Duas bombas explodiram no Riocentro quando era realizado um show em homenagem ao 1º de Maio, com a participação de vários cantores de música popular brasileira.
A primeira bomba explodiu no interior do automóvel Puma cinza metálico RJ - 0297 que manobrava na pista do estacionamento enquanto, a 120 metros de distância, a cantora Elba Ramalho abria o show promovido pelo Centro Brasil Democrático. Uma segunda bomba explodiu 10 minutos depois, na casa de força do Riocentro. Uma terceira bomba que não explodiu foi recolhida pela polícia no automóvel destruído.
Os passageiros do Puma eram o Sargento Guilherme Pereira do Rosário, que morreu na hora, e o capitão Wilson Luis Chaves Machado, que ficou gravemente ferido. O carro estava cheio de explosivos e ficou parcialmente destruído. Os policiais encontram e recolheram partes dos corpos dos seus ocupantes em pontos distantes mais de 50 metros do carro.
A área teve sua faixa de isolamento ampliada e o policiamento foi duplicado, tendo sido proibido fotografar a qualquer distância do local. A intenção dos policiais era evitor que os fotógrafos e as câmeras de televisão documentassem o ocorrido. O Exército assumiu a responsabilidade de investigar o atentado.
Em 1974, Ernesto Geisel havia sinalizado, através de discursos e declarações, que iniciaria a abertura política de forma lenta, gradual e segura. Os civis e militares contrários à redemocratização iniciaram então um processo violento contra os grupos que faziam oposição ao regime militar. Foram vários os casos de tortura, assassinatos, bombas, e execuções por esquadrões da morte.
A bomba explodiu no governo
A bomba arrebentou com a credibilidade do governo. O Exército assumiu as investigações e, contra os laudos periciais que indicaram que uma das bombas explodira no colo do sargento, concluiu que os dois militares, em vez de autores do atentado, teriam sido vítimas de um ato terrorista.
Foi realizada uma nova investigação, que não respondeu à principal pergunta: quem mandou explodir a bomba no Riocentro e até que ponto o conhecimento desse atentado subiu a escala hierárquica das Forças Armadas.
Até hoje o atentado não foi totalmente esclarecido.
Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, Gonzaguinha, era filho do cantor e compositor Luiz Gonzaga, e da cantora e dançarina Odiléia. A mãe de Gonzaguinha morreu de tuberculose aos 22 anos, e ele foi criado no morro de São Carlos, no Estácio, pelos padrinhos Xavier e Dina, ambos homenageados em uma das suas músicas.
Durante o período em que cursou Economia na Faculdade Cândido Mendes conheceu Ivan Lins, Dominguinhos, Aldir Blanc e César Costa Filho [os quais criaram juntos nos anos 70, o Movimento Artístico Universitário (MAU).
Gonzaguinha apresentou-se em festivais, mas só ficou conhecido pelo público depois de cantar no programa de TV de Flávio Cavalcante. Recebeu críticas e advertências da censura, mas o seu compacto, que estava encalhado nas lojas de discos, esgotou-se rapidamente. Suas letras politizadas e irônicas foram diversas vezes censuradas pelo regime militar e lhe valeram o apelido de cantor-rancor. Logo no seu LP de estreia, em 73, o compositor teve problemas com a música Comportamento Geral (você deve lutar pela xepa da feira e dizer que está recompensado), que desagradou à ditadura.
A partir desse disco passou a disputar com Chico Buarque o título de compositor mais perseguido pela Censura. Devido a essa implacável perseguição era obrigado a produzir dois discos para conseguir gravar um. Mas Gonzaguinha permanecia tranquilo e dizia: "Nunca supervalorizei a censura, que era decorrente do estado de coisas do país".
O compositor lutou por mudanças no Escritório de Arrecadação do Direito Autoral (Ecad), dispensou a intermediação de empresários e fundou o seu próprio selo, o Moleque.
Mudança e popularidade
A grande guinada na carreira veio em 1976 com o disco Começaria tudo outra vez, com músicas mais leves, que fizeram grande sucesso. As composições de Gonzaguinha foram gravadas por Elis Regina, Simone, Maria Bethânia e Frenéticas.
O músico fez shows em parceria com o pai, Gonzagão, o Rei do Baião e gravou Vida de Viajante com o seu pai, Gonzagão, o rei do baião.
Ao final de uma noite em que morreram de 150 a 200 guerrilheiros numa ação do comitê nacional de libertação, Benito Mussolini, 61 anos, foi preso ao ser identificado numa barreira dos guerrilheiros antifacistas, numa tentaiva de fuga para Suíça com a amante e sumariamente executado por guerrilheiros italianos no norte do país. A essa altura, a Itália se achava quase completamente ocupada pelos aliados, e poucos dias depois terminaria a Segunda Guerra Mundial.
Uma multidão amarrou com arames os cadáveres de Mussolini e da sua amante Clara Petacci pelos joelhos, pendurando-os numa viga num posto de gasolina.
A população tomada de fúria indescritível, pisoteou repetidamente a face do ex-Duce, até que se tornou impossível reconhecer à primeira vista as feições características do antigo ditador, que governou o pais durante duas décadas. Todos os dentes foram arrancados em conseqüência de pontapés. A saia de Clara Petacci foi arrancada e a multidão cuspiu sobre ambos os cadáveres. Junto aos corpos haviam sido colocados os de outros quatro fascistas.
Os cadáveres foram removidos por um caminhão para o necrotério público, onde foram colocados em local onde pudessem ser vistos por toda a gente. Já então, a cabeça de Mussolini se havia convertido numa massa amorfa, irreconhecível. Em contraste com o horrível aspectos do seu amante, Clara Petacci permanecia formosa mesmo na morte. Embora com a dentadura desfalcada e ensangüentada, e o cabelo a revolta, continuava bonita. Seu corpo, que a multidão desnudara parcialmente, foi coberto com uma calça velha de homem.
Ricardo Lombardi, novo prefeito da Província de Milão, disse que o fuzilamento de Mussolini foi perfeitamente legal, posto que o Comitê Nacional de Libertação havia proclamado que todos os fascistas armados se encontravam fora da lei.
Dulce foi vingado à Italiana
Benito Amilcare Andrea Mussolini nasceu em Dovia di Predappio, na província de Forli, em 29 de julho de 1883, filho de um ferreiro. Começou a trabalhar como professor, mas logo seu interesse se voltou para a revolução. Seu prestígio aumentava e em 1911, Mussolini já era um dos principais dirigentes da Itália fascista. Governou a Itália com poderes ditatoriais entre 1922 e 1943, autodeterminando-se Duce, que significa em italiano "o condutor".
"O desafio da modernidade é viver sem ilusões,
sem se tornar desiludido". Antonio Gramsci
Tuberculoso, o filósofo italiano Antonio Gramsci, 46 anos, morreu numa clínica em Roma, quatro dias depois de alcançar a liberdade. Antifascista, foi preso em 1926, condenado a mais de vinte anos de prisão, onde permaneceu até receber a liberdade condicional, motivada por sua saúde debilitada, as vésperas de sua morte.
Deixou viúva a russa Giulia Schucht, violinista com quem teve dois filhos.
Italiano da Sardenha, Antonio Gramsci nasceu em 23 de janeiro de 1891. Foi na Universidade de Turim, onde cursou Literatura, que entrou em contato com a Federação Juvenil Socialista, o que culminou com sua filiação ao Partido Socialista em 1914. Para defender suas ideias, lançou ao final da Primeira Guerra o jornal L´Ordine nuovo, que reivindicava a participação política do proletariado.
Mais tarde, seria um dos fundadores do Partido Comunista Italiano, o que o levaria a passar um período de dois anos na União Soviética, como membro executivo da Terceira internacional, enquanto na Itália o fascismo cresce imponente. De volta ao país, encontra uma realidade política bastante delicada e assume a direção do partido, com a missão de hegemonizar as forças de esquerda. Incansável, não consegue o triunfo. E refém de toda sorte de especulações e intrigas políticas acaba preso pela polícia italiana.
Gramsci se dispôs a estabelecer uma unidade entre a teoria e a prática do marxismo. Criticou o elitismo dos intelectuais e exerceu profunda influência sobre o pensamento marxista. Dono de uma obra consubstanciada em cadernos escritos nos anos de prisão, só publicada após a guerra, a parte mais notável são suas Lettere dal carcere (1947): notável documento humano e cultural em que revela suas preocupações familiares e discute problemas filosóficos e estéticos.
