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14 de dezembro de 1987 - A polêmica conquista do Brasileiro de 1987

Flamengo conquista Campeonato brasileiro de 1987. Jornal do Brasil: Segunda-feira, 15 de dezembro de 1987.

A festa que a torcida do Flamengo fez no Maracanã e nas ruas da cidade, depois da vitória de 1 a 0 sobre o Internacional, ficou acima de qualquer regulamento. Para a Confederação Brasileira de Futebol, o Flamengo foi campeão do módulo verde, para os torcedores o time foi tetracampeão brasileiro.

O Flamengo usou a inteligência, a habilidade e a classe para vencer. Bebeto marcou o gol aos 16 minutos do primeiro tempo, em um chute preciso. Antes mesmo do jogo acabar, rubro-negros já comemoravam o título gritando, cantando, pulando e chorando em todo o Maracanã. Um enorme clarão se abriu nas arquibancadas.

Assim que o juiz encerrou o jogo, a emoção que tomou conta de todos no Maracanã e tratou de impor o direito que a CBF insistiu em desprezar. Zico e o técnico Carlinhos ficaram abraçados. Carlinhos chorava. Zico sorria. Enquanto os jogadores do Flamengo corriam, ou se entregavam ao choro, os torcedores davam o tom legal ao campeão de fato. Bem ensaiada, a torcida entoava um coro harmônico, sem erro. "Cante comigo Mengão, acima de tudo rubro-negro".

Com a taça nas mãos, Zico correu, acompanhado por Renato, em direção aos torcedores, retribuindo com a própria voz a festa das gerais e arquibancada; “Mengôo, mengôo”. Foi um delírio.

Como deixar de reconhecer o mérito de campeão brasileiro a um time que, mesmo com seus altos e baixos, se destacou entre os melhores 16 de nosso futebol? Como apagar a eufórica vibração? Que se rasguem os papéis. Os torcedores proclamaram seu campeão, um campeão em que o tempo se encarregará de tornar de direito. Já foi assim, em 1979, quando o Flamengo foi bicampeão estadual do mesmo ano. Quem ousou tirar-lhe o tricampeonato (78-79)? Quem ousará tirar-lhe o tetra brasileiro?

O Campeonato Brasileiro da primeira divisão de 1987 foi disputado em dois grupos. O Sport foi campeão do Módulo Amarelo e o Guarani foi vice. O Flamengo foi o primeiro e o Internacional o segundo do Módulo Verde, também batizado de Copa União. O regulamento previa cruzamento entre os clubes dos dois módulos. Como Flamengo e Internacional se recusaram a jogar, Sport e Guarani venceram os adversários por "W.O.

No dia de fevereiro de 2011 o Flamengo foi reconhecido pela Confederação Brasileira de Futebol como hexacampeão brasileiro. A entidade decidiu validar a conquista nacional do clube polemizada de 1987. O Sport também foi mantido campeão daquele ano.

Veja a homenagem do CPDoc JB à conquista de 1987:

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28 de fevereiro de -1989 - Morre Aurélio Buarque de Holanda Ferreira

Morre Aurelio Buarque de Holanda. Jornal do Brasil: Quarta-feira, 1º de março de 1989.
"Fazer dicionários é como caçar borboletas. As palavras voam, é preciso caçá-las no ar". Aurélio Buarque de Holanda

Vítima do mal de Parkinson que sofria desde 1981, morreu o dicionarista e acadêmico Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, 78 anos, autor de um dos maiores sucesso da história editorial do Brasil: o dicionário Aurélio.

Por obrigações do ofício, Aurélio nunca se dava por satisfeito com as acepções dos seus verbetes. Para explicar o que era um dicionarista, por exemplo, por escrito, ele era curto: "Autor de dicionário, lexicógrafo". Mas, no meio de uma conversa, podia se esbaldar à vontade: "O ideal de todo lexicógrafo é ser um ficcionista, afinal, o que é criar a acepção de uma palavra, senão desandar pelo domínio da ficção?"

Quem conheceu este Aurélio alegre, sempre com um bom papo, no entanto, sabe que ele talvez se definisse melhor com a expressão "pescador de pérolas". Como bom alagoano, mestre Aurélio era apaixonado pelo mar. A paixão vinha desde os oito meses de idade, quando a família pobre, de pai comerciante modesto, se mudou da interiorana Passo de Camaragibe, onde nasceu Aurélio, a 3 de maio de 1910, para Porto das Pedras, de frente para o Oceano Atlântico. E sempre que os repórteres batiam à sua porta, com a incontornável missão de repassar a sua vida, ele ria, paciente, e não esquecia de mencionar um evento importante: tinha aprendido a nadar com 12 anos. Parecia um detalhe insignificante. Mas ele era assim. Apegado ao detalhe minúsculo que podia fazer diferença na definição de um verbete. Para definir Aurélio BUarque de Holanda Fereira, a presença do mar fez diferença.

O lexicógrafo Aurelio Buarque de Holanda.
O verbete que faltava
Num de seus célebres acessos de modéstia, Aurélio censurou no seu famoso dicionário, um verbete de uso amplamente dissiminado na língua portuguesa: aurélio. O que constar neste verbete? Sinônimo de dicionário, graças ao uso coletivo e anônimo, em reconhecimento à excelência do trabalho do lexicógrafo alagoano Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, autor do Novo dicionário da língua portuguesa.

Confira também:
12 de setmbro de 1957 - Fim da infinita agonia: Morreu José Lins do Rêgo

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27 de fevereiro de 1970 - Médici preserva AI5

Primeira página do Jornal do Brasil: Sábado, 28 de fevereiro de 1970.


Durante a primeira entrevista coletiva à imprensa como Presidente da República, quando apresentou seu projeto político à nação brasileira, Emílio Garrastazú Médici afirmou que era cedo para revogar o Ato Institucional nº 5, assim como considerou tardia a sua edição, pelo Presidente Costa e Silva, no dia 13 de dezembro de 1968. O descontentamento da opinião pública foi imediato. Comprometeu a atmosfera de otimismo e esvaziou a esperança brasileira de exercer, num futuro próximo, a democracia no país.


Depois de dizer que nunca afirmou que ao fim do seu Governo entregaria o país em pleno regime democrático, como alguns entenderam na primeira manifestação pública ao tempo em que foi indicado à presidência, Médici lembrou suas palavras àquela ocasião, ratificando que afirmou apenas sua intenção: "A plena democracia é ideal que, se em algum lugar já se realizou, não foi certamente no Brasil. Tomei parte na primeira Revolução, a de 1930, à procura desse ideal, e ainda não o vi".

A entrevista de Médici reacendeu a antiga questão da legitimidade da democracia na história do país. De aspecto precário e duração instável, essa experiência sempre esteve à margem de uma indubitável desigualdade social, refletida na exclusão da grande maioria da população brasileira ao ensino, emprego, saúde, alimentação e demais condições essenciais ao cumprimento da cidadania. E naquele momento, passava por outras renúncias: a das garantias individuais, que constituem a essência dos regimes constitucionais, e a das liberdades políticas que alimentam os ideais de democracia.

Era o prefácio da história sobre o período mais terrível do regime militar no Brasil.

Saiba mais sobre a entrevista do Médici acessando aqui o editorial do Jornal do Brasil de 28 de fevereiro de 1970.

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26 de fevereiro de 1937 - Prestes depõe em julgamento por crime de deserção

O julgamento de Prestes. Jornal do Brasil: 27 de fevereiro de 1937.

O Conselho Especial de Justiça, da Auditoria do Departamento do Pessoal do Exército, presidido pelo Coronel Francisco de Paula Faria Junior, reuniu-se no quartel da Polícia Especial para ouvir Luis Carlos Prestes, acusado de crime de deserção.

Em suas primeiras palavras, Prestes declarou que, preso há mais de um ano, não sabia o motivo de seu julgamento. A resposta veio do auditor que recapitulou todos os antecedentes do processo, entre eles a acusação de planejar e deflagar a Revolta Vermelha, conduzida pelo Partido Comunista.

Prestes não vacilou em sua observação: "A minha situação não permite que me defenda como quero. Tenho que aguardar que se passe este estado de guerra criado com uma Justiça que desconheço".

Por fim, Prestes recebeu a promessa de que lhe seria assegurada toda a amplitude de defesa, decidindo também o Conselho designar -lhe um advogado. Mas o réu parecia prever seu destino: "Sou comunista. Isto é público e notório. Liderei o movimento da Aliança Nacional Libertadora. Um advogado que me defendesse estaria comprometido".

Em 7 de maio daquele ano, Luis Carlos Prestes foi condenado a 16 anos e 8 meses de prisão.

Confira também:
12 de março de 1935 - A curta legalidade da ANL
24 de novembro de 1935 - A Intentona Comunista
5 de março de 1936 - A prisão de Prestes e Olga
18 de abril de 1945 - Vargas concede anistia a presos e exilados
7 de março de 1990 – A última viagem do Cavaleiro da Esperança

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25 de fevereiro de 1983 - Tennessee Williams, ousado, escandaloso e fascinante

A morte de Tennessee Williams. Jornal do Brasil: Sábado, 26 de fevereiro de 193.

