Arquivo de June 2009

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30 de junho de 1981 — IPM das bombas do Riocentro é concluído

Jornal do Brasil: Bombas do Riocentro

O Inquérito Policial Militar (IPM) das bombas do Riocentro concluiu que o capitão e o sargento atingidos na explosão foram vítimas de um atentado terrorista. Os partidos de oposição ao regime militar rejeitaram as conclusões do IPM feito pelo Exército. O PMDB emitiu nota, dizendo que "a investigação não revelou a verdade". O PT, o PP e o PDT também protestaram. O relatório sustentava haver "grupos radicais interessados em comprometer ou atingir agentes ou órgãos de segurança" e mencionava a Vanguarda Popular Revolucionária, "grupo de esquerda que adota e admite ações violentas tais como os fatos ora em apuração".

Na véspera do 1º de maio duas bombas explodiram no Riocentro quando 18 mil jovens assistam a um show em homenagem ao Dia do Trabalhador, com a participação de vários cantores, promovido pelo Centro Brasil Democrático.

O primeiro artefato explodiu no pátio do estacionamento do Riocentro, no colo do sargento Guilherme Pereira do Rosário, que estava no banco do carona do Puma cinza metálico, dirigido pelo capitão Wilson Luiz Carlos Chaves Machado, chefe de Operações do Destacamento de Operações Internas (DOI), do 1º Exército. O sargento morreu na hora e o capitão ficou gravemente ferido. A segunda bomba, mais potente, explodiu 10 minutos depois na central de energia do Riocentro.

Segundo o encarregado pelo inquérito, coronel Job Lorena de Sant'Anna, "os militares, ao que tudo indica, teriam sido vítimas de uma armadilha ardilosamente colocada no carro do capitão". A divulgação do laudo foi feita para cerca de 60 jornalistas, que não puderam fazer perguntas nem receberam cópias do relatório. Por 10 votos contra 4, em outubro do mesmo ano, os ministros do Supremo Tribunal Militar (STM) decidiram arquivar o processo.

Até 1996 houve cinco tentativas frustradas de desarquivamento. Só em 1999 a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados conseguiu junto ao Ministério Público a reabertura das investigações. O novo laudo desmontou a versão inicial de que os militares estavam em uma missão de rotina, observando o show. Em maio de 2000, o STM arquivou definitivamente o processo, e o episódio ficou impune.

Atentados contra a democracia
As bombas do Riocentro foram o clímax de uma série de crimes ocorridos durante a abertura política. Nas 40 semanas que antecederam as explosões 36 atentados foram perpetrados contra entidades civis e órgãos de imprensa que se opunham ao regime militar. Esse número não engloba dezenas de bancas de jornais incendiadas no mesmo período. Um ataques dos mais graves foi o que matou Lida Monteiro da Silva, secretária da presidência da Ordem dos Advogados do Brasil dio Rio, e mutilou José Ribamar de Freitas, funcionário da Câmara Municipal.

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29 de junho de 1971 — A tragédia da Soyuz

Jornal do Brasil: A tragédia da Soyuz

Os cosmonautas Georgi Dobrovolski, Vladislav Volkov e Viktor Patsayev, que estavam em órbita da Terra na estação Salyut-1 por 42 dias, foram encontrados mortos nos assentos da cápsula Soyuz-11 pela equipe de resgate soviética. Os cosmonautas retornaram à Terra depois de terem cumprido todos os objetivos da missão. A Soyuz-11 desceu suavemente no local predeterminado, mas quando foi a escotilha da nave foi aberta os tripulantes estavam "sem sinal de vida".
As mortes foram provocadas por falha da válvula que deveria controlar a pressurização dentro da cabine durante a reentrada na atmosfera. Devido ao defeito todo o oxigênio do interior da nave escapou e os tripulantes foram asfixiados. Os cosmonautas haviam batido o recorde de permanência no espaço, que se manteve até a missão americana Skylab 2, em maio de 1973.

A partir de estudos realizados depois da tragédia os técnicos soviéticos concluíram que os astronautas deveriam usar trajes conectados a um sistema de emergência pronto para responder a uma perda de pressão durante a reentrada na atmosfera ou decolagem. A Soyuz foi redesenhada para transportar apenas dois cosmonautas. O espaço extra seria usado pela dupla para vestir os trajes espaciais.

O início do programa foi problemático. Os russos começaram a projetar a Soyuz depois do discurso do presidente John Kennedy, em 1961, anunciando que os americanos iam enviar homens à Lua antes do final da década. A ideia era derrotar os americanos e chegar à Lua em 1968. A primeira missão de teste seria realizada em abril de 1967.

Duas Soyuz seriam lançadas no intervalo de poucas horas. A Soyuz 1 levaria o cosmonauta Vladimir Komarov e a Soyuz 2 seria tripulada por Valery Kubasov, com mais dois tripulantes a bordo. A nave que subiu com Komarov não abriu um dos painéis solares e o sistema de orientação também apresentou defeitos.

O lançamento da Soyuz 2 então foi cancelado e os técnicos tentaram trazer de volta o cosmonauta. Entretanto o sensor de altitude falhou, o paraquedas principal não se abriu. Komarov morreu quando o paraquedas de reserva também falhou e a nave se espatifou no solo.

Marcos Pontes viajou na Soyuz
O primeiro astronauta brasileiro, Marcos Pontes, viajou a bordo da nave Soyuz em companhia do cosmonauta russo Pavel Vinogradov e do americano Jeffrey Williams, em março de 2006. A Soyuz de Marcos Pontes foi a última versão do mesmo modelo usado em 1967.

A missão da década de 60 fracassou, mas nave passou a ser o principal meio de transporte até a estação espacial internacional. A Soyuz decolou da base de Baikonur, no deserto do Cazaquistão, impulsionada por um foguete igual ao que lançou Iuri Gagarin, o primeiro homem a viajar para o espaço, em 1961.

O foguete, que lançou as Soyuz, tem um estágio superior mais comprido, e leva mais combustível do que o usado por Gagarin, já que a Vostok do primeiro cosmonauta só levava um tripulante, enquanto a Soyuz transportava três.

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28 de junho de 1930 — O novo Teatro João Caetano


Jornal do Brasil: Teatro joão Caetano

O teatro João Caetano foi reinaugurado em noite de gala com a peça Rose Marie, opereta encenada por uma companhia francesa. Rosie Marie é uma aventura policial com cenas de romance, cuja ação passa-se no Canadá.

A então prefeitura do Distrito Federal patrocinou o espetáculo, que ostentou figurino e cenário luxuosos. O novo prédio, em concreto armado no estilo art decó era bastante arrojado para a época.

O Teatro João Caetano foi construído em 1813, por dom João VI, para comemorar os 15 anos de dom Pedro I. Seu primeiro nome foi Real Theatro de São João. O primeiro espetáculo encenado no local foi O Julgamento de Nunes, com a presença de toda a família real.

Quando dom Pedro I assumiu o posto de príncipe regente jurou fidelidade à Constituição Portuguesa de uma das varandas do teatro. Nele foi promulgada em 1824, com a presença do imperador dom Pedro I e da imperatriz Leopoldina, a primeira Constituição brasileira. No momento da solenidade o teatro pegou fogo, e foi reinaugurado em 1826, com o nome de Teatro São Pedro de Alcântara.

Com a abdicação de dom Pedro I em 1831, o povo invadiu e depredou o teatro, exigindo a mudança de nome para Teatro Constitucional Fluminense. O prédio ficou sete anos fechado, foi leiloado pelo Banco do Brasil e reaberto em 1838, com o nome de Teatro São Pedro de Alcântara. Mais tarde foi arrendado ator e empresário João Caetano dos Santos.

Em 1851, o teatro pegou fogo mais uma vez. No ano seguinte, João Caetano deu início novamente à reconstrução. As portas da casa foram reabertas em 1855, porém em 1856 novo incêndio atingiu o edifício, que ficou reduzido a escombros. Reconstruído mais uma vez pelo tenaz João Caetano, foi reinaugurado em 1857.

Apogeu da casa de espetáculos
O então prefeito Prado Júnior mandou demolir o prédio, em 1929, para a construção de um novo, que recebeu o nome de João Caetano, em homenagem ao grande artista. Pelo palco do teatro passaram em 1885 as grandes atrizes Eleonora e Sarah Bernhard.
As primeiras montagens de musicais do país, My Fair Lady, em 1962, com Bibi Ferreira e Paulo Autran, e Hello Dolly, com a mesma dupla, em 1965, foram encenadas no João Caetano.
O teatro teve seu auge nos anos 70, quando Albino Pinheiro realizou o projeto Seis e Meia, que apresentava shows a preços populares na hora do rush.

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27 de junho de 1951 — Tentativas de paz na Coreia

Jornal do Brasil: Guerra da Coreia

As conversações de paz para a suspensão das hostilidades entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul começaram no fim de junho de 1951 e só foram concluídas em 1953. As origens do conflito remontam ao fim da Segunda Guerra, quando ficou estabelecido na Conferência de Potsdam que a península da Coreia seria dividida, na altura dos 38 graus de Latitude Norte, em duas zonas.
A do norte seria ocupada pelos soviéticos, e a do sul ficaria sob o controle americano. A zona soviética anunciou a sua independência como República Popular da Coreia em 1948. A partir daí a região ficou dividida em dois países diferentes e inimigos entre si.

Depois de várias tentativas de derrubar o governo do sul, em 1950 a Coréia do Norte atacou o Sul de surpresa e conseguiu tomar a capital Seul. A ONU condenou a invasão e enviou tropas, comandadas pelo general Douglas Mac Arthur, para ajudar a Coreia do Sul. Três meses depois do início dos conflitos os americanos recuperaram Seul. As forças internacionais continuaram a avançar e em outubro de 1950, ultrapassaram o paralelo 38.

A capital da Croreia do Norte, Piongiang, foi invadida e os americanos chegaram até a fronteira da Manchúria. A China enviou 300 mil homens para ajudar a Coreia do Norte, e evitar que o confronto chegasse ao seu território. Em fins de dezembro as tropas chinesas e da Coreia do Norte recapturaram Seul. Logo depois, entre fevereiro e março, um novo avanço dos americanos expulsou as forças chinesas e norte-coreanas, e as obrigou a retornar ao Paralelo 38º. O confronto entre a China e as forças internacionais destruiu a Coreia do Norte. Todo o auxílio enviado pela União Soviética foi interceptado pelas forças das Nações Unidas.

