Arquivo de July 2011

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31 de julho de 1944 - Saint Exupéry levantou vôo e nunca mais voltou

Saint-Exupery. Jornal do Brasil.
"Em tudo na vida a perfeição é finalmente atingida, não quando nada mais existe para acrescentar, mas quando não há mais nada para retirar." Exupéry


Antoine de Saint-Exupéry, (1900-1944), escritor e aviador francês e aventureiro. Escreveu O aviador (1926), Correio do sul (1929), Vôo noturno (1931), Terra dos homens (1939), Piloto de guerra (1942) e O pequeno príncipe, escrito em 1943, traduzido em mais de cem línguas, e considerado uma fábula para adultos. Seus romances, diários e ensaios transmitem uma filosofia de vida que pretende melhorar as relações entre as pessoas.
Atualmente a teoria mais aceita é a de que Saint-Exupery foi abatido por um avião alemão e caiu no Mediterrâneo, depois de se desviar do curso, durante a Segunda Guerra Mundial. Estava em uma missão de reconhecimento na área do Mediterrâneo.

Misteriosa desaparição que fez de Saint-Exupéry um personagem lendário e transformou sua vida num romance. As aventuras de Exupéry como aviador: loopings, acrobacias e ousadias aéreas culminando em aventuras memoráveis que o levaram de avião de Toulouse a Marrocos, da Europa à América do Sul ou de Nova Iorque à Terra do Fogo.

Filho de uma família de aristocratas com linhagem que data do século 13, Saint-Exupéry já freqüentava campos de aviação aos 9 anos. Voou primeira vez provavelmente em 1912.

O mundo vai mal. E vou me sentir infeliz e sofrer porque não tenho uma verdade clara para oferecer aos homens”, escreveu Saint-Exupéry pouco tempo antes do vôo do qual nunca mais retornou.

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30 de julho de 1986 - Morre Câmara Cascudo, o homem que universalizou a cultura popular do Nordeste

Morre Câmara Cascudo. Jornal do Brasil: Quinta-feira, 31 de julho de 1986.

"Termino com saudades meu trabalho, libertador das erosões destínicas e demais cortesãos da velhice". Câmara Cascudo

Vítima de complicação cardíaca, morreu o potiguar Professor Luis da Câmara Cascudo, 87 anos, na Unidade de Terapia Intensiva da Casa de Saúde São Lucas em Natal, onde estava internado desde a tarde do domingo anterior.

Professor, historiador, folclorista, etnólogo e escritor, autor de 152 obras, em seis décadas de atividade intelectual, construiu uma obra de alcance e repercussão universal, conferindo um novo status às manifestações da cultura popular do Nordeste. Usos e costumes, vestuário, alimentação, folguedos e festas - todos os elementos que definem o modo de ser e viver da gente nordestina - desfilaram nas milhares de páginas dos livros que publicou. Nos últimos anos de vida, a cegueira progressiva e a surdez impediam a continuidade regular da atividade intelectual. Para ler, servia-se de uma lupa. Em entrevistas, todas as perguntas eram apresentadas por escrito, em função de deficiências auditivas.

Cascudo nasceu em 30 de dezembro de 1898, em Natal. E de lá só saiu para pesquisar pelo mundo o que chamava de cultura popular. A grandeza da obra que construiu em prol do desenvolvimento da cultura popular do Brasil teve reconhecimento da opinião pública nas inúmeras condecorações e títulos honoríficos que recebeu ao longo dos anos. Foi autor do Dicionário Folclórico Brasileiro, "que abrange a totalidade do meu país", como costumava repetir. E de títulos como A História da Alimentação do Brasil, a Antologia do Folclore Brasileiro, Civilização e Cultura e Made in Africa. Todos os livros de mestre Cascudo são o resultado de sua própria vivência."

Eu aprendi folclore ouvindo o aboio dos vaqueiros. Eu me misturo com as pessoas para aprender alguma coisa. Isso de ver de palanque, não é comigo
".


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29 de julho de 1979: Morre Herbert Marcuse, o teórico da rebelião estudantil que agitou o ano de 1968

Morre o teórico da rebelião estudantil que agitou o ano de 1968 Herbert Marcuse. Jornal do Brasil: terça-feira, 31 de julho de 1979.
Um ataque cardíaco matou o sociólogo e filósofo alemão Hebert Marcuse, 81 anos, numa clínica particular às margens do lago de Starnberg, perto de Munique. Principal teórico da rebelião estudantil que agitou o ano de 1968, Marcuse estava na Alemanha como convidado para um programa de estudos sobre questões sociais e pensava em voltar aos EUA, que o acolheu em 1933, ao fugir do nazismo. O corpo foi enterrado na Califórnia, como era seu desejo.


Assim como Theodor Adorno e Ernst Bloch, outros dois importantes pensadores alemães, Marcuse mantinha uma conduta extremamente crítica em relação ao regime alemão, e fazia questão de uma distância bastante grande em relação ao universo oficial de seu país. Adorno e Bloch também emigraram quando Hitler subiu ao Poder e nunca mais se sentiram à vontade na Alemanha, nem mesmo depois da guerra.

Com justiça ou não, Marcuse foi considerado pela opinião pública como o "inspirador" das revoltas estudantis que transformaram a fisionomia do país na segunda metade da década de 60. Pelo menos foi desta maneira que seu nome apareceu no amplo noticiário dedicado à sua morte: Marcuse cercado por estudantes nas superlotadas salas de aula em Berlim e Frankfurt, Marcuse conversando com líderes estudantis da época, Marcuse fotografando à frente de passeatas no "campus".

"Somente através dos desesperançados nos é dada a esperança". Marcuse acreditava firmemente nas palavras de seu amigo Walter Benjamin: citou-as na conclusão de um de seus livros mais representativos Eros e a Civilização (1955) e incluiu-as entre os lemas sagrados que inspiraram sua obra de pensador.

Herbert Marcuse nasceu em Berlim, Alemanha, no dia 19 de julho de 1898 e foi um dos fundadores da Escola de Frankfurt. Com a ascensão de Hitler, em 1933, fugiu para os EUA. Naturalizado americano, foi professor nas universidades de Columbia e Harvard. Sua doutrina se baseava na dialética de Hegel e na filosofia de Heidegger. Condenava tanto o marxismo soviético quanto a sociedade de consumo. Acreditava na liberdade sexual como condição básica da emancipação pessoal, econômica e política. Por sua capacidade de se engajar, suas ideias inspiraram muitos líderes do movimento estudantil francês, na explosão de manifestações de maio de 1968. Suas obras mais conhecidas, além de Eros e Civilização (1955) são O homem unidimensional (1964), Ideologia da Sociedade Industrial (1964) e O Fim da Utopia (1967).


Outras efemérides de 29 de julho:
1981: O casamento do Príncipe Charles com a Princesa Diana
1983: Luis Buñuel, o surrealismo no cinema
1994: O Brasil perde o sorriso de Mussum

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28 de julho de 1950 - Bicentenário de morte de Johann Sebastian Bach

Bicentenário de Johann Sebastian Bach. Jornal do Brasil: Domingo, 23 de julho de 1950.

"Iniciando-se a semana em que se comemora o bi-cenentário da morte de Johann Sebastian Bach, é dever de todos que se interessam pela música, evocar o nome daquele que a elevou às esferas supremas, oferecendo à humanidade as harmonias mais perfeitas e mais puras que já foram concebidas por cérebros humanos. Passaram-se dois séculos de sua morte e sua sublime inspiração ecoa em nossos ouvidos através de sua portentosa obra, e assim, continuará permanente na devoção artística dos pósteros, desafiando os séculos". Jornal do Brasil

Johann Sebastian Bach, descendente de família de músicos por seis gerações, nasceu em 21 de março de 1685 em Eisenack, na Alemanha. Embora tenha aprendido com seu pai as primeiras noções musicais, sua criação, motivada pela orfandade precoce, ficou sob responsabilidade de seu irmão mais velho, Johann Christoph, exímio organista que lhe incentivou nos estudos musicais. Em poucos anos, dominaria com segurança diversos instrumentos, adquirindo a celebridade ao órgão e ao cravo.

Em lugar das distrações próprias de sua idade, adorava ouvir os grandes mestres de sua época - Johann Adam Reinken, Dietrich Buxtehude, Johann Pachelbel. foi observando-os e estudando sua performance em suas obras que conseguiu o mais completo desenvolvimento de sua técnica. A arte dos grandes concertos que assistia inspiravam-no na busca de criações grandiosas e punha-se a improvisar no cravo e no órgão, revelando uma tal exuberância de imaginação e um estilo tão pessoal que seus exercícios se transformavam em obras-primas.

