Arquivo de March 2010

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31 de março de 1989 – Torre Eiffel completa cem anos





No dia em que a Torre Eiffel completava cem anos, Paris homenageou a Dama de Ferro – como é chamada com orgulho pelos franceses – com uma reconstituição histórica de sua festa de inauguração, em 1889. Para quem olhava, uma sensação de volta ao passado podia vir à tona: carruagens, fraques, cartolas e vestidos longos desfilaram no dia 31 pela cidade. A única diferença era que, na época da real inauguração, os elevadores do monumento ainda não estavam prontos e seu idealizador, Gustave Eiffel, teve que subir, um a um, os 1.790 degraus que lhe permitiam ver Paris a seus pés.

Cercados por milhares e milhares de balões, os primeiros 300 visitantes enfrentaram uma fila de uma hora nos elevadores para chegar ao segundo andar e outra, de mais duas, para atingir ao topo, no dia da homenagem. No ano anterior (1988), o mais simbólico dos símbolos franceses tinha sido visitado por quase cinco milhões de pessoas. Um triunfo.

Nem sempre, contudo, tudo foram flores para à Dama de Ferro. Alvo de admiração hoje, a torre teve que enfrentar uma maré de indignação maior na época em que foi construída. Enquanto Paris projetava e erguia o colosso de mais de 300 metros para celebrar os primeiros cem anos da Revolução Francesa (1789), a cidade protestava em pé de guerra. Um memorial assinado por 70 intelectuais denunciava a “profanação contra Paris” e pedia a “morte do monstro”.

De nada adiantavam as tímidas tentativas do pai do projeto, Gustave Eiffel, para fingir que ela seria de grande utilidade como “ponto de observação para a astronomia e a meteorologia”. Ninguém se importava com essas explicações. Morte ao monstro que beberia 50 toneladas de tinta, engoliria 7,3 mil toneladas de aço e consumiria 2 anos, 2 meses e 5 dias de trabalho de 200 operários, sentenciavam os opositores. Foi preciso que se passassem dez anos para que a primeira opinião simpática ocorresse. “Ela é uma renda gótica em ferro”, disse Mensieur Gauguin, afirmando que a pirâmide era um novo estilo de decoração. Daí em diante, o monstro passou a ganhar a simpatia de artista e intelectuais. Com o movimento surrealista, a rejeitada Dama de Ferro virou símbolo sexual: Man Ray representou-a entre as pernas de uma mulher.

De sexual, o símbolo virou político. Na Primeira Guerra ela ostentava faixas aclamando a vitória dos Aliados e na Segunda, serviu de palco para que Hitler e seu Estado-Maior fossem fotografados. Em 1944, a Dama foi parar nos braços do General De Gaulle.

No ano de seu centenário, assim como hoje, a torre estava em flâmulas, vidros de perfume, lenços de seda, lápis e canetas. Estava nos cem mil chaveiros comprados pelos turistas a cada ano e em mais de um milhão de cartões-postais.

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30 de março de 1981 – Reagan sofre atentado a bala





O Presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan – na época com 70 anos – sofreu um atentado na tarde do dia 30, quando deixava um hotel em que tinha discursado para operários da construção civil, em Washington, capital dos país. Reagan foi ferido por uma bala calibre 22, que penetrou seu pulmão esquerdo, mas que, depois de duas horas de cirurgia, foi retirada com sucesso.

Após o atentado, Reagan foi empurrado para uma limousine e logo seguiu para o hospital. Consciente, o Presidente chegou a brincar com sua esposa, antes da cirurgia, pedindo desculpas por ter se esquecido de se abaixar na hora dos disparos. A notícia de que o presidente havia se ferido no atentado só foi divulgada pelo Governo 50 minutos após o acontecimento.

O autor do atententado, um jovem de 25 anos, John Warnock Hinckley, que agira por conta própria, foi preso na hora. Seis tiros foram disparados por ele, ferindo, além do presidente, o assessor de imprensa da Casa Branca, James Brady – baleado no rosto – e ainda dois policiais que faziam a segurança de Reagan.

O que se descobriu depois foi que Hinckley não fora movido por qualquer motivo político para assassinar o presidente, mas sim por uma obsessão doentia que nutria pela atriz Jodie Foster. A obsessão viera à tona no final da década de 70, quando Hinckley assistiu (quinze vezes) ao filme Taxi Driver (1976), no qual Foster interpretava, aos doze anos, uma prostituta que despertara em um taxista um sentimento obsessivo de proteção. No clímax do filme, o protagonista (interpretado por Robert De Niro) tenta assassinar um senador que iria se candidatar à Presidência – considerado pelo protagonista um dos culpados pela perversidade e imundície nas ruas da cidade –, sendo admirado por todos e considerado um herói.

Movido pela obsessão que sentia por Jodie Foster (já tendo a perseguido pelos Estados Unidos e até mesmo se matriculado na mesma faculdade que a atriz, sempre lhe enviando bilhetes amorosos) e pela identificação incomum que sentia pelo protagonista de Taxi Driver, Hinckley pensou que se matasse o presidente do país ficaria famoso à altura de Foster. Duas horas antes do atentado, chegou a escrever uma carta para a atriz dizendo que ela ficaria impressionada com o tamanho do ato que estava prestes a fazer.

Meses depois, Hinckley foi julgado, mas não preso. Sob alegação de insanidade mental, ele foi internado em um hospital psiquiátrico. Até hoje, permanece na instituição, podendo visitar a família em liberdade durante alguns dias por ano.

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29 março de 1973 – EUA retiram ultimos soldados do Vietname




A intervenção dos Estados Unidos no Vietname terminou na tarde do dia 29 de março, depois de uma guerra que custou a vida de 46 mil soldados norte-americanos e que durou mais de 11 anos. No preciso momento em que o avião, conduzindo o último escalão de 2.500 homens retirados do Vietname do Sul, decolou de Saigon, unidades da Marinha e da Força Aérea norte-americanas tomavam novas posições na Indochina, para continuar a guerra no Camboja e previnir qualquer reinício de hostilidades no Vietname do Sul e no Laos.

O encerramento da participação dos Estados Unidos na guerra oficializou-se com uma cerimônia simples e uma declaração do comandante das tropas norte-americanas, General Frederick Weywand, de que foi conseguida uma “paz honrosa”. No mesmo dia da cerimônia, o Vietname do Norte libertou os 67 últimos prisioneiros de guerra norte-americanos, detidos em Hanói, atual capital do país unificado.

O presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon declarou, através de uma cadeia de rádio e televisão, que o país continuaria respeitando o acordo de paz de Paris – acordo no qual punha fim à participação norte-americana no conflito – e que insistiriam para que o Vietname do Norte também o respeitasse. Apesar disso, os Estados Unidos continuaram mantendo uma frota com porta-aviões no Sudeste Asiático, dispondo de 200 aeronaves prontas para missões de ataque que fossem necessárias.

“Os dirigentes do Vietname do Norte não deveriam nutrir qualquer ilusão quanto às consequências do desrespeito deste acordo. Pusemos fim à guerra mais longa e mais difícil de nossa história, que nos permitiu preservar a confiança dos nossos aliados e o respeito de todos os nossos adversários”, declarou o então Chefe de Estado.

Apesar do fim da participação norte-americana na guerra que matou cerca de seis milhões de pessoas entre civis e militares de ambos os lados, o conflito no Vietname não terminou nesse ano. Sul-vietnamitas (que continaram a recebr apoio dos Estados Unidos) seguiram batalhando contra os vietcongs (comunistas norte-vietnamitas que contavam com o apoio da China). Em 1975, os vietcongs invadiram e tomaram Saigon, a capital do Sul, pondo com isso um final à guerra, da qual foram os vitoriosos. Para os Estados Unidos, a guerra do Vietname representou um dos maiores confrontos armados em que o país se envolvera e, apesar disso, a maior decepção. A derrota nesse conflito gerou nos norte-americanos um trauma que perdura até hoje.

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28 de março de 1969 – EUA fazem luto por Eisenhower




O ex-Presidente dos Estados Unidos, General Dwight Eisenhower, morreu na tarde do dia 28 de março em um hospital em Washington, capital do país, como vítima de uma insuficiência cardíaca.

“Eisenhower morreu. Sua morte foi tranquila e sem sofrimento”, comunicou o comandante do hospital do Exército ao então presidente da República, Rixard Nixon, que estava se dirigindo ao local para visitar Eisenhower, cuja saúde piorara na madrugada que se passara.

Nixon, depois de prestar condolências à família do general, que conduziu sabiamente os Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, decretou dia de luto nacional no dia 30 de março (que seria uma segunda-feira) e também que todas as bandeiras dos edifícios públicos permanecessem a meio mastro durante trinta dias, começando no dia do falecimento do ex-líder.

Em mensagem ao Congresso, Nixon – que foi vice-Presidente durante o mandato de Eisenhower – lamentou a “perda de um grande líder, um grande amigo e um grande homem”.

Na França, o então presidente, General Charles De Gaulle – que comandou as tropas francesas durante a luta contra Hitler na guerra – enviou dois telegramas lamentando a morte de Eisenhower: um a sua viúva e outro a Nixon. No encaminhado a Nixon, De Gaulle dizia que o nome de Eisenhower permaneceria “ligado à vitória de 1945, para a qual contribuiu destacadamente. O nome [dele] é o de um ilustre estadista que não quis servir a outra causa salvo a da liberdade e paz”; e ainda acrescentava que a França, assim como todo o mundo, sofriam muito a sua perda.

Dwight Eisenhower foi presidente dos Estados Unidos entre 1953 e 1961, tendo sido comandante dos Aliados na Segunda Guerra Mundial, de 1943 a 1945. Ike, como também era conhecido, se mostrou um grande estrategista, entendendo a guerra de uma forma lógica, o que determinou a vitória dos Aliados no conflito contra as forças inimigas do Eixo. Por conta de seu sucesso como líder militar neste período, Eisenhower foi escolhido para o comando das forças armadas da OTAN, em 1990, mas teve que desistir do cargo para concorrer pelo Partido Republicano à Presidência da República, em1952.