O povo coreano, que construiu uma das mais importantes culturas da Ásia, foi envolvido em uma batalha brutal. Aldeias e cidades sofreram o bombardeio sistemático com napalm. Milhares de prisioneiros foram amontoados em campos de concentração à espera de um armistício. Cerca de 3 milhões de civis norte coreanos e 500 mil sul coreanos foram mortos.

Acordo de paz não foi assinado
O general MacArthur foi substituído, em abril de 51, pelo general Ridway, porque insistia em um ataque direto à China, o que poderia provocar a Terceira Guerra Mundial.
O cessar-fogo foi assinado em Pamunjon, em 27 de julho de 53. A fronteira estabelecida em 1948 foi mantida, e foi criada uma região desmilitarizada entre as duas Coreias. Até hoje o tratado de paz não foi assinado, e a Coreia continua dividida em Norte e Sul.

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26 de junho de 1945 — Carta das Nações Unidas

Jornal do Brasil: Termina Conferência de São Francisco


Delegações de 50 países participaram da Conferência das Nações Unidos iniciada no dia 25 de abril em São Francisco, nos Estados Unidos. Nos 63 dias em que foi realizado o encontro 153 delegados debateram os termos e assinaram a Carta das Nações Unidas, na qual se comprometeram a manter a paz e a segurança internacional por meios pacíficos.

A carta estabeleceu um novo tribunal internacional para resolver litígios, mas deixou nas mãos dos 11 membros que compunham o Conselho de segurança, a imposição da paz. O documento concedeu autoridade aos Estados Unidos, União Soviética Grã-Bretanha, França e China, que têm assentos permanentes, de vetar qualquer assunto que fosse apresentado ao conselho.
O Brasil foi representado pelo chanceler Pedro Leão Veloso, que declarou no encerramento do encontro: "Depois de dois meses de trabalho árduo, oferecemos ao mundo a Carta das Nações Unidas, que deverá governar o seu destino. Quando chegamos aqui, a vitória embora próxima ainda não chegara de todo aos exércitos aliados na Europa. Tínhamos constantemente o pensamento no terrível e trágico espetáculo de destruição e morte em que nossa civilização estava sendo consumida."

O presidente dos Estados Unidos Harry Truman e os chanceleres da China, Rússia e Argentina e também discursaram no encerramento. Os países que convocaram a reunião foram os primeiros a assinar a carta. A Polônia acrescentou o seu nome mais tarde, elevando o total de signatários para 51.

O primeiro passo para a criação da Organização das Nações Unidas (ONU) foi dado pelos Estados Unidos, Grã-Bretanha, ex-União Soviética e China, em 14 de agosto de 1941, com a Carta do Atlântico, na qual os participantes assumiram o compromisso de lutar contra as potências do Eixo. A ideia de criar um organismo internacional que zelasse pela paz surgiu na conferência dos Aliados realizada em Moscou em 1943. A ONU foi fundada oficialmente em 24 de outubro de 1945, depois de a Carta aprovada na Conferência de São Francisco ter sido ratificada pelos membros de então.

Liga das Nações fracassou
A Liga das Nações também chamada de Sociedade das Nações foi o embrião da ONU. A Liga foi criada em 1919, em Versalhes, quando as potências vencedoras da Primeira Guerra se reuniram para negociar um acordo de paz. Na primeira parte do tratado, assinado em junho do mesmo ano por 44 países, constava a Carta, que estabelecia a Sociedade das Nações.

O Conselho da Liga reuniu-se pela primeira vez em 16 de janeiro de 1920, em Paris. A cidade de Genebra foi escolhida para ser a sede da organização. Em setembro de 1939, Adolf Hitler, desencadeou a Segunda Guerra e a Liga das Nações foi dissolvida.

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25 de junho de 1975 — Moçambique conquista a independência

Jornal do Brasil: Moçambique independente

Os 200 mil habitantes de Lourenço Marques, atual Maputo, festejaram durante dois dias nas ruas da capital a independência de Moçambique. Na cerimônia realizada no estádio de Machava, a nova bandeira do país foi içada na presença do presidente Samora Machel e dos quase mil convidados estrangeiros. O ato foi encerrado com um desfile militar das tropas da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo).

Moçambique foi a primeira colônia de Portugal. Em 1505 os portugueses já dominavam a região litorânea do país. Em 1951, em plena ditadura salazarista, a Constituição portuguesa converteu Moçambique e outras colônias em províncias ultramarinas.

Os funcionários governamentais civis e militares que se dirigiam para lá contavam os dias para voltar ao país de origem. A própria legislação portuguesa impedia que fábricas de maior porte fossem instaladas sem a autorização do governo de Lisboa. Até os preços dos alimentos e produtos industrializados eram determinados pela metrópole. Devido ao controle excessivo a economia moçambicana ficou dependente da agricultura e dos transportes já que as mercadorias de Zimbabwe e da África do Sul eram escoadas pelas ferrovias e portos do país.

A luta pela independência começou em 1964 com a criação da Frelimo, liderada por Eduardo Mondlane. O quartel-general da guerrilha foi instalado na Tanzânia. O ataque dos rebeldes ao posto administrativo de Chai, em Cabo Delgado, marcou o início da guerra.

O conflito com as forças coloniais se expandiu para outras províncias como Niassa e Tete. Rapidamente, a Frelimo ocupou todo o norte de Moçambique. Mondlane foi assassinado no exílio em 1969. A guerra durou 10 anos.
A substituição de Salazar por Marcelo Caetano no governo português acelerou a vitória dos guerrilheiros. Com a Revolução dos Cravos (1975) em Portugal, o governo provisório cumpriu a promessa de libertar as colônias.

Guerra civil durou 16 anos
A assinatura dos Acordos de Lusaka, em setembro de 1974, pôs fim à guerra. Em seguida foi estabelecido um governo provisório composto por representantes da Frelimo e do governo português até a proclamação oficial de independência.

Depois de explorar o país durante 270 anos, as empresas e bancos levaram todo o dinheiro para Portugal, abrindo um rombo na economia de Moçambique. A população era composta de 90% de analfabetos e não havia mão-de-obra preparada para ocupar os postos de trabalho abandonados pelo colonizador. Rivalidades étnicas, políticas e econômicas fizeram eclodir a guerra civil, que durou 16 anos.


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24 de junho de 1966 — Rebelião dos Marinheiros


Jornal do Brasil: Rebelião dos marinehiros

Os 283 marinheiros e fuzileiros navais que participaram de uma rebelião no dia 23 de março de 1964 foram condenados a um total de 1.280 anos e 5 meses de prisão. A pena maior, de 10 anos e 8 meses, coube ao líder da revolta, José Anselmo dos Santos, o "cabo Anselmo", que mais tarde se colocaria a serviço da ditadura militar.

Poucos dias antes do golpe que derrubou o presidente João Goulart cerca de 2 mil marinheiros e fuzileiros se reuniram na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio para comemorar o segundo aniversário da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais, entidade considerada ilegal. Compareceram aos festejos sindicalistas e líderes estudantis, além do deputado Leonel Brizola e de João Cândido, líder da Revolta dos Marinheiros de 1910.

O então ministro da Marinha, Sílvio Mota mandou prender os organizadores do movimento. Os marujos resistiram à ordem de prisão. Durante o encontro, os marinheiros reivindicaram o reconhecimento de sua associação, a melhoria da alimentação a bordo dos navios e nos quartéis e a reformulação do regulamento disciplinar da Marinha. Finalmente, exigiram que os que estavam ali não fossem punidos. Para pressionar o comando da Marinha a rever as punições aplicadas contra 12 dirigentes da associação, a entidade resolveu transformar a comemoração em assembléia permanente.

Os fuzileiros que foram enviados para acabar com o protesto, apoiados pelo contra-almirante Cândido Aragão, em vez de prender os marinheiros, juntaram-se aos revoltosos e permaneceram na sede do sindicato. João Goulart, por sua vez, proibiu que as tropas invadissem o local. A atitude de Goulart provocou o pedido de demissão de Sílvio Mota, que foi substituído pelo almirante Paulo Mário Rodrigues.

O ministro do Trabalho Amauri Silva conseguiu um acordo com os marinheiros, que abandonaram o prédio do sindicato, e foram em seguida presos e conduzidos a um quartel em São Cristóvão.

Os revoltosos foram anistiados por João Goulart horas depois de serem presos. O fato abalou ainda mais as relações do presidente com as Forças Armadas e aprofundou a crise na área militar.

Cabo Anselmo trai companheiros
O cabo Anselmo foi preso logo depois do golpe de militar, mas conseguiu escapar da cadeia, exilando-se no Uruguai e depois em Cuba. Em 1970 retornou clandestinamente ao país e foi novamente preso. Na prisão, traiu os companheiros e passou a trabalhar para a ditadura como agente infiltrado. Anselmo foi o responsável pela prisão e morte de vários militantes que combatiam o regime militar.

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23 de junho de 1978 — Julgamento das Brigadas Vermelhas

Jornal do Brasil: Terroristas condenados

A Corte de Turim condenou 29 terroristas das Brigadas Vermelhas, absolveu 16 e ordenou a inclusão de Fabrizio Pelli, suspeito de integrar o grupo, em um outro processo que tramita em Milão. O julgamento dos 46 acusados de participação direta ou cumplicidade com o grupo durou 100 horas e foi realizado a portas fechadas no tribunal montado no quartel de La Marmora.
A leitura emocionada da sentença, feita pelo presidente do Tribunal, Guido Barbaro, durou 15 minutos.

A soma de todas as condenações chegou a 210 anos. As maiores penas foram aprovadas contra Renato Cursio e Pietro Bassi, cada um deles condenado a 15 anos. Prevaleceu a orientação de não permitir que o processo de Turim se transformasse em um processo político. Desde o início do julgamento 10 pessoas foram assassinadas por companheiros dos terroristas julgados em Turim.

O crime mais conhecido praticado pelos brigadistas foi o sequestro seguido de assassinato do presidente do partido Democrata Cristão, Aldo Moro, em 1978. Cinco guarda-costas de Moro foram mortos durante a ação. Os sequestradores exigiam a libertação de 14 integrantes do grupo, que estavam sendo julgados em Turim. O corpo de Moro foi encontrado com vários tiros na mala de um carro depois de 55 dias em cativeiro.

