Arquivo de November 2011

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30 de novembro de 1991: Morre Sobral Pinto, o defensor dos direitos do homem

Morre Sobral Pinto, o defensor dos direitos do homem

"A democracia é universal, sem adjetivos". Sobral Pinto

25 dias após completar 98 anos, o jurista Sobral Pinto morreu de falência múltipla dos órgãos, numa manhã de sábado, em casa, no bairro carioca de Laranjeiras. Nos últimos dias, ele, que vinha tratando uma pneumonia e uma desidratação, demonstrava fraqueza e se alimentava com dificuldade.

Em paz com seu tempo e com Deus, morreu na humildade do corpo, mas na grandeza do espírito em que sempre viveu. Como um Homem que passou à História do Brasil, principalmente pela extremada devoção à liberdade. Um dos raros exemplos de homens que deveria ter o privilégio de ser enterrado de pé, porque não serviu nunca aos poderosos nem nunca se dobrou ao arbítrio e à prepotência. Mais do que suas obras - Teologia da Libertação: materialismo marxista na teoria espiritualista, Lições de Liberdade e Porque defendo os comunistas, entre outras -, ele legou a seus contemporâneos e às futuras gerações um exemplo de luta e dignidade.

Quando setores reacionários da UDN pretederam usurpar o mandato que o povo havia livremente concedido a Juscelino Kubitschek, suas advertências levaram o Marechal Lott ao contragolpe "preventivo" de 11 de novembro de 1955, que depôs o presidente Carlos Luz.

No início de abril de 1964, vitorioso o golpe militar que derrubou o Presidente Jango, advertiu em carta ao marechal Castelo Branco que sua candidatura à Presidência da República, na qualidade de chefe do Estado-Maior do Exército, era ilegal.

Sobral Pinto. Reprodução



Filho ilustre da cidade mineira de Barbacena, Heráclito Fontoura Sobral Pinto nasceu em 5 de novembro de 1893. Os primeiros estudos fez em Porto Novo do Cunha, atual Além Paraíba, para onde a família se mudou quando ele tinha pouco mais de um ano. De lá, seguiu adolescente para Nova Friburgo, onde bacharelou-se em ciências e artes. Depois, transferiu-se para o Rio, então Distrito Federal, ingressou na Faculdade de Direito e empregou-se na Repartição Geral dos Telégrafos. Ao final do curso, veio o bacharelado em 1918, e o início de uma promissora carreira que exerceria por 74 anos.



Preso por alguns dias, logo após da decretação do Ato Institucional número 5 em dezembro de 1968, respondeu com altivez ao oficial carcereiro, que lhe dissera tratar-se de uma medida pela ´democracia à brasileira´: "Coronel, há peru à brasileira. A democracia é universal, sem adjetivos".

Reconhecido e amplamente condecorado pela defesa da democracia e dos direitos humanos, nenhuma medalha ou homenagem, porém, lhe falava tão alto de perto ao coração como o amor da mulher, Maria José, com quem viveu por 65 anos e constituiu uma família com sete filhos, oito netos e seis bisnetos. Poucos dias antes de morrer confidenciou à esposa: "Você acredita que, depois de Deus e da Virgem, você é tudo para mim?" Ela respondeu:" Acredito".

Outras efemérides de 30 de novembro
1956 - Ataques de rebeldes em Cuba
1980 - Cartola, um vazio se fez no samba
1986: Terremoto abala o Rio Grande do Norte

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29 de novembro de 2001: Adeus a George Harrison, o mais jovem Beatle

Morre George Harrison. Jornal do Brasil: 30 de novembro de 2011.


Após uma longa luta contra o câncer, o músico George Harrison, ex-guitarrista, compositor e cantor do grupo britânico The Beatles, faleceu, aos 58 anos. No momento de sua morte, ele estava na casa de um amigo, ao lado da mulher, Olívia, e do filho, Dhani, de 24 anos. "Ele deixou esse mundo da mesma forma que viveu, ciente de Deus, sem medo da morte e em paz, ao lado da família e dos amigos", disse num comunicado divulgado por Olívia e Dhani. George Harrison, integrante mais jovem dos Beatles, foi o segundo da formação clássica do quarteto a morrer: em 1980, John Lennon foi assassinado em frente ao edifício em que morava, em Nova York.

Harrison já tinha visto a morte de perto pelo menos uma vez, em 1999, quando sua casa na Inglaterra foi invadida por um louco que chegou a esfaqueá-lo. Em 1974, o guitarrista interrompera uma turnê por causa de problemas na garganta, mas nada indicava que aquilo fosse uma manifestação do câncer que o levou.

Em sua casa em Londres, Paul McCartney emocionou-se ao falar de Harrison: _" Ele era adorável, um homem muito valente. Tinha um maravilhoso senso de humor, era verdadeiramente meu irmãozinho".

Já o ex-baterista dos Beatles, Ringo Starr, resumiu sua emoção numa frase: _ Perdi meu melhor amigo.

Na Inglaterra, a Rainha Elizabeth disse estar "muito triste" pelo acontecido. O primeiro-ministro Tony Blair, que cresceu com a música dos Beatles, declarou: "Ele não era apenas um grande músico, um artista, realizou muitos trabalhos de caridade. O mundo sentirá sua falta". Yoko Ono, viúva de John Lennon, mandou condolências a Olivia e Dhani, e disse: "George nos deu tanto durante sua vida e continuará a nos dar depois da morte, com sua música, seu humor e sua sabedoria".
Morre George Harrison. Jornal do Brasil: 30 de novembro de 2011.


O Beatle espiritualizado
George Harrison nasceu em 25 de fevereiro de 1943, em Liverpool. O plano de seu pai, Harold Harrison, era criar uma oficina mecânica familiar, mas, quando George ganhou uma guitarra elétrica aos 13 anos, decidiu ser músico. Nessa época, conheceu Paul McCartney e os dois começaram a se apresentar juntos. Aos 17, com John e Paul, já fazia parte da banda que iria transformar para sempre a música pop em todo o mundo. O sucesso fulminante dos Beatles atingiu Harrison na fé: sempre muito espiritualizado, foi ele quem levou os Beatles para uma temporada na Índia, experiência que teria grande influência em sua vida e música. Nos Beatles, escreveu músicas memoráveis, como While My Guitar Gently Weeps, Here Comes the Sun e Something. Na década de 70, após o fim da banda, Harrison desenvolveu uma carreira solo de grande sucesso, lançando álbuns aclamados pelo público e pela crítica.


Outras efemérides de 29 de novembro
1947: A partilha da Palestina

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28 de novembro de 1985: Morre Fernand Braudel, o homem que incorporou à História o recurso de outras ciências

Fernand Braudel. Jornal do Brasil: Sexta-feira, 29 de novembro de 1985.

Fernand Braudel, 83 anos, morreu em Paris. E a Academia Francesa por pouco não teve tempo de redimir-se: somente um ano antes de sua morte, lhe concedera a honra de pertencer ao seus quadros. Ele foi simplesmente o maior historiador francês do século 20. Muito mais do que isso, o criador de uma nova visão da História, reconhecida a partir da publicação, em 1949, de sua obra monumental O Mediterrâneo e o Mundo Mediterrâneo na Época de Felipe II.

Era a primeira vez que um historiador praticamente ignorava a tradição da ordem cronológica. A História imóvel era abandonada. Surgia uma história que se movimenta em planos superpostos, em contínua comunicação, incorporando a seus estudos os recursos das outras ciências sociais e buscando, no movimento da vida, o que se ltera com rapidez e o que muda com lentidão. O livro foi saudado imediatamente como uma obra-prima de produção historiográfica por historiadores renomados como John Elliot, Arnol Toynbee e Lucien Febvre.

Fernand esteve duas vezes no Brasil. Em 1935, integrou, juntamente com Claude Lévy-Strauss, a missão francesa importada pela Universidade de São Paulo. Ensinou aqui, durante dois anos, História da Civilização. Generosamente, chegou a dizer que "foi no Brasil que me converti na pessoa que sou hoje". Na verdade, o que fez aqui - além de ministrar suas aulas e escrever um livro sobre História do Brasil que não quis publicar - foi concluir sua obra sobre o Mediterrâneo: "Os estudantes trabalhavam pouco e os professores também. Havia tantas festas. Um dia era a descoberta da América, outro era dia de soltar balão. E aí a universidade fechava. Não tinha aula e eu aproveitava para escrever a tese".

Voltou em 1949, para mais um ano de permanência. Mas não quis, no ano anterior à sua morte, voltar para as comemorações do cinquentenário da Universidade de São Paulo: "Tenho de ir, tomar muito uisque, ir dormir às duas da manhã. Não quero cair na tentação".

Fernand Paul Braudel nasceu no dia 24 de agosto de 1902 em Luméville, na França. E não queria ser historiador. Queria ser médico.