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27 de março de 1965 – Inaugurada a Ponte da Amizade






Depois de concluídos os últimos retoques na ponte que ligaria a cidade de Foz do Iguaçú à Ciudad del Este, no Paraguai, cruzando o Rio Paraná, o Presidente Castelo Branco, acompanhado de sua comitiva, inaugurou a Ponte da Amizade junto com o Chefe do Estado paraguaio, Alfredo Stroessner. Do lado brasileiro, a ponte recebeu o conhecido nome de Ponte Internacional da Amizade, enquanto que, do lado paraguaio, a construção foi chamada de Ponte Alfredo Stroessner.

O programa de inauguração foi realizado em ambos os países, com cerimônias, almoços e festividades de ambos os lados. A maior comitiva que compareceu à grande festa da cerimônia de abertura foi a do Paraná, seguida pela do Itamarati, que alugou para a hospedagem de seus funcionários metade do total de apartamentos do Hotel das Cataratas, no lado brasileiro.

O presidente Castelo Branco afirmou, durante a inauguração da Ponte da Amizade, que a cooperação ampla e decidida entre Brasil e Paraguai “não se reflete apenas no incentivo às trocas de comércio e no estímulo conjunto das potencialidades, mas se afirma também na defesa coletiva e coesa dos interesses comuns nos foros mundiais políticos ou econômicos” de que os países participassem.

“Compreendemos que na época atual, de progresso tão acelerado, não conseguiremos trazer para nossos povos os benefícios da revolução industrial se não nos dispusermos a obter um tratamento mais justo para o produto de nosso trabalho. Esse objetivo não alcançaremos desunidos. Para uma efetiva participação da América Latina nos negócios mundiais é mister o endendimento entre todos nós”, afirmou Castelo Branco.

A inauguração da ponte era esperada com muita ansiedade em toda a região sudoeste do Paraná. Por ela se daria o escoamento de grande parte da produção agrícola da região, principalmente de soja, trigo e milho. Até o dia 27 de março, estavam construídos do lado brasileiro 20 quilômetros de estrada asfaltada na rodovia internacional que ligaria o Paraguai ao litoral brasileiro.

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26 de março de 1971 – Bangladesh proclama sua independência




O Xeque Mujibur Rahman proclamou no dia 26 de março a independência do Paquistão Oriental como República Livre de Bengala – futuramente conhecida como Bangadesh, que significa “A Nação Bengali” – e fez um apelo às Nações Unidas e aos países da Ásia e África para que reconhecessem o novo Estado e que ajudassem-no a enfrentar o Exército paquistanês, que lutava contra a liberdade do território que era separado do Paquistão Ocidental por mil e setecentos quilômetros de território indiano.

A proclamação foi feita através da rádio clandestina dos rebeldes, A Voz de Bengala Livre, em transmissão captada em Calcutá. Rahman exortou os bengalis a “resistirem a todo o custo e de qualquer maneira às forças inimigas”, porque, antes mesmo da proclamação acontecer, eclodiu uma grave guerra civil entre forças do Exército paquistanês e a população do Paquistão Oriental.

“Eles estão atirando para matar, em que avistam. Milhares já morreram. Eu faço um apelo ao mundo e, particularmente aos Estados vizinhos: por favor, não permaneçam como espectadores silenciosos desta carnificina diabólica. Venham ajudar 75 milhões de irmãos de Bengala Livre”, declarou Rahman em seu discurso.






A crise político social que eclodiu na década de 70, teve início muito antes, com a Independência da Índia ao Reino Unido, em 1947, que teve como uma das consequências o nascimento do Paquistão como unidade autônoma. Esse nascimento, no entanto, realizou-se em um clima de divisão que a federação de estados, mais tarde, não conseguiria eliminar. Mal a coroa inglesa concedera aos nativos indianos o Governo de seu país, a Liga Muçulmana (criada em 1906 com finalidade de proteger seu povo contra a ação dos hindus), exigiu a separação das regiões. Dessa forma, foi aprovada a constituição de um domínio britânico independente da Índia, formado por duas regiões distantes 1.500 quilômetros uma da outra.

O resultado imediato dessa decisão foi um êxodo de proporções inéditas: oito milhões de muçulmanos migraram da Índia para o recém-formado Paquistão, que era abandonado, por sua vez, por nove milhões de hindus. A partir da década de 50, o lado ocidental foi se sobreponto ao oriental, de modo que exercesse controle político sobre ambas as regiões e tivesse maiores privilégios internacionais. Assim, foi sendo criada uma rivalidade entre o povo bengali e o pundjabis (do Paquistão Ocidental), que eclodiu na proclamação da República de Bengala Livre, chamada também de Bangladesh.

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25 de março de 1970 – Brasil estende mar territorial a 200 milhas

CPDoc JB


Por decreto, o então presidente Emílio Gastarzú Médici, decidiu ampliar a área do mar territorial brasileiro de 12 para 200 milhas, estendendo também, sobre essa mesma faixa, o espaço aéreo do país. O ato presidencial dispunha ainda que os navios de todas as nacionalidades teriam o direito de “passagem inocente” - definida pelo presidente como “simples trânsito pela região, sem o exercício de qualquer atividades estranhas à navegação” – pelo mar territorial brasileiro.

O limite de 200 milhas fora objeto de um pronunciamento oficial do governo brasileiro durante a reunião do comitê especializado das Nações Unidas, em 1968. Nesse pronunciamento o Ministro das Relações Exteriores do Brasil defendia a necessidade da criação de um organismo internacional para supervisionar as atividades dos diferentes países nas faixas marítimas.

Para a assinatura do decreto, que oficializou a idéia incial (de 1968), realizou-se no Palácio do Planalto, em Brasília, uma reunião na qual participaram, além de Médici, os ministros da Marinha, Exterior, Aeronáutica, Interior e Casa Civil.

O ato de ampliação da faixa tinha como objetivo garantir ao Estado o domínio da área marítima de 200 milhas do continente, fazendo com que essa área fosse regida por normas estabelecidas pelo governo brasileiro. Dessa forma, a pesca e qualquer outra atividade econômica ou científica realizadas nessa área deveriam ser feitas exclusivamente por navios brasileiros, salvo algumas exceções autorizadas pelo Estado.

“Além do problema de ordem econômica, representado pela necessidade de defesa do potencial biológico brasileiro, foi dada especial ênfase ao aspecto político da questão”, dizia uma nota da Secretaria Geral do Conselho de Segurança, ao expor os motivos do aumento da área do mar territorial.

Ao contrário da Sudepe (Superintendência do Desenvolvimento da Pesca) – que declarou no mesmo dia não necessitar fazer uso de uma área tão grande para a política de desenvolvimento do órgão, que mal utiliza completamente as antigas 12 milhas –, a Petrobrás se manifestou a favor do aumento do mar territorial.

“O aumento será benéfico para nós, pois possibilitará a prospecção e a pesquisa petrolífera nas chamadas áreas favoráveis, que se localizam, em sua maioria, fora dos limites anteriores”, explicou um técnico da estatal, quase prevendo o futuro da empresa na exploração de petróleo em águas profundas, muito afastadas da costa.

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24 de março de 1976 – Golpe militar depõe Isabelita Perón





Após um golpe de Estado, a Junta Militar argentina depôs e prendeu a Presidente da República, Maria Estela de Perón – conhecida por Isabelita Perón, viúva do ex-presidente Juan Domingo Perón –, destituiu todos os governadores e interventores provinciais, dissolveu o Senado, a Câmara e as Assembléias, demitiu magistrados, fechou os partidos, sindicatos e associações de trabalhadores e de empresários, e estabeleceu a pena de morte e censura à imprensa. No dia seguinte à prisão de Isabelita, a Junta proclamou o general Videla como novo Presidente da Argentina.

Um programa de nove pontos situava o novo regime “dentro do mundo ocidental e cristão” e fixava os “propósitos e objetivos básicos para o processo de reorganização nacional”. Estabelecia a “concretização de uma soberania política, baseada no funcionamento de instituições constitucionais revitalizadas, que evocassem o interesse nacional acima de qualquer sectarismo, tendência ou personalismo”.

Brasil, Estados Unidos, Espanha, Peru, Malta, Chile e Equador reconheceram imediatamente o governo da Junta.

Isabelita Perón subiu ao poder quando o seu marido Juan Perón faleceu, em 1974. Isabelita era vice-presidente, eleita juntamente com Juan Perón nas eleições de 1973, cujo lema de campanha, Perón-Perón, despertara a euforia da população, que aguardava o retorno do ex-líder populista, o qual estava fora da vida política por 17 anos. A terceira passagem de Juan Perón pela Casa Rosada, no entanto, foi bem diferente das experiências anteriores. Desta vez ele procurou se apoiar nas Forças Armadas e nas organizações sindicais, que nos idos da década de 50 eram muito fortes, mas que na ebulição social da década de 70 não tinham mais o mesmo poder. Quando o presidente morreu e Isabelita assumiu a presidência, a crise política na Argentina atingira seu ápice, com assassinatos políticos diários e crescentes ações terroristas e guerrilheiras.

Além da crise política, a economia começava a entrar num período de grande instabilidade, fazendo com que o governo lançasse planos econômicos que jamais tiveram sucesso. Os ministérios passavam de mão em mão, por conta das pressões políticas e militares às quais a viúva de Perón deveria ceder. Assim, a inquietação nas ruas aumentava e a paciência dos militares, que recebiam apoio internacional em uma época em que a América Latina era dominada por duras ditaduras, se esgotava. Portanto, com as condições propícias ao golpe, o Exército se organizou e efetuou, mais uma vez, um golpe militar na Argentina.