O líder democrata cristão era um negociador hábil e apoiava um governo de coalizão entre o seu partido e o Partido Comunista.
O assassinato chocou o país e desencadeou uma caça aos terroristas, com a colaboração dos partidos políticos, dos sindicatos e da sociedade civil italiana. Mais de 50 mil homens das três forças policiais da Itália uniram-se para caçar os sequestradores.

Primeiros ataques foram contra fábricas
As Brigadas Vermelhas surgiram em Milão, em 1969, do encontro de ex-militantes do Partido Comunista Italiano, dirigentes sindicais e estudantis, alguns vindos de meios católicos. O grupo Brigadas apresentava-se como uma rede político-militar cujo objetivo era responder com violência à opressão exercida pelo governo sobre os operários.

Os primeiros ataques dos brigadistas foram contra empresas. Os brigadistas empregavam-se como operários das fábricas para sabotar a produção industrial. Essas iniciativas evoluíram para sequestros de altos dirigentes, como o diretor da Fiat, em Turim, e o juiz Maro Sossi.

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22 de junho de 1973 — A primeira missão tripulada da Skylab

Jornal do Brasil: Skylab

Os astronautas Charles Conrad, Joseph Kerwin e Paul Weitz regressaram à Terra depois de permanecerem por 28 dias em órbita a bordo da estação espacial Skylab. Os astronautas conseguiram as primeiras fotos de uma erupção solar tiradas do espaço, e consertaram o painel solar que estava bloqueado, o que vinha prejudicando o funcionamento da estação espacial desde que esta foi lançada em maio. A manobra arriscada foi realizada do lado de fora da nave.

Os astronautas consertaram a capa de isolamento térmico da nave, que também foi danificada durante o lançamento. O defeito elevava a temperatura em alguns pontos do interior da estação espacial para 50 graus centígrados. Depois dos reparos a temperatura na nave ficou reduzida uniformemente para 25 graus. No total foram tiradas 20 mil fotos da Terra e 30 mil do Sol, além do que foram fotografadas constelações e grupos de galáxias vizinhas à Via Láctea.

O laboratório espacial americano Skylab foi lançado em maio de 1973, numa missão não tripulada, por um foguete Saturn 5, o mesmo que levou o homem à Lua. O Skylab pesava 90 toneladas e foi lançado pronto, ao contrário das estações espaciais Salyut e Mir, que eram constituídas de módulos que eram montados gradativamente. Os astronautas foram transportados até a estação a bordo de módulos de comando Apolo.

O objetivo das missões Skylab 2, 3 e 4 era provar que seres humanos poderiam viver e trabalhar no espaço por longos períodos de tempo, e simultaneamente expandir os conhecimentos de astronomia. Depois de Conrad, Kervin e Weitz outras duas tripulações estiveram na estação espacial. A missão Skylab 3, com Alan Bean, Owen Garriott e Jack Lousma, durou 59 dias. Gerald Carr, Edward Gibson e William Pogue foram os tripulantes da última missão, a Skylab 4, e permaneceram 84 dias no espaço.

A Skylab 4 esteve em órbita na mesma época que a Soyuz 13, mas não houve nenhum tipo de contato entre as duas tripulações.

Em 171 dias foram realizadas cerca de 300 experiências científicas e tecnológicas, envolvendo a adaptação do ser humano à gravidade zero, observações solares e de recursos naturais da Terra. Os astronautas podiam se movimentar em um ambiente com 36 metros de comprimento por 7 metros de diâmetro, dividido em cinco seções.

Esperava-se que o Skylab permanecesse em órbita por pelo menos 10 anos, mas em 1977 uma atividade solar intensa afetou a sua órbita e forçou a queda. No dia 11 de julho de 1979 a estação foi destruída na reentrada da atmosfera terrestre devido ao calor gerado pela fricção. Alguns fragmentos caíram no Oceano Índico e na costa oeste da Austrália. Depois da Skylab apenas a missão Apolo-Soyuz utilizou naves do programa Apolo.

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21 de junho de 1945 — Americanos ocupam Okinawa

Jornal do Brasil: Batalha de Okinawa

O almirante americano Chester Nimitz anunciou a conquista de Okinawa, com o fim da resistência das tropas japonesas na ilha. A mais sangrenta e feroz batalha aeronaval da Segunda Guerra durou 82 dias.

A partir da base instalada em Okinawa, no arquipélago de Ryukyu, a 1.500 quilômetros de Tóquio, os Aliados puderam iniciar os ataques às regiões metropolitanas do Japão. Os japoneses entretanto não admitiram a derrota. A rádio de Tóquio informou que soldados japoneses continuaram a lutar.

Durante os sete dias que antecederam a invasão a ilha foi submetida a um bombardeio intenso. A Batalha de Okinawa começou no dia 1º de abril quando as tropas comandadas pelo general Simon Bolivar Buckner, morto em combate, desembarcaram na costa ocidental da ilha, sem sofrer qualquer oposição por parte dos japoneses. A reação veio poucos dias depois, com o avanço dos soldados americanos para a região montanhosa ao sul, onde os japoneses haviam formado uma poderosa linha de defesa.

O general Mitsuru Ushijima distribuiu suas tropas pelas cavernas e posicionou metralhadoras, morteiros e canhões na encosta das montanhas. Os abrigos construídos no terreno íngreme eram completados por fortins e casamatas, além de trincheiras, que reforçavam as defesas e ligavam os vários pontos protegidos por campos de minas e redes de arame farpado.

A parte sul de Okinawa tornou-se uma fortaleza, abastecida de munição e equipada com artilharia pesada e plataformas lança-foguetes de grande calibre que projetavam bombas de aviação. Os soldados japoneses só poderiam ser desalojados dali pelo fogo direto e a conquista do território teria de ser feita palmo a palmo.


Suicídio em massa de civis
Depois de intensos combates, os americanos conseguiram tomar o aeroporto de Kadena, que atualmente é uma base militar americana.

Okinawa, ao contrário da ilha de Iwo Jima, onde não existiam civis, era densamente povoada, principalmente na região sul. Cerca de 130 mil japoneses, incluindo moradores da ilha morreram durante a batalha. Os americanos sofreram 79 mil baixas nas operações terrestres, marítimas e aéreas. Nos últimos dias do confronto ocorreram suicídios em massa. O general Ushijima e seus oficiais se mataram quando a derrota foi anunciada.

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20 de junho de 1966 — A Fifa e a Copa Jules Rimet

Jornal do Brasil: Histórias da Copa

A Copa do Mundo de Futebol foi criada em 1928 pelo francês Jules Rimet, que deu nome ao troféu, depois que este assumiu o comando da Federation International Football Association (Fifa).

A ideia de realizar um torneio mundial de futebol surgiu em 1898, quando as partidas internacionais eram frequentes na Europa. Segundo o artigo publicado no Jornal do Brasil por Moacir Japiassu, a correspondência trocada pelos dirigentes de clubes para fixar datas e locais de jogos serviu de entendimento inicial para o surgimento anos mais tarde da Copa Jules Rimet.

O primeiro regulamento foi aprovado em 1905, um ano depois da criação da Fifa. No entanto ainda não era um campeonato entre seleções nacionais, mas sim um torneio entre clube campeões. Nessa época muitos países já haviam se filiado à Federação. As sete associações fundadoras foram a Espanha, França, Suíça, Bélgica, Dinamarca, Holanda e Suécia. Áustria, Alemanha, Itália, Inglaterra e Hungria uniram-se àquele grupo antes da realização do congresso, em Paris, que aprovou a fundação da federação.

O número de países envolvidos era suficiente para realizar o primeiro torneio em 1906, mas nenhum time se inscreveu e a copa fracassou.
Em 1914, com a deflagração da Primeira guerra, o futebol foi esquecido. Durante quatro anos só os países neutros disputavam algumas partidas esporádicas entre si. Com o fim do conflito os líderes do futebol europeu voltaram a se reunir, e a ideia da copa ganhou força. Contudo nada poderia ser feito antes do fim dos Jogos Olímpicos em Paris, em 1924. A final do torneio foi disputada entre a Suíça e o Uruguai. Os uruguaios venceram, com um futebol que chamou a atenção da Europa para a América do Sul, até então desconhecida em matéria de futebol.

Copa na América do Sul
Jules Rimet, presidente da Fifa, percebeu durante os Jogos Olímpicos de 1924 que poderia promover no Uruguai a primeira Copa do Mundo. Em 1925, em Genebra, Jules Rimet encontrou-se com o diplomata uruguaio Enrique Buero, um apaixonado por futebol. Buero garantiu que se empenharia para que a disputa fosse realizada no Uruguai, e que o seu país promoveria a festa e pagaria todas as despesas dos participantes. E assim aconteceu. A primeira Copa teve a participação de apenas 16 seleções, que foram convidadas pela Fifa, sem disputa de eliminatórias, como acontece atualmente. A seleção uruguaia foi a campeã e ficou com a taça Jules Rimet por quatro anos.

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19 de junho de 1965 — Golpe derruba presidente da Argélia

Jornal do Brasil: golpe na Argélia


Ao receber um jornalista egípcio em abril de 1963, o então presidente da Argélia, Ahmed Ben Bella, apresentou-lhe o coronel Houari Boumedienne e disse: "Aqui está o homem que prepara complôs contra mim". E dirigindo-se a Boumedienne perguntou-lhe como iam as coisas. "Muito bem, obrigado", respondeu o coronel constrangido.

Dois anos depois, um conselho revolucionário chefiado por Boumedienne, vice-primeiro-ministro e ministro da defesa, derrubou Ben Bella em um golpe militar. O ex-presidente foi preso, acusado de traição e despotismo. Em comunicado transmitido pela Rádio Argel, o Conselho Revolucionário chamou Ben Bella de "charlatão, aventureiro, opressor do povo" e o acusou "de ter empobrecido a economia do país com o seu governo personalista".

A declaração indicou que um dos motivos para o golpe fora a convocação da Conferência Afro-Asiática, que seria realizada naquele ano em Argel. A URSS não fora convidada por pressão da China.

Ben Bella foi o primeiro-ministro do governo de transição estabelecido ao final da guerra de independência, e foi eleito primeiro presidente do país. No seu governo, nacionalizou empresas petrolíferas francesas, distribuiu terras e propriedades abandonadas pelos ex-colonos franceses e adotou uma política externa pró-soviética. Com o golpe, Ben Bella cumpriu prisão domiciliar até 1979, e no ano seguinte exilou-se na Suíça.

