Arquivo de March 2009

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31 de março de 1965 — A luta pelos direitos civis nos EUA

Jornal do Brasil: Passeata no Alabama (EUA)

Um grupo anti-racista desafiou a polícia do Alabama ao realizar uma passeata pelas ruas de Montgomery em memória dos mortos na luta pelos direitos civis nos Estados Unidos. Os manifestantes assistiram na cidade de Selma a um culto em memória a Viola Gregg, assassinada em uma emboscada durante a marcha de ativistas negros entre as duas cidades.

O protesto, que resultou na morte de Viola, foi liderado pelo pastor Martin Luther King e defendia o direito de os negros registrarem-se como eleitores, em oposição ao chefe de polícia da cidade, Jim Clark.

Centenas de ativistas foram presos, inclusive o próprio Martin Luther King. As manifestações continuaram depois das prisões e transformaram-se em tumulto com mortos e feridos.
As cenas do confronto entre a polícia a cavalo e civis brancos e negros foram transmitidas pela televisão para todo o país e causaram revolta na população americana.

Depois da passeata pacífica no Alabama os dirigentes da luta pelos direitos civis cancelaram todas as manifestações e convocaram os negros a se prepararem para se inscreverem no departamento encarregado de emitir títulos eleitorais.

A causa dos negros foi vitoriosa em julho do mesmo ano, quando o presidente Lyndon Johnson conseguiu aprovar no Congresso a Lei do Direito de Voto. No ano seguinte, os eleitores negros mudaram o perfil da política racista do Sul dos Estados Unidos, elegendo seus representantes para ocuparem cargos públicos.

Os protestos de desobediência civil liderados por Martin Luther King alastraram-se por todo o país e foram determinantes para a extinção do apartheid, regime de segregação racial.

O exemplo de Rosa Parks
A luta pelos direitos civis começou com Rosa Parks, em 1955, quando esta recusou-se a ceder o seu lugar no ônibus a um homem branco, conforme mandava a lei estadual do Alabama. Rosa foi presa e liberada após pagar multa. Em consequência da sua atitude foi demitida do emprego e sofreu ameaças de morte, que a obrigaram a mudar-se para Detroit.

O jovem pastor da Igreja Batista, Martin Luther King Jr., abraçou a causa de Rosa e incentivou os negros a seguir-lhe o exemplo. Durante 382 dias, a população negra boicotou o transporte público até derrubar a lei racista.

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30 de março de 1965 — A história do monumento a dom Pedro I

Jornal do Brasil: é inaugurado o primeiro monumento público do país

Depois de ter sido adiada várias vezes devido a um forte temporal, foi finalmente realizada a solenidade de inauguração do primeiro monumento público da cidade - o monumento a dom Pedro I.

O Rio de Janeiro amanheceu em festa. Naquele domingo de 1862 praticamente toda a população se concentrava na Praça da Constituição, atual Praça Tiradentes, à espera do Imperador dom Pedro II, que inauguraria a estátua em homenagem à proclamação da independência do Brasil.

A proposta de construção do monumento partiu do vereador Haddock Lobo por ocasião do trigésimo aniversário da independência.

João Maximiliano Mafra foi o vencedor do concurso internacional realizado em 1855, para escolher o desenho da estátua. O monumento foi construído em Paris por Louis Rochet, o terceiro colocado no mesmo concurso, que tinha como aprendiz o jovem Auguste Rodin.

O conjunto tem 3,30 metros de altura, tendo em destaque a figura de dom Pedro I vestido com o uniforme de general, com o braço direito levantado, representando o ato da independência. No pedestal estão quatro alegorias indígenas, que simbolizam os rios Amazonas, Paraná, Madeira e São Francisco.