Debaixo de seus dedos, nascia uma nova linguagem musical. Bach possuia mãos grandes e dedos ágeis, de extraordinário alcance no teclado. Ele próprio afinava seus instrumentos, neles introduzindo ousadas modificações. A música brotava naquele cérebro privilegiado com incrível facilidade permitindo-lhe compor uma obra imensa: Prelúdios, Fugas, Tocatas, Sonatas, Partitas, Suites, Concertos, Cantatas.

Grande foi Bach como músico, pai de família e professor. Foi mestre de seus filhos e de sua segunda esposa, intérprete de sua obra. Considerado um sujeito simples, voltado ao recolhimento, dispensava a vida pública de salões, motivo talvez pelo qual sua obra só tenha repercutido um século depois de sua morte.

Um ano antes de morrer, ficou cego. Não deixou, porém, de compor e trabalhava na Arte da Fuga (Die Kunst der Fuge) - sua útlima obra - quando sentindo declinar suas forças, chamou um de seus filhos e ditou o desfecho de sua última produção, concebida como um adeus à música.


Em torno ao seu leito, encontrava-se a família. Parecendo recuperar a visão, fitou a esposa, e pediu que cantasse alguma canção. Ela atendeu: "Todos os homens marcham para a morte"...

E foi assim que, no dia 28 de julho de 1750, com a idade de 65 anos, deixava de existir aquele que passou à posteridade como o Pai da Música e Mestre Supremo de todas as gerações.

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27 de julho de 1981 - Morre William Wyler, o último contador de histórias

Morre William Wyler. Jornal do Brasil: Quarta-feira, 29 de julho de 1961









O diretor William Wyler, 79 anos, detentor de três Oscars por seus filmes Rosa da Esperança(1942), Os Melhores Anos de Nossas Vidas (1946) e Ben Hur (1959), morreu em sua residência em Beverly Hills, na Califórnia, de ataque cardíaco.

Ao seu lado estava sua esposa Margaret, com quem se casara em 1939.






Filho de pais alemães, Wyler nasceu em Mulhouse, na França, no dia 1º de julho de 1902 e cresceu no seio de uma família judia próspera e feliz. Depois de uma série de tentativas fracassadas de emprego na Europa, acabou na Hollywood dos anos 20 para para dar ajudar a um primo que trabalhava com cinema. Exerceu diversas funções, desde contínuo, contra-regra e assistente de direção. Aperfeiçoou-se ao longo daquela década, mas sua bagagem só alcançou a maturidade artística depois de uma longa associação com Samuel Goldwyn durante os anos 30 e 40. Ao longo das 5 décadas em que se dedicou ao cinema, foi um dos mais prolíficos diretores norte-americanos. Era um cineasta metódico, que se diferenciava pela perfeição técnica de seu trabalho.

Poucos diretores demonstraram a profundeza e a sensibilidade que Wyler trouxe ao cinema americano em sua fase áurea. Talento reconhecido pelo prêmio especial concedido pelo American Film Institute em 1976 pelo conjunto de sua obra.


Wyler casou-se duas vezes. A primeira foi com a atriz Margaret Sullavan, relacionamento que durou dois anos. A segunda com Margaret Tallichet, casamento estável e duradouro de 42 anos, que lhe deu dois filhos e dois netos. Uma realização pessoal que ele comparava à sua realização profissional.

Durante toda a vida, Wyler foi um homem simples, que não seguiu modismos e manteve prudente distância de cenas filmadas à contra-luz, imagens ondulantes, tremidas e filmes muito compridos. Uma verdadeira instituição do cinema norte-americano, seus filmes seguiram, coerentemente, essa filosofia de vida e arte: ele foi na tela, um bom contador de histórias, e nunca desejou outro rótulo.

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26 de julho de 1930 - A morte de João Pessoa

Jornal do Brasil: Domingo, 27 de julho de 1930 - página 7
"Abalou fortemente a população desta capital a notícia do assassínio do Sr. João Pessoa, presidente da Paraíba. Conhecidos os principais lances dessa cena indigna para os foros de civilização de um povo, levanta-se um coro unânime de condenação e protesto contra esse processo bárbaro de eliminação de uma alta autoridade política e administrativa. Os telegramas do nosso correspondente no Recife detalham o lutuoso fato e dão à impressão do horror que o assassínio produziu no governo, no povo e na culta sociedade". Jornal do Brasil

O governador da Paraíba, João Pessoa, candidato derrotado à vice-presidência na chapa da Aliança Liberal de Getúlio Vargas, morreu após não resistir aos tiros disparados por seu desafeto, o fazendeiro João Dantas, enquanto passeava numa confeitaria no Recife. Foi prontamente dada a ordem de prisão ao assassino, que acabou também baleado pelo motorista de João Pessoa, agindo em sua defesa. Ainda hoje discute-se o real motivo do crime contra João Pessoa: se por questões políticas ou se de ordem passional. O episódio abalou a opinião pública, causando comoção nacional. E contribuiu com o clima emocional que desencadeou a Revolução de 30, movimento armado que culminou com a deposição do Presidente Washington Luís em 24 de outubro.

João Pessoa. Reprodução/CPDoc JB


O jurista e juiz consciencioso

Auditor da Marinha e depois ministro do Supremo Tribunal Militar. Indicado por seu partido e por correligionários para governar a Paraíba, logo se revelou exímio administrador. Populista, amado com fervor pela gente simples da Paraíba e reverenciado pela elite como um opositor sem medo do poder central, seu desempenho público, contudo, foi uma consagração póstuma. A brusca interrupção de sua carreira em plena ascensão política serviu para que os líderes da Aliança Nacional o transformassem num mártir para insuflar a propaganda do partido no âmbito nacional.

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25 de julho de 1985: Morre Carlos Galhardo, o cantor que dispensa adjetivos

Morre Carlos Galhardo. Jornal do Brasil: Sexta-feira, 26 de julho de 1985.

Foi-se o homem, não se calou a voz, eternizada em mais de 1200 musicas gravadas. Era o penúltimo ídolo vivo de uma extraordinária geração de cantores românticos dos anos 30 e 40: a Era do Rádio. À ocasião de sua morte, Sylvio Caldas, o Caboclinho Querido, ficara único sobrevivente.

Já tinham morrido Francisco Alves, o Rei da Voz e Orlando Silva, o Cantor das Multidões.

Castelo Carlos Guagliardi, filho de italianos, nasceu em São Paulo no dia. Mas foi no Rio que cresceu. E curiosamente, foi no banheiro - à falta de outro espaço - que ensaiou e ganhou coragem para um teste na Rádio Educadora do Brasil.

Chamado de Rei da Valsa, na verdade a voz de veludo e falsete permitiu-lhe a ousadia de cantar de tudo: marchinha, samba, blues... interpretando a maioria dos grandes compositores brasileiros. Performance consolidada em uma carreira de mais de 50 anos com a fidelidade de um público próprio, razão de emoções e desmaios por onde passava, o então intitulado Cantor que dispensava adjetivos.

Galhardo nunca escondeu a influência de alguns amigos no início da sua vitoriosa trajetória, como Alberto Simões, o Bororó, violinista que o acompanhou quando cantava no banheiro para o primeiro teste no rádio.

Fiel às amizades, sobretudo as que construiu na aurora da vida artística, Galhardo surpreendeu e emocionou os que o entrevistaram para uma gravação no Museu da Imagem e do Som. O diretor da casa, Ricardo Cravo Albim, transmitiu-lhe a notícia da morte de Alberto Ribeiro. Galhardo silenciou por segundos, enxugou uma lágrima, pediu desculpas pelo pigarro que tentava esconder a emoção e recordou Alberto, dizendo que ele e outro monstro da música popular brasileira - o compositor João de Barro - tinham sido fundamentais no seu engatinhar para a fama. Tanto havia que contar, naquela tarde no MIS, que Galhardo não sabia se falav de sua vida ou se comentava e cantava seus maiores sucessos.Recordou Carolina, de Lamartine Babo, o primeiro sucesso de carnaval; depois a primeira valsa de Ataulfo Alves, e foi versejando maravilhas que o tempo da entrevista se tornou curto para gravar. Mas recordou sucessos inesquecíveis.

Galhardo nunca se considerou um superado pelo tempo. "Estou nascendo outra vez", repetia sempre que anunciava ou cantava uma música moderna. Fez teatro e cinema. Participou de várias peças no Rival, entre elas A Canção da Felicidade e A Bela e a Fera. Mas seu forte era cantar - e cantar no rádio, à época em que o rádio era a televisão sem imagem. E nunca deixou de cantar pelo Brasil afora, em memoráveis excursões.