Boumedienne também participou da luta pela independência do país. O golpe surpreendeu observadores internacionais em um momento em que a Argélia parecia ter encontrado um equilíbrio entre o poder civil e o militar.

O ano de 1965 anunciava-se promissor, depois do fim dos conflitos na fronteira com o Marrocos. Ben Bella havia libertado prisioneiros políticos e preparava-se para assinar um contrato petrolífero importante com a França. Boumedienne morreu em 1978, e Chadli Bendjedid assumiu a presidência e aproximou-se da França e dos Estados Unidos.

Passado heróico na FLN

Ben Bella participou da luta pela independência da Argélia e foi preso duas vezes, sendo que da última vez permaneceu na prisão por seis anos. Ben Bella só foi libertado depois da assinatura do Acordo de Evian, pelo qual a França reconheceu a independência da Argélia.

O presidente deposto havia lutado no Exército Francês durante a Segunda Guerra. Mais tarde assumiu papel destacado no grupo que deu origem à Frente de Liberação Nacional (FLN). Ben Bella transformou um punhado de argelinos em guerrilheiros treinados, que lutaram durante sete anos contra um exército de meio milhão de soldados.

Um milhão de argelinos e 20 mil franceses morreram na guerra de libertação. Com a independência, um milhão de colonos franceses retornaram ao seu pais de origem.

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18 de junho de 1953 — Egito proclama a República

Jornal do Brasil: Egito


O general Mohammed Nagib proclamou a República do Egito depois de dar um golpe militar e destronar o rei Faruk. Um ano antes os chamados "oficiais livres" tomaram o poder e condenaram o monarca ao exílio na Itália. Faruk foi proibido de retornar ao país mas a monarquia não foi extinta. Uma junta foi designada para assumir o papel do rei, e o governo do país passou às mãos dos golpistas, que havia anos tramavam a liberação do Egito da tutela britânica e do domínio da aristocracia.

O grande desafio para o movimento foi a fundação de Israel, em 1948. A criação do Estado judaico foi considerado uma manobra dos países colonizadores para garantir a continuidade da influência no Oriente Médio. A derrota dos países árabes na primeira guerra contra Israel provocou um grande abalo no regime monárquico. Os opositores acusaram o rei de corrupção ao adquirir armas ineficazes, que teriam contribuído para a derrota do Egito, e usaram esse argumento para fazer a revolução em 1952.

A Sociedade dos Oficiais Livres, que tramou o golpe, era formada por socialistas, nacionalistas e por membros da organização islâmica Irmãos Muçulmanos. O líder do movimento era Gamal Abdel Nasser, que depois de se formar na Academia Militar, fundada pelos ingleses, começou a recrutar forças revolucionárias entre seus correligionários, para lutar contra o regime.
Logo depois da proclamação da república surgiram conflitos entre os militares no poder.
Nagib era contrário ao afastamento dos civis do governo e alertava quanto ao perigo de uma ditadura militar.

As tensões entre Nagib e Nasser aumentaram até que eclodiu um conflito entre as duas correntes, e Nasser saiu vitorioso. Nagib foi condenado à prisão domiciliar perpétua.

Defesa da unidade árabe
Nasser assumiu o controle do estado, instaurou uma censura rigorosa, aboliu os partidos políticos e aproximou-se da União Soviética. Nasser nacionalizou a empresa que controlava o Canal de Suez Em resposta a Grã-Bretanha, França e Israel invadiram o país. No mês seguinte foi assinado o cessar-fogo e as tropas invasoras se retiraram.

O general seguiu uma política de solidariedade com outras nações africanas e asiáticas do Terceiro Mundo e defendeu a unidade árabe.
O general morreu em 1970, três anos depois da Guerra dos Seis Dias, na qual Israel ocupou toda a península do Sinai. O general foi sucedido por Anwar Sadat.

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17 de junho de 1944 — A Batalha de Saipan

Jornal Brasil: Batalha aeronaval no Pacífico

As forças americanas desembarcaram na ilha de Saipan, uma das três grandes ilhas do conjunto das Marianas, no Pacífico, então ocupada por tropas japonesas sob o comando do general Yoshitsugu Saito. Uma semana antes da invasão aviões americanos da força de combate dos porta-aviões atacaram uma poderosa frota japonesa a 850 milhas da ilha.

Em entrevista coletiva em Pearl Harbor, o almirante Chester Nimitz, comandante em chefe da esquadra americana do Pacífico, explicou que pela extrema importância do arquipélago para a defesa das linhas vitais do Japão, do litoral da China, e das Filipinas, o comando japonês vinha se esforçando ao máximo para manter o controle sobre esse território.

Em Saipan ocorreu uma das batalhas decisivas para a vitória dos aliados na Segunda Guerra. Na ilha não havia meios de os japoneses receberem reforço militar, mantimentos, munição ou tratar feridos.

O general Saito resolveu defender a ilha até o último homem. Distribuiu suas tropas pelas crateras vulcânicas do interior da ilha e pelo terreno montanhoso ao redor do Monte Tapotchau, as quais se escondiam durante o dia e realizavam ataques localizados durante a noite. Os americanos só conseguiram destruir a resistência das cavernas com lança-chamas e artilharia pesada.

Depois de três semanas de confrontos o comandante japonês ordenou um ataque suicida do qual participaram civis japoneses da ilha armados com bambus afiados e soldados, muitos apoiados por muletas, contra dois batalhões de fuzileiros navais. Os americanos anunciaram a vitória sobre os japoneses no dia 9 de julho.

O general Saito e seus oficiais cometeram suicídio numa caverna. Em outros pontos da ilha soldados e civis repetiram o mesmo gesto. Um capitão e 40 soldados esconderam-se nas montanhas, rendendo-se apenas em 1º de dezembro de 1945, meses após o final da guerra.

Base para bombardear o Japão

Nos combates morreram 22 mil civis e 30 mil soldados japoneses. Os americanos sofreram 14 mil baixas entre mortos, feridos e desaparecidos, de um total de 71 mil homens que desembarcaram na ilha. Devido à derrota o primeiro-ministro japonês Hideki Tojo renunciou com todo o seu gabinete.

Saipan foi uma importante base da aviação americana para as operações posteriores nas ilhas Marianas e para a invasão das Filipinas em outubro de 1944, além de servir de base para os aviões bombardeiros que atacaram metrópoles japonesas nos meses finais da guerra.

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16 de junho de 1963 — Valentina é a primeira cosmonauta

jornal do brasil: Primeira mulher a viajar para o espaço

A primeira mulher a viajar para o espaço foi a russa Valentina Tereshkova. A Vostok 6, pilotada pela cosmonauta, encontrou-se no espaço com a Vostok 5, comandada por Valery Bykovsky, que já estava em órbita havia dois dias.

A missão quase se transformou em tragédia devido a uma falha no programa de voo que levava o aparelho, a cada volta, a se distanciar da Terra em vez de se aproximar. Quando os técnicos do Centro de Controle de Voos de Moscou tentavam corrigir as órbitas as duas cosmonaves começaram a perder altura, mas ao final os problemas foram sanados.
A televisão soviética mostrou imagens claras de Valentina e Valery tomadas do interior das duas naves. Valentina apresentava sinais de cansaço depois de 28 horas de voo em uma cápsula na qual mal podia se movimentar.

Os dois pilotos conseguiram aproximar as Vostok a uma distância de 5 quilômetros uma da outra, no momento em que realizaram sua primeira volta simultânea em torno da Terra. Os cosmonautas trocaram saudações e conversaram via rádio. No voo anterior de Nicolayev e Popovich as duas naves chegaram a uma distância de pouco mais de 6 quilômetros.

A primeira mulher a viajar para o espaço completou 48 órbitas ao redor do nosso planeta em 71 horas de voo. A missão foi bem sucedida, e a cosmonauta recebeu as principais condecorações da União Soviética e foi homenageada em todo o mundo. Em 2002 foi dado o seu nome a uma cratera da Lua com cerca de 31 km de diâmetro.

Valentina casou-se um ano depois de viajar ao espaço com o cosmonauta Andrian Nikolayev e tiveram uma filha, a primeira criança nascida de um casal de cosmonautas, que [[por sua avez]] lhe deu dois netos. Valentina divorciou-se em 1982 e casou-se de novo, com Yuli Shaposhnikov, que morreu em 1999.

Valentina foi treinada por Yuri Gagarin
A cosmonauta foi o sexto soviético a cumprir uma missão espacial. Valentina nasceu na Rússia em 1937. Começou a trabalhar aos 18 anos em uma fábrica de tecidos e ingressou, na mesma época, num clube de pára-quedismo amador.

Em 1961, depois do anúncio feito por Sergei Korolev, diretor do programa espacial soviético, de que considerava a hipótese de enviar uma mulher ao espaço, começou a estudar para se tornar cosmonauta. Em 1962 foi admitida no programa com outras quatro mulheres selecionadas a partir de 400 candidatas.

O instrutor foi Yuri Gagarin, o primeiro homem a alcançar o espaço, em 1961. Gagarin havia sido piloto das Forças Armadas e, a bordo de uma nave Vostok, orbitou a Terra e proferiu a famosa frase "A Terra é azul", e retornou em segurança ao nosso planeta. O cosmonauta morreu em 1968, num acidente durante um teste de pilotagem.

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15 de junho de 1953 — Demolição do bairro da Misericórdia

Jornal do Brasil : Rio Colonial

O bairro da Misericórdia, o primeiro local da cidade ocupado depois do Morro do Castelo, foi totalmente destruído na década de 50. O emaranhado de becos e vielas do antigo bairro foi abandonado pela população por volta de 1848 devido a uma epidemia de febre amarela, mas resistiu à ação demolidora de diversos prefeitos, como Pereira Passos.

Desde o século 17 circulavam no local marinheiros das mais diversas nacionalidades. Nas tabernas, ouvia-se o fado tocado nas violas e guitarras, e as primeiras modinhas brasileiras. Em 1848 aportou um navio cubano com um carregamento de escravos que fora rejeitado pelas Antilhas. Os negros, amarrados em paus, começaram a desembarcar chorando. Iam ser vendidos nos armazéns e mercados da Rua do Ouvidor. De repente o francês que apregoava as peças desmaiou. O marinheiro inglês que veio socorrê-lo, tombou com os mesmo sintomas. Os médicos das Faculdades de Medicina do Rio e da Bahia diagnosticaram febre da Antilhas ou febre amarela. Os moradores foram desalojados e a bandeira da peste negra foi hasteada no porto.

