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29 de fevereiro: Um ano de vez em quando

Jornal do Brasil: Terça-feira, 29 de fevereiro de 1972 - página 5 do Caderno B

"Bissexto.
Vale a pena reparar
na singularidade cíclica
de fevereiro.
Toda vez
que o cardinal do ano
é divisível por 4,
o mês de fevereiro
se enriquece de um dia,
fica cismando, até,
que pode chegar a 30,
quem sabe se, caprichando, vai até 31, mas qual: o gás é fraco, e fevereiro só repete a façanha daí a quatro anos, tempo que, antigamente, dava para renovar as caras na presidência das repúblicas
". Drummond de Andrade

Na sua origem, o ano bissexto é bastante explícito: um ajuste entre o calendário convencional e o tempo de translação da Terra em volta do Sol, o que faz com que o nascer no dia 29 de fevereiro aconteça de quatro em quatro anos. Mas esta peculiaridade fica também a mercê de suposições, superstições e crendices. Muitas histórias lhe são atribuídas, sem que se saiba ao certo de onde (e como) se originaram.

A edição do Jornal do Brasil de 29 de fevereiro de 1972, 18º ano bissexto do século XX, resgatou a história de uma curiosa tradição: o Dia da Maria Cebola, popularizado pelas histórias do Ferdinando, personagem dos quadrinhos do norte-americano Al Capp. Neste dia é permitido a toda mulher conquistar o homem amado. Qualquer ataque é consentido: da conquista mais sutil à perseguição mais despudorada. A referência histórica que se tem sobre este costume remete ao ano de 1288. Uma lei promulgada na Escócia estabelecia e ordenava que durante o ano bissexto, moças e senhoras de alta ou baixa situação financeira teriam a liberdade de escolher o homem do seu agrado para casar-se. Se este se recusasse a tomá-la como legítima esposa seria multado de acordo com as suas posses. Anos depois, uma lei semelhante seria formalizada na França, e no século XV, o costume seria legalizado em Gênova e Florença.

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28 de fevereiro de 1994: Governo cria a URV, pedra fundamental do Plano Real

Jornal do Brasil: Segunda-feira, 28 de fevereiro de 1994

O governo editou a medida provisória que criou a Unidade Real de Valor, que entraria em vigor em março, com valor no intervalo de US$ 0,80 a US$ 1.0. Além de estabelecer regras de conversão de valores, a medida determinou o lançamento de uma nova moeda, o Real (que só seria lançada de fato em junho do mesmo ano). A decisão relativa à edição da MP do Plano Real foi tomada em uma reunião ministerial no dia 27, realizada no Palácio do Planalto por convocação do então Presidente da República, Itamar Franco, a qual durou mais de oito horas. Nessa reunião também ficou decidido que a nova MP permitiria ao ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, intervir em casos de abusos por parte de especuladores de preços. Porque, segundo ele, as medidas do governo contra a inflação não teriam efeito sem o apoio da sociedade, deixando impune os especuladores, como aconteceu no Plano Cruzado (de 1986).


Outras efemérides de 28 de fevereiro
1935: A morte da Maestrina Francisca Gonzaga
1989: Morre Aurélio Buarque de Holanda Ferreira

Daqui pra frente, trabalhador nenhum terá o salário menor do que o custo de vida”, declarou Fernando Henrique ao dar detalhes sobre o novo plano econômico, informando que não haveria mais perdas salariais a partir de março. “Nós mudamos a regra. Mudamos de uma maneira favorável ao trabalhador. Isso tem que ser entendido. Não adianta vir com uma conversa do passado para prever o futuro. Será diferente”, acrescentou o futuro Presidente da República.

Desde 1986, com a criação do Plano Cruzado, o Brasil sofreu uma série de planos e medidas econômicas que resultaram, ao longo de oito anos, em uma inflação total de 689.363.100%. Ao todo, foram oito programas de estabilização, cinco congelamentos de preços e salários, um confisco de ativos financeiros, 54 alterações no sistema de controle de preços, 16 políticas salariais e quatro moedas (cruzado, cruzado novo, cruzeiro e cruzeiro real), o que resultou em um corte de nove zeros em relação ao cruzeiro que vigorava no início de 1986. Por mais fortes que tivessem sido as medidas, a inflação continuou a se acelerar, havendo a necessidade de mais um plano, o que desta vez mostrou-se eficaz e duradouro. O novo plano econômico teve como consequência a redução brusca da inflação, a ampliação do poder de consumo da população, a modernização do parque industrial brasileiro e o crescimento econômico com geração de empregos, além de ter tornado Fernando Henrique o político mais influente do Brasil, fazendo com que fosse eleito Presidente da República em outubro do mesmo ano.

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27 de fevereiro de 1997: A clonagem da ovelha Dolly

A Ovelha Dolly. Reprodução

Dolly, o primeiro mamífero clonado, foi gerado a partir de outra ovelha adulta, o que deixou em polvorosa o mundo científico. O animal nasceu em 1996 mas o resultado da pesquisa só foi publicada no ano seguinte, na Revista Nature. Os responsáveis pelo experimento foram os professores Ian Wilnut e Keith Campbell, do Roslin Institute, da Escócia.

Dolly foi gerada a partir do núcleo de uma célula mamária de uma ovelha adulta, o qual foi fundido, com a ajuda de uma corrente elétrica, ao óvulo de outro animal, cujo núcleo tinha sido previamente retirado. Para obter a clonagem os pesquisadores tiveram de fazer 276 tentativas. O nome Dolly foi uma referência à cantora country norte-americana Dolly Parton, que tem seios muito grandes. O clone teve um filhote, que recebeu o nome de Bonnie, nascida de um cruzamento normal com um carneiro montês da raça Welch, chamado David. Dolly gerou ainda mais três filhotes em uma única gestação, que morreram.

A experiência abriu debates a respeito dos limites morais das pesquisas científicas, e o Vaticano pediu que as pesquisas sobre clonagens fossem abolidas. Muitos países, inclusive o Brasil, estabeleceram medidas jurídicas para impedir que o processo fosse empregado em seres humanos.

A ovelha mais famosa do mundo foi sacrificada em 2003 depois de contrair uma infecção pulmonar degenerativa, que lhe infligiu muito sofrimento.

Ao completar 5 anos a ovelha apresentou uma forma rara de artrite, que ataca geralmente animais velhos. Os pesquisadores interpretaram a doença como um sinal de envelhecimento precoce a que poderiam estar sujeitos os clones. Dolly também ficou obesa, mas os cientistas não souberam explicar se o sobrepeso foi causado pelo confinamento ou se era outra consequência da clonagem.


Outra efeméride de 27 de fevereiro
1970: Médici afirma que é cedo e preserva AI-5

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25 de fevereiro de 1986: Povo celebra queda de Ferdinando Marcos, o ditador das Filipinas

Jornal do Brasil: A queda de Ferdinando Marcos


Milhares de pessoas comemoraram nas ruas de Manila, capital das Filipinas, a renúncia do presidente Ferdinando Marcos, que estabeleceu no país uma das mais longas e corruptas ditaduras do século 20. Marcos foi acusado de acumular mais de dez bilhões de dólares durante os 21 anos em que ficou no poder. Em boa parte desse período o governo do ditador contou com o apoio dos Estados Unidos.

Marcos pediu garantias para deixar o palácio onde morava e refugiou-se com a família e alguns assessores na base aérea americana de Clark.

O palácio de Malacanang foi invadido e saqueado por uma multidão. Documentos foram jogados pela janela. Retratos de Marcos e de Imelda, sua mulher, foram arrancados das paredes e queimados. A ex-primeira-dama, vencedora de um concurso de beleza nas Filipinas, ficou conhecida por sua grande coleção de sapatos, estimada em mais de 3 mil pares.

Marcos chegou a ser empossado para um novo mandato como vencedor de eleições fraudadas, mas foi destituído do cargo. Com a queda do ditador, Corazón Aquino assumiu a presidência. Corazón é viúva do lider da oposição Benigno Aquino assassinado em 1993. Muitos choraram ao ouvir pelos alto-falantes a cerimônia de posse da nova chefe da nação. A nova presidente enfrentou, em sua gestão, várias tentativas de golpe organizadas por partidários de Marcos.


Outras efemérides de 25 de fevereiro
1945: A morte de Mario de Andrade
1954: Coronel Nasser assume o poder no Egito
1983: Tennessee Williams, ousado, escandaloso e fascinante

Pobreza e repressão violenta
Durante seu primeiro mandato, Ferdinando Marcos governou democraticamente e a economia do país cresceu. Já o segundo mandato foi marcado pelo autoritarismo. A pobreza e a criminalidade também aumentaram nas Filipinas. A oposição protestava e crescia o movimento de guerrilha.

Em 1972, a pretexto de combater a luta armada, o ditador decretou estado de sítio e suspendeu a constituição. No ano seguinte aprovou uma nova constituição e se reelegeu. A partir daí, a repressão aos opositores tornou-se violenta e milhares de pessoas foram torturadas e mortas.