Mundialmente famosa pela série de TV I love Lucy, a comediante Lucille Ball, 77 anos, morreu pela manhã, no Hospital Cendars-Sinai, onde estava internada havia uma semana, desde que sofreu um ataque cardíaco. Segundo o último boletim médico, Lucille vinha se recuperando bem da cirurgia realizada logo após o infarte. No entanto, surpreendentemente, seu coração parou. Os socorros médicos não foram suficientes para reanimá-la.
Nascida em 6 de agosto de 1911, em Jamestown, NY, a atriz tornou-se célebre na década de 50, estrelando ao lado de seu primeiro marido, o maestro cubano Desi Arnaz, a série de tv I love Lucy. No programa, ela interpretava uma aloprada dona-de-casa sempre às voltas com não menos alopradas situações familiares nos melhores moldes do american way of life.
Ainda na adolescência, quando tentava seus primeiros papéis artísticos, ouviu de seu professor: "Vá para casa e se case. Você não foi feita para o show business". Ao contrário do que poderia parecer, isso a estimulou. "Eu sabia que tinha de fazer alguma coisa direito", comentava quando se recordava desse episódio.
Antes da notoriedade televisiva que chegaria nos anos 50, ela participou de inúmeros filmes classe C. Foi no set de filmagem de um deles que conheceu Arnaz, que logo se tornaria seu marido. O casamento deu início ao período mais produtivo de sua carreira. Nem mesmo os problemas com o Comitê de Atividades Anti-Americanas do congresso norte americano (Lucille foi considerada pelos macartistas uma simpatizante do comunismo) foi capaz de impactar sua bem sucedida trajetória profissional, consolidada ainda mais com o nascimento de seu filho. Enquanto isso, Arnaz capitalizava sua popularidade fundando a lucrativa companhia Desilu. Além de I love Lucy, os dois estrelaram The Lucille Ball-Desi Arnaz comedy hour - seriado que chegou ao fim junto com o casamento em 1960.
Lucille seguiu em frente. Se casou novamente, com o comediante Gary Morton. E vieram novos papéis em The Lucy show, Here´s Lucy e Life with Lucy. "Me aposentar era a última coisa que eu gostaria de fazer." Que bom para seus fãs que aquele velho professor havia se enganado...
O saxofonista Dexter Gordon, 67 anos, morreu no início da madrugada num hospital da Filadélfia, vítima de complicações renais. O músico sofria de câncer na laringe e seguia, desde a sua descoberta, um ano antes, em tratamento médico.
O grande público talvez se lembre dele pelo papel do saxofonista expatriado que quase lhe deu um Oscar por Round Midnight (1986), filme em que o francês Bertrand Tavernier homenageia os jazzmen americanos que em certa época viveram em Paris. Mas para os fãs do jazz, Dexter Gordon foi muito mais que isso: um músico que, tendo assimilado toda sorte de influências nos tempos do bebop, acabou se transformando numa das mais originais e influentes vozes instrumentais de toda música americana.
Nascido em Los Angeles, em 27 de fevereiro de 1923, desde menino, o jazz era o que de mais importante Dexter tinha na vida. Talvez por isso, tenha sido uma personalidade tão fascinante quanto a sua música. Na rua em que passou toda a infância, só se ouvia jazz. Logo começou a tocar gaita, clarinente, e aprendeu harmonia e teoria musicais. Nos anos 30, foi a vez de descobrir o sax, e ser descoberto por Lionel Hampton. De ouvidos atentos, Dexter percorreria os anos seguintes ligado no bebop, do qual seria o maior tenor. E não se tardaria a envederar um caminho original, transformando-se em uma das principais atrações das noites de Nova York.
Mas a partir dos anos 50, como tantos músicos de jazz, passou a viver tempos difíceis. As oportunidades reduziram-se a olhos vistos e a indústria musical não se mostrava interessada em gravá-lo. O próprio bebop, que lhe parecia definitivo, acabou cedendo vez ao cool. E Dexter sentiu-se fraco demais para entrar na briga. Foram tempos de sérios problemas com as drogas, com a polícia e o público. Por pouco, não chegou ao fim da linha.
E ao invés de continuar a assistir à sua e a agonia do jazz norte americano, Dexter fez como muitos outros músicos, que correram para a Europa em busca da sobrevivência. Foi na Dinamarca que recuperou fôlego, e onde permaneceu até 1977, quando voltou para os EUA para retomar seu lugar na linha de frente do jazz. Durante esse período na Europa, ele viajou muito, fez inúmeros espetáculos e gravou para selos europeus. Merecido retorno para o artista e seus admiradores.
Depois de enviar um ultimato para que os argentinos se retirassem das ilhas Malvinas, ocupadas desde 2 de abril, a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher ordenou a preparação das tropas britânicas para a guerra.
Antes de começar a batalha, os ingleses sofreram sua primeira baixa. O suboficial Kevin Stuart Casey caiu no mar, após fazer manobras em um helicóptero Sea King.
Em 2 de maio, a Argentina sofreu o seu pior ataque, quando o submarino inglês Conqueror torpedeou o cruzador General Belgrano. O navio adernou e afundou uma hora depois, matando 368 tripulantes. A embarcação estava em águas argentinas e fora da zona de guerra. Parentes das vítimas tentaram processar o governo britânico pelo ato, mas a Corte de Direitos Humanos da Europa recusou a ação no ano 2000.
Em 7 de maio, a Royal Navy estabeleceu uma Zona de Exclusão Total ampliada para até 20 km da costa argentina, dentro da qual qualquer navio que trafegasse sem autorização seria atacado e destruído. Vários navios-patrulha argentinos e outros que tentaram furar o bloqueio foram atingidos ou aprisionados.
No conflito morreram 712 soldados argentinos e 255 ingleses. A Inglaterra gastou 2 bilhões de libras em armas e equipamentos. Foram usados os caças-bombardeiros de última geração enquanto os soldados argentinos não tinham sequer agasalhos adequados para enfrentar o clima hostil das ilhas. As Ilhas Malvinas foram domínio argentino de 1820 até 1833, quando foram ocupadas pelo Reino Unido, que as administra desde então.
A derrota dos militares argentinos
O general Galtieri, chefe da Junta militar, que estava no poder na Argentina desde 1976, lançou mão da invasão das Ilhas Malvinas como último recurso para reaver a popularidade desgastada pelas acusações de violações dos direitos humanos e pela crise econômica. Mas o artifício não deu certo. A rendição argentina acelerou a queda da ditadura. Os militares passaram a ser vistos como aventureiros, que jogaram o país em uma guerra inútil. O general Galtieri foi deposto e, no ano seguinte, foram realizadas eleições livres, com a vitória de Raúl Alfonsín. Na Inglaterra o efeito foi contrário. A primeira-ministra Margaret Thatcher aumentou a sua popularidade e foi reeleita.
"Ser grande, é abraçar uma grande causa". William Shakespeare
É muito pouco provável que no dia 23 de abril de 1564, quando a mulher de John Shakespeare teve seu terceiro filho, Wiliam, alguém pudesse prever que o recém-nascido que chorava como qualquer outra criança estava destinado a colocar a pequena cidade de Stratford-Avon no mapa mundial da cultura.
Dono de intensa obra literária, foi na dramaturgia que ganhou notoriedade.
Shakespeare foi um autor popular, e a isto deve sua fama. Suas peças, que retratavam príncipes e meretrizes, eram assistidas por príncipes e meretrizes. Um escritor que olhava para a vida em seus mínimos detalhes, sem, entretanto, esquecer o conjunto. Retratou nobres e corruptos, foi popular e sofisticado, lidou com todos os problemas enfrentando sexo, religião, juventude e velhice. Sem tentar impr seu ponto de vista, apresehtava todos os lados da situação, deixando que o público tirasse suas próprias conclusões. Princípio que se torna evidente em peças como Mercador de Veneza e Henrique V.
Em sua obra, Shakespeare evidenciou aspectos próprios dos seres humanos: relacionamentos afetivos, questões sociais, temas políticos, entre outros assuntos, associados a condição humana. Se Shakespeare tinha uma mensagem, esta era de que a vida é um compromisso, em que a bondade traz a recompensa, e a maldade o castigo.
Shakespeare morreu em sua cidade natal, no dia em que completou 52 anos, de causa ainda não identificada pelos historiadores.
Passados quatro séculos, chega-se à surpreendente conclusão de que - ainda - a cada leitura, shakespeare tem alguma coisa de novo para dizer: se cada século permitiu emprestar a Shakespeare ideias suas, no fim, ele permanece o vencedor, pois em sua infinta compreensão humana faz com que cada século possa sentir-se incluido em sua obra.