As velhas paredes dos casarões do bairro então abandonado tinham sido testemunhas dos escândalos dos vice-reis, da grande novidade da chegada da família real, com o seu exército de "sanguessugas" e uma rainha louca. Lá o povo assistiu o "Dia do Fico", de dom Pedro I e o anúncio da maioridade de dom Pedro II. O Beco do Teatro abrigava o elegante Teatro São Januário e no Beco da Música realizava-se memoráveis saraus e bailes com a orquestra filarmônica, iluminados por numerosas velas de sebo.

Lá também dom Pedro I era visto em companhia de suas amantes disfarçado de nobre da corte. Mais além, havia o Beco da Fidalga onde morrera uma das damas de honra da imperatriz Carlota Joaquina, e a travessa Costa Velho, que se estendia até a Rua da Misericórdia.

Também por essas ruas passaram as procissões da Misericórdia, com o povo que ia assistir às execuções. Tiradentes ao sair da cadeia, que ficava no bairro, rezou, olhando a Igreja de São José. O tráfego de liteiras carregadas por escravos com argolas de ouro nas orelhas, e das carruagens em direção ao palácio das Laranjeiras era intenso.

Restos do passado no Centro

Do antigo bairro só restou o Largo da Misericórdia, nos fundos do Museu Histórico Nacional (antigo Arsenal de Guerra) e da Santa Casa, onde fica a mais antiga igreja existente no Rio, a de Nossa Senhora de Bonsucesso. Do outro lado a Rua Dom Manuel ainda sobrevive o antigo prédio da Caixa Econômica, hoje ocupado pela Procuradoria Geral do Estado. Onde havia a Rua da Misericórdia, foi aberta a Praça do Expedicionário, que está abandonada, e parte do Tribunal de Justiça. No lugar do antigo Regimento do Moura está o Museu da Imagem e do Som.

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14 de junho de 1986 — Os labirintos de Borges

Jornal do Brasil: Escritor morreu de câncer, aos 85 anos

O escritor Jorge Luís Borges viveu os últimos aos da sua vida praticamente cego. Borges fora afetado, como o seu pai, por uma cegueira progressiva a partir da década de 50 e ditava seus textos para a sua secretária particular Maria Kodama, com a qual se casou um mês antes de morrer. Nesse período escreveu A cifra (1981), Atlas (1984) e Os conjurados (1985), sua última obra, e também o ensaio Outras inquisições (1952), assim como os contos que estão no O livro de areia (1975).

Borges foi o precursor do realismo fantástico ao lado de Miguel Angel Astúrias, corrente literária a que pertencem quase todos os maiores autores de ficção latino-americanos do século 20, como Júlio Cortázar, Ernesto Sábato e Gabriel Garcia Marquez.

Em entrevista concedida em 1984 no Rio, o escritor explicou como driblava a cegueira: "É muito simples. Eu fico sozinho a maior parte do dia, já que na minha idade os amigos são poucos. E fico pensando, planejando. Planejando contos, poemas, ensaios. Por exemplo, escrevo um poema, digamos um soneto, o que resulta mais fácil porque as rimas ajudam a memorizar. Em seguida começo a polir mentalmente, vou ensaiando variações e, quando o dito à minha secretária, ele já está mais ou menos definitivo."

Entre seus contos mais conhecidos estão A Biblioteca de Babel; O Jardim das Veredas que se Bifurcam; Pierre Menard - autor do Quixote; e Funes, o Memorioso, todos do livro Ficções (1944) além de O Zahir, A Escrita do Deus e O Aleph (1949).
Borges nasceu em Buenos Aires. Aprendeu a ler em inglês antes que em castelhano, por influência de sua avó materna de origem inglesa. Aos 6 anos disse ao seu pai que queria ser escritor, e aos 7 escreveu, em inglês, um resumo da literatura clássica grega. Aos 8, inspirado num episódio do Dom Quixote, fez seu primeiro conto, La Visera Fatal. Aos 9 anos, traduziu para o espanhol O Príncipe Feliz, de Oscar Wilde.
Borges não ganhou o tão cobiçado Prêmio Nobel de Literatura e certa vez comentou sobre o assunto: "Para que me serve esse prêmio senão por um pecado de vaidade".

O mesmo de sempre, aos 85
Em 1914, foi morar com a família na Europa em busca da cura da cegueira do pai e só retornou a Buenos Aires em 1921. Nessa fase escreveu vários contos e resenhas. Dois anos depois de voltar à terra natal publicou Fervor em Buenos Aires. Em 1925 foi consagrado como líder da vanguarda literária argentina.

Borges confessou na mesma entrevista que concedeu no Rio, que se considerava essencialmente o mesmo de sempre ao longo dos seus 85 anos: "Em essência, continuo a ser o mesmo. Minhas primeiras lembranças são as da biblioteca do meu pai. E o que lia? Lia As mil e uma noites, lia Wells, Stevenson, lia Kliping, lia Don Quijote. Em suma, os meus personagens fundamentais eram os mesmos de agora. Os anos me ensinaram a conhecer meus limites. Na minha idade, a gente afinal consegue saber quem é".

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13 de junho de 1998 — O visionário Lucio Costa

Jornal do Brasil: morte de Lucio Costa

Poucas coisas irritavam mais o urbanista Lucio Costa que a versão de que o projeto de Brasília tinha sido inspirado na forma de um avião. "É uma analogia aceitável, mas seria o cúmulo do ridículo planejar uma cidade parecida com um avião. Assim ela se parece com uma cruz, libélula, nave espacial ou um arco e flecha. Cada um enxerga aquilo que quer", dizia.

O arquiteto Lucio Costa nasceu em Toulon, na França, em 1902. Os pais estavam na Europa a serviço. Em 1917 veio para o Brasil, e matriculou-se em 1922 no curso de arquitetura da Escola Nacional de Belas Artes. Em 1931 era diretor da Escola.

Na época em que era coordenador do grupo de arquitetos responsável pela elaboração do projeto do prédio do Ministério da Educação pediu, pessoalmente, ao então presidente Getúlio Vargas a vinda do famoso arquiteto Le Corbusier para avaliar o trabalho.

Nos últimos anos poucos eventos ou pessoas conseguiam tirá-lo do seu apartamento no Leblon, na Zona Sul do Rio, onde vivia há 40 anos cercado das filhas, netas e bisnetas, sustentado por sua aposentadoria de R$ 1,4 mil de ex-funcionário público.

O urbanista não escondia sua mágoa com a demolição de várias casas que projetou no Rio, e com a ocupação desordenada e o desrespeito ao plano-piloto da Barra da Tijuca, que lhe fora encomendado pelo então governador Negrão de Lima. Criticava os prédios enormes e os apartamentos diminutos do bairro, fruto da ganância imobiliária.

Em 1960 recebeu o título de doutor honoris causa pela Universidade de Harvard, e o prêmio Calouste Gulbenkian; foi também agraciado pelo governo francês com a Legião de Honra no grau de Commandeur. Lucio Costa recebeu um convite da família Kennedy para debater o projeto de construção de uma biblioteca em memória de John Kennedy e ainda assinou projetos na Nigéria e na Suíça.

Como arquiteto e urbanista foi autor dos edifícios do Parque Guinle e da residência Hungria Machado, no Rio, e da urbanização da Barra da Tijuca, da Baixada de Jacarepaguá, e do Plano Piloto de Brasília, sua criação mundialmente admirada.

Parceria com Oscar Niemeyer
As convicções políticas diferentes nunca impossibilitaram a parceria com Oscar Niemeyer. A militância comunista do amigo, era, segundo Lucio Costa, um dado de sua bem-sucedida trajetória: "Isso aumentava as encomendas. Nossa burguesia adora ter sua cobertura projetada por um comunista".

O urbanista estava no exterior quando decidiu participar do concurso para a construção da nova capital do Brasil. ''Eu estava voltando dos Estados Unidos. Durante a viagem comecei a me interessar pelo projeto de criar uma cidade nova - uma capital. Muita gente criticava ferozmente, diziam que era um gasto inútil, não gostavam do nome. Tinha gente que dizia que Brasília era nome de cozinheira'', recorda.



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12 de junho de 1990 — Rússia proclama soberania

Jornal do Brasil: Rússia proclama soberania

O parlamento da República Russa, por 907 votos contra 13 e 9 abstinências, aprovou a supremacia das leis locais sobre a legislação em vigor na União Soviética. Essa declaração de soberania representou a opção pelo confronto com o governo central, e foi um dos maiores desafios enfrentados pelo então presidente da URSS, Mikahil Gorbachev.

O apoio esmagador à declaração de soberania foi uma vitória para o então recém-eleito presidente da República Russa Boris Yeltsin, rival de Gorbachev e crítico do programa de reformas políticas e econômicas adotadas pelo dirigente do Kremlin. Em fevereiro do mesmo ano, uma nova legislação partidária permitiu a organização de partidos políticos na Rússia, pondo fim à hegemonia do Partido Comunista que vigorava desde a Revolução de 1917.

"O dia 12 de junho será o dia da independência da Rússia, comentou Yeltsin, que fora eleito presidente do Soviete Supremo três meses antes, e adepto da aceleração das reformas do regime. Yeltsin havia sido prefeito de Moscou e era figura influente do Partido Comunista.
A declaração de soberania acabou por esvaziar a autoridade de Gorbachev.

Esse foi o primeiro passo para a desintegração da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, uma vez que estimulava a autonomia das demais repúblicas, principalmente das repúblicas bálticas da Letônia, Estônia e Lituânia. A partir daí grupos nacionalistas e movimentos separatistas intensificaram a atuação em outras repúblicas da URSS, e as explosões de violência étnica se tornaram cada vez mais frequentes.

A URSS se negou a intervir nos movimentos políticos do Leste Europeu, os quais colocaram fim nos governos comunistas da Polônia, Hungria e Tchecoslováquia, e culminaram com a reunificação da Alemanha. O Comecon e o Pacto de Varsóvia, respectivamente tratado de cooperação e de defesa militar, foram dissolvidos.