"O que significa ser um escritor? Eu diria que significa ser livre" - disse Tennessee Williams em suas Memórias publicadas em 1975. Segundo o famoso dramaturgo americano - autor de peças como Um Bonde Chamado Desejo, Gata em Telhado de Zinco Quente, De Repente, no Último Verão e O Doce Pássaro da Juventude - essa necessidade de ser livre só deveria extinguir-se com a morte, que para ele chegou, solitariamente. Thomas Lanier Williams, 71 anos, foi encontrado morto, num quarto de hotel em Nova Yorque, vítima de um ataque cardíaco.

Ironicamente, um cenário muito diferente do que o cercou por quase toda vida. Por ocasião do lançamento das Memórias, Williams revelou que, de início, pretendia dar a elas um título bem menos curto e direto: Flee, Flee, This Sad Hotel (Fuja, Fuja, Deste Triste Hotel), tirado de um poema de Anne Sexton. Mas mudou de ideia: _ Minha vida - explicou - tem muito mais de uma alegre taberna do que de um triste hotel. Meu Deus! Tenho dado boas gargalhadas.

Como quase tudo que tinha escrito até então, as 300 páginas de seus relatos autobiográficos provocaram alguns escândalos. Não tantos nem tão explosivos como os causados por suas peças, obras que, dentro do seu conceito de liberdade - o ato de escrever permanentemente conjugado à necessidade de ser livre - abalaram as estruturas conservadoras e moralistas do teatro americano dos anos 40 e 50. Seja como for, tais memórias mexeram com muita gente.

_Sei que este livro vai incomodar um punhado de pessoas - previa ele, mais divertido que preocupado. _Mas não me importo nem um pouco.

Williams já estava habituado a ver seu nome associado a escândalos. E realmente não se importava. No teatro e no cinema (quase todas as suas peças foram adaptadas para a tela), foi um autor mais do que ousado para a época. Sexo e violência se misturavam com frequência em suas histórias. E muitos temas polêmicos iam sendo abordados por ele nos palcos quase sempre bem comportados da Broadway. Mas Williams escandalizou tanto quanto fascinou suas plateias. E acabou transformando-se no mais aclamado autor de sua geração. Colecionou prêmios, fez fortuna, pôde esquecer o seu difícil começo de vida. Ou não. _Nada se esquece. Principalmente o que nos faz sofrer.

Tennesee Williams, que os amigos definiam como gentil, simpático, leal, quase sempre bem humorado, criou uma obra teatral em torno da violência e da repressão sexual. Nos últimos anos, o sucesso o abandonou.

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24 de fevereiro de 1972 - O incêndio do Edifício Andraus

O incêndio do Edifício Andraus. Jornal do Brasil: Sexta-feira, 25 de fevereiro de 1972.
Mais de 10 pessoas morreram e outras 400 ficaram feridas durante o incêndio que destruiu os 26 andares do Edifício Andraus, na Avenida São João, na capital paulista e parou São Paulo numa quinta-feira à tarde.

O fogo, que começou no segundo andar, em poucos minutos consumiu todo o prédio, destruiu lojas e escritórios. Encurraladas, cerca de 300 pessoas se dirigiram para o heliporto, no terraço, de onde acabaram resgatadas. Contagiadas pelo pânico, algumas não aguentaram a espera pelo socorro e na tentativa de fuga para os edifícios vizinhos, acabaram despencando do alto do terraço.

São Paulo mobilizou todos os recursos, inclusive helicópteros, para realizar a maior e mais dramática operação de salvamento da história da cidade. Bombeiros, soldados da Polícia Militar e populares somaram seus esforços para socorrer centenas de vítimas do incêndio do Edifício Andraus, que em poucas horas foi transformado num esqueleto disforme de cimento e ferragens.

O incêndio do Edifício Andraus foi uma das primeiras tragédias transmitidas ao vivo pela televisão brasileira. Os registros chocaram o mundo e suscitaram as primeiras discussões sobre segurança em edifícios, o que era negligenciado até então.



Confira também:
1º de fevereiro de 1974 - O incêndio do Edifício Joelma
11 de dezembro de 1981 – Incêndio consome prédio no Centro do Rio
17 de fevereiro de 1986 - Fogo e desespero no Edifício Andorinhas

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23 de fevereiro de 1942 - O suicídio de Stefan Zweig

"Antes de deixar a vida por minha própria vontade, quero cumprir o meu último dever, qual o de agradecer profundamente a este país magnífico, o Brasil, que me deu tão amável acolhida. Cada dia que aqui passei, mais amava este grande país e em nenhum outro, além dele, poderia ter a esperança de refazer a minha vida. Depois que eu vi o país da minha própria língua soçobrando e minha pátria espiritual - a Europa - destruindo-se a si própria, e quando alcanço 60 anos de idade, seriam necessários esforços imensos para reconstruir a minha vida, e a minha energia está esgotada pelos longos anos de peregrinação..." Stefan Zweig

Jornal do Brasil: Terça-feira, 24 de fevereiro de 1942 - página 6


O último capítulo da vida de Stefan Zweig chegou ao fim. O escritor foi encontrado morto em sua residência na cidade de Petrópolis, estado do Rio de Janeiro. Estava em companhia da sua esposa, que o acompanhou na felicidade, no exílio, e no suicídio por excesso de barbitúricos. Foram vencidos pela desesperança no futuro da humanidade, resultante da barbárie que envolvia o mundo no auge da Segunda Guerra Mundial.

O grande biógrafo e historiador austríaco, asilado da sua pátria desde a anexação da mesma pelo Reich, nasceu na cidade de Salzburg. De ascendência judáica, foi pacifista e crítico do nazi-fascismo. Chegou ao Brasil em 1941, onde encontrou uma realidade totalmente distinta da que vivenciara e da qual fugira na Europa. Desenvolveu uma profunda simpatia no país, como documentou em sua obra Brasil, país do futuro.

Aqui, concluiu seu último trabalho, um lançamento póstumo: O mundo que eu vi, memórias do escritor em capítulos que refletem os embates dos mais nobres sentimentos humanos com a realidade europeia ao longo da sua vida.

O homem, seu destino e a História
Zweig enriquecia suas biografias com documentos, dotando-as de feições históricas legítimas. Maria Antonieta, Napoleão Bonaparte e Joseph Fouché são obras que retratam o seu tema preferido.

Stefan Zweig. Rerpodução/CPDoc JB
Refletem com perplexidade sobre o valor do homem em confronto com o seu destino, e os caminhos tortuosos da História: o primeiro pela tragédia de ter sido a rainha sacrificada pela Revolução; o segundo pelas realizações guiadas pelo sonho de dominar o mundo; e o terceiro pela carreira improvável que lhe possibilitou permanecer no poder ao longo de toda a Revolução e a até o fim da Era de Napoleão.

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22 de fevereiro de 1998 - O desabamento do Palace II

Desabamento do Palace 2. Jornal do Brasil: Segunda-feira, 23 de fevereiro de 1998.

"O prédio de 176 apartamentos levou junto, além de oito pessoas, o sonho da casa própria e a história de vida de dezenas de famílias de classe média, cujos mais simples referenciais jazem hoje sob as toneladas de concreto podre e outros materiais de baixa qualidade usados na construção". Jornal do Brasil.

Uma coluna de 22 andares de um prédio de apartamentos desabou durante a madrugada no Condomínio Palace da Barra da Tijuca, matando oito pessoas e deixando 150 famílias desabrigadas. A tragédias poderia ter sido pior, não fosse a atitude do Coronel Bombeiro Marcos Silva, que saiu durante a madrugada, batendo nos apartamentos e avisando os vizinhos para descerem de suas casas.

No dia seguinte, diante dos escombros, moradores relembravam o desespero para fugir de suas casas. O desabamento deixou muita gente desamparada, mas indignação e revolta eram os sentimentos mais latentes.

A Construtora Sersan, do então deputado federal Sergio Naya, atribuiu o desabamento a uma possível sobrecarga ocasionada por algum proprietário que em seu apartamento estivesse realizando obras fora das especificações. A nota da empresa revoltou os donos dos 44 apartamentos destruídos.

Uma semana depois, o juiz Jessé Torres, da 2ª Vara da Fazenda Pública decidiu pela implosão. E no dia 28 de fevereiro de 1998, bastaram cinco segundos e 25 quilos de dinamite para derrubar os 110 apartamento que restavam do edifício, transformando sonhos em pó e escombros.

