Arquivo de July 2009

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31 de agosto de 1991 - EUA e URSS assinam o START I



Em cerimônia realizada no Salão de São Vladimir, no Grande Palácio do Kremilin, os presidentes George Bush [pai] e Mikhail Gorbachev assinaram o Tratado de Redução de Armas Nucleares Estratégicas (START), reafirmando o compromisso entre os Estados Unidos e a União Soviética de reduzirem as ogivas nucleares de seus arsenais estratégicos. O novo acordo substituiu o Tratado sobre a Limitação de Armas Estratégicas (SALT), assinado em 1972 e 1979 pelos dois países e que previa limitar o desenvolvimento de armamentos nucleares de longo alcance. A caneta usada pelos dois dirigentes para assinar o START foi produzida com o metal de um míssil de médio alcance, uma classe de armas que estava instalada na Europa e foi eliminada através de um acordo em 1989.

Na ocasião, Gorbachev afirmou que a assinatura do tratado era um evento de proporções globais que reduziria a infraestrutura do medo. George Bush [pai] concordou e disse ainda que o acordo representava um grande passo na direção da segurança mútua entre as duas potências e na causa da paz mundial.

O START foi a mais ambiciosa iniciativa de desarmamento nuclear entre os dois países até aquele momento. Seu objetivo foi reduzir de 9.986 para 8.556 o número de ogivas nucleares norte-americanas e de 10.237 para 6.449 o número de ogivas soviéticas, num período de no máximo sete anos. Também foi o primeiro tratado a prever a redução de mísseis de longo alcance, capazes de ir de Washington a Moscou, ou vice-versa, em apenas 30 minutos.

Após o fim da União Soviética em 1991, George Bush [pai] e Boris Yeltsin, então presidente da Rússia, assinariam um novo tratado de redução de armas nucleares, o START II, que nunca entrou em vigor.

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30 de julho de 2000 - Hugo Chávez é reeleito presidente da Venezuela

O tenente-coronel reformado Hugo Chávez, candidato do Movimento Quinta República (MVR), foi reeleito presidente da República da Venezuela com 59,05% dos votos. A coligação de esquerda e centro-esquerda Polo Patriótico, organizada em torno do MVR, também conquistou a maioria dos lugares na Assembleia Nacional. A vitória dá a Chávez condições de prosseguir, com apoio popular, sua “revolução bolivariana”, um movimento voltado para o soerguimento social e econômico da Venezuela, apoiado sobretudo nas classes populares.

Ao todo, 11,7 milhões de venezuelanos estavam habilitados a escolher o presidente da República, os 165 deputados que compõem a Assembleia Nacional (unicameral) e os governadores dos 23 estados. Também foram eleitos 336 prefeitos, 219 integrantes das câmaras legislativas regionais, 12 representantes do país no Parlamento Latino-Americano e cinco no Parlamento Andino. Pela primeira vez na Venezuela os militares tiveram direito de voto. Apesar de cerca de 450 urnas eletrônicas, de um total de 7 mil, terem apresentado problemas, as votações ocorreram sem grandes complicações, e foram acompanhadas por 250 observadores internacionais.

Os principais adversários de Hugo Chávez foram Francisco Arias Cárdenas, também militar reformado, e Claudio Eloy Fermin Maldonado, que se apresentou como opção civil para o cargo.

Políticas polêmicas
Depois de liderar, com Francisco Arias Cárdenas, uma tentativa frustrada de golpe de Estado contra o presidente Carlos Andrés Pérez, em 1992, Chávez – que por isso cumpriu dois anos de prisão – desligou-se do Exército e lançou-se na política, sendo eleito presidente em dezembro de 1998. No cargo, conseguiu aprovar, em plebiscito, uma nova Constituição que estabeleceu novas eleições presidenciais. Reeleito em 2000 e em 2006, Hugo Chávez é conhecido por suas declarações polêmicas, pela adoção de políticas nacionalistas e pela relação antagônica que estabeleceu com o governo dos Estados Unidos, que o classificou como uma ameaça à democracia na América Latina.

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29 de julho de 1994 - O Brasil perde o sorriso de Mussum

Com a morte de Mussum, o humor perdia seu sorriso aberto e o Brasil uma razão para gargalhar


“Cacildis!” talvez tenha sido a exclamação de muitos brasileiros ao saber da morte do comediante Antônio Carlos Bernardes Gomes, o trapalhão Mussum. O humorista de 52 anos faleceu às 2h45 da madrugada na UTI do Hospital da Beneficiência Portuguesa, em São Paulo, de infecção generalizada, 17 dias após ter se submetido a um transplante de coração. O humor perdia seu sorriso aberto e o Brasil uma razão para gargalhar.

Filho de uma família humilde, Mussum nasceu no Morro da Cachoeirinha, no Lins de Vasconcelos, subúrbio do Rio de Janeiro. Embora conhecido pelo seu trabalho na televisão e no cinema, Mussum iniciou-se no meio artístico através da música, na década de 60, quando formou o conjunto de samba Os Sete Modernos, que mais tarde passaria a se chamar Os Originais do Samba. O grupo ganhou três discos de ouro com Tragédia no fundo do mar, Esperanças perdidas e Do lado direito da Rua Direita.

Em 1966, Mussum estréia na televisão, no programa Bairro Feliz, da Tv Globo. É lá que Grande Otelo lhe dá o apelido pelo qual o trapalhão ficaria nacionalmente conhecido. O humorista participa então de alguns musicais na Tv Globo e na Tv Excelsior, e conhece Manfred Sant'Anna, o Dédé Santana, amigo e futuro sócio. Em 1969, aceitando um convite do diretor Wilton Franco e cedendo à insistência de Dédé, Mussum entra para Os Trapalhões e, junto de Dédé, Zacarias e Didi, faz história na televisão, no cinema e no humor brasileiro. Com o tempo, o crescente sucesso do grupo humorístico torna impossível a conciliação da carreira de comediante e músico e Mussum abandona Os Originais do Samba.

Impredível: Aniversário do Tarzan


Como trapalhão, Mussum ficou conhecido por ser o único negro do quarteto, por seu modo peculiar de falar certas palavras, colocando terminações “is” ou “évis”, e por sua paixão por “mé” - uma gíria para cachaça. Sua gargalhada e sua irreverência eram suas marcas registradas e, ainda que algumas de suas piadas pudessem ser consideradas hoje politicamente incorretas, causaram mais graça que polêmica. Além das participações televisivas, Mussum realizou cerca de 25 filmes com o grupo.
Mussum era sócio de Dédé Sant'Anna e de Zacarias na ZDM, que administrava os negócios do trio. A empresa faliu depois que a receita federal constatou que ela não pagava impostos. Para saldar a dívida, os sócios comprometeram imóveis e parte de dois anos de salários na Tv Globo. Após o fim do programa e a morte de Zacarias, Mussum e Dédé percorreram cidades do interior do país atrás de cachês minguados.

Ao morrer, Mussum deixou mulher, quatro filhos e um Brasil menos alegre.

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28 de julho de 1976 – Terremoto abala a China no ano do Dragão

1976 foi ano do Dragão na China, animal que na Ásia encarna bondade, força e é o espírito das mudanças e da própria vida. Entretando, isso não impediu que o país sofresse um dos abalos sísmicos mais graves do século XX.
O epicentro do tremor foi a 160km de Pequim, na cidade industrial de Tangshan. Grande parte da população local dormia quando, às 3:52h da manhã, horário local, foi surpreendida pelos tremores que duraram cerca de dez segundos e alcançaram 7,8 pontos na escala Ritcher. O terremoto devastou uma área de aproximadamente 8kmda cidade, destruindo diversas de suas fábricas, 85% de seus edificios e inundando muitas de suas minas. Os abalos sísmicos também causaram alguns danos às cidades de Qinhangdao, Tianjin e Beijing. As informações oficiais dão conta de aproximadamente 250 vítimas fatais, mas algumas fontes estimam que esse número teria sido até três vezes maior. Após o terremoto, Estados Unidos, Alemanha Oriental e Japão ofereceram ajuda à China no tratamento dos feridos e na busca por sobreviventes, mas o país, nessa época ainda um regime fechado, recusou as ofertas, afirmando que não era sua política aceitar ajudas externas.

Pela destruíção que causou e pelo número de vítimas fatais, o terremoto de Tangshan é considerado o segundo abalo sísmico mais mortifero já registrado, ficando atrás apenas do terremoto de Shaanxi, ocorrido em 1556, também na China, e que segundo estimativas matou cerca de 830 mil pessoas.

Terremotos nacionais

Os terremotos são provocados por movimentos de placas tectônicas, atividades vulcânicas ou pressão excessiva de gases no interior da Terra. A maioria dos terremotos ocorre em locais entre as placas tectônicas ou em falhas no interior de uma delas.O Brasil, por estar afastado das fronteiras dessas placas, registra poucos abalos sísmicos. A cidade de Bebedouro, em São Paulo, é o local onde se registra o maior número de tremores do país, em geral de magnitude 2 e 3. O maior tremor registrado no Brasil atingiu 6,6 pontos na escala Richter e ocorreu em 1955, na Serra do Tombador, no Mato Grosso.