Renúncia de Gorbachev
Em agosto de 1991 a ala ortodoxa comunista ensaiou um golpe de estado e tentou reinstaurar o controle centralizado na União Soviética, mas Boris Yeltsin conseguiu deter o golpe.
Para evitar o caos o Congresso dos Deputados do Povo concordou em estabelecer um governo provisório, liderado por Gorbachev e composto pelos presidentes das repúblicas soviéticas.

Em 21 de dezembro de 1991, a URSS deixou formalmente de existir. Onze das 12 repúblicas ligadas à URSS concordaram em criar a Comunidade dos Estados Independentes (CEI). Gorbachev renunciou em 25 de dezembro e no dia seguinte o Parlamento soviético proclamou a dissolução da URSS.

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11 de junho de 1915 — Os 50 anos da Batalha do Riachuelo

jornal do Brasil: 11 de junho de 1915 - batalha do Riachuelo

O efetivo da Marinha de Guerra Brasileira desembarcou para prestar homenagem à memória do almirante Francisco Manoel Barroso da Silva, junto à estátua dos heróis da Batalha do Riachuelo. As guarnições deixaram a frota por volta do meio-dia e desfilaram pelas ruas Primeiro de Março, Visconde de Inhaúma e avenidas Rio Branco e Beira-Mar, até chegarem à Praia do Russel. As comemorações dos 50 anos do combate que mudou os rumos da guerra contra o Paraguai duraram até o anoitecer quando as tropas regressaram ao Arsenal de Marinha.

A Batalha do Riachueleo foi travada no rio Paraná entre as esquadras do Brasil e do Paraguai. Depois de seis meses de guerra, a cidade de Uruguaiana estava ocupada por 10 mil homens, e Corumbá, por 2 mil. A Argentina perdera a Província de Corrientes. O Exército paraguaio tinha quase o dobro do efetivo da Tríplice Aliança, formada pela Argentina, Brasil e Uruguai para conter o expansionismo de Solano López. A conquista do rio Paraná decidiria o conflito. Se os paraguaios o conservassem, poderiam abastecer suas tropas e até avançar. Caso a Tríplice Aliança o ocupasse, seria possível anular as conquistas paraguaias e levar a guerra ao próprio território do Paraguai.

Os navios brasileiros receberam a missão de bloquear os portos paraguaios, e quando navegavam rio acima a esquadra inimiga atacou. Barroso mandou hastear no mastro do navio Amazonas o lema: "O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever", seguido de outro, com instruções de combate: "Atacar e destruir o inimigo o mais de perto que cada um puder". Foi então que as tropas paraguaias escondidas na margem do rio abriram fogo. O bombardeio vinha de todos os lados e empurrava a esquadra brasileira para os bancos de areia. Duas canhoneiras encalharam e houve luta no convés por mais de uma hora.

Manobra do almirante Barroso muda os rumos da guerra
A situação estava confusa. Então, aproveitando o fato de a sua fragata ter rodas laterais de propulsão e construção sólida, o almirante Barroso avançou com a proa do Amazonas para cima das embarcações inimigas, numa manobra inédita. Naquele momento, subiu o terceiro e último sinal na batalha: "Sustentar o fogo que a vitória é nossa"!

Três navios paraguaios ficaram inutilizados, e ao perceberem as perdas os comandantes das demais embarcações fugiram rio acima, deixando para trás quatro barcos, e seis baterias flutuantes, com um total de 1.500 homens.

A incrível tática de Barroso venceu a batalha e, além de impedir que Solano López invadisse a província de Entre Rios, acabou com a marcha vitoriosa do presidente paraguaio, que passou à defensiva militar até ser finalmente derrotado. A Guerra do Paraguai foi o confronto mais sangrento da Américo do Sul e ainda durou mais dois anos.

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10 de junho de 1940 — Itália declara guerra à França e à Grã-Bretanha

Jornal do Brasil: Mussolini declara guerra à França e à Inglaterra

O governo de Mussolini declarou guerra à França e à Grã-Bretanha. O líder italiano entrou na guerra ao lado da Alemanha depois que esta já havia dizimado as forças inglesas e francesas.
A Itália tinha uma máquina militar frágil e um exército despreparado mas mesmo assim resolveu invadir o sul da França para aproveitar-se da derrota que o país sofrera das tropas alemães e obter vantagens nas negociações de paz.
Mussolini exortou os italianos à batalha: "É chegada a hora do destino de nossa pátria, a hora das decisões irrevogáveis. Sairemos a campo para lutar contra as democracias plutocráticas e reacionárias do ocidente, que ao ao longo dos tempos têm colocado obstáculos e armadilhas na marcha do povo italiano, até mesmo ameaçando sua existência. Corram às armas e demonstrem sua tenacidade, sua coragem e seu valor".
Na negociação do armistício, uma semana depois do início dos combates, Mussolini esperava tirar dos franceses o máximo possível, mas foi impedido por Adolf Hitler. O Führer negou ao Duce a esquadra francesa e a ocupação da Tunísia, então protetorado da França.

No segundo semestre de 1940 a guerra atingiu a região dos Balcãs. Mussolini então ordenou a invasão da Grécia, partindo da Albânia. Mas as tropas italianas não conseguiram ultrapassar a fronteira e ainda sofreram um contra-ataque dos gregos e dos ingleses, que as faz recuar.
Depois das derrotas na Grécia e na África, com a perda da Etiópia em 1941 e da Líbia em 1942, e do desembarque dos Aliados na Sicília em 1943, o conselho fascista retirou o apoio de Mussolini, que foi preso por ordem do rei Victor Emanuel II. O Duce seria ainda libertado por pára-quedistas alemães de sua prisão no Gran Sasso, e fundaria no norte da Itália a República Soziale Italiana (República de Saló), sob a tutela de Hitler. Mas a frente de combate alemã foi derrotada e Mussolini foi capturado, mesmo antes do fim da guerra, pelos guerrilheiros italianos, quando tentava fugir com sua amante, Claretta Petacci. O casal do foi sumariamente fuzilado e os seus corpos expostos em praça pública dependurados numa viga de madeira.

A vitória dos pracinhas na Itália
Depois dos intensos combates nas montanhas dos Apeninos, durante a conquista de Monte Castelo, em 21 de fevereiro, a Força Expedicionária Brasileira (FEB) travou uma nova batalha, muito mais dura que a primeira, nas ruas da pequena cidade de Montese.

O combate deixou entre os brasileiros 34 mortos, 382 feridos e 10 desaparecidos. Ao fim de três dias de luta, os brasileiros derrotaram as tropas alemãs, que ocupavam a região de Montese, obstáculo para a passagem dos aliados rumo ao vale do rio Pó.

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9 de junho de 1966 — Americanos lideram corrida espacial

Jornal do Brasil: Gemini 9

Os astronautas Thomas Stafford e Eugene Cernan voaram 72 horas e 20 minutos na Gemini 9, num total de 44 órbitas ao redor da Terra, completados com uma aterrissagem perfeita. Segundo Bernard Lovell, diretor do Observatório do Jodrell Bank, na Grã-Bretanha, o sucesso da Gemini 9 e do voo do Surveyor colocaram os Estados Unidos à frente da corrida espacial.

Mais de 50% das metas da missão foram atingidas. Quatro dos oito objetivos foram concretizados e o quinto — o passeio de Cernan pelo espaço durante 2h30 — alcançou êxito parcial. Cernan suou muito, e o seu suor embaçou o visor do capacete, obrigando-o a voltar às cegas para a nave. As várias manobras de engate previstas com o satélite Agena Target Docking Adapter (Atda) não puderam ser realizadas, devido a falhas no equipamento. O acoplamento não ocorreu porque as tampas do ATDA, descrito pelos astronautas como um "jacaré faminto" não se abriram como deveriam.

Só o encontro e o voo em formação da nave com o satélite obtiveram êxito completo. Cernan bateu o recorde de permanência fora da cápsula — 1hora e 54 minutos. Entre as metas não atingidas estavam um voo em órbita mais externa à do satélite, alvo de uma série de experiências científicas que Cernan realizaria.

No retorno, o pouso no Atlântico, a 6 quilômetros da unidade de resgata, o porta-aviões Wasp, foi o mais perfeito dos 13 efetuados até então por astronautas americanos.

A Gemini 9 foi lançada em 3 de junho. Os pilotos Elliott See e Charles Bassett, da tripulação original, morreram em um acidente de avião pouco antes da nave ser lançada. Thomas Stafford e Eugene Cernan substituíram os astronautas mortos e a nave recebeu o nome de Gemini 9-A. Os objetivos principais eram testar três técnicas de encontro espacial, uma caminhada espacial para testar a Astronaut Maneuvering Unit (AMU) e a precisão no pouso no mar. Havia ainda diversas experiências científicas a serem realizadas.

Gemini treina astronautas
A um custo de cerca de 5% do Projeto Apolo, a Nasa realizou 12 voos com as naves Gemini, sendo 10 deles tripulados. O programa, segundo a Nasa, conseguiu resolver problemas relativos a encontros e acoplamentos no espaço, e treinou astronautas para trabalhar com gravidade zero.
As naves Gemini deveriam ter continuado em serviço durante a década de 70, como cápsulas de retorno do Programa MOL (Manned Orbiting Laboratory Program). No entanto, o cancelamento desse programa em 1969 acarretou o fim das naves Gemini.

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8 de junho de 1964 — Ditadura militar cassa JK

Jornal do Brasil: Cassação de JK

O ex-presidente da República e senador do PSD por Goiás Juscelino Kubistschek recebeu a notícia da cassação do seu mandato e suspensão por 10 anos dos seus direitos políticos pelo regime militar no seu apartamento na Avenida Vieira Souto, na Zona sul do Rio, cercado pela família e amigos. Com a voz embargada, JK ditou um manifesto em que declarava: "O vendaval de insânias arrastará na sua violenta arrancada mesmo os seus mais rancorosos desafetos. Um por um, eles sentirão os efeitos da tirania que ajudaram a instalar no poder".

A cassação de JK fora um ato isolado, mas no dia seguinte foi divulgada uma lista com mais de 500 cassações e suspensões de direitos políticos de governadores, deputados, juízes e ministros de tribunais federais e estaduais.