Confira outras efemérides de 28 de novembro
1975 - A morte de Érico Veríssimo
1996: Ex-PM é condenado pela Chacina da Candelária

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27 de novembro de 1982: Caso Proconsult, JB evita fraude nas eleições

Jornal do Brasil: Sábado, 27 de novembro de 1982
O JB denunciou a tentativa da Proconsult de alterar os resultados da apuração das eleições a governador. A Proconsult, empresa responsável pela computação oficial do resultados eleitorais do Rio, tentou, durante cinco dias, pressionar a Rádio Jornal do Brasil e o Jornal do Brasil a mudarem os resultados que estavam sendo divulgados sobre a apuração.

A Rádio JB havia implantado um sistema de jornalismo 24 horas e montou sua própria metodolgia de apuração e projeção a partir de um somatório dos mapas do TRE, de modo que a votação de cada candidato seria acompanhada pelo centro de computação do JB.

Os primeiros contatos da Rádio JB com a Proconsult foram feitos quando ainda faltava um mês para as eleições. Seu interesse era em divulgar os resultados das próprias apurações e projeções, ao mesmo tempo que outro jornal e uma emissora de televisão tinham decidido levar a público os números fornecidos pela Proconsult.

As eleições começaram e as pressões também. No JB, a redação enfrentava uma dificuldade: o sistema de computação não conseguia digerir os resultados que chegavam.

Ao fim, o jornal tomou a decisão de sair com os resultados computados pela sua rádio.

Assim, a Rádio JB e o Jornal do Brasil anunciavam a contagem paralela de votos, apontando uma vantagem de Brizola sobre Moreira Franco. O diretor da Proconsult, Arcádio Viana, por telefone e contato pessoal, tentou convencer o jornalista Procópio Mineiro, editor da Rádio JB, a mudar os seus resultados. O principal argumento de Arcádio era que seu modelo de projeção que pressupunha o crescimento dos votos brancos e nulos, chamados por ele como "Diferencial Delta", o que levaria à vitória do candidato do PDS, adversário de Brizola.

Após a denúncia do JB, o TRE determinou a paralisação dos trabalhos da Proconsult e promoveu uma auditoria na empresa. Foi enorme a mobilização da população, e Leonel Brizola assegurou sua vitória.


Outras efemérides de 27 de novembro
1985: Promulgada a Constituinte
1992: Tentativa de golpe fracassa na Venezuela

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26 de novembro de 2011: O centenário de Mario Lago

"Esta cidade é meu vício.
Sinto um enorme prazer em ser carioca
".
Mário Lago
Mario Lago. Reprodução

Carioca da Rua do Resende, Centro da Cidade, Mario Lago nasceu em 26 de novembro de 1911, numa família de músicos. E foi no bairro que viveu até 36 anos. Colecionador de histórias, as primeiras remetem à infância repleta de brincadeiras de pique e de bola com a criançada pelas calmas ruas do bairro. Na juventude, fundou a Embaixada do Buraco e junto com outros rapazes, divertia-se disputando jogos de carta nas praças da Cruz Vermelha e Tiradentes.

Na década de 30, estudou na Faculdade de Direito da Capital da República, então celeiro de arte aliada à política, vindo a se formar doutor.

Viveu os momentos da Lapa boêmia, gloriosa dos poetas, compositores e malandros, "época da minha adorável vagabundagem", como chamava. Frequentou também a vibração musical do trecho carioca entre a Rua da Assembléia e a Cinelândia, assíduo no mitológico Café Nice, e no Café Assirius do térreo do Municipal. Tempo esse em que se intensifica sua mutifacetada experiência artística como compositor, poeta, escritor, teatrólogo, ator... É esse circuito de linguagens que faz Mario deixar de vez a advocacia.

Compositor de mais de 200 músicas, teve como um de seus maiores parceiros Ataulfo Alves. Dono de papéis marcantes na tv, no cinema e no teatro, atuou intensamente na interpretação de seus personagens, como fez em tudo na vida, de forma apaixonada.

Apaixonado também pelo futebol, Mario compõe o rol dos ilustres torcedores do Tricolor das Laranjeiras. Mas entre tantas paixões, uma foi a maior de todas: Zeli, a companheira que conheceu durante uma manifestação política e com quem foi casado por quase 50 anos e teve 5 filhos.

"Discordo quando as pessoas falam 'no meu tempo'... Meu tempo é hoje. Fiz um acordo com o tempo: nem ele me persegue e nem eu fujo dele. Um dia a gente se encontra".

Este foi Mario Lago. Um dos mais completos artistas do século 20 no Brasil. E como se não coubesse mais facetas para um homem tão versatil no exercício da cultura, Mario Lago foi exímio militante político comprometido com a justiça social no país. Nada além...


Outras efemérides de 26 de novembro
1910: A Revolta da Chibata
1950: China entra na Guerra da Coréia
1970: Paulo VI escapa de um atentado
1993: Grande Otelo morre em Paris

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25 de novembro: Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher

Stpo violence against women.


No ano de 1999, a Organização das Nações Unidas (ONU) designou oficialmente o 25 de Novembro como Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher. Antes desta indicação, contudo, a data já era vivido pelo movimento internacional de mulheres. Este dia está relacionado com a homenagem as irmãs revolucionárias Tereza, Mirabal-Patrícia e Minerva, presas, torturadas e brutalmente assassinadas em 25 de novembro de 1960, a mando do ditador da República Dominicana Rafael Trujillo.


Outras efemérides de 25 de novembro
1970: Hariquiri, um ritual secular
1984: Uruguai retoma sua democracia
1996: Assassino de Chico Mendes é recapturado

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24 de novembro de 1957: Morre Diego Rivera, o criador da pintura moderna no México

Diego Rivera. Reprodução.
Diego Riveras, 70 anos, um dos grandes nomes do muralismo mexicano, morreu na Cidade do México.

De origem judaica, Diego María Concepción Juan Nepomuceno Estanislao de la Rivera y Barrientos Acosta y Rodríguez nasceu em 8 de dezembro de 1886, em Guanajuato, no México. Incentivado pelos pais, começa cedo a trilhar pelo caminho das artes. Inicia os estudos na Academia de Bellas Artes de San Carlos, na Cidade do México, onde cria seus primeiros desenhos.

Anos mais tarde, ganha uma bolsa do governo mexicano e segue para a Europa, afim de aprimorar seus estudos. A porta de entrada é Madri. Mas a maior parte da temporada passa em Paris. É nesta época que conhece vários artistas - como Picasso, Dalí, Miró e o arquiteto Gaudí - e aprende sobre movimentos estéticos que se tornarão mais tarde fonte de inspiração para sua produção artística: uma arte nacional de ressonância universal.

O retorno ao Mèxico acontece em 1921, com a eleição do presidente Álvaro Obregón, político amante das artes. Politicamente empenhado, e dono de fortes convicções, sua militância comunista também se reflete nas temáticas da sua pintura. Quer fazer em seu país um trabalho que tenha uma fisionomia artística própria, exprimindo o vigor de sua natureza física e humana, em uma pintura que não só descreva o povo mexicano, mas que também converse com ele, que resgate a suntuosidade da era pré-colombiana vivida pelo México, sufocada pela cultura metropolitana importada da Espanha.

Devota-se então à pintura mural, onde desenvolve um trabalho monumental, tanto em termos formais como, principalmente, de conteúdo. Nela, reflete a historia politica e social do seu país, a vida e o trabalho do povo mexicano,seus heróis, a terra, as lutas contra as injustiças, as inspirações e aspirações.
El Campesino Oprimido, 1935
El Campesino Oprimido, 1935

Em 1929, casa-se com a artista plástica Frida Kahlo. Uma relação tumultuada, de idas e vindas, principalmente por ambos terem temperamentos fortes e uma coleção de casos extraconjugais, que perdurou até a morte de Frida em 1954. Nunca tiveram filhos.
Frida e Rivera
"Frida Kahlo é a maior pintora mexicana. O seu trabalho será multiplamente reproduzido e, graças à literatura, vai comunicar com o mundo. É um dos mais formidáveis legados artísticos e o mais intenso testemunho da verdade humana dos nossos dias''
Diego Rivera

A arte de Diego é reconhecida internacionalmente. Nos anos 30, pinta murais em Nova Yorque. Tem passagem também pela China e Polônia. Ao longo de sua vida,cria mais de dois mil quadros, cinco mil desenhos e cerca de quatro mil metros quadrados de pintura mural.
Sueño de una tarde dominical en la Alameda Central, 1947
Sueño de una tarde dominical en la Alameda Central, 1947

Leia também
1935: A Intentona Comunista
1989: Comunistas abandonam o poder na Tchecoslováquia
1991: Morre Freddie Mercury, a "Carmen Miranda do rock"

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23 de novembro de 1982: Morre Adoniram Barbosa

Adoniram Barbosa


Adoniram Barbosa, 72 anos, autor de O Trem das Onze, morreu as 17h15 de complicações respiratórias, no Hospital São Luis, na capital paulista. Ele estava internado desde o dia 19 de novembro, em tratamento de bronquite crônica e enfisema pulmonar. Casado, sem filhos, foi sepultado no Cemitério da Paz, naquela cidade.