Fogos de artifício anunciaram a saída de dom Pedro II e sua comitiva do Paço Imperial, na atual Praça 15. Quando o monarca chegou à Praça da Constituição houve salvas de artilharia. O visconde de Cabo Frio, que exercia a função de porta-estandarte, desfraldou a bandeira da Independência e o marquês de Abrantes desenrolou o texto original da primeira Constituição, que conduzira em um cofre de ouro, e o exibiu para a multidão. O vigário da Igreja da Cruz dos Militares benzeu o monumento e um coro de mais de 600 cantores acompanhados por mais de 200 músicos cantou o Te Deum, de Neukomm.

Dom Pedro II montou no cavalo e passou em revista as tropas. Em em seguida abrigou-se da chuva no Teatro São Pedro de Alcântara, atual João Caetano. E assim encerrou-se a cerimônia. O belo monumento permanece no até hoje no centro da Praça Tiradentes.


O Teatro João Caetano
A Praça da Constituição, atual Praça Tiradentes, foi escolhida para abrigar o monumento a Pedro I devido a importância histórica do Real Teatro São João, atual Teatro João Caetano, erguido na praça em 1813.

Foi de uma das varandas do teatro que Pedro I jurou fidelidade à Constituição Portuguesa, quando assumiu o posto de Príncipe Regente.

Nele foi promulgada, em 1824, com a presença do imperador e da imperatriz, a primeira Constituição brasileira. No momento da solenidade o teatro pegou fogo e foi reconstruído e reinaugurado por Pedro I, em 1826, passando a chamar-se Teatro São Pedro de Alcântara.

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29 de março de 1978 — Comitê Brasileiro da Anistia denuncia ditadura

jornal do Brasil: Carter visita o Brasil

O presidente norte-americano Jimmy Carter fez uma visita de três dias ao Brasil, quando ouviu relatos de violações dos direitos humanos no país. O Comitê Brasileiro pela Anistia criticou o apoio público que Carter deu ao regime militar, e entregou durante o encontro realizado em Brasília um dossiê com o histórico dos últimos 14 anos de ditadura, em que denunciava a existência de 10 mil brasileiros no exílio. Deste total, 122 haviam sido banidos por leis de exceção.
O documento citava também os relatórios da Anistia Internacional em que constam os nomes de milhares de brasileiros torturados pelos órgãos policiais, dos quais centenas foram assassinados, e de 600 pessoas que tiveram seus direitos políticos cassados.
Já os jornais norte-americanos Washington Post e The New York Times destacaram a forma fria com que Geisel recebeu Carter, devido às divergências entre ambos sobre a questão direitos humanos e a oposição norte-americana à proliferação nuclear.

A relação entre os dois países ficou tensa quando, um ano antes da visita, a primeira dama norte americana Rosalyn Carter contou que esteve em Recife e ouviu de dois missionário, que acabavam de sair da prisão, que estes haviam sido tratados como bichos.

Cinco acordos militares entre os dois países foram cancelados quando o Departamento de Estado norte-americano levou ao Congresso um relatório sobre as torturas a presos políticos no Brasil.

No seu discurso no Palácio da Alvorada, em Brasília, Carter disse que "o Brasil é um país que lhe traz boas recordações e grande adminiração". Depois de encontrar-se com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Thompson Flores, Carter embarcou para o Rio.

A luta de dom evaristo Arns
O presidente Carter encontrou-se no Rio com personalidades não vinculadas ao governo, entre elas o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Raimundo Faoro, e os arcebispos do Rio e de São Paulo, respectivamente, dom Eugênio Sales e dom Paulo Evaristo Arns. Este último foi chamado pelo jornal Washington Post de "o cardeal do povo brasileiro" por ter denunciado sistematicamente durante oito anos a tortura a presos políticos, e por desempenhar um papel efetivo na demissão do comandante do 2º Exército, general Ednardo D'Ávila Melo, depois da morte de Wladimir Herzog.

