Arquivo de February 2012

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25 de fevereiro de 1986: Povo celebra queda de Ferdinando Marcos, o ditador das Filipinas

Jornal do Brasil: A queda de Ferdinando Marcos


Milhares de pessoas comemoraram nas ruas de Manila, capital das Filipinas, a renúncia do presidente Ferdinando Marcos, que estabeleceu no país uma das mais longas e corruptas ditaduras do século 20. Marcos foi acusado de acumular mais de dez bilhões de dólares durante os 21 anos em que ficou no poder. Em boa parte desse período o governo do ditador contou com o apoio dos Estados Unidos.

Marcos pediu garantias para deixar o palácio onde morava e refugiou-se com a família e alguns assessores na base aérea americana de Clark.

O palácio de Malacanang foi invadido e saqueado por uma multidão. Documentos foram jogados pela janela. Retratos de Marcos e de Imelda, sua mulher, foram arrancados das paredes e queimados. A ex-primeira-dama, vencedora de um concurso de beleza nas Filipinas, ficou conhecida por sua grande coleção de sapatos, estimada em mais de 3 mil pares.

Marcos chegou a ser empossado para um novo mandato como vencedor de eleições fraudadas, mas foi destituído do cargo. Com a queda do ditador, Corazón Aquino assumiu a presidência. Corazón é viúva do lider da oposição Benigno Aquino assassinado em 1993. Muitos choraram ao ouvir pelos alto-falantes a cerimônia de posse da nova chefe da nação. A nova presidente enfrentou, em sua gestão, várias tentativas de golpe organizadas por partidários de Marcos.


Outras efemérides de 25 de fevereiro
1945: A morte de Mario de Andrade
1954: Coronel Nasser assume o poder no Egito
1983: Tennessee Williams, ousado, escandaloso e fascinante

Pobreza e repressão violenta
Durante seu primeiro mandato, Ferdinando Marcos governou democraticamente e a economia do país cresceu. Já o segundo mandato foi marcado pelo autoritarismo. A pobreza e a criminalidade também aumentaram nas Filipinas. A oposição protestava e crescia o movimento de guerrilha.

Em 1972, a pretexto de combater a luta armada, o ditador decretou estado de sítio e suspendeu a constituição. No ano seguinte aprovou uma nova constituição e se reelegeu. A partir daí, a repressão aos opositores tornou-se violenta e milhares de pessoas foram torturadas e mortas.

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21 de fevereiro de 1965: O assassinato de Malcolm X

"O assassínio de Malcolm X deveria fazer toda nação compreender que a violência e o ódio são forças nefastas que devem ser esquecidas".
Martin Luther King
Jornal do Brasil: Terça-feira, 23 de fevereiro de 1965 - página


O controverso norte-americano negro Malcolm X, 39 anos, morreu alvejado por uma rajada de tiros durante um comício no Harlem, bairro nova iorquino de maioria negra. Ao seu lado estavam a mulher Betty, grávida, e quatro filhas. A polícia não encontrou provas, mas apontou o envolvimento da Nação do Islã no crime.

Malcolm X. Reprodução/CPDoc JB


Nascido Malcolm Earl Little em Omaha, no estado americano de Nebraska, em 1925, teve a infância e a adolescência marcadas pela violência característica dos guetos pobres de então. Viu sua casa ser incendiada pelos brancos. Criança ainda, perdeu o pai, assassinado brutalmente após sofrer espancamento e ser atirado na linha de trem. Em volta disso cresceu e chegou ao Harlem, onde iniciou-se no ativismo político.

Consumiu e traficou drogas. Foi preso e condenado por assalto. Atrás das grades veio a conversão ao islamismo e a decisão de vingar tudo o que os brancos lhe haviam feito.

Alistou-se na seita de Elijah Muhammad, e logo ministraria em Nova Iorque. Mas o ódio que nutria pelo branco era imenso, o que motivou uma crescente divergência entre ele e seu mentor, e promoveu sua conseqüente expulsão da seita.

A contundente história de vida de Malcolm X suscitava sentimentos contraditórios junto à opinião pública. Após uma viagem à Meca, cidade sagrada dos muçulmanos, reviu seus ideais e declarou não acreditar mais que os brancos fossem irremediavelmente maus, proclamando uma coexistência pacífica. Postura que a partir de então adotou e defendeu até o seu discurso final no Harlem.



Contrastes com Martin Luther King
Enquanto Luther King apostava na resistência não-violenta como arma para enfrentar o racismo, Malcolm X defendia a separação das raças, a independência econômica e a criação de um estado autônomo para os negros.

Viajou pelos estados norte-americanos para pregar as suas idéias com grande repercussão, inclusive no exterior. Um ano antes de sua morte, mudou o seu nome para Al Hajj Malik Al-Habazz. Com a morte, ocorrida no estágio final da luta pelos direitos civis, a influência de Malcom X caiu rapidamente. Ficou a lembrança da sua figura esguia como um dos ícones dos anos 60.