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27 de julho de 1988 – Aprovada a nova Constituição brasileira

“Vinte e uma horas depois de ter criticado duramente a nova Constituição por uma cadeia nacional de rádio e televisão, o presidente José Sarney sofreu sua mais severa derrota na Constituinte. O plenário, em clima de festa cívica, aprovou por 403 votos a 13 e 55 abstenções, o projeto elaborado no primeiro turno. O discurso de Sarney de anteontem, longe de ter atraído apoio para o governo, irritou os parlamentares e facilitou os entendimentos para a confirmação do texto já votado.” (Jornal do Brasil)
O Brasil ganha uma nova Constituição


Os trabalhos de elaboração da sétima Constituição brasileira começaram em 1985, quando o então Presidente da República José Sarney iniciou os debates sobre a convocação de uma Assembléia Constituinte para elaborar uma nova Carta Magna. O objetivo era substituir a autoritária Constituição de 1967, elaborada durante o regime militar. Composta por 559 membros, 487 deputados e 72 senadores, a Assembléia Nacional Constituinte iniciou seus trabalhos em 01 de janeiro de 1987, aceitandopropostas de emendas populares que fossem encaminhadas por intermédio de associações civis e subscritas por no mínimo 30 mil assinaturas. Ao total, foram recebidas mais de 120 propostas desse caráter.

Apesar das controvérsias políticas que envolveram sua aprovação, como as duras críticas do presidente José Sarney, ela foi recebida com entusiasmo por diversos setores da sociedade. “O projeto está aprovado, graças a Deus e aos constituintes. Viva a Constituição”, comemoraria o constituinte Ulysses Guimarães, figura emblemática para a eleboração e aprovação da nova Constituição. Em 8 de outubro do mesmo ano, a Carta Magna era promulgada.

A “Constituição Cidadã”
Com características extremamente liberais, a Carta Magna de 1988 traria uma série de mudanças em relação as Constituições anteriores do país, refletindo o momento de mudança do sistema governamental brasileiro pós-ditadura militar. A "Constituição Cidadã", como foi apelidada por Ulysses Guimarães, qualificava como crimes inafiançáveis a tortura e as ações armadas contra o estado democrático e a ordem constitucional. Entre outras mudanças, ela instituiu a independência dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, manteve obrigatório o voto para maiores de 18 anos e o estendeu para analfabetos, cabos e soldados. Em 1993, o texto passou por uma revisão constitucional e foram aprovadas seis propostas de ementas de revisão, mas grande parte do texto original permanece válido até os dias de hoje.

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26 de julho de 1952 - A Argentina chora a perda de Eva Perón

A Argentina fica inconsolável com a perda de Evita
María Eva Duarte de Perón, a primeira-dama argentina, faleceu aos 33 anos, em razão de um câncer uterino. Milhares de argentinos choraram a sua perda, num velório que durou cerca 14 dias. Para a população pobre do país, grande parte composta de migrantes de origem rural conhecidos como descamisados, a morte de Evita, era conhecida, representou muito mais do que a perda de uma personalidade política ― foi a despedida de uma “ mãe”, considerada por muitos uma verdadeira santa.

Filha da relação extraconjugal do estancieiro Juan Duarte com a costureira Juana Ibarguren, Evita nasceu em 1919, em uma zona rural da Argentina. Em sua infância humilde, sonhava em ser uma atriz famosa quando crescesse, desejo alimentado por sua paixão por filmes e sua admiração pela atriz norte-americana Norma Shearer. Em 1935 se muda para Buenos Aires, onde pretendia seguir a vida artística. Em 1944, após uma série de papéis pequenos e participações em radionovelas, Evita conhece o homem que mudaria sua vida: Juan Domingo Perón, até então vice-presidente da Argentina e ministro do Trabalho e da Guerra. Menos de dois anos depois os dois se casam.

Elegante e carismática, Evita foi a respondável por atrair o apoio das camadas mais desfavorecidas da Argentina para a cadidatura de seu marido à presidência da república. Esse auxílio foi extremamente importante para a eleição de Juan Perón para o cargo, em 1946. Já como primeira-dama, foi bastante engajada politcamente e ativa no desenvolvimento de projetos sociais: trabalhou pelo direito do voto feminino no país e fundou a Fundação Eva Perón, responsável pela construção de hospitals, escolas e asilos. Suas maiores preocupações sempre foram as mulheres e as camadas mais pobres da população, seus descamisados.

Evita descansa
Após sua morte, o corpo de Evita foi embalsamado e exposto à visitação pública até o golpe de estado que derrubou Perón do poder, em 1955. Seu cadáver foi então roubado por inimigos políticos e enterrado em Milão, Itália. Ocultado durante 16 anos, o corpo foi descoberto, exumado e entregue a Juan Perón, então vivendo na Espanha. Em 1974, após a reeleição e a morte de Perón na Argentina, Isabelita Perón, sua vice-presidente e segunda esposa, expõe novamente o corpo da mãe dos descamisados e a enterra no mausoléu da família Duarte, no cemitério de Recoleta, em Buenos Aires. Lá, Evita permanece até hoje, onde é visitada por argentinos que tiveram na sua pessoa a mais amada figura política da Argentina.

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25 de julho de 1978 – Nasce o primeiro bebê de proveta do mundo

Louise Brown foi a primeira bebê de proveta do mundo
Louise Brown, o primeiro bêbê de proveta do mundo, nasceu no Oldham General Hospital, em Bristol, Inglaterra. O ginecologista Patrick Steptoe, desenvolvedor do método de concepção in vitro, e o fisiologista Robert Edwards foram os responsáveis pela bem sucedida experiência de fecundar um óvulo retirado de Lesley Brown com um espermatozóide de seu marido Gilbert John Brown. O casal optou pelo método porque Lesley sofria de uma obstrução na Trompa de Falópio o que a impedia de engravidar naturalmente.

O nascimento de Louise Brown levantou polêmicas
Enquanto a comunidade científica recebeu a experiência com entusiasmo e euforia, considerando o método um dos grandes avanços da ciência e vislumbrando sua futura utilidade para mulheres incapazes de conceber seus filhos naturalmente, o nascimento de Louise provocou polêmica em relação a seus aspectos religiosos, morais e éticos. Autoridades religiosas da época se pronunciaram de forma divergente quanto à experiência. O Vaticano, através de um porta-voz, comunicou que sua posição permanecia a mesma declarada em 1956 pelo Papa Pio XII sobre a inseminação artificial – “um ato contra a natureza e intrinsecamente mau”. Já autoridades da Igreja Anglicana e da religião mulçumana expressaram opiniões favoráveis ao método.

A fertilização in vitro no Brasil
Apesar das controvérsias, a fecundação in vitro trouxe esperança aos casais inférteis, abrindo uma nova era no tratamento da infertilidade. No Brasil, o primeiro bebê de proveta do país foi a menina Ana Paula Caldeira, nascida em 7 de outubro de 1984, na cidade de São José dos Pinhais, perto de Curitiba. Atualmente, estima-se que no Brasil existam mais de 150 clínicas de reprodução humana, onde são concebidos em média 4 mil bebês por ano. Um número que, graças aos avanços tecnológicos e ao barateamento dos métodos laboratoriais, só tende a crescer.

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24 de julho de 1972 - Surge o primeiro microcomputador brasileiro

Em cerimônia realizada no Departamente de Engenharia de Eletricidade da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (EPUSP), com a presença do governador Laudo Natel e muitos jornalitas, o primeiro microcomputador totalmente projetado no Brasil foi apresentado ao público. Durante o evento, a máquina gerou uma mensagem impressa para cada uma das autoridades presentes e uma pequena réplica do mapa do Estado de São Paulo. Em sua primeira mensagem, o microcomputador explicava que seu projeto e construção tinham sido resultado de um trabalho de equipe, “realizado com o objetivo principal de desenvolver a tecnologia necessária para o desenvolvimento de computadores de pequeno e médio porte”.

Patinho Feio é abençoado


A máquina, que possui 1 metro de comprimento, 1 metro de altura, 80 centímetros de largura, pesa mais de 100 quilos e cuja memória física pode armazenar 4.096 palavras de 8 bits, foi batizada de Patinho Feio – numa brincadeira com o nome Cisne Branco, um projeto semelhante da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Desenvolvido pela equipe do Laboratório de Sistemas Digitais (LSD) da EPUSP, o Patinho Feio surgiu como um projeto de final de curso dos alunos de pós-graduação da cadeira Projetos e Sistemas Digitais, ministrada por Glen Langdon, engenheiro ex-funcionário da IBM. Seu desenvolvimento durou cerca de três anos e contou com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDE) e da Marinha do Brasil.

A importância do Patinho Feio
O Patinho Feio foi um marco no país porque gerou massa crítica para a consolidação da indústria de informática no Brasil. Em consequência, as universidades brasileiras passaram a se empenhar na criação de condições favoráveis para que professores e alunos de pós-graduação pudessem desenvolver iniciativas semelhantes na área de tecnologia. O auge desse movimento ocorreu em 1984, quando o Congresso Nacional aprovou a chamada Política Nacional de Informática (PNI), também conhecida como Lei de Informática, ratificando legalmente uma reserva de mercado do setor no país.

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23 de julho de 1932 – Santos Dumont voa para a eternidade

Jornal do Brasil: Morre o brasileiro Pai da Aviação

“O nome de Santos Dumont é um desses que estão destinados a eternamente fulgir na memória da humanidade. É um desses que a veneração dos séculos consagrará para todo o sempre. Quando consideramos a obra de Santos Dumont, nós nos enchemos do mais alto e justo orgulho”. Jornal do Brasil.