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23 de março de 1986 – Piquet vence e Senna é vice no GP do Brasil





Nélson Piquet, da Willians da época, venceu o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1, disputado no autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, na abertura do Campeonato Mundial da categoria. Ayrton Senna, que competia pela Lotus, ficou em segundo lugar. O então campeão, Alain Prost, da McLaren, abandonou a prova. Empolgado com o êxito dos pilotos brasileiros, o público invadiu a área dos boxes ao fim da corrida.

Um pelotão da Polícia Militar escoltou Nélson Piquet até o estacionamento para protegê-lo do público, que invadiu todas as dependências do autódromo para ver o campeão de perto ou conseguir um autógrafo. Nélson garantiu que queria ultrapassar Ayrton Senna logo na primeira volta, mas resolveu ficar de longe quando viu o pequeno acidente que tirou o piloto Nigel Mansell da competição, quando forçava uma ultrapassagem, tendo assumido a primeira colocação nas voltas finais da corrida.

Ao fim da prova, ao descer do carro, Piquet recebeu uma bandeira do Brasil que foi agitada por ele até o momento em que começou a ser cantado o Hino Nacional.

“Foi incrível. Deu tudo certo. Até as duas paradas para as trocas de pneus. Se conseguir respeitar tudo da mesma forma, tenho grandes chances de vencer o GP da Espanha. Mas é bom lembrar que cada corrida é diferente da outra. Não adianta fazer planos. Só se ganha a corrida após a bandeirada”, declarou o campeão da prova.

Nelson Piquet, porém, não conseguiu vencer a próxima prova, o GP da Espanha, disputada em abril do mesmo ano, no circuito de Jerez de La Fontera. Por problemas no carro, o piloto foi forçado a deixar a corrida, abrindo espaço para Senna que, numa acirrada disputa com Nigel Mansell (da equipe Williams), levou a melhor e faturou o lugar mais alto no pódio do GP espanhol. Esta seria a terceira vitória de Senna em Mundiais, marcando o início de sua era de 41 vitórias na Fórmula 1.

O título do mundial de 1986, porém, não pertenceu a um brasileiro. Quem faturou o ouro, no resultado final das competições, foi o francês Alain Prost, que virou o principal adversário de Senna nos anos que se seguiram.

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22 de março de 1977 – Após 11 anos no poder, Indira Gandhi renuncia





Após ser derrotada nas eleições para a escolha do novo Chefe de Governo da Índia, a primeira-ministra Indira Gandhi apresentou sua renúncia, no dia 22 de março, ao então Presidente interino, Bassapa Danapa Jatti. Indira, no entanto, apesar de ter perdido as eleições que punham fim aos seus onze anos à frente do cargo de maior importância do governo indiano, aceitou permanecer como primeira-ministra até que fosse formado o novo governo, integrado por membros da Coligação Janata.

“Meus ministros e eu aceitamos sem reservas e com espírito de humildade o veredito dos eleitores”, afirmou Indira, numa declaração. “A decisão do povo tem que ser respeitada. Tenho dito sempre que ganhar ou perder uma eleição é menos importante que fortalecer nosso país e assegurar uma vida melhor ao nosso povo”. A declaração da mulher que já foi considerada a mais influente do mundo, no fim da década de 60, formulou votos de sucesso ao novo governo e ofereceu a “cooperação construtiva” do Partido do Congresso.

Dois anos antes de perder as eleições indianas, Indira Gandhi decretou estado de sítio no país e impôs a censura aos meios de comunicação social, além de perseguir seus inimigos políticos, “suspendendo a democracia por um tempo”, como ela mesmo dissera na época. O motivo pelo qual a primeira-ministra utilizara tais poderes extraordinários foi o de haver tido os seus direitos políticos cassados (impedida de tentar eleições a cargos públicos durante seis anos) por conta de uma denúncia de corrupção nas eleições de 1971, nas quais Gandhi saíra vitoriosa com maioria esmagadora dos votos. Em 1976, entretanto, quando a colheita de cereais batia recordes devido ao sucesso da chamada “Revolução Verde”, a produção industrial crescera 11%, o comércio melhorava, a inflação se via sob controle, e a economia, como um todo, estava mais forte do que nunca, Indira surpreendeu ao acabar com a censura, libertar seus opositores e convocar novas eleições.

Contra ela, entretanto, foi firmada a mais poderosa aliança de contrários que a Índia já vira, reunindo conservadores aristocráticos e comunistas pro-soviéticos. As eleições, assim, surpreenderam e Indira perdeu, tendo que deixar o governo.

“Há outros meios de servir ao povo além de pertencer ao Parlamento. Não me proponho a intervir ativamente na política, mas sim a dedicar minhas energias a trabalhar discreta e construtivamente. Não mudaram meu amor e preocupação pelo povo. Servirei a ele até o limite de minhas forças”, declarou a filha do ex-premier Nehru, discípulo direto do Mahatma Gandhi.

Veja aqui um vídeo com fotos da Indira Gandhi.

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21 de março de 1990 – Namíbia festeja sua independência





Uma aparentemente simples troca de bandeiras marcou o fim do lento e complicado processo de independência da Namíbia, última colônia no continente africano. O hasteamento da colorida bandeira do novo Estado – listrada de azul, branco, vermelho e verde, com um sol amarelo no canto superior esquerdo –, no lugar da sul-africana, foi assistido por dezenas de delegações estrangeiras e mais de vinte mil pessoas no Estádio Atlético de Windhoek, oficializando o fim do domínio de 75 anos de Pretória (capital da Africa do Sul) sobre o território.

Durante todo o dia anterior foi grande o movimento no aeroporto da capital, com a chegada de mais de 70 vôos com convidados estrangeiros. Um dos primeiros a chegar foi o então presidente da África do Sul, Frederik Klerk. Ele conversou durante 15 minutos com o novo presidente namíbio, Sam Nujoma, ex-líder da guerrilheira Organização do Povo do Sudoeste Africano (Swapo, em inglês), responsável por 23 anos de luta contra as forças sul-africanas.

Além de De Klerk, cerca de dez presidentes desembarcaram no país para as celebrações da independência – entre os quais estavam os chefes de Estado do Egito, Moçambique, Zâmbia e Líbia. O secretário-geral das Nações Unidas, Javier Perez de Cuellar, elogiou a força de paz da ONU, que desde abril do ano anterior supervisionava a retirada das tropas sul-africanas do território namíbio e o retorno de 33 mil exilados, além da realização de eleições para os representantes da Assembléia Nacional, que redigiria a nova Constituição Federal.

O acordo da independência da Namíbia, após 105 anos de colonialismo, foi resultado de um acordo firmado em 1988, pelo qual Cuba, Angola e África do Sul acertaram a retirada de 50 mil soldados cubanos de Angola em contrapartida à saída sul-africana da Namíbia. O início do processo, em 1º de abril do ano anterior, foi ameaçado por violentos combates entre tropas de Pretória e guerrilheiros da Swapo, acusados de tentar voltar armados ao país.

Ex-colônia alemã, ocupada pela África do Sul durante a Primeira Guerra, em 1915, a Namíbia, então chamada de África do Sudoeste, tinha, na época de sua independência, 1,3 milhões de habitantes, a maioria negros. Grande parte de seu território é árida e improdutiva e, apesar das grandes reservas minerais, a economia continuava sendo dependente da África do Sul.

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20 de março de 1952 – EUA ratificam acordo de paz com o Japão




No dia 20 de março, o Senado dos Estados Unidos ratificou o Tratado de Paz com o Japão (mais conhecido como Tratado de São Francisco) e outros três pactos de segurança destinados a manter a paz na região do Pacífico, após o término da Segunda Guerra.

Por 66 votos contra 10, o Senado norte-americano ratificou o Tratado de Paz, depois de repelir cinco tentativas destinadas a incluir condições e com isso adiar indefinidamente a ratificação de uma paz duradoura com a Terra do Sol Nascente. Em seguida, foram aprovados os Pactos de Segurança com as Filipinas, Nova Zelândia e Austrália.

O único democrata que votou contra a ratificação do Tratado de Paz com o Japão foi o senador Pat McCarran, do estado de Nevada, que se uniu aos nove republicanos que se opuseram ao acordo.

O Tratado de Paz deu por terminada oficialmente a guerra dos Estados Unidos contra o Japão, que foi declarada em oito de dezembro de 1941, após o ataque japonês à base norte-americana de Pearl Harbor. O acordo foi ratificado por quinze votos a mais do que a maioria de duas terças partes necessária. Embora os Pactos de Segurança com as Filipinas, Nova Zelândia e Austrália já tivessem sido aprovados por aclamação, alguns senadores republicanos quiseram manifestar sua opinião contrária a eles, julgando ser um ato de precipitação dos parlamentares.

Após aprovar os acordos, a Comissão das Relações Exteriores do Senado ressaltou que não reconheceria as reclamações soviéticas sobre alguns antigos territórios japoneses, e que também não aprovava, por isso, o Acordo de Yalta (acordo firmado entre EUA, URSS e Grã-Bretanha, em 1945, que dividia o mundo em zonas de influência no pós-guerra).

Assim, com a ratificação do acordo de paz, os Estados Unidos nomearam, dias depois, um embaixador do Japão para selar de vez a normalização das relações diplomáticas com o esse país. O Tratado, no entanto, só passaria a entrar em vigor depois de ter sido assinado por seis das onze nações signatárias: Estados Unidos, Austrália, Canadá, Ceilão (atual Sri Lanka), França, Indonésia, Holanda, Nova Zelândia, Paquistão, Filipinas e Grã-Bretanha, coisa que aconteceu no final de abril do mesmo ano.

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19 de março de 1995 – Michael Jordan volta ao basquete




Após uma frustrante temporada na liga de beisebol profissional, o astro de basquete Michael Jordan anunciou oficialmente a sua volta ao time que ele conduziu ao tricampeonato (1991, 1992 e 1993), o Chicago Bulls, um dia antes de defender a conhecida equipe na Liga Profissional de Basquete dos Estados Unidos, em uma partida contra o Indiana Pacers, equipe do estado de Indiana, EUA.

