Arquivo de July 2010

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31 de julho de 1991 – Collor anuncia restituição da poupança

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Mais de 500 dias depois de confiscar os cruzados novos das poupanças dos brasileiros, o então presidente Fernando Collor anunciou que começaria a devolvê-los em duas semanas. O plano de Collor era que fossem liberados integralmente os saldos de todas as contas até 200 mil cruzados novos. Em casos de maiores quantias, era previsto que no dia 15 de agosto começassem a ser restituídos apenas 1/13 do saldo total.

Se todos os poupadores retirassem o que tinham direito no dia 16 de agosto, após a restituição, esse número representaria cerca de 7% do valor que continuaria confiscado nas mãos do governo Collor. Estes pequenos depositantes representavam metade dos depositantes com contas bloqueadas no Banco Central, equivalendo a um montante de 580 bilhões de cruzados.

“O que se procurou foi proteger e priorizar o pequeno depositante sem provocar um impacto muito grande na economia”, anunciou o Ministro da Fazenda, Marcílio Moreira.

De fato, no dia 15 de agosto, o dinheiro confiscado pela União, no ano anterior, sob tentativa de controlar a hiperinflação herdada do Governo Sarney (1985-1990), começou a ser devolvido ao pequeno depositante brasileiro, mas este processo estava longe de ser concluído naquele mês. A dívida com a população foi deixada para os governos seguintes que, ao longo da década de 90, tentaram consertar o rombo no bolso do depositante deixado pelo primeiro Presidente eleito pelo voto popular após a ditadura.

CPDoc JB



O Plano Collor

Quando Fernando Collor foi eleito Presidente da República, em 1989, tinha como promessa de campanha realizar um governo limpo, sem corrupção, que fosse capaz de controlar a hiperinflação que agravava dia após dia a crise econômica no Brasil. Uma das medidas adotadas no Plano Collor foi o congelamento do dinheiro da poupança, logo após assumir o governo. Além do confisco, foram medidas do Plano o Programa Nacional de Desestatização (PND), que por meio de uma política de liberação fiscal privatizava vários órgãos federais; e também a Política Industrial e de Comércio Exterior (PICE).


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30 de julho de 1930 – Uruguai é campeão mundial de futebol

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No ano em que o Uruguai comemorava o centenário de sua independência, era realizada em seu território a primeira Copa do Mundo de Futebol. O país, que fora bicampeão nos Jogos Olímpicos de 1928, entrou como favorito na competição, cuja maioria dos jogos foi disputada no Estádio Centenário, construído especialmente para o mundial. Assim, após uma bela campanha, os uruguaios festejaram no dia 30 de julho o título de melhores do mundo e os cem anos de sua primeira Constituição.


Nesta edição da Copa, participaram das partidas apenas treze nações, sendo apenas quatro européias – naquela época, além de os custos e a duração de uma viagem transatlântica serem muito elevados, os europeus ficaram insatisfeitos com a realização da competição no continente sul-americano, o que justificou o boicote.

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O início do que, alguns anos depois, se tornaria um dos mais importantes eventos esportivos do mundo, aconteceu no dia 13 de julho com as partidas entre França e México (4 a 1 para os europeus), e Estados Unidos e Bélgica ( com vitória norte-americana por 3 a 0). O primeiro gol da história das copas veio do pé do francês Laurent, aos 19 minutos do primeiro tempo.


Os donos da casa iniciaram sua participação no torneio apenas no dia 18, terminando os 90 minutos com uma vitória de 1 a 0 contra o Peru. Era dada a largada para a curta e gloriosa caminhada uruguaia até a partida final, disputada contra a Argentina, vice-campeã das Olimpíadas de 1928.


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“O Templo do Futebol”, como era chamado o Centenário por Jules Rimet, estava fervendo, comportando oficialmente 93 mil pessoas. A Argentina começou jogando com sua bola favorita, que, aparentemente lhes deu sorte: terminaram o primeiro tempo vencendo por 2 a 1. Após o intervalo, a bola escolhidas pelos uruguaios foi rolada nos gramados, ajudando a virar o jogo para os donos da casa. Em uma partida emocionante, os anfitriões sacudiram a rede adversária por três vezes, batendo os eternos rivais por 4 a 2 e selando de vez o título inédito.



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1950 – O dia em que o Maracanã se calou
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29 de julho de 1981 – Acontece o casamento do século XX




- Este é o material do qual se fazem os contos de fadas – disse o Arcebispo que realizou a cerimônia aos noivos reais na Catedral de São Paulo.


Foi sob um clima de contos de fadas, num raro dia de sol e calor na capital britânica, Londres, que o Príncipe Charles, herdeiro do trono inglês, casou-se com Lady Diana Spencer, na época com 20 anos, a qual passou a ser Princesa de Gales. A cerimônia mobilizou a Grã-Bretanha, que acompanhou os acontecimentos pela televisão (juntamente com 1 bilhão de telespectadores em mais de 50 países). Acontecia o evento mais esperado do século, o conto de fadas que, no entanto, não terminaria feliz para sempre.


Além da curiosidade em ver de perto um desfile de pompa e elegância como não ocorria no país desde a posse de Elizabeth II, em 1952, os ingleses foram às ruas de Londres para prestar homenagem a uma tradicional instituição e felicitar os recém-casados.


Como era prática da realeza britânica, o casal não se beijou na Igreja, deixando para fazê-lo quando apareceram na varanda do Palácio de Buckingham, após saírem da cerimônia. Da rua, a multidão aplaudiu com entusiasmo.


Após se casar com o homem mais cobiçados da Grã-Bretanha, Lady Di se tornou um símbolo de beleza e elegância, uma das mulheres mais famosas do mundo. A Princesa dos Pobres, como era chamada pelo povo, tornou-se uma figura muito popular ao se envolver em projetos de caridade e ajuda humanitária, principalmente no programa de combate a AIDS. Diana brilhava na alta sociedade e ajudava as pessoas que precisavam. Era um exemplo, um ícone mundial.


A felicidade do casal, no entanto não durou muito. Em 1993, Charles e Diana iniciaram o processo de separação, que terminaria três anos depois. Era o triste fim do conto de fadas, que piorou ainda mais no ano seguinte, quando a eterna Princesa de Gales morreu tragicamente em um acidente de automóvel.


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Em 1981 – Anunciado o noivado entre Lady Di e Príncipe Charles
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28 de julho de 1938 – Morre o Rei do Cangaço

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Provavelmente traído por um membro de seu próprio bando, Virgulino Ferreira da Silva, conhecido como Lampião, morreu numa emboscada preparada pela “coluna volante” (nome dado à polícia armada oficial) em um de seus esconderijos mais seguros, no sertão de Alagoas. Juntamente com Lampião, foram assassinados sua mulher Maria Bonita, e outros nove cangaceiros.

O bando de Lampião acordou antes do sol nascer para fazer sua reza matinal e tomar café. Durante a noite, oficiais da coluna volante cercaram o acampamento sem que os trinta e quatro cangaceiros adormecidos pudessem perceber. Assim, quando o grupo percebeu o cerco, já era tarde demais. Os policiais dispararam suas armas incessantemente. Lampião foi um dos primeiros a morrer, pelo cano do fuzil do Cabo João Bezerra, o qual ficou conhecido como o homem que matou o Homem. Já falecido, com a face deformada por uma coronhada, Lampião foi decapitado, para que sua cabeça fosse exposta, depois, em quase todos os estados nordestinos. O ataque durou cerca de 20 minutos e tirou a vida de onze membros do bando.

O que representou uma grande vitória para a polícia oficial do Estado Novo significou para uma parte da população do Nordeste uma derrota: a morte de um mito, símbolo de coragem e resistência do Agreste brasileiro. Ao mesmo tempo que Lampião era temido, era admirado. Chefiou um bando de cangaceiros que lutavam por uma liberdade selvagem, utópica. Após o assassinato do mito, muitos cangaceiros de outros grupos se entregaram à polícia para pouparem suas cabeças e, assim, em dois anos, terminou de vez o fenômeno social do Cangaço.