Filho de Henrique Dumont e Francisca de Paula Santos, Santos Dumont nasceu no dia 20 de julho de 1873, em Palmira, Minas Gerais. Teve uma infância típica de menino do interior, desfrutando de uma liberdade indispensável para formar seu temperamento e paixão pela aventura. Sempre encantado por objetos mecânicos, encontrou nas obras do escritor francês Júlio Verne o principal combustível de sua vida: o desejo de conquistar o ar.

Santos Dumont ganha o Prêmio Deutsh, em Paris

Em 1897, já emancipado, muda-se para Paris, contrata aeronautas profissionais e aprende sobre a arte de pilotar balões, construindo seus próprios modelos. A fama internacional vem em 1901, com a vitória no Prêmio Deutsch, por criar uma aeronave capaz de contornar a Torre Eiffel e voltar ao local de partida em no máximo 30 minutos.




A criação e o teste do 14-bis, considerado o primeiro objeto mais pesado que o ar a conseguir decolar e voar por seus próprios meios, ocorre em 1906 e o consagra como o Pai da Aviação.

Santos Dumont e o 14Bis, seu avião mais famoso


O pesadelo de Santos Dumont
O início da Primeira Guerra Mundial transforma o sonho de Santos Dumont em pesadelo: os aeroplanos começam a serem usados como instrumentos de batalha. Nos anos seguintes, em depressão pelo destino de sua maior criação, o Pai da Aviação inicia uma série de apelos em favor do uso pacífico dos aviões. Em 1932, com a saúde debilitada e esgotado emocionalmente, retorna ao Brasil pela última vez e se instala no Hotel La Plage, no Guarujá. Assombrado por testemunhar o uso de aviões como instrumentos de guerra em seu próprio país de origem, na Revolução Constitucionalista, suicida-se e alça voos maiores que a existência.

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22 de julho de 1992 – Pablo Escobar foge da prisão

Jornal do Brasil: Um dos mais notórios narcotraficantes da Colômbia foge da prisão

Pablo Emilio Escobar Gaviria, chefe do cartel de Medellín, o mais notório narcotraficante da Colômbia e um dos homens mais ricos do mundo, fugiu da prisão de segurança máxima La Catedral, no município de Envigado, Colômbia. Antes, Pablo Escobar e mais 14 cúmplices realizaram uma rebelião e fizeram como reféns dois altos funcionários do governo colombiano - o vice-ministro da Justiça Eduardo Mendoza e o diretor-geral de Prisões, o coronel Hernando Navas. Tropas especiais invadiram o presídio e houve intensa troca de tiros com os rebelados. Horas depois, os reféns foram soltos e o motim controlado. Mas as autoridades não foram capazes de encontrar Pablo Escobar.

O motivo para a rebelião teria sido a decisão do governo da Colômbia de transferir o chefe do cartel de Medellín e seus cúmplices para uma outra prisão. A transferência contrariaria o acordo feito entre o governo e o narcotraficante quando este se entregou voluntariamente, no dia 19 de junho de 1991, como forma de evitar sua extradição para os Estados Unidos, ou seu assassinato por líderes de cartéis rivais. Para Pablo Escobar, a prisão de La Catedral seria a única capaz de lhe dar garantia de vida. Apesar das autoridades colombianas negarem, acredita-se que a penitenciária tenha sido construída pelo próprio narcotraficante.

A queda de Pablo Escobar
Pablo Escobar seria morto cerca de um ano e meio após sua fuga de La Catedral, quando a Força de Operações Especiais norte-americana conhecida como Delta Force realizou uma caçada ao narcotraficante. Em 2 de dezembro de 1993, quando tentava despistar o Search Bloc, um grupo policial colombiano treinado pelo Delta Force, o narcotraficante foi localizado em Medellín. No tiroteio subsequente, Pablo Escobar foi encurralado e morto a tiros. Foi o fim de um dos mais ricos e poderosos narcotraficantes do mundo.

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21 de julho de 1954 – Fim da Primeira Guerra da Indochina

No dia 21 de julho de 1954 a Primeira Guerra da Indochina chegava ao fim. O território no sudeste asiático até então conhecido como Indochina Francesa dava lugar a novos países: Laos, Camboja e Vietnã, então dividido em norte e sul. A emergência desses países no cenário mundial foi resultado dos acordos entre os representantes desses países, França, República Popular da China, União Soviética e Reino Unido, na Conferência de Genebra.

A conferência, que teve início em 8 de maio de 1954, tinha como objetivo acabar com as hostilidades e restaurar a paz na região da Indochina Francesa, onde, desde 1946, ocorria um conflito armado entre a França, apoiada pelos Estados Unidos, e a Frente para a Independência do Vietnã, a Viêt Minh, apoiada pela China e pela União Soviética. O conflito, um reflexo da dinâmica política mundial pós-Segunda Guerra, estourou quando a Viêt Minh iniciou uma rebelião contra a autoridade francesa na região e exigiu a independência da República Democrática do Vietnã. Após oito anos de embates, a guerra teve seu clímax na Batalha de Dien Bien Phu, no dia 7 de maio de 1954, que terminou com a rendição completa das tropas francesas. Estima-se que participaram da guerra cerca de 500.000 soldados franceses sendo que, desses, 94.581 morreram em batalha, 78.127 foram feridos e 40.000 foram feitos prisioneiros. Dias depois, começavam as negociações de paz na Conferência de Genebra.

Vietnã dividido
Os acordos da Conferência de Genebra estabeleceram que o território do Vietnã deveria ser dividido em duas áreas: a República Democrática do Vietnã, ao norte do país, e a República do Vietnã, ao sul. Enquanto o norte ficaria sob a influência comunista da União Soviética, o sul teria o apoio dos Estados Unidos, defensor da economia de mercado. A partilha do Vietnã pelas duas maiores potências antagônicas do momento daria origem a um dos maiores conflito armados da Guerra Fria _ a Guerra do Vietnã, que começaria em 1959 e se estenderia até 1975.

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20 de julho de 1969 - O homem chega à Lua

“Este é um pequeno passo para um homem, mas um enorme salto para a humanidade”. Foi com estas palavras que, há exatos 40 anos, o astronauta Neil Armstrong consolidou o sucesso da missão espacial norte-americana Apollo 11 e entrou para a história da humanidade como o primeiro homem a pisar na superfície lunar.



O lançamento da Apollo 11 foi realizado em 16 de julho, do Cabo Canaveral, na Flórida, e teve atenção mundial através da transmissão televisiva. A bordo, o módulo espacial continha apenas três astronautas: Neil Armstrong, comandante da missão; Michael Collins, controlador do Módulo de Comando Columbia; e Edwin Eugene ‘Buzz’ Aldrin Jr., piloto do Módulo Lunar Eagle. Cerca de 12 minutos após o lançamento, a Apollo 11 entrou em órbita terrestre e, 30 minutos depois, se separou do foguete Saturno V, rumando para o satélite natural da Terra. Ao final de 3 dias tranquilos de viagem, a missão espacial alcançou seu destino e seus tripulantes acionaram os propulsores da nave para entrar em órbita lunar. Ao final de 3 dias tranquilos de viagem, a missão espacial alcançou seu destino e entrou em órbita lunar. Em 20 de Julho, com Neil Armstrong e Buzz Aldrin a bordo, o Eagle se separou do Columbia e iniciou sua descida em direção ao Mar da Tranquilidade, como foi chamado o local da superfície lunar escolhido para o pouso. Michael Colins permaneceu no módulo de controle monitorando o progresso da missão. Às 17 horas, 17 minutos e 40 segundos, horário de Brasília, o módulo lunar tocou suavemente o solo da Lua.

AFP/Nasa


Seis horas depois, o comandante da missão deixava sua pegada na Lua e sua marca na história:

Reuters/Nasa


Corrida espacial na Guerra Fria
Em 24 de julho os três astronautas retornaram em segurança à Terra. Na Lua, deixaram instrumentos científicos, uma bandeira dos Estados Unidos da América e uma placa com suas assinaturas, a do presidente Richard Nixon e a seguinte mensagem: "Aqui os homens do planeta Terra pisaram pela primeira vez na Lua. Julho de 1969. Viemos em paz, em nome de toda a humanidade". O episódio representou um capítulo importante na disputa entre os Estados Unidos e a União Soviética pela hegemonia da tecnologia espacial, considerada estratégica por seu potencial militar durante a Guerra Fria.

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19 de julho de 1987 - Clementina se foi

"Clementina, cadê você? Cadê você? Cadê você? Cadê você?" O coro foi puxado em seu velório no Teatro João Caetano, onde a cantora empolgara grandes platéias do Show das Seis e Meia.

Assista aqui o vídeo com fotos do acervo do CPDoc JB


Clementina tinha prazer em cantar. Na adolescência, saía sempre fantasiada de peixeira nas Folias de Reis. Desfilou em carro aberto dirigido por Noel Rosa num carnaval. Cantou nas sessões de candomblé em Inhaúma, onde morava Tia Ciata, uma das baianas pioneiras em disseminar o samba no Rio. Freqüentava os jongos e caxambus da Tia Dorotéia em Osvaldo Cruz. Devota da Senhora da Glória do Outeiro, participava das festas das Igrejas da Penha e de São Jorge, cantando músicas de romaria. Foi ali que o compositor Hermínio Bello de Carvalho ouviu-a, por acaso, cantar. Trabalhou por muito tempo como empregada doméstica até iniciar sua carreira artística em 1964.