O Dia da Terra foi criado pelo norte-americano Gaylord Nelson, um senador ativista ambiental, com o propósito de abrir discussões em todo mundo sobre a importância da preservação dos recursos naturais do planeta Terra, e criar uma consciência mundial sobre os problemas da contaminação, destruição da biodiversidade, uso não sustentável dos recursos naturais, desmatamentos e outros problemas que ameaçam a vida em nosso planeta.
"Constituiu um verdadeiro acontecimento, a festa de inauguração do grandioso stadium do Club de Regatas Vasco da Gama. A formidável massa de povo que afluiu à vasta praça de sports de São Januário deu à festa um caráter de imponência que deslumbrou". Jornal do Brasil
Fruto do esforço de uma campanha intensa de arrecadação de verbas, dez meses depois de lançada sua pedra fundamental, estava erguido o Estádio Vasco da Gama, com engenharia assinada pela Cristiani & Nielsen, a mesma empresa que pouco antes havia erguido o Jockey Club Brasileiro no hipódromo da Gávea. Entre o numeroso público que prestigiou o evento de inauguração, estavam presentes o Presidente da República Washington Luis, o Major Sarmento de Beires, o Presidente da Confederação de Desportos, Oscar Costa e o jornalista Célio de Barros. Todos acolhidos pelo Presidente do clube Raul da Silva Santos, na tribuna de honra.
O auge da festa ficou por conta da partida entre Vasco e Santos, em que os anfitriões foram derrotados pelos paulistas (3 x 5). O placar desfavorável, contudo, não ofuscou o brilho do sonho realizado.
Até o ano de 1941, quando foi inaugurado o Pacaembu, em São Paulo, São Januário reinou absoluto como o maior e melhor estádio do Brasil.
Embora dono de um futebol que não deixava nada a desejar em relação aos seus adversários, a falta de um estádio próprio, mascarando o esforço da elite em coibir a popularização do esporte no país, condicionava-se como justificativa para o Vasco não conseguir sua inclusão na nova liga. Motivo suficiente para que os admiradores do clube se mobilizassem. Erguido após superar uma série de empecilhos contrários à sua construção, o Estádio Vasco da Gama transformou-se num símbolo da luta das classes menos favorecidas no Brasil. Sua identificação com as camadas populares não se ateve às linhas do gramado, quando tornou-se o primeiro clube brasileiro a admitir jogadores negros em seu elenco. Durante a vigência do Estado Novo (1937-1945), o estádio abrigou sucessivas manifestações operárias, que traçaram os rumos para a ideologia trabalhista brasileira.
"Temos que acordar para o problema da violência nas escolas. Se isso pode acontecer lá, então as pessoas devem reconhecer que existe a possibilidade de que o mesmo ocorra em qualquer comunidade da América". Presidente Bill Clinton
Jovens mascarados, Eric Harris, 18 anos, e Dylan Klebold, 17 anos, vestindo longos casacos pretos, abriram fogo contra ex-colegas na Columbine High School, escola de segundo grau em Denver, no estado americano do Colorado. Os relatos eram apavorantes. Segundo sobreviventes, os rapazes disparavam contra negros, hispânicos e atletas - que buscavam esconder-se entre mesas e debaixo de carteiras - usando armas automáticas e lançando granadas. A chacina começou na cafeteria da escola, continuou nas escadas e terminou na biblioteca, onde a maioria dos corpos, inclusive os dos assassinos, foi encontrada.
Identificados como jovens típicos do subúrbio americano, de famílias estáveis e queridas pelos vizinhos, os autores da chacina minaram o prédio com explosivos antes de começar a atirar nos colegas. Esta estratégia dificultou o trabalho da polícia que demorou a entrar para socorrer feridos e contar os mortos, que foram 15 (11 homens, entre eles os dois criminosos, e 4 mulheres), e não 25 como inicialmente divulgado. O tremor dessas explosões impediu a documentação da cena do crime e comprometeu a coleta de evidências.
O então presidente Bill Clinton prometeu programas para proteger os jovens da violência, mas não tocou no ponto mais discutido aquela altura: a liberdade quase irrestrita para a posse de armas nos EUA.
O que motivou o crime?
A Máfia da Capa Preta. Esta era a comunidade da qual Eric e Dylan eram membros. Não era uma sociedade secreta. Com direito a página na Internet, após o episódio desativada, sentindo-se ridicularizados pelos atletas, remoíam planos de vingança e extravasavam seu ódio na rede. Eric, principal cabeça por trás do ataque, era conhecido ainda por colecionar suásticas e sinistros slogans neonazistas e até dar receitas para a confecção de bombas. Em seu auto-retrato, escreveu: "Mato aqueles de quem não gosto, jogo fora o que não quero e destruo o que odeio". Já Dylan dizia que seu número pessoal era "420", e houve quem associasse a preferência à data de nascimento de Hitler, 20 de abril. Os diários dos jovens foram encontrados. E embora a opinião pública tenha procurado explicações, levantado hipóteses e salientado especulações, nenhuma conclusão sobre o motivo do ataque.
A aposta em um futuro de paz e democracia venceu os fantasmas do passado. Depois de muita controvérsia e doída reflexão, o governo da Alemanha oficializou a transferência de seu parlamento para o Reichstag, prédio da trágica lembrança. que se tornou o símbolo do Terceiro Reich de Adolf Hitler.
Em seu discurso de abertura, o chanceler Gerhard Schröeder prometeu que a República de Berlim incorporaria todas as virtudes da política democrática implantada em Berlim, rejeitando as alegações de que o nome Reichstag (parlamento imperial) devesse ser mudado para apagar seu peso militarista. "A mudança para Berlim é um retorno à história alemã, ao local de duas ditaduras alemães, que trouxe grande sofrimento ao povo da Alemanha e da Europa", reconheceu Schröeder. "Mas igualar Reichstag com reich (império) não faz sentido. O modelo federal da política alemã continua e não corre perigo".
Fora do parlamento, a controvérsia continuou. Ao lado de berlinenses visivelmente orgulhosos com a reabertura de um dos marcos da cidade, vários grupos protestaram.
Sob o comando do arquiteto britânico Norman Foster, a reforma do reichstag teve início em 1995, pouco depois de o artista plástico Christo ter embrulhado o prédio com 95 mil metros quadrados de papel celofane para comemorar a reunificação da cidade. Embora mantendo a imponente estrutura original em estilo barroco do projeto, Foster substituiu a antiga cúpula, destruída pelos bombardeios, por uma feita de vidro e aço. "Quero que esse vidro se torne um símbolo da abertura e da transparência de nossa política democrática", sentenciou Schröder.
A transferência da capital de Bonn para Berlim tornou-se um símbolo de uma transformação profunda da Alemanha - de uma nação imersa no passado em uma nação voltada para o futuro.
A cantora Linda Batista, 68 anos, mito da era de ouro do rádio, morreu de infecção renal e respiratória, no Hospital Evangélico da Tijuca. Rainha do rádio por mais de uma década, Linda sofria de depressão crônica, acentuada pelo esquecimento do público.
Pouco mais de 300 pessoas compareceram ao enterro, onde estiveram amigos como Ivon Curi, Jamelão, Carmélia Alves, Lourdes Maia e Carmen Costa. Apenas a Rádio Nacional, a Socinpro e o cantor Nelson Gonçalves enviaram corbeilles.
Linda Batista nasceu Florinda Grandino de Oliveira no 14 de junho de 1919, em São Paulo. Rainha do rádio quase vitalícia, eleita 11 anos consecutivos, especialmente durante a permanência de Getúlio Vargas no Catete, Linda Batista marcou a MPB da chamada era de ouro por algumas singularidades que dividia com a inseparável irmã Dircinha.
Participou ativamente da aliança do populismo getulista com a música popular, a quem o ditador reprimiu (através do DIP) e cortejou (recebendo artistas no palácio) com maquiavélica esperteza. Tanto quanto Dircinha, Linda esquentava os carnavais com megasucessos, mas nem por isso deixava de transmitir uma imagem de porta-voz (e que vozeirão!) do desalento amoroso, talvez algo associado à sua própria vida atribulada.
Haveria premonição na coincidência de alguns de seus maiores sucessos - Enlouqueci (1948) e Nega maluca (1950) - com o estado mental da última fase da sua vida? O fato é que a categórica Linda - de um tempo em que cantar era desdobrar a garganta fibra por fibra - foi uma das promotoras do samba-canção de Lupicínio Rodrigues. Potencializou até a última gota de sangue o hit Vingança (1962), que acabou provocando suicídios - um jornal de crimes até registrou que a música serviu de trilha sonora a um desenganado.
Com a morte de Linda, desce o pano sobre uma fase passionária da MPB, em que o sentimentalismo ainda não tinha recebido a etiqueta brega, nem era produzido em série, na linha de montagem dos deparamentos de marketing das gravadoras.