Veja aqui mais fotos da tragédia:


Confira também:
4 de março de 1998 – PPB expulsa o deputado Sérgio Naya

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21 de fevereiro de 1972 – Nixon vai à China reatar laços diplomáticos

Jornal do Brasil, 22 de fevereiro de 1972

O presidente dos Estados Unidos Richard Nixon se reuniu com o presidente da China Mao Tsé Tung, na capital Pequim, para colocar fim aos 22 anos de hostilidades entre os dois países. Na manhã do dia 21, Nixon chegou à China a convite do governo chinês para iniciar as negociações desta reaproximação diplomática. A cerimônia de recepção a Nixon foi tão fria quanto a temperatura de um grau que fazia na cidade. Sem festividade, Nixon foi recebido pelo Premier Chou En-lai, que aceitou o aperto de mão oferecido pelo governante. Logo depois, Nixon se encaminhou para a casa de Mao Tsé Tung para uma reunião sigilosa e simples, que seria seguida de um banquete no Grande Salão do Povo de Pequim.

No banquete noturno em que se encontravam os presidentes e suas respectivas comitivas, além da imprensa, o Premier Chou En-lai manifestou o desejo de estabelecer com os Estados Unidos relações diplomáticas normais. Nixon, por sua vez, propôs aos chineses que construíssem junto aos americanos um “mundo novo e melhor”.

“Desejo estender, em nome do povo chinês, cordiais saudações ao povo do outro lado do grande oceano. A visita do Presidente Nixon a nosso país a convite do governo chinês, proporciona aos dirigentes de ambos os países a oportunidade de se reunirem para procurar a normalização das relações entre as duas nações, e trocar pontos de vista sobre questões que preocupam as duas partes”, declarou Chou En-lai ainda no banquete, que foi televisionado para os Estados Unidos.

Para retribuir as saudações, Nixon proferiu um belo discurso no qual reafirmou a vontade de restabelecer boas relações com a China: “O que dissermos não durará muito, mas o que fizermos poderá modificar o mundo. Se nossos povos forem inimigos, o futuro da humanidade será sombrio, mas se pudermos encontrar um terreno comum de entendimento, serão inúmeras as possibilidades de paz”.

Os encontros do dia 21 serviram como início de contatos. As conversações sobre os problemas internacionais (sobretudo a questão da Indochina) tiveram lugar nos cinco dias seguintes, tempo em que Nixon permaneceu no país. As relações diplomáticas com a China, rompidas décadas antes com a criação do pacto de aliança entre China e União Soviética (principal inimigo norte-americano no quadro da Guerra Fria), foram reestabelecidas com base em cinco princípios fundamentais: respeito à soberania e integridade territorial das nações, não agressão mútua, não interferência em assuntos internos, igualdade mútua e coexistência pacífica.

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20 de fevereiro de 1973 - Brasil e Venezuela ratificam amizade

Jornal do Brasil, 21 de fevereiro de 1973


Os Presidentes Garrastazu Médici e Rafael Caldera ratificaram a amizade que une os dois países ao assinarem uma declaração conjunta de 27 itens e um acordo básico de cooperação técnica. O encontro aconteceu na ponta da fronteira entre os dois países assinalado pelo marco BV-8, a cidade de Pacaraima, a 1050 metros de altitude e a 200 quilômetros de Boa Vista. Em seguida reuniram-se na cidade venezuelana de Santa Elena de Uairen, a pouca distância da fronteira e a 1500 quilômetros a Sudeste a Caracas.

Foi de grande importância histórica, principalmente porque marcou o primeiro encontro dos dois presidentes, destinado a alicerçar a cooperação entre os povos e a declaração de que estarão interligados brevemente por um conjunto de rodovias entre Brasília e Caracas.
Também foi assinado um convênio básico de cooperação técnica para estimular a pesquisa científica e o desenvolvimento social e econômico dos dois países.

O Chanceler brasileiro negou-se a comentar o problema da unificação das bacias do Orenoco, Amazonas e Prata.
A política externa brasileira do Presidente Médici procurava a aproximação com os países vizinhos e a conquista de mercados para a expansão da exportação de produtos manufaturados.

A importância da unidade continental

A intensificação do comércio exterior em 1973 acarretou um aumento das atividades brasileiras na área diplomática. Neste encontrou, destacou-se uma solidariedade pluralista entre as nações latino-americanas a fim de ocupar os vazios demográficos e promover o seu desenvolvimento com o intercambio de know-how.
O empreendimento de maior vulto do governo brasileiro nesse ano seria a concretização do acordo entre o Brasil e o Paraguai, em agosto, onde os dois países ratificaram o tratado de Itaipu para a construção da hidrelétrica.

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19 de fevereiro de 1972 – Primeira transmissão pública de TV a cores no Brasil

Jornal do Brasil, 20 de fevereiro de 1972


A Festa da Uva, evento popular do Rio Grande do Sul, foi a escolhida para estrear a transmissão pública de TV a cores no Brasil. O então Presidente Médici inaugurou o evento, cuja transmissão foi comandada pela TV Difusora de Porto Alegre, e difundida pela Embratel para todo o país. A visita do presidente Médici à Festa da Uva durou uma hora, o tempo de exibição do evento a cores. O desfile de carros alegóricos, cuja realização esteve ameaçada até o último momento, contou toda a história da colonização italiana no Rio Grande do Sul. Foram ao todo 42 carros.

No Rio de Janeiro, milhares de pessoas se reuniram em frente a lojas de eletrodomésticos nas quais televisores a cores estavam ligados, para assistir à Festa da Uva. No estado, havia apenas 200 televisores particulares capazes de receber o sinal colorido no dia da estréia, o que fez com que as lojas de eletrodomésticos aproveitassem a ocasião para fazer propaganda do novo produto e assim aumentar as vendas. O que mais surpreendeu quem nunca tinha visto o novo aparelho, foi que, em alguns modelos, as antenas captadoras de sinal tinham sumido. Alguns dos novos televisores já possuíam antena interna. Em outras cidades, o mesmo fenômeno aconteceu. Em certos municípios alguns prefeitos chegaram a comprar aparelhos e colocá-los em praça pública para que a população tivesse acesso à novidade.

Na Embratel, os técnicos tiveram que enfrentar uma delicada situação: explicar para dezenas de pessoas que telefonaram, que não era possível receber imagens a cores num aparelho convencional, que exibia as imagens em preto e branco. As ligações telefônicas ocorreram porque a empresa divulgou um número de telefone durante a festa para que telespectadores comentassem a qualidade do sinal recebido em suas casas, tendo informado que os comentários, nesse sentido, foram em sua maioria positivos.

A transmissão da Festa da Uva foi o marco inicial da TV a cores no Brasil. Depois disso, as emissoras de televisão correram para se ajustar ao novo padrão e, em março do mesmo ano, inauguraram oficialmente suas programações coloridas.

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18 de fevereiro de 1986 - Samba chora a morte de Nelson Cavaquinho

Jornal do Brasil - 19 de feveiro de 1986

Um dos mais importantes criadores de sua geração, cantor, compositor e instrumentista, Nelson Cavaquinho morreu uma semana depois de comemorar a vitória da Mangueira no carnaval.

Artista boêmio, Nelson foi uma espécie de menestrel moderno, conhecido de toda a cidade, que percorria de botequim em botequim, cantando seus sambas. Começou a tocar cavaquinho aos 17 anos de idade e trocou a profissão de policial para viver do samba. Em Mangueira, fez o seu primeiro samba, Entre a Cruz e a Espada, e trocou o cavaquinho pelo violão, mas não abandonou o modo de tocar com o polegar e o indicador que sempre impressionou músicos de renome. Nunca mais parou de compor.

O primeiro sucesso foi Rugas (1946), com Augusto Garcez e Ari Monteiro, mas a fama maior viria mesmo na Mangueira, na qual entrou em 1952.

Nelson compôs com Cartola e com uma infinidade de parceiros, na maioria fictícios (entraram apenas com o nome). Um, se transformaria em sua alma gêmea: o mecânico de máquinas de calcular Guilherme de Brito, boêmio e seresteiro, pintor primitivo e poeta da mesma escola Nelsoniana. Nelson e Guilherme se encontraram em 1946, num botequim do subúrbio de Ramos. Nelson vivia o auge da mais destemperada boêmia: dias inteiros, semanas até, de bar em bar, sem aparecer em casa. Foi um casamento musical à primeira vista, uma união artística de 40 anos responsável por muitos dos melhores sambas já feitos. Alguns exemplos são: A Flor e o Espinho, Luto, Pranto de Poeta, Folhas Secas, Depois da Vida, Quando eu me Chamar Saudade.

Guilherme, boêmio mais moderado, tentou levar Nelson pelos caminhos de uma carreira menos atípica. Em vão, apesar de algumas concessões de Nelson, que nos últimos anos concordou em aproximar-se timidamente do mercado.

Apesar da grande produção artística, Nelson Cavaquinho deixou apenas dois LPs e teve algumas composições gravadas por intérpretes como Elizete Cardoso. Era um rebelde a seu modo, um verdadeiro artista do povo em estado puro. Queria apenas ver a sua arte cantada. Queria, sobretudo cantá-la ele próprio.

