Arquivo de April 2009

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30 de abril de 1912 — Edu Chaves, o herói da aviação

Jornal do Brasil: Edu Chaves sofre acidente


O piloto Edu Chaves foi resgatado por pescadores depois que caiu no mar com o seu monoplano Bleriot de 25 HP. Edu Chaves fez um pouso forçado a 1 quilômetro da praia de Jacareí, entre Angra dos Reis e Mangaratiba. O piloto saiu um dia antes do campo da Mooca, em São Paulo, em direção ao Campo dos Afonsos, no Rio. Edu foi retirado do mar sem nenhum ferimento e chegou ao Rio de trem.
Em telegrama enviado à família, o aviador explicou que atravessou a serra de Santa Cruz e, por falta de um mapa, julgou ter passado do Rio e por isso tomou a direção sul, indo parar na Ilha Grande. A gasolina acabou e ele teve de pousar no mar. "Nadei e regressei de canoa horas depois a Mangaratiba", conclui Edu.

Eduardo Pacheco Chaves, herdeiro de fazendas de café, foi um herói da aviação e o primeiro piloto brasileiro a obter o brevê pela Federation Aeronautique Internacionale, na França, em 1911.

Um mês antes do acidente, Edu e o piloto francês Roland Garros ganharam o prêmio de 30 mil réis oferecido pelo governo paulista para o piloto que conseguisse fazer o trajeto São Paulo–Santos–São Paulo. Garros quase foi impedido de concluir a prova devido ao desgaste de uma peça do seu avião. O francês já estava prestes a desistir, quando o brasileiro, que tinha um aparelho idêntico, embora sendo competidor, ofereceu a Garros a peça que ele precisava.

Em retribuição à gentileza, Garros convidou Edu para participar junto com ele da segunda parte da competição. O brasileiro contribuiu para o sucesso da dupla, usando uma bússola, que manteve o rumo certo, principalmente sobre a Serra do Mar.

O monoplano aterrissou na praia de Santos. Edu Chaves voltou com Garros, transportando uma carta enviada pela empresa de café Antunes dos Santos & Cia. endereçada a Gabriel Corbsier, de São Paulo.

Proezas de Edu Chaves
Como Santos Dumont, Edu Chaves encantou os franceses com as suas proezas no ar e foi o primeiro aviador a fazer uma travessia noturna entre Paris e Orleans, em 1911, numa prova em que o piloto tinha de realizar o maior número de voos no trajeto entre as duas cidades. Edu conseguiu fazer 27 escalas, num percurso em que procurou orientar-se pelos sinais luminosos de uma ferrovia, para não perder o rumo.

O piloto foi o primeiro a fazer a travessia São Paulo–Rio sem escalas, em 1914. Edu partiu às 9h30 e chegou por volta das 14h10 ao Rio. O monoplano atingiu 3 mil metros de altitude e uma média de 120 km/h, um recorde de velocidade na América do Sul.

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29 de abril de 1991 — A música de Gonzaguinha

Jornal do Brasil: Gonzaguinha
Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, Gonzaguinha, era filho do cantor e compositor Luiz Gonzaga, e da cantora e dançarina Odiléia. A mãe de Gonzaguinha morreu de tuberculose aos 22 anos, e ele foi criado no morro de São Carlos, no Estácio, pelos padrinhos Xavier e Dina, ambos homenageados em uma das suas músicas.

Durante o período em que cursou Economia na Faculdade Cândido Mendes conheceu Ivan Lins, Dominguinhos, Aldir Blanc e César Costa Filho [os quais criaram juntos nos anos 70, o Movimento Artístico Universitário (MAU).

Gonzaguinha apresentou-se em festivais, mas só ficou conhecido pelo público depois de cantar no programa de TV de Flávio Cavalcante. Recebeu críticas e advertências da censura, mas o seu compacto, que estava encalhado nas lojas de discos, esgotou-se rapidamente. Suas letras politizadas e irônicas foram diversas vezes censuradas pelo regime militar e lhe valeram o apelido de cantor-rancor. Logo no seu LP de estreia, em 73, o compositor teve problemas com a música Comportamento Geral (você deve lutar pela xepa da feira e dizer que está recompensado), que desagradou à ditadura.

A partir desse disco passou a disputar com Chico Buarque o título de compositor mais perseguido pela Censura. Devido a essa implacável perseguição era obrigado a produzir dois discos para conseguir gravar um. Mas Gonzaguinha permanecia tranquilo e dizia: "Nunca supervalorizei a censura, que era decorrente do estado de coisas do país".

O compositor lutou por mudanças no Escritório de Arrecadação do Direito Autoral (Ecad), dispensou a intermediação de empresários e fundou o seu próprio selo, o Moleque.

Mudança e popularidade
A grande guinada na carreira veio em 1976 com o disco Começaria tudo outra vez, com músicas mais leves, que fizeram grande sucesso. As composições de Gonzaguinha foram gravadas por Elis Regina, Simone, Maria Bethânia e Frenéticas.

O músico fez shows em parceria com o pai, Gonzagão, o Rei do Baião e gravou Vida de Viajante com o seu pai, Gonzagão, o rei do baião.

Gonzaguinha morreu aos 46 anos em um acidente de carro depois de apresentar-se em um show em Pato Branco, no sul do Paraná.

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28 de abril de 1947 — O centenário de Vieira Fazenda


Jornal do Barsil: Centenário de Vieira Fazenda

João Vieira Fazenda não está incluído entre os cronistas cariocas populares e consagrados, como João do Rio e Luiz Edmundo, mas sua obra é um registro importante do cotidiano da cidade do Rio de Janeiro, no fim do século 19 e início do século 20.
Vieira raramente saía à noite ou jantava fora, e só conheceu o cinematógrafo por insistência de amigos como Luiz Edmundo.

Além de historiador, Vieira foi médico e político. Formou-se em medicina em 1872. Clinicou na Santa Casa de Misericórdia, no Centro, no Hospício São João Batista, em Botafogo, e retornou para a Santa Casa de Misericórdia. Ficou conhecido por ajudar os doentes e pelo empenho na campanha abolicionista, comprando alforrias.

Vieira descreveu em Antiqualhas o funcionamento do mecanismo conhecido como Roda, da Santa Casa de Misericórdia, que acolhia recém-nascidos enjeitados, e denunciou a estratégia dos senhores de escravos para lucrar com a gravidez das escravas.

Segundo o historiador, os recém-nascidos eram arrancados das mães e levados para a Roda. Passado o período de resguardo, o senhor de escravos anunciava a parturiente como ama de leite. A ganância dos escravocratas era tanta que uma só escrava chegava a amamentar três crianças simultaneamente. Quando o filho da escrava, que fora abandonado na Roda, atingia idade suficiente para trabalhar, o senhor reclamava a posse da criança. Segundo Santos, Vieira salvou do cativeiro centenas de filhos de escravas deixadas na Roda em um tempo em que era loucura falar em emancipação de cativos.

A antiga Rua dos Cotovelos onde Vieira nasceu recebeu o seu nome, assim como a estação de trem da favela do Jacarezinho, que faz parte da malha ferroviária da Central do Brasil.

Verador e bibliotecário
Como vereador, do Partido Liberal, Vieira Fazenda encaminhou projetos para melhoria do abastecimento de água e saneamento básico do Rio , colaborou para a criação do feriado de 20 de janeiro e do emblema da cidade.

Foi nomeado bibliotecário do Instituto Histórico e Geográfico em 1898, onde organizou documentos em que se baseou para escrever as crônicas Antiqualhas e Memórias do Rio de Janeiro, que relatam o cotidiano carioca e episódios pitorescos.

Segundo o historiador Noronha Santos, "Vieira era franco com todos, ríspido e ombro a ombro com os poderosos. Jamais sorriu para adular ou cortejou para obter vantagens. Sabia ser o mesmo diante de quem quer que fosse".

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27 de abril de 1925 — Monroe é a sede do Senado

Jornal do brasil: Palácio Monroe

A reforma do Palácio Monroe para abrigar o Senado Federal foi concluída. A cerimônia de entrega oficial do prédio aos parlamentares foi discreta, sem nenhuma pompa.

O imponente Palácio Monroe foi projetado pelo general Francisco Souza Aguiar para a Exposição Internacional de Saint Louis, nos Estados Unidos, em 1904. Sousa Aguiar usou uma estrutura metálica com capa de concreto, capaz de ser desmontada e levada para outro lugar, uma grande novidade para a época. O projeto ganhou a medalha de ouro no Prêmio Mundial de Arquitetura e pela a primeira vez uma obra arquitetônica brasileira fora reconhecida internacionalmente.

Terminada a exposição, o palácio foi reconstruído no Rio, em 1906, tendo sido o primeiro prédio oficial inaugurado na Avenida Central. O Monroe ocupava uma área próxima à atual estação Cinelândia do Metrô. Em seus dias de glória o palácio era estampado em cartões-postais e suvenires do Rio, e sua imagem usada nas notas de 200 mil réis.

O nome do palácio foi uma homenagem ao presidente americano James Monroe, por sugestão do Barão do Rio Branco, então ministro das Relações Exteriores. No prédio foi realizada a Terceira Conferência Pan-Americana.