Apesar da enorme expectativa que todos nutriam, o retorno de Jordan às quadras de basquete teve o sabor de decepção. Embora tenha conseguido empatar a partida contra o Indiana (92 a 92) nos segundos finais, o Chicago Bulls acabou perdendo o jogo na prorrogação: 102 a 96.

Quando entrou na quadra, Jordan parecia o mesmo de sempre: corpo esguio, a mesma expressão confiante e o inconfundível carisma que conquistou torcedores de todo o mundo. Mas foi só a partida começar para que se percebesse que o afastamento das quadras prejudicou o jogo da estrela. A falta de ritmo era visível quando Jordan, depois de uma finta, concluia com arremesso defeituoso. Em alguns momentos, porém, exibia lampejos do atleta genial dos velhos tempos. Ele, por exemplo, percebeu que sua mão não estava certeira o suficiente e passou a armar jogadas para os colegas. Com isso, o Bulls conseguiu equilibrar o jogo.

Na época, Michael Jordan tinha 32 anos, 1,98 metro de altura e 89 quilos. Era o maior cestinha dos Bulls e o 15º colocado na história da NBA, com 1.541 pontos marcados. Em 1992, nas Olimpíadas de Barcelona, integrou o dream team dos Estados Unidos, ao lado de nomes como Magic Johnson e Scott Pippen. Foi a primeira vez que os jogadores profissionais puderam disputar os Jogos Olímpicos, e o time norte-americano acabou levando, fácil, a medalha de ouro. Em outubro de 1993, Jordan anunciou que estava deixando o basquete. Dedicaria-se ao golfe, seu hobbie favorito, a seus empreendimentos em Chicago, que incluíam um restaurante, e ao beisebol. Ao voltar aos Bulls trazendo seu estilo ágil, com paradinhas no ar na hora do arremesso, viu que a equipe estava atravessando uma fase ruim, assim como ele próprio, que estava fora forma. Michael, no entanto, recuperou sua boa forma rápido e levou o Bulls a mais três títulos da NBA consecutivos (1996, 1997 e 1998).

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18 de março de 1990 – ´Os Trapalhões’ perdem Zacarias




Aos 57 anos de idade, o mineiro Mauro Faccio Gonçalves, mais conhecido como Zacarias, por seu papel no programa humorístico de TV “Os Trapalhões”, morreu na manhã do dia 18, vítima de uma infecção respiratória. O humorista estava doente desde fevereiro desse ano, e o seu quadro veio a piorar em meados de março, quando precisou ser internado doze quilos mais magro. A última pessoa a ver o ator com vida foi sua mãe, que esteve em seu quarto cinco minutos antes dele morrer. Seu corpo foi embalsamado e transportado para sua cidade natal, Sete Lagoas - Minas Gerais, onde foi enterrado.

Renato Aragão e Dedé Santana, seus companheiros no programa, correram ao hospital assim que souberam da notícia da morte do parceiro. “É difícil acreditar nisso; tenho certeza de que lá onde ele está, não quer ver tristeza; quer que a gente passe uma mensagem de alegria para as crianças; nada de tristeza”, disse Dedé, que, na hora da entrevista, lembrou de um comentário de Renato Aragão: “Os Trapalhões são como uma mesa de quatro pernas. Sem uma delas fica difícil”.

O humorista Castrinho, amigo de Zacarias por mais de 25 anos, relembrou momentos com o amigo nos tempos em que a TV Tupi faliu: “Eu e um grupo de amigos ficamos desempregados, sem ter onde morar. O Mauro (Zacarias) nos levou para seu apartamento e formamos uma república. Ele era nosso conselheiro”.

Wilton Franco, diretor dos Trapalhões, falou da ingenuidade daquele que considerava o mais doce do quarteto. “Ele era tão puro quanto parecia na TV”, disse o diretor, avaliando que essa ingenuidade devia ser “coisa de mineiro”.

Zacarias era meio ermitão: gostava de viver sozinho em sua casa em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, onde cuidava de plantas e pássaros. Dentro da casa tinha um elefante com o bumbum virado para a porta, uma figa e um Buda. Tinha ainda uma ferradura com sete furos. Era espírita e muito religioso. Começou sua carreira de ator em Sete Lagoas, em um programa da Rádio Cultura. Em 1963, veio para o Rio trabalhar na TV Excelsior. Na TV Tupi, interpretou um garçom engraçado no programa “Café sem concerto”. Renato Aragão viu, gostou dele e o transformou em um trapalhão, em 1974. Seu sonho era montar um musical humorístico e sua maior preocupação era com a educação das crianças brasileiras e também com a preservação da natureza.

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17 de março de 1976 – Morre o cineasta Luchino Visconti




Contraditório, discutido, rotulado de marxista em alguns momentos de sua carreira assim como de nostálgico da decadência aristocrática em outros, mas indiscutivelmente um dos mestres do cinema europeu, Luchino Visconti morreu no dia 17, em Roma, aos 69 anos de idade. Doente desde 1972, quando sofreu um ataque cardíaco, Visconti tinha acabado de filmar seu último trabalho, L’Inoccente, baseado no romance homônimo de Gabrielle D’Annuzio. E não pretendia parar. Cerca de um ano antes da sua morte, o diretor italiano dissera: “Sou um ser cinematográfico, que vai ao estúdio todos os dias, mesmo agora que a doença me humilhou, me feriu”.

Em uma cadeira de rodas, necessitando da ajuda alheia para se locomover dentro do estúdio, Visconti seguira filmando seu último trabalho, alguns meses antes de falecer. “Carregam-me como se eu fosse o Papa”, disse ele uma vez durante a filmagem de L’Innocente, na qual técnicos precisaram erguer sua cadeira, aproximando sua cabeça ao olho da câmara para que pudesse dirigir as cenas do filme.

Nostálgico, Visconti às vezes confessava sua solidão: “Eu gostaria de transmitir meu conhecimento a pessoas mais jovens. Ajudar pessoas. Todas as minhas tentativas acabaram em desastre. Não somos compreendidos. Eu desejava laços intelectuais profundos, e o que me ofereciam eram relações sentimentais sem sentido. Também gostaria de ter adotado um pequeno vietnamita. Legalmente, não é possível fazer isso sem ser casado. Os amores sempre terminam mal; é por isso que não revejo meus filmes”.

A juventude da década de 70 causava-lhe decepções: “Os jovens têm a cabeça vazia, drogam-se, bebem. Não aguentaria ser dominado outra coisa além de mim mesmo. Não preciso me evadir. Se estou deprimido, leio algumas páginas de Marcel Proust e esqueço todas as minhas preocupações”.

Do teatro às telas de cinema

Luchino Visconti nasceu em Milão, em 1906, em uma família aristocrática que dominou esta cidade italiana no século XV, e cujos membros foram mecenas de Leonardo Da Vinci e de outros artistas da época. Estudou música, se envolveu com o teatro, mas, aos 30 anos foi para Paris dedicar-se ao cinema e lá foi acolhido por Jean Renoir, que faria dele um de seus assistentes em três filmes (Les Bas-Fonds, de 1936; Une Partie de Campagne, de 1937; e La Tosca, de 1938). De volta à Itália, na Segunda Guerra estreou como diretor com o longa Ossessione (1942). Por participar da resistência ao fascismo italiano, Visconti foi preso e condenado ao fuzilamento, conseguindo fugir posteriormente. Entre seus trabalhos mais marcantes estão Um Rosto na Noite (1957), Rocco e seus Irmãos (1960), II Lavoro (episódio de Boccaccio 70, 1962) e O Leopardo (1963).

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16 de março de 1998 – Vaticano pede perdão ao povo hebraico




No dia 16 de março de 1998, o Vaticano apresentou à mídia internacional o texto Nós recordamos: uma reflexão sobre o ‘Shoah’. Com pouco mais de 14 páginas, o texto era dirigido aos fiéis católicos de todo o mundo, e tinha como intuito ser um pedido de desculpas ao povo hebraico pelos terríveis sofrimentos que lhe foram impostos na Segunda Guerra Mundial, ao tempo em que tentava defender as atitudes do papa Pio XII, acusado por muitos historiadores de não ter denunciado com maior energia as perseguições aos judeus por parte do nazismo alemão e do fascismo italiano, que culminaram no Holocausto. O texto levou mais de onze anos para ficar pronto, tendo sido encomendado pelo papa João Paulo II, que era o pontifície na data de publicação do documento.

Muitos vaticanistas italianos reconheceram que o documento era de grande importância para o futuro, embora aguado e tímido quanto ao passado. “A relação da Igreja com o povo judeu é diferente da que ela compartilha com qualquer outra religião. Não é somente uma questão de retornar ao passado. O futuro comum de judeus e cristãos exige que nós recordemos, porque não existe futuro sem memória. A própria história é memória futuri ”, vinha escrito em uma parte da reflexão.

Embora admita a existência entre os católicos de preconceitos antijudaicos, nascidos de uma interpretação errônea do Novo Testamento, o texto distingue esse tipo de sentimento do anti-semitismo. Assim, o documento expõe que o nazismo não foi contrário apenas ao judaísmo, mas também ao cristianismo, sendo que uma corrente significativa do mesmo rejeitava Deus e queria submeter a religião ao Estado nazista. Insistindo nessa tese, a autocrítica da Igreja absolveu o Papa Pio XII das graves acusações de não ter tido maiores esforços para impedir o Holocausto.

“Pio XII também condenou o racismo nazista de modo solene, em 1937, iniciativa que provocou ataques e sanções contra membros do clero alemão. Em 1938, dirigindo-se a um grupo de peregrinos belgas, o papa falou: ‘O anti-semitismo é inaceitável. Espiritualmente somos todos semitas’”. A Reflexão sobre o Shoah, porém, preferiu ignorar os silêncios e as omissões do mesmo papa diante dos insistentes apelos que recebeu – entre 1942 e 1944 – dos governos da Polônia, França e Bélgica sobre as perseguições ao judeus praticadas na Alemanha e na Itália.