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28 de março de 1980 — Anchieta é beatificado


Jornal do Brasil: Padre Anchieta é beato

O papa João Paulo II anunciou a beatificação do Padre José de Anchieta. O título de beato, ou bem-aventurado, é concedido aos que praticaram as virtudes cristãs em grau heróico e servem como modelo a ser seguido pelos demais católicos. O Vaticano faz um estudo exaustivo da vida do candidato e apura eventuais milagres obtidos pela sua intercessão. O padre José de Anchieta atingiu esse estágio, e recebeu o título.

Anchieta nasceu em São Cristóvão, nas Ilhas Canárias em 1533, e morreu em Iriritiba no Espírito Santo, em 1597. O missionário jesuita tinha 20 anos quando chegou ao Brasil na comitiva de Duarte da Costa, o segundo governador geral.

O trabalho de Anchieta foi decisivo para a implantação do catolicismo no Brasil. As peregrinações que ele fez a pé, a cavalo ou em embarcações abriram caminhos que se transformariam em estradas, e contribuíram para manter o Brasil unificado nos séculos seguintes.
Dois anos depois de ter chegado, Anchieta escreveu o livro Arte da gramática, do tupi, conhecimento que transmitiu aos outros jesuítas. O padre ensinou latim e o português aos índios, escreveu manuais para os alunos, cartas sobre o trabalho dos jesuítas, poemas, um dicionário de tupi, além de um tratado sobre a flora, a fauna e o clima da Capitania de São Vicente.
Anchieta desbravou a Serra do Mar e instalou-se no Planalto de Piratininga onde fundou o colégio, que seria o embrião da cidade de São Paulo. Mais que um centro de aprendizado, a escola era um posto avançado da Companhia de Jesus em terras indígenas, distante das vilas portuguesas do litoral.

Com os conhecimentos médicos adquiridos durante o seminário, Anchieta cuidou dos índios, que contraíram doenças disseminadas pelo homem branco.

De tanto caminhar Anchieta ficou conhecido como abarebebe, que significa padre santo voador, em tupi. Duas vezes por mês, o sacerdote percorria a trilha litorânea entre Iriritiba e a Ilha de Vitória, com cerca de 105 quilômetros, só fazendo pequenas paradas para pregação e descanso. Atualmente a rota é percorrida por turistas, à semelhança do Caminho de Santiago, na Espanha.

O trabalho dos jesuítas no Brasil

O primeiro grupo jesuítas chegou ao Brasil em 1549, chefiados pelo padre Manuel da Nóbrega. Os missionários ergueram um colégio em Salvador, na Bahia, fundando a Província Brasileira da Companhia de Jesus.
Nóbrega juntou-se a Anchieta em 1563 nas negociações de paz entre portugueses e tamoios, em Ubatuba.
Os jesuítas eram contrários à escravização dos índios, e não se deixaram ficar no litoral. Os missionários embrenharam-se nas matas para catequizar e ensinar a população nativa e a ler e a escrever.
Quando foram expulsos, em 1760, pelo marquês de Pombal, já haviam erguido 670 colégios em todo o país.

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27 de março de 1992 — África do Sul suspende pena de morte

Jornal do Brasil: Suspensão da pena de morte na África do Sul


O governo da África do Sul decidiu suspender por tempo indeterminado a aplicação da pena de morte no país, até que o governo e representantes da maioria negra elaborassem um projeto de lei para os direitos humanos. A questão era um empecilho às negociações de transição para uma democracia multirracial. O assunto veio à tona depois que foi declarada a sentença de morte para 17 pessoas – brancos e negros. Os condenados tinham esgotado todas as possibilidades de apelação.

Além dessas 17 pessoas, outras 257 aguardavam a execução por enforcamento, a maioria negros. Até 1990, a África do Sul só perdia para o Irã em número de execuções. Na década de 80, o país executou uma média de 100 pessoas por ano.