Celebrado pela primeira vez em 1989, com o objetivo de aumentar a conscientização sobre a hemofilia e outros distúrbios hemorrágicos hereditários, o Dia Internacional da Hemofilia é uma homenagem ao nascimento do fundador da Federação Mundial de Hemofilia – Frank Schnabel. Nascido em 1926, portador de hemofilia A grave, Schnabel lutou incansavelmente em prol da melhoria da qualidade de vida dos hemofílicos.
A Hemofilia é uma doença crônica, não infecto contagiosa, ainda sem cura, mas com diversos tratamentos disponíveis. É um distúrbio hereditário promovido pela deficiência de uma proteína plasmática, denominada de fator da coagulação que causa uma reduzida coagulação sanguínea e uma elevada tendência hemorrágica.
A legitimidade desta data está em reforçar a importância de trazer a público as questões relacionadas à Hemofilia, chamando a atenção das autoridades responsáveis e da sociedade civil para um tratamento digno e correto acessível a todos os portadores: fator de coagulação de qualidade e em quantidade suficiente.
Conheça a história do Rafael e participe desta causa
“Quem não morre fica velho. Eu fiquei velha e lido bem com isso”
Maria Lenk.
Maria Lenk dizia que morreria nadando. Com a mochila vermelha a tiracolo, andava do Leblon até a Gávea e dava suas braçadas, religiosamente, todas as manhãs. “É a natação que me mantém viva”, dizia. Cumpriu à risca o que prometeu. Aos 92 anos, a primeira nadadora brasileira a estabelecer um recorde mundial, morreu após exercitar-se na piscina do Clube de Regatas Flamengo. Exames detectaram aneurisma com rompimento da aorta.
Viúva, Maria deixou um casal de filhos e dois netos.
Maria Lenk nasceu no dia 15 de janeiro de 1915. Uma pneumonia deu início à jornada de sucesso. Vendo que a saúde da filha estava muito debilitada, seu pai, Paulo Lenk – ginasta conhecido na época – decidiu que a natação melhoraria o funcionamento de seus pulmões. Uma aposta que deu certo, já que na época não havia estudos sobre os benefícios da prática do esporte para a saúde. Solucionado o problema, Maria Lenk deslanchou e abriu as portas para que as mulheres tivessem oportunidade de brilhar nas águas. Sofreu com os preconceitos, mas nunca se deixou abalar. Pelo contrário, bateu todos os recordes de seu tempo. Foi a primeira sul-americana a participar de uma Olimpíada, em 1932, colecionou recordes mundiais e, como se não bastasse, foi a primeira mulher do mundo a executar o nado borboleta.
Lúcida até o fim, relembrou em sua última entrevista concedida ao Jornal do Brasil, quatro meses antes de sua morte, momentos de sua trajetória, desde quando deu suas primeiras braçadas em 1925 até aquela ocasião quando tinha acabado de conquistar mais quatro medalhas de ouro e uma de prata no Mundial Master, em São Francisco (EUA). No alvorecer dos anos 20, a descendente de alemães, que só falava alemão até os cinco anos, deu suas primeiras braçadas guiada pelo pai, presa por uma corda na ponta de uma vara, no Rio Tietê. "Nadava lá na época que tinha peixinho", brincou, mas com uma pontinha de tristeza no olhar ao lembrar do esgoto a céu aberto que o berço de sua trajetória se tornou. A Travessia de São Paulo a nado tinha a mesma projeção que tem hoje a São Silvestre.
Anos a fio, a rotina de Maria Lenk foi a mesma. Treinava diariamente no clube do Flamengo, às 8h. Nas horas vagas, dedicava-se à leitura (talvez um dos segredos de sua longevidade). Quando começou a nadar, não havia piscinas em São Paulo, onde nasceu. Mulheres nadadoras eram raras. Como foi iniciada no esporte pelo pai, Lenk deu de ombros para o preconceito. Aos 17 anos, Maria Lenk disputou sua primeira Olimpíada, em Los Angeles(1932). Depois foi a Berlim (1936). Não conquistou medalhas. Caberia à nadadora conquistá-las no Jogos de Helsinque (1940), já que, àquela altura, possuía dois recordes mundiais, nos 200m e nos 400m peito, que projetavam seu favoritismo. Porém, a Segunda Guerra Mundial interrompeu os sonhos da nadadora. Não houve competição. "Faltou-me o ouro olímpico" lamentou a atleta, que se aposentaria da carreira competitiva dois anos mais tarde.
Dedicou-se, então, a dar aulas. Havia a lei do amadorismo: era proibido ganhar dinheiro com o esporte. Então, Maria Lenk, em mais um ato de pioneirismo, fez parte da primeira turma a se formar em Educação Física no Brasil, em 1939. Foi também a primeira diretora de Educação Física da UFRJ. Pioneira desde sempre.
"Titanic,
cidade flutuante
que se submerge.
O perigo estava
sob o mistério negro
da névoa:
o iceberg.
Netuno,
tomado de
féro ciúme,
abalroa
um colosso
contra
outro colosso". Jornal do Brasil
Na madrugada fria de uma segunda-feira, o Titanic, maior e mais luxuoso transatlântico até então construído, naufragou nas águas geladas do Atlântico Norte, na sua viagem inaugural iniciada cinco dias antes, quando partira do Porto inglês de Southampton.
O drama dos 2.208 passageiros começou instantes antes da meia-noite, quando o navio colidiu com um gigantesco iceberg. Após receber o pedido de socorro expedido pelo imponente Titanic, o navio Carpanthia, único a chegar a tempo de prestar socorro às vítimas, resgatou pouco mais de 700 pessoas com vida. Os demais passageiros e tripulantes, ou morreram durante a tentativa de abandonar o navio, ou foram sugados juntamente com o mesmo, engolido pelo mar, após formar um ângulo de 90º com a superfície da água e partir-se ao meio.
Peritos em acidentes marítimos apontaram falha humana e responsabilizaram o capitão Smith pelo desastre. Ambicionando encurtar o trajeto e quebrar o recorde de tempo da travessia do Atlântico Norte, o comandante fez o barco navegar em velocidade acima da recomendada numa região repleta de icebergs. A chegada do navio em Nova York estava prevista para o dia seguinte ao da catástrofe. A tragédia ocupou as páginas dos jornais de todo o mundo. Circularam as mais fantasiosas versões dos acontecimentos, uma vez que a apuração dos fatos ficou restrita aos relatos dos sobreviventes. Somente a partir dos anos 80, após uma primeira equipe mergulhar até os destroços do Titanic, foi possível apurar detalhes técnicos do naufrágio.
As lições da sinistra experiência
Durante a lenta agonia, o desespero dos passageiros foi agravado ao se constatar que o mais ousado projeto da engenharia naval da época menosprezara todas as questões de segurança: não havia equipamentos salva-vidas nem botes suficientes para todos a bordo.
A partir desta tragédia, e para evitar a retração na indústria do transporte marítimo as normas de segurança foram reforçadas com a obrigatoriedade de os navios manterem os sistemas de comunicação funcionamento contínuo, e comportarem equipamentos de resgate suficientes para todos os passageiros e tripulantes.
"A emoção de estar com vocês é muito contraditória, porque não posso deixar de pensar nas companheiras que ficaram lá e que precisam também sair". Essas foram as palavras de Flavia Schiling, 29 anos, dos quais, 10 vividos presa no Uruguai, na primeira declaração pública, livre e em território brasileiro.
Expulsa do Uruguai, ela foi levada até o avião pelo Consul Agenor Soares Santos, e depois da escala no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, chegou em São Paulo onde era aguardada por mais de 500 pessoas, à frente seu pai - o economista Paulo Romeu Schiling, sua mãe - Ingeborg e suas irmãs. Era o ponto final de um movimento de mobilização do Governo e povo brasileiros em favor de sua libertação que durou mais de dois anos.
Flavia seguiu para o Uruguai com 10 anos, poucos meses depois que seu pai se refugiou naquele país, após o golpe de 64. Foi lá que chegou à Faculdade de Medicina e passou a participar da vida política estudantil antes do golpe militar uruguaio.
No dia 24 de novembro de 1972, Flávia andava com o namorado em uma das ruas centrais de Montevidéu, vindo da praia, quando ouviu uma ordem de prisão de um oficial do Serviço de Inteligência do Exérctio uruguaio. Ao tentar fugir, foi baleada. O tiro atingiu sua nuca, atravessou faringe, laringe e o epiglote.