Em 1914 a construção passou por reformas para receber a Câmara de Deputados, que permaneceu ali até 1922. Quando a câmara deixou o local, foi iniciada a reforma para a instalação do Senado. As obras de adaptação do espaço começaram em 1923, quando foram feitas pequenas mudanças nas divisões das salas. A Revolução de 30 dissolveu o Senado e o Monroe fechou as portas até ser reaberto em 1945 como sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Geisel autorizou demolição
Com a transferência da capital federal para Brasília, em 1960, o Monroe foi ocupado pelo Estado-Maior das Forças Armadas. Na década de 70, o Iphan negou o pedido de tombamento do prédio. Segui-se então uma batalha para preservá-lo. O metrô chegou a mudar o traçado para desviar-se do palácio. Mas em 1975, o presidente general Ernesto Geisel deu o aval para demolição. A empresa contratada para colocar abaixo o monumento obteve o direito de vender todo o material retirado. Só com a venda do bronze e do ferro do palácio, a empresa faturou cerca de CR$ 9 milhões.

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26 de abril de 1986 — Acidente nuclear de Chernobyl

Jornal do Brasil: Acidente nuclear de Chernobyl


O governo da ex-União Soviética admitiu a ocorrência de um acidente na Central Nuclear de Chernobyl depois que o cônsul da Suécia o interpelou sobre a origem dos altos níveis de radioatividade detectados em regiões da Suécia, Dinamarca, Noruega e Finlândia. A central nuclear soviética ficava a 130 quilômetros ao norte de Kiev, capital da Ucrânia, onde viviam 3,5 milhões de pessoas e a 1 mil quilômetro dos países afetados.

A catástrofe foi causada por uma avaria no reator de número 4 durante um teste de segurança. As barras de óxido de urânio se fragmentaram, aumentando a temperatura e provocando um incêndio, que arrancou a camada de concreto isolante do reator. O núcleo do reator ficou exposto e expeliu na atmosfera uma nuvem de fumaça e vapor rica em elementos radioativos pesados, que atingiu a União Soviética, Europa Oriental, Escandinávia e o Reino Unido. Cerca de 200 mil pessoas tiveram de ser removidas e uma grande extensão de terra teve de ser inutilizada para a agricultura.

Os bombeiros que chegaram para conter as chamas a 2 mil ºC, foram as primeiras vítimas da tragédia. Três homens das equipes de socorro morreram quase instantaneamente. Outros 28 morreram na semana seguinte. Dos 134 homens envolvidos na primeira linha de combate ao fogo, 40 morreram devido à radiação, a maioria depois de intensos sofrimentos. Só cinco trabalhadores da usina sobreviveram.

Para conter a liberação do restante do combustível nuclear foi construída uma estrutura de concreto e aço sobre o local contaminado, a partir da qual os restos do reator foram cobertos com uma camada de vidro, lançado derretido sobre o local. O invólucro foi chamado de sarcófago.

Efeitos do acidente nuclear
O acidente de Chernobyl liberou 100 vezes mais radiação do que a bomba atômica que os Estados Unidos jogaram na cidade de Hiroshima, na Segunda Guerra Mundial.

As Nações Unidas previram que o acidente poderia causar até 9 mil mortes por câncer ao longo do tempo. Mas um relatório do Greenpeace contestou essa análise, e estimou em 93 mil o número de mortes em decorrência da catástrofe nuclear.

Os habitantes da cidade de Pripyat tiveram de ser removidos para Slavutich. A usina de Chernobyl foi desativada no ano 2000 depois de negociações internacionais.

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25 de abril de 1974 — A Revolução dos Cravos

jornal do Brasil: Revolução dos Cravos
"Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade...
"
Zeca Afonso

Uma multidão entusiasmada saiu às ruas de Lisboa onde reinava um clima de festa popular, com gritos de viva a liberdade, muita música e alegria, em comemoração ao golpe militar que pôs fim a 48 anos de ditadura salazarista. O povo confraternizava-se com os soldados e enfeitava os canos dos fuzis com cravos vermelhos.

Por esse gesto, a rebelião ficou conhecida como a Revolução dos Cravos.

O general Antonio Spíndola, líder do Movimento das Forças Armadas (MFA), e presidente da Junta de Salvação Nacional, que assumiu o poder depois de derrubar o primeiro-ministro Marcelo Caetano, anunciou a eleição de uma Assembléia Constituinte pelo voto direto. Os presos políticos foram libertados e a temida polícia política, a Pide foi dissolvida, assim como a Legião Portuguesa e o Partido Salazarista.

A revolta foi uma resposta de oficiais de patente média das Forças Armadas, principalmente capitães, contrários à permanência das tropas nas colônias portuguesas – Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, e Timor Leste, onde eram travavas guerras de independência. O movimento militar contra o regime intensificou-se no fim de 1973 e início de 1974, em um momento em que o governo enfrentava uma decadência econômica fruto dos enormes gastos com as guerras coloniais, além de greves, e protestos de todos os setores da sociedade.

A senha para o início da Revolução dos Cravos, foi dada aos 20 minutos do dia 25 de abril, quando a Rádio Renascença, de Portugal, tocou a música Grândola, Vila Morena, de Zeca Afonso, que fora proibida pela censura. Os militares tomaram as ruas e 12 horas depois o primeiro-ministro Marcelo Caetano renunciou.


A missão de reconstruir Portugal
A Junta de Salvação Nacional iniciou, o que eles chamaram de reconstrução do país, implementando uma política de estatização de indústrias e bancos, seguida pela reforma agrária. O Partido Socialista de Mário Soares venceu as eleições para a Assembléia Constituinte. Em novembro do mesmo ano, o fracasso de uma tentativa de golpe de oficiais de extrema esquerda pôs fim ao período revolucionário. Em 1976 o general António Ramalho Eanes, comandante das forças que esmagaram a rebelião de esquerda, foi eleito presidente da República. Os socialistas conquistaram 35% dos votos.

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24 de abril de 1982 — Os ingleses nas Malvinas

Jornal do Brasil: Guerra das Malvinas

Depois de enviar um ultimato para que os argentinos se retirassem das ilhas Malvinas, ocupadas desde o dia 2 de abril, a primeira-ministra Margaret Thatcher ordenou a preparação das tropas britânicas para a guerra. Antes de começar a batalha, os ingleses sofreram sua primeira baixa. O suboficial Kevin Stuart Casey caiu no mar, quando fazia manobras em um helicóptero Sea King.

Em 2 de maio, a Argentina sofreu o seu pior ataque, quando o submarino inglês Conqueror torpedeou o cruzador General Belgrano. O navio adernou e afundou uma hora depois, matando 368 tripulantes. A embarcação estava em águas argentinas e fora da zona de guerra. Parentes das vítimas tentaram processar o governo britânico pelo ato, mas a Corte de Direitos Humanos da Europa recusou a ação no ano 2000.

Em 7 de maio, a Royal Navy estabeleceu uma Zona de Exclusão Total ampliada para até 20 km da costa argentina, dentro da qual qualquer navio que trafegasse sem autorização seria atacado e destruído. Vários navios-patrulha argentinos e outros que tentaram furar o bloqueio foram atingidos ou aprisionados.

No conflito morreram 712 soldados argentinos e 255 ingleses. A Inglaterra gastou 2 bilhões de libras em armas e equipamentos. Foram usados os caças-bombardeiros de última geração enquanto os soldados argentinos não tinham sequer agasalhos adequados para enfrentar o clima hostil das ilhas. As Ilhas Malvinas foram domínio argentino de 1820 até 1833, quando foram ocupadas pelo Reino Unido, que as administra desde então.

A derrota dos militares argentinos
O general Galtieri, chefe da Junta militar, que estava no poder na Argentina desde 1976, lançou mão da invasão das Ilhas Malvinas como último recurso para reaver a popularidade desgastada pelas acusações de violações dos direitos humanos e pela crise econômica. Mas o artifício não deu certo. A rendição argentina acelerou a queda da ditadura. Os militares passaram a ser vistos como aventureiros, que jogaram o país em uma guerra inútil. O general Galtieri foi deposto e, no ano seguinte, foram realizadas eleições livres, com a vitória de Raúl Alfonsín. Na Inglaterra o efeito foi contrário. A primeira-ministra Margaret Thatcher aumentou a sua popularidade e foi reeleita.

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23 de abril de 1985 — Os funerais de Tancredo Neves

Jornal do Brasil: Funerais de Tancredo

O presidente eleito Tancredo Neves morreu, antes de tomar posse, na noite de 21 de abril depois de 38 dias de internação. O seu corpo foi velado no Instituto do Coração (Incor), em São Paulo. Na manhã do dia seguinte, o Congresso fez uma reunião extraordinária para anunciar a vacância do cargo de Presidente da República e o seu preenchimento automático pelo vice presidente eleito José Sarney. Em pronunciamento em cadeia de rádio e televisão, Sarney decretou feriado nacional, luto oficial por oito dias e garantiu à população que o seu programa de governo seria o mesmo de Tancredo.
Multidões acompanharam o cortejo fúnebre em São Paulo e em Brasília. O papa João Paulo II enviou uma extensa mensagem de condolências em português, na qual pedia a Sarney que continuasse o projeto amplo e generoso de uma Nova República.
O cardeal dom Paulo Evaristo Arns oficiou uma missa de corpo presente no Incor. Em seguida, o esquife presidencial, sobre um carro do corpo de bombeiros e coberto pela bandeira nacional, partiu para o Aeroporto de Congonhas, rumo a Brasília, acompanhado por 2 milhões de pessoas, que cantavam o Hino Nacional, carregavam faixas, cartazes e retratos de Tancredo. Das janelas pendiam bandeiras brasileiras com tarjas pretas.
No obelisco do Parque do Ibirapuera, o presidente eleito recebeu homenagem oficial do prefeito Mário Covas, do comando do 2º Exército de outras autoridades militares. O Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo suspendeu a greve da categoria, como homenagem póstuma.
O corpo chegou ao Aeroporto de Congonhas e foi embarcado aos gritos de "um, dois, três, quatro, cinco, mil, Tancredo continua presidente do Brasil.

