31 de julho de 1991 – Collor anuncia restituição da poupança

Mais de 500 dias depois de confiscar os cruzados novos das poupanças dos brasileiros, o então presidente Fernando Collor anunciou que começaria a devolvê-los em duas semanas. O plano de Collor era que fossem liberados integralmente os saldos de todas as contas até 200 mil cruzados novos. Em casos de maiores quantias, era previsto que no dia 15 de agosto começassem a ser restituídos apenas 1/13 do saldo total.
Se todos os poupadores retirassem o que tinham direito no dia 16 de agosto, após a restituição, esse número representaria cerca de 7% do valor que continuaria confiscado nas mãos do governo Collor. Estes pequenos depositantes representavam metade dos depositantes com contas bloqueadas no Banco Central, equivalendo a um montante de 580 bilhões de cruzados.
“O que se procurou foi proteger e priorizar o pequeno depositante sem provocar um impacto muito grande na economia”, anunciou o Ministro da Fazenda, Marcílio Moreira.
De fato, no dia 15 de agosto, o dinheiro confiscado pela União, no ano anterior, sob tentativa de controlar a hiperinflação herdada do Governo Sarney (1985-1990), começou a ser devolvido ao pequeno depositante brasileiro, mas este processo estava longe de ser concluído naquele mês. A dívida com a população foi deixada para os governos seguintes que, ao longo da década de 90, tentaram consertar o rombo no bolso do depositante deixado pelo primeiro Presidente eleito pelo voto popular após a ditadura.

O Plano Collor
Quando Fernando Collor foi eleito Presidente da República, em 1989, tinha como promessa de campanha realizar um governo limpo, sem corrupção, que fosse capaz de controlar a hiperinflação que agravava dia após dia a crise econômica no Brasil. Uma das medidas adotadas no Plano Collor foi o congelamento do dinheiro da poupança, logo após assumir o governo. Além do confisco, foram medidas do Plano o Programa Nacional de Desestatização (PND), que por meio de uma política de liberação fiscal privatizava vários órgãos federais; e também a Política Industrial e de Comércio Exterior (PICE).
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