Arquivo de April 2010

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30 de abril de 1975 – Termina a Guerra do Vietnã




Quatorze anos depois da Casa Branca ter determinado o desembarque de tropas norte-americanas na Indochina para um ataque aberto contra o Vietnã do Norte, o então presidente dos Estados Unidos, Gerald Ford, ordenava, do mesmo local, a retirada às pressas dos últimos 904 norte-americanos que se encontravam em solo vietnamita. Apesar da retirada ter se realizado quase por completo após um acordo assinado pelos Estados Unidos dois anos antes, alguns contingentes militares permaneceram no local ajudando as forças do Sul.

O motivo pelo qual se ordenara a retirada imediata das tropas americanas fora a ocupação da capital Saigon – símbolo do governo sulista – pelo Exército vietcong (força comunista do Vietnã do Norte que recebia apoio da URSS), na madrugada do dia 30 de abril. A tomada da cidade, representou a derrota trágica dos Estados Unidos no conflito que matou mais de 2 milhões de pessoas, e a vitória dos aliados do norte.

“Nossa tarefa imediata será a de construir um Vietnã do Sul pacífico, independente e neutro, e trabalhar, passo a passo, pela reunificação de nosso povo através de meios pacíficos”, afirmou o Chanceler do Governo Revolucionário.

A tomada de Saigon fez parte de um plano muito bem preparado, no qual os pontos estratégicos da cidade foram ocupados em menos de uma hora pelos soldados vietcongs, que hastearam sua bandeira nos principais prédios da cidade, depois de terem sufocado imediatamente todos os pontos de resistência da cidade.

A unificação oficial, sob o nome de República Socialista do Vietnã, no entanto, só aconteceria em julho no ano seguinte, sem motivos de celebração: em decorrência da guerra, o país encontrava-se arrasado. As plantações estavam arruinadas (devido à utilização de desfolhiantes químicos por parte dos norte-americanos), cidades inteiras estavam destruídas e grande parte da população economicamente ativa do país fora morta durante o conflito, o que agravou seriamente os problemas econômicos da nova nação.

Mesmo com a ruína da União Soviética no fim do século passado, o regime socialista do Vietnã permaneceu de pé. Até hoje, o país unificado é regido pela corrente socialista, administrado pelo partido único do governo – o qual eliminou sua oposição assim que assumiu o poder.

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29 de abril de 1980 – Sem sangue, crime ou suspense, morre Alfred Hitchcock




De “causas naturais”, morreu, sem mistério, drama ou angústia aquele que é considerado o pai dos filmes de suspense: Alfred Hitchcock. Hitchcock terminou seus oitenta anos de vida tendo dirigido 66 longa-metragens, sempre se mantendo fiel a si mesmo, escolhendo o que queria filmar e como iria fazê-lo. Hitchcock, durante seus quase 40 anos de carreira, realizou um cinema autoral, mantendo sua assinatura numa época em que Hollywood era dominada pelas grandes produtoras. Entre seus filmes de maior sucesso estão Rebecca (1940), Festim Diabólico (1948), Janela Indiscreta (1954), O Homem que Sabia Demais (1956), Um Corpo que Cai (1958), Psicose (1960).

Apesar de admirado na Europa, principalmente pelos críticos franceses que integravam o movimento artístico e contestador da Nouvelle Vague (década de 60), Hitchcock não foi devidamente reconhecido nos Estados Unidos: ele nunca ganhou um Oscar e seu longa Um Corpo que Cai, considerado por muitos sua obra-prima, foi um fracasso comercial na época.





Ao misturar humor e suspense, o cineasta inglês, que fez sua carreira do outro lado do Atlântico, construia seus longas de forma que o espectador sentisse insegurança, medo, compaixão e alívio. A forma como filmava, transformando o espectador em voyeur, fazia com que este só descobrisse o assassino junto com o protagonista no final da história – o espectador, assim como o personagem, recebia pistas visuais ao longo da trama, tendo que ligar todos os pontos para chegar à solução final. Seu estilo de filmar ia contra a ação, ele tentava suspender o tempo; quando um personagem via algo de perturbador, por exemplo, em vez de mostrar logo a causa de tamanha inquietude, mantinha a câmera parada na expressão do ator, aumentando a curiosidade do espectador.

“Meu nome está ligado aos filmes de suspense, de horror. Sou o único cineasta, assim, a ter um gênero bem determinado. Mas não sou prisioneiro desse gênero que criei. No interior desse gênero, meus filmes são variados”, disse Hitchcock certa vez sobre seu modo de fazer cinema, acrescentando que para realizar esses filmes, tentava “contar uma história num estilo bem visual e cinematográfico”.


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28 abril de 1992 – Morre o polêmico Francis Bacon





Famoso por suas pinturas dramáticas, retorcidas e macabras, e considerado um dos maiores nomes da arte britânica, Francis Bacon deixou o mundo de forma nada expressionista. O célebre pintor irlandês (que fez carreira na Inglaterra) morreu de um ataque cardíaco, aos 82 anos, durante uma temporada de férias na Espanha.

Francis saiu da casa dos pais cedo, após ter despertado raiva em seu pai, que o flagrou usando roupas íntimas femininas em casa. Ao chegar em Londres, o artista trabalhou como pintor e designer de móveis, escolhendo a primeira opção unicamente em 1933. Sua primeira mostra importante, Três estudos sobre a crucificação (1944), na Galeria Lefevre, em Londres, tornou-o conhecido como mestre do macabro, da crueldade física e psicológica.

A pintura de Bacon, com suas formas atormentadas e sangrentas, meio humanas, meio animais, remetiam a Picasso e ao expressionismo alemão, mas na verdade era vista pela crítica como fruto de um pesadelo pessoal. Ele mesmo preferia se afirmar como um realista que apenas recriava a violência cotidiana. “Não se pode ser mais horroroso do que a própria vida”, dissera certa vez.

Apesar da obra de Bacon ter sido marcada pela angústia, sua vida era cheia de entusiasmo. O descendente do filósofo inglês Francis Bacon (1561-1626) tinha muitas paixões além da arte: casas noturnas, o jogo, a bebida e os homens. Ele foi considerado um dos pintores vivos mais caros do mundo. Nos anos 70, a tela Triptych May-June foi vendida por quase US$ 7,2 milhões na Sotheby´s de Londres, quantia recorde, na época, para um pintor inglês do século XX.

As influências de Bacon começaram com Picasso (“Quando vi aquelas figuras senti uma espécie de choque e percebi que queria ser pintor”), mas, ao longo da vida, foi acumulando outras preferências: Velázquez, Seurat, Cézane, Rembrandt. Ele, no entanto, nunca quis teorizar sobre seu trabalho: “Não vale a pena falar de pintura, porque no final das contas, acaba não se dizendo nada”.


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27 de abril de 1994 – Autorizada a transposição do Velho Chico




O presidente Itamar Franco autorizou a execução do Plano de Transposição de Águas do Rio São Francisco para quatro estados do Nordeste – Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. Ao custo de US$ 2,1 bilhões, o plano visava construir 240 quilômetros de canais e quatro elevatórias, transportando água de Cabrobró (PE) para a perenização de seis rios, abastecendo 220 cidades e aumentando a capacidade de irrigação de 175 mil hectares, para 1,6 milhão de hectares.

A primeira fase do plano, orçada em US$ 550 milhões seria financiada por empréstimos obtidos junto a bancos europeus e japoneses, através do Banco do Nordeste. A segunda fase custaria aos cofres públicos cerca de US$ 1,5 bilhão, sendo financiada pelo Banco Mundial.

O projeto de transposição, apesar de aprovado pelo presidente, não saiu do papel durante o seu mandato. O governo encontrou grande oposição por parte de diversos segmentos da sociedade, que achavam que a transposição das águas beneficiaria uma pequena parcela da população, em sua maioria latifundiários, retirando água que seria destinada ao uso humano para atender à demanda do agronegócio. Outra crítica ao projeto se referia a um possível aumento no processo de desertificação das margens do rio, com a retirada de parte de suas águas, o que poderia vir a causar a extinção do mesmo.

Em 1994, quando Fernando Henrique Cardoso assumiu a presidência, o projeto voltou a ser discutido. FHC assinou o documento “Compromisso pela Vida do São Francisco”, que propunha a revitalização do Velho Chico e um novo plano para a construções dos canais de transposição. Assim, com a revitalização, o rio suportaria adequadamente o desvio de uma pequena parcela das suas águas sem correr o risco de secar. Apesar das novas idéias, as obras não conseguiram ser alavancadas.