A perda de Adoniram deixa órfãos personagens como Iracema, a heroína do samba famoso que morre atropelada na Avenida São João, a 20 dias do casamento, ou o operário que é obrigado a deixar a mulher amada para não perder o trem das onze que vai para Jaçanã. Com Adoniram, desaparece uma das mais poéticas e engraçadas facetas da São Paulo do século XX, que conheceu o progresso e a destruição.

Cantor, compositor e ator, Adoniram nasceu João Rubinato em Valinhos, interior de São Paulo no dia 6 de agosto de 1910, filho de imigrantes italianos. Começou a trabalhar cedo, auxiliando o pai no carregamento de vagões da estrada de ferro no interior paulista. Depois, foi entregador de marmitas, varredor, tecelão, pintor, encanador, serralheiro, garçon, até aprender o ofício de metalúrgico, experiência que lhe deixaria uma ingrata herança. O esmerilhamento de ferro foi fatal para seus pulmões, tornando-os doentios pelo resto da vida.

O início no meio artístico foi pelo rádio, em programas de calouros. Tendo a voz rouca como porta de entrada para o primeiro emprego (não remunerado!) no cenário musical, logo começou a compor letras. Nesta época adotou o nome artístico Adoniram Barbosa. Vieram também os primeiros papéis de ator, interpretando diferentes personagens. E o aprimoramento do linguajar característico que usaria nos sambas reveladores do cotidiano da vida paulistana dos anos 50, cosmopolita, acolhedora de imigrantes europeus e retirantes nordestinos, de dialeto próprio. A essa altura, associado aos Demônios da Garoa, faz o Brasil inteiro cantar a linguagem arrevesada dos botequins paulistanos e projeta Saudosa Maloca, Tiro ao Álvaro e Bom dia Tristeza entre os clássicos que marcaram a história da música popular brasileira.

Feito para concorrer ao concurso do carnaval do IV Centenário do Rio, Trem das Onze é considerado o maior sucesso de Adoniram. E até hoje, quem experimentar cantar os versos desse samba num bar, certamente não ficará sem resposta e sem coro:

"Nâo posso ficar nem mais um minuto com você
Sinto muito, amor, mas não pode ser
Moro em Jaçanã
Se eu perder este trem que sai agora as onze horas
Só amanhã de manhã
"

Outras efemérides de 23 de novembro
1891: Deodoro da Fonseca renuncia
1961: Brasil e URSS reatam relações diplomáticas

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22 de novembro de 1981: A Ciência perde Sir Hans Krebs

"Qualquer um que pretenda ter, mais que uma compreensão extremamente superficial da vida, em todas suas diversas manifestações, necessita da bioquímica”. Hans Krebs
Bioquímico Hans Krebs

O bioquímico Hans Krebs, 81 anos, morreu em Oxford.

Nascido na Alemanha Ocidental em 25 de agosto de 1900, Hans Adolf Krebs emigrou para a Inglaterra pouco tempo depois da tomada do Poder na Alemanha por Hitler e seu Partido, aproveitando um convite de Cambridge. Desde sempre dedicado aos estudos, com fascínio em particular pelas Ciências, começou a trabalhar em Bioquímica em 1935 e no ano seguinte assumiu a Catedra de Bioquímica na Universidade de Oxford.

Concentrou seus estudos sobre os diferentes metabolismos e suas reações bioquímicas, que possibilitaram o caminho para a elaboração de uma Bioquímica do Metabolismo e um conhecimento mais profundo sobre determinados ciclos. Durante a Segunda Guerra Mundial, pos seus conhecimentos a serviço da distética. Krebs não foi só um pioneiro da Bioquímica ou da Química dos seres vivos, mas também um homem de curiosidade universal que elaborou teorias originais, inclusive no campo social.

A sua maior descoberta foi o Ciclo do Ácido Cítrico ou Ciclo de Krebs, contribuição à Ciência que o levou a Vencedor do Prêmio Nobel de Medicina em 1953. O ciclo do ácido cítrico é o conjunto de reações energéticas que se produzem nos tecidos dos mamíferos, traduzidas pela formação e decomposição repetidas do ácido cítrico com eliminação de gás carbônico.

Entre outras investigações de Krebs estão os aspectos fundamentais do ciclo da ureia (urogênese), e o descobrimento da importância dos ácidos tricarboxílicos (ácido cítrico, ácido isocítrico, ácido aconítico, etc.) na respiração aeróbica.

Outras efemérides de 22 de novembro
1963: A morte de John Kennedy
1990: Margaret Thatcher anuncia sua renúncia

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21 de novembro de 1962: Bossa Nova no Carnegie Hall

Bossa Nova no Carnegie Hall. Jornal do Brasil: 22 de novembro de 1962

O ritmo brasileiro da bossa nova se apresentou no Carnegie Hall, a mais tradicional sala de concertos de Nova Iorque, para um público de cerca de três mil pessoas, que superlotou a casa com entusiásticos aplausos. Durante o espetáculo, milhares de xícaras de café foram servidas, numa oportunidade de apresentar o cafezinho preparado à moda brasileira. Os ingressos já se encontravam esgotados uma semana antes do concerto.

Os brasileiros João Gilberto, Bola Sete, Agostinho dos Santos, Carmem Costa, José Paulo, Luis Bonfá, Carlos Lira, Sérgio Mendes, Antonio Carlos Jobim, Miltinho Bana, C. Feitosa e Roberto Menescal comandaram o espetáculo.

Além dos artistas brasileiros, participaram do show o pianista e compositor argentino Lalo Schifrin com o sexteto de que se valeu para difundir a bossa nova, Stan Getz, amigo de João Gilberto e um de seus mais entusiastas admiradores e grande propagador da bossa nova, e o quarteto de Oscar Castro Neves.

O Itamarati recebeu despachos dos EUA informando que compareceram ao concerto 300 repórteres, fotógrafos, cinegrafistas e críticos especializados de toda a América do Norte e da imprensa mundial, o que deveria garantir grande repercussão ao show de bossa nova.

A nova música do Brasil

Este novo gênero musical deriva das estruturas típicas do samba em harmonia com o jazz americano.

A mulher do Presidente, Jacqueline Kennedy, a considerou "simplesmente maravilhosa", acentuando que "nunca houve coisa igual por aqui". Ela foi apresentada à bossa nova em um recital do sexteto de Paul Winter, que havia regressado de uma excursão pelo Brasil dois dia antes da apresentação no Carnigie Hall.

Clique aqui para ler o artigo na íntegra!

Outras efemérides de 21 de novembro
1979 - Congresso extingue Arena e MDB
1995 – Assinado acordo de paz para a Guerra da Bósnia

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20 de novembro de 1971: O desabamento do Viaduto Paulo de Frontin


Primeira página do Jornal do Brasil: Domingo, 21 de novembro de 1971



Um estrondo, uma imensa nuvem de poeira, dor e pânico. Foi tudo o que restou quando 122m da estrutura do Elevado da Avenida Paulo de Frontin desabaram, deixando mortos, feridos, e veículos esmagados. A tragédia aconteceu em plena construção, por volta do meio-dia, no momento em que um caminhão-betoneira, com oito toneladas de cimento e pedra, passava sobre o elevado, na altura do cruzamento com a Rua Haddock Lobo.

Tropas do Exército e da Aeronáutica foram acionadas para resgatar vítimas sob os destroços de concreto. Operários e equipamentos da Ponte Rio-Niterói, do metrô e de empresas de construção também participaram da operação, que contou, ainda com a ajuda voluntária de populares. A tragédia causou a morte de 28 pessoas, deixou 30 feridas, e destruiu 17 carros particulares, três táxis, um caminhão e um ônibus.



A construção do Elevado fez parte das grandes obras realizadas no Rio de Janeiro nas décadas de 60 e 70, visando melhorias para o trânsito na cidade. Foi inaugurado pelo Governador Chagas Freitas no dia 27 de dezembro de 1974, ligando o Túnel Rebouças à Praça da Bandeira. O seu nome foi uma homenagem ao Engenheiro Paulo de Frontin, um dos responsáveis pelo projeto de urbanização e modernização do Rio de Janeiro no início do século XX.

Outras efemérides de 20 de novembro
1962 – O fim da Crise dos Mísseis de Cuba
1971 - Viaduto Paulo de Frontin desaba no Rio
1978 - Jim Jones lidera suicídio coletivo na Guiana

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19 de novembro de 1967: De repente... morreu João Guimarães Rosa

Morre João Guimarães Rosa. Jornal do Brasil: Terça-feira, 21 de novembro de 1967


João Guimarães Rosa, 69 anos, foi encontrado morto em casa por sua neta, após sofrer um infarto. Após ter seu corpo velado na ABL, foi repousar no túmulo dos imortais.