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15 de março de 1978 – Após obras, Teatro Municipal é reaberto




O Teatro Municipal do Rio de Janeiro, depois de 22 meses de obras de recuperação e ampliação, foi reaberto na noite do dia 15 de março com a apresentação da ópera Turandot, de Puccini, assistida pelo então presidente da República, Ernesto Geisel, que comemorava o aniversário de quatro anos de seu governo. Além do presidente, o espetáculo contou com a presença do governador do estado, Faria Lima, e de 12 ministros.

A platéia, convidada pela Presidência da República, não chegou a lotar os mais de 2 mil lugares disponíveis após a reforma. Acompanhado de sua mulher Lucy, Geisel chegou às 20h50 ao evento, sendo recebido pelo diretor do teatro e por uma multidão que o aguardava do lado de fora, e que, assim que o viu se aproximar do edifício, gritou “Viva o Presidente!”. Após saudar o povo e alguns políticos, Geisel descerrou a placa comemorativa e, ao chegar no seu camarote, antes de ouvir o hino nacional, foi aplaudido, novamente, pela platéia na noite de gala.

A escolha da ópera de reabertura do teatro causou polêmica no meio político. Alguns achavam que o espetáculo deveria ser de um autor nacional, de preferência Carlos Gomes, ilustre autor romântico de ópera, cuja obra O Guarani se tornou bastante conhecida. O prefeito da cidade, Marcos Tamoyo, porém, sustentou posição contrária, na qual uma ópera estrangeira seria mais adequada: “O auriverde na arte não está com nada”. O ex-presidente Figueiredo foi mais ponderado, apesar de concordar com Tamoyo: “A arte não tem nacionalidade”.

O governador Faria Lima também se manifestou, mas não a respeito do tema da ópera da reabertura, e sim a respeito do resultado final do prédio após a reforma. “Ele se tornou o teatro mais bonito da América Latina! Espero que os próximos governantes preservem esse monumento de cultura”, declarou o governador.

Em 1978, o Municipal estava com quase 70 anos de vida, já tendo passado por duas reformas de restauração e ampliação, dentre as quais se destacou a primeira obra, de 1938, na qual a quantidade de lugares aumentou de 2.025 para 2.361, tendo terminado em apenas três meses, tempo recorde para a época. As próximas obras seriam realizadas apenas em 1996, nas quais haveria a construção do edifício anexo.

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14 de março de 1979 – O centenário do gênio do século XX





Há 31 anos o JB homenageava o gênio do século XX, o físico Albert Einstein, que, se estivesse vivo, estaria completando cem anos de existência. Em 1979, fazia 24 anos da morte do professor, cuja mente tão imensa e tão distante das preocupações banais, era capaz de fazer com que ele fosse a um jantar de gala e só na casa do anfitrião lembrasse que tinha esquecido de calçar as meias.

Na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, na semana do seu centenário, todos os grandes nomes da Física se reuniram para prestar-lhe uma homenagem durante uma semana. Basicamente, foi dito o que todos já sabiam: que Einstein alterou os nossos conceitos de espaço e de tempo ; que nos deu a equação E=mc²; que foi alem de Newton, com uma nova interpretação da Gravidade; que suas teorias sobre a relatividade resistiram ao teste do tempo; que sua mente foi provavelmente a maior mente científica do século XX.






O gênio de Einstein o possuía e o atormentava. Quando um problema de física o intrigava, trabalhava nele até a exaustão. Seu médico, Janos Plesch, uma vez dissera: “Como a mente dele não conhece limites, o corpo não segue nenhuma regra estabelecida. Ele dorme até que o acordem; fica acordado até que o mandem para a cama; não come enquanto alguém não lhe dá algo para comer; e aí come até que o detenham”.

Einstein tinha tanta convicção de que estava certo sobre a relatividade em 1919 - antes que fossem obtidas provas experimentais conclusivas -, que, como parte do acordo de divórcio de sua primeira mulher, prometeu deixar para ela a dotação do Prêmio Nobel que tinha certeza de que iria receber. De fato, em 1921 tornou-se um dos laureados da Academia sueca. Sua fama universal surgiu em 1919, quando astrônomos britânicos anunciaram ter encontrado a primeira confirmação da teoria da Relatividade Geral. Como consequência da Relatividade Especial, formulada anteriormente, em 1905, Einstein deduziu a fórmula E=mc², segundo a qual a energia é igual à massa multiplicada pelo quadrado da velocidade da luz, implicando assim que um corpo que emite energia em forma de luz perde um pouco de sua massa. Desse modo, massa e energia podem ser convertidas uma na outra. Essa relação revelou-se, posteriormente, a base da Era Atômica – quando se descobriu que na divisão de um núcleo de urânio, uma parte da sua massa poderia ser convertida em enormes quantidades de energia, princípio utilizado na construção da bomba atômica.

Einstein morreu em abril de 1955, aos 76 anos, de um aneurisma cerebral. Seu corpo foi cremado e suas as cinzas abandonadas. Seu cérebro, no entanto, foi doado para estudos científicos, os quais não conseguiram identificar nenhuma diferença anatômica significativa dos cérebro das pessoas comuns.

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13 de março de 1964 – Jango faz o ‘Comício da Central’




Após assinar no Palácio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, o decreto da SUPRA, que seria o passo inicial para a reforma agrária no Brasil, e o decreto da encampação das refinarias particulares de petróleo, o então presidente João Goulart anunciou o tabelamento dos aluguéis, e prometeu lutar pela reforma da Constituição, em um comício na Central do Brasil que ficou conhecido como Comício da Central.

– Nenhuma força será capaz de impedir que o governo continue a assegurar absoluta liberdade ao povo brasileiro. E para isto poderemos declarar, com orgulho, que contamos com a compreensão e o patriotismo das Forças Armadas – disse Jango no que seria seu último comício, assistido por uma multidão calculada em 130 mil pessoas.

Sobre a reforma da Constituição, Jango declarou ser uma das medidas mais urgentes a ser feitas no Brasil “porque é indispensável, e porque o seu objetivo único é abrir o caminho para a solução harmônica dos problemas que afligem o povo brasileiro”. Nesse ponto, o companheiro de palanque de Goulart, Leonel Brizola, o apoiou, propondo a convocação de uma assembléia constituinte, sugerindo a renovação do Congresso Nacional, devendo este ser constituído de operários e camponeses, oficiais nacionalistas e sargentos, “autênticos homens públicos para eliminar as velhas raposas do Legislativo”, segundo suas próprias palavras.

O discurso de Jango irritou os parlamentares, porque as propostas das Reformas de Base ainda não tinham sido enviadas ao Congresso. O projeto de Goulart abrangia as áreas de educação, onde visava combater o analfabetismo com o uso do Método Paulo Freire e a implantação da reforma universitária; a área da reforma agrária, cujo lema era desapropriar terras com mais de 600 hectares; a reforma tributária, que obrigava as empresas multinacionais aqui instaladas a reinvestirem os seus lucros no páís; fazer com que o pagamento do imposto de renda se tornasse proporcional à renda anual do cidadão: e a reforma eleitoral, que visava expandir o direito de votos a analfabetos e militares de baixa patente.

Além de ter irritado os congressitas, o Comício da Central incomodou a oposição, principalmente o governador do Estado da Guanabara, Carlos Lacerda, e as mais altas camadas militares. Alguns dias depois, foi organizada no Rio de Janeiro uma passeata de oposição a Jango, denominada Marcha da Família com Deus e pela Liberdade, a qual alegava que a política de Goulart estava caminhando para a implantação de um governo comunista no Brasil. Ao fim do mês, houve a organização de um movimento que culminaria com um golpe de estado, no qual Goulart foi deposto, tendo que seguir para o exílio. O governo militar implantado nessa ocasião durou até 1985, quando foi eleito o primeiro presidente civil desde as eleições de 1960.

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12 de março de 1947 – Doutrina Truman é anunciada




No dia 12 de março o presidente dos Estados Unidos, Harry Truman, anunciou, pela primeira vez, o que viria a ser chamado de Doutrina Truman, em um discurso no Congresso norte-americano. Sob pretexto de ajudar os “elos mais frágeis” do capitalismo na luta contra o imponente socialismo da União Soviética – o qual o então governante julgava estar tentando se espalhar pelo Oriente Médio -, Truman expôs os pontos básicos da nova (e dura) política externa norte-americana ao explicar o por quê de enviar ajuda financeira à Grécia (que vivia à beira de uma guerra civil) e à Turquia (que recebia ajuda da Grã Betanha, a qual não tinha mais condições econômicas de fornecê-la).

“Um dos primeiros objetivos da política exterior dos Estados Unidos é a criação de condições em que nós próprios e outras nações possamos ter uma forma de vida livre de coerção. Serão atingidos nossos objetivos, se estivermos dispostos a auxiliar os povos livres a sua integridade nacional contra manobras agressivas que procuram impor-lhes os regimes totalitários”, declarou Truman em algum momento do discurso, se referindo à expansão comunista no Oriente Médio e Europa Oriental, taxando de ditadura os governos impostos pela URSS na Polônia, Bulgária e Romênia. E continuou: “Creio que a política norte-americana deve apoiar os povos livres que resistem às imposições pelas minorias armadas ou pela pressão. Creio que devemos ajudar os povos livres a determinar seus destinos da forma como entenderem”.

Truman explicou que o auxílio e apoio norte-americano aos países que viviam sob pressão de “minorias” seria em forma de assistência econômica e financeira. Para Truman, evitar que a Grécia fosse “tomada pelo caos” era de fundamental importância para que uma onda de terror não fosse espalhada pela Europa, que esta sendo reconstruída após ser devastada pela Segunda Guerra. De acordo com suas palavras, a queda do governo democrático da Grécia, fragilizado pela crise financeira e ameaça de grupos rebeldes comunistas, provocaria uma reação imediata na Turquia, de igual caos, que se alastraria pelo Oriente Médio. Assim, a URSS teria total liberdade para oferecer sua ajuda e instituir um governo comunista nestes países.