A pena de morte foi abolida na África do Sul em 1995, um ano depois do fim do apartheid, o regime de segregação racial estabelecido oficialmente em 1948. De acordo com as leis sul-africanas, os negros não podiam usar o mesmo transporte coletivo dos brancos, e nem podiam residir nos mesmos bairros. Casamentos interraciais eram proibidos e havia reserva de mercado de trabalho a favor dos brancos, que eram proprietários de 87% das terras.

As revoltas dos negros eram duramente reprimidas pela elite branca. O período dos conflitos mais violentos foi entre 1983 e 1988, quando milhares de pessoas foram presas, torturadas e mortas. As pressões internacionais e as rebeliões da maioria negra contra o regime de segregação racial intensificaram-se.

Comissão de Verdade e Reconciliação
Em 1989, Frederic de Klerk assumiu a presidência e implementou mudanças que puseram fim ao regime de segração racial. Naquele mesmo ano, o líder negro Nelson Mandela, que desde 1964 cumpria pena de prisão perpétua, foi posto em liberdade. Nas primeiras eleições livres, ocorridas em 1993, Mandela foi eleito presidente da África do Sul.

Um dos seus primeiros atos foi instituir a Comissão de Verdade e Reconciliação, criada para apurar as violações dos direitos humanos durante o apartheid. Os membros da comissão conseguiram identificar mais de 20 mil vítimas dos conflitos raciais.

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26 de março de 1991 — A criação do Mercosul

Jornal do Brasil: A Criação do Mercosul

Os presidentes Fernando Collor, do Brasil, Carlos Menen, da Argentina, Andrés Perez, do Paraguai, e Alberto Lacalle, do Uruguai, assinaram o Tratado de Assunção, criando o Mercado Comum do Sul (Mercosul). Embora tenha sido criado em 1991, o acordo começou a ser esboçado em 1980, quando Brasil e Argentina assinaram vários tratados com o objetivo de aumentar a integração comercial. Chile, Equador, Colômbia, Peru e Bolívia participam como países associados do Mercosul.
A partir de janeiro de 1995 foi instalada a zona de livre comércio entre os países membros, com o fim das barreiras alfandegárias de cerca de 90% das mercadorias produzidas nos países membros.
Os produtos que não entraram nesse acordo foram tributados com tarifas diferenciadas por serem considerados estratégicos, ou aguardam que seja elaborada uma legislação especial para cada caso.

Em julho de 1999 foi dado um passo importante no sentido de ampliar a integração econômica entre os países membros, ao se estabelecer um plano de uniformização de taxas de juros, índice de déficit e taxas de inflação.

Cogita-se também na adoção de uma moeda única, a exemplo do que fez o Mercado Comum Europeu.
Ainda há muitos obstáculos a serem superados para a formação de um mercado sem fronteiras na América do Sul. Especialistas comentam que se essa integração econômica for bem sucedida aumentará o desenvolvimento econômico dos países membros, e facilitará as relações comerciais entre o Mercosul e outros blocos econômicos.

Os conflitos nas relações comerciais
As relações comerciais entre o Brasil e a Argentina, as duas maiores economias do Mercosul, são conflituosas devido a medidas protecionistas adotadas pela Argentina.

As barreiras são impostas no setor automobilístico e da linha branca (geladeiras, micro-ondas, fogões) sob a alegação que a livre entrada dos produtos brasileiros é um obstáculo ao crescimento desses setores no país.

Os argentinos argumentam também que o açúcar brasileiro chega ao mercado com um preço muito baixo porque os produtores recebem subsídios do governo. Em 1999 o Brasil teve de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) para acabar com as barreiras estabelecidas pela Argentina aos tecidos de algodão e lã produzidos no Brasil.

A Argentina dificultou também a entrada de calçados brasileiros no país ao exigir um selo de qualidade nos sapatos vindos do Brasil.

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25 de março de 1975 — A retirada das tropas dos EUA do Vietnã

Jornal do Brasil: Tropas americanas saem do Vietnã

A retirada das tropas americanas do Vietnã e a libertação dos 148 prisioneiros de guerra começaram 60 dias depois da assinatura do acordo de paz que pôs fim à intervenção militar dos Estados Unidos na Indochina.