Aprendeu as primeiras palavras em Cordisburgo (MG), onde nasceu a 27 de junho de 1908. Sempre foi um excelente aluno. Aos seis anos já lia em francês. Nos anos seguintes aprenderia inglês, russo, holandês, latim, grego, espanhol, italiano e alemão. Apesar de seu grande amor ao estudo não abandonava os esportes. Terminados os preparatórios, matriculou-se na Faculdade de Medicina. Nessa época, escreveu contos publicados na revista O Cruzeiro .

Depois de formado, tornou-se um médico dedicado e muito respeitado. Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, trabalhou como médico voluntário. Mesmo sem se descuidar da medicina, retorna ao estudo das línguas. Seguindo o conselho de um amigo, impressionado com sua cultura e com seu notável conhecimento de línguas estrangeiras, decidiu vir para o Rio de Janeiro, e em 1934 passou em segundo lugar no concurso do Itamarati.

Durante todo esse tempo, manteve suas ligações com a literatura. Em 1937 escreveu Sagarana. Em 1938, nomeado Consul Adjunto em Hamburgo, o escritor segue para a Europa. Em 1942, retorna à América para seguir para Bogotá. Retorna ao Brasil em 1951 como Chefe do Gabinete do Ministro João Neves. Apesar de suas constantes andanças pelo estrangeiro, o escritor não perde o contato com a sua terra natal.

Em 1956, publica sua obra-prima Grande Sertão: Veredas, ao mesmo tempo em que o livro de estréia, Sagarana, reaparece em quarta edição. Recebe o Prêmio Machado de Assis, do Instituto Nacional do Livro.

Foi eleito membro da ABL em 1963, mas só tomou posse em 16 de novembro de 1967, quando declarou:
"A gente morre é para provar que viveu... As pessoas não morrem. Ficam encantadas ".

Morreu três dias depois.

Outras efemérides de 19 de novembro
1969 - Apollo 12 faz pouso de precisão na Lua
1969 – Pelé marca seu milésimo gol

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18 de novembro de 1814: Morre Aleijadinho, o artista familiarizado com a dor

Reprodução de Aleijadinho.

A vida de Aleijadinho sempre esteve à mercê de histórias contadas pelo povo. Embora muitos historiadores tenham se dedicado em resgatar passagens de sua biografia, ainda há incertezas e contradições. Unânime, contudo, é a importância de sua contribuição ao Barroco mineiro e o legado deixado para a história da cultura brasileira.



Antônio Francisco Lisboa nasceu em 29 de agosto de 1738, no arrabalde de Bom Sucesso, em Vila Rica, filho bastardo de uma escrava com o português Manuel Francisco Lisboa, que lhe deu alforria ao nascer, e mais tarde seria o seu grande incentivador na arquitetura e na escultura. Durante a infância frequenta um internato, onde dedica-se aos estudos. Já na adolescência , aprende o ofício de entalhar. O seu primeiro projeto é um desenho a sanguínea para o chafariz do pátio do Palácio dos Governadores, na Praça Tiradentes, em Ouro Preto feito em 1752.

Exímio detalhista, aproveita até as viagens para a evolução da sua linguagem artística. E continua a produzir suas obras empreendendo sua experiência como marceneiro, entalhador, escultor e, mais tarde, de arquiteto. Imagens sacras, chafarizes, altares, entre outras intervenções de características arquitetônicas.

No ano de 1768, Alista-se no Regimento da Infantaria dos Homens Pardos de Ouro Preto e pelos três anos seguintes presta serviço militar conciliando com intensa produção artística, de caráter religioso na sua maioria. O ritmo de atividades se mantém pela década seguinte até que por volta de 1777, começa a conviver com os primeiros sintomas de uma doença degenerativa (acredita-se que lepra), que evidencia a deformidade das extremidades de seu corpo, em particular as mãos, e coloca em risco até seus movimentos mais simples. É desta época que vem a alcunha Aleijadinho. Mesmo sob sofrimento físico continuado, a doença não o impede de seguir com seu trabalho. Ao contrário. Em nome da arte e cada vez mais requisitado, há sempre encomendas a providenciar. Os pedidos vem de toda parte: Ouro Preto, Congonhas, Mariana, Sabará, Tiradentes... em talha, projetos arquitetônicos, relevos e estatuária, e resultam numa contribuição ímpar e esplêndida ao barroco brasileiro num legado de mais de 400 obras, entre elas, a portada da Igreja do Santuário do Senhor do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo, MG, com 66 estátuas da via Crucis, em cedro-rosa, e 12 estátuas dos profetas, em pedra-sabão.

Em 1812, perde sua capacidade motora e passa a depender extremamente de cuidados de terceiros. Indigente e quase cego, transfere-se da casa em que morava para a casa da nora, onde permanece entrevado numa cama nos seus dois últimos anos de vida. Falece em 18 de novembro de 1814. Uns dizem que com 84 anos, embora conste 76 anos no seu registro de óbito.

Outras efemérides de 18 de novembro
1930 - É criada a Ordem dos Advogados do Brasil
1976 – A Espanha restabelece sua democracia
1993 – África do Sul ganha Constituição democrática
1997 - Morre Zózimo, o inovador do colunismo social

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17 de novembro de 1917: Morre Auguste Rodin, o mestre das artes plásticas

Auguste Rodin. Reprodução

René-François-Auguste Rodin, mestre mundial das artes plásticas, nasceu em 12 de novembro de 1840 em Paris. Filho de uma família de poucos recursos, estudou desenho a partir dos 13 anos. Aos 18, após ser reprovado três vezes no exame da Escola de Belas Artes, passou a trabalhar como moldador, confeccionando objetos ornamentais. Ao ter recusada a primeira obra que enviou ao salão oficial, O Homem de Nariz Quebrado (1864), afastou-se das exposições.

Fascinado pelas esculturas de Michelangelo e Donatello, produziu A Idade de Bronze (1875-1876). A obra, tamanha era a perfeição, causou escândalo entre os críticos, que acreditavam ter ela tido como molde um homem verdadeiro. Em 1880, no decorrer dos trabalhos para a fabricação da Porta do Paraíso, obra encomendada pelo Museu de Artes Decorativas de Paris, Rodin produziu importantes esculturas de alto impacto, como O Pensador (1880) e O Beijo (1886).

Por volta de 1885, o escultor iniciou um caso com a aluna Camille Claudel, o mais tempestuoso que teve. Em 1908, instalou-se no Hotel Biron, que se transformaria, após sua morte, no Museu Rodin.

Outras efemérides de 17 de novembro
1959 - Vila-Lobos ao Toque do Silêncio
1972- Perón retorna depois de 17 anos de exílio
1993 – Deputados dos EUA aprovam o Nafta

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16 de novembro de de 1960: Morre Clark Gable

Clark Gable. Reprodução

A morte de Clark Gable, 59 anos, num hospital de Holywood, vitimado por um ataque cardíaco, provocou uma onda de consternação em todo o mundo. Gable foi acometido de trombose das coronárias e veio a falaecer três dias após terminar seu último filme, ao lado de Marilyn Monroe.

Gable ocupou durante 30 anos o primeiro lugar entre os atores mais populares de Holywood, fama que lhe valeu o título de O Rei.

Apesar do sucesso conquistado ao substituir o tipo romântico que se extinguiu com Valentino por ser um tipo de galã varonil, de voz rouca e autoritária, com rosto que comunicava energia pelos traços fortes dos músculos e atitude meio cínica e sempre audaz, era um homem tímido, de hábitos simples e extremamente generoso.

Clark Gable nasceu em Ohio, nos Estados Unidos, no dia 1º de fevereiro de 1901. Fabricou pneus e vendeu gravatas, antes de tentar a sorte como ator. Foi, no início, recusado por Darryl F. Zanuck, por ter “a aparência de um mico”. Conseguiu um lugar ao sol no cinema depois de ofuscar atores consagrados, como Leslie Howard, no filme A Alma Livre (1931). Formando um par romântico com a atriz Joan Crawford, sua amante fora das telas, Gable cativou o público, principalmente o feminino. Com o filme Aconteceu Naquela Noite (1935), surpreendeu a crítica com seu papel cômico e arrebatou o Oscar, maior premiação do cinema americano.


Gable garantiu a consagração final com seu desempenho como Rhett Butler em E o Vento Levou... (1939), história passada no Sul escravocrata americano. No último papel, em Os desajustados (realizado em 1960 e lançado em 61), contracenou com a atriz Marilyn Monroe e marcou de vez seu nome na história do cinema.