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24 de fevereiro de 1972: O incêndio do Edifício Andraus

O incêndio do Edifício Andraus. Jornal do Brasil: Sexta-feira, 25 de fevereiro de 1972.



Mais de 10 pessoas morreram e outras 400 ficaram feridas durante o incêndio que destruiu os 26 andares do Edifício Andraus, na Avenida São João, na capital paulista e parou São Paulo numa quinta-feira à tarde.

O fogo, que começou no segundo andar, em poucos minutos consumiu todo o prédio, destruiu lojas e escritórios.


Encurraladas, cerca de 300 pessoas se dirigiram para o heliporto, no terraço, de onde acabaram resgatadas. Contagiadas pelo pânico, algumas não aguentaram a espera pelo socorro e na tentativa de fuga para os edifícios vizinhos, acabaram despencando do alto do terraço.


Outras efemérides de 24 de fevereiro
1897: A inauguração do novo palácio do Governo
1946: Juan Domingo Perón é eleito na Argentina
1981: Anunciado noivado de Lady Di e Príncipe Charles

São Paulo mobilizou todos os recursos, inclusive helicópteros, para realizar a maior e mais dramática operação de salvamento da história da cidade. Bombeiros, soldados da Polícia Militar e populares somaram seus esforços para socorrer centenas de vítimas do incêndio do Edifício Andraus, que em poucas horas foi transformado num esqueleto disforme de cimento e ferragens.

O incêndio do Edifício Andraus foi uma das primeiras tragédias transmitidas ao vivo pela televisão brasileira. Os registros chocaram o mundo e suscitaram as primeiras discussões sobre segurança em edifícios, o que era negligenciado até então.



Confira também:
1º de fevereiro de 1974 - O incêndio do Edifício Joelma
11 de dezembro de 1981 – Incêndio consome prédio no Centro do Rio
17 de fevereiro de 1986 - Fogo e desespero no Edifício Andorinhas

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23 de fevereiro de 1942: O suicídio de Stefan Zweig

"Antes de deixar a vida por minha própria vontade, quero cumprir o meu último dever, qual o de agradecer profundamente a este país magnífico, o Brasil, que me deu tão amável acolhida. Cada dia que aqui passei, mais amava este grande país e em nenhum outro, além dele, poderia ter a esperança de refazer a minha vida. Depois que eu vi o país da minha própria língua soçobrando e minha pátria espiritual - a Europa - destruindo-se a si própria, e quando alcanço 60 anos de idade, seriam necessários esforços imensos para reconstruir a minha vida, e a minha energia está esgotada pelos longos anos de peregrinação..." Stefan Zweig

Jornal do Brasil: Terça-feira, 24 de fevereiro de 1942 - página 6


O último capítulo da vida de Stefan Zweig chegou ao fim. O escritor foi encontrado morto em sua residência na cidade de Petrópolis, estado do Rio de Janeiro. Estava em companhia da sua esposa, que o acompanhou na felicidade, no exílio, e no suicídio por excesso de barbitúricos. Foram vencidos pela desesperança no futuro da humanidade, resultante da barbárie que envolvia o mundo no auge da Segunda Guerra Mundial.

O grande biógrafo e historiador austríaco, asilado da sua pátria desde a anexação da mesma pelo Reich, nasceu na cidade de Salzburg. De ascendência judáica, foi pacifista e crítico do nazi-fascismo. Chegou ao Brasil em 1941, onde encontrou uma realidade totalmente distinta da que vivenciara e da qual fugira na Europa. Desenvolveu uma profunda simpatia no país, como documentou em sua obra Brasil, país do futuro.

Aqui, concluiu seu último trabalho, um lançamento póstumo: O mundo que eu vi, memórias do escritor em capítulos que refletem os embates dos mais nobres sentimentos humanos com a realidade europeia ao longo da sua vida.




Outras efemérides de 23 de fevereiro
1945: II Guerra - EUA tomam o monte Suribachi

O homem, seu destino e a História
Zweig enriquecia suas biografias com documentos, dotando-as de feições históricas legítimas. Maria Antonieta, Napoleão Bonaparte e Joseph Fouché são obras que retratam o seu tema preferido.

Stefan Zweig. Rerpodução/CPDoc JB
Refletem com perplexidade sobre o valor do homem em confronto com o seu destino, e os caminhos tortuosos da História: o primeiro pela tragédia de ter sido a rainha sacrificada pela Revolução; o segundo pelas realizações guiadas pelo sonho de dominar o mundo; e o terceiro pela carreira improvável que lhe possibilitou permanecer no poder ao longo de toda a Revolução e a até o fim da Era de Napoleão.

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22 de fevereiro de 1987: Morre Andy Warhol, o maior expoente da pop art

Jornal do Brasil: 23 de fevereiro de 1987


Andy Wharhol, 56 anos, o maior expoente da pop art, morreu de ataque cardíaco dois dias depois de ter sido submetido a uma cirurgia de vesícula.

Andy Warhol foi cineasta, escritor, poeta, fotógrafo, pintor, gravador e um dos criadores da Pop Art - movimento das artes plásticas genuinamente norte-americano.

Filho de imigrantes tchecos, nasceu em Pittsburg em 1928, onde se formou em artes. Mudou-se para Nova Iorque nos anos 50 e passou a trabalhar intensamente em propaganda, chegando a ganhar um prêmio em 1957 por uma campanha de sapatos.

Os anos de publicidade lhe deixaram a propensão em fazer uma arte absolutamente privada de estilo ou emoção. A transição da publicidade para a arte se deu através dos quadrinhos. Os primeiros trabalhos de Warhol foram versões ampliadas das tiras de Dick Tracy, usadas como elementos decorativos nas vitrines da loja nova-iorquina Lord and Taylor.

Suas obras chocaram a crítica desde o início, como a série de quadros retratando a lata de sopa Campbell's, que efetivamente lançou a pop art. Warhol confessou que pintou as latas porque, quase todo dia, ao longo de 20 anos, comeu a sopa quase todos os dias.

Na rotina que Warhol via o verdadeiro sentido da arte, o que gerou grande polêmica em torno da sua obra.

De simples representações passou para as representações múltiplas. Reproduziu em processo serigráfico os grandes ídolos populares da sua época como Marily Monroe, Jackie Kennedy, Elvis Presley, Liz Taylor e Pelé.

Sua fase seguinte foi a Disasters - terríveis acidentes de automóvel, execuções em cadeira elétrica, conflitos raciais - que denunciavam profundas emoções de dor, e a deliberada cauterização daquelas emoções.

No auge de sua fama e também da riqueza que adquiriu; Warhol passou a dedicar-se ao cinema.

Outras efemérides de 22 de fevereiro
1993: Tribunal julga crimes da guerra da Iugoslávia
1998: Central do Brasil leva o Urso de Ouro
1998: O desabamento do Palace II

A fama por mais de 15 minutos

Andrew Wahrola, seu verdadeiro nome, como artista percebeu que no futuro todo mundo seria famoso por 15 minutos, e tinha duas ambições na vida: ser ultrajante e ganhar muito dinheiro. Conseguiu as duas coisas.

Na transição para o cinema, tornou-se, ele mesmo, o tema de sua arte: "Se você quer saber de Andy Warhol, basta olhar para as superfícies de meus quadros e filmes, que lá estou eu. Não há nada além disso".

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21 de fevereiro de 1965: O assassinato de Malcolm X

"O assassínio de Malcolm X deveria fazer toda nação compreender que a violência e o ódio são forças nefastas que devem ser esquecidas".
Martin Luther King
Jornal do Brasil: Terça-feira, 23 de fevereiro de 1965 - página


O controverso norte-americano negro Malcolm X, 39 anos, morreu alvejado por uma rajada de tiros durante um comício no Harlem, bairro nova iorquino de maioria negra. Ao seu lado estavam a mulher Betty, grávida, e quatro filhas. A polícia não encontrou provas, mas apontou o envolvimento da Nação do Islã no crime.

Malcolm X. Reprodução/CPDoc JB


Nascido Malcolm Earl Little em Omaha, no estado americano de Nebraska, em 1925, teve a infância e a adolescência marcadas pela violência característica dos guetos pobres de então. Viu sua casa ser incendiada pelos brancos. Criança ainda, perdeu o pai, assassinado brutalmente após sofrer espancamento e ser atirado na linha de trem. Em volta disso cresceu e chegou ao Harlem, onde iniciou-se no ativismo político.

Consumiu e traficou drogas. Foi preso e condenado por assalto. Atrás das grades veio a conversão ao islamismo e a decisão de vingar tudo o que os brancos lhe haviam feito.

Alistou-se na seita de Elijah Muhammad, e logo ministraria em Nova Iorque. Mas o ódio que nutria pelo branco era imenso, o que motivou uma crescente divergência entre ele e seu mentor, e promoveu sua conseqüente expulsão da seita.