Levada a um hospital militar, foi submetida a uma cirugia e mantida em tratamento de recuperação. Durante dois meses recebeu apenas alimentação artificial, o que a fez perder muito peso. A voz, também comprometida, só foi recuperada durante o cumprimento da pena.
Acusada de participar do Movimento Tupamaro, ficou presa na Penitenciária Feminina de Punta Rieles, sem receeber visita da família. Condenada a 10 anos de prisão e mais cinco de medida de segurança, Flavia sofreu uma pena ainda mais rigorosa à solicitada pela promotoria criminal, que era de nove anos.
Desde novembro de 1977, Flavia poderia obter a comutação da pena, mas não conseguiu se beneficiar da própria legislação uruguaia porque não tinha um advogado, já que sua desfensora fora obrigada a deixar o país e o seu pai, expulso do Uruguai em 1975, também foi impedido de ajudá-la diretamente. Era o início de uma exaustiva campanha que triunfaria com sua libertação.
Sob grande expectativa por parte da comunidade judaica esperançosa de uma aproximação política e reconhecimento do Estado de Israel, João Paulo II tornou-se o primeiro papa a visitas uma sinagoga, a de Roma, em meio a excepcionais medidas de segurança.
O Papa, que aproveitou para reiterar as condenações do anti-semitismo, recordar as origens comuns das fés cristã e judaíca e saudar nos judeus os "irmãos mais velhos", contudo, não se referiu ao Estado de Israel, com o qual o Vaticano não mantinha relações.
A iniciativa coube ao presidente da comunidade judaica de Roma, Giacomo Saban, e ao rabino chefe Elio Toaff. Ambos elogiaram a aproximação ecumênica, mas não hesitaram em manifestaram em seus discursos o desejo do reconhecimento do Estado de Israel pelo Vaticano.
Segundo Saban, esse gesto seria mais um passo no fraterno diálogo iniciado pelo Concílio Vaticano II e suas diretrizes, além uma efetiva contribuição para a pacificação de uma região do mundo extremamente conturbada e inflamada por conflitos. Toaff, após condenar o terrorismo e convocar judeus e cristãos a lutar contra ele, lamentou as limitações à liberdade, a discriminação e a marginalização a diferentes povos. E ponderou que o retrono do povo judeu a sua terra deveria ser reconhecido como um bem irrenunciável, e que "o reconhecimento de Israel em seu papel insubstituível no plano da redenção final prometida por Deus não podia ser negado".
Seguidores do bispo tradicionalista Marcel Lefébvre distribuiram panfletos condenando a visita.
O Vaticano havia frisado o caráter religioso da visita. A posição da Igreja católica era de apoiar a criação de uma pátria palestina e, antes de reconhecer o Estado de Israel, tentar obter um documento internacional que declarasse Jerusalem cidade sagrada de cristão, judeus e muçulmanos.
O Vaticano reconheceu oficialmente a existência do Estado de Israel no dia 28 de dezembro de 1993, no pontificado de João Paulo II, liderança fundamental no processo diplomático dessa conquista. Até então, o Estado judeu era um assunto tabu na cúpula católica.
O pugilista Joe Louis, 66 anos, ex-campeão mundial de pesos pesados, detentor da coroa por mais de 12 anos, morreu pela manhã num hospital em Las Vegas, vítima de um ataque cardíaco.
Louis tinha assistido na noite a véspera à luta em que o então campeão, Larry Holmes, manteve o título ao derrotar por pontos o desafiante, Trevor Berbick, da Jamaica. Foi lá que sentiu-se mal e de onde seguiu ao hospital, onde já chegou após sofrer duas paradas cardíacas. Atendido pelos médicos, chegou a apresentar sinais de recuperação, mas só resistiu por poucas horas. Desde 1977, Louis viva em cima de uma cadeira de rodas, semiparalítico, em consequência de um aneurisma na aorta e de um derrame cerebral.
Joseph Louis Barrow não fugiu à regra cruel difundida por empresários do boxe que um pugilista jamais consegue entrar para o rol dos grandes se não tiver passado fome na infância. Sua vida foi uma longa e incerta trajetória para a glória e desta para a miséria.
Nascido no Alabama em 13 de maio de 1914, filho de um plantador de algodão, aprendeu cedo a necessidade de se sustentar eo fez com o que tinha de mais poderoso: os punhos. Foi vendedor de sorvete, jornaleiro, até que na adolescência passou a distribuir socos treinando num pequeno ginásio do bairro. Sua técnica chamou a atenção e acabou descoberto por um olheiro. Ainda não tinha sequer idade para assinar contratos, quando fechou o primeiro. E seguiu para Detroit, onde ganhou notoriedade: o Demolidor de Detroit.
Com a genuina potência de direita e o cultivo de uma técnica refinada, o triunfo era uma questão de tempo.
A conquista mundial foi orquestrada por seu empresário Mike Jacobs logo na sua estreia como profissional.
Num tempo em que a Alemanha de Hittler estava em plena ascensão, um duelo contra o alemão Max Schmelling - considerado digno representante da raça ariana, era a oportunidade ideal para dar projeção a Louis. Além do que a vitória valeria a vaga para se bater pelo título mundial com James Braddock. A luta marcaria a primeira derrota de Louis, por nocaute. Mas usando de todo o seu conhecimento no mundo do boxe, Mike Jacobs conseguiu driblar a regra e colocar Louis diante do campeão Braddock. Para a surpresa de muitos, o novato derrubou o adversário no oitavo assalto e conquistou seu primeiro título mundial.
Houve protestos na Alemanha de toda ordem: homens do povo, empresários, treinadores, membros do Partido Nazista questionaram a validade da luta. Para Jacobs não haveria melhor oportunidade para uma revanche entre Louis e Schmelling. As questões raciais que envolviam os dois lutadores era o prenúncio de uma excepcional bilheteria.
E assim foi. Na noite de 22 de junho de 1938, mais de 70 mil espectadores lotaram o Yankee Stadium. Dizem que até o Duque de Windsor atravessou o Atlântico para assistir à luta. Mas, motivada pelo trânsito nas proximidades do estádio, a velha pontualidade britânica falhou em três minutos. O suficiente para que perdesse o desfecho do espetáculo. A poderosa direitoa de Louis havia nocauteado Schmelling aos dois minutos e quatro segundos do primeiro round.
Joe foi um marco na aceitação do negro no mundo dos esportes. Antes dele, o pugilismo - e a maioria dos esportes - recusava desportistas negros. A nenhum deles foi permitido disputar o campeonato mundial de pesos pesados por 22 anos. Após conquistar o primeiro título, em 1937, demorou mais de 15 anos para que um homem branco repetisse sua façanha.
Em sua carreira profissional, disputou 71 lutas, ganhou 68, sendo 54 por nocaute. Só perdeu três.
"Existe uma regra internacional da qual Israel não pôde escapar: os processos mais bem preparados são sempre os que mais demoram a se iniciar. Passado o primeiro e intenso momento que expõe o acusado aos olhares dos que o esperam - e que se espera ler nesses olhares assentados para a cabina de vidro onde vai aparecer Adolf Eichmann - o ritual judiciário se desenrola através de suas exigências e de suas formalidades.
Daqui a alguns instantes o antigo Chefe do Bureau IV-B do III Reich estará finalmente diante de seus juízes, diante da opinião mundial.E cada um, de acordo com seu sentimento, o verá com olhos diferentes..." Jean Mare Theolleyre, especial para o Jornal do Brasil
Adolf Eichmann, responsável pelo assassinato de seis milhões de judeus compareceu às 9 horas da manhã, pela primeira vez, diante do Tribunal encarregado de julgá-lo para durante uma hora e quinze minutos, ouvir, de pé, imóvel, sem pestanejar, trancado numa cabina de vidro a prova de balas, a leitura do ato de acusação.
Ao se ver diante do réu, ou do que restava dele, o mundo presenciou a figura de um homem magro e sem personalidade, medindo não mais de 1,72m e aproximados 75kg. Os fios de cabelo, antes louros, perderam a cor, evidenciando também uma calvice. Os óculos, de grossas lentes salientavam sua característica mais acentuada: um nariz fino e um rosto marcado por profundos sulcos, de temor ou de angústia. Os olhos azuis, de ariano, revelavam-se então cansados, hesitantes, apagados, olhos de um homem vencido, mas que em momento algum esboçou o menor sinal de arrependimento.