Rumo a Brasília e Belo Horizonte
O esquife presidencial chegou ao Palácio do Planalto, em Brasília, e foi conduzido pela rampa ao Salão Nobre. Trezentas mil pessoas acompanharam a cerimônia em silêncio. No dia 23 foi a vez de Belo Horizonte dar adeus a Tancredo. O palácio da Liberdade abriu as portas para que 1,8 milhões de pessoas pudessem pela última vez ver o presidente eleito. Na capital mineira a homenagem a Tancredo terminou em tumulto, que resultou em quatro mortos e 271 feridos.
O presidente foi enterrado com honras militares no dia 24 de abril, na presença de 50 mil pessoas, em São João del Rei, sua terra natal.

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22 de abril de 1991 — Charles e Diana visitam o Brasil

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O príncipe Charles e a princesa Diana fizeram uma visita de cinco dias ao Brasil. O casal real assistiu a uma apresentação de samba no Rio, passou por São Paulo, foi a Foz do Iguaçu, além de viajar pela floresta amazônica.

Charles e Diana chegaram ao Aeroporto Santos Dumont com 20 minutos de atraso, em um avião da Real Força Aérea Britânica pilotado pelo próprio Charles. O príncipe discursou para empresários e lembrou que em tempos de recessão "a proteção ambiental não poderia ser um luxo".

No Rio, a princesa quebrou o protocolo ao conversar com pacientes de Aids no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, no Fundão e tirou fotos no Cristo Redentor. Já em São Paulo Diana fez uma visita às crianças da unidade de órfãos contaminados com HIV, da Febem.
Diana ficou conhecida no mundo inteiro por quebrar tabus, como cuidar pessoalmente dos filhos – uma atitude incomum na classe alta britânica – e se engajar em causas humanitárias.

Lady Di conquistou a admiração popular em especial por seu envolvimento no combate à Aids, e na campanha internacional contra as minas terrestres. A princesa atraiu a atenção do mundo para o assunto ao visitar crianças mutiladas em Angola e foi uma das primeiras pessoas famosas a se sentar na cama de um paciente soropositivo, em uma época em que ainda havia um grande estigma em relação à doença.

A primeira vez que esteve no Brasil, Charles ainda era solteiro e sambou com a passista Pinah, da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis, em uma recepção no Palácio da Cidade, sede da Prefeitura do Rio. Quando retornou ao Rio o príncipe lembrou da passista como "a carnavalesca de cabelos tão escassos quantos as roupas que usava" e comentou: "No meu caso, o cabelo está mais escasso, mas continuo usando as mesmas roupas".

Um casamento conturbadoCharles e Diana casaram-sem 1981 tiveram dois filhos – o príncipe William, nascido em 1982, e o príncipe Harry, nascido em 1984.
A união chegou ao fim em 9 de dezembro de 1992.

Cinco anos mais tarde, Diana morreria vítima de um acidente de carro, em Paris, no qual também morreram o noivo dela Dodi Al-Fayed e o motorista. No momento do choque ela estava sendo perseguida por fotógrafos.

O príncipe ainda retornou ao Brasil em 2002. Em 2005 Charles casou-se novamente com Camilla Parker Bowles. O casal esteve no Brasil em 2009.

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21 de abril de 1960 — A inauguração de Brasília

Jornal de Brasil: Brasília

A festa da inauguração de Brasília começou na noite da véspera, com uma missa campal que terminou no dia 21. O então presidente Juscelino Kubitschek não conseguiu conter as lágrimas quando os ponteiros marcaram os 20 minutos do dia 21 de abril, e um espetáculo de som e cores invadiu o céu da nova capital. Logo pela manhã JK presidiu uma reunião do ministério que marcou formalmente a instalação do poder executivo na nova capital.

O primeiro ato oficial do presidente foi a assinatura de mensagem, propondo a criação da Universidade de Brasília. O dia foi repleto de comemorações, com parada militar, desfile de candangos, baile improvisado nas ruas, queima de fogos no Eixo Rodoviário. JK percorreu as avenidas em carro aberto e a esquadrilha da fumaça fez evoluções no céu, onde no fim da tarde abriu-se um belíssimo arco-íris. À noite, as portas do Palácio do Planalto foram abertas para o baile de gala para 3 mil convidados, vindos de todas as partes do mundo.

Brasília nasceu como uma cidade de contrastes, com favelas que desafiavam as linhas dos edifícios de Oscar Niemeyer e o traçado urbanístico de Lúcio Costa. Os extensos quilômetros de ruas asfaltadas misturavam-se com o barro e a lama das margens das vias. O sistema de transporte era o maior problema da nova capital. Só existiam 30 ônibus, que trafegavam apenas nas vias principais, e as filas nas paradas dos coletivos eram muito extensas. O custo da alimentação, vestuário e moradia eram os mais elevados do país.

Em seu primeiro comício em Goiás, quando ainda era candidato à presidência, Juscelino prometeu tirar o projeto de construção da cidade do papel. Lançou o slogan de "50 anos de progresso em 5 anos" na qual Brasília se encaixava.

Transferência da capital era um sonho antigo
A transferência da capital do Brasil para o interior era uma aspiração antiga. Já em 1716, o Marquês de Pombal fez essa proposta, com o argumento de que uma sede do governo no litoral poderia ser facilmente invadida por nações inimigas. Em 1821, José Bonifácio de Andrada e Silva sugeriu a interiorização da capital. Em 1922, o deputado Americano do Brasil apresentou o projeto do lançamento da pedra fundamental de Brasília no Planalto Central. A ideia ficou esquecida até a aprovação da Constituição de 1946, que determinava a transferência da sede do governo para o interior.

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20 de abril de 1998 — O ensaio e a poesia de Paz

Jornal do Brasil: O poeta e ensaísta Octávio Paz

O poeta, ensaísta mexicano e Nobel de Literatura de 1990, Octavio Paz retirou-se da vida pública em 1996, abatido pela fase terminal de um câncer ósseo, e por um incêndio, que destruiu parte de sua biblioteca repleta de obras raras. Devido às drogas usadas no tratamento, nos últimos três meses de vida o poeta teve poucas horas de lucidez, nas quais decidia qual seria o tema das capas da revista Vuelva, que editava, e revisava textos.

Octavio Paz foi autor de Soror Ruanda - as armadilhas da fé (1982), que conta a história da primeira poeta mexicana, que viveu no período colonial. Seu ensaio mais famoso é Labirinto da solidão, sobre a identidade do povo mexicano. O livro vendeu mais de 1 milhão de exemplares em todo o mundo.

Filho de pai mexicano - advogado e amigo do líder revolucionário Emiliano Zapata - e de mãe espanhola, Paz passou a infância nos Estados Unidos, acompanhando a família. Em 1933, aos 19 anos, publicou seu primeiro livro, Luna Silvestre. De volta ao México estudou direito na Universidade Nacional Autônoma e fez cursos de especialização em literatura.

Em 1937 visitou a Espanha, durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), e aderiu à causa republicana contra o general Franco. Em 1945 entrou para o serviço diplomático e foi para Paris, onde conheceu André Breton e o movimento surrealista. Foi também embaixador na Suíça, no Japão e na Índia.

Críticas à sociedade mexicana
Paz abandonou a carreira diplomática em 1968 em repúdio ao massacre de 352 jovens mexicanos, que protestavam na Plaza de Tlatelolco, no México.

Entre seus poemas destaca-se Piedra del Sol (1957), poema que, segundo o autor, é uma crítica à "apatia orgulhosa que muitos mexicanos partilham". Paz colocava a poesia em primeiro plano e dizia: "Mesmo que a poesia seja uma art4 de minorias ela é vital para a saúde espiritual da sociedade."
O intelectual publicou mais de 20 livros de poemas e ensaios de literatura, arte, cultura e política.

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19 de abril de 1953 — A inauguração do Museu do Índio

Jornal do Brasil: festejos do Dia do Índio

O marechal Candido Mariano da Silva Rondon reassumiu a presidência do Conselho Nacional de Proteção ao Índio, cargo do qual estava afastado por motivo de saúde, e no mesmo dia inaugurou com Darcy Ribeiro o Museu do Índio. Segundo o educador, romancista e antropólogo Darcy Ribeiro, "o museu é o primeiro devotado não a mostrar bizarrices etnográficas, mas as altas contribuições culturais dos indígenas à nossa cultura, e sobretudo lutarcontra o preconceito que apresenta os índios como atrasados, preguiçosos e desconfiados".

Darcy Ribeiro foi contratado para trabalhar na Seção de Estudos do Serviço de Proteção aos Índio (SPI) em 1947. Dedicou-se à cultura dos índios Kadiwéu e os Urubus-Kaapor, além de ter visitado aldeias dos Terena, Kaiwá e Ofaié-Xavante e de ter feito uma viagem de estudos ao Xingu. Em 1952, foi à Bolívia e ao Peru, onde fez observações sobre a cultura dos povos Quíchua e Aimará. Darcy escreveu romances de grande sucesso, como Maíra, e livros de ensaios, como Religião e Mitologia Kadiwéu, Línguas e Culturas Indígenas Brasileiras, O Processo Civilizatório, Os Índios e a Civilização.