A contundente história de vida de Malcolm X suscitava sentimentos contraditórios junto à opinião pública. Após uma viagem à Meca, cidade sagrada dos muçulmanos, reviu seus ideais e declarou não acreditar mais que os brancos fossem irremediavelmente maus, proclamando uma coexistência pacífica. Postura que a partir de então adotou e defendeu até o seu discurso final no Harlem.



Contrastes com Martin Luther King
Enquanto Luther King apostava na resistência não-violenta como arma para enfrentar o racismo, Malcolm X defendia a separação das raças, a independência econômica e a criação de um estado autônomo para os negros.

Viajou pelos estados norte-americanos para pregar as suas idéias com grande repercussão, inclusive no exterior. Um ano antes de sua morte, mudou o seu nome para Al Hajj Malik Al-Habazz. Com a morte, ocorrida no estágio final da luta pelos direitos civis, a influência de Malcom X caiu rapidamente. Ficou a lembrança da sua figura esguia como um dos ícones dos anos 60.

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20 de fevereiro de 1970: Café Filho é enterrado com honras de presidente

Ao toque de silêncio, executado por um corneteiro da Aeronáutica, o corpo do ex-presidente Café Filho desceu à sepultura no cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro, às 17h40 do dia vinte de fevereiro. O então vice-presidente Augusto Rademaker, representando o presidente Médici, foi um dos que carregaram o caixão. Mais de mil pessoas compareceram ao velório do homem que governou o Brasil por pouco mais de um ano (1954-1955).

Café Filho foi um grande político, um grande defensor da democracia e um grande administrador, como demonstrou sempre nas muitas funções que desempenhou, não só em seu estado, como no Governo da República. Seu falecimento é uma grande perda para a nação”, discursou Rademaker durante o funeral.

O Brigadeiro Eduardo Gomes, que também estava no velório, não deixou de dar um depoimento sobre o falecido, não querendo, contudo, mencionar os últimos anos do colega na vida pública. “Como político trouxe soluções para questões sociais. Como democrata, mostrou-se sempre zeloso na defesa das instituições livres. Como Presidente, foi cônscio de seus deveres para com a nação”, declarou.

No mesmo dia da morte do ex-governante, o então Presidente Médici assinou um decreto declarando luto oficial no país durante oito dias. O decreto determinava ainda que fossem prestadas honras de Chefe de Estado. Médici também enviou à viúva de Café filho um telegrama de condolências, no qual dizia estar “sensibilizado pela notícia do falecimento” acrescentando que encontra na memória do falecido “exemplos de desambição, fidelidade ao povo e de amor ao Brasil, uma fonte de permanente inspiração”.


Outras efemérides de 20 de fevereiro
1973: Brasil e Venezuela ratificam amizade
1992: Israel invade o Sul do Líbano

O ex-presidente Café Filho
Café Filho nasceu em Natal, Rio Grande do Norte, em fevereiro de 1899, tendo iniciado a carreira de advogado antes de ingressar na vida pública. Na década de 1930 chegou à Câmara dos Deputados, e, depois, sendo indicado à vice na chapa de Getúlio Vargas para a Presidência em 1950. Com o suicídio de Vargas, em 1954, Café Filho assumiu a Presidência, cargo que ocupou por pouco tempo, até novembro de 1955, quando se afastou por pressão de um movimento político-militar, que depois veio a se chamar Movimento 11 de Novembro. O movimento tinha por objetivo assegurar a posse do Presidente eleito Juscelino Kubstchek, temendo que esta fosse impedida por algum golpe de Café Filho, que não apoiava o novo governante.

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19 de fevereiro de 1983:Sai de cena o ator Jardel Filho

Primeira página do Jornal do Brasil: Domingo, 20 de fevereiro de 1983

O ator Jardel Filho, 56 anos, morreu enquanto dormia em seu apartamento no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio, vítima de infarto agudo do miocárdio e de edema pulmonar. O corpo foi velado no Teatro Municipal e enterrado no Cemitério São João Batista. Chegava ao fim uma carreira de 36 anos estrelada nos palcos e em sets de filmagem.

Jardel Filho. Ilustraçao de Michael/CPDoc JB
Filho de artistas teatrais, foi pelas mãos de Ziembinski que estreou nos palcos, na companhia Os Comediantes. E não parou mais. Logo obteve sucesso e passou a interpretar peças de Nelson Rodrigues, entre as quais elegeu o papel em Vestido de Noiva como sua melhor performance. Com Bibi Ferreira também ganhou projeção Brasil afora, encenando obras como Senhora, de José de Alencar, e Sonhos de Outono, da própria Bibi. Outra importante oportunidade veio de Henriette Morineau: a peça O Complexo de Meu Marido.

No cinema, atuou em várias produções: Floradas na Serra, com Cacilda Becker; Cidade Ameaçada, de Roberto Farias; Terra em Transe, de Glauber Rocha; e Macunaíma, dirigido por Joaquim Pedro de Andrade.

Pioneiro das novelas ao vivo, considerava a televisão o maior palco do mundo. E foi na tv que atuou pela última vez. Jardel era o protagonista das novela das oito Sol de Verão, e sua morte repentina forçou o autor a mudar o final da trama.


Outras efemérides de 19 de fevereiro
1972: Primeira transmissão de TV a cores no Brasil
1974: A criação do Parque Nacional da Amazônia


O melancólico ocaso de um Sol de Verão
Diante do impacto da morte do ator, restou aos demais integrantes do elenco de Sol de Verão, um grande desafio: Como continuar a novela sem Jardel Filho? Ele interpretava Heitor, o personagem central da trama. Um mecânico holandês alegre e espalhafatoso, machão e passional. Tudo girava em torno dele. Contracenava com artistas de peso: Irene Ravache, Tony Ramos e Gianfrancesco Guarnieri. A novela seguiu em frente, afinal o espetáculo tinha que continuar... Mas a ausência de Jardel evidenciou tratar-se de um talento insubstituível.

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18 de fevereiro de 1974: Cem anos da Renovação Católica

Jornal do Brasil: Segunda-feira, 18 de fevereiro de 1974
O jornalista, escritor e imortal Antonio Carlos Villaça relembrava no JB o episódio que ficaria conhecido como Questão Religiosa, ocorrido exatamente um século antes. Naquele dia o conflito entre a Igreja e a Maçonaria chegara a um ponto crítico, com o início do julgamento pelo Supremo Tribunal de Justiça de Dom Vital Maria Gonçalves de Oliveira, recém-empossado Bispo de Olinda.


Outras efemérides de 18 de fevereiro
1983: Cruzeiro sofre maxidesvalorização
1986: Samba chora a morte de Nelson Cavaquinho
1988: Descoberta arqueológica em Israel

O conflito começara dois anos antes, com uma homenagem prestada ao Visconde do Rio Branco, grão-mestre da Maçonaria e presidente do Conselho de Ministros do Império. Dom Vital proibiu que na sua diocese católicos fossem maçons e que irmandades religiosas tivessem membros maçons sob pena de interdição, no que foi imitado pelo Bispo de Belém, Dom Macedo Costa. As irmandades interditadas recorreram ao Governo Imperial, e o Conselho de Estado determinou aos bispos que suspendessem as interdições, no que não foi atendido.

Sendo a religião católica a do Estado, segundo a Constituição do Império, foram aqueles dignatários processados e condenados por estarem desobedecendo e impedindo que fossem obedecidas ordens emanadas do poder executivo. Ao final do julgamento foram os bispos condenados a 4 anos de prisão com trabalhos forçados.

Diálogo de difícil compreensão

Naquele julgamento, sobressaiu a questão da independência da Igreja em relação ao Estado. A Constituição de 1824 previa a união entre o trono e o altar. Para o Império, a religião, era um fenômeno sócio-cultural; para Dom Vital, estava em jogo uma profissão de fé cristã. A sua condenação teve grande repercussão entre a população, e para amenizar a situação o Imperador comutou a pena por prisão simples. Anistiado no ano seguinte, Dom Vital viajou a Roma e foi recebido pelo Papa Pio IX, que lhe disse: "Aprovo tudo o que Vossa Excelência fez".

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17 de fevereiro de 1973: A Morte de Pixinguinha

Morre Pixinguinha. Reprodução

O músico Alfredo da Rocha Viana Filho, o Pixinguinha, morreu de enfarte, dentro de uma Igreja no Rio, quando ia ser padrinho de um batizado.

Desaparecia do cenário musical o maestro responsável por incorporar elementos brasileiros às técnicas de orquestração e arranjo, renovando a arte de fazer música no Brasil. Entre os destaques de sua obra estão algumas composições que receberam letra, como Carinhoso (1917). O clássico foi gravado em 1928 de forma instrumental e a letra só foi escrita em 1937 por João de Barro, para ser gravada por Orlando Silva. Outras músicas de Pixinguinha que ganharam letras foram Rosa (Otávio de Souza), Lamento (Vinicius de Moraes) e Isso É Que É Viver (Hermínio Bello de Carvalho).