"O romantismo vai existir sempre. Sempre enquanto houver dois corações". E, entremeando os versos aos comentários: "Gosto de saber que inspirei paixões. No meu tempo de juventude era chamado de o gostosão. Mas nunca fui mulherengo. Só me dediquei a uma mulher, Eulália, com quem estou há anos".

Este era o homem com a valsa na alma do cantor. Foi-se o homem. Ficou a voz.



Outras efemérides de 25 de julho:
1966 - Bomba explode no aeroporto de Recife
1978: Nasce o primeiro bebê de proveta

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24 de julho de 1970 - O centenário de Alphonsus de Guimaraens

O centenário de Alphonsus de Guimaraens. Jornal do Brasil: Sexta-feira, 24 de julho de 1970.
"Eu cantei como vós, ó trovadores, e ninguém quis ouvir os meus amores".

A queixa é de Alphonsus de Guimaraens, poeta brasileiro cujo centenário transcorreu em 1970, mestre de um lirismo místico na busca sublime à amada entre o luar e as sombras, o amor e a morte, em que devoção e equilíbrio se dão as mãos desde o início. Queixa razoável, pois é verdade que a sua voz foi ouvida apenas por um reduzidíssimo número de pessoas. Mas para ser completa a confissão, o cantor teria de reconhecer que boa parte da culpa era sua. Ele mesmo escolhera o silêncio e a solidão. Como os ascetas da Idade Média, queria "ser um eleito, bem longe da humana vida. Ser o Cordeiro que vai ser sacrificado".

Foi na cidade mineira de Ouro Preto que nasceu Afonso Henriques da Costa Guimarães em 24 de julho de 1870. Dedicado nos estudos, formou-se em engenharia e direito. Apaixonou-se por sua prima Constança, que morreu precocemente, de tuberculose, mas manteve-se para sempre sua musa inspiradora. Nas poucas saídas que fez do interior de Minas, colaborou na imprensa paulistana, época em que frenquentou a Vila Kyrial, de José de Freitas Vale, ambiente frequentado por jovens simbolistas, e conheceu Cruz e Sousa, em uma viagem ao Rio de Janeiro. Para exercer o cargo de juiz e promotor voltou ao interior mineiro, fixando residência em Conceição do Serro.

Um dos principais representantes do movimento simbolista no Brasil, sua obra, de influência francesa (principalmente Verlaine e Mallarmé), adquire com frequência acentos arcaizantes e de envolvente conteúdo lírico, uma vez que o exprime num misticismo enraizado no fundo da subjetividade e, desse modo, como uma compulsão do inconsciente. Em ritmo elegíaco e de solene musicalidade, multiplica a imagem da amada. Uma oscilação entre os indícios materiais da morte e a expectativa do sobrenatural, como se toda a sua poesia se fizesse em variações de um mesmo réquiem. Mas a evolução da linguagem é permanente e a tendência a um barroco discreto - das Minas Gerais - se flexibiliza, se inova, fazendo brotar imagens muitas vezes ousadas, não longe da invenção surrealista. Entre suas publicações estão, Dona mística, Câmara ardente e Centenário das dores de Nossa Senhora - todos de 1899, e Kyriale (1902), sua coletânea mais representativa.

Morreu em Mariana, Minas, em 15 de julho de 1921.



Outras efemérides de 24 de julho:
1980 - Vai-se o irreverente Peter Sellers

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23 de julho de 1993 - A chacina da candelária

Chacina da Candelária: Jornal do Brasil: Sábado, 24 de julho de 1993

"Dizem que ela existe pra ajudar /Dizem que ela existe pra proteger
Eu sei que ela pode te parar / Eu sei que ela pode te prender...

... Dizem pra você obedecer / Dizem pra você responder
Dizem pra você cooperar / Dizem pra você respeitar
Polícia para quem precisa / Polícia para quem precisa de polícia...
"
Titãs

Por volta da meia-noite cerca de 50 crianças de rua dormiam enroladas em cobertores próximo à Igreja da Candelária, no centro do Rio de Janeiro. Nenhuma percebeu a chegada de dois Chevettes com as placas cobertas por plástico: um táxi, e o outro carro comum, ambos amarelos. Ao perceber que os meninos dormiam, um dos homens fez o sinal para que os comparsas se aproximassem. Em seguida foi o horror. Os homens começaram a atirar indiscriminadamente na direção dos menores.

Enquanto muitos preferiram fugir, sete deles que dormiam sobre uma banca de jornais, preferiram ficar imóveis, e foram executados com tiros na cabeça.

O local escolhido para a chacina foi a Praça Pio X, centro financeiro e sede de um símbolo sagrado do Rio: a Igreja de Nossa Senhora da Candelária.

Na verdade, a operação começara antes, na Rua do Acre, quando o lavador de carros Wagner dos Santos, de 22 anos, e mais dois menores foram apanhados por dois homens e jogados no banco de trás do Chevette amarelo. Wagner recebeu logo um tiro e desmaiou. Quando acordou estava estirado no chão perto do Museu de Arte Moderna, ao lado dos menores mortos.

As crianças e jovens que viviam nas ruas nas imediações da Igreja da Candelária eram atendidos de maneira voluntária pela Sra. Yvonne Bezerra de Mello. Neste dia, com o pedido de socorro, ela mesma conduziu mortos e feridos no seu carro, depois de uma longa espera pela chegada da polícia.
Muitos dos sobreviventes foram morar debaixo de um viaduto em São Cristóvão e continuaram a serem atendidos pela Sra. Yvonne. Em 1992 o Rio de Janeiro terminou o ano com 424 crimes contra crianças de rua.

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Crime repercutiu no mundo

A notícia correu o mundo. Muito se especulou sobre os reais motivos da chacina que causou a morte de seis menores e dois maiores de idade, além de várias crianças e adolescentes feridos.

O sobrevivente Wagner dos Santos testemunhou no processo criminal que indiciou sete policiais, entre militares e civis. Destes três foram condenados. Wagner, hoje em dia, vive na Suíça, protegido depois de receber ameaças de morte. Outro sobrevivente da chacina, Sandro Rosa do Nascimento, mais tarde voltou aos noticiários, quando participou do triste episódio do seqüestro do ônibus 174, também no Rio.



Outras efemérides de 23 de julho:
1977: O poder feminino ameaçado

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22 de julho de 1990 - Morre o escritor argentino Manuel Puig

Morre Manuel Puig. Jornal do Brasil: Segunda-feira, 23 de julho de 1990.





"Nunca es agradable
vivir el fin de algo
".
Manuel Puig





O escritor argentino Manuel Puig, 57 anos, morreu pela manhã, de complicações pós -operatórias decorrentes de uma intervenção cirúrgica na vesícula, num hospital mexicano na cidade de Cuernavaca.




Nascido em 1932 em General Villegas, nos pampas argentino,costumava dizer que "se tem a impressão de que quem nasce e morre lá nunca terá visto nada". Talvez por isso o escritor nunca tenha sossegado em qualquer lugar. AAos 13 anos, foi estudar o ginásio em Buenos Aires. Dez anos depois, seguiu para Roma onde cursou cinema, chegando a trabalhar como assistente de diretores como Vittorio de Sica, Rene Clement e Stanley Donen. Passou por Londres como professor de espanhol e lavador de pratos. De volta à Argentina, alçou vôo literalmente, como comissário de bordo. Carregou malas em Nova Yorque.

A carreira literária chegou em poucos anos. Seu primeiro romance A traição de Rita Hayworth (1968) foi escolhido pelo Jornal Le Monde o melhor livro publicado na França naquele ano, quando concorreu com As confissões de Nat Turner (1966), de William Styron, e Cem anos de solidão (1967), de Gabriel Garcia Marques.

O escritor também viveu no México e na Suécia. Mas foi no bairro carioca do Leblon que ele fez mais do que estabelecer residência, no início dos anos 80. Aqui, adaptou para o teatro seu sucesso mais conhecido, O beijo da mulher aranha (1976). Também aqui começou a produzir textos diretamente para o palco, como Quero... (1982), escrita para os mesmos Ivan de Albuquerque e Rubens Correa, que montaram O beijo.

Mas a maior homenagem de Manuel Puig ao Brasil foi, sem dúvida o romance Sangue de amor correspondido (1982), ambientado no Rio e escrito em português.

Em 1989, Puig lançou mais um romance Cai a noite tropical, "escrito e acontecido no Rio, mas com personagens argentinos", segundo sua prórpia definição. A cidadania carioca do escritor rendeu ainda as peças Triste andorinha mocho (185), Gardel, uma lembrança (1987) e Mistério do buquê de rosas (1987).