No primeiro mandato de Lula, no entanto, três empresas foram contratadas para reestudar o plano de irrigar as terras secas do agreste nordestino, desviando 2% do volume total das águas do rio. Em 2007, após o novo projeto ter sido aprovado, o Exército iniciou obras de construção de túneis na parte leste do rio, apesar da oposição de ambientalistas, habitantes de regiões banhadas pelas águas do Chico, indígenas e religiosos.

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26 de abril de 1994 – Negros e brancos votam juntos na África do Sul




Desafiando ameaças de bomba e a falta de organização, sul-africanos de todas as etnias deram início ao primeiro dos três dias de votação, encerrando com isto três séculos de dominação branca no país. As eleições que levariam o líder negro Nelson Mandela à Presidência, contaram com o voto de 22 milhões de eleitores, que, em sua maioria, votaram durante o segundo dia.

“A África do Sul não está acostumada a fazer eleição para toda a população”, lamentou o diretor de informações do Congresso, ao explicar porquê o primeiro dia das eleições foi tão confuso. Segundo fontes do governo, o grande problema, que frustrou uma parte dos eleitores, foi a falta de logística. Em muitas sessões eleitorais, cédulas e urnas não chegaram em quantidade suficiente para a grande demanda dos votantes, fazendo com que longas filas de espera se formassem, atrasando o processo.

Antes do processo eleitoral, que colocou um ponto final no regime de segregação entre brancos e negros no país, apenas três milhões de pessoas (brancos e mestiços) participavam do processo de escolha dos seus governantes. Conhecido como apartheid, cujo início formal se dera no início do século XX, o regime segregacionista do país instaurou a supremacia branca na África do Sul, na qual os brancos, um quinto da população, tinham direito à posse de mais de 90% das terras, além de acesso à melhor educação, áreas de lazer, saneamento básico, rede de energia, melhores salários e direitos civis. Dentro de sua própria terra, os negros viviam isolados, oprimidos e cerceados.

Em 1990, no entanto, o então presidente F. W. Kerk não conseguiu suportar a agitação popular e a pressão internacional. O parlamento foi aberto à partidos políticos de oposição, que antes tinham sido banidos, e o grande líder revolucionário, Nelson Mandela, que passara mais de 30 anos na prisão, foi libertado. As eleições aconteceram, assim, após quatro anos de transição negociada entre o governo e o partido de Mandela (CNA).

“É um momento inesquecível, a realização de minhas esperanças e sonhos mais profundos”, declarou ele no dia seguinte, em seu colégio eleitoral. Mandela foi eleito e permaneceu no governo até 1999. Hoje, ele se mantém afastado da política, mas permanece envolvido em causas sociais de direitos humanos.

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25 de abril de 1988 – Morre Lygia Clark: a artista da não-arte




Principal nome da vanguarda carioca dos anos 50/60 junto com Hélio Oiticica, Lygia Clark, a artista-plástica que não se considerava artista, morreu de infarto, aos 67 anos, em sua casa em Copacabana, no Rio de Janeiro. Segundo um amigo, Lygia não estava bem havia um tempo: “Ela andava acabrunhada e sentia-se revoltada por um dia estar bem e outros não”. O corpo de Lygia foi velado no cemitério de São João Batista, em Botafogo.

“Através da outra pessoa, o indivíduo pode perceber o seu próprio sentido, conhecer-se a si mesmo” – com essa frase, Lygia Clark sintetizava o problema a que se dedicava e as soluções que encontrou ao longo de uma das trajetórias mais marcantes nas artes plásticas brasileiras. Ela não se definia como pintora, apesar de ter pintado. Também não se considerava escultura, apesar de ter feito escultura. A partir de certo momento, desistiu de ser artista, a despeito de ter sido uma. Tornou-se a não-artista que, através da arte, tentava chegar às visceras do corpo humano, onde tudo o que importa tem sua origem mais profunda.

“Grávida de ideias” e “estéril para enlouquecer”, era assim que Lygia referia-se a si mesma. Ideias, ela começou a tê-las desde que, em 1947, sem qualquer formação acadêmica, foi para Paris e expôs lá o seu trabalho. Em 1952, voltou ao país e ligou-se ao concretismo, com Ivan Serpa na liderança do grupo Frente no Rio. Três anos depois, veio a revolução: Lygia rompeu com o espaço da representação através dos “contra-relevos” e das “superfícies-moduladas” mostradas na I Exposição neoconcreta, em 1959. Do mesmo ano são os primeiros Bichos, esculturas em lâminas metálicas articuladas por dobradiças, que foram o maior ponto na revolução que ela iria operar então. Eram estas as ideias que, em seguida, resultariam na dissolução da obra de arte enquanto objeto destinado à contemplação.

“A arte não consiste mais em um objeto para você olhar, achar bonito, mas para uma preparação para a vida”, disse Lygia Clark numa entrevista em 1971.

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24 de abril de 1990 – Telescópio Hubble vai ao espaço




Na manhã do dia 24 de abril chegava ao espaço, a bordo do ônibus espacial Discovery, o telescópio Hubble que, em alguns dias seria colocado em órbita para observar astros muito distantes e incapazes de serem vistos da terra. Avaliado em 1,5 bilhão de dólares e pesando 12,5 toneladas, o telescópio espacial foi construído para observar fenômenos situados a 14 bilhões de anos-luz de distância (um ano-luz equivale a 9,5 trilhões de quilômetros), captando luz emitida nos primórdios da formação do Universo.

Chegando ao espaço, a tripulação do Discovery levaria ainda pouco mais de um dia para colocar o Hubble em órbita, através de um braço mecânico operado pelo astronauta Steven Hawley. Após soltar o telescópio, a nave seguiria acompanhando-o por mais dois dias. As primeiras observações espaciais do Hubble, no entanto, ainda demorariam um mês para acontecer. Devido a problemas na lente do telescópio, essas primeiras observações saíram
embaçadas, mas, após um reparo do sistema óptico, passaram a chegar à Terra com a uma qualidade extraordinária.

Flutuando no vazio do espaço, livre da interferência da atmosfera terrestre, o Hubble seria capaz de observar objetos 100 vezes menos luminosos do que os percebidos por instrumentos baseados na superfície da Terra. Isso tornaria possível a detecção de planetas em órbita de estrelas vizinhas e observar a estrutura dos quasares, misteriosos objetos de intensa luminosidade, situados nas fronteiras do Universo.

As imagens captadas pelo Hubble seriam codificadas em sinais eletrônicos e transmitidas para o satélite de telecomunicações TDRS, lançado dois anos antes pelo próprio Discovery. Recebidas as informações, o TDRS retransmitiria as imagens para o Centro Espacial Goddard, em Maryland, e para o Instituto do Telescópio Espacial, em Baltimore.

Apesar de ter sido projetado para funcionar até 2005, o Hubble continuou recebendo financiamento do governo dos Estados Unidos, e constante manutenção da NASA. De acordo com a agência espacial, o telescópio funcionará pelo menos até julho de 2013, quando deverá entrar em operação o seu sucessor, atualmente em fase de montagem, o telescópio espacial James Webb.

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23 de abril de 1986 – Morre Preminger: o frágil adeus do durão de Hollywood





Quem se deparou com o frágil Otto Preminger em seus últimos anos de vida, pela primeira vez, jamais desconfiaria que cerca de quarenta anos antes, o grisalho senhor, enfraquecido pelo câncer e confundido pelo mal de Alzheimer, fora famoso por sua dureza com os atores que dirigia. Esse Preminger maltratado pela doença faleceu no dia 23 de abril, aos 79 anos, em sua casa em Manhattan.

Preminger considerava os atores que, eventualmente ficavam sob seu comando, crianças de quem esperava estrita obediência. “Você só tem de receber ordens, saber onde ficar e o que dizer. Você, então, se torna uma criança. Isto é representar”, afirmara ele uma vez. Por essa rigidez e antipatia no set de filmagem, Preminger fora eleito, certa vez, o homem mais odiado de Hollywod, o que foi considerado por ele uma vitória. Mas na vida pessoal ele era tido (surpreendentemente) como uma pessoa encantadora.






Foi líder na luta contra a censura. Seu Ingênuo até certo ponto, feito em 1953, com William Holden, provocou oposição em Hollywood porque usou a palavra “virgem” e tratou abertamente do adultério; Preminger, porém, venceu a causa na Justiça e o filme foi um sucesso de bilheteria. Foi também um dos primeiros a abordar o tema das drogas, tema tabu em 1956, quando lançou O homem do braço de ouro, com Frank Sinatra.

Seu filme Laura (Oscar, em 1944), com Gene Tierney e Dana Andrews, tornou-se um clássico entre as histórias policiais e de suspense. Entre os filmes mais conhecidos de Preminger estão Porgy e Bess, Carmen Jones, Bonjour Tristesse e O Cardeal, que provocou controvérsia em Hollywood.