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O Rei do Cangaço

Virgulino entrou para o Cangaço em 1920, para vingar a morte de seu pai, que fora assassinado por um delegado. Juntou-se ao bando de Sinhô Pereira, e logo depois assumiu a liderança do grupo. Em pouco tempo se tornou um dos bandidos mais conhecidos e temidos do Brasil. Sua fama ultrapassava nossas fronteiras, fazendo com que ficasse famoso até no exterior.

Acredita-se que Virgulino tenha recebido o apelido quando modificou seu fuzil para que o tiro fosse mais rápido do que o comum: a faísca que era produzida ao disparar a arma fazia com que parecesse um lampião.

O mito de Lampião foi endossado com os anos: ele era um forasteiro cujo conhecimento detalhado do agreste nordestino impedia que fosse capturado. Quando Getúlio Vargas instaurou o Estado Novo prometeu acabar com todos os focos de desordem no território nacional, investindo em uma dura perseguição a Lampião e seu bando, que eram procurados em todos os estados nordestinos. Não tardou para que a perseguição fosse bem sucedida.

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27 de julho de 1970 – Portugal se despede de Salazar




Fechou os olhos pela última vez o homem que foi, durante 36 anos, o governo de Portugal. Apesar de ter sido (formalmente apenas) Chefe de Governo, Antônio de Oliveira Salazar foi enterrado com honras de Chefe de Estado, no Monastério dos Jerônimos, onde repousam os restos de Vasco da Gama e Luís de Camões.

O princípio do fim de Salazar começou em 1968, quando ainda regia Portugal com as mãos de ferro de um velho ditador. Em sua casa de verão em Estoril, o Premier sofreu uma queda que o deixou com um traumatismo intracraniano. Foi operado, mas jamais voltou a ser o mesmo. Salazar foi substituído por Marcelo Caetano, sem ter sido avisado. Até seus últimos dias de vida, o ex-ditador achava que ainda estava na liderança de seu povo.

“Aprendi com minha mãe. Administro o Estado como uma pensão. Com decisão e economia.”

Com essas poucas palavras Salazar definiu melhor que ninguém toda a sua vida, a formação de sua personalidade, seu estilo de trabalho, os ideais de uma discutida obra político-administrativa.


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Salazar começou a ganhar notoriedade no quadro político português em 1928, quando o país sofria com a forte desvalorização da moeda. Salazar era economista, professor da Universidade de Coimbra, e foi convidado para o Ministério das Finanças. Um ano depois a economia estabilizou-se, e Salazar tornou-se uma figura muito importante nas esferas de poder lusitanas. Em 1933, ele institucionalizava o Estado Novo em Portugal, acabando com os partidos políticos e instituindo um governo autoritário.

Através de sucessivas revisões da Constituição, os poderes do Presidente foram diminuindo em benefício do Presidente do Conselho de Ministros, Salazar. Em seus anos de governo, Salazar deu benefícios e privilégios à Igreja Católica em Portugal; adotou, durante a Segunda Guerra, um regime flexível; apoiou o ditador Franco na Guerra Civil Espanhola; tentou, de todas as formas, manter o império colonial português; utilizou a Censura e a dura repressão como suas principais aliadas na manutenção de seu regime de cunho corporativista e nacionalista.

Após sua morte, Portugal entrou em um período de crise política. O regime autoritário, deixado como legado aos sucessores de Salazar, ruiu em 1976, com o famoso 25 de abril, a Revolução dos Cravos.

“Não realizei tudo o que desejava; mas realizei o suficiente para não se dizer que falhei da minha missão”, disse ele após ser operado, em 1968.


Leia também:

Em 1934 - Greve geral fracassa em Portugal


Em 1974 — A Revolução dos Cravos

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26 de julho de 1952 – Argentina chora por Evita



No dia 26 de julho de 1952 o povo argentino ficou órfão de sua eterna mãe. Eva Perón, a primeira-dama do país, o mito, a protetora e representante fiel dos “descamisados”, morrera vítima de um câncer, gerando consternação geral. O povo chorou durante 14 dias, o tempo de duração de seu prolongado velório e, depois de ter se despedido da “Santa”, um vazio sofrido restou no coração argentino.

Junto com Juan Domingo Perón, Evita, como era chamada pelo povo pobre, era o símbolo do populismo na América Latina, em meados do século passado. Sua figura carismática, bonita e imponente apaixonou os “descamisados”, conseguindo o importante apoio para que seu marido fosse eleito à Presidência da República, em 1946. Na campanha eleitoral, Evita foi quase publicitária. Marchou junto aos pobres e popularizou a imagem do homem que a conquistou apenas com um olhar. Nascida em família pobre, Eva sempre sonhou em ser famosa: atriz ou cantora. Casar, só se fosse com um Presidente. Seu sonho se tornou realidade.


Quando Juan Perón ocupou o mais alto cargo do Executivo, Evita assumiu a Secretaria do Trabalho e, depois, criou a Fundação Eva Perón que rapidamente se transformou numa gigantesca organização de amparo social. Evita trabalhava horas a fio atendendo a filas de operários e pessoas humildes que iam à Fundação pedir ajuda de diversas naturezas. Foram surgindo hospitais, asilos, casas de trabalho para mulheres nas grandes cidades, abrigos para desabrigados, restaurantes baratos, cujos déficits eram cobertos pelos lucros de restaurantes de luxo. Evita tornou-se uma pessoa querida, uma mulher respeitada e admirada pela população.


Em 1950, no entanto, sua fortaleza começou a sofrer abalos. Evita sentia-se mal e a medicina da época não sabia diagnosticar sua doença. Dois anos depois, apenas, desconfiaram de câncer no útero, mas não havia nada que pudesse ser feito. Eva Perón, assim, foi vencida pelo mesmo mal que matara a primeira mulher de seu marido.



Leia também:

Em 1946 — Perón é eleito presidente da Argentina
Em 1966 – Eclode a Revolução Argentina
Em 1974 – Argentina chora por Perón

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25 de julho de 1976 – Nasce o primeiro bebê de proveta do mundo



Após doze anos de pesquisas, o ginecologista Patrick Steptoe e o fisiologista Robert Edwards viram nascer a menina Louise, o primeiro bebê de proveta do mundo, em um hospital da capital britânica, Londres. A mãe, Lesley Brown, sofria de uma obstrução nas trompas, que a impedia de engravidar. Assim, oferecendo-se de cobaia, Lesley Brown permitiu que esses pesquisadores realizassem a fecundação in vitro de um óvulo seu com um espermatozóide do seu marido. A experiência da fecundação em um tubo de ensaio já havia dado certo com animais, mas nunca com humanos.


O casal Brown resolveu aceitar o desafio e apostar nos estudos realizados na Universidade de Cambridge. O resultado foi uma menina saudável, cuja vida foi segurada em 600 mil dólares.


A grande inovação que tornou a fecundação artificial bem sucedida foi um meio de cultura perfeito, no qual o óvulo conseguiu se sustentar por tempo suficiente antes de ser recolocado no útero de Lesley. A rejeição do óvulo assinalada nas experiências anteriores ao sucesso de Steptoe e Edwards ocorreu porque a implantação não fora feita em um ponto exato do ciclo menstrual da mulher, em que útero tem maior predisposição a fixar um óvulo fecundado.



Apesar do êxito no meio científico, a notícia do nascimento do primeiro bebê de proveta não agradou a Igreja. O Vaticano, por exemplo, condenou a prática e um porta-voz da Santa Sé afirmou que a posição da Instituição era bem conhecida e não seria modificada. “Um ato contra a natureza e intrinsecamente mau”, já declarara o Papa Pio XII, em 1956, sendo ratificado pelos representantes da Santa Sé.


Quando criado, o método era muito caro, e assim somente podia atender a poucas mulheres com problemas para engravidar. Com o tempo, a fertilização in vitro se tornou um método mais acessível a até bastante comum. No Brasil, o primeiro bebê de proveta nasceu no Paraná, em 1984, Hoje, estima-se que no Brasil existam mais de 150 clínicas de reprodução humana, onde são concebidos em média 4 mil bebês por ano.