Sua estréia foi no Teatro Jovem, em Botafogo, num movimento chamado Menestrel, que unia eruditos e populares. No ano seguinte, integrou o musical Rosa de Ouro. Clementina, tão longeva, às vezes tinha sérios problemas de saúde. Em 1983, já com 82 anos de idade, desenvolvia uma atividade artística tão intensa que foi internada para se recuperar de estafa. Em suas últimas apresentações, já cantava sentada, mas tão ativa quanto podia. Suas músicas, ligadas à história do nosso país, representam o povo negro, sobretudo os jongos, e os lundus, que vêm do fundo de nossas origens.

Reprodução


Clementina era uma lenda viva. Em 1982, ela foi homenageada como tema do samba-enredo da escola de samba de Lins Imperial, “Clementina - Uma Rainha Negra”.

O canto que retrata o Brasil
Clementina nasceu em 7 de fevereiro de 1901, em Valença, Estado do Rio. Aos 10 anos, mudou-se para o bairro de Oswaldo Cruz. Neta de africanos, descendia da Nação Bantu, um grupo etnolingüistico localizado principalmente na África Sub-Saariana. Seu pai foi mestre de capoeira e violeiro. Sua mãe lavava roupa cantando modas, jongos e outros cantos de seu repertório que continham ecos da África. Foi nesta época que Clementina aprendeu os cantos de escravos, que mais de meio século depois registrou em disco. Ficou conhecida como a Rainha Guinga ou Quelé.

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18 de julho de 1968 - Selvageria no Ruth Escobar

Mal terminara mais uma apresentação de Roda viva na noite paulistana, um grupo armado de aproximadamente 20 pessoas invadiu o galpão do Teatro Ruth Escobar, num ato extremo de selvageria. Em trajes que dificultavam a identificação, diziam-se integrantes do Comando de Caça aos Comunistas (CCC), agindo contra a obscenidade teatral. Enquanto iniciavam a depredação, desfigurando o cenário, o público ainda presente apressava-se em fuga. A seguir os invasores entraram nos camarins. Destruindo o que encontravam pela frente, espancaram o elenco e a equipe técnica da peça. Duas pessoas foram detidas. O crime provocou resposta imediata da classe artística, que se reuniu à porta do teatro, exigindo a detenção dos culpados e a condenação do terrorismo de direita. No dia seguinte, movida pela solidariedade de outras companhias, Roda viva voltava ao palco, com casa cheia e as marcas da truculência da véspera: cenário improvisado, figurino remendado, elenco lesado – mas bravo, pela coragem com a qual conduziu o espetáculo.

A inépcia com que foi conduzida a prisão dos dois detidos, o impasse entre o Dops e a 4ª Delegacia em assumir o paradeiro de ambos e o mistério do desaparecimento dos mesmos fortaleceram a hipótese do envolvimento da polícia no caso, embora o Exército nunca tenha admitido sua participação. O CCC foi responsabilizado como único autor do crime.

A agressão ao elenco de Roda viva fez parte da série de intimidações clandestinas desencadeadas contra a classe teatral durante o regime militar. Os executores declaravam-se defensores da ordem e dos bons costumes da família brasileira, interessados em coibir as manifestações subversivas.

A ousada proposta de ‘Roda viva’
Com texto de Chico Buarque e direção de José Celso Martinez Corrêa, Roda viva veio no embalo das manifestações artísticas que questionavam a postura da classe média no contexto do autoritarismo em vigor. Escandalizou não apenas por desafiar a ditadura, ou pela barbárie do CCC, mas, principalmente, pelo rompante do seu ritual cênico. A provocação evocada durante o espetáculo confundia a realidade com a dramaturgia, enquanto os artistas se serviam de uma agressividade até então inédita diante do público, visando subtraí-lo da letargia, reivindicando respostas e ação para os seus questionamentos.

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17 de julho de 1967 - Morre John Coltrane

Um dos maiores criadores e improvisadores da história do jazz morreu aos 40 anos. O saxofonista John William Coltrane nasceu em Hamlet, Carolina do Norte, no dia 23 de setembro de 1926. Depois da morte do pai, Coltrane e sua família se mudaram para a Filadélfia. Iniciou sua vida profissional num conjunto comercial em 1945. Mas sua vida como músico começou mesmo em 1947, quando passa a tocar em orquestras de rythm and blues, como as de Joe Webb, King Kolax e Eddie Vinson. A experiência de Coltrane em orquestras foi de grande importância na estruturação de seu estilo maduro, sobretudo no que diz respeito ao vigor de seu sopro e à plenitude do seu som. Vieram, logo após, os conjuntos e orquestras de jazz: Dizzy Gilespie, Earl Bostic, Johny Hodges e Miles Davis.

Reprodução


John Coltrane juntou-se ao quinteto de Miles Davis em 1955, e foi a partir daí que seu nome passou a ser conhecido. No início de 1957, o saxofonista teve uma das mais importantes experiências de sua carreira ao tocar com o pianista Thelonius Monk, no Five Spot de Nova York. “O trabalho com Monk aproximou-me de um arquiteto de primeira ordem. Sinto que aprendi com ele de todas as maneiras – em sensibilidade, téorica e tecnicamente”.

No fim de 1957, Coltrane voltou ao conjunto de Miles Davis, nesta época interessado em experiências modais. Sentiu-se à vontade com a modalidade, uma vez que lhe permitia uma exploração mais intensa da base harmônica das melodias. O fascínio de Coltrane pela música indiana, pelos ragas de Raví Shankar e Ali Akbar Khan, pela hipnose do alap e pelo espasmos do drut, marcou o início de uma aventura que libertou o jazz contemporâneo.

Mais perto da essência da música
Considerado, já no fim da década de 50, o mais importante saxofonista-tenor do jazz, ao lado de Sonny Rollins, era reconhecido ao mesmo tempo pelo vigor do seu ataque e pelo lirismo de suas linhas melódicas. Coltrane jamais se satisfez com uma posição conquistada. Cada uma de suas apresentações, cada uma de suas gravações se constituíram numa nova experiência, numa etapa a mais de um importante work in progress . A partir de 1959 tomou rumos inusitados, abrindo para o jazz e para a música contemporânea os horizontes do mais livre e audacioso expressionismo musical.

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16 de julho de 1950 - O dia em que o Maracanã se calou

“Está terminada a disputa da Coupe Jules Rimet. Mais uma vez, sagram-se os campeões do mundo os uruguaios. Rendamos-lhes a homenagem a que têm direito. Seu triunfo foi lícito sendo ainda de inteira justiça que se reconheça o ardor, a fibra extraordinária com que se atiraram à luta sem se preocuparem com a superioridade técnica do adversário que lhe rondava, persistentemente, o último reduto” (Jornal do Brasil).

O Maracanã inteiro se calou diante da tragédia. O que parecia impossível aconteceu, renegando todo o retrospecto de favoritismo brasileiro, conquistado jogo a jogo até a grande final. O Uruguai venceu o Brasil por 2 a 1, de virada, e conquistou a 4ª Copa do Mundo. Ninguém acreditava que a máquina brasileira, que só precisava de um empate para sagrar-se campeã, sucumbiria no último instante. Desde o início o Uruguai demonstrou-se aguerrido, com uma forte marcação às investidas da nossa Seleção. O Brasil, servindo-se da mesma tática usada ao longo do campeonato, era um adversário previsível. E mesmo com o brasileiro Friaça abrindo o placar no segundo tempo, o Uruguai não se curvou com a desvantagem. Buscou o empate, e virou, quando o uruguaio Gigghia chutou cruzado e balançou a rede, às costas do goleiro Barbosa. Em silêncio, o estádio lotado chorou.

Longa espera do sonho brasileiro
O sonho nacional de sediar uma Copa do Mundo foi cogitado pela primeira vez em 1938, durante um Congresso da Fifa, ousadia do jornalista Célio de Barros. Além de convencer os delegados da entidade esportiva quanto ao potencial brasileiro em assumir o evento, precisava superar a favorita Alemanha, motivada pelo sucesso dos Jogos Olímpicos dois anos antes. Mas, com a Segunda Guerra (1939-1945), o projeto foi adiado. Com a derrota alemã ao fim das hostilidades, e as dificuldades econômicas da Europa, o Brasil tornou-se o candidato ideal. Sonho realizado em 24 de junho de 1950.

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15 de julho de 1976 - O bicentenário do mestre Montigny

A vinda da corte portuguesa para o Brasil em 1808 trouxe a abertura dos portos, o estabelecimento da Imprensa Régia e outras grandes melhorias para a colônia, em especial, para o Rio de Janeiro. De igual importância no plano cultural foi a contratação da Missão Artística Francesa, que chegou ao Rio em março de 1816. Considerou-se a necessidade de criar escolas de artes e ofícios para o ensino profissional regular, em substituição ao autodidatismo predominante. Composta por um número grande de profissionais, estes trouxeram novas concepções estéticas e uma metodologia de ensino artístico. O francês Grandjean de Montigny, cujo bicentenário de nascimento é lembrado, teve grande importância na evolução da arquitetura brasileira no século 19.