Preminger era judeu e austríaco, fugiu dos nazistas, em 1935, para os Estados Unidos. Trabalhou, além de como diretor, como ator, na série de TV Batman. Sobre seus filmes polêmicos, uma vez declarou: “assumo um ponto de vista pessoal, e, talvez porque meus filmes tratem de temas contemporâneos, outras pessoas não compartilhem os mesmos pontos de vista que defendo”.

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22 de abril de 1994 – Morre Richard Nixon




Vinte anos após ter renunciado ao cargo de Presidente dos Estados Unidos para evitar a humilhação de ser o primeiro Chefe de Estado a sofrer impeachment no país, Richard Nixon deixou a vida como um conceituado interlocutor em política externa, um notório estadista que superou os próprios erros. O ex-presidente faleceu em um hospital de Nova Iorque, vítima de derrame cerebral, aos 81 anos de idade.

Deputado aos 33 anos, senador aos 37, vice-presidente aos 39, Nixon já provara sua capacidade de se recuperar das adversidades em outras etapas da vida. Quando perdeu as eleições presidenciais para John Kennedy, em 1960, começou a ser olhado como um político enfraquecido, mas sua determinação o levou a uma reconstrução da sua vida política, até conseguir a indicação presidencial pelo Partido Republicano em 1968.

Nixon assumiu a presidência em tempos de caos nos Estados Unidos, quando o pais se encontrava em tumulto após os assassinatos de Kennedy e do líder negro Martin Luther King, além dos protestos contra a participação norte-americana na Guerra do Vietnã. Nixon conseguiu manter a guerra durante seu primeiro mandato, mas soube negociar a paz no final de sua gestão. Foi ele quem também procurou a grande inimiga da época, União Soviética, para assinar um protocolo de negociações de desarme nuclear; e também, mesmo já tendo sido conhecido por “caça-comunistas”, fez uma visita surpresa à China de Mao Tsé Tung, reatando as relações diplomáticas com o país (1972).

Foi em 1974, no entanto, que as coisas passaram a dar errado para ele, quando veio à tona o caso de Watergate. Após uma investigação jornalística, ficou provado que Nixon sabia do planejamento para a invasão da sede do Partido Democrata (prédio de Watergate), que ocorreu em 1972. Essa ligação tornou a gestão de Nixon insustentável, ocasionando sua renúncia.

Com o apoio da família, Nixon praticou advocacia nos anos seguintes, escrevendo nove livros sobre sua vida e suas impressões do cenário nacional, voltando a ser admirado e prestigiado no meio político norte-americano. Nixon conseguiu apagar sua imagem negativa e passou a ser um exemplo de superação para o povo norte-americano.

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21 de abril de 1960 – Brasília é inaugurada como capital da República





21 de abril de 1960 – Brasília é inaugurada como capital da República
“A mudança do Governo para Brasília representa hoje mais do que a simples mudança da capital: é a realização de uma idéia sobre a qual se assentou a maior parte das esperanças de uma nova configuração econômica, social e política do Brasil. E Brasília, gerada pela vontade e a força da idéia, é o símbolo dessa esperança. Por ela, tudo se deu e nada há de ser negado. Dela vem a indagação que, no fundo cada qual parece estar fazendo mudamente a todos: o que será Brasília no amanhã brasileiro?” (JB, 21 de abril de 1960)

Apesar de ter sido idealizada na primeira Constituição da República, de 1891, a construção de Brasília só ocorreu na gestão de Juscelino Kubitschek (1956-1961), sendo a meta síntese de seu famoso Plano de Metas. Com o lema “Cinquenta anos em cinco”, JK queria basear seu governo em um modelo de desenvolvimento econômico acelerado, transformando o Brasil agrário e “atrasado” em um país industrializado e “desenvolvido”. O plano priorizava cinco setores: energia, transporte, indústria de base, alimentação e educação. JK, assim, investiu principalmente na construção de rodovias e, movido por um ideal de integração do território nacional, transformou a antiga ideia de levar a capital para o coração do país em realidade.

A inauguração de Brasília, aguardada ansiosamente pelos brasileiros, ocorreu no mesmo dia em que possivelmente aconteceu a fundação de Roma (753 a.C.), o centro do maior império da Antiguidade Clássica e, hoje, capital da Itália; e também na mesma data em que se lembra a morte de Joaquim José da Silva Xavier – o Tiradentes -, conhecido por ter sido o herói da Inconfidência Mineira.

Ciente da importância histórica do 21 de abril, JK acordou bem cedo para iniciar o dia de celebração, no qual a capital seria transferida oficialmente do Rio de Janeiro para Brasília. Logo pela manhã, o presidente ouviu o toque da alvorada pela Banda do Batalhão de Guardas, e, depois hasteou a Bandeira Nacional em Frente à nova sede do Governo, o Palácio do Planalto.

“Brasília já vem sendo apontada como demonstração pujante de nossa vontade de progresso, como índice do alto grau de nossa civilização. Já a envolve a certeza de uma época de maior dinamismo, de maior dedicação ao trabalho e à Pátria, despertada, enfim para seu irresistível destino de criação e força construtiva”, declarou Juscelino, ao encerrar o discurso de instalação do Poder Executivo no Planalto. E aposentando de vez as atividades no Palácio do Catete, que, naquele momento, tornava-se um museu.

Baseada no Plano Piloto de Lúcio Costa, vencedor de concurso público em 1957, Brasília era o símbolo do desenvolvimento nacional, intensificado na era JK. Apesar dos contrastes de uma construção erguida sobre o barro do cerrado, a cidade gerou muitos empregos, além de ter contribuído para o povoamento do Centro-Oeste, que sempre fora preterido desde a chegada dos portugueses na Ilha de Vera Cruz, quase 510 anos atrás.

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20 de abril de 1963 – Começa o Pan-Americano de São Paulo




Os IV Jogos Pan-Americanos foram abertos na tarde do dia 20 de abril, numa solenidade no estádio do Pacaembu, onde cerca de 45 mil pessoas, em sua maioria estudantes, aplaudiram as delegações dos 24 países que participariam da competição.

As delegações desfilaram em ordem alfabética, ficando, no entanto, a do Brasil por último lugar, por ser o país sede.A delegação do Brasil desfilou com cerca de 500 atletas, igualmente trajados de paletó azul claro, tendo o arremeçador de martelo Roberto Chap Chap como seu porta-bandeira.

“Declaro abertos e instalados os IV Jogos Pan-Americanos”, disse o governador de São Paulo, Ademar de Barros, pouco antes de hastearem as bandeiras Olímpica e Pan-americana por alunos da Escola Militar das Agulhas Negras.

Depois da cerimônia de abertura, as primeiras competições seriam realizadas: eliminatórias do torneio de judô (20h), seguindo-se a primeira rodada de futebol com Brasil x Peru e Chile x EUA, ambos os jogos às 21h.

Os Jogos Pan-Americanos de 1963 foram a quarta edição da competição, que começou em 1951, na Argentina, e a primeira do Brasil. Foi no Pan de São Paulo que o Judô começou a ser disputado na competição, contando com apenas onze atletas (do Brasil, Peru e Estados Unidos). Foi também neste Pan que a Seleção Brasileira de Futebol garantiu seu primeiro ouro em um torneio pan-americano, tendo Carlos Alberto Torres e Jairzinho no elenco – ambos que seriam consagrados na Copa do Mundo de 1970 –, goleando até a renomada equipe dos Estados Unidos por 10x0.

O boxe também foi uma modalidade de destaque para o Brasil nessa competição, garantindo-nos nove medalhas, sendo três de ouro. A tenista Maria Esther Bueno, que tinha sido a número 1 do mundo em 1959, não decepcionou os brasileiros e venceu o torneio feminino individual e ficou em segundo lugar no torneio de duplas, jogando ao lado de Maureen Schwartz. Apesar das vitórias, o Brasil não ficou no topo do ranking no final das competições. Os Estados Unidos faturaram o primeiro lugar (106 medalhas de ouro) e a delegação auri-verde o segundo (14 medalhas de ouro), seguida do Canadá (11 medalhas douradas).

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19 de abril de 1995 – Bomba explode em Oklahoma City




No dia 19 de abril, a pacata Oklahoma City ouviu um barulho que nem de longe se confundia com a sua famosa música country. O estrondo provocado por meia tonelada de explosivos em frente a um prédio do governo federal ensurdeceu a cidade que depois chorou a morte de 168 pessoas – entre eles mulheres e crianças – e agonizou junto com os mais de 500 feridos que sobreviveram ao atentado.