“Seria uma indescritível tragédia se esses povos que lutaram tanto tempo contra forças esmagadoras perdessem essa vitória pela qual tantos sacrifícios fizeram. Se deixássemos de ajudar a Grécia e a Turquia nesta hora crucial, o efeito seria de vastas projeções para o ocidente”, afirmou.

Em resposta à declaração de Truman sobre a expansão soviética no Oriente Médio, um representande do Congresso norte-americano afirmou que a Casa apoiará o presidente no que respeita à neutralização da agressão comunista. Na Grã-Betanha, um porta-voz do governo afirmou que “o governo recebe com prazer a declaração de Truman (...). Os pontos de vista que exprimiu sobre a questão dos governos que estão sendo impostos a Estados soberanos da Europa, estão muito de acordo com nossos pontos de vista”.

A declaração de Truman sobre o novo estilo da política norte-americana foi o marco inicial da Guerra Fria, a batalha silenciosa entre Estados Unidos e União Soviética pela expansão de seus respectivos modelos político e econômicos pelo mundo.

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11 de março de 1990 – Lituânia se torna independente da URSS




O Parlamento recém-eleito da Lituânia, ligado ao movimento nacionalista Sajudis, declarou a separação do país da União Soviética elegendo Vytautas Landsbergis, fundador do movimento, como seu novo presidente. Os parlamentares, assim, mudaram o nome e os símbolos da República e restabeleceram a independência de que o país desfrutou entre 1918 e 1940. A Lituânia foi a primeira república a se separar da União Soviética, tendo sua independência reconhecida apenas no final do ano seguinte, no entanto.

A sessão foi acompanhada de fora por milhares de pessoas que, ao ouvir o nome do novo presidente, derrubaram e pisotearam os símbolos da foice e do martelo, da bandeira comunista da União Soviética, aos gritos de “Liberdade!” e “Sajudis!”. A República Socialista Soviética da Lituânia passou, assim, a ser chamada apenas de República da Lituânia, cuja nova bandeira recebeu as cores verde, amarela e vermelha, com um cavaleiro medieval como brasão, o antigo símbolo nacional usado até 1940, ano em que Hitler e Stalin, por meio de um pacto, anexaram ao território soviético a Lituânia além dos vizinhos Estônia e Letônia.

Em seu discurso como novo presidente, Landsbergis saudou a população e comemorou a independência: “Presenciamos aqui um ato heróico. Estamos felizes porque a Lituânia já está livre, em espírito”.

“A partir deste momento, a Lituânia torna-se novamente um Estado independente. O território da Lituânia é uno e indivisível, e nele não se aplica a Constituição de qualquer outro Estado”, vinha escrito na proclamação de independência.

Os deputados lituanos endereçaram apelos de apoio a vários países do mundo. No apelo enviado à União Soviética, diziam que o envio de novas tropas soviéticas ao território lituano não seria mais bem-vindo e pediam a negociação para a retirada total dos contingentes militares do país, o que só aconteceu de fato em 1993.

A Lituânia, hoje, é uma das três Repúblicas Bálticas, sendo um dos 27 Estados membros da União Européia. Seu território tem área de fronteira com a Letônia, ao norte, Bielorússia a leste e sul, Polônia, ao sul, e Kalingrado (enclave russo), a sul e a oeste.



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10 de março de 1952 – Fulgêncio Batista toma o poder pela última vez




O general Fulgêncio Batista assumiu pela terceira vez o governo de Cuba após um golpe de Estado apoiado pelo Exército. Batista, desde que iniciara a vida política em 1933, derrubou 4 presidentes. O presidente deposto Carlos Prío, envolvido em um caso de corrupção desvendado e denunciado pelo futuro revolucionário Fidel Castro, fugiu do país temendo as consequências do golpe militar.

Após o golpe, fontes do governo informaram que a residência ex-presidente Ramón Grau San Martin, inimigo ferrenho de Batista, foi cercada por soldados, que o levaram como prisioneiro para uma base militar nos arredores da capital, Havana.

O ataque de Batista ao palácio presidencial aconteceu às três horas da manhã do dia 10, continuando sua tradição do futuro ditador de “golpes durante a madrugada”. O general declarou que o governo converteu-se em um grupo de politiqueiros e alertou que o próprio Carlos Prío pretendia dar um golpe de Estado para colocar na presidência um candidato do Partido Revolucionário Cubano.

Em conversa com militares acampados em Columbia, a maior base militar do país, o novo presidente declarou: “Nós somos a lei”, acrescentando que não permitiria novas eleições presidenciais em julho. Após a visita, Batista divulgou um comunicado dizendo que anunciava a criação de um governo provisório, composto por 13 ministros, para governar o país, além de dizer que estava preparando um documento suspendendo as garantias constitucionais dos cidadãos cubanos durante 45 dias. “Meu único propósito é manter a lei e a ordem. Sou amigo do povo e não dos bandoleiros”, justificou em uma entrevista coletiva.

A primeira vez que Fulgêncio Batista chegou ao mais alto cargo político de Cuba foi em 1933, por meio de um golpe de Estado, ficando no cargo até 1940. Nessa época, a ilha caribenha, por mais que sua independência tivesse sido proclamada em 1902, vivia a herança dos muitos séculos de exploração. A dominação espanhola saíra de cena no final do século XIX, dando espaço para que a emergente potência capitalista, os Estados Unidos, assumisse as rédeas da pequena ilha e dela retirasse tudo o que lhe conviesse. Por meio da Emenda Platt, através da qual o vizinho do norte limitava a soberania cubana dentro de seu próprio território, sufocou e extorquiu a população do país até a Revolução de 1959. Em 1940, no entanto, Batista foi eleito presidente e governou até 1944. Quando retomou o poder, em 1952, governou como ditador, financiado pelo capital norte-americano, até 1959, quando Fidel Castro e o Exército Rebelde destruíram as forças militares do governo e assumiram o controle do Estado com apoio popular. O governo comunista de Fidel Castro dura até hoje, sendo comandado agora por seu irmão, Raúl Castro.

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9 de março de 1986 – Encontrados os corpos da tripulação do Challenger




A NASA anunciou que mergulhadores da marinha norte-americana encontraram destroços da cabine da nave espacial Challenger, que explodiu no ar em janeiro do mesmo ano, com os restos da tripulação dentro, a uma profundidade de 30 metros e a 47 quilômetros da costa do estado da Flórida.

O porta-voz da agência espacial dos Estados Unidos, Hugh Harris, disse que ainda não tinha informações sobre as condições da cabine e do estado dos sete corpos encontrados. A descoberta foi feita pelo sonar de rádio do navio USS Preserver, um dia antes de mergulhadores treinados para identificar todas as partes da nave mergulhassem para reconhecer a cabine de comando, um módulo pressurizado de dois andares e 71,5 metros cúbicos, que ficava na frente da nave.

Na subida da missão que se interrompeu aos 73 segundos, no dia 26 de janeiro, quatro astronautas estavam na parte de cima: o comandante, o piloto, a engenheira de vôo e um especialista. No convés intermediário sentavam um engenheiro de satélites, outro especialista e uma professora, a primeira civil que voaria ao espaço e que pretendia dar uma aula para sua turma primária de dentro do ônibus espacial.

A tragédia do Challenger foi acompanhada ao vivo por milhões de pessoas que assistiam, pela televisão, ao lançamento da nave que, naquele ensolarado dia de janeiro, faria sua 25ª viagem ao espaço. A nave explodiu segundos após ter ter deixado o solo, devido a um defeito em um dos tanques de combustível que se desprendeu do corpo do veículo. Com a explosão, a cabine de comando foi lançada à quilômetros de distância e caiu no mar, intacta, mas com a sua tripulação morta.

Em 2003, um acidente parecido matou os sete tripulantes do ônibus espacial norte-americano Columbia. Desta vez, porém, o desastre ocorreu quando a nave estava de retorno à sua base terrestre. Um pedaço de espuma da asa esquerda se soltou na decolagem, abrindo um pequeno buraco que passou desapercebido. No retorno, porém, quando a nave entrou na atmosfera terrestre, o calor gerado a partir daquele buraco destruiu toda a asa, como o quê a nave se desmantelou no ar sobre o estado do Texas.

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8 de março de 1975 – ONU oficializa o Dia Internacional da Mulher




Igualdade, Desenvolvimento e Paz foi o lema que a ONU escolheu para marcar os seus esforços em 1975 pela promoção da condição feminina no mundo. Assim, no dia 8 do mesmo ano, as Nações Unidas comemoraram o Dia da Mulher como um dia de reflexão honesta sobre o que significa ser mulher no mundo contemporâneo.

“Desde os primeiros tempos das Nações Unidas, a organização se consagrou plenamente ao princípio da igualdade entre homens e mulheres, princípio estabelecido na carta da ONU em 1945 e na Declaração dos Direitos Humanos, em 1948”, declarou o Secretário-Geral da ONU, Kurt Waldheim, que continuou: “Apesar do muito que se avançou nos últimos trinta anos, a discriminação contra a mulher continua sendo um fato corrente na vida quotidiana de muitos países e constitui, assim, um obstáculo considerável para o verdadeiro progresso social, econômico e político no mundo”.

Reconhecendo a gravidade da situação da mulher no mundo na época, a Assembléia Geral da ONU proclamou que 1975 seria o Ano Internacional da Mulher e, nessa oportunidade, todos os países deveriam intensificar medidas no sentido de promover a igualdade entre homens e mulheres, garantir a plena participação feminina no esforço do desenvolvimento e ampliar o papel da mulher para a cooperação entre os diferentes estados e o fortalecimento da paz mundial. Desse modo, o tema central do ano foi Igualdade, Desenvolvimento e Paz. Assim, as diversas nações deveriam tomar providências para que fosse eliminada a discriminação contra a mulher, tendo em vista a sua igualdade jurídica, social, econômica e política.