Outras efemérides de 16 de novembro
1983 - O último capítulo de Janete Clair
1988 – Benazir Bhutto é eleita primeira-ministra do Paquistão

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15 de novembro de 1905: A inauguração da Avenida Central

Primeira página do Jornal do Brasil: Sábado, 15 de novembro de 1905


"Novinha em folha,
catita e limpa,
toda garrida,
como está bela,
guapa e supimpa
essa Avenida!
Calçada a asphalto
de lado a lado,
toda varrida.
Vai ser o ponto
mais frequentado
essa Avenida!
Bebês, meninos,
rapazes, moços,
gozando a vida,
farão namoros
com alvoroços
pela Avenida..."




A euforia era geral. Além de promover uma revolução na paisagem da cidade do Rio, sendo em tudo, o traço de separação entre o Brasil Passado e o Brasil Novo, a inauguração da Avenida Central trouxe charme e vaidade para a realidade carioca: os ares da Belle Époque francesa, a profusão das luzes elétricas, o movimento dos bondes, o desfile de pessoas bem vestidas.


Obras de construção da Avenida Central, no início do século XX. Reprodução/CPDoc JB

Construída como uma das principais obras das tantas que remodelaram o Rio no começo do século XX, quando a cidade se limpava, no dizer de Carlos Drummond de Andrade, "da morrinha imperial", desde logo Euclides da Cunha considerou-a a mais bela das ruas cariocas, "pela variedade de estilos e pelo que demonstra de energia, de progresso, de esforço".


João do Rio a definiu como "esse grande Sabá arquitetônico de dois quilômetros", por onde passa "o Rio inteiro, o Rio anônimo e o Rio conhecido". Sua abertura deu início a uma época de transformações, mudando a cidade do ponto-de-vista da arquitetura, dos hábitos da população, e firmando seu poder econômico.

Avenida Central no início do século XX. Reprodução/CPDoc JB
O Engenheiro Paulo de Frontin foi o responsável pelo projeto de construção da Avenida, parte da iniciativa de urbanização e modernização do Governo Rodrigues Alves (1902-1906). Em homenagem ao Barão do Rio Branco, morto em 1912, a Avenida Central passou a ser chamada Avenida Rio Branco.


Ao longo da existência da Avenida, o desenvolvimento da cidade foi alterando sua paisagem arquitetônica e humana, sem conseguir tirar-lhe, no entanto, a característica de centro dinâmico da vida carioca.

1º /04/2004: Avenida Rio Branco. Fernando Rabello/CPDoc JB


Confira amanhã: 1990 - O caso Bateau Mouche

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14 de novembro de 1921: Morre Princesa Isabel, a Redentora

Princesa Isabel, a Redentora

O telegrama enviado de Paris pelo conde D'Eu à baronesa de Loreto, no Rio, informava que a princesa Isabel morrera aos 75 anos, com fraqueza cardíaca agravada por congestão pulmonar. A herdeira do imperador dom Pedro II ficou conhecida como a "redentora", por ter assinado a Lei Áurea, que pôs fim a três séculos de escravidão no Brasil. A princesa sabia que, ao sancionar a lei corria o risco de perder o trono, já que os republicanos planejavam um golpe apoiados pelos escravocratas. Entretanto a monarca não se intimidou, e inclusive compareceu a todas as festas pela libertação dos escravos realizadas pelo povo. As comemorações duraram 15 dias. O centro do Rio foi enfeitado com flores e a população saiu às ruas para festejar.

Por ter acabado com a escravidão no Brasil , que vitimou 12 milhões de africanos, o papa João XIII ofereceu à princesa a comenda da Rosa de Ouro.

Em 1889, Isabel partiu, com a família real, para o exílio em Paris, onde montou uma embaixada informal. Entre os brasileiros que passaram por lá e receberam o apoio de Isabel estava o jovem Santos Dumont.

A princesa foi a primeira chefe de Estado das Américas, tendo sido uma das nove mulheres a governar uma nação durante todo o século 19.

A monarca substituiu o pai, o imperador dom Pedro II nas três vezes em que ele se ausentou por motivo de viagem. A primeira de 1871 a 1872, a segunda, de 1876 a 1877, e a última de 1877 a 1888. A princesa foi também a primeira senadora do Brasil, cargo a que tinha direito como herdeira do trono a partir dos 25 anos de idade, segundo a Constituição do Império, de 1824. Defendia a reforma agrária e o voto feminino. Antes da Lei Áurea, Isabel sancionou as leis do primeiro recenseamento do império, naturalização de estrangeiros e relações comerciais com países vizinhos.

A princesa e a abolição dos escravos
O nome de Isabel esteve ligado à abolição muito antes da assinatura da Lei Áurea. A princesa financiava a alforria de escravos com seu próprio dinheiro e apoiava a comunidade do Quilombo do Leblon, que cultivava camélias brancas, símbolo do abolicionismo. Documentos descobertos recentemente revelaram que a princesa estudou indenizar os ex-escravos com recursos do Banco Mauá.

Em 28 de setembro de 1871, foi também ela quem sancionou a Lei do Ventre Livre, que estabelecia que todos os filhos de escravos, que nascessem a partir da assinatura da lei estariam livres.

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13 de novembro de 1974: O cinema perde Vittorio de Sica

Jornal do Brasil: Morre Vittorio de Sica


Exatamente no dia em que seu trigésimo e último filme, II Viaggio, estreava nas salas de cinema de toda a França, o cineasta italiano Vittorio de Sica morria aos 73 anos de idade, em Paris.

Vencedor de quatro Oscar na categoria de melhor produção estrangeira, de Sica foi uma das grandes figuras do neo-realismo italiano. Comediante consumado, ele se mostrou sempre um artista humilde e um homem afável e aberto, como declarou em 1972: “Pecados, tenho muitos, começando por aqueles da carne. Podemos excluir o orgulho, que este não tenho nenhum”. Em setembro de 1973, foi internado num hospital para retirar um tumor do pulmão, mas logo voltou à ativa para rodar sua última obra, inspirada “num romantismo absoluto e, portanto, em contraste com os modismos que hoje dominam o mercado”.

Nascido no cerne de uma família humilde no início do século passado, de Sica começou a trabalhar bem cedo para ajudar nas contas de casa. Não tardou a descobrir sua verdadeira vocação, a arte. Começou no teatro ganhando mal e interpretando o que viesse. Em 1926, galã dos palcos teatrais, ingressou no cinema como protagonista de Gli Uomini, Che Mascalzoni, de Mario Camarini, um dos filmes italianos mais populares da época.

No pós-guerra, junto com Roberto Rosselini, Vittorio de Sica se tornou um dos símbolos do neo-realismo italiano, um movimento cinematográfico e intelectual de contra cultura, que usava a Itália destruída na Segunda Guerra como cenário, utilizando atores não profissionais e abusando, com criatividade, do improviso nos diálogos e direção de cena.



Ladrões de Bicicleta foi um dos filmes mais célebres do diretor italiano, assim como Milagre em Milão. Rodadas no final da década de 1940, as obras tornaram De Sica um gênio do cinema, um marco de sua geração, influenciando jovens diretores em todo o mundo – apesar de terem sido fracassos comerciais na Itália habituada aos filmes hollywoodianos.

“Lembro-me que no dia da estréia [de Ladrões de Bicicletas] fiquei na porta do cinema para ouvir os comentários. Uma família típica italiana se aproximou e estava pronta para entrar quando o homem notou que se tratava de um filme nacional e comentou ‘Não, não, é um filme italiano’”, disse o diretor.

Em meados da década de 1950, no auge da fama, De Sica voltou a atuar em filmes populistas e passou a dirigir obras românticas, bem diferente do trabalho que o deixou famoso. Quando perguntado sobre uma possível aposentadoria, o astro sempre dizia que essa jamais dexistiria: “Sou o tipo de homem que chega ao estúdio antes de todos e que vai embora quando todos já se encontram em casa”.



Leia também:
Em 1973 - A morte de 'Mamma Roma'
Em 1977 – Morre o pai do neorrealismo italiano

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12 de novembro de 1989: Morre La Pasionaria Dolores Ibarruri

Morre La Pasionaria Dolores Ibarruri. Jornal do Brasil: Segunda-feira, 13 de novembro de 1989

Dolores Ibarruri, La Pasionaria, 93 anos, morreu de pneumonia, depois de três meses de internação em um hospital de Madri. Austera e com grande talento como oradora, tinha sobrancelhas cerradas, vestia-se de preto e usava brincos de prata. La Pasionaria foi o pseudônimo adotado por Dolores ao escrever seu primeiro artigo para o jornal El Minero Vizcaino, numa Sexta-Feira da Paixão.

A lendária líder comunista espanhola, ficou famosa com os seus discursos na Rádio Republicana de Madrid, durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939). "É melhor morrer em pé do que viver de joelhos". Autora da célebre palavra de ordem "No passarán!", que passou a ser o lema da resistência da capital espanhola, tornou-se uma figura emblemática para os soldados e milicianos que defendiam a República.

