueira, o representante maior da fina malandragem. Jornal do Brasil: Quarta-feira, 7 de junho de 2000.

"... Tive 200 baianas, 300 pernambucanas
95 paulistas, Mineiras, perdi a lista
Tive umas 20 gaúchas
E uma paraibana - eu, hein?!
Carioca umas 700
Só no bairro de Copacabana...
"

Depois de uma longa vida de ginga e malandragem, Moreira da Silva, 98 anos, morreu no Hospital dos Servidores do Rio, onde estava internado desde o último dia 15 de maio. Ícone de uma geração que fez sucesso no rádio, com uma coleção de sucessos de qualidade - o que em qualquer lugar do mundo lhe valeria uma aposentadoria mais do que sossegada, morreu sem um tostão. Seus últimos dias foram passados num apartamento pequeno no Catumbi. Doente desde abril corrente, o cantor acumulou uma dívida de cerca de R$ 50 mil, por conta do tratamento médico.

Tijucano de nascimento, foi o legítimo representante dos malandros de fina estampa. Flamenguista de coração e inventor do samba de breque, deixou mais de 100 discos gravados e inúmeras faixas onde o herói é ele mesmo, o Kid Moringueira.

Outras efemérides de 6 de junho
1944: O Dia D
1961: Governo tira Rádio JB do ar
1989: A revolução de Khomeini

Não é cascata ou conversa de porta de botequim. Antônio Moreira da Silva nasceu no dia 1º de abril de 1902. Entre tantos biscates, foi motorista de ambulância e funcionário de uma fábrica textil, de onde nasceu a inspiração para compor o figurino impecável da malandragem: terno de linho, sapato de biqueira, chapeú de Panamá e a lapela ornada ora com flor, ora com lenço - dependendo da ocasião.

Estreou com Arrasta Sandália (1933), que passou quase em branco. Sucesso mesmo só em 1936, quando gravou Jogo Proibido. Dali pra frente, O Rei do Gatilho, de Miguel Gustavo, gravada em 1962, cujo reino ia das mediações da Lapa aos confins da Tijuca, passando pelo Estácio e pela Zona do Mangue, virou emblema da malandragem.

O falso malandro
Moreira da Silva sempre foi um falso malandro: quase não bebia, brigava pouco e dormia cedo. Na cartilha do autêntico malandro, só não dispensava as gírias e as mulheres. Foi um colecionador de namoradas. Sempre bonitas e novinhas.

 Comentar

1º de junho de 1993: O jornalismo perde a genialidade do Mestre Castelinho

"Sou apenas um pobre nordestino perseguido pela diversidade"
Castelinho
Jornal do Brasil: Quarta-feira, 2 de junho de 1993

Jornalista que fez história, um dos mais influentes colunistas políticos de todos os tempos, Carlos Castello Branco, 72 anos, morreu as 10h da manhã, vítima de infarto no Hospital Samaritano, zona sul carioca, onde se restabelecia de uma cirurgia a que se submetera dois dias antes.

Castelinho, como era tratado por amigos e leitores, em 54 anos de jornalismo deu à crônica política um status de História em sua Coluna do Castello, publicada diariamente entre 1963 e 1993 no Jornal do Brasil. A coluna foi leitura diária e imprescindível na vida dos brasileiros. Durante os anos de chumbo do regime militar, Castello transmitia informações em mensagem cifrada. Ensinou o país a ler nas entrelinhas, dizendo o que não podia ser dito.

Outras efemérides de 1º de junho
1973: Proclamada a República na Grécia
1987: Premier do Líbano, Rashid Karami, é morto em atentado

Lutava contra os obstáculos à livre expressão desde os primórdios da vocação de jornalista, quando no jornalzinho da escola que fazia a quatro mãos, em Terezina, no Piauí, muitas vezes desafiou o diretor do ginásio.

Ávido leitor dos clássicos, sonhava com a literatura. Entre os diversos livros da sua autoria destaca-se Os Militares no Poder em três volumes.
Veio para o Rio em 1945 trabalhar em O Jornal e no Diário da Noite, veículos da cadeia de jornais e emissoras de rádio Diários Associados, dirigido por Assis Chateaubriand. Deixou os Associados em 1950 para ser chefe de reportagem redator do Diário Carioca. Como cronista político da revista O Cruzeiro, viajou com o então candidato Jânio Quadros durante a campanha eleitoral. Assume o cargo de Secretário de Imprensa do presidente Jânio Quadros em 1961. Seis meses depois Jânio renunciava, e Castello começava a publicar a Coluna do Castello , inicialmente na Tribuna da Imprensa, e a partir de 3 de janeiro de 1963, no Jornal do Brasil. Como mestre consumado do estilo, foi dos que mais contribuíram para o apuro de texto no jornalismo brasileiro.

Um homem honrado e patriota

Carlos Castello Branco nasceu na capital piauiense em 25 de junho de 1920. Depois de concluir o curso ginasial foi enviado aos 16 anos a Belo Horizonte para formar-se, como o pai, em Direito. Formou-se advogado pela Universidade Federal de Minas Gerais em 1943. Como jornalista, já acompanhava os acontecimentos desde 1939, no Estado de Minas. Casou-se com Elvia Lordello em 1948, sua eterna companheira. Romancista e historiador, pertencia à Academia Brasileira de Letras desde 1982. Tinha a virtude de ouvir e enxergar longe. Homem digno, honrado e patriota.

Saiba mais de sua vida e obra no site Carlos Castello Branco.

 Comentar (1)

Hoje na História - Siga no Twitter!