Outras efemérides de 17 de fevereiro
1986: Fogo e desespero no Edifício Andorinhas
1997: Morre Darcy Ribeiro



Nascido no dia 23 de abril de 1897, o carioca Pixinguinha aprendeu a tocar flauta e logo começou a se apresentar em orquestras, choperias, peças musicais e a participar de gravações ao lado dos irmãos Henrique e Otávio (China), que tocavam violão. Os floreados e os improvisos que tirava do instrumento arrancavam aplausos do público.

No início dos anos 20 formou o conjunto Os oito batutas, e realizou uma turnê pela Europa para divulgar a música brasileira. A banda tinha João Pernambuco e Donga no violão, entre outros instrumentistas. Pixinguinha fez sucesso também entre a elite carioca, tocando maxixes e choros com instrumentos até então só conhecidos nos subúrbios do Rio.

Ainda na década de 20, época em que o sistema elétrico de gravação era uma grande novidade, fez várias gravações para a Parlophon com a Orquestra Típica Pixinguinha-Donga.

Pixinguinha e a música brasileira
Liderou também Os Diabos do Céu, a Guarda Velha e a Orquestra Columbia de Pixinguinha. Em 1940 foi indicado por Villa-Lobos como o responsável pela seleção dos músicos populares que participariam da famosa gravação para o maestro Leopold Stokowski, que divulgou a música brasileira nos Estados Unidos. Em 1946, deixou a flauta e passou a tocar saxofone.

Em homenagem ao grande maestro o Dia Nacional do Choro é comemorado em 23 de abril, dia do nascimento de Pixinguinha. A data foi criada oficialmente em 4 de setembro de 2000.

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16 de fevereiro de 1923: Descoberto o sarcófago de Tutankhamon

Descobeeto túmulo de Tutankhamon

A equipe do arqueólogo Howard Carter encontrou a câmara funerária onde estavam os restos mumificados do faraó egípcio Tutankhamon.

As escavações para encontrar o túmulo do monarca da 18ª dinastia, no Vale dos Reis, em Luxor, sul do Cairo, despertaram grande interesse entre os cientistas que visitavam a região. Uma multidão acompanhou os trabalhos, que duraram semanas. O mausoléo foi o único, entre os de outros faraós, que escapou aos saques de ladrões na antiguidade. No local foram encontrados um rico mobiliário, tecidos, textos sagrados, jóias e esculturas, com destaque para a famosa máscara mortuária do rei e o sarcófago em ouro.


Outras efemérides de 16 de fevereiro

1936: Frente Popular vence as eleições na Espanha
1942: Morre o Duque de Connaught

Tutankhamon não foi um rei importante. Governou por curto espaço de tempo, de 1361 a 1352 a. C., e não realizou nenhum projeto extraordinário. No entanto a descoberta do seu túmulo com 5 mil objetos intactos o tornaram o faraó mais conhecido de todos os tempos. O tesouro sepultado com Tutankhamon revelou o avanço e a sofisticação da sociedade egípcia de 3.400 a. C. O faraó foi coroado aos 9 anos e casou-se com Akhesenamon, sua meio-irmã, de 11. O rei menino morreu aos 19 anos de causas até hoje desconhecidas. Alguns especialistas defendem a tese de morte por doença, talvez tuberculose. Especula-se também que o faraó teria sido assassinado por um de seus assessores que cobiçavam o trono. Outra hipótese é a de que teria sofrido um acidente em um carro puxado por bois, ou ainda que teria morrido em batalha. O rei não deixou herdeiros.

Devido à pequena dimensão do túmulo, os egiptólogos chegaram a duvidar que ele pertencesse a um faraó. Depois chegaram à conclusão de que não houve tempo para construção de um mausoléo e que a cerimônia fúnebre teve de ser feita às pressas.
Descoberto túmulo de Tutankhamon

Lendas sobre a maldição
O fato de a tumba de Tutankhamon permanecer intacta por 3 mil anos gerou várias lendas a respeito de uma maldição que seria lançada naqueles que invadissem a sala mortuária. Coincidência ou não, o aristocrata Lord Carnarvon, que patrocinou a pesquisa, morreu dois meses depois que o arqueólogo Howard Carter abriu o sarcófago do faraó.

Os túmulos dos nobres egipcios eram construídos bem no fundo da rocha para evitar pilhagens. Labirintos eram escavados para que os ladrões se perdessem e morressem de fome antes de encontrar a câmara funerária.

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15 de fevereiro de 1965: O silêncio de Nat King Cole

"Unforgetable, that's what you are..."
Nat King Cole. Reprodução

Nat King Cole, 46 anos, morreu em um hospital de Hollywood, Estados Unidos, de câncer de pulmão, depois de cantar durante vinte e nove anos nas principais cidades do mundo, interpretando canções de jazz como Saint Louis Blues, Too Young, Fascination, Unforgetable e Bailerina.

A doença que o levou à morte foi diagnosticada um ano antes, quando sentia dificuldades para respirar. Nat precisou tirar um dos pulmões e, pouco antes de falecer, não tinha fôlego nem mais para falar. Mesmo depois da cirurgia, Nat não parou de fumar – o cantor tinha hábito de consumir cerca de três maços de cigarro por dia. A viúva Maria Cole disse que o marido morreu sem sentir, apenas com um olhar de tristeza. “É nessas ocasiões que uma mulher tem que ser forte e ter coragem. Com certeza Nat consolou-se nisso antes que tudo acabasse”, declarou à imprensa um dia após a morte do cantor.

Em 1959, Nat King Cole passou pelo Rio de Janeiro, ocasião em que se apresentou no Maracanazinho, em um show que lotou o estádio, sendo a maior consagração feita no Brasil a um cantor norte-americano até então.



Outras efemérides de 15 de fevereiro

1933: Morre Paulo de Frontin
1984: Chilenos vão colonizar a Antártida

A vida de músico de Nat começou aos quatro anos de idade, quando tocava órgão na igreja de seu bairro, incentivado pelo pai, que era pastor. Aos 17 anos mudou-se com a família para Chicago e lá começou uma pequena banda, que depois se transformou no trio de Nat King Cole, que ficou famoso por cantar músicas de jazz e spirituals (música religiosa da cultura afro-americana).

A vida inteira tenho ouvido, cantado e amado os spirituals que, para mim, representam a expressão máxima da música norte-americana, no que ela tem de melhor”, afirmou o cantor certa vez, ao se referir ao seu hit Every Time I Feel the Spirits.

Cole era um cantor realizado: gravara mais de 600 músicas. Sua voz agradável e marcante era comparada por críticos musicais ao “rumor da brisa crepuscular”. Cole também fez história no cinema, tendo atuado em mais de 20 filmes de Hollywood, sempre como cantor ou pianista. O garoto pobre do Alabama, cujo primeiro salário foi fixado em um dólar e meio por noite (na época em que liderava uma pequena banda), jamais imaginou que faturaria, poucos anos depois, cerca de 500 milhões de dólares por ano e mobilizaria multidões de fãs enlouquecidos para ouví-lo cantar.

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14 de fevereiro de 1980: Censura libera exibição do Encouraçado Potenkim

Liberado sem cortes o Encouraçado Potenkim. Jornal do Brasil: 15 de fevereiro de 1980

O Conselho Superior de Censura liberou sem cortes, com proibição para menores de 10 anos, o filme Encouraçado Potenkim, do cineasta russo Sergei Eisenstein. O conselheiro Pompeu de Souza informou que o clássico do cinema ficou anos fora do circuito de exibição sem que houvesse qualquer motivo que justificasse o veto. Pompeu acrescentou que no processo de liberação estavam anexados requerimentos, procurações, licenças de importação, pedidos de cineclubes. "só não havia qualquer parecer de censores sobre o filme", observou.

O Encouraçado Potenkim foi rodado em 1925, para homenagear o regime bolchevique, já então liderado por Stalin. Assista um fragmento do filme:



Outras efemérides de 14 de fevereiro
1950 – China e URSS selam acordo de amizade
1989 - Khomeini manda matar indiano autor do livro Os Versos Satânicos

O filme se baseia em fatos reais e conta a história da revolta da tripulação de um navio de guerra russo, em 1905, que sofria maus tratos por parte dos comandantes. A rebelião eclodiu quando os oficiais deram aos marinheiros carne pobre para comer. A embarcação estava ancorada no porto de Odessa, cidade russa às margens do mar Negro. A população da cidade apoiou os amotinados, e um grande número de pessoas se dirigiu ao cais, levando alimentos. A guarda imperial do czar reprimiu violentamente a manifestação. A cena mais famosa do filme foi realizada nas escadarias da cidade de Odessa, quando um carrinho de bebê escorrega pelos degraus sob os disparos efetuados pelos policiais, e um marinheiro arrisca a vida e consegue salvar a criança.

Serguei Eisenstein foi um inovador, praticamente o inventor da técnica da montagem cinematográfica. Influenciou grandes cineastas ocidentais como Orson Welles, Jean Luc Godard, Brian de Palma e Oliver Stone. Eisenstein fez poucos filmes, mas a exemplo do Encouraçado Potenkim, Outubro, Alexandre Nevisk e Ivã, o terrível, tornaram-se clássicos do cinema pelas cenas de impacto com multidões, que são copiadas até hoje. Eisenstein teve atritos com Stálin e deixou a Rússia para filmar da Metro-Goldwin-Mayer (MGM), mas os seus projetos em Hollywood não tiveram êxito. Retomou os trabalhos na Rússia onde morreu de enfarte.