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24 de julho de 1980 – Morre um gigante da comédia

CPDoc JB



No terreno sempre difícil da comédia – onde não mais que um fio separa a criação genial da chanchada – Peter Sellers foi um artista extraordinário. Não só pelas mil caras e mil vozes que emprestou aos muito papéis vividos ao longo de 51 filmes, mas também, e principalmente, por ser ele, mais que um comediante, um intérprete capaz de imprimir a cada papel uma força interior que o situava muito além da graça das piadas. A força que, afinal, diferencia um ator ordinário de um grande mestre dos palcos.


A morte de Peter Sellers não surpreendeu a ninguém. Nem a ele mesmo. Em seus últimos 14 anos de vida, o ator teve 12 enfartos e oito paradas cardíacas. Sustos e mais sustos. Sellers considerava-se um homem permanentemente ameaçado por um coração imprevisível. E tentava fazer humor da desconfiança de que, da próxima vez, bem poderia ser mais do que um susto: “Ressuscitar tem sido um dos meus passatempos favoritos”.


O ator de mil caras e mil vozes era quase uma extensão do homem de mil personalidades. Nem sempre, no entanto, era em tom de piada que ele se referia à sua condição de homem múltiplo. O ator contava que os muitos ambientes que conheceu na infância – e sobretudo as muitas personalidades que exerceram influência sobre ele – moldaram o seu temperamento indefinível. Sellers cresceu em um ambiente cercado por artistas, tanto sua mãe quanto a avó eram atrizes famosas, coisa que influenciou muito o pequeno menino extrovertido, que acompanhava a família nas mudanças constantes de casas e cidades.


No cinema, o talento de Sellers fazia com que alguns pequenos personagens interpretados por ele virassem protagonistas. Aconteceu em Lolita (1962), de Stanley Kubrik, ao encarnar o escritor fracassado Clare Quilty. Em A Pantera Cor de Rosa (1962), Sellers ganhou uma ponta como o desastrado inspetor Clouseau e fez com que o cativante personagem se tornasse o centro das atenções.


“A qualidade que o distingue de outros comediantes é sua habilidade para transformar o horrível e o grotesco numa invenção cômica inesquecível”, declarou Stanley Kubrik sobre o amigo.


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Em 1966 – Morre Buster Keaton

Em 1984: O cinema perde François Truffaut

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23 de julho de 1993 – A chacina da Candelária




Durante a madrugada do dia 23 de julho, um grupo de policiais abriu fogo contra cerca de setenta crianças de rua que dormiam sob as marquises protetoras do Edifício Iochpe, em frente à Igreja da Candelária. O resultado da chacina foram oito menores mortos e vários feridos, num episódio que chocou o Brasil e o mundo.

Em seus 359 anos de existência, na época, a Igreja de Nossa Senhora da Candelária teve em suas portas cenas de brutal violência, incluindo o histórico assalto da cavalaria da PM aos estudantes, em 1968. Nenhuma, porém, se comparou em crueldade à da fria madrugada do dia 23.

Por volta da meia-noite, as crianças dormiam enroladas em cobertores no calçadão do prédio comercial e não notaram a chegada de dois Chevettes com as placas cobertas por um plástico: um táxi e outro comum amarelo. Os ocupantes saíram dos veículos ao perceberem que as vítimas estavam desacordadas e chamaram pelo nome o líder do grupo, conhecido como Ruço ou Marcos. Depois, foi o horror.



Os matadores começaram a atirar indiscriminadamente na direção dos menores. Alguns conseguiram fugir e outros sete, que dormiam sobre uma banca de jornais, ficaram imóveis e tiveram suas vidas destruídas em poucos instantes.

A razão que levou os policiais militares a participarem da chacina não foram esclarecidas até hoje. A versão mais crível é a de que os assassinos (no mínimo sete) faziam parte de um grupo de extermínio contratado para fazer uma “limpeza” no Centro do Rio de Janeiro. Em 1994, três homens foram julgados e condenados a, no mínimo, 45 anos de prisão pela chacina.

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22 de julho de 1944 – Chega ao fim a Conferência de Bretton Woods




Após três semanas de negociações para definir os novos rumos da economia mundial, representantes de 44 países assinaram os Acordos de Bretton Woods, em New Hampshire, Estados Unidos. Com o término da Conferência, uma nova política monetária foi estabelecida, fazendo com que todos os países mantivessem a taxa de câmbio de suas moedas dentro de um valor em dólar – moeda mais estável – que estaria ligado, por sua vez, a um valor fixo de ouro.

Além da nova política monetária, a Conferência estabeleceu também o Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), e o Fundo Monetário Internacional (FMI), que estão ativos até hoje. Sobre a criação dos órgãos, o representante do Brasil na Conferência declarou em carta ao Presidente Getúlio Vargas:

"Através do FMI será permitido enfrentar as crises temporárias, pelo uso de saldos igualmente transitórios, que poderão ficar disponíveis em outros países. Através do BIRD estará guarnecida a cooperação de longo alcance. Esses fundos assegurarão condições de estabilidade, tornando possível a circulação de capital. O BIRD estimulará essa circulação, reparando os grandes danos decorrentes da guerra ".


A experiência norte-americana com a Grande Depressão, decorrente da quebra da Bolsa de Nova Iorque, em 1929, serviu de exemplo para a criação de órgãos internacionais capazes de sustentar os países signatários em momentos de dificuldade. Nesta época, vale lembrar que a Europa estava destruída pela Segunda Guerra Mundial, a qual se aproximava do fim. Mesmo os países que sairiam vitoriosos do conflito, estavam necessitando de apoio financeiro para se reerguer. Assim, os Estados Unidos emergiam como a grande potência do século XX: já haviam se recuperado de uma terrível crise financeira e tinham a moeda mais estável do Globo, tornando-se credores mundiais e o pilar da sociedade capitalista do pós-guerra.


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21 de julho de 1946 – Ditador boliviano morre pelas mãos do povo



Uma revolução popular acabou com os mais de dois anos de governo do ditador boliviano Villarroel, cujo trágico fim aconteceu publicamente, nas mãos do povo revoltado que se libertara de vez das algemas de seu governo autoritário. Após a morte do Presidente, uma Junta Provisória, formada por membros dos grupos trabalhistas, professores e líderes universitários, assumiu o poder, prometendo restituir os direitos civis da população.

No dia anterior à morte, Villarroel abdicara da Presidência, devido ao aumento exponencial dos protestos violentos contra seu regime, liderados por estudantes e trabalhadores. Deixado o posto, o ex-Chefe de Estado cogitava partir para o exílio, permanecendo no “Palácio Queimado”, sede da Presidência, sem proteção. A multidão enfurecida com a situação político econômica do país, invadiu a residência oficial, capturou o ex-governante, atirou-o por uma das janelas e mais tarde pendurou seu corpo enforcado em um poste de iluminação na Praça Murillo. A violência dos combates neste dia foi comprovada pelo número de dois mil mortos e feridos

Nem tudo no governo de Villarroel, no entanto, foram mordaças e cassetetes. Em sua gestão de cunho fascista, o ex-combatente da Guerra do Chaco (1932-1935), influenciado pelas idéias de Juan Perón, aprovou o voto feminino no país, acabou com a pongueaje (uma espécie de trabalho escravo indígena, remanescente dos tempos da colonização espanhola), apoiou a criação da Federação dos Mineiros, organizou o Congresso Indígena e incentivou a produção de petróleo nacional.

Estas medidas desagradaram a oligarquia dominante, que começou a fazer pressão sobre o trigésimo nono Presidente boliviano. A resposta violenta e brutal dada por ele, no entanto, só piorou a situação, fazendo com que a população se voltasse contra ele, até culminar na deposição seguida de sua morte.

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20 de julho de 1969 – O homem pisa na Lua




- Este é um pequeno passo para um homem, mas é um grande passo para a humanidade – disse o astronauta norte-americano Neil Armstrong assim que encostou o pé esquerdo na superfície da Lua. Era a primeira vez que um ser humano colocava suas botas no satélite terrestre.

Assim que Armstrong deu seus primeiros passos no solo irregular da Lua, Edwin Aldrin, outro astronauta, juntou-se a ele, para que dessem um passeio histórico, assistido com emoção por milhões de telespectadores do planeta terra, que mal podiam acreditar no que estavam vendo diante da tela.