Apesar do pouco que resta de sua obra, sua influência está presente em numerosas construções que, no Rio e em outras cidades brasileiras, atestam a força da escola neoclássica em nossa arquitetura. A Escola Real das Ciências, Artes e Ofícios e a Real Academia de Belas Artes, hoje Escola Nacional de Belas Artes, iniciaram suas atividades em 1826, no prédio projetado por Grandjean de Montigny. Foi ele o primeiro professor oficial de arquitetura no Brasil e reuniu um numeroso grupo de alunos.

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As obras arquitetônicas de Montigny


Difusor da arquitetura neoclássica
Auguste Henri Victor Grandjean de Montigny nasceu em 15 de julho de 1776, em Paris. Das diversas obras que projetou, poucas foram executadas e sobrevivem até hoje. Entre seus projetos, no Rio de Janeiro, estão a sede da primeira Praça do Comércio, hoje Casa França–Brasil; o pórtico da Academia Imperial de Belas Artes, que pode ser visto no Jardim Botânico; e o chafariz do antigo Rocio Pequeno, agora no Alto da Boa Vista. O mais destacado dos solares que projetou foi o da sua residência na Gávea, em estilo pompeiano, em terreno que faz hoje parte do campus da PUC.

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14 de julho de 1909 - Abre-se o Teatro Municipal

“Hoje, às oito e meia da noite, abrem-se as portas do Teatro Municipal, pela primeira vez, para um espetáculo. O programa já o publicamos, mas não é demais repeti-lo. A saber: 1ª parte – Hino nacional, à chegada do senhor presidente da República; discurso oficial, pelo senhor Olavo Bilac; Insomna, poema sinfônico do maestro senhor Francisco Braga. 2ª parte – Bonança, comédia em um ato, original do senhor Coelho Neto, pela companhia Arthur Azevedo. 3ª parte – Moema, ópera do maestro senhor Delgado de Carvalho, cantada por artistas do Centro Lírico Brasileiro, sob a regência do maestro senhor Francisco Braga” (Jornal do Brasil).

Ari Gomes e Carlos Mesquita/CPDOC JB

Em 15/03/78, a ópera Turandot, de Puccini, reabriu depois de 22 meses fechado para obras


O Rio ainda não era a Paris dos sonhos brasileiros, mas, com uma memorável programação genuinamente nacional, inaugurava uma casa de espetáculos à altura das melhores da Europa: o Teatro Municipal. Localizado no coração da cidade, fez ele parte do audacioso projeto de urbanização republicano para a então capital do Brasil. Durante sua gestão, o prefeito Pereira Passos (1902-1906) promoveu uma grande modernização do centro da cidade, abrindo a Avenida Central, moldada à imagem dos boulevards parisienses e ladeada por magníficos projetos de arquitetura eclética. Foi nesse contexto que figurou a construção de um novo teatro, ao fim de uma concorrência pública para a seleção do projeto arquitetônico. Desse empreendimento saiu vitorioso o que foi idealizado por Francisco de Oliveira Passos (curiosamente, filho do prefeito), que contou com a colaboração do francês Albert Guilbert. Depois de 54 meses de obras, surgiu o Teatro Municipal, inspirado no design do Teatro da Ópera Charles Garnier de Paris. A casa imponente e sofisticada, finamente decorada, tornava-se marco de novos tempos para a vida cultural da capital brasileira.

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13 de julho de 1973 - 'Se acaso você chegasse'

“Leve um recado pros meus amigos Vinicius de Moraes, Fernando Lobo e Reinaldo Dias Leme. Diga a eles que é pra não chorar, porque eu tenho um encontro marcado com Pixinguinha, Stanislaw Ponte Preta e Benedito Lacerda. Eu não bebo há dois anos e agora vou tomar o maior pileque da minha vida”. Ainda lúcido quando pronunciou estas palavras, Ciro Monteiro morreu depois de 10 dias em que permaneceu internado.

Um dos maiores sambistas do Brasil, seu primeiro sucesso veio com a música Se acaso você chegasse, em 1938. Esta música tornou parte em 15 filmes. Nessa época casou-se com Odete Amaral. Tinha o hábito de cantar em casa para os amigos quando, a pedido de Sivio Caldas, entrou no Programa Casé da Rádio Philips. No ano seguinte foi contratado pela Rádio Mayrink Veiga, onde viveu grandes momentos da sua vida profissional. Daí em diante os êxitos se sucedem, e marcam toda a década seguinte. Com os dedos ágeis tirava da caixa de fósforo uma forma coloquial de ritmo, em perfeita consonância com a voz. Sobre esta base Ciro Monteiro mostrava suas principais características como cantor: a noção extraordinária de espaço musical e a total intimidade com o que cantava. Formigão, como era conhecido no meio musical, criou seu próprio estilo e honrou um legado familiar. Sobrinho do grande pianista de samba Nonô (Romualdo Peixoto), conhecido como o “Chopin do samba”, da chamada época de ouro da música popular brasileira, as décadas de 30 e 40.

Deixou um legado de mais de 50 músicas de sua autoria exclusiva e em parceria com Herivelto Martins, Erastóteles Frazão, Mary Monteiro, Vinicius de Morais e Dias da Cruz.

O romântico cidadão do Catete
Nascido a 28 de maio de 1913 no subúrbio carioca do Rocha, era um dos nove filhos do dentista, capitão do Exército e funcionário público Ildefonso Monteiro. Mudou-se para Niterói quando tinha 2 anos de idade. No Catete, onde morou por mais de 20 anos, transformou-se num patrimônio do bairro. A ternura pela mulher Lu, que o acompanhou por todo o tempo difícil da doença, deixou registrada no samba Minha Marilu, de seu LP de 1961. Para Ciro, o Flamengo era tão importante quanto a música. Foi enterrado ao som da marcha do Flamengo, coberto pela bandeira do clube.

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12 de julho de 1990 - João Saldanha: fim de jogo

“A melhor maneira de definir João Saldanha é dizer que ele foi um ativista. Não apenas pelo socialismo – que defendeu desde a juventude, mas também por mudanças na estrutura do futebol brasileiro. As experiências como jogador, técnico e jornalista esportivo lhe deram condições de conhecer por dentro as engrenagens do esporte. Quando treinou o Botafogo, nos anos 50, viveu o drama das excursões mal planejadas e da exploração de jogadores sem condições físicas. Na Seleção Brasileira, que classificou para a Copa de 1970, sofreu pressões políticas de todos os tipos, que motivaram a sua saída. Ele, certamente, tinha muitas histórias para contar. Foi isso o que ele fez...” (Jornal do Brasil).

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Toda lenda tem um fundo de verdade.

João Saldanha nasceu no dia 3 de julho de 1917, na gaúcha Cidade de Alegrete e morreu em Roma, após oito dias de internação, vítima de um edema pulmonar agudo. Nesses 73 anos e nove dias, foi escrito e vivido como um capítulo à parte da história do futebol brasileiro. Saldanha, como técnico e comentarista, era cristalino em suas posições e determinado em suas críticas. Como contador de casos era insuperável. Diante de uma vida tão intensa, a verdade chega a ter um fundo de lenda. Coerente e convicto, construiu um monumento de credibilidade ao longo de sua vida absolutamente dedicada ao futebol. Era também craque do bate-pronto, da frase de primeira, da presença de espírito, da resposta fulminante, dos adágios e axiomas. Antes de seguir para a Itália, já muito doente, dizia que, se tinha que morrer, que fosse durante um Mundial. Conseguiu satisfazer esse desejo. Quanto ao outro – a superação dos erros do futebol brasileiro – resta, aos que ficam, tentar corrigir.

Personagem mais célebre da redação
“Mais de 30 linhas é enrolar o leitor”. A frase de Saldanha, todos os domingos, para dizer quanto queria escrever, era mais uma de suas marcas. Outra era, invariavelmente, escrever mais de 30 linhas. O ritual era só uma parte do que representava a sua presença na redação do Jornal do Brasil, desde que chegara pela primeira vez para escrever sua coluna em 2 de fevereiro de 1976. Era mais que um jornalista famoso. Discutia as edições, comentava reportagens. Podia ser sobre o jogo, um seqüestro, o último pacote econômico ou a eleição mais próxima. Tinha sempre uma história a contar.

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11 de julho de 1962 - Novo satélite revoluciona a TV

O primeiro satélite de telecomunicações internacionais, o Telstar, foi posto em órbita por um foguete Thor-Delta. As imagens fornecidas pelo Centro de Recepção de Andover, no Maine, EUA, através da American Telephone and Telegraph Co. (ATT), foram captadas por antenas parabólicas em diversos pontos do país e do exterior, e retransmitidas aos aparelhos de televisão domésticos.

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Quinze horas após seu lançamento milhões de pessoas nos Estados Unidos, França e Inglaterra puderam captar em seus rádios e televisores vozes e imagens retransmitidas pelo satélite. Os programas só podiam ter por volta de 15 minutos de duração, uma vez que a órbita percorrida pelo satélite impedia a retransmissão de programas mais longos.