Censura libera outros filmes
Além do Encouraçado Potenkim, o Conselho Superior de Censura liberou, com proibição para menores de 18 anos, os filmes Emmanuele, A verdadeira, Uma virgem raptada e violentada, e Bordel. Esses filmes poderiam ainda ser vetados pelo Ministro da Justiça. Caso houvesse recurso no prazo de 15 dias por parte qualquer pessoa, entidade ou pelo Departamento de Polícia Federal, a exibição dos filmes poderia ser suspensa. O Diário de uma adolescente foi liberado pelo Conselho com censura até 14 anos.

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13 de fevereiro de 1960: França testa bomba atômica no Saara

A explosão da primeira bomba atômica francesa. Jornal do Brasil: Domingo, 14 de fevereiro de 1960.

A primeira bomba atômica francesa explodiu na manhã do dia treze de fevereiro, no Saara Francês, tendo sido a experiência onsiderada bem sucedida pelos cientístas e militares. A bomba foi instalada em uma torre de aço com 106 metros de altura, e as primeiras indicações após a explosão foram de que as regiões habitadas não tinham sofrido qualquer contaminação radioativa. Embora o engenho fosse chamado de bomba, mais parecia uma máquina atômica que foi levada em peças ao lugar da explosão e ali armada.

A notícia da explosão foi transmitida do local, localizado ao sul de Orã, cidade da Argélia, então província francesa, para o presidente da França, De Gaulle, em Paris. Com o lançamento, De Gaulle esperava que os Estados Unidos aceitassem compartilhar os segredos atômicos com a França, uma vez que, com a explosão de sua primeira bomba, o país teria passado a integrar o grupo das potências nucleares, formado então pela União Soviética e a Grã-Bretanha além dos norte-americanos.

“A explosão ocorreu nas condições previstas de poder e segurança. O explosivo nuclear utilizado foi o plutônio. Foi integralmente garantida a segurança das populações do Saara e dos países vizinhos”, dizia um comunicado divulgado pela Presidência da República francesa. “Nessas condições, graças ao esforço nacional, pode a França reforçar o seu poderio defensivo, o da comunidade francesa e o do Ocidente. Por outro lado, a República Francesa está em melhores condições para fazer sentir a sua ação no sentido da conclusão dos acordos entre as potências atômicas, tendo em vista a realização do desarmamento nuclear”, finalizou a nota.

A explosão da bomba francesa causou reações negativas nos países africanos localizados na região do Saara, por não entenderem porque a França, em vez de discutir o desarmamento, tinha lançado uma bomba teste em território africano. O Primeiro-Ministro de Gana, Kwame Nkrumah, anunciou que, a partir do dia seguinte à explosão, seriam congelados todos os capitais franceses no país até que se conhecessem inteiramente os possíveis efeitos causados pela explosão atômica. Em comunicado veiculado na TV de Gana, Nkrumah disse que o Governo francês “desafiava a consciência da humanidade ao fazer explodir um aparato nuclear em solo africano”. No Marrocos e Japão, as manifestações dos governos sobre o ocorrido seguiram a mesma linha de desaprovação do Premier de Gana, tendo o governo marroquino chegado a dizer que o ato foi “indigno da cultura francesa”.

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12 de fevereiro de 1984: Morre Julio Cortazár

A morte de Cortazár. Jornal do Brasil: 13 de fevereiro de 1984.
Aos 69 anos de idade, morreu de leucemia em um hospital de Paris, o escritor argentino Julio Cortázar, um dos maiores nomes da literatura hispano-americana. Era caracterizado pela crítica da época por um homem que perseguiu uma linguagem própria até o limite da auto destruição e buscou a realidade através não apenas da fantasia, mas também de uma militância intensa e humanista. Os títulos mais famosos de Cortázar são Bestiário, Final de jogo, Um tal Lucas, O Jogo da Amarelinha.

Cortazár nasceu durante a Primeira Guerra, em 1914, na embaixada da Argentina na Bélgica e só colocou os pés no país latino pela primeira vez após quatro anos de vida. Quando chegou à juventude e entregou-se à sua vocação literária, a Argentina ingressara em um longo ciclo de golpes e ditaduras militares a começar pela de Perón. Os temores e horrores desse fundo histórico, de um lado, e a companhia e a influência de uma elite intelectual foram decisivos na moldagem da obra de Cortázar. Explicam seu conteúdo introspectivo e os requintes formais que o alinham como um escritor da vanguarda internacional.

Cortazár começou escrevendo poesia e, em 1938, publicou a coletânea Presenciais, que assinou com o pseudônimo de Julio Denis. Foi professor univesitário e, em 1952, mudou-se para a França, onde residiu até a morte. Ao falecer, deixou um volume de versos, Acaso el crepusculo, que mais tarde seria publicado. Assim, começou e terminou como poeta, apesar de ter ficado famoso pela sua prosa, sendo seu gênero preferido o conto. “A história curta é uma espécie de esfera”, disse ele uma vez, explicando que essa esfera permitiria o autor a chegar à perfeição. Dois de seus contos foram levados ao cinema. “A Autópsia do Sul” inspirou o cineasta da nouvelle vague, Godard, a fazer o filme Weekend; e Las babas del Diablo, que se transformou no famoso longa metragem Blow Up, do italiano Antonioni.

A política foi outra das paixões de Cortázar. Apoiou a revolução cubana e defendeu o Governo sandinista (da Nicarágua). Da França, cuja cidadania lhe foi conferida pelo próprio presidente do país, Mitterrand, combateu sem tréguas a ditadura militar argentina. “Muita gente pensa que o resultado da mensagem de Cortazár é um anarquismo esquerdizante. Mas há nela um profundo interesse ético, que passa pelas graves questões de comportamento”, declarou o crítico brasileiro David Arriggucci Jr., especialista nas obras do escritor, no dia de sua morte.

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11 de fevereiro de 1917: A morte de Dr. Oswaldo Cruz

Jornal do Brasil: Segunda-feira, 12 de fevereiro de 1917 - página 6





"Teve uma repercussão dolorosa nesta capital a notícia do falecimento do médico ilustre que foi o Sr. Dr. Oswaldo Cruz, considerado com justiça legítima glória da classe cujo renome soube elevar tão alto.




Ninguém poderá esquecer que ele, vencendo o pessimismo do momento, com a fé inabalável no resultado das medidas de higiene que reputava infalíveis, foi o herói da obra de saneamento da Capital da República."

Jornal do Brasil

Faleceu de insuficiência renal, após prolongada agonia, o ilustre Dr. Oswaldo Cruz, 44 anos, então Prefeito da Cidade de Petrópolis. Perdia o Brasil a genialidade do seu mais ilustre cientista sanitarista.

Outras efemérides de 11 de fevereiro
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1996: Michael Jackson encanta o Dona Marta

Oswaldo Cruz nasceu no interior paulista em 1872. Ingressou na Faculdade de Medicina no Rio começando uma notável carreira de higienista que logo transpôs fronteiras através de vários cursos de aperfeiçoamento e especialização na Europa.

Ao voltar para o Brasil, organizou o combate ao surto de peste bubônica registrado em Santos e em outras cidades portuárias brasileiras. Demonstrou que a epidemia era incontrolável sem o emprego do soro adequado. Como a importação era demorada à época, defendeu a fabricação nacional. Foi então criado, em 1900, o Instituto Soroterápico Nacional (atual Instituto Oswaldo Cruz), entidade que assumiu a direção dois anos mais tarde. Em 1903, assumiu o cargo de diretor geral de Saúde Pública no Rio com a difícil e bem-sucedida missão de erradicou a febre amarela e a peste bulbônica na cidade. Manteve-se à frente da marcha pela salubridade do Brasil e reabilitou-lhe a reputação sanitária.

Imortalizado pela Academia Brasileira de Letras em 1913, consagrou-se também como um dos grandes benfeitores da sociedade.

A vitória contra a febre amarela
A Revolta das Vacinas. Reprodução/CPDoc JB

Na direção da Saúde Pública do Rio, Oswaldo Cruz teve o desafio de erradicar a febre amarela na cidade. E empreendeu um rígido combate à doença, movido à base de muitas polêmicas:

promoveu o isolamento dos doentes, a vacinação obrigatória e campanhas para eliminar os focos do mosquito.

A iniciativa suscitou resistência na opinião pública, no episódio que ficou conhecido como a Revolta das Vacinas.

Mas o sanitarista, irredutível, fez uso até da força policial para atingir os resultados projetados. E em 1907 atingiu seu êxito: não houve nenhum caso da doença registrado na cidade.