La Pasionaria
Nascida em uma família pobre em 9 de dezembro de 1895, na região das minas de ferro do País Basco e, como ela mesmo dizia, desafiou o seu destino de costurar, parir e chorar, e entrou para a política. Queria ser professora, mas teve de largar os estudos para trabalhar como costureira. Casou-se com um líder socialista que a introduziu ao Marxismo, e teve seis filhos. Aderiu ao comunismo em 1920 e em 1930 foi eleita membro do Comitê Central do Partido Comunista da Espanha. Foi eleita deputada pela Frente Popular em 1931. Cada vez mais atuante e influente na política espanhola, em março de 1939, partiu para um exílio de 38 anos na União Soviética, retornando à Espanha somente em 1977, já no regime democrático, quando foi eleita novamente deputada.

Guerra Civil Espanhola
A Guerra Civil Espanhola teve como causa próxima o conflito entre as forças nacionalistas de direita e o regime republicano eleito, de tendência socialista e anticlerical. A guerra começou com o levante do exército espanhol no Marrocos em julho de 1936, e, apesar dos êxitos inicias, se estendeu por três anos. A Alemanha de Hitler e a Itália de Mussolini apoiaram os direitistas, enquanto a União Soviética apoiou os republicanos. Nas Brigadas Internacionais lutaram voluntários de diversos países, inclusive brasileiros, na defesa da Republica e dos ideais socialistas.

O confronto deixou mais de 500 mil mortos e constituiu um ensaio bélico para a Segunda Guerra Mundial, que viria logo em seguida. Nesta perspectiva se enquadra a destruição de Guernica pela aviação nazista, quando pela primeira vez se efetuou um bombardeio aéreo cerrado contra uma cidade aberta, provocando a morte de 1.600 pessoas, entre elas quatro dos seis filhos de La Pasionaria.

Leia também
1981: Columbia retorna ao espaço
1990: Sucessão no trono japonês
1993: Fim da linha para o velho Chevette

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11 de novembro de 1955: Lott dá golpe para evitar o golpe

Jornal do Brasil: Sábado, 12 de novembro de 1955

Reunido em sessão extraordinária, o Congresso Nacional declarou Carlos Luz impedido de continuar na Presidência da República e empossou Nereu Ramos, vice-presidente do Senado, que ocupou o cargo interinamente até a posse do presidente eleito em outubro, Juscelino Kubitschek, no ano seguinte. O episódio ficou conhecido como o Movimento do 11 de novembro.

Desde o suicídio de Getúlio Vargas, que agravou ainda mais a crise política no país, havia pressões para que um golpe fosse dado. Este plano começou a se desenhar com a eleição de Juscelino Kubitschek e se fortaleceu quando Café Filho se licenciou para o tratamento de um distúrbio cardiovascular. Coube então ao Ministro da Guerra, o legalista Henrique Duffles Teixeira Lott responder com um golpe preventivo. Com a saída de Café Filho, Luz, presidente da Câmara, assumiu a Presidência e logo deixou clara sua posição política, ao recusar-se a punir militares que abertamente defendiam um golpe para impedir a posse de Juscelino. O pretexto alegado pelos militares era o fato de JK ter tido o apoio do Partido Comunista. Lott, então, ocupou a capital, forçando Luz e outros ministros a fugirem para São Paulo. Nereu Ramos foi empossado interinamente até a posse do presidente eleito.

Outras efemérides de 11 de novembro
1918 - A vitória dos Aliados
1951 – Perón é reeleito Presidente da Argentina
1975 - Angola torna-se independente de Portugal

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10 de novembro de 1971: Uma revolução musical chamada Secos & Molhados

Secos&Molhados. Reprodução

"E o que me importa é não estar vencido..."

Secos & Molhados é o nome genérico de chouriços e bebidas que enfeitam velhos armazéns. É também o nome do grupo pop que se tornou o grande fenômeno musical do início dos anos 70.

Criada no dia dez de novembro de 1971, a partir da idéia do compositor João Ricardo, a formação original da banda se formava pelo próprio João - voz, harmônica e violão, Gerson Conrad - voz e violão, e Ney Matogrosso como vocalista. Aliás, foi esta voz singularíssima, com um registro de contratenor surgindo como uma das mais insólitas e bonitas da MPB que se tornou a grande vedete do conjunto, despontando Ney como seu astro central - sem desmerecer a sua presença de palco, sob cuidadosa maquiagem, com exagerada expressão (ou contorção?!) corporal, sempre com exóticas fantasias. Além do feliz achado Ney, coube a João Ricardo - teórico do conjunto-, o mérito de redescobrir a língua portuguesa para o rock numa combinação entre textos próprios e emprestados da literatura, garantindo o grande nível poético de seu repertório.

"O que queríamos era uma nova solução em termos de espetáculo, porque tudo estava gasto e era urgente descobrir alguma coisa nova. Sentimos também que as pessoas estavam desestimuladas a saírem de casa para assistir a alguma coisa e então pensamos ser hora de mudar. Penso que com as nossas apresentações as pessoas se divertem, participam".
Ney Matogrosso



Ney estava certo. O público lotava as casas de espetáculos. Lançado em outubro de 1973, o LP Secos & Molhados vendeu mais de 300 mil cópias em apenas dois meses, desbancando o até então inexpugnável recorde de vendas pré-natalinas de Roberto Carlos, e chegou segundo a gravadora Continental, a marca de um milhão de cópias.

Sucesso de vendas e bilheteria, inclusive em turnê internacional, o grupo não conseguiu, contudo, manter sua formação original. Logo após o lançamento do segundo LP Flores Astrais, em agosto de 1974, já sob fortes especulações de desentendimentos entre seus integrantes, o fenômeno Secos&Molhados chegava ao fim. Em janeiro de 1975, cada um dos artista já trilhava destino distinto na carreira musical.

João Ricardo adquiriu os direitos autorais sob o nome Secos & Molhados, após algumas brigas na justiça, e saiu a procura de novos músicos para que a banda tivesse novas formações. Uma aconteceria ainda nos anos 70. A terceira na década seguinte. Até que em 1999, João Ricardo lança sozinho Teatro? mostrando definitivamente a marca do criador dos Secos & Molhados.

Outras efemérides de 10 de novembro
1937: O Estado Novo e a nova constituição
1971: Brasileira é eleita Miss Mundo
1975: Brasil reconhece a independência de Angola

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9 de novembro de 2011: O centenário de Dinah Silveira de Queiroz, caríssima Dinah!

O centenário de Dinah Silveira de Queiroz

"Nunca ri, nem caçoei de nenhum escritor malogrado porque, simplesmente, não somos nós os donos do momento em que pisamos aquele lugar no qual os outros nos encontram". Dinah Silveira de Queiroz

Dinah Silveira de Queiroz, uma das mais importantes escritoras de nossa literatura, foi a segunda mulher a honrar a Academia Brasileira de Letras com sua presença, embora tão pouco tempo, infelizmente, tenha convivido com seus pares. Eleita imortal em 10 de julho de 1980, na sucessão de Pontes de Miranda - após perseguir realizar o sonho de ser eleita imortal por mais de trinta anos-, morreu no Rio de Janeiro em 27 de novembro de 1982.

A dona da cadeira número 7

Nascida em São Paulo, no dia 9 de novembro de 1911, em uma família de intelectuais, Dinah desde jovem assumiu-se como escritora. Romancista, contista e cronista, Seu primeiro livro, Floradas na Serra (1939), foi publicado quando ela tinha 28 anos e recebido de maneira muito positivo pelos leitores. Em 54, publicou o romance A Muralha, um grande sucesso que, posteriormente, seria adaptado para a TV três vezes (1961, 1968, 2000) por três emissoras diferentes. Em 1981, quando entrou de vez na ABL, Dinah lançou seu último livro, Guida, Caríssima Guida. Por seu legado, a escritora se eternizou dentro da literatura brasileira.

Outras obras de Dinah
A sereia verde, novela e contos (1941); Margarida la Rocque, romance (1949); O oitavo dia, teatro (1956); As noite do morro do encanto, contos (1957); Eles herdarão a terra, ficção científica (1960); Os invasores, romance (1965); A princesa dos escravos, biografia (1966); Verão dos infiéis, romance (1968); Comba Malina, ficção científica (1969); Café da manhã, crônicas (1969); Seleta, org. sel. e notas de Bella Jozef (1974); Eu venho, Memorial do Cristo I (1974); Eu, Jesus, Memorial do Cristo II (1977); Baía de espuma, literatura infantil (1979).

Outras efemérides de 9 de novembro
1938 - Kristallnacht: A Noite dos Cristais
1964 – Cecília Meireles parte ao entardecer
1989 - A Queda do Muro de Berlim

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8 de novembro de 1939: Hitler escapa de atentado

Hitler escapa de atendado em Munique. Jornal do Brasil: Quinta-feira, 9 de novembro de 1939.