Na guerra mais sangrenta da segunda metade do século 20 morreram 2 milhões de vietnamitas, 3 milhões ficaram feridos ou inválidos, centenas de milhares de crianças ficaram órfãs, e 12 milhões de indochineses deixaram a região.

As forças americanas bateram em retirada depois de sofrerem mais de 50 mil baixas, e 150 mil soldados ficarem feridos ou inválidos.

Pela primeira vez, as atrocidades da guerra foram exibidas na TV e provocaram protestos do público americano e de todo o resto do mundo.

O bombardeio durante 12 dias de Hanói e Haiphong foi considerado a ofensiva mais violenta da Guerra do Vietnã. O ataque realizado por aviões e navios matou milhares de pessoas e envenenou o meio ambiente de um país essencialmente agrícola. Mesmo com poucas armas, e sem treinamento militar, os norte-vietnamitas não se entregaram. Embrenharam-se na selva e passaram a usar táticas de guerrilha.

Alguns militares americanos ainda ficaram mais dois anos no Vietnã do Sul, enquanto o país continuava a luta contra o Norte, até que o exército sul-vietnamita começou a desertar em massa.
Americanos batem em retirada
O final da guerra só foi declarado em 30 de abril de 1975 quando tanques norte-vietnamitas entraram vitoriosos em Saigon. Os últimos militares americanos refugiaram-se no telhado da embaixada dos Estados Unidos, que foi cercada pela população. Cerca de 90 mil sul-vietnamitas que colaboraram com o exército americano, pediam para ser retirados do país. Poucos conseguiram ajuda. Os americanos foram resgatados de helicóptero numa fuga vexatória e televisada. No ano seguinte, o Vietnã foi reunificado e transformou-se na República Socialista do Vietnã.

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24 de março de 1972 — Parlamento da Irlanda do Norte é fechado


Jornal do Brasil: Governo Britânico fecha parlamento note-irlandês
O primeiro-ministro da Irlanda do norte, Brian Faulkner, renunciou ao cargo por discordar da decisão do governo britânico de assumir o controle direto da província. Fualkner declarou que nem ele nem o seu governo "tem interesse em continuar com a farsa".

O primeiro-ministro britânico Edward Heath anunciara horas antes a sua decisão de fechar o parlamento norte-irlandês, e governar a Irlanda do Norte a partir de Londres. Heath disse ainda que o exército britânico ocupou a Irlanda do Norte para evitar que qualquer organização que cometesse atos de terrorismo ou intimidasse os moradores da província, referindo-se ao Exército Republicano Irlandês (IRA) e às milícias protestantes.

As recentes ações violentas do IRA foram uma resposta ao Domingo Sangrento, que resultou na morte de 13 pessoas que participavam de uma manifestação pacífica pelos direitos civis. Soldados ingleses foram acusados de disparar contra a multidão. Depois do episódio, o IRA dividiu-se em dois: os oficiais, que acreditavam no movimento político e na participação nos parlamentos de Londres, Dublin e Belfast, e os provisórios, que só acreditavam no terrorismo. Os protestantes se armaram, formando esquadrões da morte que assassinavam ativistas católicos e militantes do IRA.

O líder da maioria da Câmara dos Comuns, William Withelaw, foi nomeado interventor. A decisão desagradou tanto ao IRA quanto ao movimento Vanguarda de Ulster, comandado pelos protestantes e favorável à permanência da região como província britânica.

Procurando isolar o IRA, em 1973 o governo britânico promoveu um referendo sobre a independência da Irlanda do Norte. A maioria protestante deu vitória à permanência da província no âmbito do Reino Unido.

Os atos terroristas prosseguiram. O IRA passou a explodir bombas na Inglaterra, como o atentado que matou em 1979 Lord Mountbatten, herói de guerra e membro da família real, último vice-rei da India.