“O Ano Internacional da Mulher tem por objetivo beneficiar a sociedade inteira, e não apenas as mulheres”, explicou Helvi Simpila, que, durante vários anos, representou a Finlândia na Assembléia Geral das Nações Unidas. Para ela, o momento era oportuno para a promoção dos direitos da mulher, já que o assunto tinha sido discutido com veemência em diversos países, nos anos anteriores. “Até agora, as mulheres foram consideradas donas de casa e mães. Esta é uma das principais razões pelas quais não lhes foi outorgada a gama completa dos direitos humanos. Mas, como é possível melhorar a qualidade da vida humana se as mães, que trazem ao mundo as gerações futuras não têm esses direitos e, portanto, são incapazes de dar tudo o que podem?”, continuou a finlandesa.

Assim, no Ano Internacional da Mulher, a ONU esperava que fossem discutidas as fórmulas que permitissem uma participação equitativa dos dois sexos na construção de um mundo mais justo, particularmente nos países em desenvolvimento. E essa luta, 35 anos mais tarde, apesar de aparentar estar vencida, continua.

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7 de março de 1990 – A última viagem do Cavaleiro da Esperança




Personagem mais cultuado da história da República ao lado de Getúlio Vargas, longamente presente na vida nacional e herói de obras literárias que vão de O Cavaleiro da Esperança, de Jorge Amado (1942), à telenovela Kananga do Japão, da TV Manchete (1989), o líder comunista Luís Carlos Prestes morreu na madrugada do dia 7, aos 92 anos, em um hospital do Rio de Janeiro, deixando viúva e dez filhos. Prestes encontrava-se internado já por 5 dias, por conta de complicações causadas por uma leucemia.

Políticos e personalidades brasileiras compareceram ao seu velório no Palácio Tiradentes. “Mesmo seus adversários reconhecem que ele desempenhou papel de grande relevância na vida política brasileira”, declarou o recém eleito presidente da República, Fernando Collor. O Partido Comunista Brasileiro (PCB), com o qual Prestes estava rompido desde 1980, divulgou uma nota enaltecendo suas qualidades como líder comunista e ex-senador do partido pelo Rio de Janeiro, numa reconciliação com aquele que foi o seu líder por mais de 35 anos. “Sua história se confunde com a história do PCB”, dizia um trecho da nota.

De Paris, Jorge Amado lamentou a perda do Cavaleiro da Esperança, título atribuído a Prestes, segundo o escritor, pelo povo brasileiro, pela sua liderança na Coluna homônima na década de 20. “Discordando ou concordando com ele, ninguém pode deixar de reconhecer sua contribuição para o desenvolvimento político do povo brasileiro. Ele foi mais do que um personagem da história do Brasil. Ele foi um dos construtores na nossa história”, declarou o romancista.

Perseguido em grande parte da sua vida, odiado por alguns e santificado por outros, Prestes foi um materialista histórico que, paradoxalmente, transformou-se em mito. Sua saga começa pela Coluna Prestes, que, batizada com o seu nome, levantou-se, nos anos 20, contra as práticas oligárquicas e conservadoras da Republica Velha, especificamente contra o presidente Arthur Bernardes, o que lhe custou, num balanço, 9 anos de prisão, 16 de exílio e 18 de clandestinidade. No total, foram 43 anos em condições anormais – quase metade de uma existência terminada, apropriadamente, no mesmo momento em que o comunismo desmoronava na URSS e na Europa do Leste. Nenhum capítulo de sua vida política, porém, inspirou tantas lendas quanto o da sua vida pessoal. A trágica separação de Olga Benário, deportada grávida para a Alemanha nazista pelo Estado Novo, comoveu o mundo e inspirou romances e filmes. Mesmo após a morte de Olga, Prestes mostrou que, para ele, a política vinha em primeiro lugar e, em 1945, quando saiu da prisão, apoiou Getúlio Vargas, o mesmo homem que tinha enviado sua mulher para a morte. Até o ano anterior a sua morte, Prestes esteve ativo na política apoiando Brizolla em sua campanha presidencial. Prestes morreu como mito, como lenda e como parte importante da história do Brasil.

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6 de março de 1986 – Os cem anos de Sherlock Holmes




Há 24 anos o JB fazia uma homenagem aos cem anos do personagem mais famoso da literatura policial, o detetive Sherlock Holmes. Este detetive, logo visualizado com seu boné de abas e seu cachimbo, foi criado em março de 1886, quando Arthur Conan Doyle, um escocês de 27 anos, médico sem clientes, começou a escrever Um Estudo em Vermelho. Era o primeiro de uma série de romances e 56 contos que acabaram por obter um enorme sucesso, mas que teve muita dificuldade para ser editado.

Um Estudo em Vermelho ficou pronto no mês seguinte e já continha todas as características do estilo Conan Doyle, grande vulgarizador do romance policial, a que deu um tom científico sedutor (a criação do detetive que resolve a situação criminal pertence a Edgar Allan Poe, com o seu personagem Augusto Dupim, em 1841). Cronologicamente, o caso de Um Estudo em Vermelho começa com a descoberta de um corpo no vagão de um trem. Logo depois, a viúva confia a solução do mistério a Sherlock Holmes, em Baker Street, ficando claro que nada cobrará, pois o seu interesse é entregar o criminoso à justiça.

Essa história, como em todas as outras de Conan Doyle, a aventura policial ocupa apenas metade do livro: uma vez descoberto o assassino, volta-se para trás uns vinte ou trinta anos para retomar fatos da juventude de Holmes, figura que foi inspirada em um vizinho de Conan Doyle.

A carreira do autor, porém, demoraria ainda um tempo para dar a partida. Depois de inúmeras tentativas de publicar O Estudo em Vermelho, uma editora aceitou o desafio e decidiu lançá-lo um ano mais tarde, alegando que “o mercado estava saturado de ficção barata”, e, mediante, o pagamento de 25 libras. O sucesso do romance não tardou em chegar.

Conan Doyle, no entanto, preferia escrever outros tipos de livro, como A Grande Guerra dos Boers ou A História do Espiritismo, que, no entanto eram preteridos. Em O Fim do Problema, resolveu matar Holmes. Na Suíça, em luta contra o professor James Moriaty, seu arquiinimigo, o “Napoleão do crime”, Sherlock Holmes despencou do alto das cataratas do Reichenbach. Choveram cartas protestando a morte do detetive, incluindo da mãe de Conan Doyle, e Sherlock Holmes retornou, sendo sua morte explicada como estrategema para abusar da credulidade do ingênuo Watson. As últimas histórias de Sherlock Holmes (Os Casos de Sherlock Holmes) foram publicadas em uma série de contos, em 1927.

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5 de março de 1953 – A morte encontra Josef Stalin


Na noite do dia 5 a Rádio Moscou transmitiu a notícia da morte do primeiro-ministro e secretário geral do partido comunista da URSS, Josef Stalin, o qual havia sofrido um derrame alguns dias antes e permanecia internado em um hospital da capital soviética. Os médicos e a precária tecnologia da época nada puderam fazer para salvar a frágil vida do imponente ditador, que, aos 74 anos, tinha o corpo devastado pela idade e em nada mais se parecia com o forte homem que havia conduzido a União Soviética à vitória sobre a Alemanha nazista em 1945.

Deixou de pulsar o coração do camarada continuador da vontade de Lênin, o sábio dirigente mestre do partido comunista e do povo soviético, Josef Stalin. Junto com Lênin, o camarada Stalin criou o poderoso partido comunista e o desenvolveu. Junto com Lênin, o camarada Stalin era inspirador e dirigente da grande revolução de outubro [de 1917], fundador do primeiro estado socialista do mundo. Ao continuar a imortal causa de Lênin, Stalin conduziu o povo soviético à vitória mundial do socialismo em nossa pátria”, dizia o comunicado oficial do partido comunista.

Milhares de pessoas tomaram as ruas da capital Moscou e, mesmo sob uma forte nevasca, se mantiveram imóveis e em silêncio ao saberem da notícia da morte do lider comunista.

Ao saber da notícia da morte do governante soviético, o presidente dos Estados Unidos, Eisenhower, prestou suas condolências e declarou que independente de quem assumisse o cargo deixado pelo ditador, esperava que o mundo continuasse em busca da paz e dos meios de obtê-la. Eisenhower afirmou também que estava pronto para uma conferência com os sucessores de Stalin. Nesse período, os Estados Unidos e a União Soviética travaram uma guerra silenciosa, na qual o lado comunista, da URSS, tentava provar sua superioridade econômica, política e social sobre o lado capitalista do Ocidente, que se denominava “livre”.





O Homem de Aço


Jossif Djugashvili nasceu na Geórgia em 1879. Filho de pais pobres, estudou para se tornar teólogo mas, ao se dedicar a aprender os princípios do socialismo, foi expulso do seminário. Adotou o nome Stalin, que significa “Homem de Aço”, quando passou a difundir ideias revolucionárias pelas ruas de Moscou. Junto a Lênin, o maior líder da Revolução Russa de outubro de 1917, fundou o Partido Comunista, que governou o país após a Guerra Civil (que acabou em 1918). Stalin se tornou o homem mais importante da Rússia após a morte de Lênin, em 1924, e desde então conduziu com mão de aço a nação a um destino muito diferente do que o grande líder revolucionário quisera. Stalin se tornou um ditador sanguinário ao criar um duro sistema de repressão política, que acabou por eliminar não somente os seus reais opositores internos, mas qualquer um que pudesse vir a se constituir em uma ameça para o ditador. Estima-se que 500 mil “inimigos políticos” tenham sido assassinados durante as mais de duas décadas de seu governo.

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4 de março de 1998 – PPB expulsa o deputado Sérgio Naya




A Executiva Nacional do PPB se reuniu no dia 4 para expulsar do partido o deputado federal Sérgio Naya (MG) por falta de ética partidária e de decoro parlamentar. Com a expulsão, Naya ficou impedido de tentar se candidatar às eleições de outubro do mesmo ano, por ter ficado sem partido após o término do período de filiação partidária.