"... E essa luta é o nosso nacional-socialismo e a luta eternamente igual, para erigir uma sã e forte comunidade, para transpor e afastar os prejuízos nessa comunidade e para a segurança da mesma diante do mundo. Este é objetivo. Nós lutamos pela segurança de nosso povo e pelo nosso espaço vital, dentro de qual não aceitamos objeções de outros..." Fuhrer Adolf Hitler

Uma forte explosão no porão da Cervejaria Buergerbraukeller em Munique deixou seis mortos - todos membros da guardas do Partido Nacional Socialista, e 60 feridos. O episódio aconteceu durante as comemorações do 16º aniversário do movimento nacional-socialista alemão, logo após a cervejaria servir de palco para mais um longo discurso do Fuhrer Adolf Hitler. Na hora da explosão, contudo, Hitler, o alvo principal do atentado, já havia deixado o local e encontrava-se num trem a caminho da capital Berlim para dar continuidade às comemorações.

Prontamente o governo alemão anunciou uma recompensa de meio milhão de marcos para a captura dos responsáveis pelo crime. E em poucas horas um suspeito estava preso: Georg Elser, detido quando tentava atravessar a fronteira com a Suíça. Transferido para Munique, foi interrogado pela Gestapo e, após negar enquanto pode, acabou confessando o crime. A justificativa do atentado foi o temor de Elser em relação à liderança e à influência de Hitler sobre o povo alemão, capaz de incitar violência extrema e levar o país a uma guerra maior do que os episódios já assistido por ele no período entre guerras, como a Kristallnacht . Para Elser, somente a morte de Hitler poderia impedir que isso acontecesse.

Mas, o plano de Elser falhou.

Preso no Campo de Concentração de Dachau, o "prisioneiro de segurança especial Elser" foi executado em 9 de abril de 1945, quando a derrota alemã era iminente e os Aliados estavam cada vez mais próximos da cidade.

Outras efemérides de 8 de novembro
1934 - Morre Carlos Chagas, o grande cientista
1934 - Pirandello ganha o Prêmio Nobel
1994 - Onu abre tribunal para julgar crimes na Iugoslávia

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7 de novembro de 1917: O alvorecer da Revolução Vermelha na Rússia

A Revolução Russa. Jornal do Século.

Em 20 horas de ação e ao custo de apenas seis vidas humanas, os bolcheviques tomaram o poder na Rússia. A ação começou às 2h, quando soldados do Exército Vermelho, comandado por Leon Trotski, invadiram a capital Petrogrado.

Em pouco tempo, já dominavam as centrais telefônicas, as estações de trens, os bancos e os ministérios. A tomada da sede do governo só não ocorreu nas primeiras horas porque uma brigada feminina estava encarregada de protegê-la. Com isso, o chefe do governo, Alexandre Kerenski, teve tempo para fugir em um carro cedido pelo embaixador americano. À noite, o palácio foi finalmente tomado e, às 22h, Trotski anunciou a queda do governo e a transferência do poder para o Comitê Militar Revolucionário. Pouco depois, seria proclamado o Estado dos Sovietes, sob a direção do Conselho de Comissários do Povo, presidido por Vladimir Lênin, que, da Finlândia, foi um dos mentores intelectuais da revolução.
O alvorecer da Revolução Vermelha na Rússia

A fuga de Lênin, em julho, deu-se praticamente no momento em que Kerenski chegava à presidência do governo provisório, instituído em março, após a queda do regime czarista. No dia 10, Nicolau II mandou a guarda reprimir uma manifestação de 200 mil grevistas em Petrogrado. Os militares se recusaram a atacar os manifestantes. A Duma também se voltou contra o czar e, sem consultá-lo, tomou para si o Poder Executivo do país. Acuado, Nicolau II abdicou em favor de seu irmão, que, sem condições de restabelecer a ordem, também recusou o trono.

Leia também
21 de agosto de 1940 – Morre o revolucionário Leon Trotsky
5 de março de 1953 – A morte encontra Josef Stalin

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6 de novembro de 1964: Morre Anita Malfatti

Anita Malfatti pintando um quadro. Reprodução.


Anita Malfatti, 74 anos, morreu em seu sítio, onde viveu os últimos anos, recolhida, distante das polêmicas artísticas.

A morte de Anita passou quase despercebida, para a importância quem constitui a sua obra de pintora. Uma artista pioneira, de ruptura, de renovação, numa época em que a mulher era subjugada e estava destinada à vida doméstica, ao magistério ou ao convento.

A paulistana Anita Catarina Malfatti nasceu em 2 de dezembro de 1889. No final da adolescência, seguiu para a Europa e onde estudou pintura, sendo fortemente influenciada pelo expressionismo alemão. De volta ao Brasil em 1914, apresentou sua primeira exposição individual.

Três anos mais tarde, após de uma viagem para Nova York, onde estudou na Arts Students e conheceu os artistas Juan Gris e Marcel Duchamp, realizou a polêmica exposição com 53 obras, entre elas: A Estudante Russa, O Homem Amarelo, Mulher de Cabelos e Verdes Caboclinha. Uma verdadeira bomba para o academicismo que dominava a nossa cultura. Embora muito criticada, alguns apontam a experiência como a pedra fundamental do movimento modernista, que eclodiria cinco anos depois, em São Paulo na Semana de Arte Moderna - da qual participou integrando o Grupo dos Cinco, com Mario de Andrade, Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade e Menotti del Picchia.

No ano seguinte, aventurou-se novamente no Exterior. Desta vez, foi para Paris dedicar-se a novos estudos e lá permaneceu até 1928. Nessa fase, vive uma transformação profunda, perde o impulso marcante do expressionismo, deixa de lado o exagero de cores e começa a representar o mundo de forma mais simples. Sua pintura torna-se intimista.

Os anos 50 mostraram a fase madura de Anita, decidida no caminho que escolhera: "Tomei a liberdade de pintar ao meu modo". E assim se fez.

Anita e Mario
A pintora teve um amigo, confidente, sua paixão platônica de toda uma vida: Mario de Andrade. Ao que tudo indica, Mario sabia do amor de Anita, mas os dois nunca falaram sobre isso. Ele morreu, solteiro, em 1945. No décimo aniversário da morte do escritor, ela escreveu-lhe uma carta: "Tenho medo de ter desapontado a você. Quando se espera tanto de um amigo, este fica assustado, pois sabe que nós mesmos, nada podemos fazer e ficamos querendo, querendo ser grandes artistas e tristes de ficarmos aquém da expectativa."

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5 de novembro de 1982 - O adeus de Hulot. Morre Jacques Tati

Jornal do Brasil: Sábado, 6 de novembro de 1982.


"Hoje a gente não ri mais, presa que está à engrenagem de uma existência que lentamente nos tira o gosto das coisas simples, dos afetos".
Jacques Tati
De embolia pulmonar, durante o sono, morreu Jacques Tati, 75 anos, oito após realizar seu último filme, uma nostálgica homenagem ao music hall, ao circo as escolas de humor em que aprendeu sua própria arte de fazer rir. Desde então, a caminho dos 70 anos, cansado e sobretudo desencantado com o fracasso financeiros de seus últimos filmes, aposentou-se voluntariamente, trancou-se em seu apartamento em Paris, silenciou-se. Um final de vida difícil, apesar do êxito de seus filmes: os negativos leiloados e alguns amigos ajudaram Tati a sobreviver seus últimos anos.

Exatamente como o Monsieur Hulot, o admirável personagem que ele criara em 1951 e que o ajudara a transformar-se, segundo opinião unânime da crítica de todo mundo, numa espécie de novo Chaplin. Grande, desajeitado, calças batendo pelas canelas, chapéu e meias quadriculados, cachecol, cachimbo, guarda-chuva, o andar meio lento e recurvado, Hulot praticamente não fala em seus filmes. No máximo, emite sons, monossilabos, duas ou três palavras sem sentido. Os gestos, na verdade, são a sua linguagem. Hulot terá sido, provavelmente, o mais bem-sucedido de todos os personagens criados pelo cinema de humor nos anos de pós-guerra. Ou mesmo de antes, desde o advento do som. E, ironicamente, quase sem falar.

Tati, que na realidade chamava-se Jacques Tatischeff, nome dos avós russos, nasceu em Pecq, perto de Paris, em 9 de outubro de 1908. Sua escola foi a dos comediantes do teatro de variedades, muito cedo subindo aos palcos para fazer mímicas de jogadores de golfe, tênis, futebol. Essas imitações seriam a base de muitas de suas gags, não só na pele de Hulot, mas já no primeiro filme, Oscar o Campeão de Tênis (1932). Imitações perfeitas. Ou mais que perfeitas.

Entre direção, roteiro, produção e interpretação, vieram On Demande Ume Brute (1934), Gal Dimanche (1935), Soigne Ton Gauche (1936), Volta à Terra (1938), até a consagração como escritor e diretor em L´Ecole des Facteurs (1947).