Aqui uma homenagem ao grande poeta:


Confira também:
30 de setembro de 1980 - Cartola, um vazio se fez no samba

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17 de fevereiro de 1986 - Fogo e desespero no Edifício Andorinhas

Primeira página do Jornal do Brasil: Terça-feira, 18 de fevereiro de 1986
Um incêndio, que começou no 9º andar, destruiu o Edifício Andorinhas, antigo prédio comercial no Centro do Rio. Foram registrados cerca de 50 feridos e confirmadas 21 mortes.

Embora tenham chegado ao local poucos minutos após o início do fogo, os bombeiros enfrentaram grandes dificuldades para controlar as chamas.

Água escassa, escadas inadequadas para a altura do prédio, assim como falta de equipamentos prejudicaram a ação da corporação, que demorou cerca de cinco horas para controlar a situação.

As cenas mais dramáticas aconteceram nas janelas que davam para o pátio interno do Andorinhas. Para lá, voltaram-se olhares aflitos de curiosos que acompanhavam o desespero de duas vítimas. Apesar dos insistentes apelos para que não desistissem, ambos jogaram-se do alto do 12º andar. Um homem foi o primeiro a pular morrendo no choque contra o chão. Em seguida, uma mulher saltou e caiu sobre um dos carros de bombeiros. Algumas pessoas esconderam o rosto para não ver as quedas, mas não puderam evitar ouvir os gritos de desespero e o barulho dos corpos.

A tragédia poderia ter sido maior. As primeiras chamas foram registradas no horário do almoço, durante o intervalo do expediente, e muitas pessoas que trabalhavam lá estavam ausentes do edifício.

Bravura supera impotência

Incêndio no Andorinhas. Luiz Morrier/CPDoc JB
Uma multidão acompanhou a exibição da incapacidade da Corporação dos Bombeiros do Rio para combater grandes incêndios em edifícios. Mangueiras se rompiam, bombas d´água não funcionavam, jatos d´água não tinham força para atingir os andares em chamas, hidrantes estavam secos, não havia cama elástica nem megafones para prestar instruções às vítimas e curiosos. Enfim, o que de real havia eram apenas a garra e a vontade de cada soldado em apagar um incêndio e salvar vidas sem dispor das mínimas condições para isso.

Confira aqui o editorial da edição de 18 de fevereiro de 1986: "Padrão de Insegurança".

Confira também:
1º de fevereiro de 1974 - O incêndio do Edifício Joelma
11 de dezembro de 1981 – Incêndio consome prédio no Centro do Rio

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16 de fevereiro de 1936 - Frente popular vence eleições espanholas

16 de fevereiro de 1936


As eleições democráticas espanholas de fevereiro de 1936 terminaram por conceder à Frente Popular, uma frente de esquerda, apoiada por forças comunistas e anarquistas, a maioria das cadeiras (225) no Parlamento da Espanha, o que impossibilitou a reeleição do então Chefe de Governo, Portela Valadares, candidato da frente de direita.

“Os resultados apurados mostraram uma diferença de 25 mil votos a favor das esquerdas. Assim, a vitória da Frente Popular está assegurada”, informou o serviço de imprensa da Frente, enquanto a população aguardava ansiosa pelo resultado da apuração.

Na manhã do dia seguinte, milhares de pessoas foram às ruas da capital, Madrid, reivindicando a libertação de presos políticos. Na época, milhares de militantes que protestaram contra o governo da Confederação das Direitas Autônomas (CEDA), foram detidos pela polícia. A Frente Popular, em sua campanha eleitoral, conseguiu o apoio dos grupos anarquistas, sob a promessa de declarar anistia política caso vencesse.

Temendo as manifestações, o presidente Alcalá Zamora decretou estado de sítio em todas as províncias espanholas. “O dia correu em calma. Foram provocados incidentes pelos eleitores esquerdistas, dos quais não se poderia esperar outra atitude. Em Lugo, desordeiros contratados pela Juventude da Ação Popular provocaram conflitos. Faço questão de acentuar que todas as violências, vindas de onde vierem, serão reprimidas”, declarou o Presidente da República.

A Frente Popular escolheu o líder da esquerda republicana, Manuel Azaña, para formar o novo governo. Em maio o Chefe do Governo Azaña uniu forças para destituir Alcalá Zamora, e assumiu a Presidência da República. O Exército e as forças direitistas derrotadas não se conformaram com o resultado das eleições e a ascensão de Azaña ao poder. Assim, em julho desse mesmo ano deflagraram um golpe militar que deu início à Guerra Civil Espanhola – conflito sangrento que durou três anos, e terminou com com a vitória do general Francisco Franco, o qual governou a Espanha como ditador pelos 36 anos seguintes.

Confira também:
1º de abril de 1939 - Franco vence a Guerra Civil Espanhola

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15 de fevereiro de 1990 - Argentina e Inglaterra reatam relações diplomáticas

Inglaterra e Argentina retomam relações diplomáticas. Jornal do Brasil: 16 de fevereiro de 1990.

Argentina e Inglaterra reataram relações diplomáticas, rompidas desde a Guerra das Malvinas, quando a Argentina tentou tomar as ilhas à força do poder britânico. A decisão foi tomada a partir de negociações entre representantes dos dois países, realizada em Madri. A notícia foi dada simultaneamente em Londres e em Buenos Aires. Com o reatamento, a Inglaterra suspendeu a zona de execução militar de 150 milhas em torno do arquipélago, onde era proibida a passagem de aviões e navios argentinos.

O acordo celebrado estabeleceu uma série de medidas preventivas contra incidentes militares para os dois países, previstas para entrar em vigor no dia 31 de março do mesmo ano. Entre elas: a livre circulação de navios e aviões argentinos e ingleses, comerciais ou militares, no Atlântico Sul; o estabelecimento de um sistema mútuo de informação sobre movimento de tropas e embarcações de guerra na região. Para favorecer o clima de confiança entre os dois países, também ficou definida a troca de informações para preservação e conservação pesqueira, e sobre segurança de navegação. O acordo previu ainda facilidades para que os familiares de combatentes abatidos na guerra enterrados no cemitério de Malvinas pudessem visitar seus túmulos.

As negociações não tocaram no ponto central da discórdia: a sobrania das ilhas - Malvinas para argentinos e Falklands para os ingleses.

Em 14 de junho de 1982, o general Jeremy Moore, comandante da força-tarefa britânica, retomou as Ilhas Malvinas, 74 dias após a ocupação argentina, dando, de lambuja, um golpe certeiro na ditadura inimiga. Em Buenos Aires, o general Leopoldo Galtieri, terceiro presidente militar, não esperava uma reação tão dura de Londres, ao vislumbrar no conflito uma forma de distrair a nação de seus graves problemas econômicos. Na noite da invasão argentina em abril, na Praça de Maio, a multidão reunira, como era seu desejo, governistas e oposicionistas, numa comunhão só possível com a conquista das Malvinas. A euforia nacionalista, entretanto, esbarraria num saldo bélico assustador, que incluiu 625 mortos e desaparecidos, 926 feridos e nada menos de US$ 7 bilhões investidos em recursos materiais.

Confira também:
2 de abril de 1982 – Argentina ocupa as Malvinas
24 de abril de 1982 — Os ingleses nas Malvinas

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14 de fevereiro de 1989 - Sentenciado de morte autor dos Versos Satânicos

Salman Rushdie sentenciado a morte. Jornal do Brasil: Quarta-feira, 15 de fevereiro de 1989
O líder espiritual do Irã, aiatolá Khomeini decretou contra o escritor indiano naturalizado inglês Salman Rushdie uma fatwa - sentença de morte. Rushdie foi acusado de blasfemar contra o islamismo no romance Os Versos Satânicos, que acabara de publicar, desencadeando uma onda de protesto no Paquistão e na Índia. A ameaça de morte se estendeu a todos envolvidos na publicação do livro no Ocidente. "Peço a todos os muçulmanos que os executem onde quer que estejam", conclamou Khomeini em mensagem transmitida pela rádio de Teerã.

Salman Rushdie, morando em Londres, pediu proteção à polícia e cancelou a viagem que faria aos Estados Unidos na próxima semana para divulgar seu livro. Rushdie, que nasceu de uma família muçulmana na Índia, lamentou que a maioria das pessoas que atacam o livro nem o tenha lido.

O líder religioso chegou a oferecer US$ 3 milhões ao iraniano que matar o escritor. Se o assassino for estrangeiro, a recompensa, que seria paga pela instituição Cinco de Julho, cairá para US$ 1 milhão.
Foi até decretado luto oficial para esta data em protesto contra o livro. Os protestos contra Versos Satânicos estouraram no Paquistão e na Índia onde os manifestantes queriam impedir a já anunciada publicação do livro nos EUA.