Mas em 1989, a poluição da amada praia do Leblon e a violência da cidade cansaram o escritor. Em outubro ele partia para seu último destino: "Tinha necessidade de voltar ao México, onde vivi nos anos 70 e deixei muitos amigos. Espero me organizar para poder dividir meu tempo entre lá e o Brasil". Para tristeza de amigos e admiradores do autor de Boquitas pintadas (1969), The Buenos Aires affair (1973), Púbis angelical (1979) e Maldição eterna para quem ler estas páginas (1981) não houve tempo para esta volta ao Brasil acontecer...

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21 de julho de 1946 - Ditador boliviano morre pelas mãos do povo

Morre o diatodr boliviano Vilarroel. Jornal do Brasil: terça-feira, 23 de julho de 1946


Uma revolução popular acabou com os mais de dois anos de governo do ditador boliviano Villarroel, cujo trágico fim aconteceu publicamente, nas mãos do povo revoltado que se libertara de vez das algemas de seu governo autoritário. Após a morte do Presidente, uma Junta Provisória, formada por membros dos grupos trabalhistas, professores e líderes universitários, assumiu o poder, prometendo restituir os direitos civis da população.

No dia anterior à morte, Villarroel abdicara da Presidência, devido ao aumento exponencial dos protestos violentos contra seu regime, liderados por estudantes e trabalhadores. Deixado o posto, o ex-Chefe de Estado cogitava partir para o exílio, permanecendo no “Palácio Queimado”, sede da Presidência, sem proteção. A multidão enfurecida com a situação político econômica do país, invadiu a residência oficial, capturou o ex-governante, atirou-o por uma das janelas e mais tarde pendurou seu corpo enforcado em um poste de iluminação na Praça Murillo. A violência dos combates neste dia foi comprovada pelo número de dois mil mortos e feridos

Nem tudo no governo de Villarroel, no entanto, foram mordaças e cassetetes. Em sua gestão de cunho fascista, o ex-combatente da Guerra do Chaco (1932-1935), influenciado pelas idéias de Juan Perón, aprovou o voto feminino no país, acabou com a pongueaje (uma espécie de trabalho escravo indígena, remanescente dos tempos da colonização espanhola), apoiou a criação da Federação dos Mineiros, organizou o Congresso Indígena e incentivou a produção de petróleo nacional.

Estas medidas desagradaram a oligarquia dominante, que começou a fazer pressão sobre o trigésimo nono Presidente boliviano. A resposta violenta e brutal dada por ele, no entanto, só piorou a situação, fazendo com que a população se voltasse contra ele, até culminar na deposição seguida de sua morte.

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20 de julho de 1989 - Morre o galã da novela das seis: Lauro Corona

Morre Laurinho Corona. Jornal do Brasil: Sexta-feira, 21 de julho de 1989.
O ator Lauro Corona, 32 anos, morreu durante a madrugada, na Clínica São Vicente, na Gávea, onde ficou internado por 12 dias. De Dancin´days (1978) a Vida Nova (1989), Lauro Corona participou de oito novelas. Só não brilhou mais no horário nobre porque era considerado baixinho (com 1,63m). Mas prevalecerá como o grande galã das seis da tarde.



As primeiras notícias de que ele portava o vírus da AIDS surgiram um ano antes de sua morte, quando ele se preparava para atuar em mais um papel em Vida Nova, na TV Globo. Ele jamais admitiu ser portador da doença.

Lauro Corona começou a vida a artística em 1975 como modelo fotográfico. Dois anos depois, fez sua única aparição em teatro na peça infantil Seu Sol, Dona Lua. Papel que o fez ser descoberto pela TV Globo, onde estreou no caso especial Ciranda cirandinha. Corona atuou no filme O sonho não acabou, de Sérgio Rezende e gravou dois LPs. Mas passou a maior parte do tempo de sua vida artística nas telenovelas: Louco Amor, Marina, Final Feliz, Direito de Amar, Baila comigo... Trabalhou também na minissérie Memórias de um gigolô e apresentou o musical Cometa loucura.


Sua última interpretação foi o português Manoel Victor, par romântico com a atriz Deborah Evelyn.


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19 de julho de 1966 - Brasil perde para Portugal e é eliminado da Copa de 1966

Brasil perde para Portugal e é eliminado da Copa de 1966. Jornal do Brasil, quarta-feira, 20 de julho de 1966.




"Quando Simões fez o primeiro gol de Portugal, 80 milhões de pessoas sofreram um baque. Perdia-se naquele momento um sonho que durou intensamente há 108 dias atrás, quando formaram a equipe brasileira. Em 52 partidas, o quadro sempre trocava de jogadores, mas um elemento permaneceu intocado: a esperança de todos..." Jornal do Brasil



Saiu da cabeceada do português Simões o primeiro dos 3 gols que Portugal marcaria. Um prenúncio da eliminação da seleção brasileira da Copa do Mundo de 1966 nas oitavas-de-final.


Sediada na Inglaterra, a Copa de 1966 foi a foi a oitava edição do Mundial FIFA de Futebol. Contou com a participação de 16 seleções, sendo o Brasil, bicampeão mundial (1958) e (1962), um dos favoritos ao título. A confiança do povo brasileiro estava nos pés de Pelé.

Mas com um duro esquema de marcação, Portugal conseguiu minimizar a atuação de Pelé, e teve no talento de Euzébio o futebol necessário para superar a seleção brasileira.

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18 de julho de 1945 - Brasil recebe os heróis da Força Expedicionária Brasileira

Força Expedicionária Brasileira é recebida com festejo na volta dos campos de batalha. Jornal do Brasil: Quinta-feira, 19 de julho de 1945.

"O desfile do 1º Escalão da Força Expedicionária Brasileira que regressou dos ásperos campos de batalha da península italiana, constituiu um dos maiores acontecimentos da vida de nossa metrópole, fazendo vibrar até às raias do delírio as emoções espontâneas e patrióticas do povo de nossa invicta Sebastianópolis. Foi um júbilo popular... ". Jornal do Brasil

Após um longo período de combates na Itália, a Força Expedicionária Brasilera desembarcou no Rio. Eram 10h quando o navio General Meyghs atracou com os primeiros pracinhas à bordo, que foram recepcionados pelo presidente Getúlio Vargas.

Em seguida, os heróis nacionais, motivo de orgulho para todo o país, desfilaram pelas principais ruas do centro da cidade, saudados pela multidão que festejava com bandeiras, confetes e serpentinas.

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18 de julho de 1968 - Selvageria no Teatro Ruth Escobar

Reprodução de charge. Lan/CPDoc JB
"Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá …
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
"…
Chico Buarque

Mal terminara mais uma apresentação de Roda Viva na noite paulistana, um grupo armado de aproximadamente 20 pessoas invadiu o galpão do Teatro Ruth Escobar, num ato extremo de selvageria. Em trajes que dificultavam a identificação, diziam-se integrantes do CCC (Comando de Caça aos Comunistas), agindo contra a obscenidade teatral. Enquanto iniciavam a depredação, desfigurando o cenário, o público ainda presente apressava-se em fuga. Em seguida os invasores seguiram para os camarins. Destruindo o que encontravam pela frente, espancaram o elenco e a equipe técnica da peça. Duas pessoas foram detidas.

Jornal do Brasil: Sábado, 20 de julho de 1968 - página 10
O crime promoveu resposta imediata da classe artística que se reuniu à porta do teatro, exigindo a detenção dos culpados e a condenação do terrorismo de direita. No dia seguinte, movida pela solidariedade de outras companhias, Roda Viva voltava ao palco, com casa cheia e as marcas da truculência da véspera: cenário improvisado, figurino remendado, elenco lesado - mas bravo, pela coragem com a qual conduziu o espetáculo. A inépcia com que foi conduzida a prisão dos dois detidos, o impasse entre o DOPS e a 4ª Delegacia em assumir o paradeiro de ambos e o mistério do desaparecimento dos mesmos fortaleceram a hipótese do envolvimento da polícia no caso, embora o exército nunca tenha admitido sua participação. O CCC foi responsabilizado como único autor do crime.

A agressão ao elenco de Roda Viva fez parte da série de intimidações clandestinas promovidas contra a classe teatral durante o regime militar. Os executores declaravam-se defensores da ordem e dos bons costumes da família brasileira, interessados em coibir as manifestações subversivas.

A ousada proposta de Roda Viva

Com texto de Chico Buarque e direção de José Celso Martinez Corrêa, Roda Viva veio no embalo das manifestações artísticas que questionaram a postura da classe média no contexto do autoritarismo em vigor. Escandalizou não apenas por desafiar a ditadura, ou pela barbárie do CCC, mas, principalmente, pelo rompante do seu ritual cênico. A provocação evocada durante o espetáculo confundia a realidade com a dramaturgia, enquanto os artistas serviam-se de uma agressividade até então inédita para com o público presente, visando subtraí-lo da letargia, reivindicando deste respostas e ação para os seus questionamentos.