O museu foi criado em um período em que os povos indígenas viviam momentos de grande aflição, com significativa redução populacional e a invasão de seus territórios. Por atuar na defesa dos direitos dos índios e combater o preconceito racial o museu foi premiado pela Unesco.

O trabalho realizado pelos irmãos Villas-Bôas no Museu do Índio resultou na criação do Parque Nacional do Xingu. O museu inicialmente funcionava em um prédio próximo ao Estádio do Maracanã. Em 1978, mudou-se para a Rua das Palmeiras, em Botafogo.

Demarcação das terras indígenas
Os documentos reunidos no museu pelos cientistas e etnólogos são usados para comprovação dos direitos indígenas nas questões de demarcação de terras e de reconhecimento étnico.

As peças que fazem parte do cotidiano pelos índios, que estão no museu, além de fotografias e filmes foram produzidos e coletados por importantes nomes da antropologia e da etnologia brasileira, como Rondon, Heinz Foerthmann, Eduardo Galvão, Darcy Ribeiro e Berta Ribeiro, entre outros. A Biblioteca Marechal Rondon é composta, em grande parte, pelo seu acervo particular.

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18 de abril de 1945 — Vargas concede anistia a presos e exilados


Jornal do Brasil Getúlio concede anistia

O decreto-lei assinado por Getúlio Vargas que concedeu anistia aos presos e exilados do Estado Novo foi uma vitória da opinião pública nacional.

O triunfo dos Aliados contra o nazifascismo, reforçado pela participação da Força Expedicionária Brasileira, contribuiu para a formação de um consenso entre civis e militares para a volta do Brasil à democracia.
Centenas de pracinhas morreram em combate na Itália, e os que voltaram para casa, muitos deles mutilados, encontraram aqui uma ditadura semelhante ao fascismo que eles foram combater na Europa. Essa contradição foi o ponto de partida para a realização de comícios em todo o país, exigindo a concessão imediata de anistia e o fim do Estado Novo, em vigor desde 1937. Nesse ano Getúlio dissolveu o Congresso, instaurou a censura e a tortura sob o pretexto de por fim às agitações comunistas e integralistas.

O decreto-lei colocou em liberdade 565 presos políticos. Apesar disso, a anistia foi parcial, e favoreceu só os que haviam cometidos crimes políticos julgados pelo Tribunal de Segurança Nacional (TSN). Militares que participaram das rebeliões de l935 indiciados e presos, quando julgados, foram absolvidos pelo TSN, mas não foram reintegrados às Forças Armadas.
Devido à pressão popular Getúlio também prometeu convocar eleições para a Presidência da República e uma nova Assembléia Constituinte, além de legalizar os partidos políticos.

Entretanto a oposição, temendo que Getúlio suspendesse o pleito presidencial, iniciou uma conspiração para tirá-lo do poder. No fim de outubro tropas do Exército cercaram o Palácio do Catete e obrigaram Getúlio a renunciar.

A presidência foi ocupada por José Linhares, presidente do Supremo Tribunal Federal. Vargas exilou-se em São Borja, sua cidade natal. O general Eurico Gaspar Dutra, apoiado por Getúlio, venceu as eleições para a Presidência da República, realizadas em 1945.

Prestes é libertado e Olga morre na Alemanha
Antes mesmo que o decreto que concedeu a anistia fosse publicado no Diário Oficial, os cinco primeiros beneficiários da medida deixaram as prisões. Dentre eles estava Luís Carlos Prestes, que liderou a Intentona Comunista em 1935 e que estava preso desde 1936.

A mulher de Prestes, Olga Benário, que estava grávida, foi presa com o marido e mais tarde entregue pelas autoridades brasileiras aos nazistas alemães. Olga foi executada na câmara de gás dois anos depois de dar à luz a filha do casal, Anita Leocádia Prestes, nascida em um campo de concentração. A menina foi resgatada por sua avó paterna, depois de intensa campanha internacional.

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17 de abril de 1983 — Impasse diplomático com a Líbia

jornal do Brasil: Aviões líbios

Quatro aviões cargueiros da Líbia ficaram retidos em território brasileiro por 50 dias, após um pouso forçado provocado por uma pane em uma das aeronaves. Segundo o porta-voz do Itamaraty, ministro Bernardo Pericas, o pouso foi autorizado por razões técnicas, obedecendo normas internacionais de transporte aéreo. De acordo com o comunicado do governo brasileiro, as aeronaves rumavam para a Colômbia, com um carregamento de remédios, mas depois de uma inspeção foi verificado que levavam armas para a Nicarágua, que estava em guerra civil desde 1979.
O presidente Anastásio Somoza havia sido deposto em 1978 pela Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) e tentava retomar o poder com o apoio dos Estados Unidos, que financiavam os "contra", para derrubar o governo sandinista.

Três aviões modelo Ilyushin, de fabricações soviética - ficaram pousaram em Manaus e um Hércules C-130 de fabricação americana ficou em Recife para reparos. Os dois modelos têm capacidade para transportar respectivamente 40 e 20 toneladas e estão entre os maiores cargueiros do mundo.

O incidente deixou o Brasil em uma situação bastante incômoda já que a Líbia era uma grande importadora de armas e aviões brasileiros, e a retenção dos aviões poderia comprometer as relações comerciais entre os dois países. Entretanto o governo brasileiro já havia declarado neutralidade no conflito da América Central e a liberação da carga para a Nicarágua colocaria o Brasil em posição de confronto com os Estados Unidos.

Depois de dois meses de negociações diplomáticas, sob pressão de fabricantes nacionais de equipamentos militares, que temiam perder a Líbia como cliente, o impasse foi resolvido com a devolução dos aviões e suas cargas para os líbios.

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16 de abril de 1909 — O herói sir Ernest Shackleton

Jornal do Brasil: 1909

Sir Ernest Shackleton foi um dos mais tenazes exploradores do Pólo Sul, honra que divide com outros aventureiros como Robert Falcon Scott e o norueguês Roald Amundsen. Shackleton passou por enormes tormentos mas não perdeu nenhum membro da sua equipe e ficou conhecido como um líder que colocava seus homens acima de tudo, o que inspirava neles uma lealdade cega.

Depois de viajar sob o comando de Scott na expedição do Discovery e ter retornado antes do fim da jornada, Shackleton organizou uma expedição patrocinada por empresários, com o objetivo de ser o primeiro homem a pisar o Pólo Sul. Para concretizar o empreendimento, teve de vender seu projeto de porta em porta. Finalmente em 1907, a bordo do Nimrod rumou em direção ao Estreito de McMurdo no Mar de Ross, onde estabeleceu o seu acampamento. Em outubro de 1908 partiu do Cabo Royds, ultrapassando a grande barreira de gelo acompanhado por três companheiros e uma tropa de quatro pôneis. A maioria dos cavalos não resistiu e acabou sendo de ser abatida. No início de dezembro, Shackleton, Frank Wild, Eric Marshall e Jameson Adams chegaram à frente de uma geleira até então desconhecida, que descia da cadeia de montanhas situada por trás da grande barreira de gelo. O paredão foi a porta de entrada para seu grupo passar da plataforma de gelo para o platô continental. Mas a passagem era muito difícil. O cavalo que carregava as provisões caiu numa fenda e morreu. Quando conseguiram ultrapassar a geleira Beardmore e chegar até cerca de 150 quilômetros do pólo os quatro homens estavam sofrendo de cegueira das neves, fome e queimaduras de frio. Naquele ponto Shackleton fez uma avaliação da situação e tomou a penosa decisão de retornar. Com Adams gravemente doente, Shackleton e Frank Wild tentaram uma arrancada final e caminharam por 36 horas quase sem descanso até chegar à base. De volta à Inglaterra, Shackleton transformou-se em herói nacional e foi sagrado cavaleiro do Império Britânico, transformando-se em Sir Ernest Shackleton.

A expedição mais difícil
Na sua terceira expedição ao Pólo Sul o plano de Shackleton era atravessar o continente antártico a partir do Mar de Weddell até o Mar de Ross, passando pelo Pólo Sul. Shackleton partiu da Inglaterra em 1914 com dois navios.

Ele planejava chegar ao Mar de Weddell com o Endurance e então marchar rumo ao pólo, enquanto a tripulação do Aurora aguardava no Mar de Ross. Mas o Endurance ficou preso no gelo logo no começo da travessia e foi destroçado pela pressão. A tripulação passou para um iceberg gigante e conseguiu se salvar. Eles permaneceram alguns meses no imenso bloco de gelo à deriva, e finalmente chegaram nas Ilhas Shetland do Sul, com os botes que tinham vindo no Endurance.

Shackleton deixou a maioria dos seus homens lá e navegou com dois marinheiros em um um pequeno bote por mais de 1.000 km para o Norte, em direção às Ilhas Geórgia do Sul, que eram habitadas, à procura de ajuda. Ao chegar lá teve ainda que atravessar a pé uma cadeia de montanhas para conseguir socorro. Com um pequeno navio a vapor Sakelton retornou aonde tinha deixado a tripulação e resgatou a todos. Dessa maneira Shakelton não perdeu, em todo decorrer da malograda expedição, um homem sequer.