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10 de fevereiro de 1912: A morte do Barão do Rio Branco

A morte do Barão do Rio Branco. Jornal do Brasil: Domingo, 11 de fevereiro de 1912.
"Cessou afinal a dolorosa agonia do grande vulto, que trouxe a consternação sincera em, todas as camadas populares. Repercutiu rapida e sentida, a nota plangente da grande perda sofrida pela família brasileira. O nome do Barão do Rio Branco está de tal modo integrado no espírito nacional como integrado e perfeito é o território desse abençoado solo, cujos limites ele traçou a golpes de longas vigílias e dedicadas locubrações. Às primeiras notícias da gravidade de seu estado havia uma corrente de ancia e de pesar, ancia de que os boletins prontamente afastassem um mau presságio, pesar de que viesse pouco depois a notícia fatal e pungente confirmar o desenlace cruento. Infelizmente, o pesar venceu". Jornal do Brasil

Professor, político, jornalista, diplomata, historiador e biógrafo, o Barão do Rio Branco, 66 anos, morreu vítima de problemas renais. Nos últimos dias sua vida fora uma agonia prolongada pelos recursos da ciência. A dimensão de sua perda se refletiu nas inúmeras homenagens póstumas que lhe foram rendidas no Brasil e no exterior, principalmente no mundo jornalístico.


Outras efemérides de 10 de fevereiro
1939: Morre o Papa Pio XI
1980: É aprovada a criação do PT

José Maria da Silva Paranhos Junior nasceu no dia 20 de abril de 1845 no Rio de Janeiro. Era filho do Visconde do Rio Branco, estadista que criou a lei abolicionista em 1871, declarando livre o ventre das mães escravas no Brasil. Estudou no Colégio Pedro II, e concluiu bacharelado na Faculdade de Direito de Recife, em 1866, onde deu os primeiros passos no jornalismo.

De volta ao Rio, foi promotor público em Nova Friburgo de onde seguiu para exercer o cargo de deputado federal por Mato Grosso. Anos depois, acompanhou o pai nas missões diplomáticas da Guerra do Paraguai. Em 1873, voltou a atuar no jornalismo, primeiro como redator, depois como diretor do periódico A Nação.

Em 1884, depois de concluir dois livros, História da Guerra do Paraguai e História Miltar do Brasil, entre tantas obras que enriqueceram a literatura brasileira, assumiu o conselho privado do imperador, de quem recebeu o título de Barão do Rio Branco. Com a proclamação da república, em 1889, assumiu a chefia da Superintendência da Imigração para o Brasil e colaborou com o Jornal do Brasil desde a sua primeira edição com a Coluna Efemérides.

O barão teve atuação decisiva na fixação das fronteiras brasileiras. Foi enviado aos EUA para tratar com a Argentina da questão das missões, no Sul do país, e conseguiu sentença favorável na disputa pelo Amapá. Quando dono da pasta das Relações Externas, enfrentou a discussão com a Bolívia sobre o Acre, território que passou a ser brasileiro. Também atuou no caso da Guiana Inglesa. Com os demais países, assinou acordos que delimitaram as fronteiras do país. É Presidente Perpétuo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e membro da Academia Brasileira de Letras.

Veja aqui a edição de 1911 da Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro com a psicologia do Barão do Rio Branco, pelo Major Dr. Liberato Bittencourt.

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9 de fevereiro de 1983: O carnaval fica menos carnaval sem seu velho general Blecaute

Blecaute. Reprodução

A banda, este carnaval, não tem seu velho general Blecaute. Otavio Henrique de Oliveira, 62 anos, morreu, vítmima de pneumonia agravada por problemas circulatórios, no começo da tarde, no Hospital Cardoso Fontes, em Jacarepaguá. Quis o destino, que partisse no mesmo dia que Ary Barroso. O carnaval entristeceu...

O mais carioca dos paulistas, como ele mesmo se dizia, durante quase 40 anos, ajudou a animar, com seu sorriso muito branco, a voz e a ginga de corpo, a maior festa popular brasileira. Era a figura ilustre que abria o Carnaval carioca, sábado de manhã, na Cinelândia: "Eu não gosto de carnaval. Eu sou o Carnaval".


Outras efemérides de 9 de fevereiro
1964: Ary Barroso morre em pleno Carnaval
1967: Sancionada a Lei de Imprensa
1996 – IRA rompe cessar-fogo com o Reino Unido

Nascido na cidadezinha de Pinhal, a 19 de novembro de 1919, foi trinta anos mais tarde que Blecaute começou a conquistar sua cidade adotiva, explodindo no carnaval não com um, mas com dois grandes sucessos: General da Banda e Pedreiro Valdemar.

"Você conhece o pedreiro Valdemar? Não conhece, mas vou lhe apresentar... De madrugada, toma o trem da circular. Faz tanta casa e não tem casa pra morar..."

Tivera uma infância difícil em São Paulo. Fora engraxate, entregador de jornais, biscateiro. Só anos mais tarde, depois de inúmeras tentativas ao microfone, percorrendo as rádios locais, obteve um lugar no elenco da Difusa. Foi quando adotou o apelido - em alusão as luzes da cidade se apagando durante os treinamentos de guerra.

Não foi fácil. Mas, tentando a sorte, Blecaute - sem nenhum dinheiro, de terno de panamá, colete, sapato de duas cores, piteira entre os dedos, os cabelos cobertos de vaselina, já esticados como sempre usou - plantou-se numa das esquinas da Praça Tiradentes. Não demorou muito e, confundido com um estrangeiro, acabou contratado para trabalhar num circo. Foi o bastante para que desse o primeiro passo na vida artística carioca. Sorte do Carnaval!


Mas como a festa pagã... depois de dias de glória, veio a quarta-feira de cinzas...

Blecaute viveu os últimos anos em sérias dificuldades financeiras, com saúde extremamente debilitada."Tudo isso é assim mesmo", dizia conformado. Um anos antes de morrer, artistas realizaram um show beneficente. Sabia que não realizaria mais o antigo sonho que nutriu a vida inteira: um LP reunindo todos os seus sucessos de carnaval...

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8 de fevereiro de 2012: O adeus ao cantor Wando, o brega-romântico que amava as mulheres

"Lá vou eu de novo, coração nos olhos num final de tarde,
me sentindo assim...
Cheio de vontade, de te ver de novo,
Coisa cristalina, meu raio de luz, meu amanhecer
"

Wando. CPDoc JB

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8 de fevereiro de 1965: Morre o poeta Augusto Frederico Schmidt

A morte de Augusto Frederico Schmidt. Jornal do Brasil: Terça-feira, 9 de fevereiro de 1965
Em uma de suas orações, em forma de soneto, o poeta Augusto Frederico Schmidt pediu um dia: "Morrer, Senhor, de súbito, não quero", porque ele queria morrer levando a vida já vivida, vendo o mundo perder-se pouco a pouco.

Mas seu pedido antigo não foi atendido: Augusto Frederico Schmidt, 60 anos, morreu de repente, não mais que de repente, como disse seu colega Vinicius de Morais. E ele não queria morrer, mas ser colhido pela morte.


Outras efemérides de 8 de fevereiro
1963: Iraque sofre um golpe militar
1975: Chile e Bolívia reatam relações
1999: Jordânia tem novo rei

Augusto Frederico Schmidt nasceu no Rio de Janeiro, em 18 de abril de 1906, quando a cidade deixava para trás a morrinha imperial e ensaiava os primeiros dias do mais grandioso exemplo da belle époque tropical. Mas pouco viveu por ali. Cedo, seguiu para a Europa, e depois de voltar ao Rio, transferiu-se para Minas. Chegou a capital paulista em 1924, e logo se uniu ao grupo de intelectuais de lá.

Casado com Ieda Ovale Lemos Schmidt, nunca teve filhos, tristeza que nunca ocultou dos amigos.

De volta ao Rio, em 1928, intensifica suas atividades como colaborador em jornais. Participa de inúmeros congressos culturais no Brasil e no exterior, tendo sido noss representante em diversas missões diplomáticas, entre elas as da ONU e da OPA. Foi embaixador extraordinário do Brasil. Era mebro da Associação Brasileira de Escritores e da Associação Comercial do Rio de Janeiro. Gostava de esporte e chegou a ser Presidente do Botafogo, sócio do Joquei Clube, da Sociedade Hípica, entre várias outras associações esportivas. Respeitável comerciante, foi um empresário bem-sucedido.

Para um poeta que surgiu durante o movimento modernista, Augusto Frederico poderia ser considerado um rebelde. Enquanto os seus colegas, da Semana de 1922, procuravam novas formas, uma maneira de transmitir sentimentos, ele se contentava apenas com a liberdade do verso, no qual punha um lirismo onde o silêncio, a dor e amorte estavam sempre presentes.

Desde 1928, quando publicou o primeiro livro - Canto do Brasileiro - Schmidt se mostrou romântico em demasia, para a maioria dos seus colegas. Foi criticado, atacado, mas também admirado e amado. entre a Paulicéia Desvairada de Mário de Andrade e seu livro de estréia, havia um abismo enorme, embora os dois fossem frutos de uma mesma raiz: o movimento modernista.