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17 de julho de 1995 - Morre Manuel Fangio

"O negócio é chegar. De preferência na frente dos outros". Juan Manuel Fangio

Jornal do Brasil: 17 de julho de 1995
Um dos maiores fenômenos do automobilismo de todos os tempos, o argentino Juan Manuel Fangio morreu, vítima de insuficiência crônica renal aos 84 anos.

Com um curriculum invejável, conquistou 24 das 51 corridas que disputou. Foi herói dos principais pilotos da era moderna, como Senna, Piquet, Prost e Lauda. Consagrou-se pentacampeão mundial da Fórmula 1 em 1957, marca que só seria superada por Michael Schumacher, em 2003.

Protagonizou memoráveis episódios em sua carreira. Um deles foi a última corrida. Na disputa pelo 4º lugar à bordo de um Maseratti vermelho, que estampava o número 34 em branco, com Mike Hawthorn, da Ferrari, teve problemas com o pedal da embreagem, que caiu. A cena daquele dia 6 de julho de 1958 registrou a irreverência de Fangio segurando o pedal na mão, acenando para os mecânicos. Hawthorn deixou Fangio vencer a disputa, tirando o pé do acelerado na última reta.

Confira, clicando nos nomes abaixo, a opinião de personalidades sobre o fenômeno Juan Manuel Fangio: Alain Prost - Carlos Menem - Carlos Reutmann - Helmut Werner - Jacky Ickx - Jose Gonzalez - Luca di Montezemolo - Niki Lauda - Striling Moss

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16 de julho de 1989 - Brasil vence Copa América e enterra tabu de 1950 contra Uruguai

Brasil vence Uruguai e conquista Copa América. Jornal do Brasil: Segunda-feira, 17 de julho de 1989.


Não foi bonito. Foi um jogo nervoso, difícil, truncado, amarrado. Mas, com um Maracanã lotado por 148 mil torcedores, muitos dos quais jamais tinham visto o Brasil ser campeão, a seleção mostrou garra, organização e velocidade para derrotar o Uruguai por 1 a 0 e conquistar a Copa América pela quarta vez. Todas as três anteriores conquistadas no Brasil, mas antes da inauguração do Maracanã.

O fantasma da Copa do Mundo de 1950, há exatamente 50 anos, estava exorcizado. O Maracanã ganhou brilho. A ola se repetia nas arquibancadas, embalada pelos tradicionais gritos de "Brasil, Brasil!" e "É campeão!".

O gol brasileiro foi marcado aos quatro minutos do segundo tempo - Bebeto deu a Mazinho que cruzou e Romário cabeceou para as redes. Alèm dos três, a seleção tinha em campo: Taffarel, Mauro Galvão, Ricardo, Aldair, Branco, Silas, Dunga e Valdo.


Outras efemérides de 16 de julho:
1950: O dia em que o Maracanã se calou
1989: Silencia-se o maestro Herbert von Karajan

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16 de julho de 1989 - Silencia-se o maestro Herbert von Karajan

Morre Herbert von Karajan, o maestro do Século 20. Jornal do Brasil: Segunda-feira, 17 de julho de 1989.

Herbert von Karajan, 81 anos, o mais famoso maestro da segunda metade do século 20, morreu em sua casa perto de Salsburgo, na Áustria, vítima de ataque cardíaco.

Nascido em 5 de abril de 1908, o filho mais célebre e querido de Salsburgo, depois de Mozart, já era maestro aos 21 anos de idade. Regente da Filamôrnica de Berlim, comandada com estilo pessoal e autoritário por 30 anos, Karajan acumulou polêmicas em sua vida. Patrocinado por Hitler como "regente do Estado", sua carreira se desenvolveu à sombra do regime nazista, com o qual manteve grande proximidade. Preço que pagou no final da Segunda Guerra ao ser proibido, durante dois anos, de se apresentar na Áustria em represália as suas cordiais relações com a derrotada Alemanha ariana.

Intérprete original, sempre orquestrando de memória, gravou mais de 900 LPs que lhe renderam cerca de 115 milhões de cópias. Acima de todas as circuntâncias, o maestro austríaco tinha um ideal: "tornar a música clássica tão conhecida quanto qualquer outra arte".




Outras efemérides de 16 de julho:
1950: O dia em que o Maracanã se calou

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15 de julho de 1975 - EUA e URSS juntos no Espaço

EUA e URSS juntos em missão espacial. EUA e URSS juntos no espaço. Jornal do Brasil: Quinta-feira, 17 de julho de 1975.
"As tripulações da Soyuz e da Apolo: Em poucas horas vocês estarão abrindo uma nova era na exploração do espaço. Embora outros tenham partido antes, vocês estarão marcando um novo rumo na cooperação internacional espacial. Nunca antes representantes de dois países viveram e trabalharam no espaço. Este é um momento histórico... Os povos de todo o mundo estarão seguindo seu vôo e a épica missão conjunta com interesse e entusiasmo. Em nome do povo norte-americano, eu os cumprimento por seu valor e visão, desejando-lhes boa viagem e boa sorte". Gerald Ford

Numa tentativa política de conter a Guerra Fria, dos Estados Unidos e da União Soviética, permitiram a primeira missão conjunta: a Apolo XIII (de Cabo Canaveral) e a Soyuz XIX (de Baikonur) subiram ao espaço levando a bordo, respectivamente, três cosmonautas norte-americanos, e dois soviéticos.


No dia seguinte as duas naves foram acopladas e foi realizado o intercambio das duas tripulações e o aperto de mão entre as duas equipes em pleno cosmo.

Era uma tentativa de apaziguamento internacional e minimização de divergências entre as duas superpotências. Nas palavras do secretario-geral do Partido Comunista soviético, Leonid Brejnev: "Vista do espaço a Terra é linda, mas pequena. E, no entanto, é suficientemente grande para que possamo viver em paz e muito pequena para submetê-la à ameaça da guerra nuclear".

16 de julho de 1975: Charge de Ziraldo

O acordo espacial dessa missão foi firmado em maio de 1972, dias antes do arrombamento da sede do Partido Democrata no edifício Watergate, que viria se transformar no escândalo que provocou a demissão de Nixon. Assim, o nome do ex-presidente americano não foi incluído na lista dos convidados no evento de lançamento, e sequer mencionado pelo então presidente, Gerald Ford, que absorveu os méritos desse acontecimento histórico.

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14 de julho de 1961 - Papa João XXIII publica Mater et Magistra

Publicada a Encíclica Mater et Magistra. Jornal do Brasil: Sábado, 15 de julho de 1961.

"A experiência, efetivamente, atesta que, onde falta a iniciativa pessoal dos particulares, existe a tirania política, e que existe, além disso, estancamento dos setores econômicos destinados a produzir sobretudo a gama infinita de bens de consumo e de serviços, relacionados não só às necessidades materiais, mas também às exigências do espírito. São bens e serviços que ocupam, de um modo especial, a genialidade criadora dos indivíduos. Por outro lado, onde falta ou é defeituosa a devida atuação do Estado, reina uma deosrdem irremediável e abuso dos fracos por parte dos fortes menos escrupulosos, que arraigam em todas a terrras, em todo os tempos, como o joio entre o trigo..." Jornal do Brasil

No início dos agitados anos 60, quando o mundo reconstruía-se do primeiro meio século de guerras, num ambiente contextualizado pela Guerra Fria, a Igreja Católica não teve outra opção. Viu-se obrigada a atualizar e a reafirmar o seu Magistério sobre as questões novas e antigas.

O Papa João XXIII publicou a Enciclíca Mater et Magistra, com com 25 mil palavras, a mais extensa da Igreja até então. O Papa recomendou a indústria a limitar seus lucros e assegurar ao trabalhador um salário que lhe permita uma vida digna. Reconheceu a situação difícil das nações do Terceiro Mundo, pedindo ajuda dos países desenvolvidos.

Leia aqui a versão condensada da Encíclica Mater et Magistra publicada pelo Jornal do Brasil.