A explosão do carro-bomba deixou um buraco de dois metros e meio na rua e quebrou vidraças a vários quarteirões de distância, lançando “milhares de estilhaços que cortavam como giletes”, nas palavras de um homem que estava num dos prédios vizinhos e sofreu vários cortes no corpo. No prédio funcionavam diversas repartições públicas e ainda uma creche, que tinha 45 crianças matriculadas.

“Foi um ato covarde e diabólico”, declarou emocionado o então presidente do país, Bill Clinton, ao anunciar a decretação de estado de emergência em Oklahoma City. “Não há dúvidas que encontraremos os assassinos e então o castigo será rápido, certeiro e severo”, concluiu.

Logo depois do atentado terrorista, a imprensa norte-americana noticiou que homens de barba (possivelmente árabes) saíram correndo do prédio minutos antes da explosão e que a polícia dos Estados Unidos fizera retratos falados dos estranhos tipos. Traumatizados pela primeira bomba no World Trade Center (1993), os norte-americanos culparam estrangeiros pela tragédia que matou pessoas inocentes no interior sonolento dos Estados Unidos. Dias depois, uma outra bomba explodiu, mas desta vez de efeito moral. O que se descobriu foi que os autores do atentado não eram árabes de pele morena e barba comprida, mas sim um americano branquelo de cabelos castanho claro, que servira no Exército anos antes. Timothy James McVeigh foi preso, primeiramente, por excesso de velocidade e só depois ligado ao atentado por policiais do FBI.

McVeigh era ligado a uma milícia de extrema direita, a qual nutria um ódio especial ao governo federal e sua suposta tentativa de controlar a vida da população do país. Depois de julgado, McVeigh foi preso e executado (2001) por ter causado o segundo maior ataque terrorista em solo norte-americano (ficando atrás do atentado contra o World Trade Center, em 11 de setembro de 2001).

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18 de abril de 1998 – A MPB perde seu maior Boêmio





Ao som de seu maior sucesso, A volta do boêmio, gravado em 1956, e com uma bandeira do Flamengo sobre o caixão, foi sepultado o corpo do cantor Nelson Gonçalves no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro, no dia seguinte ao da sua morte. O corpo do rei do rádio foi velado na Câmara dos Vereadores, no Centro, tendo atraído mais de 600 pessoas, entre fãs, parentes, amigos e artistas que iam prestar a última homenagem a um dos mais românticos intérpretes da música brasileira.

Luiz Paulo Conde, então prefeito do Rio, declarou luto oficial de três dias, além de anunciar que a Praça da Lapa seria rebatizada como Praça Nelson Gonçalves.

“Ele estava com efizema há uns 10 anos e sentia sempre falta de ar. O enfarto foi de repente. Ele não disse nada, morreu em 15 minutos”, disse uma das filhas do cantor afirmando que divulgaria músicas inéditas do pai.

O segundo cantor que mais vendeu discos na história do Brasil – 78 milhões de cópias, perdendo apenas para Roberto Carlos – não encerrou a carreira da maneira que desejara, segundo uma entrevista dada por ele antes de sua morte. “Será durante um programa de televisão transmitido a todo o país. A orquestra dará os primeiros acordes, eu a interromperei e direi: meus amigos, chega ao fim neste momento minha carreira artística. Adeus”.

Despedindo-se do mundo, aos 78 anos, sem ter tido tempo de organizar essa cerimônia final, Nelson Gonçalves deixou a memória de uma trajetória de recordes: gravou 128 LPs e CDs, 213 compactos, 14 discos de 45 rpm e 361 faixas de discos de cera, um fantástico repertório de cerca de 2 mil músicas, com o número de grandes sucessos superando a casa da centena. O boêmio, no entanto, sentia medo de ser esquecido: “Este é um país sem memória. Alguém se lembra de Francisco Alves? Uma semana depois de morto eu sei o que estarão fazendo sobre a minha tumba”. Errou. Mesmo após sua morte, o eterno Metralha (como era chamado na infância por conta de sua gagueira) continuou sendo lembrado, ouvido e adorado.

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17 de abril de 1970 –Apollo-13 retorna à Terra




Os três tripulantes da nave espacial Apollo-13 desceram em segurança à Terra no momento previsto pela Nasa, no Oceano Pacífico, a cerca de seis quilômetros do porta-helicópteros Iwo Jima, o qual tinha a bordo equipes de socorro. A Apollo-13, no dia 17 de abril, retornava ao planeta após uma frustrada missão lunar norte-americana. Durante a viagem espacial, uma explosão no “módulo de serviço” (parte da nave na qual ficavam os tanques de oxigênio) impediu o pouso da nave no satélite terrestre, colocando em perigo a vida de sua tripulação e impedindo a missão de se concretizar.

O reingresso da Apollo-13 na atmosfera terrestre, apesar das complicações que a cápsula sofrera, foi perfeito. A nave desceu tão perto do Iwo Jima que as câmeras de televisão de bordo puderam acompanhar a descida a partir dos 800 metros de altitude. Vinte e seis minutos após o pouso, o primeiro astronauta, Haise, já era içado para um dos helicópteros que estavam de prontidão para o resgate.

Quando James Lovell, Fred Haise e John Swigert pisaram no tombadilho do Iwo Jima, uma banda interpretou a canção Aquarius (do musical Hair, de 1967), emocionando todos os que estavam à bordo da embarcação.

Ao saber da notícia da aterissagem segura dos tripulantes da Apollo-13, o então presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon declarou que o programa espacial norte-americano não seria interrompido e que o projeto Apollo continuaria enviando naves à Lua, apesar do fracasso da última expedição. O Chefe de Estado também proclamou o dia 19 de abril, um domingo, Dia Nacional de Ação de Graças pelo retorno à Terra dos cosmonautas da Apollo-13.

No Brasil, o Presidente Médici felicitou Richard Nixon pelo acontecido, iformando-lhe que o povo brasileiro rezou pela segurança dos astronautas. “No momento em que regressam incólumes à Terra os destemidos cosmonautas norte-americanos, pela segurança dos quais toda a nação brasileira dedicou fervorosamente preces, é com prazer que envio a V; Exa., em nome do Governo e do povo brasileiros, as mais calorosas felicitações”, dizia a mensagem enviada pelo general.

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16 de abril de 1984 – “Diretas Já” reúne 1 milhão e 300 mil pessoas





No vale do Anhangabaú, no Centro de São Paulo, 1 milhão 300 mil pessoas (1 milhão e 500 mil, segundo a Polícia Militar) reuniram-se no último e maior comício realizado no Brasil pela aprovação da emenda Dante de Oliveira, que restabeleceria eleições diretas para Presidente da República imediatamente. O povo reuniu-se às 17h30 na Praça da Sé e começou a dispersar-se cerca de três horas depois.

Além de Franco Montoro, de São Paulo, compareceram à passeata pelo centro da cidade os então governantes do Rio, Leonel Brizola, e de Minas Gerais, Tancredo Neves, os quais passaram momentos de tensão quando ficaram espremidos no meio da multidão. Montoro e Brizola foram vaiados alguns momentos antes de seus discursos. Tancredo Neves, o primeiro a falar, no entanto, foi muito aplaudido quando disse: “Chegou a hora de libertarmos esta pátria desta confusão que se instalou no país há 20 anos” e seguiu defendendo a aprovação da emenda no Congresso, afirmando que os parlamentares que votassem contra ela deveriam se retirar da Casa, já que não representavam mais a vontade do povo.

Em Brasília, o Presidente João Figueiredo, declarou numa reunião com senadores que as eleições diretas não aconteceriam imediatamente (em novembro do mesmo ano, como queria a Emenda Dante de Oliveira). “Não teremos eleições diretas já”, anunciou ele no Palácio do Planalto.

Apoiado pelos militares, Figueiredo propôs outra emenda, com eleições diretas para a Presidência apenas em 1988, data considerada por ele precoce, mas que ficou estabelecida após um consenso entre membros do governo.

O movimento das “Diretas Já” teve início em 1983, em Pernambuco. Desde março deste ano, o movimento realizou passeatas em todo o país, terminando com a maior de todas, a do dia 16 de abril de 1984. Apesar da grande mobilização popular, a Emenda Dante de Oliveira não foi aprovada. As eleições diretas para escolher o Presidente da República só aconteceram em 1989 – como propusera Figueiredo. O “Diretas Já”, no entanto, garantiu uma grande vitória no ano seguinte de seu último protesto, quando um de seus líderes, Tancredo Neves, foi eleito indiretamente ao mais alto cargo do Executivo, ocupado por militares desde 1964.

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15 de abril de 1990 – Greta Garbo sai de cena pela última vez




Quando ela apareceu pela primeira vez nas telas americanas foi um impacto. Quando decidiu se afastar delas para sempre, vinte anos depois, o impacto não foi menor. Como se o público e o próprio cinema tivessem plena consciência de que jamais haveria outra igual. Com a morte de Greta Garbo, no domingo de Páscoa de 1990, aos 84 anos, a história do cinema perdeu não só uma das suas estrelas mais luminosas, mas também seu maior mito.