A punição frustrou os planos do ex-senador de candidatar-se à Presidência da República nas eleições de 1965. O PSD, partido de Juscelino, apoiou o nome do marechal Humberto Castelo Branco para assumir à presidência da República depois do golpe de 64 na esperança de serem convocadas eleições democráticas no ano seguinte.

No final da tarde de 13 de junho o ex-presidente embarcou para a Espanha em companhia da mulher dona Sarah para um exílio voluntário. Quando retornou ao país, em 1967, Juscelino tentou articular a Frente Ampla de oposição ao regime militar, com o ex-presidente João Goulart e o seu adversário político o ex-governador da então Guanabara Carlos Lacerda.

A luta de JK para o retorno da democracia foi interrompida em 1976, com a sua morte em um acidente automobilístico, em circunstâncias até hoje não esclarecidas[satisfatoriamente , no Km 328 da Rodovia Presidente Dutra, na altura de Resende, no Rio.

Proibido de visitar Brasília
JK foi proibido de ir a Brasília quando retornou do exílio em 1967. Durante o governo do general Medici, nos anos 1970, o monomotor em que voava para Anápolis (GO) sofreu uma pane e a torre do aeroporto negou autorização para o pouso de emergência na capital federal.

Juscelino só conseguiu pôr os pés na cidade que inaugurou em janeiro de 1972 quando um temporal desviou o rumo do avião em que viajava com destino a Planaltina para Brasília. O ex-presidente contou emocionado a visita ao jornalista Carlos Chagas, que a publicou. Um recorte com esse texto foi achado no bolso de seu paletó quando morreu.

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7 de junho de 1989 - A musa Nara Leão

Jornal do Brasil: Nara Leão

Nara Leão gravou ao longo de sua carreira 30 LPs com repertórios variados e uma interpretação muito pessoal. Não possuía grande extensão vocal, mas era muito afinada. A jovem tímida, que ganhou um violão aos 12 anos, construiu uma carreira musical sólida na qual sempre apostou nos movimentos de vanguarda e de protesto.

Nara fez parte do grupo que criou a bossa nova, e foi a musa do ritmo que mudou a MPB. O ponto de encontro da turma da bossa nova, da qual participavam João Gilberto, Ronaldo Bôscoli e outros, era o apartamento dela e de sua irmã Danusa Leão, na Zona Sul do Rio.

A cantora fez sua estreia no espetáculo Pobre menina rica a convite de Vinícius de Moraes, em 1963. Em seguida surpreendeu o público ao gravar em 1964 um disco com músicas de Cartola e Nelson Cavaquinho, completamente diferente da temática da bossa nova. O sucesso foi ainda maior quando cantou o samba de Zé Kéti e o baião de João do Vale, no Teatro de Arena em Copacabana, em 1965. Eram músicas que falavam de coisas que estavam acontecendo no Brasil e a musa da bossa nova passou a ser a musa do protesto.

Um ano depois estourava de novo nas paradas com A banda, primeiro lugar no Segundo Festival Nacional de Música Brasileira, que revelou o compositor Chico Buarque. Nara foi uma das primeiras intérpretes consagradas a apoiar a Tropicália, movimento que lançou entre outros a Caetano Veloso e Gilberto Gil.

No auge do regime militar Nara declarou em uma entrevista : "Os militares podem entender de canhão ou de metralhadora, mas não 'pescam' nada de política". O então presidente Costa e Silva chegou a anunciar que iria enquadrá-la na Lei de Segurança Nacional, mas uma legião de intelectuais saiu em sua defesa, entre eles o poeta Carlos Drummond de Andrade, e impediu o general de processá-la.

Casou-se em 1967 com o cineasta Cacá Diegues, um dos representantes do Cinema Novo. Um ano depois a cantora voltava aos palcos, deste vez, no Teatro Opinião, com o espetáculo Liberdade, Liberdade, que foi censurado e ficou pouco tempo em cartaz.

Carreira interrompida
Nara e Cacá foram morar em Paris em 1969 onde nasceram os dois filhos do casal. A partir de então dedicou-se quase que exclusivamente à maternidade, e matriculou-se no curso de psicologia.

Na década de 80 apareceram os primeiros sintomas do câncer, mas Nara não se entregou. A intérprete retomou aos poucos sua carreira, apresentando-se com amigos e fazendo shows por todo mundo, principalmente no Japão, onde tinha um público cativo.

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6 de junho de 1989 — A revolução de Khomeini

Jornal do Brasil: Khomeini

O aiatolá Ruhollah Khomeini tornou-se o dirigente máximo do Irã em 1979, depois de derrubar o regime do xá Reza Pahlavi. Com a revolução islâmica, o Irã deixou de ser o representante máximo dos interesses ocidentais no mundo muçulmano para se transformar em um estado teocrático comandado por um líder religioso xiita.

A filosofia de ação de Khomeini, baseada na crença de que lhe fora confiada a missão divina de criar um país modelo para outros países muçulmanos, está contida em seus livros Princípios políticos, filosóficos, sociais e religiosos e Por um governo islâmico. Em síntese o fundamento de sua doutrina é: "O governo islâmico é o da lei divina sobre o povo. A obediência aos mulás (dirigentes religiosos) portanto não é outra coisa senão a obediência ao próprio Alá."

Filho e neto de aiatolás, o que significa espelho de Alá, Ruhollah (espírito de Deus) nasceu em 1902. Seu pai foi preso e assassinado pelas forças do xá, o que lhe inspirou um ódio profundo ao regime. O governo do xá destacou-se pela subordinação ao Ocidente e pela perseguição cruel aos seus opositores.

Em 1978, 2 milhões de pessoas foram às ruas protestar contra o governo de Reza Pahlavi. No início de 1979, o monarca, que governara o país por 38 anos de maneira implacável, foi forçado a renunciar. O exército dissolveu-se assim como a Savak, a temida polícia secreta, e a Majlis, a assembléia de deputados que sustentava o regime deposto.

Khomeini retornou do exílio na França. A luta eclodiu e os aiatolás foram vitoriosos. O novo governo republicano reforçou os códigos de vestimenta feminina e de costumes através de uma severa interpretação das leis do Corão, o livro sagrado dos muçulmanos.

Multidão vai ao funeral do aitolá
Aproveitando-se da confusão em#que se encontrava o país, o Iraque invadiu o Irã um ano e meio depois da revolução, que derrubou o regime do xá. O conflito durou oito anos e as tropas iraquianas foram acusadas de usar armas químicas na guerra. O aiatolá morreu aos 86 anos, pouco depois do fim do confronto com o Iraque, deixando um testamento em que atacava os EUA e a URSS. Nos funerais, a televisão iraniana mostrou homens e mulheres golpeando a cabeça em sinal de pesar. Oito pessoas morreram esmagadas e 500 ficaram feridas durante o velório do líder xiita, em Teerã.

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5 de junho de 1967 — Começa a Guerra dos Seis Dias

Jornal do Brasil: Guerra do Seis Dias

Tropas israelenses avançaram em direção ao Canal de Suez em uma ofensiva relâmpago, que superou em velocidade a campanha de 1956. O avanço formou um amplo arco que foi de Jennin, na Jordânia, até a zona meridional do Sinai, com o objetivo de atingir os três principais pontos do canal: Porto Said, Ismailia e Suez.

Os israelenses ocuparam Jerusalém depois de combates corpo a corpo no setor jordaniano com o uso de armas brancas, e prosseguiram até alcançar Abu Ageila, a 110 km do Canal de Suez. As forças israelenses tomaram também as cidades de Gaza e Quaquilia, local em que Israel perdeu mais de 500 homens. Em apenas 24 horas de luta, os árabes perderam 400 aviões e 200 tanques.

As tensões aumentavam a cada dia na região devido aos conflitos entre guerrilheiros palestinos e forças israelenses. A movimentação de guerra foi iniciada em maio quando exércitos árabes se posicionaram na fronteira com Israel. Ao mesmo tempo o Egito ordenou o bloqueio do Golfo e Aqaba e enviou tropas para o Deserto do Sinai, enquanto pedia aos Capacetes Azuis da ONU para partirem. No fim de maio o Egito fechou o estreito de Tiran aos navios de Israel, isolando a cidade portuária de Eilat, o que Israel considerou uma agressão. Os militares israelenses então armaram um plano para furar o bloqueio e atacaram os árabes.

Ao fim dos combates, iniciados em 5 de junho, as fronteiras do Oriente Médio mudaram radicalmente. Israel conquistou, com o apoio bélico dos Estados Unidos, a Cisjordânia e o Leste de Jerusalém, as colinas de Golã na Síria e o monte Hermón, que fazia parte dos territórios libanês e sírio, a península do Sinai e a Faixa de Gaza, até então sob ocupação egípcia.


Árabes sofrem derrota
Os países árabes envolvidos no conflito foram Egito, Jordânia e Síria, com o apoio do Iraque, Kuwait, Arábia Saudita, Sudão e Argélia.

O Conselho de Segurança da Nações Unidas por intermédio da resolução 242 exigiu o cessar-fogo em novembro do mesmo ano e a retirada de Israel dos territórios ocupados. Israel não cumpriu a determinação da ONU.

Os Estados Árabes sofreram uma grande derrota e perderam mais da metade do seu equipamento militar. A força aérea da Jordânia foi destruída. Os árabes sofreram 18 mil baixas, enquanto do lado de Israel houve 766. A população árabe dos territórios ocupados fugiu para os países vizinhos, o que gerou 350 mil refugiados.

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4 de junho de 1994 — O gênio Burle Marx

Jornal do Brasil: Burle Marx

A vocação do paisagista Burle Marx foi descoberta por um dos seus grandes amigos, o arquiteto Lúcio Costa. Em 1932, Lúcio Costa foi à casa de seu vizinho no bairro do Leme, na Zona Sul do Rio, e ficou impressionado ao ver as plantas do jardim do jovem pintor paulista.
Imediatamente, Lúcio Costa convidou Burle Marx para projetar o jardim de uma mansão de Copacabana, da qual ele tinha feito o projeto arquitetônico. O jardim ficou muito diferente dos jardins da época que seguiam o modelo europeu, onde predominavam as azaleias, camélias, magnólias e nogueiras.

Esse foi o primeiro dos mais de 2 mil trabalhos que o paisagista assinou em todo o mundo.Burle Marx fez um jardim revolucionário, com plantas tropicais, aplicando a estética da pintura abstrata. O primeiro contato com a vegetação brasileira ocorreu na Alemanha para onde Burle Marx viajou para aperfeiçoar-se na pintura. Lá conheceu o Jardim Botânico de Berlim, que mantinha uma estufa com plantas brasileiras, e ficou fascinado.

