31 de agosto de 1994 - O IRA anuncia uma trégua na Irlanda do Norte

O Exército Republicano Irlandês (IRA), principal grupo guerrilheiro da Grã -Bretanha, anuncinou uma trégua unilateral por tempo indeterminado, pondo fim a um conflito armado que já durava 25 anos, matou 3.168 pessoas e consumiu cerca de U$$ 5 bilhões por ano em despesas militares. Em seu comunicado oficial, o IRA declarou que às 24h do dia 31 de agosto haveria uma completa suspensão de suas operações militares e que todas as suas unidades de combate já haviam sido instruídas para respeitar a determinação, suspendendo a luta armada pelos católicos republicanos.
Em reação ao comunicado do IRA, os católicos da Irlanda do Norte, que defendem a união das duas Irlandas em uma só república, festejaram a trégua com uma carreata embandeirada pelas ruas da zona oeste da capital Belfast. Já os protestantes, que lutam pela permanência da Irlanda do Norte como parte do Reino Unido e exigem proteção militar do exército britânico, desconfiaram da declaração do IRA, numa posição semelhante a do governo britânico que, apesar de ter considerado a trégua “muito bem vinda” adotou uma postura cautelosa.
Segundo o então primeiro-ministro britânico John Major, a desconfiança com o comunicado do IRA viria da ausência da palavra “permanente” próxima a proposta de trégua.
- Não quero entrar em uma questão semântica, mas o meu governo só estará preparado para discutir com o Sinn Fein três meses depois que o IRA provar que abandonou para sempre o caminho da violência - comentou Major, referindo-se ao documento onde os governos da Irlanda e da Grã-Bretanha estabeleceram as condições políticas para as negociações de paz na Inglaterra.
Um conflito antigo
A guerra entre o Exército Republicano Irlandês (IRA) contra os britânicos e os protestantes começou oficialmente em 1916 como uma revolta separatista de um grupo católico que pretendia ver a Irlanda do Norte como uma república independente. As hostilidades se agravaram a partir do final dos anos 60 e, em 1979, dezenas de jovens irlandeses católicos foram mortos naquele que ficou conhecido como o Domingo Sangrento. Apesar do cessar fogo em 1994, o conflito só terminaria definitivamente em 2005, quando o IRA anunciou o fim de sua campanha armada.



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