Dividido em 15 itens, o ato constituiu uma descrição completa e detalhada de todas as inomináveis atrocidades de que o réu é acusado e que foram diretamente por ele, ou por suas ordens, cometidas durante a Segunda Guerra Mundial. Foram eles: 1º Crimes contra o povo judeu; 2º Crimes contra a humanidade; 3º Crimes de guerra, cujas vítimas se contam por centenas de milhares; 4º Deportações, pilhagens, extorsões, expoliações, abortos forçados, esterelizações, escravidão, exterminação; 5º ao 15º Muitos outros crimes, relativamente menores, mas suficiente um só deles, caso comprovado, para condenar dez homens à forca.
O advogado de defesa de Eichmann, Dr. Robert Servatius, levantou a tese da incompetência do Tribunal para julgá-lo, alegando que além do réu ter sido capturado e raptado em país estrangeiro por agentes israelenses, os crimes foram cometidos fora de Israel e antes mesmo do nascimento desse Estado. Mas foi contraditado longamente pelo Procurador-Geral. Esse debate jurídico tomou todo o primeiro dia do processo que se encerrou as 18h45 local, para recomeçar no dia seguinte.
O julgamento de Eichmann durou um ano e terminou com sua condenação à morte. A execução aconteceu pouco antes da meia-noite de 31 de maio de 1962. na prisão de Ramleh. O ex-Coronel da Gestapo foi a primeira pessoa executada por Israel em seus 14 anos de existência, para muitos um ato supremo de justiça histórica.
Paul McCartney, 27 anos, anunciou o lançamento de seu primeiro disco solo McCartney, confirmando seu desligamento do grupo que formou com John Lennon, Ringo Star e George Harrison e que se tornou o conjunto de música popular moderna mais famoso da história, os Beatles. A iniciativa de McCartney, segundo ele, foi movida por razões pessoais, musicais e de negócios.
Noticiada primeiramente no início da manhã pelo jornal britânico Daily Mirror, a separação chegou a ser negada pela direção da Apple Corp, empresa agente dos Beatles, que no mesmo dia confirmou o fim do grupo, para a tristeza de milhões de fãs em todo o mundo.
A notícia, contudo, não chegou a surpreender a quem acompanhava a vida dos meninos de Liverpool nos últimos tempos. Além de não se apresentarem mais em público, encontrando-se apenas durante as gravações em estúdio, cada um seguia uma trajetória independente.
Paul, recém casado com Linda Eastman, se queixava com frequência da sobrecarga de compromissos profissionais e do pouco tempo para dedicar-se à família. Lennon, casado com a artista japonesa Yoko Ono, passou a trabalhar intensamente numa campanha em favor da paz mundial. Ringo começou a fazer filmes e George a produzir discos.
Nos bastidores, o grande motivo da ruptura dos Beatles foram as constantes brigas entre Paul e John que, responsáveis pela grande maioria das composições do grupo, dividiam a atenção como guitarristas e vocalistas. O clima de tensão das gravações gerava cada vez mais desavenças. Uma relação que se esgotou até o insustentável.
Todas as músicas do álbum McCartney McCartney foram compostas e interpretadas por ele apenas. O grande sucesso ficou por conta da música "Maybe I'm amazed", que poderia ter sido muito bem, na opinião dos fãs, o primeiro single "número 1" de Paul. A música é tida como um dos maiores sucessos Pós-Beatles de McCartney, e foi repetidamete incluída nos repertórios de todas as suas excursões mundiais.
"Sempre correspondendo do melhor modo à confiança do público, como prometeu no seu primeiro editorial, ao ser lançado à publicidade na quinta-feira pela manhã, 9 de abril de 1891 - o JORNAL DO BRASIL entra hoje no seu 75º ano de atividades em defesa das instituições republicanas, do regime democrático, do bem-estar do povo e do progresso do país". Jornal do Brasil, 9 de abril de 1965
Na linha de frente
do jornalismo brasileiro,
o Jornal do Brasil
percorreu sua história
dentro do espírito
de constante renovação
gráfica e editorial,
atuando incondicionalmente na defesa do bem público e das instituições nacionais.
Por ocasião da sua fundação, e mesmo apoiando o regime monárquico, afirmou no editorial de estréia que apesar de não ter participado do processo de instauração da república, se empenharia, em nome do patriotismo, em cooperar com a sua consolidação. Pouco depois, se lançou em outra campanha, combatendo com vigor o projeto de transferência da Capital do País para o Planalto Central, por considerá-lo prejudicial aos interesses do Rio de Janeiro e do seu povo. A questão, originalmente defendida pelo Marques de Pombal, voltou a ser discutida na elaboração da primeira constituição republicana, o primeiro processo político constituinte coberto pelo Jornal do Brasil.
Sem descanso, levantou a bandeira da urbanização da cidade, lançando a coluna Melhoramentos Urbanos. No plano nacional, apoiou a expansão da colonização do Brasil com a utilização de mão-de-obra estrangeira, a construção de estradas e a melhoria dos serviços de transmissão de notícias. Publicou a sua primeira edição especial, O Grande Morto - com o anúncio da morte de D. Pedro II na Europa. Assim o Jornal do Brasil escreveu o seu primeiro ano de vida, com a chefia de redação ocupada por Rui Barbosa, que afirmava: "O Governo, ou a Oposição, não tem para nós senão a cor da lei que envolve o procedimento de um, ou as pretensões da outra; fora do terreno jurídico, nossa inspiração procurará beber sempre na ciência, nos exemplos liberais, no respeito às boas praxes antigas, na simpatia pelas renovações benfazejas, conciliando, quanto possível, o gênio da tradição inteligente coma prática do progresso cautelo".
Os desafios não cessaram. Ainda no século XIX o jornal ganhou popularidade ao protagonizar uma pesquisa de opinião pública questionando as preferências políticas dos seus leitores. No alvorecer do século XX, manteve-se firme na luta por seus ideais. Liderou iniciativas de saneamento e modernização da cidade. Chamou atenção para os problemas sociais refletidos no crescimento das favelas, apontando o descaso do poder público. Instituiu concursos populares sorteando casas. Estabeleceu ações em favor da preservação das pequenas sociedades carnavalescas sem reconhecimento oficial. Promoveu a construção de coretos para animar o carnaval de rua, e realizou o Primeiro Campeonato Carnavalesco das Grandes e Pequenas Sociedades em 1920.
Na década de 50 o Jornal do Brasil liderou a revolução gráfica e editorial da imprensa brasileira, tornando-se referência e inspiração para os demais jornais do país.
Nos dias da construção de Brasília, da gestação do Cinema Novo, da intimidade da Bossa Nova e da expansão industrial do país, criou o Suplemento Dominical para valorizar a criatividade em experiências gráfico-editoriais.
Esse espaço abrigou a explosão da nova cultura brasileira, abrangendo as artes visuais e a literatura, com destaque para a poesia concreta.
O suplemento floresceu apoiando decididamente a inovação, acolhendo sem reservas experimentações das mais diversas tendências artísticas e literárias.
E em pouco tempo, a efervescência cultural em evidência no país ganhou lugar cativo e definitivo com o lançamento do Caderno B, primeiro suplemento diário de cultura do jornalismo brasileiro, o qual abrigaria os principais momentos da cultura no Brasil a partir da segunda metade do século XX.
Nos anos 60, a ousadia editorial do Jornal do Brasil atingiu o cerne da notícia, com a implementação de um novo modelo de jornalismo: mais vibrante, mais noticioso, mais reflexivo e, sobretudo, mais voltado para o cidadão. O Departamento de Pesquisa e Documentação (DPD) conquistou então o seu espaço nas páginas do jornal, tornando-se uma nova editoria. De plantão, e em edições extraordinárias, a publicação das matérias do DPD sinalizou a vanguarda do Jornal do Brasil no aprofundamento da informação jornalística, com a interpretação dos fatos e a inserção da notícia em seu contexto histórico, com o propósito de integrar e reconciliar o homem desinformado com o seu tempo, quebrando a barreira entre os acontecimentos e suas implicações.
Em 1965 o Jornal do Brasil mantinha-se em plena atividade: inovador e atuante, como ficou registrado no documentário Um Moço de 74 Anos, do cineasta Nelson Pereira dos Santos, e a própria história se incumbiu de constatar. Nos anos seguintes, o jornal testemunharia os fatos mais marcantes da segunda metade do século XX no Brasil e no mundo. Aplaudiria as lutas democráticas e de independência dos povos, apoiaria as manifestações sociais contra a opressão e pela justiça em todos os planos. Incansável, não hesitou em noticiar a verdade dos fatos, independente das circunstâncias em que se apresentassem.