As primeiras palavras retransmitidas pelo satélite foram através de telefone, que se comunicava em Washington com o vice-presidente Lyndon Johnson. Posteriormente para a televisão, o Telstar transmitiu a imagem da bandeira americana ao som do hino nacional, além de paisagens do Estado do Maine, onde ficava a estação de Terra que realizava à experiência. A pequena povoação de Andover tornou-se centro de atenção mundial. Foi montada uma gigantesca antena parabólica com 380 toneladas de peso.

Telstar orbita a Terra
Pesando cerca de 80 quilos, o Telstar tinha uma capacidade de 600 circuitos telefônicos ou um circuito de televisão. Gravitava numa órbita excêntrica a uma altitude entre 920 e 5520 quilômetros, e completava uma volta na Terra a cada 157,8 minutos. Para o lançamento o Telstar foi fixado a uma massa de matéria plástica encerrada numa cápsula de alumínio, para reduzir as vibrações. Quatorze transitores amplificavam os sinais elétricos 10 bilhões de vezes. Nos anos 80, o nome Telstar foi reativado para denominar uma série de satélites geoestacionários.

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10 de julho de 1982 - Adeus à alegria de Jackson do Pandeiro

A embolia cerebral que surpreendeu Jackson do Pandeiro num leito de hospital em Brasília, onde se tratava de uma descompensação diabética, privou o músico da sua vida, os fãs da sua alegria contagiante e as gravadoras de se redimirem da indiferença com que puniram seu talento.

Foi do brejo paraibano que José Gomes Filho, de família humilde mas com grande tradição artística na região, saiu para se consagrar Jackson do Pandeiro. Decidido a ganhar a vida com o seu dom musical, começou tocando em bailes populares em Campina Grande, na companhia de Luiz Gonzaga. A popularidade cresceu a largos passos. Da Paraíba foi para Pernambuco, onde o sucesso atingiu âmbito nacional.

Em parceria com Altamira Carrilho, com quem se casou, atingiu o auge da carreira, na década de 50. Mas o talento eclético, registrado em gravações de toda ordem, sucumbiu nos anos 60, num longo período de esquecimento no Rio de Janeiro. Voltou resgatado em regravações de outros artistas. Mas o sucesso não teve mais a projeção dos velhos tempos. Desquitado, dupla desfeita, entre uma e outra participação em shows, ficou distanciado do reconhecimento maior, e reduzido ao mercado de músicas juninas. Mas jamais deixou de transmitir alegria ao povo sofrido, de origem pobre, de cujo seio ele próprio nasceu e viveu.

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O senso rítmico como marca pessoal
“Poucos cantores no mundo inteiro têm o seu fabuloso senso rítmico, característica marcante do mulato magrinho que, com seu chapéu de abas curtas e o bigodinho fino, foi, durante 63 anos de vida, a própria expressão da alegria do povo simples de seu Nordeste natal. Foi o senso rítmico que lhe deu o pseudônimo artístico Jackson do Pandeiro... Figura na galeria dos grandes da música popular brasileira por causa de suas virtudes de cantor, um intérprete em cuja marca pessoal – o ritmo – jamais conseguiu ser igualado por ninguém”.

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9 de julho de 1932 - A Revolução Constitucionalista

Eclodiu em São Paulo uma revolta contra o presidente Getúlio Vargas. Tropas federais de Minas Gerais foram enviadas para o Estado para conter a rebelião. O efetivo militar do Rio Grande do Sul e do Paraná ficaram em alerta prontos para marchar contra os rebeldes. Os combates da revolta, que ficou conhecida como Revolução Constitucionalista de 1932, duraram três meses.

Em 1930, Getúlio Vargas deu um golpe de Estado e assumiu a Presidência, em caráter provisório, mas com amplos poderes. O Congresso Nacional, as Assembleias Legislativas e até as Câmaras Municipais foram fechadas. Os governadores dos Estados foram substituídos por interventores nomeados por Vargas. Nessa época São Paulo, que havia sido a principal base política do regime da Primeira República, era encarado como um foco oposicionista.

O governo reconheceu oficialmente os sindicatos, legalizou o Partido Comunista e apoiou o aumento de salário para os trabalhadores. Irritados com os rumos da política, empresários e latifundiários resolveram se unir contra Vargas. Os liberais começaram a pressionar Vargas para a pronta realização de eleições, e o fim do governo provisório. A situação piorou com a morte de quatro estudantes no comício realizado em São Paulo no fim de maio, para reivindicar uma nova Constituição. As iniciais dos nomes das vítimas, Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo formaram a sigla MMDC, que se transformou no símbolo da revolução.

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O conflito armado explodiu 17 dias depois da tragédia. As tropas rebeldes se espalharam pela cidade de São Paulo e ocuparam as ruas. A imprensa paulista defendeu a causa dos revoltosos. Uma intensa campanha de mobilização foi deflagrada e a população aderiu ao levante. Um grande número de pessoas se alistou para a luta. Intelectuais, industriais e estudantes, políticos ligados à República Velha ou ao Partido Democrático, excluído do governo por Vargas, pegaram em armas para lutar contra a ditadura.

Governo convoca eleições
Os rebeldes esperavam a adesão de outros Estados, o que não aconteceu. Por fim, as tropas federais mais numerosas e bem equipadas derrotaram os paulistas. Estatísticas oficiais registram 830 mortos no confronto, mas esse número é contestado.

Um ano depois da revolução foram realizadas eleições para a Assembleia Constituinte, e em 1934 foi promulgada uma nova Carta Magna. O interventor Armando de Sales Oliveira, nomeado em agosto de1933, criou condições para a renegociação das dívidas dos agricultores em crise e fundou a Universidade de São Paulo.

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8 de julho de 1978 - O incêndio no MAM do Rio

Quarenta minutos de incêndio destruíram o acervo do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro. Duas telas de Pablo Picasso, outras duas de Joan Miró e centenas de obras de artistas brasileiros viraram cinza.

O vigia percebeu que o segundo andar do salão de exposições estava em chamas por volta das 3h25 da madrugsada, mas não pôde fazer nada: o extintor de incêndio estava quebrado. Os bombeiros demoraram a chegar e o trabalho ainda foi prejudicado pela falta de água. Só restaram 50 peças das mais de mil que estavam no museu.

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Todas as obras da exposição Arte Agora 3 foram consumidas pelas labaredas. As telas da fase construtiva (1927-44) do artista uruguaio Joaquim Torres Garcia que faziam parte da exposição foram queimadas.

– Nossos jornais tratam o incêndio como um desastre para o país – disse, na época, o diretor do Museu Nacional de Montevidéu Angel Kalenberg.

O MAM do Rio foi fundado em 1948 por iniciativa do empresário Raymundo Castro Maya. A sede provisória foi inaugurada em 1952 num anexo do edifício do Ministério da Educação e Cultura. A primeira exposição foi realizada entre os pilotis do Palácio da Cultura, com obras premiadas na 1ª Bienal de São Paulo e trabalhos de artistas brasileiros.

Iniciou-se, então, um movimento para se conseguir um espaço no Aterro do Flamengo onde deveria ser construída a sede definitiva. Depois de uma longa disputa com a prefeitura, a Câmara Municipal concedeu ao museu um terreno de 40 km².

Projeto modernista
O MAM foi concebido nos moldes do Museu de Arte moderna de Nova York. O projeto arquitetônico de estilo modernista é de Affonso Eduardo Reidy e o projeto paisagístico é de de Burle Marx. Reidy criou um conjunto de três blocos. A primeira parte a ser concluída foi o bloco Escola, o menos afetado com o incêndio. O bloco de Exposições, com 14 mil metros quadrados foi o mais atingido pelas chamas. E finalmente, o bloco do Teatro, que ainda estava inacabado na época do desastre. Em 1993, o museu recebeu um importante reforço com a doação da coleção particular de Gilberto Chateaubriand, cerca de 4 mil obras, inclusive telas de Cândido Portinari, Tarsila do Amaral, Lasar Segall, Di Cavalcanti e gravuras de Oswaldo Goeldi, entre outras.

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7 de julho de 1937 - A guerra sino-japonesa

Soldados japoneses efetuavam exercícios de guerra perto da Ponte de Marco Polo, ao norte de Pequim, quando tropas chinesas abriram fogo. Os japoneses haviam invadido Manchúria em 1931.

As autoridades militares do Japão pediram permissão para entrar em Wangping a fim de prender os culpados. O pedido foi negado. Os japoneses então bombardearam e invadiram a cidade. O governo de Nanquim considerou o incidente um ato deliberado de provocação do Japão.

O conflito desencadeou a segunda guerra sino-japonesa. O Japão lançou uma ofensiva relâmpago sobre as províncias do norte e do leste, Hopei, Shantung, Shansi, Chamar e Suyan, com o objetivo de separá-las do resto do país. Depois de travar uma batalha com os chineses nas ruas de Xangai por três meses, os japoneses entraram em 13 de dezembro em Nanquim.

A invasão foi facilitada devido ao confronto militar entre nacionalistas e comunistas. A rivalidade entre os dois grupos foi suspensa para juntos traçarem uma estratégia de defesa. Assim, as forças nacionalistas de Chiang Kai-shek e as do comunista Mao Tsé-tung deixaram de lutar entre si para combater o Japão.