Encanto e mistério. Toda a vida de Greta Garbo, nas telas e fora delas, parece ter-se passado entre uma coisa e outra. Sua própria história já daria um grande filme. Um pouco de Cinderela, muito de mulher fatal, mas acima de tudo uma indecifrável personagem que o público aprendeu a amar à primeira vista, isto é, desde o distante Laranjais em flor (1926).

Até seu último filme, Duas vezes meu (1941), foi o mais importante nome feminino do cinema. A personalidade, mais que o talento, garantiu-lhe esse reinado quase absoluto. Influenciou a moda dos anos 30, os cabelos lisos, os casacos sóbrios, os chapéus grandes com aba cobrindo os olhos, os óculos escuros, a pintura mínima. Houve quem dissesse que todos os seus gestos vigorosos, frios, quase masculinos, eram rigorosamente estudados. E que o mistério que transmitia, também. Garbo interpretou algumas personagens que muito se identificavam com sua personalidade. A frase de tédio que cunhou em um de seus filmes – “Quero ficar sozinha” – acabaria ganhando força também na vida real. Em 1941, abandonou o cinema e se entregou à solidão.

Nunca se soube a causa de seu isolamento. Estava no auge de sua carreira, ganhava um dos mais altos salários de Hollywood, continuava sendo adorada. Tinha apenas 36 anos. Os poucos que a viram e ouviram depois disso contam que costumava referir-se à sua carreira citando um verso de Goethe: “... lento e sem pausa, como uma estrela.” Mudou-se para Nova Iorque, onde raramente ia à rua. Vê-la fazendo compras, de óculos escuros, lutando para não ser reconhecida, passou a ser um dos passatempos favoritos dos vizinhos. O encanto já não era o mesmo, mas o mistério permanecia.

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14 de abril de 1988 – URSS concorda em sair do Afeganistão




Numa cerimônia de 15 minutos no Palácio das Nações, sede da ONU em Genebra (Suíça), os governos do Paquistão e do Afeganistão assinaram o acordo que permitiria a retirada dos 115 mil soldados soviéticos do território afegão a partir do dia quinze do mês seguinte. O acordo que os Estados Unidos e a União Soviética assinaram como fiadores, previu o fim das bases no Paquistão dos rebeldes muçulmanos que lutavam contra o governo afegão, não se referindo a qualquer tipo de trégua ou cessar-fogo entre guerrilheiros e tropas governamentais.

Pelo acordo, que seria supervisionado pela ONU, Paquistão e Afeganistão se comprometiam a não interferirem um na política interna do outro, além de permitirem a volta voluntária dos cerca de três milhões de refugiados afegãos que viviam em solo paquistanês. No dia anterior ao acordo, no entanto, Estados Unidos e URSS disseram que continuariam fornecendo armas a seus aliados no Afeganistão, respectivamente os rebeldes e o governo afegãos.

“Os generais soviéticos não pensam que perderam uma guerra. Agora há garantias de não-interferência, as tropas soviéticas estão deixando o Afeganistão com a sensação de missão cumprida”, afirmou o ministro do Exterior da URSS após a assinatura do acordo.

Antes da ocupação soviética, o Afeganistão estava imerso em uma guerra civil, travada pelo governo central, de tendência marxista, (que chegara ao poder por meio de um golpe de Estado) e rebeldes muçulmanos, os quais não concordavam com a política da nação. Em 1979, em plena Guerra Fria, os soviéticos decidiram ocupar o Afeganistão para implantar um novo governo comunista no país, tirando o então Presidente do poder, por julga-lo incapaz de enfrentar os rebeldes mujahidin (rebeldes islâmicos disposto a travar jihads – guerras santas).

Durante os nove anos da ocupação da URSS, o Afeganistão viveu em estado de conflito permanente entre as tropas soviéticas e os mujahidin. Após o acordo de 1988, o país passou por mais uma guerra civil, enquanto o apoio bélico e financeiro da URSS diminuia rapidamente. O governo vigente foi deposto, e o poder passou a ser disputado por facções muçulmanas. Em 1994, formou-se o movimento Talibã, que foi ganhando força ao longo dos anos seguintes e, em 1996, conseguiu assumir o controle do Governo, permanecendo no poder até a intervenção dos Estados Unidos, em 2001.

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13 de abril de 1986 – Senna vence o GP da Espanha




Na estréia do circuito de Jerez de la Frontera, Ayrton Senna, que era da Lotus, fez corrida emocionante e venceu o Grande Prêmio da Espanha, superando em 6 pontos o brasileiro Nelson Piquet (Williams) no ranking da Fórmula 1.

A vitória de Senna foi apertada. Para garantir o lugar mais alto no pódio, o brasileiro teve que acelerar na reta final, ficando à frente do inglês Nigel Mansell (Williams) por apenas 0,014 segundo. Tal diferença foi a segunda menor até então, só superada pelos 0,010 segundo que separaram o campeão do GP da Itália de 1970, Peter Gethin (que competia pela McLaren), do segundo colocado, Ronnie Peterson (da March).

Para chegar à sua terceira vitória na Fórmula 1, Senna fez de tudo. Até sair do carro para conversar com Mansell no grid de largada fez parte da tática do brasileiro na corrida. Durante a prova, o público viu Mansell perseguir desesperadamente Senna pela pista novinha, forçando, certas vezes, o Lotus de Senna a sair da pista.

“Tem vezes que você precisa usar a cabeça e não o ego. A situação entre nós era pesada. Eu esperava que o Mansell viesse falar comigo. Não veio e eu resolvi a questão. Fui lá papear para poder saber como estava seu estado de espírito”, disse o campeão sobre o papo que bateu com Mansell no grid de largada.

Alain Prost, da McLaren, campeão do ano anterior, ficou em terceiro na disputa. Nelson Piquet, que tinha vencido a primeira corrida da temporada, no GP do Brasil, em março, teve problemas no motor Honda de seu Williams e abandonou a prova.

“Parei mesmo foi por causa do motor. Mas do jeito que os pneus dianteiros estavam e pela dificuldade em mudar de marchas cada vez maior, acho que mais cedo ou mais tarde teria que dar uma passadinha nos boxes”, declarou Piquet ao fim da corrida.

O Mundial de Fórmula 1 daquele ano, no entanto, não foi vencido nem por Piquet, nem por Senna e nem por Mansell. Quem faturou o topo do ranking foi o favorito Alain Prost, que se mostrara apagado nas primeiras corridas, mas que conseguira uma recuperação notável nas próximas provas, acumulando 72 pontos no total.

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12 de abril de 1945 – Morre Franklin Delano Roosevelt





“O Presidente Franklin Delano Roosevelt faleceu subitamente de hemorragia cerebral, esta tarde, em Warm Springs, na Geórgia”, anunciava a nota oficial da Casa Branca no dia 12 de abril de 1945. Assim que foi constatada a morte do líder norte-americano, urgiu-se em passar o posto para o seu vice, Harry Truman, que, depois de algumas horas, assumiria o cargo mais importante do mundo. Rapidamente, o gabinete presidencial convocou Truman para uma reunião de emergência da qual já saiu líder da nação.

Segundo a família, as últimas palavras proferidas por Roosevelt – o único homem que chegou quatro vezes seguidas à Casa Branca – foram “estou sentindo uma terrível dor de cabeça”, enquando lia documentos em frente à lareira. O sepultamento do Presidente foi realizado dois dias depois, no estado de Nova Iorque.

A notícia do falecimento provocou consternação em todo o mundo. Em Londres, o Premier britânico, Wiston Churchill, lamentou a morte do amigo e fez uma homenagem a ele no dia seguinte, na Câmara dos Comuns. No Brasil, Getúlio Vargas enviou um telegrama a Truman. “Apresento as mais sinceras condolências pela imensa perda que acabam de sofrer as Américas e todas as nações livres com o desaparecimento do Presidente Franklin Delano Roosevelt”, dizia o Presidente brasileiro em uma passagem da mensagem.

Roosevelt foi presidente dos Estados Unidos de 1933 a 1945, tendo morrido no início de seu quarto mandato. FDR, como era conhecido, era o símbolo da generosidade norte-americana em tempos de crise. Quando assumiu o Governo, os Estados Unidos estavam mergulhados no quarto ano da Grande Depressão, cuja partida foi dada pela quebra da Bolsa de Nova York em 1929. Para tirar o país da crise, Roosevelt criou o New Deal, uma série de programas destinados a recuperar a economia e gerar empregos. Com o sucesso do projeto, em 1935, os Estados Unidos já mostravam sinais de recuperação e Roosevelt caia nas graças do povo, sendo reeleito em 1936, 1940 e 1944.