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20 de fevereiro de 1970: Café Filho é enterrado com honras de presidente

Ao toque de silêncio, executado por um corneteiro da Aeronáutica, o corpo do ex-presidente Café Filho desceu à sepultura no cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro, às 17h40 do dia vinte de fevereiro. O então vice-presidente Augusto Rademaker, representando o presidente Médici, foi um dos que carregaram o caixão. Mais de mil pessoas compareceram ao velório do homem que governou o Brasil por pouco mais de um ano (1954-1955).

Café Filho foi um grande político, um grande defensor da democracia e um grande administrador, como demonstrou sempre nas muitas funções que desempenhou, não só em seu estado, como no Governo da República. Seu falecimento é uma grande perda para a nação”, discursou Rademaker durante o funeral.

O Brigadeiro Eduardo Gomes, que também estava no velório, não deixou de dar um depoimento sobre o falecido, não querendo, contudo, mencionar os últimos anos do colega na vida pública. “Como político trouxe soluções para questões sociais. Como democrata, mostrou-se sempre zeloso na defesa das instituições livres. Como Presidente, foi cônscio de seus deveres para com a nação”, declarou.

No mesmo dia da morte do ex-governante, o então Presidente Médici assinou um decreto declarando luto oficial no país durante oito dias. O decreto determinava ainda que fossem prestadas honras de Chefe de Estado. Médici também enviou à viúva de Café filho um telegrama de condolências, no qual dizia estar “sensibilizado pela notícia do falecimento” acrescentando que encontra na memória do falecido “exemplos de desambição, fidelidade ao povo e de amor ao Brasil, uma fonte de permanente inspiração”.


Outras efemérides de 20 de fevereiro
1973: Brasil e Venezuela ratificam amizade
1992: Israel invade o Sul do Líbano

O ex-presidente Café Filho
Café Filho nasceu em Natal, Rio Grande do Norte, em fevereiro de 1899, tendo iniciado a carreira de advogado antes de ingressar na vida pública. Na década de 1930 chegou à Câmara dos Deputados, e, depois, sendo indicado à vice na chapa de Getúlio Vargas para a Presidência em 1950. Com o suicídio de Vargas, em 1954, Café Filho assumiu a Presidência, cargo que ocupou por pouco tempo, até novembro de 1955, quando se afastou por pressão de um movimento político-militar, que depois veio a se chamar Movimento 11 de Novembro. O movimento tinha por objetivo assegurar a posse do Presidente eleito Juscelino Kubstchek, temendo que esta fosse impedida por algum golpe de Café Filho, que não apoiava o novo governante.

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10 de fevereiro de 1912: A morte do Barão do Rio Branco

A morte do Barão do Rio Branco. Jornal do Brasil: Domingo, 11 de fevereiro de 1912.
"Cessou afinal a dolorosa agonia do grande vulto, que trouxe a consternação sincera em, todas as camadas populares. Repercutiu rapida e sentida, a nota plangente da grande perda sofrida pela família brasileira. O nome do Barão do Rio Branco está de tal modo integrado no espírito nacional como integrado e perfeito é o território desse abençoado solo, cujos limites ele traçou a golpes de longas vigílias e dedicadas locubrações. Às primeiras notícias da gravidade de seu estado havia uma corrente de ancia e de pesar, ancia de que os boletins prontamente afastassem um mau presságio, pesar de que viesse pouco depois a notícia fatal e pungente confirmar o desenlace cruento. Infelizmente, o pesar venceu". Jornal do Brasil

Professor, político, jornalista, diplomata, historiador e biógrafo, o Barão do Rio Branco, 66 anos, morreu vítima de problemas renais. Nos últimos dias sua vida fora uma agonia prolongada pelos recursos da ciência. A dimensão de sua perda se refletiu nas inúmeras homenagens póstumas que lhe foram rendidas no Brasil e no exterior, principalmente no mundo jornalístico.


Outras efemérides de 10 de fevereiro
1939: Morre o Papa Pio XI
1980: É aprovada a criação do PT

José Maria da Silva Paranhos Junior nasceu no dia 20 de abril de 1845 no Rio de Janeiro. Era filho do Visconde do Rio Branco, estadista que criou a lei abolicionista em 1871, declarando livre o ventre das mães escravas no Brasil. Estudou no Colégio Pedro II, e concluiu bacharelado na Faculdade de Direito de Recife, em 1866, onde deu os primeiros passos no jornalismo.

De volta ao Rio, foi promotor público em Nova Friburgo de onde seguiu para exercer o cargo de deputado federal por Mato Grosso. Anos depois, acompanhou o pai nas missões diplomáticas da Guerra do Paraguai. Em 1873, voltou a atuar no jornalismo, primeiro como redator, depois como diretor do periódico A Nação.

Em 1884, depois de concluir dois livros, História da Guerra do Paraguai e História Miltar do Brasil, entre tantas obras que enriqueceram a literatura brasileira, assumiu o conselho privado do imperador, de quem recebeu o título de Barão do Rio Branco. Com a proclamação da república, em 1889, assumiu a chefia da Superintendência da Imigração para o Brasil e colaborou com o Jornal do Brasil desde a sua primeira edição com a Coluna Efemérides.