Chiang Kai-shek limitou-se a abandonar territórios para o invasor, ao mesmo tempo que transferiu a capital e todos os órgãos do governo para Chung-king, uma região remota, na expectativa de que a evolução da crise internacional levasse o Japão a abrir uma nova frente de guerra, como aconteceu, em 1941, com ataque à base americana de Pearl Harbor.

Mao Tse-tung estabeleceu uma estratégia própria para expulsar o invasor mesmo participando da Frente Unida Antijaponesa e organizou a guerrilha camponesa. Mao Tsé-tung mandou construir uma série de labirintos subterrâneos para proteger as colheitas e as vidas dos aldeões, que se empenharam em destruir a rede de comunicações do inimigo. Simultaneamente à guerra de guerrilhas, os maoístas reestruturavam as zonas liberadas, que passavam a cuidar dos feridos e a abastecer com armas e alimentos as áreas de conflito. A segunda guerra sino-japonesa só terminou em 1945, com a rendição do Japão aos aliados.

Atrocidade: o estupro de Nanquim
Na antiga capital imperial e ex-sede do governo nacionalista de Chiang Kai-shek, os soldados japoneses sob o comando do general Iwane Matsui cometeram, a partir de dezembro de 1937, uma das maiores atrocidades da história, que ficou conhecida como o estupro de Nanquin (Nanjing Datusha). Para humilhar os chineses, o alto comando japonês permitiu que por três semanas suas tropas submetessem os habitantes da cidade ao saque, a torturas, fuzilamentos e estupros. Mais de 300 mil chineses foram mortos nesse genocídio.

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6 de julho de 1997 - Robô passeia em Marte

Jornal do Brasil: 7 de julho de 1997
O robô explorador Sojourner realizou sua primeira operação em solo marciano. Sojourner obteve imagens em três dimensões da superfície do planeta vermelho. As fotos ajudaram os técnicos a montar a simulação de um passeio na planície de Ares Vallis, no hemisfério norte de Marte, nas imediações onde a sonda tinha pousado dois dias antes.

O robô integrava a missão americana Mars Pathfinder, e era parte de um sistema que envolvia outros componentes como a nave mãe e o módulo de pouso, e foi lançado em meados de 1996. "Isso abre uma nova era na exploração planetária", explicou Jake Matijevic, responsável pelo robô, do Laboratório de Propulsão a Jato, em Passadena.

O local do pouso foi batizado de Memorial Carl Sagan, em homenagem ao cientista e divulgador da astronomia Carl Sagan (1934-1996).

A nave entrou diretamente na atmosfera de Marte, sem entrar na órbita do planeta, usando um método inovador. A blindagem protegeu a nave do aquecimento provocado pelo aumento da velocidade para 1.440 km/h, em cerca de 2,5 minutos. Em seguida, com a ajuda de um paraquedas de 12,5 metros, reduziram a velocidade para aproximadamente 252 km/h. O aquecimento da blindagem cessou 20 segundos depois da abertura do paraquedas. Dez segundos antes de alcançar o chão, quatro air bags se abriram, formando um círculo protetor de 5,2 metros de diâmetro. Quatro segundos depois, a uma altitude de 98 metros, os três foguetes montados na parte de fora da Mars Pathfinder foram ligados para diminuir ainda mais a velocidade. A Mars Pathfinder tocou o solo marciano a 61 km/h, quicou e rolou até parar. Depois de a Mars Pathfinder parar, os airbags se esvaziaram e se recolheram. Em seguida, três painéis triangulares metálicos se abriram. Após algumas manobras para retirar um airbag que não se recolheu, as rampas desceram e o pequeno robô, alojado em uma das pétalas, andou sobre a superfície de Marte.

O robô Sojourner tinha seis rodas, com uma placa de captação de energia solar e instrumentos de análise química para determinar a composição das rochas e solos de Marte. A combinação de imagens da área de pouso com a composição das rochas colhidas pelo robô ofereceram uma identificação precisa das rochas. O Sojourner era controlado por uma base de comandos da Terra, que usava imagens obtidas do robô e da Sagan Memorial Station.

Comunicação foi interrompida
A Sagan Memorial Station. era formada por baterias solares nas suas pétalas, baterias recarregáveis e um computador. O retardamento na chegada das imagens enviadas para a Terra era de cerca de 10 minutos. A estação tinha três antenas de longa distância no centro dos três painéis solares e uma câmera. O robô recolheu informações durante mais de um mês terrestre. No total foram obtidas 16.500 fotos a partir do módulo de pouso e 550 imagens do Sojourner. As imagens foram recebidas até o dia 27 de setembro de 1997, quando a comunicação foi interrompida por razões desconhecidas.

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5 de julho de 1959 - Maria Ester Bueno vence em Wimblendon

Jornal do Brasil: 6 de julho de 1959





Maria Ester Bueno, 19 anos, não precisou de mais que 43 minutos para derrotar a americana Darlene Hard, 23 anos, por 6 a 4, e 6 a 3, e assim conquistar o título de simples feminina no Torneio Internacional de Wimblendon, na Inglaterra, na época a mais importante competição de tenistas amadores do mundo.



A partida foi assistida por 15 mil espectadores entre os quais a duquesa de Kent, que entregou o troféu à vencedora, e Althea Gibson, a campeã do ano anterior. O céu estava claro sem nuvens e fazia um calor de 28 graus, sufocante para os ingleses, quando as tenistas entraram na quadra central para a disputa final. Ainda cansada pela partida, Maria Estar anunciou que iria dançar o chá-chá-chá da vitória com Alex Olmedo, campeão do simples masculino, no tradicional Baile dos Campeões. "Foi a melhor partida da minha vida", disse Maria Ester.

A agência de notícias AP escreveu: "Bueno voleou com um passo de assassino e a graça de uma dançarina de balé". Darlene Hard comentou seu desempenho na partida: "Não tenho desculpas para a minha derrota final. Joguei muitas vezes contra Maria Ester e notei que ela melhorava cada vez mais."

O estilo agressivo e gracioso de Maria Ester conquistou as quadras em 1958. Althea Gibson, a primeira negra a ganhar Wimbledon, ao vencer o torneio de duplas ao ladg da tenista brasileira, profetizou: "Ela será a minha sucessora".

Depois de cumprimentar o juiz, Maria Ester chorou e foi consolada pela própria Hard, que chorava também, mas de tristeza por ter perdido o título pela segunda vez.
A tenista retornou ao Brasil seis dias depois. O seu voo chegou ao Rio com sete horas de atraso devido a uma pane no motor do avião, e foi recebida pelo presidente Juscelino Kubitschek. Maria Ester seguiu para São Paulo e foi conduzida em cortejo pela cidade, até o clube Tietê, onde começou a jogar aos 12 anos.

O título de simples era só o início de uma brilhante carreira. A tenista conquistou o bicampeonato em Wimbledon no ano seguinte e um terceiro título, quatro anos depois. Venceu cinco vezes em duplas e chegou a outras duas finais de simples, uma semi e três quartas-de-final. Sua última aparição, em 76, já perto dos 37 anos, permaneceu como a melhor atuação do Brasil em duas décadas.

Tenista tinha lesão no braço direito
Depois de vencer em dupla em 1958, a tenista submeteu-se a um severo tratamento médico no ombro direito. Maria Ester ficou sob os cuidados do ortopedista João Vicenzo, que explicou que sua paciente sofria de uma lesão cíclica, espécie de irritação na porção longa do músculo bíceps. "Se Maria Ester joga tão bem com o braço dessa maneira, imagine só como o faria com ele são", concluiu o médico.

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4 de julho de 1948 - Monteiro Lobato para todos os públicos

Monteiro Lobato foi o maior escritor da literatura infanto-juvenil brasileira, e um visionário. O filho de fazendeiros de Taubaté, interior de São Paulo, que criou a frase "um país se faz com homens e livros", fundou em 1918 a primeira editora do Brasil, a Monteiro Lobato e Cia. Antes da iniciativa todos os livros eram impressos em Portugal.

Monteiro Lobato estreou como escritor em 1918, com Urupês, uma obra-prima com 14 contos sobre o cotidiano do homem do campo, com seus costumes, crenças, tradições. Nos anos seguintes, publicou Cidades Mortas e Negrinha, que abordam a violência contra negros, mulheres e imigrantes, a arrogância das elites e o crescimento desordenado das metrópoles.
Já consagrado na carreira literária, foi nomeado em 1926 adido comercial da embaixada brasileira nos Estados Unidos, de onde retornou só em 1931. Lobato enfrentou sérios problemas naquele país por causa de seu livro O Presidente Negro e o Choque de raças, publicado em 1926, que narra a eleição do 88º presidente americano em que três candidatos disputam os votos: o negro Jim Roy, a feminista Evelyn Astor e o presidente Kerlog, candidato à reeleição. Embora esse livro não tivesse sido bem aceito, o autorsempre fez muitos elogios à sociedade americana.

O escritor regressou dos Estados Unidos convicto de que o subsolo brasileiro guardava enormes riquezas naturais, principalmente petróleo. A partir de então foi um ardoroso defensor da criação da Petrobras e contrário à exploração das reservas minerais por multinacionais. Chegou a remeter uma carta ao presidente Getúlio Vargas, em pleno Estado novo, na qual denunciava o interesse estrangeiro em negar a existência de petróleo no Brasil e acabou preso. Getúlio considerou a carta ofensiva ao governo. Monteiro Lobato seria preso novamente pelo mesmo motivo em 1941. A luta pela nacionalização da extração de petróleo deixou o escritor pobre, doente e desgostoso. O escritor morreu após sofrer um derrame.