Quando o mundo entrou em guerra contra o nazi-fascismo, na década de 1940, Roosevelt considerou e, posteriormente, decidiu participar do conflito para ajudar os Aliados, que estavam em grandes dificuldades. Roosevelt não viu a guerra acabar, mas deixou o país no caminho certo da vitória.

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11 de abril de 1968 – Luta racial se intensifica nos EUA





A violência racial, que assolava os Estados Unidos desde o assassinato do líder negro Martin Luther King, foi intensificada na madrugada do dia 11 de abril, em vários estados americanos. Devido aos conflitos, o Departamento de Defesa enviou mais de 15 mil homens do Exército para auxiliar a polícia das 13 cidades nas quais a luta racial se intensificara, incluindo Chicago, Baltimore e a capital Washington.

Em Kansas City, no estado do Missouri, a situação ficou grave. Manifestações durante a madrugada causaram a morte de 5 pessoas. O prefeito da cidade decretou toque de recolher das 21h até as 6h, com o prosseguimento de incêndios e cenas isoladas de saque, no entanto. Jovens negros percorriam as ruas da cidade lançando bombas incendiárias, em protesto contra o assassinato de seu líder. O apoio das forças estaduais também foi necessário para conter a agitação popular.





Em Washington, capital do país, o Presidente Lyndon Johnson considerou que a aprovação da lei que proibia a discriminação racial na venda e aluguel de casas foi um dos passos mais importantes do movimento dos Direitos Civis. Para ele, a aprovação da lei também iria contribuir para frear as manifestações.

“[Este projeto de lei] romperá para sempre as cadeias da antiga injustiça”, declarou Johnson comentando ainda a intenção de novos projetos sobre direitos civis. O presidente deixou claro que esperava do “Congresso a complementação da tarefa de esperança para milhões de norte-americanos”.

O pastor Martin Luther King, que passou treze anos de sua vida lutando pelos direitos civis dos negros, encantantou o mundo com sua campanha de amor e não violência. Em 1964, Luther King ganhou o Nobel da Paz, sendo a pessoa mais jovem a receber o prêmio até então. No dia 4 de abril de 1968, antes de se unir a uma manifestação de trabalhadores por melhores salários, King foi assassinado por James Earl Ray, o qual considerava o pastor um traidor que mobilizava pessoas para enfraquecer a nação.

A notícia do assassinato de Martin Luther King provocou manifestações imediatas em várias cidades do país que foram se intensificando ao longo dos dias, até serem acalmadas por projetos e aprovações de leis que beneficiavam os direitos civis dos negros, promovidos pelo governo democrata de Lyndon Johson.

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10 de abril de 1972 – Corpo de D. Pedro I parte para o Brasil




No dia 10 de abril os restos mortais de Dom Pedro I deixaram Portugal embarcados em um navio com destino ao Brasil. À bordo do mesmo navio estava o Presidente português, Américo Tomas, que tinha a missão simbólica de entregar o corpo do ex-monarca ao presidente do Brasil, Médici, no dia comemorativo do “Descobrimento”, 22 de abril.

Canhões dos navios de escolta de Portugal e do Brasil deram salvas de canhão no momento em que eram embarcados no Funchal os restos mortais do homem que proclamou a Independência do Brasil (1822). O embarque dos despojos de D. Pedro foi precedido de uma cerimônia na cidade do Porto que durou uma hora e foi assistida por apenas 50 pessoas, entre as quais o Embaixador do Brasil em Lisboa, Sr. Gama e Silva e membros da familia real.

No Brasil, o corpo de D. Pedro seria recebido com festividades. Na véspera da data oficial, o Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, sediaria a abertura das comemorações, à qual seria assistida por mais de 70 mil crianças de escolas públicas. No dia 22, com o desembarcar do presidente português e o corpo de Pedro, vários pontos da cidade sediariam distintas comemorações. Até o dia 25 do mesmo mês, os restos do ex-Imperador permaneceriam na Quinta da Boa Vista, da onde partiriam para o Rio Grande do Sul, em seguida.

Ao vir para o Brasil, D. Pedro deixava para trás seu coração. O lugar escolhido para abrigar o coração do falecido Imperador do Brasil foi a igreja da Lapa, no Porto, ficando separado de seu corpo por um imenso oceano. A razão desta separação foi que Dom Pedro amou seus dois países. A um, deu a independência, ao outro foi reconquistar, quando o pequeno Portugal sofria com a morte de D. João (1826) e temia a ascensão do caçula D. Miguel.]

Dom Pedro morreu no Porto, em 1834, e sua memória permaneceu viva tanto nos corações dos brasileiros quanto no do povo português.

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9 de abril de 1891 – Nasce o Jornal do Brasil





Antes das cinco da manhã do dia 9, uma quinta-feira, foi hasteado o pavilhão do JB na fachada de número 56 da Rua Gonçalves Dias, no Centro do Rio, prédio escolhido para sediar a redação do jovem Jornal do Brazil (como era escrito na época). Desde o nascimento da imprensa no Brasil, no início do século XIX, os jornais surgiam para representar e defender algum interesse político ou social; assim, no final do século, era comum que os jornais exibissem bandeiras cujas cores simbolizavam suas tendências políticas.




primeira sede do JB



O JB, no entanto, apesar de ser de cunho monarquista, hasteara o pavilhão branco com letras pretas, para demonstrar uma atitude de isenção e neutralidade, dando um vislumbre de como funcionaria um jornal no futuro. De início essa imparcialidade jornalística não foi possível, por conta de sua crítica ao modelo republicano. Com o passar dos anos, porém, ao se perceber que o jornal só sobreviveria se tivesse uma linha editorial independente de correntes políticas e reivindicações sociais, adotou o espírito da renovação, que o acompanharia ao longo do tempo e marcaria a sua história. Assim, a ideia de imparcialidade e o compromisso com a verdade se sobrepôs à defesa de facções políticas e começou a ganhar forma, juntamente com o novo século.

Como alguns de seus primeiros colaboradores, o JB contava com a nata da intelectualidade da época: Barão do Rio Branco, Rodolfo Dantas, Aristides Espínola, Joaquim Nabuco e Rui Barbosa, que logo se juntaria à equipe. Juntos, eles ajudaram a romper a série de "gazetas" e "diários" e fundar um verdadeiro jornal "do Brasil".

“Quanto a nós, deliberamos a mantermos, invariavelmente, igual distância de todos os extremos, mirando só inspirar-nos na realidade das situações, exclusivamente preocupados em discernir e interpretar o sentimento público, para sustentar-lhe as reivindicações legítimas ou contrariar-lhe os irredetidos arrostamentos, segundo sua corrente se nos afigurar favorável ou oposta às necessidades de cada momento, à verdade de cada questão, à boa solução de cada interesse geral, cuidamos haver selado os compromissos desta folha”, vinha escrito no editorial da primeira edição do JB, elaborado pelo ex-Ministro da Educação do Império, Rodolfo Dantas.

Ao superar a crise que se abateu sobre ele nas primeiras décadas de sua existência, inclusive com o empastelamento ordenado pelo Marechal Floriano Peixoto, o JB lançou-se à maturidade junto com o século XX. A partir de então, criaria um novo padrão jornalístico, que reformas posteriores na forma e no conteúdo só aperfeiçoariam esse patrimônio da imprensa brasileira.

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8 de abril de 1994 – Kurt Cobain é encontrado morto





No dia 8 de abril, o eletricista Gary Smith, que fora à casa do músico Kurt Cobain para instalar um sistema de segurança, encontrou o corpo do músico ensanguentado e estendido no chão de dentro da estufa da mansão em Seattle, Estados Unidos. Kurt, que enfrentava uma grave depressão e sofria com a dependência de heroína se matara três dias antes com um tiro de espingarda.

O suicídio aos 27 anos de Kurt Cobain, que era guitarrista e vocalista do grupo de rock americano, Nirvana, provocou mais reações de tristeza do que de espanto em seus fãs. O suicídio do astro parecia óbvio para todos os que estiveram com ele em seus últimos dias de vida, que a tragédia não tardaria para acontecer.

Cobain foi um artista talentoso, que captou em letras viscerais os problemas de sua geração. Suas músicas frequentemente lidavam com o tema da alienação da juventude e da falta de perspectivas. Mas, em contrapartida, anteciparam um caminho sem volta. Os três LPs no Nirvana (Bleach, Nevermind e In utero) são exercícios de poesia carregada de pessimismo e rancor. Em Negative Creep, sucesso do primeiro álbum, Cobain se autoproclamou um drogado. Em In utero, último álbum do grupo, Cobain chegou a mencionar suicídio na pessimista Milk it: “Veja o lado bom... é suicídio”.