Outras efemérides de 14 de julho:
1909: Abre-se o Theatro Municipal
1965: Junta impõe Lei Marcial no Equador
1989: Bicentenário da Revolução Francesa

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13 de julho de 1986 - Morre o autor Orígenes Lessa

O sonho de Orígenes Lessa acabou. Jornal do Brasil: terça-feira, 15 de julho de 1986.
"Chego à conclusão de que Monteiro Lobato é que estava certo, quando escrevia para o público infantil, pois os adultos sempre lembram do que leram na infância. Nos meus livros, desabafo muita coisa que gostaria de dizer aos grandes". Orígenes Lessa

Um dia após completar 83 anos, o escritor Orígines Lessa morreu de parada cardíaca. Deixa a fama de afabilidade e incrível facilidade para a escrita, características que marcaram sua extensa produção literária em mais de 50 livros entre contos, romances, novelas e obras para crianças e adolescentes, e sua decisiva passagem pela redação publicitária onde pontificou por 50 anos "obrigando a comprar o produto desnecessário, vender a necessidade inexistente", como costumava dizer. Viveu ainda a experiência jornalística.

Orígenes foi incólume no que se refere à mente, ágil, tocada pelo elemento humano e pontilhada de malícia e lirismo, habilidades que utilizou para valorizar o cotidiano, tão presente em sua obra de prosador, tão acessíveis ao universo infanto-juvenil, que soube, sempre, recebê-lo com mais vibração do que o mundo adulto.

Não é à tôa que sua literatura, desde o primeiro romance O feijão e o sonho (1938), é até hoje adotado em escolas percorrendo o imaginário de diferentes gerações.

Em 9 de julho de 1981, Orígenes foi eleito para a ABL, derrotando Mario Quintana e Ledo Ivo. Ocupou a Cadeira 10 do patrono Evaristo da Veiga, deixada vaga após a morte de Osvaldo Orico.

Clique aqui para saber mais da obra de Orígenes Lessa!




Outras efemérides de 12 de julho:
1973: Morre o boêmio Ciro Monteiro
1985: Aumenta que isso aí é Rock´n Roll!

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12 de julho de 1996 - O centenário de Celso Antônio de Menezes, o modernista desprezado.

O centenário esquecido de Celso Antônio de Menezes. Jornal do Brasil: Sábado, 13 de julho de 1996.

"Como simples testemunha do meu tempo, considero um absurdo que até hoje, no final de 1989, um artista do valor e da importância de Celso Antônio não tenha tido ainda o reconhecimento que merece. É sabido que a morte impõe um período de silêncio, como se entre a posteridade e o morto ilustre fosse necessário fazer uma reflexão para reavaliar o que significou de fato a sua contribuição para a cultura nacional". Otto Lara Resende

Peripércias da História são mesmo impossíveis de se explicar. O que era para ser um celebrado centenário de nascimento de um dos maiores talentos da escultura brasileirado século 20, passou no esquecimento. Celso Antônio de Menezes, dono de uma obra reverenciada por nomes como Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e Mario de Andrade, que morrera na miséria em 1984, em sua casa no suburbio carioca do Rocha, chegava ao centenário fadado ao anonimato.

Considerado personagem-chave para o desenvolvimento da escultura no Modernismo brasileiro, o maranhense Celso Antônio começou a esculpir muito cedo. Aos 16 anos, já matriculado na Escola Nacional de Belas Artes, passou a frequentar o ateliêr de Rodolfo Bernadelli, um dos mais respeitados artistas plásticos do Brasil. Na década seguinte viveria em Paris a experiência de aprendizado com Antonie Bourdelle. Foi na Europa que conheceu Anita Malfati, Mario de Andrade, entre outros modernistas. E de volta ao país, mergulhou fundo no movimento de 1922.

No governo de Getúlio Vargas, por sugestão do ministro da Educação Gustavo Capanema, participou da equipe que ergueu o Ministério da Educação no centro do Rio e recebeu varias encomendas oficiais: a escultura Moça Reclinada para os jardins suspensos do próprio ministério, a estátua Maternidade, em exposição permanente na Praia de Botafogo e O Homem Sentado, acidentalmente (?!) destruida antes de sua inauguração. Um de seus trabalhos mais polêmicos foi o monumento Trabalhador, talvez o golpe definitivo em sua carreira. Ao fazer um trabalhador gordo, sem qualquer elemento que o caracterizasse, além de posicioná-lo de mãos para trás, descansando, recebeu inúmeros protestos. Mesmo com apoio da classe intelectual, para quem sua obra foi vítima da incompreensão e da ignorância, a estátua acabou num depósito.

Controverso, cogita-se que suas intransigências de artista, tão honestas e radicais tenham influenciado seu declínio nos útlimos anos de vida.




Outras efemérides de 12 de julho:
1990 - Morre João Saldanha: fim do jogo

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11 de julho de 1989 - Morre Laurence Olivier, o maior shakespeariano de todos os tempos

Morre o maior interprete de Shakespeare, Lawrence Olivier. Jornal do Brasil: Quarta-feira, 12 de julho de 1989.

"Com extraordinária sensibilidade para a magia do teatro, Olivier tinha por Shakespeare uma paixão canibal, como gostava de dizer, plenamente correspondida". Jornal do Brasil

Morreu em sua casa em West Sussex, Sul da Ingalaterra, Laurence Olivier, 82 anos, considerado o ator shakespeariano mais importante que as artes cênicas já produziram em todos os tempos. Castigado por doenças que a qualquer outro deixariam deprimido, Olivier morreu dormindo. Chegava ao fim uma carreira de 70 anos, depois de 105 peças, 66 filmes e dezenas de aparições na televisão.

Autor, diretor e produtor inglês, Laurence Olivier nasceu na Inglaterra em 1907. Subiu ao palco pela primeira vez no papel de Brutus, numa apresentação escolar. Em 1924, entrou na Escola Central de Arte Dramática e, dois anos depois, já estreava como ator profissional na Birmingham Repertory Theatre Company. E desde então, não parou mais.

Para quem nada mais fez em toda a sua existência, a não ser fingir que era os outros, Olivier não tinha da profissão a certeza em reconhecê-la generosa com seus praticantes. "Representar - escreveria em uma autobiografia - é basicamente, uma habilidade sem humor e é por isso que as pessoas como nós sofrem tanto".





Outras efemérides de 11 de julho:
1962 - Novo satélite revoluciona a TV
1973 – Incêndio causa acidente em avião da Varig

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10 de julho de 1980 - Dinah Silveira de Queiroz, enfim imortal

Dinah Silveira de Queiroz é imortal da ABL. Jornal do Brasil: Sexta-feira, 11 de julho de 1980.
"A Academia Brasileira de Letras é a nota 10 do intelectual". Esta foi a reação da escritora Dinah Silveira de Queiroz, após receber em sua casa, pelo telefone, a notícia de sua eleição. Concorrendo com Gustavo de Capanema pela vaga, agradeceu ao 23 votos que a escolheram.

Numa época em que já se falava tanto em igualdade dos sexos a ponto de poucos darem atenção ao assunto, uma batalha persistia numa frente inesperada: A Academia Brasileira de Letras, então um selecionado Clube do Bolinha, onde mulher, por mais credenciais que tivesse como escritora e intelectual, não entrava.

Conquistar este espaço foi a determinação de várias escritoras diante o desejo de vestir o fardão, mas um símbolo de persistência para a realização deste sonho de ser acadêmica foi Dinah da Silveira Queiroz. Por mais de 30 anos, a romancista, contista e cronista perseguiu seu sonho até se tornar a Sétima ocupante da Cadeira 7, eleita na sucessão de Pontes de Miranda.

Até este dia, uma mulher apenas fulgurava no rol dos acadêmicos da ABL: Rachel de Queiroz, irmã de Dinah, eleita em 4 de agosto de 1977.

Esta foi Dinah, caríssima Dinah!




Outras efemérides de 10 de julho:
1982: O adeus à alegria de Jackson do Pandeiro

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9 de julho de 1991 - 21 anos depois, a África do Sul volta ao COI

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 10 de julho de 1991.
A África do Sul foi readmitida no COI (Comitê Olímpico Internacional) em reconhecimento à revogação de leis do Apartheid, 21 anos após ter sido expulsa por segregação racial e ter ficado sem participar de Olimpíadas e outros eventos esportivos.

Juan Antonio Samaranch, presidente do COI, esclareceu que a África do Sul cumpriu as condições estabelecidas pela organização esportiva para a sua readmissão: abolição das leis de segregação racial, criação de uma estrutura esportiva multirracial unificada e normalização de relações com as entidades esportivas dos demais países africanos.

Os atletas locais comemoraram. A última medalha olímpica conquistada pelo país havia sido um bronze conquistado por um atleta branco, Malcon Spence, em 1960. Atletas negros não eram convocados em delegações sul-africanas às Olimpíadas desde 1904. A retomada da África do Sul ao COI assegurou a participação da delegação sul-africana já no ano seguinte nos Jogos Olímpicos de Barcelona, Espanha e nos Jogos de Inverno em Albertville, França.