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15 de abril de 1980 — A filosofia de Jean-Paul Sartre

Jornal do Brasil: a filosofia de Jean-Paul Sartre

Jean-Paul Sartre foi um dos maiores filósofos do pós-guerra. Nasceu em Paris em 1905. O pai, um jovem oficial da marinha, morreu quando o filósofo tinha 1 ano. O projeto de ser escritor nasceu na biblioteca do seu avô materno. Sartre foi estudar na Escola Superior Normal de Paris, onde conheceu Simone de Beauvoir, que se tornaria sua colaboradora intelectual e com quem viveu até o fim da vida. Não se casaram porque um não queria ser obstáculo a que o outro vivesse plenamente a sua própria liberdade. Sartre e Simone frequentavam o café Flore, em Paris, onde escreviam e conversavam cercados de estudantes.
Depois de algumas tentativas, Sartre publicou em 1937 O Muro, seu primeiro romance, e em 1938, A Náusea. Na Segunda Guerra Mundial serviu no Exército francês e foi feito prisioneiro pelos alemães, em 1940. Após alguns meses na prisão fugiu, e passou o resto da guerra na Paris ocupada pelos alemães.

A filosofia de Sartre é uma norma de conduta individual e se exprime na radical liberdade do ser humano e na responsabilidade de cada um por todos os seu atos. Sua filosofia expressou-se em romances e peças de teatro, bem como em textos filosóficos. Sempre em defesa do proletariado, tornou o arquétipo de um novo tipo de intelectual que participa das lutas políticas, presente nos protestos de rua, distribuindo jornais ou panfletos. Sua influência foi imensa por toda a segunda metade do século 20.
Em 1950, quando já era um autor consagrado, publicou um dos seus livros mais importantes, Crítica da Razão Dialética, em que tentou unir o marxismo ao existencialismo.

Sartre visitou a Rússia em 1953 e, após a Revolução Cubana passou um mês em Cuba, como hóspede de Fidel Castro. Foi autor do Manifesto dos 121, que proclamava o direito à insubordinação dos jovens franceses convocados para lutar na Guerra da Argélia, então uma colônia francesa. Defendeu as causas da liberdade do povo húngaro, em 1956, e dos checos, em 1968. Mas também hesitou em condenar o culto da personalidade promovido por Stalin ou repudiar os seus crimes políticos, inclusive os que constam dos nos processos de Moscou e que foram revelados por Kruschev.

Sartre e Simone no Rio
Sartre veio ao Rio em agosto de 1960 com Simone de Beauvoir. O cicerone do casal foi Jorge Amado. O filósofo francês fez uma longa conferência na Faculdade Nacional de Filosofia, quando abordou as guerras de libertação, que então se alastravam entre os povos do terceiro mundo.
Em 1964 ganhou o Prêmio Nobel de Literatura, mas o recusou, como forma de protesto contra os valores da sociedade capitalista burguesa. Apoiou a revolta dos estudantes em maio de 1968 e foi presidente do Tribunal Bertrand Russell, que condenou a conduta militar norte-americana na Indochina em 1967.

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14 de abril de 1945 — Tropas brasileiras tomam Montese


Jornal do Brasil: Montese
Depois dos intensos combates nas montanhas dos Apeninos, durante a conquista de Monte Castelo, em 21 de fevereiro, a Força Expedicionária Brasileira (FEB) travou uma nova batalha, muito mais dura que a primeira, nas ruas da pequena cidade de Montese.

O mais sangrento combate da FEB na Segunda Guerra Mundial deixou 34 mortos, 382 feridos e 10 desaparecidos. Os brasileiros foram encarregados, por sugestão do próprio general Mascarenhas de Moraes, de derrotar as tropas alemãs que ocupavam a região de Montese, obstáculo para a passagem dos aliados rumo ao vale do rio Pó.

Na luta, a FEB atraiu a maior parte do fogo defensivo da artilharia, desviando a atenção da 10ª Divisão de Montanha, norte-americana, que liderava a ofensiva.

A ação envolveu as guarnições da artilharia, os três regimentos de infantaria e o esquadrão de reconhecimento. O 3º Batalhão do 11º Regimento de Infantaria, que avançou rumo a Serreto-Paravento-Montelo, ficou no centro da formação ofensiva.

O esforço final dos aliados para acabar com a guerra na Itália [começou com a Ofensiva da Primavera. Ao fim de três dias de batalha os pracinhas capturaram a 148.ª Divisão de Infantaria alemã comandada pelos generais Otto Fretter Pico e Mario Carloni. As forças inimigas bateram em retirada sob a pressão dos soldados brasileiros.

Pilotos brasileiros na guerra
O desempenho do esquadrão de caça verde-amarelo na Itália também foi notável. Os 60 pilotos da Força Aérea Brasileira (FAB) usaram aviões P-47 e cumpriram missões de ataque ao solo, muito perigosas em face do terreno escarpado.

O esquadrão foi equipado e treinado pelos norte-americanos, e estava inserido em um de seus grupos de caça. Com menos de 6% das aeronaves do grupo, os brasileiros destruíram mais de 12% dos alvos. Dentre os quais dois depósitos de munição alemães e várias fábricas no oeste de Bolonha.

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13 de abril de 1970 — Pane na Apolo 13


Jornal do Brasil: Apolo 13
A Apolo 13 foi a terceira missão tripulada do projeto Apolo com destino à Lua, mas não cumpriu a missão devido a um acidente ocorrido no percurso de ida para o nosso satélite. Por pouco a viagem espacial não se transformou em uma tragédia, e confirmou a superstição sobre o número 13.
Quando estavam a caminho da Lua, o comandante James Lovell informou que ele e os outros tripulantes - John Swigert e Fred Haise - foram despertados por um sinal de alarme e sentiram o tremor de uma explosão na nave. "Isso nos alarmou de verdade. Pusemos o nariz em todos os cantos para saber o que significava aquilo", disse Lovell na comunicação que manteve com o Centro Espacial de Houston. Horas antes os tripulantes haviam transmitido imagens para a TV norte-americana deles próprios, da Terra, da Lua e das estrelas.

Depois de inspecionar todo o local, os tripulantes descobriram que ocorrera uma explosão em um dos tanques de oxigênio do módulo de serviço onde viajavam, que arrancara parte da cobertura lateral da nave. O acidente reduziu o estoque de oxigênio e danificou o sistema de energia elétrica. O pouso na Lua foi imediatamente cancelado. A partir dai a tripulação passou frio, fome e sede.

O módulo lunar, o Aquarius, que escapou intacto da explosão, foi o bote salva-vidas da missão. O módulo tinha um motor capaz de auxiliá-los na trajetória de volta e carregava água, oxigênio e força suficientes para os quatro dias de retorno à Terra.

Resolvidos esses problemas era necessário improvisar para adaptar o sistema de purificação do ar do módulo de comando, o Odisseia, para o módulo lunar, para eliminar o gás carbônico exalado pelos astronautas. Solucionadas as questões de sobrevivência imediata, os astronautas tinham de retornar o quanto antes à Terra.

Manobras para retornar à Terra
Em uma brilhante manobra de cinemática orbital, a nave continuou dirigindo-se em direção à Lua na trajetória prevista inicialmente mas, ao invés de entrar em órbita lunar, fez apenas uma curva de retorno em volta do nosso satélite, e dirigiu-se de volta para a Terra. Tudo isso tirando proveito da atração gravitacional da Lua e da Terra sobre a nave, e consumindo o mínimo possivel do combustível do módulo lunar, indispensável para a entrada na atmosfera terrestre. Qualquer erro humano ou defeito nos motores de propulsão e a nave ficaria perdida no espaço sideral. O mundo assistiu o drama dos astronautas com a respiração suspensa. Mas tudo funcionou perfeitamente e a nave aterrissou com segurança.

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12 de abril de 1989 — Descobertos corpos do czar Nicolau II e de sua família


Jornal do Brasil: Czar
Os corpos do último czar da Rússia, Nicloau II e de sua família foram encontrados pelo escritor e ex-policial Geli Ribanov enterrados em um fosso na cidade de Sverdlovsk. Ao contrário do que ensinava a história oficial, os corpos não foram destruídos por ácido.

A descoberta foi feita em 1979 e revelada 10 anos depois porque, segundo Geli, naquela época o governo soviético não autorizaria a autópsia. "Mesmo para mim não foi difícil identificá-los", disse Geli. O número de cadáveres, as características dos ferimentos, os dentes postiços, que tão frequentemente foram descritos em publicações estrangeiras, e os fragmentos de potes de cerâmica contendo ácido perto dos corpos coincidiam com as informações sobre a execução.
Nicolau II governou a Rússia em um período caótico.

O czar, que até então só estava acostumado a frequentar festas da realeza, enfrentou a desastrosa campanha contra o Japão (1904-1905) e a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). A alta dos preços e a escassez dos alimentos provocaram grandes distúrbios sociais. Em 1917 o czar foi obrigado a renunciar ao trono que sua família ocupava há 300 anos, deixando-o nas mãos dos revolucionários.

Nicolau Romanov foi preso e levado para a cidade Ekaterimburg, a 1.500 quilômetros de Moscou, onde ficou detido com a família, durante 16 meses. Os bolcheviques pressionaram o governo de Moscou para que este revelasse o esconderijo dos Romanov, o que levou Lenin a ordenar a execução dos prisioneiros em 17 de julho de 1918. Nicolau II, sua mulher e seus cinco filhos, além de quatro empregados e do cachorro de estimação das crianças, foram fuzilados no porão da casa em que estavam confinados por um grupo de camponeses e ex-presidiários da Cheka, polícia política.