Deputado morre na prisão
Os militantes do IRA presos em 1981 iniciaram uma série de greves de fome. Bobby Sands foi o primeiro a morrer, em uma prisão de segurança máxima, depois de ficar mais de dois meses sem receber alimento algum.

Sands, 27 anos, foi eleito deputado do Parlamento londrino enquanto estava em plena greve de fome. Entretanto, o mais jovem deputado eleito para a Câmara dos Comuns não conseguiu tomar posse, porque morreu três semanas após sair o resultado da eleição para a Câmara dos Comuns.

Sands tornou-se um símbolo e mártir da luta da minoria católica contra o domínio inglês. Outros nove presos católicos seguiram o exemplo dele, e morreram em greve de fome.

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23 de março de 1956 — A República Islâmica do Paquistão

Jornal do Brasil: Hostilidades entre a Índia e o Paquistão

O Paquistão acusou a Índia de abrir fogo contra soldados paquistaneses na cidade de Carachi. Cinco pessoas morreram no confronto. O governo da Índia alegou que um efetivo das forças armadas do Paquistão tentou ocupar uma faixa de terra na fronteira, que pertencia aos indianos.
O território paquistanês fazia parte da Índia, que por sua vez, era uma colônia britânica. Com a retirada das tropas inglesas, o Paquistão, com população de maioria muçulmana, separou-se da Índia, de maioria hindu, e ambos os países tornaram-se independentes em 1947.

O Paquistão foi um Dominum na Comunidade Britânica de Nações até 1956 quando ser proclamada a República Islâmica do Paquistão.

Em 1971, ocorreu nova divisão: O Paquistão Oriental apoiado pela Índia separou-se da República Islâmica, dando origem a Bangladesh. A guerra civil deixou mais de 2 milhões de mortos.
Desde a sua criação, o país disputa a posse da região da Cachemira com a Índia.

O território paquistanês já foi invadido por gregos, persas, árabes, afegãos, turcos e mongóis. Os muçulmanos de origem sunita, que são a maioria, vivem em conflito com a minoria xiita.

Paquistão, em urdu, a língua oficial, significa país dos puros e cada letra que forma o seu nome, Pakistan, em inglês, refere-se a uma das regiões que o compõe. Assim, a letra P é de Punjab, o A é de Afegânia, o K é de Kachemira, o S é de Sind e as três últimas letras (TAN) referem-se à área meridional do país, conhecida como Baluquistan.

Situado no centro-sul da Ásia, o Paquistão fez parte da Rota da Seda, trilhada na Idade Média por caravanas que iam da Turquia até a China e levavam a seda para a Europa.

O território é muito montanhoso e abrange parte da cordilheira do Himalaia, onde está o segundo pico mais alto do mundo, o K-2. O clima é árido e há desertos nas fronteiras com a Índia, com o Irã e com o Afeganistão. A maior parte da população habita o vale do rio Indo, região de terra fértil onde são cultivados algodão e trigo.
pa.

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22 de março de 1941 — Alemães atacam navio brasileiro

Jornal do Brasil : Vapor Taubaté

O vapor Taubaté, do Lloyd Brasileiro, foi o primeiro de uma série de navios brasileiros atacados pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. A investida resultou na morte do conferente José Francisco Fraga e feriu outros oito tripulantes.

O navio foi atacado no Mediterrâneo, próximo ao Egito, por um avião que, depois de lançar bombas sem conseguir atingi-lo, metralhou a embarcação. O comandante e os oficiais do vapor declararam ao consulado brasileiro em Alexandria que a aeronave trazia as insígnias da força aérea alemã.

Um ano depois os ataques se intensificaram, o que constituiu-se em fator determinante para a entrada do Brasil na Segunda Guerra.