O filme em que seu célebre personagem, Hulot, aparece pela primeira vez - As Férias do Senhor Hulot - impressionava, principalmente, por um tipo de humor bastante anticonvencional em relação ao que o cinema produzia na época. O humor de Hulot é o humor de imagens, em consonância com a proposta de Tati:" o importante é o que a câmera registra. São as situações, os gestos, os sentimentos que se é capaz de captar".



A consagração desse personagem viria com Meu Tio (1958). Sucesso na França e em toda a Europa, a obra foi agraciada com o Oscar de melhor produção em língua estrangeira.

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4 de novembro de 1979: Estudantes islâmicos tomam embaixada americana em Teerã

Jornal do Século. Referente a edição do Jornal do Brasil de 5 de novembro de 1979

Armados com paus e correntes, e gritando "morte aos Estados Unidos", estudantes islâmicos invadiram a embaixada americana de Teerã, capital iraniana, pela segunda vez, desde a Revolução de fevereiro, e tomaram como reféns 98 pessoas. A princípio, a ação parecia uma das muitas manifestações que o governo americano vinha enfrentando em todo o mundo.

A primeira impressão se desfez assim que os estudantes divulgaram as primeiras imagens dos reféns amarrados e vendados, exigindo a deportação do xá Reza Pahlevi para libertá-los. O ex-soberano iraniano fugira do país no início daquele ano, após o sucesso da Revolução islâmica encabeçada pelo aiatolá Khomeini, e encontrava-se em território americano em tratamento contra um câncer.

Uma das razões que levaram o governo americano a acreditar numa rápida solução para o problema foi o desfecho da invasão anterior. Na ocasião, um grupo guerrilheiro muçulmano ocupou a embaixada, transformando o embaixador e 70 funcionários em reféns. Horas depois, por interferência direta de Khomeini, todos forma libertados com um pedido formal de desculpas ao governo revolucionário.

Porém o histórico de episódios recentes protagonizados pelos revolucionários mostravam sua disposição implacável para fazer valer as leis islâmicas. Em agosto, uma mulher foi decapitada por adultério, enquanto seu amante recebeu 100 chibatadas pelo crime. Até outubro, os tribunais revolucionários já haviam executado 650 pessoas, o que levou Khomeini a suspender temporariamente a aplicação das penas.

A ação, que se firmaria como ápice da Revolução de fevereiro, dominou os 14 meses restantes do governo Jimmy Carter (1977-1981), envolveu uma série de ameaças de boicotes e retaliações, e marcou o rompimento diplomático entre Teerã e Washington. Somente 444 dias depois, em 20 de janeiro de 1981, 20 minutos após o discurso de posse de Ronald Reagan, ao final de um dia de atribuladas negociações em Washington, Londres, Teerã e Argel, envolvendo banqueiros e autoridades governamentais, os últimos 52 reféns foram libertados. Saiba mais aqui!

Desde então, 4 de novembro é uma data chave para o regime iraniano, que cresceu e se alimentou nas últimas décadas com a retórica antiamericana.


Outras efemérides de 4 de novembro
1969 – Carlos Marighella é morto em emboscada
1977 - Rachel de Queiroz é a primeira mulher imortal
1982 - Carlos Castello Branco eleito imortal

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3 de novembro de 1954: Morre Henri Matisse

Morre Henri Matisse.jpg

Há flores por todo canto.
Para quem quiser enxergá-las
”.
Henri Matisse

Henri Matisse, 84 anos, um dos principais representantes do movimento artístico conhecido como Fauvismo, morreu em Nice, no Sul da França.

Henri-Émile-Benoit Matisse nasceu na francesa Le Cateau, no último dia do ano de 1869. Mudou-se para Paris em 1891 e estudou arte na École des Arts Décoratifs e no ateliê de Gustave Moreau. Entre 1900 e 1905, participou do Salão dos Independentes e do Salão de Outono. Logo depois, com o sucesso das exposições, seus quadros já eram conhecidos em toda a Europa. Em 1909, fundou uma academia de artes e recebeu alunos do mundo inteiro. No mesmo ano, abriu uma exposição individual em Moscou e, em 1910, uma retrospectiva em Paris. Entre 1910 e 1912, viajou pelo Marrocos e por Tânger. A experiência das viagens foi a tônica da exposição no Armory Show de Nova York, em 1913.

A obra de Matisse pode ser dividida em fases. Na primeira, nota-se a influência dos pós-impressionistas Cézanne, Gauguin e Van Gogh como em Luxo, Calma e Volúpia (1907).
Luxo, Calma e Volúpia, de Henri Matisse

A partir de 1908, passou a demonstrar estilo próprio, como no quadro A Música (1909).
A Música, de Henri Matisse

Em sua fase final, voltou-se para a esquematização das figuras, estilo retratado no mural A Dança (1933).
A Dança, de Henri Matisse

A partir de 1948 se dedicou à decoração da capela do Rosário de Saint-Paul, perto de Vence, Sul da França.


Outras efemérides de 3 de novembro
1957 - Laika viaja a bordo do Sputinik 2
1970 - A vitória de Salvador Allende
1976 – Jimmy Carter é o presidente dos EUA
1992 - EUA elegem Clinton Presidente

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2 de novembro de 1978: Congresso Nacional reunido pela Anistia

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 3 de novembro de 1978
A sessão solene de abertura contou com a presença do presidente nacional do MDB, Deputado Ulisses Guimarães e de representantes do Cardeal Arcebispo , da Ordem do Advogados do Brasil, da Sociedade Brasileira de Imprensa, do Instituto dos Arquitetos do Brasil, da Comissão Justiça e Paz de São Paulo, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, da Comissão Pró-UNE e do Comitê Brasileiro pela Anistia.
A campanha pela anistia começou há cerca de 10 anos, quando a Sra. Terezinha Zerbini, mulher do General cassado Eurípedes de Jesus Zerbini, organizou seu Movimento Feminino pela Anistia, ainda no Governo Médici. Foi só em setembro de 1977 que o Sr. Aureliano Chaves, defendeu a conveniência de uma anistia limitada.
"Anistia", palavra grega que designa esquecimento de culpa, foi usada pela primeira vez, segundo registros históricos, no Egito Ant igo. De acordo com a legislação contemporânea, ela pode ser plena, geral, limitada, restrita, irrestrita, absoluta, condicional.

O Governo não aceitou a tese da anistia ampla porque não queria beneficiar aqueles que, por motivos políticos, praticaram as saltos a bancos ou seqüestraram pessoas. Não aceitou também o caráter irrestrito por não pretende permitir o regresso dos funcionários públicos civis e militares aos cargos dos quais foram afastados.

Uma campanha inevitável

A anistia foi uma das primeiras providencias do Governo logo após a Independência e desde então foram concedidas anistias de todos os tipos como ocorreu com o Duque de Caxias na Guerra dos Farrapos e na revolta da Armada em 1891. A última anistia concedida no país beneficiou militares revoltosos de Jacarecanga (1956) e Aragarças (1959) que haviam seqüestrado aviões para tentar derrubar o Governo.


Outras efemérides de 2 de novembro
1975 – Escritor Pasolini é espancado até a morte
1998 – O samba perde sua pérola negra

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1º de novembro de 1922: O triste fim de Lima Barreto

Lima Barreto






"Não é só a morte
que iguala a gente.

O crime, a doença
e a loucura
também acabam
com as diferenças
que a gente inventa
".
Lima Barreto




Lima Barreto, 41 anos, morreu vítima de um ataque cardíaco fulminante. Embora tenha deixado um legado literário em contos, crônicas e ensaios, além de crítica literária e memórias, morreu sem ter o reconhecimento de sua obra.

Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu no Rio no dia 13 de maio de 1881. Mulato, de família pobre de escravos, teve uma infância difícil, agravada pela perda precoce de sua mãe. Os obstáculos, contudo, não foram suficientes para impedir que ele tivesse acesso aos estudos, alcançando com êxito a aprovação na Escola Politécnica para estudar Engenharia. O curso, contudo foi interrompido, logo após seu pai adoecer por sucessivas crises de loucura.

Em 1904, começou a escrever a primeira versão de Clara dos Anjos. Rejeitado pela maioria dos escritores de seu tempo, Lima Barreto enfrentou muitos problemas para publicar seus livros. O primeiro foi Recordações do Escrivão Isaías Caminha, de 1909, história de um anti-herói negro, em tom autobiográfico.

Presa fácil do álcool e da vida boêmia, o escritor se internou no Hospício Nacional, em 1914, para onde voltaria cinco anos depois. Em 1915, no entanto, editou sua obra-prima: O Triste Fim de Policarpo Quaresma, que narra o destino trágico de um homem tomado pelo patriotismo
ingênuo.

Em 1918, manifestou seu apoio à Revolução Russa e, em 1919, foi recusado na Academia Brasileira de Letras. Morreu no Rio.

Outras efemérides de 1º de novembro
1963 – Golpe derruba o governo do Vietname do Sul
1968 - Elizabeth II chega ao Brasil
1979 - Lei da Anistia é regulamentada por Figueiredo

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