Ordens foram desobedecidas
Temendo a reação da população ao assassinato e que o local da execução se tornasse um lugar de peregrinação, Lenin deu ordens para que fossem apagados todos os vestígios da chacina. Segundo a história oficial, os corpos foram transportados para uma mina e destruídos com ácido. Entretanto, os executores decidiram desobedecer a ordem e retornaram. Só que no meio do caminho o caminhão atolou em um pântano e os corpos foram enterrados lá. Após terem sido identificados, os despojos dos Romanov foram enterrados na fortaleza de São Pedro e São Paulo em 1998. O então presidente russo, Boris Yeltsin, assistiu ao enterro.

As histórias sobre Anastásia
Durante décadas persistiu a suspeita de que a grã-duquesa Anastásia e seu irmão Alexei, ambos filhos do czar, teriam sobrevivido ao fuzilamento. Segundo os executores, as grã-duquesas tiveram de ser mortas com golpes de baionetas porque os espartilhos e as jóias que elas usavam funcionaram como uma armadura, que as protegeram das balas. Esse fato contribuiu para aumentar os rumores de que membros da família real teriam escapado da morte.
Várias mulheres disseram ser Anastásia, as que ficaram mais famosas foram Anna Anderson e Eugenia Smith. Nenhuma delas conseguiu provar que era descendente dos Romanov. Recentemente um arqueólogo anunciou a descoberta de dois esqueletos perto de Ekaterimburgo. Exames de DNA comprovaram que as ossadas eram de Anastásia e Alexei.

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11 de abril de 1979 — A queda de Idi Amin Dada

Jornal do Brasil: Idi Amin Dada

O Exército da Tanzânia e as forças de ugandenses exilados entraram no centro de Kampala, capital de Uganda, sem encontrar qualquer resistência, depois de travarem violentos combates na periferia da cidade. À frente do efetivo vinham três tanques enfeitados com flores e um oficial brandindo uma lança. Os alvos da artilharia rebelde foram as colinas que cercam Kampala, de onde supostamente o general Idi Amin Dada dirigia a resistência.

Pela manhã as tropas entraram na cidade e depois da passagem do Exército os civis começaram a saquear lojas e residências abandonadas. Os soldados pró-Amin que não fugiram foram cercados e espancados até a morte. Idi Amim fugiu para a Líbia, mas foi expulso por Muamar Kadhafi. Conseguiu asilo na Arábia Saudita, onde viveu cercado por quatro esposas e 50 filhos.

Idi Amin Dada nasceu em Koboko, uma pequena aldeia de camponeses muçulmanos de Kakwa, nas margens do Nilo. Alistou-se no Exército britânico, foi ajudante de cozinheiro e campeão de boxe na categoria peso pesado de seu país. Depois da independência de Uganda em 1962, Idi Amin se tornou chefe do Exército do presidente Milton Obote e em 1971 deu um golpe de estado e assumiu o poder.

Durante o seu governo expulsou os imigrantes, sobretudo os indianos e os paquistaneses, que constituíam uma minoria instruída do povo. A ausência de mão-de-obra qualificada deteriorou as condições de vida da população urbana. Os bens dos asiáticos foram entregues aos militares muçulmanos. Já no campo a produção melhorou. A cultura de subsistência cresceu. As importações foram reduzidas e as exportações aumentaram. A balança comercial foi favorável e a dívida externa diminuiu de 1971 a 1977. Dois anos depois, a situação mudou com a queda do preço do café e a economia foi afetada.

Repressão violenta e canibalismo
O general reprimiu violentamente os que se opunham ao seu regime. Muitos ugandenses o acusavam de manter cabeças decepadas em uma geladeira, de alimentar crocodilos com cadáveres, e de ter esquartejado uma de suas esposas. Alguns diziam que ele praticava canibalismo. Os opositores do ditador atribuíram a Idi Amin Dada a morte de 300 mil pessoas.
Em 1976 apoiou o sequestro de um avião da Air France por um comando palestino, mas a força aérea israelense atacou o aeroporto de Entebbe, próximo a Kampala, libertando os reféns.
O ataque deixou 31 mortos, entre eles 20 ugandenses. A intervenção foi encarada pelo ditador como uma humilhação pessoal.

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10 de abril de 1974 — Golda Meir renuncia ao cargo

Jornal do Brasil: Golda Meir

A primeira-ministra de Israel Golda Meir renunciou ao cargo depois da crise no governo aberta pela Guerra do Yon Kippur, ocorrida um ano antes. No confronto Israel foi surpreendido pelas tropas da Síria e do Egito enquanto o povo celebrava o dia do perdão judaico. As tropas egípcias e sírias atacaram o país simultaneamente pela península do Sinai e colinas de Golã, com o objetivo de retomar o controle do canal de Suez. Após três semanas de batalha, com muitas baixas no lado israelense. O Exército de Israel, com o apoio dos Estados Unidos, expulsou os árabes e chegou a bombardear Damasco, capital da Síria.
O ataque dos árabes foi uma retaliação à Guerra dos Seis Dias, em 1967, quando o país entrou em conflito com o Egito e Jordânia, e terminou por anexar os territórios da Cisjordânia, faixa de Gaza, Península do Sinai e Colinas de Golã. A guerra teve como consequência o primeiro choque do petróleo, quando os países árabes cortaram o fornecimento de petróleo aos Estados Unidos e a outros países que apoiavam Israel.
As derrotas israelenses no início da Guerra do Yon Kippur, pelas quais o chefe do Estado-Maior, general David Elazar foi responsabilizado, foram a causa da divergência na coalizão governamental. Os israelenses também pediam a renúncia do ministro da Defesa, Moshé Dayan.
Quando deixou o mais alto cargo da hierarquia do Estado, Golda Meir, então com 75 anos, estava há 50 anos no serviço público. Meir foi casada e teve dois filhos, mas separou-se para se dedicar integralmente à política. Golda foi chamada para chefiar o país em 1969, na qualidade de única pessoa capaz de reunir as várias tendências tanto dentro do trabalhismo como entre as demais forças políticas nacionais.
Depois da renúncia Golda voltou à vida política em 1976 como dirigente do Partido Trabalhista.
Vida dedicada à política
A líder sionista nasceu em Kiev (Ucrânia). Emigrou para os Estados Unidos. Lá entrou para um grupo sionista. Em 1921 deixou o país para viver em um kibutz (cooperativa rural) na Palestina, região que na época estava sob o controle britânico. Deixou o kibtz por insistência do marido e foram morar em Telaviv, capital de Israel, onde trabalhou como lavadeira. Aderiu à Confederação Geral do Trabalho, o Histadruth em 1928, chegando a secretária do conselho de mulheres trabalhadoras. Durante a Segunda Guerra Mundial foi chefe do departamento político da Agência Judaica e da Organização Mundial Sionista.
Posteriormente assumiu como ministra Estado as pastas do Bem-Estar Social e do Exterior, até se tornar primeira-ministra, cargo que exerceu entre 1969 e 1974. Morreu de câncer em Jerusalém, aos 80 anos.

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9 de abril de 1980 — Brasil devolve documentos da Guerra do Paraguai

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O Brasil devolveu os documentos históricos da Guerra da Tríplice Aliança ao Paraguai. Os documentos pertencem ao Arquivo Nacional de Assunção e constituem um registro de um longo período da história do Paraguai, não apenas da fase em que o Brasil, a Argentina e o Uruguai fizeram a guerra contra Solano López.

Os aliados do Brasil já haviam devolvido todos os troféus que haviam conquistado no final da guerra. O presidente Medici em visita ao país restituiu 300 documentos que faziam parte de uma coleção de 48.700 peças.

A bandeira do Paraguai e a espada de Solano López, retiradas do general quando este foi capturado, continuaram em poder do governo brasileiro.

A Guerra do Paraguai (1864-1870) foi o maior e mais sangrento conflito armado ocorrido na América do Sul. As consequências foram desastrosas para o Paraguai, que teve cerca de 80% de sua população de jovens morta [em campanha. O país sofreu uma enorme recessão econômica da qual não conseguiu se recuperar.

O Brasil ficou atolado em dívidas que contraiu com a Inglaterra para a compra de armas.
Depois da independência em 1811, sucederam-se no Paraguai os governos de José Francia e Carlos López. Nesse período o analfabetismo foi erradicado, várias fábricas foram instaladas com o apoio estatal e a reforma agrária melhorou a distribuição de alimentos.

Solano López chegou ao poder em 1862 para dar continuidade às conquistas dos governos anteriores. O maior problema do país era a falta de uma saída para o mar. Os produtos paraguaios tinham de atravessar a região da Bacia do Prata, que abrangia partes do território brasileiro, uruguaio e argentino, o que resultava em confrontos armados. A ideia de Solano era expandir suas fronteiras e, para isso, armou o Exército.

A derrota de Solano Lopez
Em 1865, Uruguai, Brasil e Argentina formaram a Tríplice Aliança para deter o avanço das tropas paraguaias em seus territórios. Solano López lutou até o fim e até hoje é uma figura controversa. Para alguns, foi um ditador arrogante e de ambição desmedida. Para outros, um herói que tentou resistir aos ataques da Argentina e do Brasil na região do Prata.

Em março de 1870, foi morto com seus seguidores na batalha de Cerro-Corá. Elisa Lynch, sua mulher, de origem irlandesa, estava a seu lado e cavou com as próprias mãos a sepultura de Solano e do filho mais velho do casal, de 16 anos, ajudada pela filha caçula.