“Fina e poeirenta como carvão em pó”, concluiu Armstron após seus primeiros passos no solo arenoso.Aldrin, eufórico, andava aos saltos, quase correndo: caminhar na Lua era mais fácil do que se supunha. Juntos, fincaram a bandeira dos Estados Unidos no satélite terrestre e descerraram a placa colocada numa das pernas do módulo: “Aqui, homens do planeta Terra pela primeira vez pisaram no chão da Lua. 20 de julho de 1969. Viemos em paz em nome de toda a humanidade”.

Os dois cosmonautas recolheram amostras do solo lunar, fotografando-as antes em seu lugar original. Depois de conversarem pelo radiotelefone com o Presidente americano Richard Nixon, os astronautas encerraram sua missão e retornaram ao módulo lunar, dando início a sua viagem de volta para a Terra. Tudo correra bem.

Michael Collins, o homem mais próximo a Aldrin e Armstrong, não viu nada, no entanto. Não dispunha de televisão no módulo de comando e periodicamente a órbita o levava para o lado oculto da Lua, onde nem sequer pelo rádio ele podia acompanhar a missão de seus colegas, de recolher 22,7 quilos de amostras do solo e deixar no satélite um refletor de raios laser e sismógrafos para detectar possíveis tremores.

O módulo pousou na Lua às 17h40 no mar da Tranqüilidade, a seis quilômetros da zona prevista. Crateras lunares eram tão numerosas que os astronautas não conseguiram contabilizá-las.

- Lindo, lindo, lindo: uma desolação magnífica – disse Aldrin emocionado ao olhar de perto a imensidão opaca da superfície lunar.

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19 de julho de 1980 – Começam as Olimpíadas de Moscou



A festa de abertura dos Jogos Olímpicos de Moscou, que aconteceu no dia 19 de julho de 1980, não foi a festa mais rica, mais bonita, ou a mais animada ao longo da história da competição, disputada nos tempos modernos desde 1886. Mas de certo foi uma das mais imponentes que o mundo vira até então. Apesar de ter sido boicotada por 69 países, a competição teve mais recordes olímpicos quebrados do que a anterior, disputada em Montreal.

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Na cerimônia, o Presidente soviético evitou falar sobre as questões políticas que permeavam a disputa e que, pela primeira vez, foram capazes de influir significativamente no andamento das Olimpíadas. Algumas modalidades foram seriamente prejudicadas pela pouca quantidade de delegações e atletas participantes.

O grande boicote às Olimpíadas de Moscou partiu dos Estados Unidos, quando o Presidente Jimmy Carter deu um ultimato à URSS para que retirassem suas tropas do Afeganistão, invadido no ano anterior. Quando a exigência militar foi negada, Carter anunciou o boicote esportivo, pedindo para que seus aliados ocidentais colaborassem. Países como Japão e Canadá aderiram. Portugal, França e Reino Unido, no entanto, participaram normalmente dos Jogos, dando a opção de não adesão por parte dos atletas que não quisessem ir.

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O Brasil, bastante aplaudido em seu desfile na cerimônia de abertura, realizou uma fraca campanha nesta edição dos Jogos Olímpicos, conquistando apenas duas medalhas de ouro (ambas em iatismo). João Carlos de Oliveira, conhecido como João do Pulo, teve um salto triplo anulado pelos juízes russos, fazendo com que conseguisse faturar apenas a medalha de bronze e não o ouro merecido que avançaria o Brasil da 17ª para a 13ª posição.




O grande boicote fez com que o Comitê Olímpico Internacional cogitasse suspender a realização de futuras edições dos Jogos, coisa que, depois, foi repensada com o sucesso das Olimpíadas de Los Angeles, nos Estados Unidos.


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18 de julho de 1971 – Pelé se despede da Seleção




Na última vez em que o Rei do futebol entrou em campo vestindo a camisa 10 da Seleção Brasileira, 140 mil torcedores lotaram o Maracanã pedindo, em coro, para que ele continuasse na equipe. A despedida de Pelé aconteceu em um jogo contra a antiga Iugoslávia, no qual o craque atuou apenas no primeiro tempo, deixando os gramados, às lágrimas, sem marcar gol. A partida terminou empatada em 2 a 2, sem grande atuação dos tricampeões do mundo.

- Quando a torcida começou a gritar “fica, fica”, justamente no momento em que os jogadores me entregavam suas camisas, tive vontade de continuar jogando no segundo tempo. Isso não só aconteceu porque eu chorava muito e as lágrimas me impediam de dizer qualquer coisa – disse Pelé na noite da despedida.

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Gol de bicicleta de Pelé, em 1965


O craque estava muito nervoso em seu último jogo pela Seleção. Dias antes só falava que queria ter uma boa atuação, para se despedir com categoria, mostrando o excelente futebol que o acompanhou durante os 14 anos em que atuou com a camisa da equipe nacional. Em entrevista ao JB na noite após a disputa, ele contou que seu maior desejo era fazer um gol e quando sentiu que não estava com sorte, procurou fazer algumas jogadas que ao menos merecessem a atenção da torcida, a qual manteve os olhos nele durante todos os minutos.


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Pelé na Copa de 1958


Apesar de ter se despedido da Seleção em 1971, o Rei demorou ainda seis anos para deixar de jogar de vez. A partida final memorável aconteceu nos Estados Unidos, em 1977, quando Pelé defendia o New York Cosmos diante do Santos, seu time do coração. Para tornar a disputa ainda mais marcante, o Rei atuou dos dois lados – um tempo em cada equipe: marcou um gol pelos norte-americanos e deixou os gramados chorando. “Love, love", disse ele, em meio a soluços e lágrimas.


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17 de julho de 1994 – Brasil é Tetra nos EUA




Vinte e quatro anos após conquistar o Mundial do México, o Brasil experimentou, pela quarta vez, o sabor de ser o dono do melhor futebol do planeta. A última partida da competição prometeu trazer fortes emoções desde que as duas equipes tricampeãs, Brasil e Itália, foram classificadas para se enfrentar. Não foi para menos: a seleção canarinha venceu o time rival, nos pênaltis, por 3 a 2, e conquistou invicta – cinco vitórias e dois empates – o título de campeã do mundo. Era o único país a levantar por quatro vezes a taça mais cobiçada do mundo.


Veja mais fotos da Copa de 94 aqui!


O time brasileiro foi, durante toda a competição, o melhor. Mais aguerrida, criativa, determinada e com alguns momentos brilhantes, a equipe estrelada por Romário, Bebeto, Branco e Dunga poderia ter decidido o jogo no tempo normal. O baixinho Romário, eleito o melhor da Copa, esteve perto de fazer o gol que o consagraria, também, como artilheiro, mas o dia não estava muito favorável para ele. Na prorrogação, desgastante, sofrida, o Brasil continuou melhor, teve duas chances claras, com Bebeto e Romário, que não conseguiram finalizar. A Itália praticamente limitava-se a adiar a decisão, apostando nos pênaltis. Aposta que, no entanto, não deu certo.


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A disputa de pênaltis nem precisou ir até o fim. Duas das maiores estrelas italianas, Baggio e Baresi, veteranos da equipe, chutaram para fora. Massaro também não foi bem sucedido, tendo sua bomba travada pelas luvas do goleiro Taffarel. Pelo Brasil, Márcio Santos também desperdiçou um chute, mas Romário, Branco e Dunga sacudiram a rede no estádio Rose Bowl, em Pasadena, na Califórnia, conquistando o título mais do que merecido.


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Em 29 de junho de 1958 – Brasil é campeão do mundo
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16 de julho de 1950 – O dia em que o Maracanã se calou





O Maracanã tinha a maior torcida jamais vista em Copas do Mundo: cerca de 210 mil pessoas. Todos queriam presenciar o dia em que o Brasil se sagraria campeão pela primeira vez. Para levar para casa a Taça Jules Rimet, o time de Zizinho, Barbosa, Ademir, Bigode e Bauer precisava apenas de um empate com o Uruguai no último jogo da Copa do Mundo de 1950.