Comemorações do IV Centenário da Cidade do Rio de Janeiro
"Rio Branco desde
21 de fevereiro de 1912,
em memória do Barão,
ela volta a ter,
a partir de hoje,
por iniciativa
da gente cá de casa,
o nome simples
que o povo lhe deu em 1905,
quando foi inaugurada:
Avenida Central." Jornal do Brasil
Uma placa devolvendo à Avenida Rio Branco o seu nome original de Avenida Central foi descerrada na esquina com a Avenida Presidente Vargas. Uma iniciativa do Jornal do Brasil no dia do seu 74º aniversário, compreendida entre as homenagens pelo 4º centenário da fundação do Rio de Janeiro, celebrado nesse ano. Entre as comemorações figuravam igualmente uma série de fascículos sobre a história do Rio, e o curta-metragem O Rio de Machado de Assis, de Nelson Pereira dos Santos, revisitando lugares e fatos da cidade vividos pelo grande escritor, um dos seus mais célebres filhos.
CPDoc JB - a memória viva do Jornal do Brasil
A memória dos 121 anos de história do Jornal do Brasil mantém-se viva no Centro de Pesquisa e Documentação do Jornal do Brasil (CPDoc JB), orgão responsável pela guarda e administração do acervo jornalístico do Jornal do Brasil. Este acervo compreende a coleção centenária, os arquivos fotográfico e textual, e a biblioteca de referência. O arquivo de fotos armazena mais de dois milhões de fotos em papel e 13 milhões em negativos produzidos a partir da década de 50, organizados por assunto, com ênfase em personalidades e eventos relevantes da vida política, econômica e cultural do país. O arquivo de textos guarda recortes dos principais jornais e revistas, nacionais e internacionais, catalogados por temas, reunidos desde a década de 60. A coleção centenária é formada por originais impressos do Jornal do Brasil e respectivos microfilmes, desde a sua fundação até o presente. Está acondicionada de maneira apropriada e organizada cronologicamente.
O CPDoc JB atende ao Jornal do Brasil e a clientes externos na realização de pesquisas documentais, textuais e fotográficas, recentes e históricas.
No dia 8 de abril, o eletricista Gary Smith, que fora à casa do músico Kurt Cobain para instalar um sistema de segurança, encontrou o corpo do músico ensanguentado e estendido no chão de dentro da estufa da mansão em Seattle, Estados Unidos. Kurt, que enfrentava uma grave depressão e sofria com a dependência de heroína se matara três dias antes com um tiro de espingarda.
O suicídio aos 27 anos de Kurt Cobain, que era guitarrista e vocalista do grupo de rock americano, Nirvana, provocou mais reações de tristeza do que de espanto em seus fãs. O suicídio do astro parecia óbvio para todos os que estiveram com ele em seus últimos dias de vida, que a tragédia não tardaria para acontecer.
Cobain foi um artista talentoso, que captou em letras viscerais os problemas de sua geração. Suas músicas frequentemente lidavam com o tema da alienação da juventude e da falta de perspectivas. Mas, em contrapartida, anteciparam um caminho sem volta. Os três LPs no Nirvana (Bleach, Nevermind e In utero) são exercícios de poesia carregada de pessimismo e rancor. Em Negative Creep, sucesso do primeiro álbum, Cobain se autoproclamou um drogado. Em In utero, último álbum do grupo, Cobain chegou a mencionar suicídio na pessimista Milk it: “Veja o lado bom... é suicídio”.
Kurt Cobain sempre foi uma pessoa problemática, que jamais conseguiu lidar com a fama que sua música lhe proporcionou. Ele se sentia vítima do sistema ganancioso das gravadoras e do mundo do rock. Quanto mais famoso ficava, mais amargo se mostrava aos olhos dos amigos. Em apenas dois anos ficou milionário e recebeu o título de rockstar, coisa que desprezava. Afinal, foi o ódio ao sistema a principal razão pela qual fundou o Nirvana.
Em uma entrevista no início de 1994, Cobain afirmou que usava drogas como “passatempo” e “antídoto para a monotonia da vida”. Ele dizia que não tinha mais ânimo para nada, sentia-se deslocado no papel de modelo para a juventude.
Com a morte do vocalista, a banda acabou. O Nirvana é considerado ainda por muitos a maior banda grunge de todos os tempos, tendo iniciado uma nova era e estilo musicais.
Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos, chegou à Escola Municipal Tasso da Silveira em torno de 8h da manhã de uma quinta-feira. Após passar pela portaria, onde informou que faria uma palestra na instituição, portando uma mochila com dois revólveres calibre 38 e uma quantidade inestimável de munição, seguiu para uma sala onde começou a disparar contra os alunos.
um dos alunos, mesmo ferido, consergue sair em busca de socorro, e pede ajuda ao policial Marcio Alves que esta em operação pela região.
Policiale atirador, que já havia disparado pelo menos 30 vezes contra crianças e adolescentes, iniciam uma troca de tiros, até que acuado o atirador dispara contra a sua prórpia cabeça.
Além dele, morreram dez meninas, dois meninos e 13 adolescentes entre 12 e 14 anos ficaram feridos.
O pintor paraense de influência surrealista Ismael Nery, 33 anos, encerrou o ciclo de sua vida em plena mocidade. Possuia um talento estranho, crespo e desconcertante. Havia em sua estética, uma perturbadora mistura de poesia descomunal.
Poucos pintores brasileiros terão produzido com a abundância, a boa vontade, a euforia criadora que ele teve. E, entretanto, a verdade é que esse puro e exigente artista morre, sem ter tido do seu país a gratidão, as homenagens, a que fazia jus.
Através de sua retina, as figuras se alteravam, os planos se confundiam, os valores se transformavam. Mas sempre com uma doce e profunda magia. A arte de Ismael Nery era atormentada, dolorosa e sensual.
Há quadros seus em que vemos uma singular penetração de pessoas. O rosto do homem se reflete, fundido no rosto da mulher. O conflito amoroso dos sexos, o cotidiano das pessoas em momentos triviais eram uma constante obsessão do seu espírito. A maldição que o Senhor lançou sobre Adão e Eva, na manhã do pecado, encontrava o seu eco na arte desse pintor.
Ismael Nery deixou essa poesia e essa sensibilidade que lhe emolduravam a alma, traduzir-se em dezenas de quadros.
A obra de Ismael Nery permaneceu ignorada do público e da crítica até 1965, quando teve seu nome inscrito na 8ª Bienal de São Paulo, na Sala Especial de Surrealismo e Arte Fantástica. Suas obras também foram expostas na 10a Bienal de São Paulo. Foram feitas restrospectivas em 1966, no Rio de Janeiro e em 1984, no MAC-USP.
Muitos não terão sentido a falta de alguma coisa verdadeira, alta e bela, que rutilava na alma brasileira, enriquecendo-a e prestigiando-a . E essa alguma coisa era exatamente a luminosa e rara sensibilidade do pintor que acaba de morrer.
Por meio de uma Portaria do Ministério da Justiça, divulgada pelo programa radiofônico Voz do Brasil e publicada no Diário Oficial, o governo militar proibiu qualquer atividade política da Frente Ampla – manifestações, reuniões, comícios, passeatas e desfiles – em todo o território nacional, ameaçando prender os políticos cassados que desrespeitassem a nova ordem. O líder do MDB na Câmara, deputado Mário Covas, convocou todos os parlamentares da oposição ao regime para estudarem a Portaria, assim que soube da notícia.
Para Covas, a Portaria representou “um ato de violência que fere a própria legalidade instituída pela Revolução de 1964, e inicia a escalada para a ditadura franca”.
Além de proibir a existência da Frente Ampla, numa decisão que surpreendeu a classe política – inclusive as lideranças do Governo no Congresso – a Portaria, baseada na “legislação revolucionária” sobre os políticos cassados, determinou à polícia que prendesse em flagrante quem, estando banido politicamente, fizesse pronunciamentos sobre a Frente ou desenvolvesse atividade política.
O decreto também mandou apreender jornais, revistas e quaisquer publicações que divulgassem atividades da Frente ou pronunciamentos de políticos cassados. Contra os políticos e os órgãos de divulgação que infringissem tais normas haveria instauração imediata de inquéritos policiais.
A atitude do Governo contra a Frente despertou, nos meios políticos, a convicção de que se iniciara uma nova fase de endurecimento político no país. Inconformado com a Portaria, o ex-governador da Guanabara, Carlos Lacerda, informou que iria entrar em contato com seus advogados para ver como poderia resolver esta situação. Saberia mais tarde que nada poderia fazer para impedir a ruína da Frente Ampla e das iniciativas democráticas nos “Anos de Chumbo”.
A Frente Ampla
Criada em 1966 como via de oposição ao Regime Militar, instaurado em 1964, a Frente Ampla tinha como seus líderes antigos rivais políticos (Carlos Lacerda, João Goulart e Juscelino Kubitschek), que se uniram em um grupo que se opunha à ação antidemocrática do Governo. Antes de ser proibida, a Frente se aproximou dos movimentos estudantil e trabalhista, promovendo comícios que enfatizavam a luta contra as políticas estudantil e salarial.