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8 de abril de 1973 — A força criativa de Pablo Picasso

Jornal do Brasil: Pablo Picasso

Pablo Picasso criou até o fim da vida. Aos 91 anos, o artista preparava uma exposição de 201 quadros e desenhos, que seriam expostos no Festival de Avignon. Sua vasta obra compõe-se de 14 mil pinturas, 34 mil ilustrações de livros e 300 esculturas e cerâmicas. Picasso obteve dois grandes prêmios: o Carnegie (1930) e o Lenin (1962). O artista nasceu em Málaga, na Espanha, e era radicado na França – "enquanto durar o regime franquista", dizia.

Picasso chegou a vender no início de sua carreira um quadro por 20 francos a um padeiro. Em 2004 a tela Garçon a la pipe (Garoto com cachimbo) foi vendida por 104,1 milhões no de dólares. A fortuna acumulada por Picasso é incalculável. Poucos museus do mundo eram mais completos do que sua coleção particular. Além das peças, tinha um patrimônio avaliado em 150 milhões de dólares em propriedades e investimentos. Picasso foi o único artista vivo a entrar no Museu do Louvre, que rompeu com sua tradição ao abrir-lhe as portas para expor oito de seus quadros como presente de 90º aniversário.

A produção artística em Paris
O pai de Picasso era professor de desenho e pintura e logo percebeu o talento do filho. Picasso estudou Belas-Artes em Barcelona onde pintou seus primeiros quadros de tendência acadêmica.
No início do século 20 foi morar em Paris, onde foi influenciado por Gauguin e Toulouse-Lautrec. Em 1907, pintou As Senhoritas de Avignon, obra cubista influenciada por Cézzane.

Os horrores da Guerra Civil Espanhola e o bombardeio da cidade de Guernica foram retratados em 1937 na tela que leva o mesmo nome da cidade basca arrasada pelos aviões de Hitler. Durante a Segunda Guerra Mundial, Picasso permaneceu na Paris ocupada pelos alemães, proibido de expor. Depois da vitória dos Aliados o artista ingressou no Partido Comunista, e nunca mais voltou para a sua terra natal.

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7 de abril de 1987 — União é culpada pela morte de Manoel Fiel Filho


Jornal do Brasil: União é responsabilizada pelam orte de opérário

A União foi responsabilizada pela morte do operário Manuel Fiel Filho, ocorrida nas dependências do Doi-Codi de São Paulo no dia 17 de janeiro 1976. A Segunda Turma do Tribunal Federal de Recursos deu assim ganho de causa à viúva Teresa de Lourdes Martins Fiel, que durante 10 anos lutou na Justiça por uma ação indenizatória.

A própria Procuradoria Geral da República reconheceu que houve torturas e sevícias contra Fiel Filho e os advogados admitiram que o caso está encerrado.

Manuel Fiel Filho foi preso ilegalmente - sem ordem de prisão, e não estava envolvido ou indiciado em qualquer inquérito - um dia antes da sua morte, que, segundo a versão do 2º Exército (SP), ocorreu por enforcamento. O preso teria se suicidado com as meias que não trajava quando foi levado para a prisão.

Fiel Filho morreu nas mesmas circunstâncias, local e época que o jornalista Wladimir Herzog, cuja viúva Clarice Herzog ganhou definitivamente uma ação semelhante contra a União em 1983.

O julgamento da ação durou 40 minutos. Depois da morte do marido, Teresa arrumou seu primeiro emprego na Febem, como copeira, para sustentar a família.

O valor da indenização por danos materiais que a União terá de pagar à viúva será calculado pela contadoria da Justiça Federal em São Paulo, com base no salário que Manuel recebia quando morreu.

Décadas depois foi aberto novo processo sobre o caso. O Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo ajuizou em março deste ano uma ação civil pública com pedido de liminar para que sete servidores públicos respondam civilmente pela morte de Fiel Filho e os parentes recebam a indenização de R$ 438.772.

De acordo com o MPF, os responsáveis participaram de prisão ilícita, tortura e morte da vítima, além de ocultarem as reais causas da morte do operário.

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6 de abril de 1992 — Fujimori dá golpe no Peru


Jornal do Brasil: Golpe de estado no Peru

O presidente do Peru Alberto Fujimori dissolveu o Congresso, impôs censura à imprensa, prendeu líderes políticos, suspendeu artigos da Constituição e instituiu uma ditadura com o apoio das Forças Armadas. O Congresso e o Palácio da Justiça (sede do Judiciário) amanheceram cercados por tanques e tropas do Exército.

O jornal La Republica saiu com as duas primeiras páginas praticamente em branco. O jornal El Comercio publicou em suas páginas. O jornalista Gustavo Gorriti, correspondente do Jornal El Pais, foi preso. No discurso transmitido pelo rádio e pela a TV, Fujimori disse que o país não poderia continuar a ser enfraquecido pelo terrorismo, pelo tráfico de drogas e pela corrupção. As Forças Armadas divulgaram um comunicado apoiando a ação do presidente.

A economia peruana enfrentava um séria crise, com hiperinflação e 90% da população desempregada ou subempregada. O salário mínimo de 30 dólares não pagava nem 10% da desta básica. O Sendero Luminoso, guerrilha de orientação maoísta apelidada de Khmer latino, como alusão ao Khmer vermelho do Camboja, havia matado em 12 anos cerca de 25 mil pessoas.

O escritor Vargas Llosa, derrotado por Fujimori nas eleições presidenciais, pediu à comunidade internacional que rompesse relações com o seu país, como represália ao fechamento do Congresso.

O antecessor de Fujimori, Alan García teve de fugir do país para escapar da prisão.
Depois de deixar a presidência em 2000, em meio a acusações de violações de direitos humanos e corrupção, Fujimori pediu asilo ao Japão. Este ano, voltou ao Peru para ser julgado pelo massacre de 25 pessoas e pelo sequestro de dois opositores.

Violações aos direitos humanos

Fujimori contou com a colaboração do general Nicolás Hermoza Ríos e de Vladimiro Montesinos, que chefiou a polícia política Colina. Em 1996, o drama dos 490 reféns, que a guerrilha Tupac-Amaru manteve em seu poder por vários meses na embaixada japonesa, desencadeou uma crise política da qual Fujimori saiu fortalecido.

Os guerrilheiros exigiam a libertação dos seus companheiros e protestavam contra as péssimas condições em que a população vivia. Fujimori ordenou a execução de 14 membros da Tupac-Amaru e libertou os reféns.

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5 de abril de 1951 — Casal Rosenberg é condenado por espionagem

jornal do Brasil: casal  rosenberg é condenado à cadeira elétrica

O engenheiro Julius Rosenberg, 32, e sua mulher Ethel, 35, foram condenados à morte na cadeira elétrica, acusados de roubar segredos da bomba atômica e os entregar à União Soviética. O outro acusado, o perito em radar Morton Sobell foi condenado a 30 anos de prisão.

O juiz federal Irving Kaufman, responsável pelo caso, disse que o crime cometido pelo casal "era pior que o assassinato, e que já motivara a agressão comunista na Coreia".
Ethel e Julius foram os primeiros condenados à morte nos Estados Unidos por um tribunal civil pelo crime de espionagem.

O juiz Kaufman destacou em sua sentença que tinha poderes de condenar o casal à morte por se tratar de um delito de espionagem cometido em tempo de guerra. Em tempo de paz a pena máxima seria de 20 anos de prisão.

O irmão de Ethel, David Greenglass, que confessou ter roubado os segredos atômicos nos laboratórios de Los Álamos, no Novo México, foi a principal testemunha apresentada pelo Estado contra o casal.

A polícia chegou até os Rosenberg depois de prender o físico inglês Klaus Fuchs, um dos principais pesquisadores de energia atômica do laboratório de Los Alamos. Fuchs, assim como os Rosenberg, tinha ligações com o Partido Comunista soviético.

Pedidos por clemência assinados por Einstein, Picasso, Bertrand Russell, Chaplin, entre outros, foram ignorados pelo presidente Eisenhower, que poderia transformar a sentença em prisão perpétua. O casal foi executado dois anos depois da condenação, mesmo alegando inocência.
Julius e Ethel recusaram-se a revelar os detalhes das informações passadas para a União Soviética, o que poderia ter-lhes poupado a vida. Os Rosenberg eram judeus nova-iorquinos e quando foram executados seus dois filhos tinham de 10 e 6 anos.

As provas contra o casal Rosenberg
As provas contra os Rosenberg sempre foram contestadas. Contudo, a liberação de documentos secretos da antiga União Soviética e de arquivos do governo norte-americano, bem como as biografias de chefes de inteligência da União Soviética revelaram parte do mistério.

De acordo com esses documentos, Julius, com o conhecimento de Ethel, chefiava uma das muitas redes de espionagem soviética em operação nos Estados Unidos no pós-guerra. Mas descobriu-se também que os dados roubados pelo casal foram irrelevantes para a União Soviética desenvolver a sua bomba atômica.

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4 de abril de 1968 — O sonho de Martin Luther King


Jornal do Brasil: Martin Luther King é assassinado

O discurso mais famoso do líder pacifista negro Martin Luther King, "I have a dream", (Eu tenho um sonho), foi proferido em 1963 em frente ao monumento em homenagem ao presidente Abraham Lincoln, em Washington. Luther King referia-se ao seu desejo de que no futuro as pessoas nos Estados Unidos tivessem tratamento igualitário. Naquela dia o líder negro discursou para cerca 250 mil manifestantes vindos de todo o país, para reivindicar seus direitos a liberdade, trabalho, justiça social e pelo fim da segregação racial.