O presidente do Conselho para os Esportes de Pretória Joe Ebrahim, entretanto achou a decisão precipitada. Naquela ocasião os sul-africanos negros ainda não tinham o direito político de votar, conquista que só se concretizaria 3 anos mais tarde, em 26 de abril de 1994.

Apesar da gravidade da questão política polemizada por Ebrahim, a volta da África do Sul ao cenário olímpico revitalizava as chamas da esperanças do povo sul-africano tão ávido de direitos de igualdade.



Outras efemérides de 9 de julho:
1932: A Revolução Constitucionalista
1935: Nasce Mercedes Sosa
1980: Morre Vinicius de Moraes, o poeta da paixão

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8 de julho de 2002 - E foi-se embora o Patativa do Assaré...

Morre Patativa do Assaré. Jornal do Brasil: Terça-feira, 9 de julho de 2002


Aos 93 anos, morreu em sua casa do Assaré, Cariri (CE), onde sempre viveu, Antônio Gonçalves da Silva, o popular poeta Patativa do Assaré. Em 1964, Luiz Gonzaga, ao ver Patativa recitar o A triste partida, decidiu musicar o poema e tornou o poeta conhecido nacionalmente.



Era de um olho desde os quatro anos de idade e aos oito ficou órfão de pai. Aos 10, já compunha versos com o domínio perfeito da métrica, embora fosse consciente das limitações de quem começa. "Fiquei com medo mas não recuei, decidi caprichar", lembrou ao conceder uma entrevista ao JB pouco mais de um ano antes de sua morte.

Homem da roça, como gostava de se afirmar, recebeu títulos de doutor honoris causa das universidades regional de Cariri, estadual e federal do Ceará e ainda da Universidade Tiradentes, de Sergipe. Foi autor de oito livros e gravou parte da sua obra em seis LPs e dois CDs. Entre as publicações mais populares estão a Inspiração nordestina (1956), O metapoema em Patativa do Assaré (1984), Ispinho e fulô (1988), Balceiro (1991) e Digo e não peço segredo. (2001). Se dependesse de Patativa, o seu sexto livro, o Balceiro 2 (2001) seria o último, e as flosas feitas com Geraldo Gonçalves da Silva, seu sobrinho e sucessor, permaneceriam no caderninho ou apenas na sua memória:"O que eu tinha a dizer, já disse, que é para o povo saber; quem não aprendeu é porque não quis", alegou o poeta.

A principal temática de Patativa era a seca, a terra onde vivia. Mas ele não deixava de fazer poesias bem-humoradas, contando histórias pitorescas da vida sertaneja. A política também nunca ficou distante de Patativa. Durante a ditadura, ele condenou os militares e chegou a ser perseguido. Era viúvo de Belarmina Paz Cidrão. Deixou oito filhos e a certeza de que o sertão brasileiro ficou mais bonito, depois que ele passou por ali.



Outras efemérides de 8 de julho:
1937: Eclode a Segunda Guerra Sino-Japonesa
1971: Terremoto destrói o Chile
1978: Tragédia: MAM do Rio arde em chamas

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7 de julho de 1967 - E o vento levou Scarlett O´Hara. Morre Vivien Leigh

Morre Vivien Leight, a Scarlet O´Hara de E o vento levou... Jornal do Brasil: Domingo, 9 de julho de 1967.

A atriz Vivien Leigh, 53 anos, morreu de tuberculose, em sua residência em Londres. Acamada há um mês, ela preparava-se para estreiar mais uma vez no teatro.

Dona de beleza estonteante, Vivien atinguiu o estrelato por acaso. Nascida na Índia em 5 de novembro de 1913, chegou à Inglaterra aos 7 anos para estudar num convento, experiência a qual alegava os atributos que contribuiriam à sua futura carreira artística: a memorização de textos e a pronuncia perfeita em diferentes idiomas.

Estreou no cinema em Things Are Looking Up (1934) e, enquanto filmava Fire Over England (1937), casou-se com o ator Laurence Olivier, formando um dos casais mais famosos da indústria do cinema. Foi durante uma visita a ele em Hollywood, que participou dos testes para viver Scarlett O´Hara, interpretação que lhe proporcionaria a conquista de sua primeira estatueta do Oscar como a protagonista de "Gone With The Wind" (1939). Foi seu auge. O filme, em que contracena com Clark Gable, logo se tornou um dos maiores clássicos do cinema em todos os tempos.


Ganhou um segundo Oscar por seu papel em "A Streetcar Named Desire" (1951). Durante mais de trinta anos como atriz, Vivien se mostrou bastante versátil em suas atuações, desde heroínas em comédias às personagens de dramas clássicos.

No início dos anos 60, a conturbada relação com Laurence chegou ao fim. Já com uma saúde frágil, decorrente de uma tuberculose, passou a conviver com crises cada vez mais frequentes de depressão.

Outras efemérides:
7 de julho de 1990 – Brasil se despede de Cazuza

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6 de julho de 1971 - Morre Louis Armstrong. Encerra-se um capítulo de ouro na história do jazz

Morre Louis Satchmo Armstrong. Jornal do Brasil: Quarta-feira, 7 de julho de 1971.

"He was born poor, died rich, and never hurt anyone along the way".
Duke Ellington

Louis (Satchmo) Armstrong morreu no início da madrugada, vítima de um ataque cardíaco, quando dormia em sua casa num distrito de Nova Yorque, dois dias após ter celebrado seu 71º aniversário e anunciado a volta às atividades artísticas. Encerrava-se assim um capítulo de ouro da história do jazz. Mas, segundo sua filosofia pessoal teria de ser assim: "Os músicos não se aposentam. Isto só acontece quando perdem a bossa... ou morrem. Então, a gente trata de arrumá-los direitinho e faz um baita cortejo fúnebre".

"O jazz e eu nascemos juntos e crescemos um ao lado do outro". Nada mais verdadeiro do que esta frase dita por Daniel Louis Armstrong. Nascido no dia 4 de julho de 1900, em Nova Orleans, era visto como a encarnação física do jazz. Inconfundível pelos olhos grandes e expressivos, a voz rouca, um pistom e seu lenço branco, foi o primeiro músico de jazz a projetar-se mundialmente, tornando-se um dos maiores nomes do gênero em todos os tempos. Trompetista, cantor e showman de grande personalidade, exerceu incalculável influência sobre os músicos de sua época.

Aos 13 anos, já tocava trompete e, aos 18, ingressou na orquestra de Kid Ory. Em 1924, aliou-se a orquestra de Fletcher Henderson, dando um importante passo a frente em sua carreira. Com o amadurecimento profissional, passou a formar seus próprios conjuntos - Hot Five e Hot Seven, gravando ao lado dos melhores da época, como Bessie Smith, Ma Rayney, Earl Hines e Sidney Bechet. Armstrong foi o criador do estilo hot do jazz e introduziu a figura do solista-virtuose, que se valia da criatividade acima da técnica dos demais integrantes da banda. Também foi pioneiro na prática do scat, imitação vocal dos instrumentos, no que seria imitado pelos novos jazzistas.

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5 de julho de 1922 - A Revolta dos 18 do Forte de Copacabana

Jornal do Brasil: 06 de junho de 1922

Em represália ao fechamento do Clube Militar e prisão do seu presidente, Marechal Hermes da Fonseca, jovens de diversos quartéis planejaram um movimento contra o Governo. Um deles, o capitão Euclides Hermes da Fonseca (filho do Marechal), comandante do Forte de Copacabana, com apoio do tenente Siqueira Campos, instruiu os seus comandados que se resguardassem, fazendo trincheiras e minando o terreno desde o portão do forte até o farol. Assim, estavam preparados para o movimento militar que eclodiria em diversos pontos da Cidade no início da madrugada do dia seguinte.

Contudo, informado a respeito da revolta, o Governo antecipou-se, fazendo a troca dos principais comandos militares na capital e coibindo a força militar do Forte de Copacabana que foi alvo de intenso bombardeio oriundo da artilharia da Fortaleza de Santa Cruz durante todo o dia 5 de julho.

Na madrugada do dia 6, o Ministro da Guerra, Pandiá Calógeras, telefonou ao Forte, exigindo a rendição dos rebeldes. O capitão Euclides Hermes e o tenente Siqueira Campos permitiram, então, a saída de todos aqueles que não quisessem combater. Poucos mantiveram-se em resistência. O capitão Euclides Hermes saiu ao encontro do Ministro no Palácio do Catete, onde recebeu voz de prisão. Os demais foram pressionados: ou a rendição ou o massacre.