O seu vocabulário era simples, nunca houve palavras novas em sua poesia, feita de mar, silêncio, passarinhos, peixes e morte, sobretudo morte. Para ele, até num momento de alegria, o homem estava perseguido pela morte, que poderia vir de surpresa, como agora.

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4 de fevereiro de 1997: Morre o polemista Paulo Francis

Devido a problemas técnicos, estamos publicando nesta data, 7 de fevereiro de 2012, o post programado para 4 de fevereiro. Pedimos desculpas aos nossos leitores.

Paulo Francis. Reprodução

"Gosto que me leiam e saibam o que acho das coisas. É uma forma de existir. Trabalho é a melhor maneira de escapar da realidade" Paulo Francis

Paulo Francis, 66 anos, morreu na manhã de uma terça-feira, estendido no chão da sala de seu duplex em Nova York, após sofrer um ataque cardíaco fulminante. Uma equipe de paramédicos presente no local, chamada por sua esposa, tentou reanimá-lo, sem sucesso. Chegava ao fim a polêmica trajetória do mais amado e odiado jornalista brasileiro.

A notícia foi recebida com surpresa pela imprensa e pelo público. Seu médico particular chegou a cogitar que a causa da morte de Francis estava associada ao stress decorrente de problemas jurídicos que o jornalista estava enfrentando. Francis fizera graves acusações aos diretores da Petrobras, o que lhe rendeu um processo judicial em Nova York, no qual ele teria que arcar com uma indenização na ordem de 100 milhões de dólares por danos morais. Daí, o desespero.


Outras efemérides de 4 de fevereiro
1921: A conferência do Dr. Carlos Chargas
1992: Fracassa o golpe de Estado na Venezuela


Nascido em 2 de setembro de 1930, numa família classe média carioca, Franz Paulo Trannin da Matta Heilnorn estudou em tradicionais colégios católicos do Rio de Janeiro. Nos anos 50, chegou a frequentar a Faculdade Nacional de Filosofia, curso que acabou por abandonar pouco tempo depois. Mas foi da sua formação autodidata, incentivada desde sempre pelo hábito de leitura, que vieram suas duas características decisivas: o ecletismo e a opinião.

Em quase 4 décadas de vida pública, colecionou uma série de títulos que oscilavam desde a admiração até o desafeto extremo e habitavam sob o mesmo teto: grosso, ranzinza, destemperado, moleque, irreverente, divertido...

Em 2009, a Comunicação Alternativa lançou o documentário Caro Francis, de Nelson Hoineff, premiado como Melhor Direção de Documentário, Júri Popular, no II Festival Paulínia de Cinema, 2009.

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7 de fevereiro de 1992: Ministros europeus assinam Tratado de Maastricht

Tratado de Maastricht. Jornal do Brasil: Sábado, 8 de fevereiro de 1992.

Os ministros do Exterior e da Fazenda da Comunidade Européia assinaram o Tratado de Maastricht, aprovado pelos chefes de Estado e de governo dos 12 países-membros na reunião de cúpula realizada na cidade holandesa de Maastricht dois meses antes.

Os acordos políticos e econômicos consolidaram os planos para criar um mercado único de 340 milhões de pessoas, uma moeda comum antes do final do século, e política externa e de defesa conjuntas, abrindo caminho para transformar a Comunidade Econômica Européia, criada em 1957 pelo Tratado de Roma, na União Européia.

O tratado, com 189 páginas mais 33 declarações e protocolos, deu novos poderes ao Parlamento Europeu.

"A Comunidade Européia está agora num curso irreversível rumo à União Européia", declarou o deputado alemão Egon Klepsch, presidente do Parlamento Europeu. Mas o ministro do Exterior britânico, Douglas Hurd, gaguejou diante dos repórteres quando tentava explicar o que estava assinando.


Outras efemérides de 7 de fevereiro
1932: Aconteceu em um carnaval
1992: Ulisses chega a Júpiter


Com a queda do Muro de Berlim e o fim da Guerra Fria, o embate de décadas entre o comunismo e o capitalismo praticamente chegou ao fim. Este cenário permitiu uma maior aproximação dos países integrantes da Europa como um todo, com a necessidade de reconstruir o continente, arruinada pelo conflito, e evitar novos confrontos entre os povos que faziam parte de uma mesma história política e geográfica, que conservavam sua identidade, seu idioma e sua cultura. O Tratado de Maastricht criou metas de livre movimento de produtos, pessoas, serviços e capital, visando à estabilidade política do continente. Mas, a imigração continuou atuando com exigência de passaportes.

Os planos da integração eram grandiosos, porém nem todos foram realizados.

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6 de fevereiro de 1962: A morte do pintor Cândido Portinari

A morte de Cândido Portinari. Jornal do Brasil: 8 de fevereiro de 1962.

"Hemorragia cerebral, provocada por intoxicação de sais pesados existentes nas tintas", foi o diagnóstico da morte dado por médicos que acompanharam Cândido Portinari, 58 anos, em seus últimos momentos na Casa de Saúde São José. O Dr. Mem Xavier, médico assistente e amigo particular do pintor, revelou que Portinari já havia sofrido, oito anos antes uma crise idêntica, com hemorragia gastrointestinal, quando passou a ser proibido para ele o uso de determinados materiais em suas obras. O artista, contudo, não obedeceu. O óbito foi assinado minutos antes da meia-noite.

Portinari deixou viúva Maria Portinari e um único filho João Portinari.

"Cândido Portinari é uma expressão constante e fiel da nossa cultura, porque traduziu, em sua arte, as dores e as esperanças do nosso povo, que por ser autenticamente brasileiro, conquistou renome universal. Por isso, a morte do grande pintor não está sendo lamentada pelo Brasil, que nele reconhece um dos seus maiores intérpretes, mas também, pelo mundo artístico internacional, ao qual deu uma contribuição inestimável", declarou na ocasião o então Presidente João Goulart.


Outras efemérides de 6 de fevereiro
1952: Morre Jorge VI ,o mais democratas dos reis
1952: Começa o reinado de Elizabeth II
1984: Astronauta voa livre no espaço

Filho de imigrantes italianos, Cândido Portinari nasceu na Cidade paulista de Brodovski, a 30 de dezembro de 1903 e em 1918, transferiu-se para o Rio, onde sem quaisquer recursos, matriculou-se na Escola Nacional de Belas Artes, em 1922. Começou, então, sua extraordinária carreira, que teve a mais ampla repercussão internacional. Antes de adoecer, ele estava concluindo a pintura de dois quadros encomendados pelo Palácio Real da Itália, em Milão: Os Três Músicos e Favela.

Retornara pouco antes de morrer de mais uma viagem à Europa, e estava prestes a lançar um livro de poemas em que retornava aos motivos constantes de sua obra: meninos, desespero dos retirantes, angústia dos espoliados. Coube ao escritor Antonio Callado selecionar 50 entre os poemas, para que seriam editados por José Olímpio.

Portinari realizou decorações para o Pavilhão Brasileiro na Exposição Internacional em Nova York (1940); quatro murais para a Biblioteca do Congresso em Washington, EUA (1942); azuelo e painés para a Igreja da Pampulha, em Belo Horizonte (1944); exposições em Montevidéu, Buenos Aires e Washignton (1947); e Guerra e Paz, dois painéis oferecidos pelo Governo brasileiro à sede da ONU.

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5 de fevereiro: Dia Henfil de Doação de Sangue

Dia Henfil de Doação de Sangue


O dia 5 de fevereiro, data do aniversário do Henfil (que hoje completaria 68 anos) agora é o Dia Henfil de Doação de Sangue. Uma homenagem ao cartunista, cuja morte, por insuficiência respiratória decorrente da síndrome da imunodeficiência adquirida contraída em uma transfusão de sangue, marcou o início do movimento que revolucionou o sistema de hemocentros no país, proporcionando qualidade e segurança transfusional.

Participe desta corrente de solidariedade, doe sangue e ajude a salvar vidas!

Quem não é do Rio de Janeiro também pode participar comparecendo ao hemocentro da sua cidade.

Outras efemérides de 5 de fevereiro
1962: França aceita discutir a Independencia da Argélia
1965: Martin Luther King é solto
1966: O usurpador AI-3
1974: A morte de Mestre Bimba, um filho de Zumbi

Henfil, Um exercício de Liberdade, por Helio Pellegrino
(Artigo publicado no Jornal do Brasil na edição de Terça-feira, 5 de janeiro de 1988)

"Há três tipos de mineiros - o banqueiro, o burocrata e o visionário. Henfil, sem dúvida, foi um visionário. Revoltado, indignado, mas também impregnado de uma fagulha de humor. E todo humor, no fundo, é bindade. O humor transforma-se num exercício de liberdade, e dissolve o rancor.