A marcha foi organizada pelo próprio Luther King, que iniciou sua luta pelos direitos civis em 1955 depois que Rosa Parks recusou-se a ceder o seu lugar no ônibus a um homem branco, conforme determinava a lei estadual do Alabama. O pastor abraçou a causa de Rosa Parks e liderou um boicote ao transportes público, que ao fim de 382 dias derrubou a lei racista.

Em 1959, Luther King visitou a Índia para conhecer melhor o significado de Satyagraha, o princípio de persuasão não violenta empregada por Gandhi na luta de independência daquele país.

O líder negro sabia do ódio que despertava nos racistas e um dia antes de morrer assassinado fez um discurso sobre as ameaças que recebia: "Temos de enfrentar dificuldades, mas isso não me importa, pois eu estive no alto da montanha. Isso não importa. Eu gostaria de viver bastante, como todo o mundo, mas não estou preocupado com isso agora. Só quero cumprir a vontade de Deus, e ele me deixou subir a montanha. Eu olhei de cima e vi a terra prometida. Talvez eu não chegue lá, mas quero que saibam hoje que nós, como povo, teremos uma terra prometida. Por isso estou feliz esta noite. Nada me preocupa, não temo ninguém. Vi com meus olhos a glória da chegada do Senhor".

Morte provoca tumulto nas ruas
Martin Luther King foi assassinado em Memphis onde havia ido para apoiar uma manifestação de trabalhadores por melhores salários. Assim que a notícia da morte do líder negro se espalhou mais de 110 cidades dos Estados Unidos mergulharam no caos. Confrontos eclodiam de todas as partes, com tumultos, bombas, incêndios e saques.

A violência desenfreada levou à convocação da Guarda Nacional e até mesmo do Exército em alguns municípios. A situação mais grave foi registrada em Washington, que virou um campo de batalha na noite em que o líder negro foi morto.

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3 de abril de 1917 — Alemães afundam navio brasileiro

Jornal do Brasil: Navio Paraná é afundado

O Paraná, um dos maiores navios da frota mercante brasileira, com 4.466 toneladas, carregado de café, foi torpedeado por um submarino alemão na costa francesa. Três tripulantes morreram. Os agressores ainda dispararam cinco tiros de canhão contra os náufragos. A embarcação navegava dentro das normas internacionais, com as luzes acesas, a bandeira brasileira içada e tinha a palavra Brasil pintada no casco.

Como retaliação o presidente Venceslau Brás recusou-se a receber o embaixador germânico que veio apresentar explicações sobre o incidente. As relações diplomáticas com a Alemanha foram rompidas no dia 11 de abril seguinte, com o argumento de que o bloqueio naval imposto pela Alemanha à Grã-Bretanha, França, Itália e compreendendo todo o Mediterrâneo Oriental era ilegal.

Em 20 de maio outro navio brasileiro, o Tijucas, foi afundado na costa atlântica da França e seis dias depois, o Lapa foi atingido por três disparos de um submarino, no sul da Espanha. Desta vez, o presidente tomou medidas mais rigorosas. Os navios mercantes germânicos, que estavam nos portos brasileiros ficaram sob a guarda do governo.

No dia 23 de outubro o cargueiro Macau foi torpedeado perto da costa da Espanha e o seu comandante foi preso. Os ataques provocaram indignação na população, e o Brasil entrou na Primeira Guerra em outubro de 1917.

Venceslau Brás firmou aliança com os países da Tríplice Entente (Estados Unidos, Inglaterra e França), em oposição ao grupo da Tríplice Aliança, formada pelo Império Austro-húngaro, a Alemanha e o Império Turco-otomano.

A guerra começou em 1914 e só terminou em 1918, com a rendição incondicional da Alemanha.
Na Conferência de Paz, da qual resultou o Tratado de Versalhes em 1919, o Brasil conseguiu da Alemanha o pagamento com juros do café perdido nos naufrágios provocados pelos seus submarinos, e incorporou à frota mercante 70 navios alemães que foram retidos nos portos brasileiros.

O Brasil na Primeira Guerra Mundial
O Brasil entrou na guerra quando esta já se encaminhava para o desfecho e foi incumbido de patrulhar o Atlântico Sul, para evitar ataques de submarinos alemães. Contudo, o único disparo efetuado pela armada foi contra um cardume, confundido com um periscópio.

Em Dacar, a pequena tripulação foi vítima da gripe espanhola. A doença causou 110 mortes e deixou 140 marinheiros incapacitados. Os navios brasileiros só conseguiram chegar a Gibraltar dois dias antes do armistício.

Os brasileiros tiveram participação nos conflitos da frente ocidental e na região da Jutlândia. O Brasil enviou também uma missão médica militar e aviadores para a França.

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2 de abril de 1982 — Argentina ocupa Ilhas Malvinas


Jornal do Brasil:

As Forças Armadas da Argentina invadiram de surpresa as Ilhas Falklands, que os argentinos chamam de Malvinas. O governador inglês do arquipélago e os funcionários foram detidos. O presidente argentino Leopoldo Galtieri declarou que salvaguardou a honra nacional, recuperando as ilhas, que estavam em poder da Grã-Bretanha desde 1833.

O governo inglês rompeu relações diplomáticas com a Argentina. O chanceler lorde Carrington e o secretário de Defesa, John Nott, anunciaram a constituição de uma força-tarefa "muito poderosa" para intervir no território ocupado.

Em Buenos Aires milhares de pessoas saíram às ruas para celebrar a ocupação. A guerra fez os argentinos esquecerem por um breve período a explosão inflacionária e as violações dos direitos humanos cometidas pela junta militar, que se instalou no governo com o golpe de 1976.

Doze dias depois foram enviados secretamente pela Inglaterra um grupo de operações especiais enquanto os britânicos continuaram a preparar a grande esquadra, que derrotou os argentinos e retomou o arquipélago.

No conflito morreram 712 soldados argentinos e 255 ingleses. A Inglaterra gastou 2 bilhões de libras em armas e equipamentos. Foram usados os caças-bombardeiros de última geração. Já os soldados argentinos não tinham sequer agasalhos adequados para enfrentar o clima hostil.

A vitória militar britânica deu à primeira-ministra Margareth Tatcher uma enorme popularidade. Já a rendição argentina acelerou a queda da ditadura. Os militares passaram a ser vistos como aventureiros, que jogaram o país em uma guerra inútil. O general Galtieri foi deposto e, no ano seguinte, foram realizadas eleições livres, com a vitória de Raúl Alfonsín.


EUA e França quebram acordos com a Argentina
Os Estados Unidos mesmo sendo obrigados pelo Tratado Interamericano de Assistência Recíproca a dar suporte militar à Argentina, descumpriram o acordo e passaram para os britânicos informações militares estratégicas obtidas por seus satélites.

O Chile apoiou a Inglaterra devido ao litígio com a Argentina sobre o Canal de Beagle. E a França forneceu aos ingleses os códigos que permitiam desviar os mísseis Exocet lançados pelos argentinos.

Os franceses venderam esses mísseis à Argentina, mas por fazerem parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte apoiaram os britânico na guerra.

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1º de abril de 1939 - Franco vence a Guerra Civil Espanhola


Jornal do Brasil: Paz na Espanha

A Guerra Civil Espanhola acabou, com a vitória das forças comandadas pelo General Franco, que tinha o apoio de parte do exército, da igreja e dos latifundiários. A Frente Popular, que formava o Governo Republicano composto por sindicatos e partidos de esquerda foi derrotada no conflito, que durou três anos.
A Alemanha de Hitler e a Itália de Mussolini apoiaram os direitistas, enquanto a União Soviética apoiou os republicanos. Nas Brigadas Internacionais lutaram voluntários de diversos países, inclusive 41 brasileiros, na defesa da República e dos ideais socialistas.

O confronto deixou mais de 500 mil mortos e foi um ensaio bélico para a Segunda Guerra Mundial, que viria logo em seguida. Nos últimos meses da guerra milhares de refugiados atravessam os Pirinues em direção à França, enquanto outro grupo emigrou para diversos países da America Latina.

Os Estados Unidos foram o primeiro país a reconhecer o governo espanhol chefiado por Franco. O presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, simultaneamente ao reconhecimento, embargou a exportação de armas e munição para a Espanha.

Franco impôs ao país uma ditadura que perseguiu violentamente os opositores, e durou até 1975, ano de sua morte. Mesmo terminado o conflito, os conselhos de guerra prosseguiram com as prisões, torturas e fuzilamentos. Os 630 mil prisioneiros de guerra foram empregados na reconstrução de estradas, edifícios públicos, igrejas e ferrovias.

O massacre de Guernica

Dentre as atrocidade cometidas durante os três anos da Guerra Civil Espanhola, a que teve maior repercussão mundial foi o massacre de Guernica. Durante 2h45 os moradores da província basca, com 7 mil habitantes, foram alvo do ataque dos aviões alemães da Legião Condor, do Exército de Hitler.

O bombardeio matou 1.654 pessoas e feriu 889 e destruiu o povoado onde há um velho carvalho embaixo do qual os monarcas espanhóis, desde os tempos medievais, juravam respeitar as leis e costumes dos bascos.

O ataque marcou o início da participação nazista na guerra e foi a primeira vez que se efetuou um ataque aéreo cerrado contra uma cidade indefesa.

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