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Naquela época, com o campeão mundial de futebol sendo definido por um sistema de pontuação acumulada na última fase da competição, a Seleção Brasileira tornara-se a grande favorita: vencera com folga seus últimos adversários (Suécia e Espanha) enquanto o Uruguai tivera dificuldade para empatar como time ibérico e vencer com pouco saldo de gol os outros adversários. Na cabeça de todos, as medalhas de ouro encomendadas pela CBD com o nome da equipe comandada pelo técnico Flávio Costa já estavam praticamente no pescoço dos jovens do nosso time. O jogo estava prestes a virar.

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A multidão ensurdecedora que comemorava antecipadamente do Maracanã, principalmente após o primeiro gol brasileiro, marcado aos 2 minutos do segundo tempo, por Friaça, intimidou-se quando Schiaffino igualou o marcador para os vizinhos sul-americanos. Pior ainda se deu assim que Ghiggia virou o jogo para o Uruguai, faltando apenas 11 minutos para soar o apito final. Uma surpresa. Os uruguaios, jogando defensivamente, conseguiram frear a avalanche brasileira e aproveitar bem o contra-ataque, sagrando-se campeões do mundo e calando a gigante torcida que enchia o estádio.

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O episódio foi chamado de Maracanazo pelos torcedores uruguaios e por todos os rivais sul-americanos. Nós só conseguiríamos fazer juz ao nosso bom futebol com a perfeita campanha de 1958, quando o Rei Pelé emergia como o maior craque de todos os tempos.


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15 de julho de 1965 – Imagem de Marte captada a curta distância pela primeira vez



A primeira imagem de Marte a curta distância foi capturada pela sonda norte-americana, Mariner-4, que estava em viagem pelo Cosmos durante 228 dias. A sonda passou a 8.990 quilômetros da superfície do planeta vermelho, conseguindo enviar duas fotografias do planeta até então desconhecido. Ao fim de sua missão, antes de partir para sua órbita eterna ao redor do sol, a sonda enviaria mais 19 fotos à sua base terrestre.


Com as fotografias pôde-se visualizar com pouca nitidez o grande deserto brilhante, cercado por pequenos montes e zonas escuras que ilustram a superfície de Marte. Mesmo apresentando defeitos, a foto representou, do ponto de vista técnico, um feito comparável ao envio do primeiro homem ao espaço. A partir dela, cientistas começaram a pensar melhor o planeta e comprovar teorias prévias sobre ele, como a pouca quantidade de oxigênio em sua superfície e a hostilidade do mesmo para receber seres humanos.


“A rarefação da atmosfera de Marte tornará difícil a descida de uma nave tripulada porque não apresenta nenhuma pressão ou oposição ao corpo”, declarou o representante do Laboratório de Propulsão a Jato, no dia em que foi enviada a imagem.
O temor dos cientistas da NASA era que Mariner-4 não conseguisse energia necessária para fazer com que os aparelhos fotográficos funcionassem, devido ao ambiente hostil do planeta vermelho. As intensas variações de temperatura a que esteve submetido o instrumental do Mariner, conforme estivesse de face para o Sol ou em sentido oposto, passaram de mais de 100 graus a menos de 70 abaixo de zero.


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14 de julho de 1965 – Junta impõe Lei Marcial no Equador




Quase dois anos após a deposição do Presidente Arosemena, reapareceram no Equador sinais de mal-estar social. O porto de Guaiaquil, o mais importante do país, foi posto sob Lei Marcial, que incluía o toque de recolher durante a noite. A Junta Militar que estava no poder dava mais um sinal de autoritarismo, assim como acontecia na maioria dos países latino-americanos.

A decisão autoritária do governo militar surgiu em resposta a uma intensa manifestação política e popular que tomou as ruas da cidade do Quito e de Guaiaquil dias antes. As manifestações reivindicavam a entrega do poder executivo a um governo provisório, após os militares fixarem para julho de 1966 a data mais próxima para possíveis eleições. Como resposta, veio a Lei Marcial, a prisão arbitrária de líderes políticos de oposição e exílio de alguns líderes dos movimentos taxados de comunistas.

A situação política no Equador ia mal desde o início da década de 60. Em novembro de 1961, Arosemena, vice de Velasco Ibarra, que renunciou, assumiu a Presidência. A primeira promessa do novo presidente foi a de estabelecer relações mais estreitas com países socialistas, e especialmente com Cuba.

Arosemena cumpriu a promessa e a manteve por pouco tempo. Pressionado por grupos liberais, meses depois, ele rompia com Cuba, Tchecoslováquia e Polônia. Ao tomar conhecimento da notícia, Fidel Castro o chamou de “bêbado covarde”.

A frase de Castro juntou-se às já existentes acusações sobre o alcoolismo do Presidente. Em 62, o Congresso tentou votar em seu impeachment, mas não obteve maioria. Em 10 de julho de 63, aparentemente embriagado, o Presidente discursou em um jantar acusando o Governo dos Estados Unidos de explorar o povo da América Latina. Vinte e quatro horas depois, Arosemena era deposto por uma Junta Militar.

“O golpe pode resolver o problema de um Presidente bêbado, porém as mais amplas questões sociais e econômicas ficam por resolver”, publicou o Washington Post um dia após a deposição. Era uma verdade. A história política e social do Equador atravessaria o resto do século recheada de golpes, ditaduras e levantes populares. Nenhum governo conseguiria resolver os problemas estruturais da sociedade até 1978, quando uma eleição livre devolveria o país à democracia.



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Em 1966, Eclode a Revolução Argentina

Em 1973, Golpe derruba governo chileno. Allende suicida-se e Instalada a ditadura no Uruguai

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13 de julho de 1989 – França comemora o bicentenário da Revolução




O cenário da Praça da Bastilha no dia 13 de julho de 1989 era bem diferente daquele visto exatamente 200 anos antes. Ficaram no passado incêndios, protestos e manifestações populares intensas – que marcaram a véspera do dia em que o símbolo do Antigo Regime francês, a prisão da Bastilha, ruiria. Dois séculos depois, apenas sua memória permanecia no imaginário de seus descendentes.

Uma imensa festa, que reuniu representantes de 33 países e dois milhões de turistas, lotou as ruas parisienses, dando início a seis dias e seis noites de comemorações do bicentenário da revolução que mudou os rumos do mundo ocidental, a Revolução Francesa.
As comemorações, iniciadas no dia 13, com a inauguração da moderníssima Ópera da Bastilha, terminariam cinco dias depois, tendo consumido cerca de 300 milhões de dólares dos cofres públicos e dos bolsos de alguns patrocinadores, os quais investiram em festas, bailes e shows por toda a Paris. A Cidade das Luzes ficava ainda mais iluminada e brilhante.


Para a festa do bicentenário, o Brasil não pôde deixar de mandar seu representante. Enquanto o país estava mergulhado na maior dívida financeira do planeta, o Presidente José Sarney participava de almoços e jantares comemorativos no exterior. Na época, o Brasil estava em plena moratória da dívida externa. Devia 800 milhões de dólares ao Clube de Paris e estava obrigado a pagar 3,7 bilhões de dólares a banqueiros em setembro do mesmo ano – coisa que jamais aconteceria.


Apesar de iniciadas no dia 13, as comemorações seriam intensificadas no dia 14, data nacional francesa, escolhida, em 1880, como marco da Revolução. Neste dia, Luís XVI, que seria decapitado pouco mais de um ano depois, havia anotado em seu diário: “Terça-feira, dia 14. Nada”. Acordado à noite, pelo duque de Liancourt, que lhe comunicou o acontecido, o monarca indagou-o: “Mas é uma revolta!”. E o chefe do real-guarda-roupa teria respondido: “Não, majestade, é uma revolução”.

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12 de julho de 1990 – Morre João Saldanha




Nove dias após ter comemorado seus 73 anos de vida, João Saldanha morreu, colocando um ponto final em um dos trechos mais importantes da história do futebol brasileiro. Jornalista esportivo, famoso por suas críticas ferrenhas a técnicos e jogadores, Saldanha mostrou que além de criticar, sabia conduzir (muito bem) uma equipe de futebol.