O barão teve atuação decisiva na fixação das fronteiras brasileiras. Foi enviado aos EUA para tratar com a Argentina da questão das missões, no Sul do país, e conseguiu sentença favorável na disputa pelo Amapá. Quando dono da pasta das Relações Externas, enfrentou a discussão com a Bolívia sobre o Acre, território que passou a ser brasileiro. Também atuou no caso da Guiana Inglesa. Com os demais países, assinou acordos que delimitaram as fronteiras do país. É Presidente Perpétuo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e membro da Academia Brasileira de Letras.

Veja aqui a edição de 1911 da Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro com a psicologia do Barão do Rio Branco, pelo Major Dr. Liberato Bittencourt.

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3 de fevereiro de 1927: A Revolta dos militares portugueses do Porto

Jornal do Brasil: 4 de fevereiro de 1927

A revolta de militares da infantaria aquartelados no Porto levou o governo português a decretar o estado de sítio em todo o país. À frente da rebelião estavam o general Sousa Dias, o comandante Jaime de Morais, o capitão Sarmento Pimentel e o tenente João Pereira de Carvalho, além do capitão-médico Jaime Cortesão e José Domingos dos Santos.

Os rebeldes prenderam o ministro da Instrução Pública e seguiram para Lisboa. Um grupo de oficiais apresentou um ultimato ao governo, exigindo a renúncia do general Carmona e dos seus assessores, que seriam substituídos por um governo militar de caráter republicano e constitucional.

O general reagiu, enviando tropas para as cidades do Porto e de Gaia, que foram bombardeadas. Os revoltosos que partiram de Lisboa e de Lagos não conseguiram chegar a tempo de prestar socorro aos combatentes do Porto. Os revolucionários ficaram encurralados e se renderam. A batalha durou cinco dias e deixou 90 mortos e mais de 500 feridos, entre militares e civis. A repressão aos rebeldes foi violenta, com fuzilamentos sumários e deportações para a Açores e Angola.


Outras efemérides de 3 de fevereiro
1934: O alívio do Maestro Nazareth
1989: Cai o mais antigo ditador da América do Sul
1998: O adeus a Silvio Caldas, o Cantor das Despedidas

A rebelião foi a primeira depois do golpe que instaurou a ditadura de inspiração fascista em 28 de maio de 1926, e deu início ao movimento de resistência que ficou conhecido como o "reviralho". Os protestos contra o regime estenderam-se até os anos 40.

A Constituição de 1933 criou o Estado Novo e Oliveira Salazar passou a controlar o país até 1968. Foi substituído por Marcelo Caetano.

A democracia somente foi restabelecida em Portugal depois de 46 anos de ditadura, com a pacífica Revolução dos Cravos, em 25 de abril de 1974. A nova constituição foi promulgada de 1976 e consolidou as conquistas democráticas.

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1º de fevereiro de 1956: JK apresenta o plano desenvolvimentalista - 50 anos em 5

O Plano desenvolvimentalista de JK: 50 anos em 5. Jornal do Brasil: Quinta-feira, 2 de fevereiro de 1956.
O novo presidente brasileiro, Juscelino Kubitschek, apresentou um plano de metas para seu governo, com pretensões de que o Brasil atinja, em seus cinco anos de mandato, o equivalente a 50 anos de desenvolvimento. Coube ao setor energético a maior atenção e previsão de investimentos: 43,4% do orçamento destinados inclusive a colocar o Brasil na era da energia nuclear. Na área dos transportes, com orçamento de 29,6%, a meta estabelecia a reforma da malha rodoviária e a pavimentação das estradas. Para as indústrias foi previsto 20,4% das verbas, com especial atenção aos setores siderúrgicos e de cimento. Ao setor agropecuário, definiu-se 3,2% dos recursos para serem aplicados, com prioridade para a estrutura de armazenagem. Para a educação, o plano destinava investimentos na ordem de 4,3% do orçamento.

Ao menos no setor industrial, o primeiro passo foi dado. O vice-presidente americano, Richard Nixon, que veio ao Brasil para a posse de Juscelino, concordou em fazer um empréstimo de US$ 35 milhões para a ampliação da Companhia Siderúrgica Nacional.

Embora não estivesse no documento, uma meta maior foi prioridade no Governo de Juscelino: transferir a capital do país para Brasília.


Outras efemérides de 1º de fevereiro
1966: Morre Buster Keaton
1974: O incêndio do Edifício Joelma
1979: A revolução do Irã

JK em Brasília. Reprodução

A política econômica desenvolvimentista de JK apresentou pontos positivos e negativos para o Brasil. Se por um lado, a entrada de multinacionais aqueceu o mercado de trabalho , por outro, deixou nosso país frágil, dependente do capital externo. A projeção do setor industrial, em detrimento ao setor rural, prejudicou o trabalhador do campo e a produção agrícola. Com a fundação de Brasília, o país ganhou uma nova capital, mas pagou um alto preço: a dívida externa com a realização desta obra, aumentou consideravelmente. A migração e o êxodo rural descontrolados fez aumentar a pobreza, a miséria e a violência nas grandes capitais do sudeste do país.

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