O romancista viveu escondido, durante uma década, sob proteção da polícia britânica. Acabou se tornando uma figura política, ao assumir o papel de porta-voz em todo tipo de campanha pelas liberdades civis. Em 1998, depois de muita pressão internacional, o Irã finalmente retirou a condenação contra o escritor. Mesmo vivendo virtualmente como um prisioneiro, Salman Rushdie continuou escrevendo livros e ensaios.

A Polêmica e fantástica obra de ficção

Com um estilo narrativo que mescla o mito e a fantasia com a vida real, o romance despertou a ira dos muçulmanos quando narra de uma maneira realista, episódio da vida do profeta Maomé. A história começa quando um avião, procedente da cidade indiana de Bombain, é explodido por terroristas da seita sikh e se desintegra no ar sobre o canal da Mancha, a 29 mil pés de altitude. Milagrosamente, dois passageiros indianos chegam vivos à terra. Após esta fantástica chagada à Inglaterra, os dois personagens descobrem que sofreram estranhas transformações além de interpretar as palavras de Alá, deus do muçulmano.

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14 de fevereiro de 1980 - Encouraçado Potenkim é liberado

Liberado sem cortes o Encouraçado Potenkim. Jornal do Brasil: 15 de fevereiro de 1980

O Conselho Superior de Censura liberou sem cortes, com proibição para menores de 10 anos, o filme Encouraçado Potenkim, do cineasta russo Sergei Eisenstein. O conselheiro Pompeu de Souza informou que o clássico do cinema ficou anos fora do circuito de exibição sem que houvesse qualquer motivo que justificasse o veto. Pompeu acrescentou que no processo de liberação estavam anexados requerimentos, procurações, licenças de importação, pedidos de cineclubes. "só não havia qualquer parecer de censores sobre o filme", observou.

O Encouraçado Potenkim foi rodado em 1925, para homenagear o regime bolchevique, já então liderado por Stalin.

O filme se baseia em fatos reais e conta a história da revolta da tripulação de um navio de guerra russo, em 1905, que sofria maus tratos por parte dos comandantes. A rebelião eclodiu quando os oficiais deram aos marinheiros carne pobre para comer. A embarcação estava ancorada no porto de Odessa, cidade russa às margens do mar Negro. A população da cidade apoiou os amotinados, e um grande número de pessoas se dirigiu ao cais, levando alimentos. A guarda imperial do czar reprimiu violentamente a manifestação. A cena mais famosa do filme foi realizada nas escadarias da cidade de Odessa, quando um carrinho de bebê escorrega pelos degraus sob os disparos efetuados pelos policiais, e um marinheiro arrisca a vida e consegue salvar a criança.

Serguei Eisenstein foi um inovador, praticamente o inventor da técnica da montagem cinematográfica. Influenciou grandes cineastas ocidentais como Orson Welles, Jean Luc Godard, Brian de Palma e Oliver Stone. Eisenstein fez poucos filmes, mas a exemplo do Encouraçado Potenkim, Outubro, Alexandre Nevisk e Ivã, o terrível, tornaram-se clássicos do cinema pelas cenas de impacto com multidões, que são copiadas até hoje. Eisenstein teve atritos com Stálin e deixou a Rússia para filmar da Metro-Goldwin-Mayer (MGM), mas os seus projetos em Hollywood não tiveram êxito. Retomou os trabalhos na Rússia onde morreu de enfarte.

Censura libera outros filmes
Além do Encouraçado Potenkim, o Conselho Superior de Censura liberou, com proibição para menores de 18 anos, os filmes Emmanuele, A verdadeira, Uma virgem raptada e violentada, e Bordel. Esses filmes poderiam ainda ser vetados pelo Ministro da Justiça. Caso houvesse recurso no prazo de 15 dias por parte qualquer pessoa, entidade ou pelo Departamento de Polícia Federal, a exibição dos filmes poderia ser suspensa. O Diário de uma adolescente foi liberado pelo Conselho com censura até 14 anos.

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13 de fevereiro de 1967 - Em vigor o Cruzeiro Novo

É lançado o Cruzeiro Novo. Jornal do Brasil: Domingo, 12 de janeiro de 1967.


O retorno das operações bancárias um dia depois do lançamento do cruzeiro novo foi confuso. As retiradas de dinheiro, e as trocas de moedas estrangeiras provocaram grande movimento nas agências. Os clientes queriam fazer os saques na nova moeda, mas o Banco Central ainda não havia feito a distribuição das notas. A troca da cédula antiga pela nova só podia ser feita através da rede de bancos.
Para se transformar em cruzeiro novo, o cruzeiro perdeu três zeros. As cédulas de CR$ 1, 2 e 5 e as moedas perderam o valor e foram recolhidas. As notas de 10 mil, 5 mil, 1 mil, 500, 100, 50 e 10 cruzeiros passaram a valer respectivamente 10, 5, 1 cruzeiros novos, e 50, 10, 5 e 1 centavos. As novas cédulas com valores mais altos passaram a circular só um ano depois da mudança.

Em algumas vitrines os preços eram exibidos em cruzeiros novos e antigos "como forma educativa", de acordo com a recomendação do governo. Muitos comerciantes especialmente os de alimentos aproveitaram a ocasião para arredondar os valores das mercadorias para cima e outros reclamavam do curto espaço de tempo para se adaptar ao novo padrão. A mudança gerou desconfiança e piadas. Os vendedores de uma loja de roupas do Centro do Rio anunciaram a maior uma liquidação de todos os tempos, com camisas de CR$ 15 mil a NCR$ 14. O novo era dito em voz baixa.

O cruzeiro novo foi criado durante a ditadura militar, no governo do marechal Castelo Branco, como medida para conter a inflação. O padrão monetário ficou em vigor até maio de 1970, quando o Conselho Monetário Nacional determinou o retorno à designação cruzeiro.

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12 de fevereiro de 1968 - Teatro nas ruas contra a Censura

Artistas se reunem no Rio em manifesto contra a Censura no Teatro. Jornal do Brasil: Terça-feira, 13 de fevereiro de 1968

O movimento de protesto contra a Censura, levou a classe teatral brasileira à decretação de uma greve de 72 horas no Rio e em São Paulo. Profissionais do teatro e do cinema, escritores, arquitetos e artistas plásticos, munidos de faixas e cartazes concentraram-se nas escadarias do Teatro Municipal, na Cinelândia, Rio de Janeiro. O povo reagiu favoravelmente, assinando as listas de solidariedade que circulavam nas escadarias.

Os últimos atos da Censura teatral mostraram a força do poder autoritário no Brasil com a proibição de Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams; Senhora da Boca do Lixo, de Jorge de Andrade , e Poder Negro, de Le Roy Jones; além de suspender por 30 dias os atores Maria Fernanda e Oscar Araripe. Afirmaram os artistas que Um Bonde Chamado Desejo já havia sido representada centenas de vezes no Brasil e que Senhora da Boca do Lixo foi encenada por 300 dias, no Teatro Nacional de Lisboa.

Os líderes do movimento acrescentaram: "O que levou os artistas às ruas tem raízes bem profundas, na manifestação policialesca de um grupo que procura sufocar a cultura como forma de expressão da oposição, no plano intelectual, ao que vem ocorrendo no país".
No cinema, o processo arbitrário da Censura Federal estava do mesmo modo presente.

Intelecutais coordenam o movimento
Artistas de mãos dadas: Eva Tudor, Tonia Carrero, Eva Wilma, Leila Diniz, Odete Lara e Norma Benguel. Gonçalves/CPDoc JB

Fizeram parte do movimento: Oto Maria Carpeaux, Chico Buarque de Holanda, Alceu de Amoroso Lima, Juca Chaves, Oscar Niemeyer, Abelardo Barbosa Chacrinha, Carlos Drummond de Andrade, Grande Otelo, Antônio Calado, Djanira, Vinícius de Morais, Tônia Carrero, Di Cavalcanti, Nelson Rodrigues, Gláuber Rocha, Cacilda Becker, Valmor Chagas, Paulo Autran, Bárbara Heliodora e Domingos de Oliveira. O Sr. Gama e Silva, Ministro da Justiça, não recebeu a comissão por ter ido a Petrópolis, a chamado do Presidente Costa e Silva.

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11 de fevereiro de 1996 - O legado de Pierre Verger

A morte do fotógrafo Pierre Verger. Jornal do Brasil: Segunda-feira, 12 de fevereiro de 1996.
Pierre Verger, 93 anos, etnólogo e um dos mais conhecidos fotógrafos do mundo, morreu em Salvador, BA, de insuficiência cardíaca e respiratória aguda. Seu corpo foi enterrado no Cemitério da Ordem Terceira, numa cerimônia acompanhada por cantos em iorubá e presenciada por amigos como o cantor Gilberto Gil, o fotógrafo Mário Cravo e o artista plástico Caribé.

Verger dedicou 49 anos de sua vida a pesquisar as semelhanças entre as culturas africana e baiana. Mas há vários anos Pierre Verger já não deixava mais seu pequeno quarto, onde tinha uma cama com colchão de capim e resistia à ideia de colocar um aparelh de TV. "Acho que a televisão emburrece as pessoas", argumentava. Ele vivia na companhia de uma senhora, dona Sisi, e do amigo Antonio Carlos da Costa.