Em 1957, o jornalista foi contratado para dirigir o time do seu coração: o Botafogo. Mesmo sem experiência, o esguio rapaz determinado levou à vitória o alvinegro carioca no Campeonato Estadual. Cansado dos problemas que viveu no clube, ele deixou o cargo e entrou na década de 60 como comentarista, o “comentarista realmente técnico” – slogan que não poderia ser mais adequado.

Em 1969, o então presidente da Confederação Brasileira de Desportos, João Havelange, contratou João Saldanha para dirigir a Seleção Nacional. Segundo Havelange, Saldanha foi contratado para que os jornalistas criticassem menos o time e a CBD, principalmente após a pífia campanha na Copa do Mundo de 66. Independente do motivo, Saldanha surpreendeu e conseguiu recuperar a auto-estima dos jogadores após uma série de vitórias nas Eliminatórias para o Mundial de 70. Às vésperas da competição, incomodado com uma série de cobranças, muitas delas de cunho político, deixou a Seleção, entregando a equipe pronta para que o bicampeão do mundo, Zagallo, assumisse seu lugar e levasse o Brasil ao tricampeonato.





Depois da Copa, “o comentarista que o Brasil consagrou” passou a exercitar seu estilo ferino e direto na imprensa. Chegava a hora do João sem medo, atacando a corrupção nos clubes e federações, a falta de planejamento dos calendários, e a pressão dos interesses políticos. Criou um estilo próprio de escrever: irônico, bem humorado, simples e objetivo, Saldanha descomplicou o vocabulário para se falar de futebol. Tanto na TV, quanto nos jornais para os quais escrevia, ele era um sucesso.

Ao longo de sua vida, uma história muito bonita foi contada. Bonito também foi seu fim. Saldanha morreu durante a cobertura da Copa do Mundo da Itália. Mesmo passando mal, uma das grandes preocupações do cronista era não deixar de publicar sua coluna diária no JB que, nesta época, exprimia sua insatisfação com o futebol brasileiro da Era Dunga. Apesar de firme e guerreiro, seus pulmões, destruídos pelos muitos anos de tabagismo, fraquejaram. Era o fim do jogo para Saldanha.

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11 julho de 1973 – Incêndio causa acidente em avião da Varig




Causado por um cigarro aceso jogado na lata de lixo de um dos banheiros, um incêndio provocou a aterrissagem forçada e a morte de 122 pessoas das 134 que viajavam num Boeing da Varig. A bordo do avião, que estava prestes a pousar na pista do aeroporto de Orly, em Paris, encontravam-se o então Senador Filinto Muller, a atriz Regina Lecléry e o cantor Agostinho dos Santos.


Doze dos 17 tripulantes conseguiram se salvar da tragédia: quando o fogo começou a se espalhar pelo interior da aeronave, a tripulação trancou-se na cabine de comando, que enviava sinais de emergência para a torre de controle. Graças à habilidade do piloto, o Boeing conseguiu pousar numa plantação de cebolas a quatro quilômetros da pista de pouso, desviando-se de áreas populosas da cidade e, evitando uma catástrofe pior. Uma pessoa morreu com a queda, os outros não resistiram ao fogo ou à fumaça.

Segundo os peritos, a manobra foi perfeita. Com fogo a bordo, a aeronave tocou o solo de barriga e se arrastou por cerca de 800 metros, e só então o incêndio envolveu completamente a parte central da fuselagem. Se tivesse permanecido pouco mais de um minuto no ar, o Boeing teria conseguido aterrissar a salvo na pista, com os passageiros vivos.

A notícia da tragédia chegou voando ao Brasil. O presidente Médici decretou luto oficial de três dias pelo falecimento de FIlinto Muller, que na época era também presidente do Congresso Nacional e da Arena. Filinto, militar, participante da política brasileira durante todas as suas ditaduras, atuou no Movimento Tenentista, principalmente na Coluna Prestes (1925), e foi Chefe de Polícia do governo Getúlio Vargas (período no qual foi um do grandes torturadores do regime, tendo participado da captura de Luís Carlos Prestes e, supostamente, na deportação de Olga Benário) antes de se juntar aos militares que tomaram o poder no Golpe de 64.



Leia também: Em 1960 – O desastre na Baía de Guanabara

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10 de julho de 1980 – Dinah Queiróz é imortalizada pela ABL



A escritora paulista Dinah Silveira de Queiróz foi eleita para a Academia Brasileira de Letras, sendo a segunda mulher imortalizada pela Academia. Dinah teve maioria dos votos dos acadêmicos, tendo “competido” competido com o jurista Gustavo Capanema pela cadeira número 7 na ABL, ocupada anteriormente por Pontes de Miranda e cujo patrono é o poeta Castro Alves.

A primeira mulher a ingressar na Academia, Rachel de Queiróz, foi uma das primeiras a chegar para a eleição, Rachel de Queiróz, foi muito direta: “Voto nela”. Após ver que seu voto contribuiu para a vitória de Dinah, Rachel declarou: “Estou radiante pela vitória dela. Foi um ato de justiça, mais do que amigas, somos irmãs, e, depois de muita luta, é uma satisfação ver as mulheres entrando de mansinho na Academia”.

“A Academia Brasileira de Letras é a nota 10 do intelectual”, disse Dinah, ao saber de sua vitória, em casa. Ela não esperava que fosse conseguir, “porque esta história de já ganhou é muito perigosa”. Dinah, que foi uma das protagonistas na tentativa de inserir mulheres na ABL, anos atrás, com a entrada de Rachel, afirmou acreditar que não existia mais empecilhos com relação a isso e se considerava satisfeita com o resultado da luta feminina.


A dona da cadeira número 7


Nascida em uma família de intelectuais, Dinah desde jovem assumiu-se como escritora. Seu primeiro livro, Floradas na Serra (1939), foi publicado quando ela tinha 28 anos e recebido de maneira muito positivo pelos leitores. Em 54, publicou o romance A Muralha, um grande sucesso que, posteriormente, seria adaptado para a TV três vezes (1961, 1968, 2000) por três emissoras diferentes. Em 1981, quando entrou de vez na ABL, Dinah lançou seu último livro, Guida, Caríssima Guida. A escritora, eternizada dentro da literatura brasileira, morreria no ano seguinte, aos 71 anos de idade.


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9 julho de 1932 – São Paulo é palco da Revolução Constitucionalista




Engasgados com o governo provisório de Getúlio Vargas, estabelecido na Revolução de 1930, a elite política paulista promoveu um movimento armado para derrubar o poder Executivo vigente e promulgar uma nova Constituição. O último grande movimento armado do Brasil acabou esmagado pelo Exército, abrindo portas para que Vargas assumisse de vez o cargo que seria ocupado pelo mesmo durante os 15 anos seguintes.

Na tarde do dia 9 de julho, a situação em São Paulo já era tensa. A cúpula do governo local reuniu-se para decidir o rumo da revolução armada, que era iminente. Desde que Júlio Prestes, candidato paulista na eleição presidencial, foi impedido de assumir a Presidência após vitória marcada por diversas fraudes sobre Vargas, São Paulo vinha sofrendo cada vez mais intervenções e censuras do Governo Provisório. Em janeiro do mesmo ano, manifestantes paulistas já tinham organizado uma passeata com grande adesão popular, sinalizando o que estaria por vir.




A reunião para a instalção de uma Assembléia Constituinte, organizada por Vargas no Rio de Janeiro, não conseguiu conter a agitação popular, política e militar que grassava no estado vizinho. Uma junta revolucionária assumiu o governo de São Paulo, convocando a população para se alistar para a luta armada contra o Governo Provisório. Os insurgentes acreditavam na adesão de outros estados, como Minas Gerais e Rio Grande do Sul, coisa que não aconteceu.

Dessa forma, com soldados despreparados, em menor número e com armamento precário, os paulistas partiram para a luta. Em meados de setembro, enfraquecidos, sem munição e cercados pelo Exército, as tropas da Força Pública Paulista, se rendeu. Em outubro foi a vez da liderança do movimento.

Começava, assim a Era Vargas, que atravessaria toda a década, só terminando em 1945, ao final da Segunda Guerra Mundial.