Dez anos depois de ter conquistado o Mundial de Vôo Livre, na localidade de Beppu, Paulo Guise Carneiro Lopes, o Pepê, 33 anos, voltou ao Japão para encerrar sua carreira. O piloto morreu ao se chocar contra uma gigantesca rocha durante uma das últimas provas do campeonato internacional que disputava. Sua asa-delta foi projetada pelo vento, devido ao tempo ruim e à forte turbulência.
Economista, tricampeão brasileiro de surfe e primeiro do país a ganhar o título mundial do vôo livre, Pepê era casado e pai de dois filhos.
Em sua homenagem, um luto sentido e original: pilotos cariocas de vôo livre subiram a rampa da Pedra Bonita, saltaram e encheram o céu de São Conrado de asas coloridas.
Pepê reinou sobre a juventude carioca por duas décadas. Não bastasse ter sido um vencedor nato - conquistou as mais importantes competições dos diversos esportes que praticou, desde 13 anos -, lançou moda, introduziu hábitos, inventou sanduíches e mudou a geografia da praia no Rio de Janeiro.
A soma de suas múltiplas atividades tornou-o muito mais do que um esportista bem-sucedido, que desafiava com a mesma habilidade os obstáculos de uma prova de hipismo, as ondas havaianas e as correntes térmicas dos quatro cantos do mundo. Fez do seu nome uma grife, sem o artificialismo dos apelos de marketing. Pepê foi ao mesmo tempo produto e imagem, sucesso e momento.
Ele nunca saiu de moda. Se suas proezas nos campeonatos cariocas de hipismo no início dos anos 70, ficaram restritas aos limites da Sociedade Hípica Brasileira, logo ele explodiria a céu aberto, . Sobre as ondas do Arpoador ainda nos tempos do pier de Ipanema, seu nome começou a ser associado à vitória. Enfim, chegaria ao auge do prestígio um ano depois, com o primeiro lugar num mundial de vôo livre.
O modismo veio a reboque. Alegre, bonito, simpático, bem sucedido e acessível, Pepê nunca escondeu que seu sucesso era fruto de muita dedicação: quando não estava sobre a prancha, ou atrás de sua barraca, planava nos céus de São Conrado, em perfeita integração com a paisagem local: "a vida é para ser vivida e de preferência com a natureza". E assim, Pepê fez até o fim, numa trajetória difícil de ser igualada.
Sarah Vaughan, 66 anos, morreu vítima de câncer no pulmão. Após conquistar um lugar único na história da música popular americana cantando divinamente, sua morte desfalcou essa música de uma de suas intérpretes mais ricas a quem o mundo passou a chamar de Divina. E quando alguém indagou o o motivo, Frank Sinatra não hesitou: "Porque ela não é desse mundo".
Sarah Lois Vaughan nasceu num gueto negro de Newark, Nova Jersey, a 27 de março de 1924. Aos sete anos, começou a tocar piano. Aos 15, já fazia improvisações no velho órgão da Templo Batista de Monte Sião, de cujo coro era a voz mais densa e e afinada. Menina ainda, costumava fugir de casa para ouvir as orquestras que eventualmente passavam pela cidade: Duke Ellington, Fletcher Henderson, Count Basie, Earl Hines, Adorava jazz. Mais precisamente, os músicos de jazz que inventavam com seus instrumentos, quebrando regras da música bem-comportada que se ouvia na igreja. Estão nessa admiração aos entortadores de melodias e harmonias as sementes do seu estilo.
Sarah Vaughan trouxe para o jazz uma combinação de atrativos característicos e sem precedentes: um timbre e um vibrato ricos, muito bem controlados; um ouvido excepcional para a estrutura harmônica das canções, o que lhe permite mudar ou modular a melodia como um instrumentista faz com seu instrumento; uma ingenuidade modesta, às vezes sutil, alternada com um senso de grande sofisticação.
Foi muito criticada pelos puristas do jazz quando começou a emprestar sua voz a baladas românticas mais comerciais. Mas não ligou a mínima. Era mulher de grande personalidade. Outras de suas características: o temperamento retraído, a intolerância para com os defeitos alheios e as crises de mau humor. Se estes aspectos a traziam para o lado comum do ser humano, a música a fez única, sobretudo, pelo estilo. Ou pela soma de qualidades. Podia não ter a emoção de uma Billie Holiday, ou o timbre de uma Ella Fitzgerald, ou o intimismo de uma Lee Wiley, ou a elegância de uma Mabel Mercer. Mas tinha um pouco de cada e resistia a todas as comparações. Nunca quis ser chamada como uma cantora de jazz. "Sou uma cantora, simplesmente". Mas mesmo contra a vontade, acabou se consagrando como uma das mais completas cantoras de jazz de todos os tempos.
Num ataque surpresa, de madrugada, a Armada argentina invadiu e ocupou as Ilhas Malvinas (chamadas de Falkland pelos ingleses) num rápido combate que deixou poucos mortos e feridos, após breve luta contra a guarnição inglesa. O governador britânico, assim como seus funcionários imediatos, ficaram detidos na própria ilha.
O anúncio da retomada das Ilhas Malvinas, sob dominação inglesa por quase 150 anos, foi feito nas primeiras horas da manhã do dia dois, por uma cadeia de rádio e TV. Em toda parte de Buenos Aires havia bandeiras, e milhares de pessoas se reuniram em frente à Casa Rosada (sede do Governo argentino), na Praça de Maio, esperando o pronunciamento oficial do Presidente Leopoldo Galtieri, com faixas e cartazes.
“Recuperamos, salvaguardando a honra nacional, as Ilhas que estavam em poder da Grã-Bretanha desde 1833”, declarou o Chefe de Estado argentino na tarde do mesmo dia.
Em Londres, capital da Grã-Bretanha, o Governo rompeu relações diplomáticas com a Argentina, e determinou que os diplomatas do país abandonassem a Ingaterra em quatro dias. O Chanceler (ministro das Relações Exteriores) e o Ministro da Defesa britânicos, em entrevista conjunta, anunciaram a constituição de uma força-tarefa “muito poderosa”, que iria intervir nas Ilhas Falkland a qualquer momento.
A história das ilhas Malvinas reflete as lutas seculares das potências coloniais européias. Franceses e espanhóis passaram pelas ilhas e assumiram seu controle antes da Inglaterra exercer de vez o poder sobre a região, em 1833, e expulsar o povo argentino que ali se instalara, desde a independência do país, em 1816. Foi em meados do século XX, contudo, que o conflito sobre a posse das Malvinas – que se localizam a apenas 340 quilômetros do litoral argentino – começou a ser discutido no âmbito das Nações Unidas. Em 1970, o Governo britânico deu por encerrada a discussão sobre o assunto, após seis anos de diálogo, garantindo para si a posse das ilhas.
Na década de 80, a ditadura militar da Argentina via seu modelo econômico ruir, e presenciava a revolta popular, deflagrada pela crise econômica e pela repressão política. As Ilhas Malvinas, no entanto, sempre foram consideradas um ponto estratégico de defesa do Atlântico Sul, e a sua devolução era um anseio antigo de todo o argentino. Dessa forma, ocupar as Malvinas era uma atitude patriótica e conveniente para o debilitado governo.
Alguns dias depois, assim como fora prometido, os ingleses enviaram uma poderosa frota para a região, iniciando a Guerra das Malvinas, vencida por eles em junho do mesmo ano. Com a derrota, o regime argentino não pôde mais se sustentar, e ruiu no ano seguinte.
A magnata da indústria dos cosméticos Helena Rubinstein, 94 anos, criadora da marca de produtos de beleza de reconhecimento internacional que leva seu nome, morreu em Nova York, após uma breve enfermidade.
Natural de Cracóvia, Polônia, de ascendência cigana, era ela própria a melhor propaganda dos seus produtos, com uma aparência estética sempre muito bem cuidada. A aventura pelo mundo dos cosméticos aconteceu no início do século 20, passou uma temporada visitando tios fazendeiros na Austrália. A suavidade de sua pele causou frisson e em muito pouco tempo, o público feminino da região se transformaria em sua primeira clientela.
Era a pedra fundamental de um grande império no mundo da estética. Em pouco tempo, Helena começou a fabricá-lo em larga escala, e, dois anos depois, voltava para a Europa para ampliar seus negócios. Em 1908, abriu sua primeira loja em Londres. Em seguida, Paris (1912) e Nova York (1915).