Os motivos da expulsão foram os mesmos que, no dia anterior, levaram a Câmara dos Deputados a iniciar o processo de cassação do mandato do parlamentar. As declarações de Naya, nas quais o deputado admitia ter falsificado a assinatura do governador de Minas Gerais e ter comprado material de segunda para suas construções (incluindo a obra do edifício Palace II, que tinha desabado em fevereiro do mesmo ano), mostradas em um programa de televisão, foram a gota d’água para a expulsão do deputado.

“A situação de Naya é insustentável e irreversível”, anunciou o então líder do PPB na Câmara, o deputado Odelmo Leão (MG).

No dia em que foi expulso do partido, Naya e suas empresas de construção (Sersan e Matersan) estavam envolvidos em 187 ações judiciais, entre cíveis e criminais. A maior parte dos processos tratava-se de empresas ou pessoas que fizeram negócios com o deputado e tiveram que recorrer à Justiça para receber seus pagamentos.

Nas duas páginas da defesa contra o início do processo de cassação de seu mandato que enviou à Câmara, o deputado lamentou estar “sendo vítima de um linchamento público em consequência de um lamentável acidente” – referindo-se ao desabamento do Palace II.

No dia 22 de fevereiro o edifício Palace II – um prédio residencial construído por uma das empresas de Sérgio Naya na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro – desabou deixando oito pessoas mortas e 150 famílias desabrigadas. A Sersean, construtora responsável pela obra, foi acusada pelo Ministério Público de ter usado material de baixa qualidade na construção do edifício para superfaturar a obra. Naya, que confessou tudo em uma reunião filmada em segredo, foi expulso do partido e teve o seu mandato cassado semanas após iniciado o processo na Câmara. O deputado passou 167 dias na prisão pelas denúncias de ter sido o responsável pelo desabamento do Palace II, mas foi absolvido em 2005 sob a alegação de que ele não foi o engenheiro responsável pela obra. O processo de indenização das famílias do caso Palace II se desenrola até hoje, mesmo após a morte do ex-deputado (em 2009).

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3 de março de 2000 – Ex-ditator Pinochet volta ao Chile




Depois de quase 17 meses em que esteve detido na Grã-Betanha, o ex-ditador chileno Augusto Pinochet (na época com 84 anos), foi o pivô de uma crise política já ao desembarcar em uma base aérea de Santiago, em meio ao entusiasmo de seus seguidores, à satisfação das Forças Armadas e ao constrangimento do governo do Chile. Acusado pela tortura e morte de adversários do seu regime, Pinochet pôde deixar Londres porque o governo britânico considerou que ele não tinha condições mentais para ser extraditado e julgado na Espanha pelos crimes cometidos.

O presidente eleito, Ricardo Lagos, que ainda não tinha tomado posse no dia em que viu o ex-ditador colocar os pés novamente em solo chileno, condenou a recepção festiva preparada por chefes militares, líderes de partidos de direita e empresários. “Os interesses do país exigiram comedimento. As cenas que vimos na TV não ajudam ao Chile. Isto tinha que ter sido levado em conta pelas pessoas envolvidas”, disse o novo líder do país, acrescentando que não permitiria manifestações semelhantes por parte dos militares quando passasse a ocupar seu posto como Chefe de Estado. O secretário-geral da Presidência foi mais longe. José Miguel Insulza, que seria o futuro ministro do Interior do governo Lagos, disse que a recepção festiva dada a Pinochet “lembrou a entrada de tropas nazistas em certas cidades na Segunda Guerra”.

Pinochet deixou o avião das Forças Armadas numa cadeira de rodas, mas assim que foi baixada à pista, ele se pôs de pé e, apoiado numa bengala, caminhou até um grupo de parentes, amigos e admiradores que o saudavam acenando bandeiras do Chile ao som da mais importante banda militar do país. Apesar da sua aparência frágil, a relativa desenvoltura demonstrada por Pinochet chamou a atenção assim como as observações dos seus parentes sobre sua impressionante recuperação a bordo do avião da Força Aérea chilena, que diziam ter visto o general se recuperar brilhantemente assim que deixou a Inglaterra.

Na volta à pátria, Pinochet encontrou 60 queixas criminais contra ele. Todas perseguindo um objetivo comum: julgá-lo por seus crimes graves cometidos durante os 17 anos de sua ditadura que teve início em 1973, com o golpe de Estado que causou a morte do ex-presidente Salvador Allende; e terminou em 1990, quando uma onda de protestos populares o impediu de tentar a reeleição.

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2 de março de 1939 – Eugenio Pacelli é eleito Papa como Pio XII





No dia de seu 63º aniversário, o Cardeal Eugenio Pacelli foi eleito Papa quebrando a tradição da Igreja pela qual um cardeal-secretário do Vaticano quase nunca chegava a ascender ao trono pontificial (tendo isso acontecido pela última vez mais de século antes da eleição de Pacelli). Após escolher o nome de Pio XII, o Papa surgiu no balcão da Basílica de São Pedro treze minutos depois de ter sido anunciada a sua ascensão ao posto mais alto da hierarquia da Igreja Católica, entre aplausos entusiásticos da multidão que aguardava ansiosa o fim do conclave, e que se ajoelhou em reverência ao novo papa antes mesmo de conhecer seu nome.

Para receber a primeira benção do novo papa, a Praça de São Pedro ficou imersa por momentos em grande silêncio, quebrado por Pio XII, que proferiu em latim: “Bendito seja o nome de Deus!”. E prosseguiu: “Possa a bênção de Deus todo poderoso descer sobre vós e entre vós permanecer para sempre”. A multidão, emocionada, prontamente respondeu ao novo Papa: “Amém”.

O conclave para a eleição do Papa Pio XII foi um dos mais rápidos da História, tendo durado apenas dois dias desde o início da clausura dos cardeais até o momento em que a fumaça branca pôde ser vista saindo da chaminé da Capela Sixtina, anunciando a eleição do novo Papa na terceira votação. Nunca, desde 1623, um conclave elegeu tão rapidamente um novo Pontíficie. A situação tensa da Europa pré Segunda Guerra foi o motivo pelo qual os cardeais se viram na obrigação de chegar o mais rapidamente possível a um acordo sobre o nome do novo Papa, sendo Pacelli o favorito pela sua experiência em missões diplomáticas eclesiásticas. A Igreja e o mundo não podiam ficar órfãos durante muito tempo.

Desde que assumiu o cargo de Secretário de Estado, em 1930, designado pelo Papa Pio XI, a Igreja teve que enfrentar dias dificílimos na Europa, no período tenso de entre guerras, tendo sido Pacelli uma figura fundamental nas iniciativas do Vaticano como mediador de acordos de paz. Antes de se tornar Secretário, Pacelli já se envolvia em assuntos diplomáticos da Igreja, tendo sido responsável por concordatas com vários Estados, sendo a mais famosa a com a República da Polônia, em 1925.

O pontificado de Pio XII foi marcado por seu esforço em trazer a paz para a Europa, que vivia o caos da Segunda Guerra Mundial. Ele condenou a perseguição nazista, tendo sido ameaçado de sequestro por Hitler certa vez, condenou a guerra e tentou evitá-la a todo custo, antes de seu estopim. Pio XII ocupou o mais alto cargo eclesiástico até a sua morte, em 1958.

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1 de março de 1966 – Nave soviética se choca contra Vênus



A Vênus-3, também conhecida como Venera 3, primeiro veículo fabricado pelo homem a atingir um planeta do Sistema Solar diferente da Terra, chocou-se contra a superfície nebulosa de Vênus, colocando sobre o seu solo a bandeira da União Soviética, depois de 104 dias voando no espaço.

Com a façanha, a URSS, além de ter dado um passo à frente dos Estados Unidos na corrida pela conquista do Cosmos, o que marcou o período da Guerra Fria, bateu todos os recordes de precisão espacial, pois graças a uma correção de trajetória realizada pelos centros controladores soviéticos no dia 26 de dezembro do ano anterior, a nave conseguiu atingir o seu alvo a 56 milhões de quilômetros da Terra.

A notícia da chegada da nave soviética ao planeta vizinho à Terra não agradou os cientistas norte-americanos. “É lamentável que, nesta etapa de nossos conhecimentos, os soviéticos tenham posto em perigo os futuros estudos biológicos de Vênus, contaminando o planeta desta forma”, declarou Bernard Lovell, diretor do Observatório de Jodrell (um centro de astrofísica dos Estados Unidos), ao explicar que a nave pode ter levado para Vênus bactérias terrestres, que poderiam ser fatais ao ecossistema deste planeta. Os Estados Unidos, antes do feito bem sucedido da Vênus-3, já haviam mandado uma nave e uma sonda para Vênus, tendo ambos conseguido chegar bem próximos ao planeta, coletando informações preciosas para o conhecimento dos componentes do Sistema Solar.

Vênus-3 foi lançada ao espaço no dia 16 de dezembro do ano anterior, quatro dias após ter sido lançada a Vênus-2, que ainda estava em órbita de Vênus no momento em que a Vênus-3 se chocou contra a superfície do planeta nebuloso. O feito da nave soviética teve significado mais político do que científico. Na verdade, a nave desintegrou-se na densa atmosfera de Vênus, sem poder transmitir qualquer informação para a Terra, tendo perdido o contato com a base terrestre assim que entrou naquela atmosfera. Por outro lado, com o choque a nave espalhou pela superfície de Venus dezenas de escudos em titânio gravados com a foice e o martelo, símbolo do governo comunista da União Soviética.

O programa espacial Venera, após ter lançado a Vênus-3, se concentrou no projeto Vênus-4, que alcançou a superfície do planeta em 1967, conseguindo estabelecer comunicação direta por radio com a Terra, e coletando um volume significativo de dados científicos do local. A URSS manteve o programa Venera ativo até 1983. Hoje, cientistas russos estão preparando o programa Venera-D, que tem lançamento previsto para 2016.


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