Confira também:

Em 1937: Estado Novo e a nova constituição

Em 1939 - A criação do Departamento de Imprensa e Propaganda

Em 1945: A Queda do Estado Novo

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8 de julho de 1937 – Eclode a Segunda Guerra Sino-Japonesa




À meia noite do dia 8 de julho tropas japonesas avançaram sobre a Ponte Marco Polo, que ligava os subúrbios ao centro de Pequim, numa ofensiva planejada durante dias. O episódio, anunciado no dia anterior, deu início à Segunda Guerra Sino-Japonesa, que só terminaria com a rendição do Japão aos Aliados, em 1945.

No verão de 1937, Pequim estava cercada pelas tropas nipônicas inimigas. Os subúrbios da cidade pertenciam ao comando do Exército Japonês, que, em 1931, iniciara um avanço sobre a região da Manchúria. A única ligação entre Pequim e o governo central do Kuomintang se dava por meio da Ponte Marco Polo, situada ao leste.


No dia 7 de julho, o governo do Kuomintang negou um pedido japonês para cruzar a ponte. Os nipônicos, assim, esperaram a noite cair e a madrugada chegar para iniciar a ofensiva que duraria até o meio da tarde. Os chineses, mal preparados e em pouca quantidade com relação ao inimigo, não conseguiram frear o avanço contínuo e agressivo do Exército do Japão. Ao fim do mês, os soldados nipônicos do pequeno país Oriental conseguiram, enfim, tomar Pequim.


A intenção dos japoneses não era de administrar um território tão grande quanto o chinês, mas sim ter áreas de influência, que pudessem fazer ligações comerciais produtivas com a parte continental. Todos os grupos políticos que antes eram rivais se uniram para conseguir expulsar os invasores. Com ajuda dos Aliados, em 1940, as tropas despreparadas do Exército chinês receberam armamentos, financiamento e homens para intensificar a contra-ofensiva.

Com a derrota do Japão no conflito mundial (1945), a Guerra Sino-Japonesa também terminou. Desde então as duas nações vem firmando sucessivos tratados de paz para que um episódio similar não voltasse acontecer.



Confira também: China e Japão renovam Tratado de Amizade e Paz

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7 de julho de 1990 – Brasil se despede de Cazuza



Havia meses que o menino “exagerado” da Zona Sul carioca despira a fantasia sonhadora, irreverente e boêmia que o acompanhou durante a sua curta e intensa vida. O menino virara adulto. Sua figura exuberante deu lugar ao aspecto desamparado, à silhueta magérrima que lhe acompanhou até o fim, anunciado três anos e meio antes, quando a AIDS lhe mostrou a sua cara. Numa era em que a AIDS era tabu, Cazuza pregava a liberdade sexual, a multiplicidade de parceiros, a liberalização das drogas. A doença lhe deu um golpe certeiro, do qual nunca se recuperaria.

Sem nomeá-la, ele falava com sinceridade sobre a sua debilidade física. “A pior sensação da doença, para mim, foi a de estar vivo, mas sem nenhuma energia. Tudo cansa, tudo é chato, tudo dói. E precisei criar um Deus em mim”, declarou em uma entrevista ao JB no ano anterior.





Assim que os médicos lhe confirmaram o HIV positivo, ele foi recomendado a tomar rigorosamente os remédios e não cair na boemia, coisa que não conseguiria cumprir: “Sou meio vira-lata, curto demais um Jack Daniels, e viver bem para mim é sair por aí encontrando gente e bebendo, até não agüentar mais”. Ao contrário das outras celebridades que foram embrulhadas pelo manto da AIDS, Cazuza se expôs, continuou a frequentar todas as estréias de shows do Rio, e se tornou uma bandeira indissociável do combate a essa epidemia.

Cazuza subiu aos palcos pela primeira vez em 1980, no Circo Voador, iniciando uma carreira que seria marcada por sucessos, excessos, provocações e paixões. O cantor rompeu as fronteiras entre o rock e a MPB. Em letras de grande vivacidade e romantismo, Cazuza conquistou o Brasil. Após a doença, suas composições passaram a ser viscerais, doloridas, violentas e, ao fim, políticas. Ele foi poeta, cantor, um personagem de sua própria história.

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6 de julho de 1971 – Cala-se a voz rouca do Jazz




A voz rouca, o pistom, o lenço branco: estes símbolos clássicos anunciavam um homem, um dos últimos gigantes do jazz: Louis Armstrong. Onde quer que se apresentasse, cantando um Hello Dolly, ou um dos clássicos cujo som trouxe de Nova Orleans, o sucesso era certo.


Os críticos não aceitavam Dolly, por exemplo, mas Armstrong estava preocupado, em sua simplicidade com o público – o seu público. Aos 71 anos, Louis morreu. Ele que se preparava, depois de vencer séria crise de saúde nos últimos meses de vida, para voltar aos palcos. Suas últimas fotos o mostravam com o pistom. Segundo sua filosofia pessoal, teria de ser assim: “Os músicos não se aposentam. Isto só acontece quando perdem a bossa... ou morrem. Então, a gente trata de arrumar eles direitinho e faz um baita cortejo fúnebre”.


Desde que partiu de Nova Orleans, com apenas 20 anos, Louis Armstrong era visto no mundo in-teiro como a encarnação física do jazz. Olhos grandes e alegres, um lenço branco contendo o suor do rosto negro e gordo formavam, junto com sua voz, emitida entre os lábios feridos pelo trompete, a imagem popular de Satchmo, como preferia ser chamado.


Satchmo começou como cornestista na orquestra de um reformatório, mas pouco depois não precisa foi para Chicago tocar com a banda do ícone do jazz na época, Joe King Oliver. O entrosamento entre Armstrong e Oliver na hora de improvisar e desenvolver breaks inesperados, lançou o novato ao sucesso . Na década de 40, Louis já era internacionalmente conhecido com o grupo All Stars, formado pelos melhores músicos do ramo. O conjunto, em 1947, gravou os hits Baby Won´t You Please Come Home, Black and Blue, Muskrat Ramble.


Satchmo conseguiu manter uma imagem mais jovial do que as dos seus concorrentes. Das boates às salas de concerto e estúdios de gravação, ele quase não mostrava sinais de fadiga. Mas seu corpo cedia e ataques do coração fizeram crescer o boato que ele estava em perigo de vida. Armstrong resistiu enquanto pode, com a energia que o tornou conhecido, mas seu coração não aguentou o pique calando definitivamente a voz rouca do jazz.

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5 de julho de 1922 – Os 18 do Forte




Na madrugada do dia 5 de julho de 1922 a população carioca acordou com um estampido provocado por um tiro de canhão que sinalizava o início da revolta. Militares do Forte de Copacabana, do qual a bala acabara de ser atirada, receberam o silêncio como resposta: o governo controlara os demais pontos de possível rebelião. Os oficiais que tinham acabado de tomar o forte da praia mais famosa do Brasil, no entanto, decidiram prosseguir.


Por mais divulgada que tivesse sido a intenção de se promover um levante, a tomada de quartéis aconteceu apenas em alguns pontos do Mato Grosso do Sul e do Rio de Janeiro, ficando, horas mais tarde, circunscrita ao Forte de Copacabana, com a rendição dos demais revoltosos.





Durante o dia, o incisivo ataque das tropas do governo fez com que muitos militares se entregassem, restando apenas 28 pessoas dentro das muralhas seguras do forte. No início da tarde do dia seguinte, sabendo do fracasso da revolta, os militares que ainda restavam lá decidiram resistir até a morte. Caminhando armados, com destino ao Palácio do Catete, os guerreiros marcharam contra as forças governamentais com armas em punho, sob intenso tiroteio. Dos 28, apenas 18 (número ainda duvidoso) seguiram caminhando para a morte. Os tenentes Siqueira Campos e Eduardo Gomes foram os únicos que conseguiram sobreviver ao episódio, que passou a ser conhecido como “Os 18 do Forte”.