Cinquenta anos depois do convite de Lúcio Costa, em 1982, Burle Marx embarcou para a Europa para receber a medalha de ouro da Academia de Arquitetura da França e o título de doutor honoris causa do Royal College of Arts de Londres, concedido pela primeira vez a um brasileiro. Burle Marx foi um pioneiro na luta pela preservação do meio ambiente. Já na década de 70 o paisagista protestava contra devastação da floresta amazônica. Várias vezes entrou em choque com o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF) e com grupos imobiliários, que ele considerava os grandes vilões da natureza.

Criticava também o Jardim Botânico do Rio: "Ele não é mais para a ciência, mas só para o lazer". Seu projeto mais conhecido no Rio - o Aterro do Flamengo - era para ele um motivo de tristeza. Lamentava a construção da Marina da Glória e a ocupação do espaço por mendigos. Burle Marx reclamou do gradeamento das praças da cidade feita pelo então prefeito Marcelo Alencar: "Acho horroroso o Rio todo enjaulado".

Pintor de fama internacional
O renomado paisagista era também um pintor de fama internacional, escultor, tapeceiro, ceramista e designer de jóias.

Em 1949, Burle Marx comprou uma área de 365 mil metros quadrados em Barra de Guaratiba, na Zona Oeste do Rio. Na propriedade, para a qual se mudou em 1972 e onde viveu até sua morte em 1994, organizou uma enorme coleção de 3,5 mil plantas do mundo inteiro. Em 1985 doou o sítio ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
O local foi batizado com o nome do artista e recebe ecologistas, paisagistas e jardineiros, que visitam o local e frequentam diversos cursos.

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3 de junho de 1989 — Massacre na Praça da Paz Celestial

Jornal do Brasil: Massacre na Praça da Paz Celestial

Os protestos estudantis em Pequim, que culminaram com o massacre na Praça da Paz Celestial (Tiananmen) começaram em abril com a morte de Hu Yaobang, ex-secretário geral do Partido Comunista chinês. Yaobang havia sido expulso do governo por Deng Xiaoping em 1987 por ser considerado um liberal reformista. Na semana seguinte, durante o funeral do político, um grupo de estudantes se reuniu na Praça da Paz Celestial e reivindicou um encontro com o primeiro-ministro Li Peng. O pedido foi negado. Então, os estudantes incitaram uma greve nas universidades da capital chinesa. O número de manifestantes foi aumentando a cada dia. No início eram 500, mas no auge dos protestos somavam mais de 100 mil, incluindo intelectuais, operários e camponeses, que queriam liberdade de expressão, emprego e o fim da corrupção no governo.

Em 20 de maio, o governo declarou a lei marcial, o que não surtiu efeito. Na noite de 3 de junho, tropas do exército, tanques e canhões cercaram a Praça Tiananmen para dissolver o protesto, numa demonstração exagerada de força. As luzes foram apagadas e os manifestantes desarmados lutaram com os soldados. Nenhuma autoridade do governo assumiu a ordem de atacar o povo. Deng Xiaoping e Li Peng não vieram a público para justificar a brutalidade. Houve rumores de guerra civil.

A violência do massacre e a ausência de políticos para se responsabilizar pela ordem do ataque chocou a população chinesa. O número de vítimas não foi esclarecido pelo governo. Estimativas não oficiais calcularam 2 mil mortos e 10 mil feridos. Depois do conflito, soldados do chamado Exército do Povo, antes reverenciados como heróis por desenvolver trabalhos sociais, passaram a ser xingados de fascistas e assassinos.

Homem desafia tanques
No dia seguinte da batalha na Praça da Paz Celestial uma cena, que não durou mais que alguns minutos, tornou-se um ícone da convulsão social deflagrada na China. Um homem até hoje não identificado, sozinho e desarmado, desafiou uma coluna de tanques na Praça Tiananmen. Depois de colocar-se exatamente na linha de avanço dos veículos, o homem foi caminhando, calmo e ritmado na direção dos blindados. Houve um ligeiro desvio por parte dos militares para sair da rota de colisão com o homem, mas ele não desistiu. Acompanhou a mudança de direção da coluna e voltou a encarar os tanques. Isto se repetiu outra vez, e finalmente os blindados pararam completamente. O homem subiu então no primeiro deles, e batendo com os punhos em sua carcaça, gritou: Fascistas, fascistas. Desceu, e foi elevado por outros manifestantes para um canto. As imagens correram o mundo.

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2 de junho de 1942 — Navio brasileiro é afundado

Jornal do Brasil: Navio brasileiro é afundado pelo Eixo

O cargueiro Gonçalves Dias, da frota do Lloyd Brasileiro, foi atacado no Mar das Antilhas, ao sul do Haiti, quando seguia viagem para Nova Orleans. Seis tripulantes morreram — dois em consequência do impacto dos torpedos, e quatro afogados. Os 45 sobreviventes ficaram 20 horas no mar, em dois botes salva-vidas, até que foram resgatados por um navio da marinha americana e levados para o porto de Key West. Seis pessoas, incluindo o comandante do Gonçalves Dias, João Batista Gomes Figueiredo, ficaram feridos no ataque.

Figueiredo informou que o submarino que torpedeou o navio era semelhante aos fabricados pela Itália. O comandante contou também que o submarino emergiu poucos minutos depois de atingir o navio brasileiro e os seus tripulantes riram ao ver os marinheiros brasileiros se debatendo no mar.
O Gonçalves Dias pesava 4.996 toneladas, tinha 110 metros de comprimento e navegava a uma velocidade de 13 milhas por hora. Com o ataque, elevou-se para sete o número de navios torpedeados por submarinos do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) durante a Segunda Guerra.

Os torpedos lançados pelos submarinos do Eixo contra navios brasileiros causaram a morte de 1.081 pessoas, quase o dobro do número de soldados brasileiros (551) mortos nos campos de batalha na Segunda Guerra. Os submarinos alemães torpedearam 34 navios brasileiros. Só de fevereiro a agosto de 1942, 19 embarcações foram afundadas na costa brasileira, causando a morte de 742 pessoas. Quase todos os navios afundados pertenciam à frota mercante.

Devido aos ataques o Brasil declarou guerra à Alemanha em agosto de 1942, e os ataques não cessaram. O último ocorreu em julho de 1944 e afundou a corveta Vital de Oliveira. Das 275 pessoas que compunham sua tripulação, 99 morreram. O Vital de Oliveira seguia em direção ao Rio de Janeiro, após fazer escalas em cidades do litoral do Nordeste e em Vitória. O pesqueiro Shangri-lá foi torpedeado em julho de 1943 e todos os 10 tripulantes do barco morreram.

Os ataques provocaram pânico em cidades do litoral brasileiro. Nessa época a navegação de cabotagem era o principal meio de locomoção e transporte entre cidades costeiras, principalmente no Nordeste. Os alemãs atacavam os navios para impedir que as matérias-primas transportadas pelos brasileiros chegassem às mãos dos aliados.

Submarino provoca terror
Um único submarino alemão, o U-507, comandado pelo capitão Harro Schacht, destruiu três navios brasileiros e matou um total de 551 pessoas. O U-507 foi destroçado por um avião da marinha norte-americana na Bahia de Todos os Santos.

A notícia dos ataques contra navios brasileiros motivou reações violentas por parte da população, que se voltou contra os imigrantes alemães, italianos e japoneses. Em muitas cidades do país ocorreram depredações de estabelecimentos comerciais pertencentes a esses imigrantes, e até tentativas de linchamento.

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1 de junho de 1973 — Grécia proclama a República

Jornal do Brasil: República grega

O primeiro-ministro Georgios Papadopoulos aboliu a monarquia e proclamou a República na Grécia. Papadopoulos assumiu pessoalmente a presidência e acusou o rei Constantino, exilado em Roma, de tentativas de golpes e "imperdoável falta de maturidade". Papadopoulos proclamou a segunda República da Grécia - a primeira durou de 1924 a 1935.
Numa mensagem de 10 minutos à nação, o novo presidente convocou um plebiscito nacional, que foi realizado no ano seguinte.

Depois de sete anos de ditadura (1967-1974) foi decidido por referendo mudar o regime de monarquia constitucional para democracia parlamentar presidencial. A decisão foi ratificada pela Constituição de 11 de junho de 1975.

O novo presidente foi o líder do golpe e chefe da junta militar que instaurou o chamado regime dos coronéis, que acabou com as liberdade civis e prendeu milhares de pessoas. No início de 1968, Papadopoulos apresentou o projeto de uma nova Constituição, que seria ratificada por referendo. No início da década de 1970, o governo devolveu alguns direitos civis.

Sob o pretexto de reprimir as revoltas estudantis a junta militar impôs novamente a lei marcial. Os militares acabaram por depor Papadopoulos, que não conseguira manter a ordem social, e nomearam para a presidência o general Phaedon Ghizikis.

O golpe militar expulsou o arcebispo Makarios da presidência de Chipre e a invasão turca da ilha que seguiu pôs fim ao regime dos coronéis em 1974. Konstantinos Karamanlis, líder do Partido Nova Democracia, voltou do exílio e formou o primeiro governo civil depois de 1967. Desde 1981 a Grécia é um Estado-membro da Comunidade Européia, atualmente União Européia.

Crime inspira revolta na Grécia
O romance de Vassilis Vassilikos, Z, e o filme do mesmo nome, dirigido por Costa-Gravas, de 1969, foi inspirado no assassinato do nacionalista de oposição Gregoris Lambrakis, então deputado pela União Democrática Esquerdista.

O crime ocorreu em 1963, em um comício em plena praça pública, durante um protesto contra a instalação de uma base americana de lançamento de mísseis. Quando a manifestação terminou um carro invadiu a praça, e de dentro dele saltou um homem que atingiu a cabeça de Lambrakis com um cassetete, matando-o.

A polícia apurou que o assassinato foi cometido por grupos de extrema direita pagos pelos militares para intimidar políticos de esquerda. A revelação gerou uma enorme revolta em cadeia. Os partidários de Lambrakis passaram a pintar nas ruas a letra Z, inicial da palavra ZEI, que em grego significa "ele vive".

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