Filho de um industrial belga que se mudou para Paris, Verger nasceu na capital francesa . Viveu 19 anos na África, radicou-se em 1954 no Rio e, depois, em Salvador. Publicou, entre outras obras, a tese Fluxo e Refluxo do comércio dos escravos entre o Benin e a Baia de Todos os Santos. Colecionou 62 mil negativos, 2.800 livros, 3.500 espécies de plantas e mil horas de gravações sobre a cultura iorubá. O material faz parte da Fundação Pierre Verger, em Salvador.

A conexão África-Bahia foi uma das principais obras de Pierre Verger. O etnólogo funcionou como ponte que unia as identidades religiosas e culturais dos negros baianos com seus ascendentes vindos da República de Benin, na África Ocidental. "Amo quase igualmente as duas partes do Atlântico, com uma ternura especial pela Bahia", revelou Verger a Gilberto Gil um dia antes de morrer durante a gravação do documentário Pierre Verger - o mensageiro entre dois mundos. Até o último instante, Pierre Verger mostrou o entusiasmo que o levou a esta escolha da vida.

Confira a fotomontagem em homenagem a Pierre Verger:


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10 de fevereiro de 1912 - A morte do Barão do Rio Branco

A morte do Barão do Rio Branco. Jornal do Brasil: Domingo, 11 de fevereiro de 1912.
"Cessou afinal a dolorosa agonia do grande vulto, que trouxe a consternação sincera em, todas as camadas populares. Repercutiu rapida e sentida, a nota plangente da grande perda sofrida pela família brasileira. O nome do Barão do Rio Branco está de tal modo integrado no espírito nacional como integrado e perfeito é o território desse abençoado solo, cujos limites ele traçou a golpes de longas vigílias e dedicadas locubrações. Às primeiras notícias da gravidade de seu estado havia uma corrente de ancia e de pesar, ancia de que os boletins prontamente afastassem um mau presságio, pesar de que viesse pouco depois a notícia fatal e pungente confirmar o desenlace cruento. Infelizmente, o pesar venceu". Jornal do Brasil

Professor, político, jornalista, diplomata, historiador e biógrafo, o Barão do Rio Branco, 66 anos, morreu vítima de problemas renais. Nos últimos dias sua vida fora uma agonia prolongada pelos recursos da ciência. A dimensão de sua perda se refletiu nas inúmeras homenagens póstumas que lhe foram rendidas no Brasil e no exterior, principalmente no mundo jornalístico.

José Maria da Silva Paranhos Junior nasceu no dia 20 de abril de 1845 no Rio de Janeiro. Era filho do Visconde do Rio Branco, estadista que criou a lei abolicionista em 1871, declarando livre o ventre das mães escravas no Brasil. Estudou no Colégio Pedro II, e concluiu bacharelado na Faculdade de Direito de Recife, em 1866, onde deu os primeiros passos no jornalismo.

De volta ao Rio, foi promotor público em Nova Friburgo de onde seguiu para exercer o cargo de deputado federal por Mato Grosso. Anos depois, acompanhou o pai nas missões diplomáticas da Guerra do Paraguai. Em 1873, voltou a atuar no jornalismo, primeiro como redator, depois como diretor do periódico A Nação.

Em 1884, depois de concluir dois livros, História da Guerra do Paraguai e História Miltar do Brasil, entre tantas obras que enriqueceram a literatura brasileira, assumiu o conselho privado do imperador, de quem recebeu o título de Barão do Rio Branco. Com a proclamação da república, em 1889, assumiu a chefia da Superintendência da Imigração para o Brasil e colaborou com o Jornal do Brasil desde a sua primeira edição com a Coluna Efemérides.

O barão teve atuação decisiva na fixação das fronteiras brasileiras. Foi enviado aos EUA para tratar com a Argentina da questão das missões, no Sul do país, e conseguiu sentença favorável na disputa pelo Amapá. Quando dono da pasta das Relações Externas, enfrentou a discussão com a Bolívia sobre o Acre, território que passou a ser brasileiro. Também atuou no caso da Guiana Inglesa. Com os demais países, assinou acordos que delimitaram as fronteiras do país. É Presidente Perpétuo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e membro da Academia Brasileira de Letras.

Veja aqui a edição de 1911 da Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro com a psicologia do Barão do Rio Branco, pelo Major Dr. Liberato Bittencourt.


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9 de abril de 1891 – Nasce o Jornal do Brasil
5 de dezembro de 1908 - A Cruz Vermelha Brasileira

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9 de fevereiro de 1964 - Ary Barroso morre em pleno Carnaval

Jornal do Brasil: Quinta-feira, 13 de fevereiro de 1964 - página 12

Ary Barroso, 60 anos, faleceu, vítima de cirrose hepática, em pleno domingo de Carnaval, festa cujo prestígio ele ajudou a firmar através de sambas e marchas que o povo entoará a vida inteira.
Ary Barroso. Campanella/CPDoc JB

Nascido em 1903, na cidade mineira de Ubá, ficou órfão cedo e foi criado pela tia Rita, que o ingressou no meio musical.

Começou fazendo fundo ao piano nas sessões de cinema mudo.

Chegou ao Rio nos anos 20 onde lançou as composições Eu vou à Penha e Vamos deixar de Intimidade. Bem recebidas pela crítica e pelo público, fizeram parte do seu primeiro disco, lançado em 1928.

Exaltou as belezas brasileiras, principalmente a Bahia - terra que cantou e decantou em seus sambas: Terra de Iaiá, No tabuleiro da baiana , Quando eu penso na Bahia. O reconhecimento maior chegou Aquarela do Brasil. Ary renovou a música popular brasileira, ao incorporar ritmos só conhecidos em instrumentos de percussão. As inovações seguiram nas composições posteriores, como Os Quindins de Iaiá, Morena boca de ouro e Terra seca, que invadiram as rádios, na voz de intérpretes como Carmem Miranda e Sílvio Caldas.

O sucesso atravessou fronteiras e a convite de Walt Disney foi para em Hollywood para musicar o filme Você Já Foi a Bahia?. Compôs cerca de 500 músicas sozinho e com parceiros, como Noel e Lamartine.

Veja abaixo a versão em vídeo:


A marca registrada no futebol
Além de músico, foi locutor e cronista de esporte, sua outra grande paixão. Irreverente e peculiar em suas narrações, teve uma carreira marcadas por pitorescos episódios. Ficou conhecido por soprar uma gaita-de-boca toda vez que marcava-se um gol durante os jogos.

Nada imparcial, entoava com muito mais entusiasmo quando o gol era do Flamengo, seu clube de coração, para delírios dos torcedores rubro-negros. A estréia da gaitinha aconteceu num jogo entre Vasco e São Cristovão, em que os vascaínos venceram por sete a um.


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8 de fevereiro de 1963 - Junta nasserista toma poder no Iraque

Iraque sofre golpe militar e Junta nasserista toma o poder. Jornal do Brasil: Sábado, 9 de fevereiro de 1963.


O coronel Abdel Salam Mohammed Aref, antigo vice-Premier, foi nomeado Presidente do Iraque pela Junta Militar, de tendência nasserista (ideologia baseada nos preceitos nacionalistas de Gamal Abdel Nasser, primeiro presidente do Egito), que assumiu o poder no país depois de bombardear o Ministério da Defesa, sob cujos escombros morreu o ex-Primeiro Ministro, Kassem.

O movimento revolucionário teve início às 13 horas do dia oito com a ocupação da rádio de Bagdá e com o bombardeio do Ministério da Defesa por aviões de uma base a 80 km da capital. O fim da luta foi anunciado por um comunicado divulgado pela Junta dizendo que os 600 soldados que guarneciam o Ministério da Defesa haviam se rendido e que o “ditador Kassem havia sido esmagado pelos escombros”. A rádio da cidade anunciou que foi estabelecido o toque de recolher em todo o país a partir das 15 horas e imposta a censura a todos os meios de comunicação. O comando revolucionário, chefiado pelo coronel Abdel Kerim Mustafá, ordenou ainda o fechamento dos aeroportos e das fronteiras, e o congelamento de todas as transferências bancárias, além da proibição de viagens para o exterior.

O comunicado divulgado pelo Conselho Revolucionário também informava os objetivos do golpe. Segundo ele, a revolução fora realizada em nome da fraternidade árabe, com caráter antiimperialista e tinha como intenção “realizar a união nacional, fazer o povo participar do governo e restabelecer o império da lei”. O comunicado acrescentava que o novo governo respeitaria a Carta da ONU e todos os acordos internacionais, seguiria uma política externa neutralista e garantiria às companhias petrolíferas estrangeiras o direito de continuar a explorar o combustível.