A razão pela qual os militares, principalmente das baixas patentes do Exército, tramaram a revolta foi, sobretudo, a insatisfação com o governo do Presidente Epitácio Pessoa, que, no ano anterior, colocara um civil no comando do Ministério da Guerra e, em junho deste ano, mandara prender o ex-presidente Hermes da Fonseca. Além de tudo, determinados setores das Forças Armadas ainda não haviam esquecido o episódio das “Cartas Falsas”, dentro do qual o candidato situacionista à Presidência, Arthur Bernardes, supostamente escrevera cartas ofendendo Hermes da Fonseca, ofendendo, portanto, o Exército, que, neste momento, se via atravessado por ideais positivistas. Quando Bernardes ganhou as eleições, vistas como fraudulentas por grande parte da população, estas camadas insatisfeitas decidiram formular uma grande revolta.


Os 18 do Forte, apesar de fracassado, deu início ao Movimento Tenentista, que, ao longo da década, tomaria força com a Revolução de 1924 e a Coluna Prestes, e abriria caminho para a Revolução de 1930, a qual mudaria de vez a forma de governo dominante na República do Café com Leite.

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4 de julho de 1959 – Brasil é ouro em Wimbledon




Lágrimas rolavam dos olhos de Maria Esther Bueno e de Darlene Hard – umas de alegria, outras de tristeza – assim que terminou o jogo em que a brasileira ganhou o título feminino de tênis do Torneio Internacional de Wimbledon, a mais antiga e importante competição de tenistas amadoras do mundo.


O céu estava limpo. Na quadra fazia um calor abafado de 28 graus. Maria Esther, na época com 19 anos, sentia-se em casa. A paulista, que usava um vestido curto e branco, enfeitiçou a todos com seu estilo agressivo e gracioso de jogar. Para muitos, Maria Esther parecia um cisne. A brasileira não precisou mais do que 43 minutos para derrotar a loura americana, numa partida assistida por 15 mil pessoas.





Nunca antes um sul-americano subira ao mais alto lugar do pódio, ocupado durante 22 anos por atletas norte-americanas.


“Foi a melhor partida da minha vida”, anunciou ela logo após a disputa e prosseguiu: “Entrei em quadra para jogar com tranqüilidade e confiança. Considero, agora, que consegui o ajuste perfeito, a harmonização de todos os recursos de meu jogo”.


Esta foi apenas a primeira da série de vitórias importantes que fariam a brasileira ser considerada a maior tenista de todos os tempos. A notória carreira de Bueno foi encerrada praticamente em 1967, quando teve uma contusão no braço direito e precisou ser operada. Posteriormente, tentou voltar às quadras, porém não mais jogando da mesma forma como antigamente. A tenista foi a melhor do ranking mundial de tênis feminino de 1959 a 1966, tendo angariado 71 títulos no total.

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3 de julho de 1973 – Jabor é premiado em Berlim





O filme brasileiro Toda Nudez Será Castigada foi premiado pelo júri internacional do Festival de Berlim e seu diretor, Arnaldo Jabor, recebeu o Urso de Prata “por sua admirável apresentação de conteúdo social em forma burlesca”. Naquele ano, o júri só premiou diretores, mas Darlene Glória foi apontada extra-oficialmente como a melhor atriz por quase toda a imprensa alemã. Com Toda a Nudez, o Brasil recebia seu terceiro prêmio de prata no Festival: em 1964, Rui Guerra era o único ganhador com Os Fuzis, e em 1969, nosso cinema era reconhecido novamente com Válter Lima Jr., com Brasil Ano 2000.


No início do Festival, Toda Nudez era apenas um dos 20 concorrentes de 16 países. Somente o diretor do certame, que o convidou, e alguns críticos conheciam o longa de Jabor, que fora exibido durante a Quinzena dos Realizadores. No fim, o filme de Jabor era um dos mais comentados e discutidos. Recebeu muitas críticas entusiastas, sendo o filme que teve maior audiência e maior sucesso de público.


Muito aplaudido pelas mil pessoas que lotaram o Zoo Palast, na cerimônia final do Festival, Arnaldo Jabor afirmou que se sentia “muito honrado porque os alemães, a crítica européia e o júri internacional souberam dar ao filme o seu devido valor”.


Enquanto o mundo vibrava com a obra de Jabor, o Brasil era impedido de assisti-lo pelo crivo da ditadura militar. No dia em que Toda Nudez recebera o prêmio, discutia-se aqui, finalmente, uma possível liberação do mesmo. Uma sessão especial promovida pela Censura fizera um levantamento para averiguar se era possível a distribuição do filme “dotado de alto teor pornográfico” para as salas do país. No fim, após o prêmio, o longa foi liberado com alguns cortes, respeitando a “moral” da família brasileira.

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2 julho de 1961 – Hemingway tira a própria vida





O suicídio sempre permeou suas conversas, seus contos, sua vida. Aos 61 anos, o escritor norte-americano Ernest Hemingway decidiu acabar com a vida com um tiro na cabeça, repetindo o ato de seu pai, morto 32 anos antes. Doente, com depressão, diabetes e perda de memória, Hemingway decidiu ser mais sensato escolher a hora de partir.


Prêmio Nobel de Literatura (em 1954, principalmente pelo livro O Velho e o Mar, de 1952), Hemingway começou como repórter no Kansas City Star, foi correspondente durante as duas grandes guerras e passou à literatura quando a escritora Gertrude Stein lhe disse que jornal era uma espécie de quadro-negro: terminando de escrever, passa-se um apagador.


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Americano expatriado, que se reuniu a uma comunidade de escritores em Paris, conhecida como “geração perdida”, Hemingway voltava–se para os homens primitivos em busca da salvação do homem saturado de civilização e cinismo. Ele construiu um mundo de bandidos, caçadores, pescadores, boxeadores e toureiros, elevando-os à mais alta dignidade artística por meio de um estilo que serviu de modelo às futuras gerações – um estilo puro, severo, despojado do supérfluo, que o colocou ainda durante a sua vida (como o nosso Graciliano Ramos) entre os grandes clássicos da língua inglesa.

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1 de julho de 1974 – Argentina chora por Perón




Às 14h15 do dia 1 de julho, a primeira-dama e vice-Presidente Isabelita anunciava pela TV a morte do único homem que foi eleito, legitimamente, para o mais alto cargo do Executivo argentino por três vezes: Juan Domingo Perón. O coração caloroso de El Hombre que presidiu o país de 1946 a 1955 e, depois, de 1973 a 1974, não resistiu a uma doença que o enfraquecia dia após dia, finalizando sua saga aos 78 anos de idade.


“Estamos vivendo horas amargas. Circunstâncias que devem retemperar o espírito do povo argentino no sentido de uma verdadeira união nacional. Com grande dor devo transmitir ao povo o falecimento de um verdadeiro apóstolo da paz e da não violência”, anunciou a nova Chefe de Estado, que permaneceria no posto durante dois anos, até ser deposta por uma junta militar.


A vida do velho líder foi acompanhada por veneração e ódio. Perón foi presença constante no cotidiano argentino em seus 18 anos de ausência, durante os quais viveu na Espanha, um estilo político de lutador oriental que se aproveitava da força física de seus adversários para fazê-los tombar – prestígio solidificado a cada eleição ganha e tomada. Passional e paternal, desafiador e prudente, arrogava a infalibilidade que irritava os espíritos analíticos e empolgava o homem comum. Era El Viejo, El Hombre, o tipo físico ajudando a compor o carisma, sorriso claro e cabelos brilhantes. Foi assim que Perón conquistou seu povo nos idos dos anos 40 e foi assim que este povo lutou pela sua volta em 1973.


Em seu último mandato, no entanto, Perón não fez tanto sucesso. Para os argentinos, cada semana após a posse de seu líder transformou-se em decepção. Ao contrário do que o próprio Perón previra, sua simples presença na Casa Rosada não bastou para acalmar a situação do país, que passara sete anos sufocado pela ditadura militar. Sequestros e ataques terroristas fragilizaram seu governo, de modo que não conseguisse implementar a revolução econômica que prometera. Pouco antes de morrer, a renúncia passou pela sua cabeça, mas decidiu seguir adiante, “trabalhando até o último alento, para reconstruir o país”.

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