Kurt Cobain sempre foi uma pessoa problemática, que jamais conseguiu lidar com a fama que sua música lhe proporcionou. Ele se sentia vítima do sistema ganancioso das gravadoras e do mundo do rock. Quanto mais famoso ficava, mais amargo se mostrava aos olhos dos amigos. Em apenas dois anos ficou milionário e recebeu o título de rockstar, coisa que desprezava. Afinal, foi o ódio ao sistema a principal razão pela qual fundou o Nirvana.

Em uma entrevista no início de 1994, Cobain afirmou que usava drogas como “passatempo” e “antídoto para a monotonia da vida”. Ele dizia que não tinha mais ânimo para nada, sentia-se deslocado no papel de modelo para a juventude.

Com a morte do vocalista, a banda acabou. O Nirvana é considerado ainda por muitos a maior banda grunge de todos os tempos, tendo iniciado uma nova era e estilo musicais.


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7 de abril de 1980 - EUA rompem relações com o Irã




No dia 7 de abril, o então presidente norte-americano, Jimmy Carter, rompeu relações diplomáticas com o Irã, com o que expulsou 35 diplomatas e 209 militares iranianos do país, suspendeu o comércio bilateral (exceção apenas à venda de medicamentos e alimentos), tomou medidas para a expropriação de bens do Governo de Teerã e proibiu a entrada de iranianos em solo norte-americano.

A decisão de Carter suscedeu à informação de que o ayatollah Khomeiny (líder religioso do Irã) tinha autorizado a ocupação da Embaixada dos Estados Unidos por militantes, os quais mantinham norte-americanos como reféns, até a formação do Parlamento iraniano. No dia anteior, o Conselho da Revolução passara ao líder religioso a missão de aprovar ou não a transferência da custódia dos reféns dos rebeldes para o Governo, mas Khomeiny teria achado melhor que os 66 prisioneiros, os quais foram capturados na Embaixada em novembro de 1979, não passassem às mãos do Estado.

Depois de assegurar que se esforçara para “obter a libertação dos reféns através de termos honrados, pacíficos e humanitários”, Carter responsabilizou Khomeiny e o Conselho da Revolução pelo agravamento da crise, afirmando que teriam de pagar “um preço cada vez maior”. Tendo rompido relações com o Irã, Carter insisitu para que a comunidade internacional fizesse o mesmo, fazendo a ONU intervir nas negociações pela libertação dos reféns.

Desde a Revolução Iraniana, em 1979, o povo aguardava um pedido de desculpas dos Estados Unidos por ter apoiado o governante deposto, o Xá Reza Pahlevi, dando asilo ao mesmo e a sua família após a queda da monarquia. Movidos por essa cobrança, estudantes iranianos invadiram a Embaixada norte-americana, sequestrando 66 diplomatas, enquanto aguardavam a formação do Parlamento, para que os novos governantes decidissem o futuro dos reféns. Essa crise ficou conhecida como Crise dos Reféns do Irã, que terminou apenas em 1981, com a assinatura do Acordo de Argel, o qual determinou a libertação dos reféns norte-americanos. As relações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã, no entanto, permanecem suspensas, sendo o governo norte-americano representado pela diplomacia suíça em solo iraniano.

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6 de abril de 1955 – Anthony Eden assume como Premier britânico





Às 11 horas do dia seis, ao beijar a mão da Rainha Elizabeth II, Anthony Eden assumiu formalmente o cargo de primeiro-ministro britânico, deixado por Winston Churchill no dia anterior. Impecavelmente vestido, Eden chegou à Câmara dos Comuns para prestar homenagem a Churchill, que renunciara ao posto por se considerar incapaz de governar com a saúde debilitada. Eden declarou que o ex-Premier, que na ocasião passaria a ocupar uma das muitas cadeiras destinadas aos deputados conservadores, continuaria sendo a “personalidade dominante” nos Comuns.

“Churchill abordava os problemas não em termos abstratos, mas sim em seus valores humanos”, declarou o novo primeiro-ministro, acrescentando que Churchill “tinha, não somente a coragem que se manifestava no primeiro impulso de fervor, mas igualmente a coragem que perdurava, e que é, talvez, o maior dom dentre as duas”.

Conservadores, liberais e trabalhistas elogiaram Churchill que, infelizmente, não pode estar presente na Câmara. O líder da oposição trabalhista, Clement Atlee, afirmou que a retirada do ex-Premier marcou “o fim de uma época. Durante quase 50 anos ele foi uma figura proeminente na área parlamentar e conduziu o país através de alguns dos anos mais duros da história britânica”.

O pedido de renúncia de Churchill, feito no dia anterior à posse de Eden, foi oficializado em uma reunião de 42 minutos entre ele e a Rainha Elizabeth II, da qual o herói britânico saiu em silêncio, com os olhos cheios de lágrimas. Por motivos de saúde, Churchill preferiu se afastar do cargo, mas continuar representando o partido conservador no parlamento, coisa que fez até a sua morte, em 1965.

“Tenho a intenção de apontar meu sucessor nas próximas eleições e pedir ao eleitorado que me dê, como fez nos últimos 30 anos, a horna de representá-los na Câmara dos Comuns”, declarou ele por carta, após seu pedido de renúncia.






Churchill ficou mundialmente conhecido por sua atuação à frente do governo britânico na Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Além da extraordinária liderança, mostrou-se um notável estrategista de guerra, conseguindo consolidar uma importante aliança com o presidente norte-americano, Franklin Roosevelt, visando a entrada dos Estados Unidos na Guerra. Esta aliança foi fundamental para a vitória dos Aliados e derrocata do Eixo no maior conflito do século XX.

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5 de abril de 1968 – Governo proíbe o funcionamento da Frente Ampla




Por meio de uma Portaria do Ministério da Justiça, divulgada pelo programa radiofônico Voz do Brasil e publicada no Diário Oficial, o governo militar proibiu qualquer atividade política da Frente Ampla – manifestações, reuniões, comícios, passeatas e desfiles – em todo o território nacional, ameaçando prender os políticos cassados que desrespeitassem a nova ordem. O líder do MDB na Câmara, deputado Mário Covas, convocou todos os parlamentares da oposição ao regime para estudarem a Portaria, assim que soube da notícia.

Para Covas, a Portaria representou “um ato de violência que fere a própria legalidade instituída pela Revolução de 1964, e inicia a escalada para a ditadura franca”.

Além de proibir a existência da Frente Ampla, numa decisão que surpreendeu a classe política – inclusive as lideranças do Governo no Congresso – a Portaria, baseada na “legislação revolucionária” sobre os políticos cassados, determinou à polícia que prendesse em flagrante quem, estando banido politicamente, fizesse pronunciamentos sobre a Frente ou desenvolvesse atividade política.

O decreto também mandou apreender jornais, revistas e quaisquer publicações que divulgassem atividades da Frente ou pronunciamentos de políticos cassados. Contra os políticos e os órgãos de divulgação que infringissem tais normas haveria instauração imediata de inquéritos policiais.

A atitude do Governo contra a Frente despertou, nos meios políticos, a convicção de que se iniciara uma nova fase de endurecimento político no país. Inconformado com a Portaria, o ex-governador da Guanabara, Carlos Lacerda, informou que iria entrar em contato com seus advogados para ver como poderia resolver esta situação. Saberia mais tarde que nada poderia fazer para impedir a ruína da Frente Ampla e das iniciativas democráticas nos “Anos de Chumbo”.

Criada em 1966 como via de oposição ao Regime Militar, instaurado em 1964, a Frente Ampla tinha como seus líderes antigos rivais políticos (Carlos Lacerda, João Goulart e Juscelino Kubitschek), que se uniram em um grupo que se opunha à ação antidemocrática do Governo. Antes de ser proibida, a Frente se aproximou dos movimentos estudantil e trabalhista, promovendo comícios que enfatizavam a luta contra as políticas estudantil e salarial.

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4 de abril de 1949 – Assinado o Tratado do Atlântico Norte




No dia quatro de abril, em Washington, capital dos Estados Unidos, foi assinado, por representantes de doze países, o Tratado do Atlântico Norte, que, meses depois, daria origem à OTAN (sigla em francês para Organização do Tratado do Atlântico Norte). Preocupadas com o fortalecimento da União Soviética, as nações que integravam o pacto se comprometeram a utilizar força militar conjunta para defender qualquer um dos seus membros que fosse vítima de um ataque armado. O Tratado, que teria validade de vinte anos, foi assinado por Bélgica, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Holanda, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega e Portugal.