O golpe iraquiano conseguiu imediato apoio norte-americano, que no contexto da Guerra Fria, incentivava a vitória de forças anticomunistas em países do Terceiro Mundo. Em nota divulgada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, a revolução do Iraque foi de “clara tendência anticomunista” e, por isso, conseguira sua simpatia.

Abdel Sarem Aref ficou no poder até 1966, quando morreu em um acidente de helicóptero, deixando o posto de Presidente do Iraque para seu irmão, Abdel Rahman Aref. O governo de cunho nasserista dos Aref só acabou em julho de 1968, quando ocorreu um novo golpe militar, que colocou no poder o general Ahmad Hassam Al-Bakr, e que tinha como braço direito o futuro ditador Saddam Hussein.

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19 de junho de 1965 — Golpe derruba presidente da Argélia
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11 de setembro de 1973 - Golpe derruba governo chileno. Allende suicida-se

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7 de fevereiro de 1984 – Homem voa livre no espaço

Bruce McCandless voa livre no espaço. Jornal do Brasil: Quarta-feira, 8 de fevereiro de 1984.


O astronauta Bruce McCandless tornou-se o primeiro homem a voar livremente pelo espaço, com uma mochila propulsora nas costas que o levou até 100 metros de distância da nave espacial Challenger. O fato histórico foi televisionado ao vivo para a Terra, tendo sido visto por milhões de norte-americanos, que se emocionaram ao ver o homem vestido de branco com uma grande mochila nas costas sair do compartimento de cargas da nave, aparentemente de cabeça para baixo, e flutuar na imensidão vazia do espaço.

“Pode ter sido um pequeno passo para Neil, mas podem estar certos de que foi um grande passo para mim”, afirmou McCandless, numa alusão às palavras de Neil Armstrong ao posar na Lua em 1969, quando ele disse que o pequeno passo que dava na superfície lunar representava um grande passo para a humanidade.

Nos seus dezoito anos como astronauta, McCandless ajudou a NASA a desenvolver as as mochilas espaciais propulsoras que usou no dia da aventura espacial, batizadas de Unidade Tripulada de Manobra (MMU – Manned Maneuvering Unit), mas popularmente chamadas de mochilas Buck Rogers. Enquanto se movia no vácuo, seu colega Robert Stewart permanecia fora da nave atado ao compartimento de carga com uma segunda mochila ao alcance da mão, pronto para socorrer o companheiro em caso de necessidade. Outra alternativa de socorro seria tentar resgatar o astronauta eventualmente extraviado com um braço mecânico ou aproximar a nave até que ele entrasse no compartimento de carga, onde poderia se agarrar.

O vôo começou quando a nave estava sobre o Havaí e, embora o astronauta estivesse se movendo apenas a 0,3 km/h em relação à Challenger, McCandless dava voltas à Terra a uma velocidade de mais de 28 mil km/h. “Olha lá a Flórida”, gritou ele a certa altura da missão, após ter voado sobre todo o território dos Estados Unidos. Segundo um dos seus colegas ouvidos pela TV, no espaço não se tem noção de distância.

Durante o período de cinco horas de Atividade Extraveicular (EVA), os astronautas realizaram alguns exercícios simulados de reparos como parte do treinamento para a próxima missão da Challenger, que seria realizada em abril. Nela, os astronautas usariam suas MMUs para recuperar o satélite de pesquisas solares Solar Maximum, danificado havia três anos, para repará-lo no compartimento de carga e colocá-lo de volta à órbita.

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6 de fevereiro de 1952 - Morre o Rei Jorge VI

A morte do Rei Jorge VI. Jornal do Brasil: Quinta-feira, 7 de fevereiro de 1952

O Império Britânico - com ele todo mundo civilizado - recebeu inesperadamente a notícia da morte de Rei Jorge VI, unindo-se à família real em sua dor pela morte do monarca.

A morte do Rei Jorge VI. ornal do Brasil: Quinta-feira, 7 de fevereiro de 1952

Foi içada a bandeira na Torre da Vitoria, na sede do Parlamento e todos os teatros, cinemas e tribunais cerraram suas portas, enquanto os estabelecimentos comerciais colocaram nas vitrines laços negro em sinal de luto. A BBC cancelou todos os seus programas de rádio, exceto os noticiosos.

Tendo reinado pouco mais de 15 anos, o rei Jorge VI morreu placidamente enquanto dormia em sua residência campestre. Ascendeu ao trono em 11 de dezembro de 1936, dia em que o seu irmão Eduardo VIII abdicou para se casar com a norte-americana divorciada Wallis Simpson.

Jorge VI foi logo envolvido pelos graves problemas de estado. Durante a guerra ele rejeitou todas as propostas de se transferir para o Canadá e permaneceu em Londres com a família real durante todo o bombardeio alemão.

A coragem e o senso de serviço público lhe granjearam a profunda estima do seu povo. Terminada a guerra o reinado de Jorge VI viu a independência da India e do Pakistão, e a transição do Império Britânico para a Commonwealth.

Veja no JB News Archive fatos marcantes da vida do soberano

Assume a Rainha Elisabeth

Jorge VI foi substituído no trono pela sua filha Elizabeth, de 26 anos, herdeira de seu sangue e de seu nobre espírito. A princesa Elizabeth e o príncipe Phillip voltaram profundamente abatidos da viagem que faziam rumo à Austrália em nome do rei, que por duas vezes se vira obrigado a cancelar a visita por problemas de saúde.

Deixou uma perene lembrança entre os que conheceram. Era uma pessoa eminentemente democrata, simples, despido de orgulho. Raro na sua modéstia e no seu civismo por tudo que fez como rei e desejou como cidadão inglês.

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11 de dezembro de 1936 - Edward VIII renuncia ao trono
12 de maio de 1937 - A coroação do Rei Jorge VI
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5 de fevereiro de 1974 - A morte de Mestre Bimba, um filho de Zumbi

A morte do Mestre Bimba. Jornal do Brasil: Segunda-feira, 11 de fevereiro de 1974.


Morreu em Goiás, aos 73 anos, Manoel dos Reis Machado, o baiano Mestre Bimba, considerado como verdadeiro divisor de águas na história da capoeira, que introduziu elementos de boxe, jiu-jitsu e catch aos gestos coreográficos da capoeira de angolana. Com sua morte, desaparece um dos elos mais fortes que ligavam a capoeira às usas origens históricas.

Bimba foi um divisor de águas na história da Bahia. Revolucionou a concepção conservadora que se tinha da Capoeira, e criou seu estilo próprio, introduzindo valores da classe média num meio cujas normas implícitas permaneciam mais ligadas ao pathos pré-Abolição da Bahia. Ele incorporou à capoeira os golpes mais agressivos de lutas estrangeiras - a antropofagia cultural de que falava Oswald de Andrade não lhe era estranha na prática. Montou uma academia para ensinar a sua arte a jovens filhos da classe média, prováveis descendentes de antigos donos de escravos. E seguiu com rigor as regras educacionais, que incluía uniforme, exames, formatura, diploma e medalha. Tudo formalizado por uma autorização da Secretaria de Educação estampada na parede da academia, a primeira a ser legalizada no Brasil. "Ninguém pode mexer comigo", sorria.

O jogo da capoeira permaneceu nele, em sua fala, em seu corpo, em seu berimbau, como um valor essencial de sua gente, sustentado pelos orixás do Candomblé, dos quais era fiel temeroso. Foi um herói dos que se movem num dos muitos planos simbólicos e contraditórios que atravessam a formação social brasileira.

Veja o Trailler do documentário: Mestre Bimba, A Capoeira Iluminada

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4 de fevereiro de 1921 - A conferência científica do Dr. Carlos Chagas

A conferência do Dr. Carlos Chagas. Jornal do Brasil: Sábado, 5 de fevereiro de 1921
A tão esperada conferência científica do Dr. Carlos Chagas foi realizada na Biblioteca Nacional. Além da presença do Ministro da Justiça, estavam lá muitos médicos e notáveis representantes da medicina brasileira.

Chagas era médico, sanitarista, cientista e bacteriologista e destacou-se ao descobrir o protozoário Trypanosoma cruzi, conhecida como doença de Chagas. Iniciou a leitura de seu trabalho, escrito em 61 páginas datilografas, sobre a importância de se pôr em prática os desdobramentos dos serviços de saúde pública.

O plano foi apresentado com amplos e interessantes estudos de caso das questões de saneamento no Brasil. Para o desempenho das diversas tarefas, traçou um programa que incluía guardas vigilantes da saúde para a população.

O conferencista também prestou homenagem à memória do saudoso Diretor do Instituto de Manguinhos, Oswaldo Cruz, no qual procurou reviver os meios em que pôs em prática sua luta empenhada contra a até então invencível febre amarela. Não se esqueceu de mencionar a resistência da ignorância à ação preventiva contra a varíola, ignorando a existência ainda de casos dessa moléstia no Brasil.