O município baiano onde foi perfurado o primeiro poço de petróleo no Brasil, em 1939, por coincidência tinha o nome de Lobato. Monteiro Lobato defendia também o imposto único sobre o valor da terra, baseado nas teorias de Henry George.

Vasta obra infanto-juvenil
O escritor produziu 26 títulos dedicados ao público infantil, criando personagens inesquecíveis como os do Sítio do Pica-Pau Amarelo, como a boneca Emília, Visconde de Sabugosa, Narizinho, Pedrinho, Tia Nastácia, Dona Benta, além de Jeca Tatu.

Em homenagem ao seu nascimento no dia 18 de abril é comemorado o Dia do Livro Infantil.

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3 de julho de 1972 — O exílio de Juan Perón


Jornal do Brasil: Péron no exílio


Depois de alguns exílios temporários em outros países, o presidente deposto da Argentina, Juan Domingo Perón, estabeleceu-se na Espanha, de onde continuou a influenciar a vida política de seu país. Sua única tentativa de retorno, em dezembro de 1964, foi frustrada no Aeroporto do Galeão, no Rio, pelas autoridades brasileiras, a pedido dos militares argentinos.
A volta de Perón ao país foi negociada pelo presidente argentino, general Alegando Lanusse oito anos mais tarde.

No início da década de 70, a crise econômica agravara-se na Argentina. O Produto Interno Bruto (PIB) - total dos bens e serviços produzidos no país - estava em queda, o desemprego e a inflação aumentavam e o poder aquisitivo dos trabalhadores diminuía.

A situação desfavorável abriu caminho para a radicalização política e ações guerrilheiras. O congresso do Partido Nacional Justicialista (nome oficial do Partido Peronista) criado a partir das idéias de Perón, propôs a candidatura do líder exilado à presidência da República.

Em novembro de 1972, Perón finalmente regressou à Argentina. O desembarque só pode ser visto pela TV porque os militares impediram o povo de dar as boas-vindas ao velho o caudilho. O comércio foi fechado. Durante a madrugada, uma rebelião de 60 suboficiais peronistas foi reprimida com violência.

Perón foi presidente da Argentina de 1946 a 1951, reeleito em 1952 e novamente eleito em 1973. Na primeira gestão obteve 56% dos votos. Seus seis anos de governo foram marcados pela estatização das ferrovias, empresas de telefonia, de petróleo e companhias de eletricidade, assim como pelo crescimento industrial.

Os trabalhadores ganharam direito à aposentadoria, férias remuneradas, cobertura de acidentes de trabalho e seguro médico. Na política externa Perón adotou uma postura antiamericana e antibritânica, que chamou de terceira posição, considerada por ele um ponto de equilíbrio entre o comunismo e o capitalismo.

Último mandato do líder argentino
Em 73, Perón foi eleito pela terceira vez presidente da República, mas não conseguiu cumprir o mandato até o fim. No ano seguinte, morreria de enfarte. A mulher de Perón, Isabellita, eleita vice-presidente, assumiu a presidência e foi deposta por um golpe militar em 1976.

A junta chefiada pelo general Jorge Rafael Videla tomou o poder, dissolveu o Congresso e deu início a um período de sucessivos presidentes militares que durou até 1983. No seu governo teve início a Guerra suja, que imprimiu uma repressão violenta aos opositores. O número de desaparecidos durante a ditadura militar argentina é estimado entre 15 mil e 30 mil pessoas.

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2 de julho de 1922 — Hermes da Fonseca é preso

Jornal do Brasil: A prisão do marechal Hermes da Fonseca


O presidente da República Epitácio Pessoa mandou prender o ex-presidente Hermes da Fonseca e fechar o Clube Militar, que era presidido pelo marechal. O episódio aprofundou a crise entre o Exército e o governo iniciada durante a campanha eleitoral de sucessão presidencial.
Epitácio Pessoa havia convocado o Exército para conter rebeliões populares no Recife. O marechal foi contra, e exortou as tropas a não reprimirem o povo.

A nomeação do civil Pandiá Calógeras para o ministério da Guerra já havia causado mal-estar entre os militares. A situação piorou quando, em outubro de 1921, o jornal "do Povo" publicou uma carta manuscrita, que chamava o marechal de "sargentão sem compostura", e dizia que o Exército era formado por elementos "venais".

O texto foi atribuído ao candidato do governo à presidência da República Arthur Bernardes, então governador de Minas Gerais. Apesar de Artur Bernardes ter negado a autoria das acusações, uma segunda carta muito parecida com a primeira foi publicada no mesmo jornal, e atribuída ao mesmo autor. Mais tarde seria descoberto que as assinaturas nas cartas foram forjadas.
O processo eleitoral continuou, e Artur Bernardes venceu a disputa para a presidência em março de 1922, embora os resultados houvessem sido contestados pela oposição.

A prisão de Hermes da Fonseca, a mais alta patente militar do país, e o fechamento do Clube Militar por decreto presidencial, foram considerados uma afronta ao Exército. O descontentamento alastrou-se por todos os quartéis do Rio de Janeiro, e começou a ser tramado o levante, que ficou conhecido como a Revolta dos 18 do Forte.

O movimento seria desencadeado na madrugada de 5 de julho em três locais: na Vila Militar, Escola Militar do Realengo e Forte de Copacabana. Nesse último foram feitos vários preparativos, como a construção de trincheiras e redes de arame farpado. Os depósitos foram abastecidos com alimentos e os alojamentos e cozinhas foram transferidos para locais protegidos. Epitácio Pessoa desconfiou da movimentação dos militares e mandou cercar o local.

A Revolta dos 18 do Forte
O capitão Euclides da Fonseca, filho do marechal, foi preso. Por telefone, o ministro da Guerra exigiu a rendição do tenente Siqueira Campos, que assumiu o comando da revolta. Mas os rebeldes decidiram lutar até o fim. Os portões do Forte de Copacabana foram abertos para que todos os que desejassem pudessem abandonar o forte. Dos 301 revolucionários, restaram 29.

Siqueira Campos reuniu os companheiros, dividiu a bandeira nacional em 29 pedaços e os distribuiu entre os combatentes. O grupo saiu na tarde de 6 de julho ao encontro das tropas do governo.

Os revolucionários, reduzidos a 20, rumaram para a Praça Serzedelo Correa, onde as forças governistas aguardavam a rendição. Em vez disso veio a ordem de fogo. O combate foi sangrento e desigual, e os revoltosos, que lutaram como fanáticos, tombaram mortos.

Os únicos sobreviventes foram Eduardo Gomes, o soldado Manoel Ananias dos Santos e Siqueira Campos.

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1º de julho de 1974 — Fusão da Guanabara com o Estado do Rio

Jornal do Brasil: Fusão do Estado do Rio com a Guanabara

Sem grandes cerimônias, o presidente general Ernesto Geisel sancionou a Lei da Fusão do Estado do Rio com a Guanabara. Desde a posse do presidente chegaram ao Planalto vários documentos apoiando a fusão até que o ministro Armando Falcão anunciou oficialmente, em abril, que o assunto estava sendo estudado pelo governo militar.

O então deputado Célio Borja, velho defensor da ideia, foi o mentor jurídico da questão. Borja reuniu-se com lideranças políticas e com Geisel diversas vezes no Rio até a aprovação do projeto de lei. O primeiro político a admitir abertamente a hipótese foi o senador Ernani do Amaral Peixoto, que sugeriu que o processo fosse feito de forma gradual.

A realização de um plebiscito, o que seria indicado para um caso como este, segundo a Constituição de 1946, foi dispensado pela ditadura militar.

Os economistas e técnicos defensores da fusão argumentavam que a união da Guanabara, um pólo rico com grande arrecadação, com o Estado do Rio de Janeiro, com uma periferia, como a Baixada Fluminenese, pobre e sem infraestrutura, daria impulso ao desenvolvimento regional.
Com a mudança da capital para Brasília, em 1960, a Guanabara, foi transformada em cidade-estado, e continuou sendo importante pólo turístico, cultural e comercial do país. Uma vez que um Estado não poderia investir no outro, a fusão faria desaparecer o impedimento político administrativo da transferência de recursos entre as duas áreas.

O governo pretendia também, com a junção dos dois estados, neutralizar o Rio de Janeiro como foco de oposição ao regime militar. Como a Guanabara era o único Estado governado pelo MDB, partido da oposição, a intenção era de que com a fusão seria possível alterar a correlação de forças na Assembleia Legislativa e aumentar a influência da Arena no Estado.

'Brasil Grande' dos militares
A fusão fazia parte do projeto Brasil Grande idealizado pelos militares desde o golpe de 1964. O Rio era um dos pólos estratégicos do general Geisel para a concretização do programa. Nos planos da ditadura estavam a construção de obras monumentais, como a Transamazônica, a Usina Nuclear de Angra dos Reis, a Usina de Itaupu e a Ponte Rio-Niterói. Com a inauguração da via, que ligava as duas cidades, em 1974, o processo de fusão foi acelerado. A antiga Guanabara mudou o nome para Rio de Janeiro e passou a ser a capital do novo Estado, em março de 1975.

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