Conhecia Henfil há uns oito anos, dez anos, e o mais impressionante é que nas muitas vezes que o visitei doente, em cas ou no hospital, ele nunca mostrou um momento de rancor. Pelo contrário. Até na dor, revelava humor junto às enfermeiras, com os médicos. Há pouco tempo, os médicos estavam preocupados com a sua lucidez, e ele sabia disso. Quando entrei no quarto, ele me perguntou, com uma ponta de ironia: "Quem é você?" "O Rei da Bessarábia", respondi. E ele caiu na gargalhada.

Não sei qual seria a relação entre o humor de Henfil e a hemofilia, com a qual conviveu a vida inteira. Me lembro do filme, Tesouro de Sierra Madre, de John Houston. Aquele punhado de homens em busca do ouro, que suportam as piores condições, até serem roubados por bandidos, que deixam o ouro escapar. Diante do absurdo da situação, aqueles homens riram até não poder mais. Creio que com Henfil deve ter ocorrido algo parecido. Cultivou a capacidade de rir, com a consciência que o hemofílico tem da morte como permanente ameaça. É a convivência diária com a presença da morte. Alguns poderiam reagir com rancor ou acovardamento. Mas Henfil reagiu com humor. Brincar é se vingar da morte.

Humor é a vingança contra o destino, a vingança contra a injustiça, a vingança contra o opressor. É uma saída através do riso. Henfil conquistou um humor lúcido - foi o sujeito mais extraordinariamente lúcido que conheci. Sempre batalhador, indignado, corajoso - e, o que é raro, original. Podem achar o seu humor agressivo - mas o país em que viveu não merecia outra coisa.E Henfil não podia dar-se ao luxo de ser leve.

Henfil contraiu Aids através de transfusões de sangue - uma inominável perversidade e um retrato do Brasil, que clama aos céus por vingança, mas não sensibiliza o governo. O brasil é um país em que os ricos podem ter alguma forma de controle sobre o sangue, mas não a maior parte da população.

Que a morte de Henfil sirva ao menos como denúncia e protesto deste quadro que configura a apoteóse da perversão. A vida inteira Henfil lutou contra a doença, pela saúde, extravasou sua indignação contra a opressão. O seu humor foi uma vingança de uma força extraordinária. Foi uma libertação do seu destino
".

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3 de fevereiro de 1927: A Revolta dos militares portugueses do Porto

Jornal do Brasil: 4 de fevereiro de 1927

A revolta de militares da infantaria aquartelados no Porto levou o governo português a decretar o estado de sítio em todo o país. À frente da rebelião estavam o general Sousa Dias, o comandante Jaime de Morais, o capitão Sarmento Pimentel e o tenente João Pereira de Carvalho, além do capitão-médico Jaime Cortesão e José Domingos dos Santos.

Os rebeldes prenderam o ministro da Instrução Pública e seguiram para Lisboa. Um grupo de oficiais apresentou um ultimato ao governo, exigindo a renúncia do general Carmona e dos seus assessores, que seriam substituídos por um governo militar de caráter republicano e constitucional.

O general reagiu, enviando tropas para as cidades do Porto e de Gaia, que foram bombardeadas. Os revoltosos que partiram de Lisboa e de Lagos não conseguiram chegar a tempo de prestar socorro aos combatentes do Porto. Os revolucionários ficaram encurralados e se renderam. A batalha durou cinco dias e deixou 90 mortos e mais de 500 feridos, entre militares e civis. A repressão aos rebeldes foi violenta, com fuzilamentos sumários e deportações para a Açores e Angola.


Outras efemérides de 3 de fevereiro
1934: O alívio do Maestro Nazareth
1989: Cai o mais antigo ditador da América do Sul
1998: O adeus a Silvio Caldas, o Cantor das Despedidas

A rebelião foi a primeira depois do golpe que instaurou a ditadura de inspiração fascista em 28 de maio de 1926, e deu início ao movimento de resistência que ficou conhecido como o "reviralho". Os protestos contra o regime estenderam-se até os anos 40.

A Constituição de 1933 criou o Estado Novo e Oliveira Salazar passou a controlar o país até 1968. Foi substituído por Marcelo Caetano.

A democracia somente foi restabelecida em Portugal depois de 46 anos de ditadura, com a pacífica Revolução dos Cravos, em 25 de abril de 1974. A nova constituição foi promulgada de 1976 e consolidou as conquistas democráticas.

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2 de fevereiro de 1997: Chico Science, ananauê

Recife trocou a euforia que tradicionalmente precede o carnaval pelo clima de quarta-feira de cinzas...
Adeus a Chico Science. Jornal do Brasil: 4 de fevereiro de 1997

Francisco de Assis França, o Chico Science, 30 anos, teve sua trajetória precocemente abortada ao morrer em um acidente de carro. O veículo que dirigia chocou-se contra um poste na rodovia Complexo de Salgadinho, a oito quilômetros da capital pernambucana.

Com nome de santo, Chico Science tornou-se profeta de uma nova miscigenação musical. Líder da banda Nação Zumbi, foi um dos mais conhecidos artista do movimento mangue bit – resultante da fusão dos ritmos tradicionais da cultura nordestina como o maracatu e o coco, com o rock e o reggae.


Outras efemérides de 2 de fevereiro
1970: Morre Bertrand Russell
1981: Peru e Equador aceitam cessar-fogo
1989: Golpe depõe Stroessner

Durante seu funeral, Chico ganhou uma emocionante homenagem do seu grande professor de cultura popular, o Mestre Salustiano. Líder do Maracatu Piaba de Ouro, um dos mais tradicionais de Recife, levou 12 cablocos do bloco, vestidos com seus mantos bordados e tocando as lanças - uma espécie de berimbau. Durante 15 minutos eles dançaram fazendo círculos em volta do corpo e das centenas de coroas enviadas por fãs e amigos. O público se amontoava e cantava as canções de Chico, como o Maracatu Atômico, um dos sucessos do cantor e de seu grupo.

"Ananauê, Chico"! gritavam. Estima-se que mais de dez mil pessoas tenham passado pelo Centro de Convenções do Recife para se despedir do músico.

O então governador Miguel Arraes decretou luto oficial por três dias. "Era um jovem que desapareceu bruscamente. Ele ainda tinha muito o que fazer, embora já tivesse feito muito", comentou. Mas a morte dele não ai acabar como movimento Mangue.

Este samba é misto de Maracatu
A fusão rock-raízes está no ar desde Jorge Benjor, consolidando-se na tropicália, no mineiro Clube da Esquina e no experimentador Jorge Mautner. Depois veio uma geração de nordestinos – de Alceu Valença e Belchior, a Novos Baianos, Fagner, Geraldo Azevedo e Zé Ramalho. Quase duas décadas depois, despontava do Pernambuco, berço do maracatu, o movimento mangue bit, capitaneado pelos grupos Chico Sciense & Nação Zumbi e Mundo Livre S A que puseram a capital pernambucana de volta ao mapa cultural do país.

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1º de fevereiro de 1956: JK apresenta o plano desenvolvimentalista - 50 anos em 5

O Plano desenvolvimentalista de JK: 50 anos em 5. Jornal do Brasil: Quinta-feira, 2 de fevereiro de 1956.
O novo presidente brasileiro, Juscelino Kubitschek, apresentou um plano de metas para seu governo, com pretensões de que o Brasil atinja, em seus cinco anos de mandato, o equivalente a 50 anos de desenvolvimento. Coube ao setor energético a maior atenção e previsão de investimentos: 43,4% do orçamento destinados inclusive a colocar o Brasil na era da energia nuclear. Na área dos transportes, com orçamento de 29,6%, a meta estabelecia a reforma da malha rodoviária e a pavimentação das estradas. Para as indústrias foi previsto 20,4% das verbas, com especial atenção aos setores siderúrgicos e de cimento. Ao setor agropecuário, definiu-se 3,2% dos recursos para serem aplicados, com prioridade para a estrutura de armazenagem. Para a educação, o plano destinava investimentos na ordem de 4,3% do orçamento.

Ao menos no setor industrial, o primeiro passo foi dado. O vice-presidente americano, Richard Nixon, que veio ao Brasil para a posse de Juscelino, concordou em fazer um empréstimo de US$ 35 milhões para a ampliação da Companhia Siderúrgica Nacional.

Embora não estivesse no documento, uma meta maior foi prioridade no Governo de Juscelino: transferir a capital do país para Brasília.


Outras efemérides de 1º de fevereiro
1966: Morre Buster Keaton
1974: O incêndio do Edifício Joelma
1979: A revolução do Irã

JK em Brasília. Reprodução

A política econômica desenvolvimentista de JK apresentou pontos positivos e negativos para o Brasil. Se por um lado, a entrada de multinacionais aqueceu o mercado de trabalho , por outro, deixou nosso país frágil, dependente do capital externo. A projeção do setor industrial, em detrimento ao setor rural, prejudicou o trabalhador do campo e a produção agrícola. Com a fundação de Brasília, o país ganhou uma nova capital, mas pagou um alto preço: a dívida externa com a realização desta obra, aumentou consideravelmente. A migração e o êxodo rural descontrolados fez aumentar a pobreza, a miséria e a violência nas grandes capitais do sudeste do país.

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