O tenente Siqueira Campos, pressionado pelos remanescentes da tropa, tomou a decisão suicida: sairiam em marcha até ao Palácio do Catete, combatendo. No início da tarde do dia 6 de julho, iniciaram a marcha pela Avenida Atlântica. Um número até hoje não determinado se rendeu ou debandou. Restaram 18 militares revoltosos, vencidos no confronto final à altura da antiga rua Barroso (atual Siqueira Campos) pela tropa legalista com milhares de homens. Os tenentes Siqueira Campos e Eduardo Gomes, e dois soldados foram capturados feridos. Os demais faleceram em combate. Os soldados capturados morrem em conseqüência dos ferimentos recebidos.

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4 de julho de 1959 - Maria Esther Bueno conquista Wimblendon

Maria Esther Bueno é ouro em Wimblendon. Jornal do Brasil: Domingo, 5 de julho de 1959.

Lágrimas rolavam dos olhos de Maria Esther Bueno e de Darlene Hard – umas de alegria, outras de tristeza – assim que terminou o jogo em que a brasileira ganhou o título feminino de tênis do Torneio Internacional de Wimbledon, a mais antiga e importante competição de tenistas amadoras do mundo.

O céu estava limpo. Na quadra fazia um calor abafado de 28 graus. Maria Esther, na época com 19 anos, sentia-se em casa. A paulista, que usava um vestido curto e branco, enfeitiçou a todos com seu estilo agressivo e gracioso de jogar. Para muitos, Maria Esther parecia um cisne. A brasileira não precisou mais do que 43 minutos para derrotar a loura americana, numa partida assistida por 15 mil pessoas.

Nunca antes um sul-americano subira ao mais alto lugar do pódio, ocupado durante 22 anos por atletas norte-americanas.

Foi a melhor partida da minha vida”, anunciou ela logo após a disputa e prosseguiu: “Entrei em quadra para jogar com tranqüilidade e confiança. Considero, agora, que consegui o ajuste perfeito, a harmonização de todos os recursos de meu jogo”.

Esta foi apenas a primeira da série de vitórias importantes que fariam a brasileira ser considerada a maior tenista de todos os tempos. A notória carreira de Bueno foi encerrada praticamente em 1967, quando teve uma contusão no braço direito e precisou ser operada. Posteriormente, tentou voltar às quadras, porém não mais jogando da mesma forma como antigamente. A tenista foi a melhor do ranking mundial de tênis feminino de 1959 a 1966, tendo angariado 71 títulos no total.

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3 de julho de 1951 - Lei Afonso Arinos: Racismo é crime

Sancionada a Lei Afonso Arinos. Jornal do Brasil: Quinta-feira, 5 de julho de 1951

Foi sancionada a resolução legislativa que constituiu contravenção penal a prática de atos resultantes de preconceitos de raça ou de cor.

É a primeira lei brasileira a prever expressamente a incriminação de condutas relacionadas à discriminação por etnia ou por cor da pele.

A recusa por parte de estabelecimento comercial ou de ensino em atender ou receber cliente, comprador ou aluno, por preconceito de raça ou de cor, fará com que seja considerado agente de contravenção o diretor, gerente ou responsável pelo estabelecimento.

Recusar a alguém hospedagem em hotel, pensão, estalagem ou estabelecimento da mesma finalidade, por preconceito de raça ou de cor. Pena: prisão simples de três meses a um ano.

Recusar a venda de mercadorias em lojas de qualquer gênero, ou a atender clientes em restaurantes, bares, confeitarias e locais semelhantes, abertos ao público, por preconceito de raça ou de cor. Pena: prisão simples de quinze dias a três meses.

Impedir o acesso de alguém a qualquer cargo do funcionalismo público ou ao serviço em qualquer ramo das forças armadas, por preconceito de raça ou de cor. Pena: perda do cargo para o funcionário dirigente da repartição.

No caso de reincidência em estabelecimento particular poderá o juiz determinar a pena adicional de suspensão do funcionamento do estabelecimento por prazo não superior a três meses.

Conhecida como Lei Afonso Arinos (1.390/51), em homenagem ao jurista Afonso Arino de Melo Franco, que como deputado federal pelo Estado de Minas Gerais, apresentou o projeto de lei. Afonso Arinos foi um intelectual brilhante e um dos parlamentares mais importantes da nossa história republicana.

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2 de julho de 1923 - O centenário da liberdade baiana

Primeira página do Jornal do Brasil: Domingo, 1º de julho de 1923
"E eis que a data de que hoje se comemora o centenário da integração de nossa independência.

Ela representa a soma maior de esforços que os brasileiros precisaram empregar para a obtenção da autonomia.

Foram filhos bem amados todos os que por ela pelejaram e venceram
".
Jornal do Brasil

Quando o grito de D. Pedro I às margens do Rio Ipiranga ecoou proclamando a independência do Brasil, a Província da Bahia já se encontrava há meses de armas nas mãos lutando contra o domínio de Portugal, motivada pelo desejo federalista de emancipação. O conflito se prolongaria por mais um ano, até que as últimas tropas do Exército Colonial Português fossem expulsas do território baiano, consolidando assim a nossa independência territorial.

O potencial econômico do açúcar e do tabaco fizeram do Recôncavo Baiano, principalmente da Vila de Cachoeira, uma próspera região da Província, inspirando fortes ideais de liberdade em seu povo. A vontade coletiva culminou num ataque direto contra a capital, Salvador, então ocupada pelas tropas do Exército Português. Foram sucessivos embates e conflitos sangrentos. As hostilidades se intensificaram com a notícia da proclamação da independência vinda de São Paulo, o que inflamou os ânimos nacionalistas. Com o apoio do novo governo brasileiro, que despachou da Corte navios conduzindo tropas e suprimentos, o efetivo baiano ganhou corpo, e recebeu a adesão de outros efetivos e de voluntários. A manobra de reunião de forças, aliada ao bloqueio naval e terrestre de Salvador, tornou a posição do Exército Português insustentável. Impedido o seu suprimento, os portugueses foram forçados a capitular, abandonando a cidade. Era o triunfo nacional.

Três exemplos heróicos de determinação
Entre tantos anônimos determinados a lutar pela emancipação nacional, três mulheres se projetaram na guerra pela independência. Sóror Joana Angélica dirigia o Convento da Lapa e morreu assassinada a golpes de baioneta tentando impedir a passagem dos portugueses pelo local. Maria Quitéria, disfarçada de Soldado Medeiros, lutou como voluntária no Batalhão Voluntários do Príncipe, o Periquito. E Maria Felipa de Oliveira, negra, alta, corpulenta, liderou a resistência popular à invasão da Ilha de Itaparica. A ela é creditada o comando na queima de 42 embarcações da frota portuguesa na Praia do Convento.

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1º de julho de 1946 - Explode a primeira bomba atômica no Atol de Bikini

A primeira explosão no Atol Bikini. Jornal do Brasil: Terça-feira, 2 de julho de 1946.
"A Super Fortaleza B-29 que conduziu a bomba atômica para a experiência da encruzilhada levantou vôo sem qualquer contratempo loga às primeiras horas de hoje afim de atirar a bomba sobre a esquadra cobaia ancorada no atol de Bikini... Pouco depois do bombardeio gigantesco levantar vôo, o major Harold Wood - o bombardeador, declarou que esperava que acertar um impacto direto sobre o Nevada. Quando interrogado sobre se errasse o alvo, o major Wood respondeu apenas: Terei que procurar outro emprego". Jornal do Brasil

Numa manhã de segunda-feira de sol, o Atol Bikini, um arquipélago localizado no Oceano Pacífico, onde seus moradores consumiam peixe, frutos do mar, bananas e cocos, experimentava seu primeiro bombardeio nuclear. A quarta bomba atômica de que o mundo tinha conhecimento explodiu com um fulgor irradiante e multicolorido sobre a esquadra de setenta e três velhos navios de guerra, entre eles o encouraçado Nevada. Além da espessa nuvem esférica rosada, que logo assumiu o formato de um cogumelo e se prolongou céu acima num raio superio a 10 mil metros, os espectadores puderam conferir o incêndio a bordo dos alvos. Não houve onda excessiva de calor, nem terremoto. O cenário natural manteve-se intacto.

A Marinha americana qualificou o bombardeio como um conjunto de operações bem planejadas e executadas. O único senão da experiência foi a perda de um avião controlado pelo rádio que saiu do controle antes da bomba ser lançada. Não houve mortos nem feridos. Apenas um receio sobre os riscos de contaminação do pessoal exposto aos efeitos da radioatividade. Nada, entretanto, que pudesse impedir a sua execução.

Entre 1946 e 1958, 23 dispositivos nucleares foram detonados no Atol do Bikini. Os verdadeiros impactos desta experiência só seriam revelados ao mundo anos mais tarde, advindos principalmente pelo consumo dos produtos locais.

Em 2010, o Atol Bikini foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

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