Esta aliança teve como paradigma o Tratado de Defesa Continental, assinado no Rio de Janeiro em 1947 (que também é conhecido como Tratado Interamericano de Assistência Recíproca), apenas por países americanos, e que também visava uma ação conjunta em caso de ataque externo a um de seus membros.

Para os Estados Unidos, o novo acordo representou uma mudança histórica em sua política externa, já que foi a primeira aliança oficial deste país com estados do ultramar. A causa desta mudança foi a preocupação das democracias ocidentais com a expansão do comunismo no Extremo Oriente.

No preâmbulo do Pacto do Atlântico, as nações signatárias disseram estarem “determinadas a proteger a liberdade, a herança e a civilização comuns de seus povos, baseadas nos princípios da democracia, liberdade individual e o império da lei”.

Opondo-se à acusação de Josef Stalin, líder supremo da URSS, que dissera que o Tratado visava fins agressivos, o presidente norte-americano Harry Truman declarou que os povos do Ocidente estavam decididos a evitar que “golpes de agressão não provocadas” caíssem novamente sobre o mundo, trabalhando com a possibilidade de atacar para se defender.

“Não temos nenhum propósito de agressão contra os outros. Sugerir o contrário é caluniar nossas instituições e difamar nossas idéias e aspirações”, dissera o presidente na cerimônia em que o tratado foi assinado.

Esse medo de uma agressão provinda do bloco soviético em tempos de paz, e a formação de alianças que trabalhassem com a possibilidade de um futuro ataque, caracterizou a Guerra Fria, que se estendeu desde o anúncio da Doutrina Truman (1947) até a extinção da União Soviética (1991).

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3 de abril de 1975 – Karpov é campeão mundial de xadrez




No dia três de abril o mundo ganhou um novo campeão de xadrez, o mais jovem desde o começo da disputa pelo título, em 1886: o soviético Anatoli Karpov, um estudante de economia que tinha 23 anos na época. Karpov conseguiu o título de melhor do mundo após o então campeão, Bobby Fischer – considerado por muitos o melhor enxadrista de todos os tempos –, ter se recusado a jogar com ele.

A Federação Internacional de Xadrez (FIDE) tomou a decisão de consagrá-lo campeão através de seu presidente, o ex-campeão mundial, Max Euwe, que, depois de vencido o prazo final para que Fischer anunciasse se jogava ou não, deu mais 24 horas ao norte-americano, que acabou recusando por não concordar com o regulamento da competição.

A disputa final do Campeonato estava marcada para o dia primeiro de junho, na capital das Filipinas, Manilha. Logo que conquistou o título, em 1972, derrotando o soviético Bóris Spassky, na Islândia, Fischer exigiu que a disputa do título passasse a ser em 36 partidas e não mais em 24. Essa sua primeira reinvindicação foi aceita. Posteriormente, foi aprofundando suas exigências: o título não mais seria decidido em 36 partidas, mas caberia ao primeiro dos jogadores que alcançasse a décima vitória, em número de partidas ilimitado. Desejava, porém, que em caso de empate 9-9 o título fosse mantido com o campeão, de maneira que o desafiante precisaria, portanto, atingir no mínimo a contagem de 10-8 para receber o título.

A FIDE aceitou a primeira parte da proposta, mas discordou da segunda, alegando que assim o campeão anterior sempre teria uma grande vantagem sobre os outros competidores. Por não estar de acordo com o novo regulamento, Fischer se recusou a disputar a partida final, perdendo o título.

Karpov, que se preparara intensamente para a disputa, ficou desapontado ao ter saído vitorioso sem jogar. Nos anos seguintes, no entanto, o soviético mostrou que tinha mais do que o direito de receber o título mundial. Seu talento fez com que permanecesse como o melhor do mundo durante todos os anos até 1985, quando foi derrotado por seu conterrâneo, Garry Kasparov.

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2 de abril de 1982 – Argentina ocupa as Malvinas




Num ataque surpresa, de madrugada, a Armada argentina invadiu e ocupou as Ilhas Malvinas (chamadas de Falkland pelos ingleses) num rápido combate que deixou poucos mortos e feridos, após breve luta contra a guarnição inglesa. O governador britânico, assim como seus funcionários imediatos, ficaram detidos na própria ilha.

O anúncio da retomada das Ilhas Malvinas, sob dominação inglesa por quase 150 anos, foi feito nas primeiras horas da manhã do dia dois, por uma cadeia de rádio e TV. Em toda parte de Buenos Aires havia bandeiras, e milhares de pessoas se reuniram em frente à Casa Rosada (sede do Governo argentino), na Praça de Maio, esperando o pronunciamento oficial do Presidente Leopoldo Galtieri, com faixas e cartazes.

“Recuperamos, salvaguardando a honra nacional, as Ilhas que estavam em poder da Grã-Bretanha desde 1833”, declarou o Chefe de Estado argentino na tarde do mesmo dia.

Em Londres, capital da Grã-Bretanha, o Governo rompeu relações diplomáticas com a Argentina, e determinou que os diplomatas do país abandonassem a Ingaterra em quatro dias. O Chanceler (ministro das Relações Exteriores) e o Ministro da Defesa britânicos, em entrevista conjunta, anunciaram a constituição de uma força-tarefa “muito poderosa”, que iria intervir nas Ilhas Falkland a qualquer momento.

A história das ilhas Malvinas reflete as lutas seculares das potências coloniais européias. Franceses e espanhóis passaram pelas ilhas e assumiram seu controle antes da Inglaterra exercer de vez o poder sobre a região, em 1833, e expulsar o povo argentino que ali se instalara, desde a independência do país, em 1816. Foi em meados do século XX, contudo, que o conflito sobre a posse das Malvinas – que se localizam a apenas 340 quilômetros do litoral argentino – começou a ser discutido no âmbito das Nações Unidas. Em 1970, o Governo britânico deu por encerrada a discussão sobre o assunto, após seis anos de diálogo, garantindo para si a posse das ilhas.

Na década de 80, a ditadura militar da Argentina via seu modelo econômico ruir, e presenciava a revolta popular, deflagrada pela crise econômica e pela repressão política. As Ilhas Malvinas, no entanto, sempre foram consideradas um ponto estratégico de defesa do Atlântico Sul, e a sua devolução era um anseio antigo de todo o argentino. Dessa forma, ocupar as Malvinas era uma atitude patriótica e conveniente para o debilitado governo.

Alguns dias depois, assim como fora prometido, os ingleses enviaram uma poderosa frota para a região, iniciando a Guerra das Malvinas, vencida por eles em junho do mesmo ano. Com a derrota, o regime argentino não pôde mais se sustentar, e ruiu no ano seguinte.

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1 de abril de 1964 – Goulart foge e militares tomam o poder no Brasil




Após uma sessão de três minutos no Congresso, o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, foi declarado Presidente da República, depois do posto de maior importância do Poder Executivo ter sido declarado vago pelo chefe do Congresso Nacional, Auro Soares de Moura Andrade. O Presidente deposto pelo golpe militar, que eclodira na tarde do dia anterior, João Goulart, fugiu para Rio Grande do Sul, com intuito de formar uma resistência ao golpe com o governador Leonel Brizola.

Antes de fugir, no entanto, Goulart escreveu um manifesto afirmando que reagiria aos “golpes dos reacionários” – coisa que não aconteceu, já que no dia seguinte, o presidente deposto, ao ver que não possuía mais qualquer autoridade sobre as Forças do Exército, decidiu deixar o país sem resistir, já que fora informado que os golpistas tinham apoio da Armada norte-americana, o que poderia originar uma guerra civil.

Logo após tomar o forte de Copacabana – ato que foi considerado decisivo para a queda do Governo – , o então Ministro da Guerra, General Castelo Branco, que assumiria a presidência do país quinze dias depois, afirmou que “o único propósito do movimento contrário à permanência do Sr. João Goulart no Governo foi restaurar a legalidade e defender o patriotismo do Exército Nacional”.

Na realidade, o movimento militar deflagrado na véspera foi uma resposta às últimas medidas tomadas por Goulart, entre elas o decreto que pretendia dar início à reforma agrária, a encampação das refinarias de petróleo e o tabelamento dos aluguéis, como ele mesmo explica na declaração que escrevera antes de fugir:

“Para salvaguardar os mais legítimos interesses da nação, tive que adotar no plano internacional uma política externa independente e, no plano interno, medidas inadiáveis de proteção à sua espoliada economia, arrastei a fúria insensata e odienta dos impatrióticos. Preguei a reforma agrária quando ela estava vitoriosa na consciência do povo. Negaram-me os meios legais para efetivá-la”.

O governo militar implantado nessa ocasião, durou até 1985, quando foi eleito o primeiro presidente civil desde as eleições de 1960.

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