Também falou da Peste Bulbonica e dos meios de lhe dar combate eficaz. Estendeu-se largamente no assunto da tuberculose, cujo alto coeficiente de mortandade em nosso pais só poderá desaparecer quando se tornar realidade o impedimento dos contágios, com a inexistência das más habitações, dos domicílios sem luz nem ar, dos excessos de toda a ordem, e do alcoolismo.

A Conferência durou cerca de uma hora e meia sem que houvesse, no auditório, o mais leve sinal de fadiga, tal a importância dos assunto e a clareza com que foi colocado.

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8 de novembro de 1934 – Morre Carlos Chagas

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3 de fevereiro de 1998 - O adeus a Silvio Caldas, o Cantor das Despedidas

A morte de Silvio Caldas. Jornal do Brasil: Quarta-feira, 4 de fevereiro de 1998.


Silvio Caldas, 89 anos, morreu de insuficiência respiratória. Três meses antes, fora hospitalizado para uma cirurgia no joelho, depois de levar um tombo. Por recomendação médica, foi obrigado a parar de beber, além de sofrer outras restrições. Desanimado, anorexo e deprimido, viveu seus últimos dias recolhido em seu sítio em Atibaia, interior de São Paulo, até ser internado numa clínica da cidade, onde faleceu no fim da tarde.

Cantor e compositor, Silvio Caldas nasceu no bairro carioca de São Cristóvão. Descoberto num bar por um produtor no final dos anos 20, foi levado para cantar na Rádio Mayrink Veiga. Foi um dos grandes intérpretes da música brasileira nas duas décadas seguintes, fazendo sucesso com faixas como Faceira, de autoria de Ary Barroso e Linda Lourinha, de João de Barro. Mesmo sem muita potência de voz, era do grupo dos grandes da época, com Francisco Alves - o Rei da Voz, e Orlando Silva - o Cantor das Multidões: reverenciado como Caboclinho Querido.

Do final dos anos 70 aos anos 90 ficou conhecido como o Cantor das Despedidas, porque sempre se apresentava de tempos em tempos anunciando que era a despedida de sua carreira. Mas sempre voltava, alegando atender ao chamado dos amantes da boa música.

Amigo do copo desde sempre, foi um boêmio inveterado.Quando lhe perguntavam o segredo de sua vitalidade, ele dizia que desobedecia todas as regras recomendadas aos homens de mais de 50 anos: falava pelos cotovelos, bebia muito, dormia pouco, trabalhava demais e fumava como um desesperado. Também não cultivava modéstia: "Se você encontrar no mundo cinco homens como eu é muito. Eu fui o maior criador de todos os compositores populares, eu que lancei tudo que está aí"

Parceiro de grande nomes como Cartola, Wilson Batista, Billy Blanco e Oreste Barbosa, talvez o maior deles, ao longo da carreira, somou mais de mil músicas gravadas, mas nenhuma nos últimos 18 anos de vida. "Só querem música que dure dois ou três anos, mas eu estou aqui para a eternidade".




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27 de setembro de 1952 – Morre Chico Alves, o Rei da Voz
9 de fevreiro de 1964 - Ary Barroso morre em pleno Carnaval
7 de agosto de 1978 - Coração silencia o Cantor das Multidões
30 de setembro de 1980 - Cartola, um vazio se fez no samba

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2 de fevereiro de 1970 - Morre Bertrand Russell

A morte de Bertrand Russell. Jornal do Brasil: Terça-feira, 3 de fevereiro de 1970.



"A paixão pela matemática trancou-o durante dez anos em casa, mas o estudo da lógica atirou-o nos debates públicos e às manifestações de protesto. Depois disso, nunca mais parou. Rico, famoso, nobre, aclamado em certas épocas, perseguido e preso em outras, o ateu Bertrand Russell converteu sua vida numa cruzada santa, cuja história e mais antiga do que a memória da maioria dos homens".
Jornal do Brasil


Matemático, filósofo e ativo militante da paz, Bertrand Russell, 97 anos, morreu durante a noite em sua residência no norte do País de Gales. As suas cinzas foram dispersas sobre as montanhas galesas.



Bertrand Arthur William Russell, descendente de uma família de nobres do século 13, nasceu em Trelleck, País de Gales. Órfão aos três anos, foi educado por preceptores na casa da avó, até ir para Cambridge, Inglaterra, onde se formou professor. Em 1916, foi expulso da universidade e preso por ter participado de movimentos pacifistas. Aplicado, dedicou-se basicamente ao estudo de três áreas: a teoria do conhecimento, as relações entre a lógica e a matemática e as relações entre a lógica e a matemática e as relações entre a lógica e a linguagem.

Autor de mais de 40 obras, entre elas se destacam The Principia Mathematica (1910-1913) - que abriu novas perspectivas para a lógica simbólica, da qual foi fundador, e A History of Western Philosophy (1945). Prêmio Nobel em 1950, nos últimos anos dedicou a sua vida pela paz no mundo. Nos anos 60 condenou a participação dos Estados Unidos na guera do Vietname.

"Três paixões, simples mas esmagadoramente fortes, têm governado a minha vida: o desejo pelo amor, a busca do conhecimento, e a pena insuportável pelo sofrimento da raça humana". Bertrand Russell

Bertrand Russell. Reprodução CPdoc JB
O Tribunal Russell
Mais do que os avanços da Ciência e da Tecnologia, os conflitos sangrentos do século 20 foram os acontecimentos que mais impressionaram e mobilizaram Bertrand Russell.

Foi o testemunho destes episódios, fortalecedores de seus ideais pacifistas e humanizadores, que motivou Russell a fundar nos anos 60 o Tribunal Russel: organismo internacional, originalmente dirigido pelo filósofo e dramaturgo francês Jean-Paul Sartre. O tribunal investigou e avaliou a política externa americana e a intervenção militar no Vietnã que se seguiu à derrota das forças francesas em 1954 na batalha de Dien Biem Phu e o estabelecimento do Vietnã do Norte.

Bertrand Russel justificou assim a criação do tribunal: "Se certos atos e violações de tratados são crimes, eles são crimes se cometidos pelos Estados Unidos ou pela Alemanha. Nós não iremos desconsider uma regra de conduta criminal contra outros porque não gostaríamos de vê-la invocada contra nós".

A criação do tribunal foi seguida em 1966 pela publicação do livro de Russel War Crimes in Vietnam.


Confira também:
15 de abril de 1980 — A filosofia de Jean-Paul Sartre

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1º de fevereiro de 1974 - O incêndio do Edifício Joelma

Primeira página do Jornal do Brasil: Sábado, 2 de fevereiro de 1974


São Paulo, 1º/02/1974: O incêndio do Joelma. Ariovaldo Isaías/CPDoc JB
Mal acordara para mais um dia de trabalho, a Cidade de São Paulo parou naquela sexta-feira para acompanhar um dos mais terríveis episódios de sua história. Um incêndio destruiu 18 dos 25 andares do moderno e imponente Edifício Joelma, onde encontravam-se mais de mil pessoas, entre funcionários e visitantes. O fogo começou pouco antes das nove horas da manhã no 12º andar e seguiu invadindo os andares superiores, obrigando as pessoas a fugirem para o terraço. Em menos de meia hora, as labaredas já alcançavam o último andar do prédio. Num ato de desespero extremo, algumas pessoas atiravam-se do alto do edifício.

Lá embaixo, uma multidão aglomerada nos arredores do edifício acompanhava tudo, aparentando não acreditar no que testemunhava: O Joelma ardia completamente em chamas. Solidários, muitos pediam calma, através de mensagens improvisadas escritas em faixas ou rabiscadas no asfalto. Outros se apresentavam para ajudar os bombeiros. Contudo, a densa fumaça, o calor infernal, o difícil acesso ao local e a limitação dos equipamentos comprometeram o controle do fogo e o resgate das vítimas.

Um dos momentos mais emocionantes foi o salvamento de uma criança de pouco mais de um ano. Sua mãe saltou para a morte do 15º andar, mas abraçou-se com ela, e acabou protegendo-a do impacto da queda.

Além das mortes em conseqüência das quedas, vários corpos carbonizados foram encontrados nas dependências do prédio. Houve ainda mortes por asfixia. Ao final da operação de resgate, o número de feridos ultrapassava 500 pessoas, entre as quais contabilizava-se quase 200 vítimas fatais.



Socorro e prevenção insuficientes
A catastrófica experiência de incêndio de gigantescas proporções envolvendo construções novas com modernos sistemas de segurança marcou a rotina paulistana no início dos anos 70. Mal a opinião pública arquivava com emoção o desastroso caso no Andraus (1972), o fogo irrompia no Joelma, em decorrência de um curto-circuito em um equipamento de ar-condicionado. E reacendia-se também uma polêmica. Evidenciava-se a urgência em rever, além das deficiências da Corporação dos Bombeiros, a legislação preventiva em vigor, regida ainda por um Código de Obras dos anos 30.

Confira também:
11 de dezembro de 1981 – Incêndio consome prédio no Centro do Rio
17 de fevereiro de 1986 - Fogo e desespero no Andorinhas

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