Submarinos alemãs torpedearam um total de 34 navios brasileiros. Só de fevereiro a agosto de 1942, 19 embarcações foram afundadas na costa brasileira, causando a morte de 742 pessoas. A quase totalidade desses navios pertenciam à frota mercante. As exceções foram a corveta Vital de Oliveira e o pesqueiro Shangri-lá. O navio de guerra foi o último a ser torpedeado, em julho de 1944. Das 275 pessoas que compunham a sua tripulação, 99 morreram. O Vital de Oliveira seguia em direção ao Rio de Janeiro, após fazer escalas no litoral do Nordeste e em Vitória. Não houve sobreviventes ao ataque ocorrido em julho de 1943 ao Shangri-lá. Todos os 10 tripulantes do barco morreram.
Os torpedos lançados pelos submarinos causaram a morte de um total de 1.081 pessoas, quase o dobro do número de soldados brasileiros (551), que foram mortos nos campos de batalha na Segunda Guerra Os ataques provocaram pânico em cidades do litoral brasileiro. Nessa época a navegação de cabotagem era o principal meio de locomoção e transporte entre cidades costeiras, principalmente no Nordeste. O objetivo dos alemãs era impedir que as matérias-primas brasileiras transportadas nesses navios chegassem às mãos dos aliados, para o que não hesitavam em atingir civis desarmados.

Um único submarino alemão, o U-507, comandado pelo capitão Harro Schacht, destruiu três navios brasileiros e matou um total de 551 pessoas. O U-507 foi destroçado por um avião da marinha norte-americana na Bahia de Todos os Santos.

Revolta contra imigrantes
A notícia dos ataques contra navios brasileiros motivou reações violentas por parte da população, que se voltou contra os imigrantes alemães, italianos e japoneses. Em muitas cidades do país ocorreram depredações de estabelecimentos comerciais pertencentes a esses imigrantes, e até tentativas de linchamento.

Depois da entrada do Brasil na Segunda Guerra, os imigrantes japoneses, alemães e italianos passaram a ser vigiados pelas autoridades brasileiras, e costumavam ser considerados suspeitos de espionagem, razão pela qual sofreram toda sorte de arbitrariedades.

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21 de março de 1959 — O Manifesto Neoconcreto no JB


Jornal do Brasil: O Manifesto Neoconcreto

Dois dias após a abertura da 1ª Exposição de Arte Neoconcreta no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, o Suplemento Dominical do Jornal do Brasil (SDJB) estampava em suas páginas o Manifesto Neoconcreto. Assinado pelos artistas expositores Lygia Pape, Franz Weissmann, Lygia Clark e Theon Spanúdis, além de Reynaldo Jardim, Ferreira Gullar e Amilcar Castro — estes três, respectivamente, editor chefe do SDJB, editor de artes plásticas e diagramador — o Manifesto estreitava os laços entre o Movimento Neoconcreto e o SDJB.

Criado em 1956 por Reynaldo Jardim, o SDJB foi idealizado para tratar de temas voltados ao universo feminino, mas logo no início mudou as suas pretensões originais. Ainda em 1956, ao conceder um generoso espaço à 1ª Exposição de Arte Concreta, realizada do MAM de São Paulo, o SDJB desencadeou o cisma entre paulistas e cariocas, firmando-se como o centro das discussões do processo de ruptura, principalmente em torno da literatura, da poesia e das artes plásticas. "Tínhamos toda a liberdade e nenhuma interferência para editar, produzir, contestar e revolucionar". Este era o ideal que inspirava Reynaldo Jardim no seu experimento jornalístico - literário, o qual ele definia como uma publicação didática, educativa e atualizadora. O SDJB agitou o cenário cultural brasileiro, e atingiu o seu melhor momento quando, por ocasião da estreia da 1ª Exposição de Arte Neoconcreta, publicou o Manifesto Neoconcreto. O Neoconcretismo nasceu em um período de transformações no Brasil e no mundo. O governo de Juscelino Kubstchek, cujo lema era "50 anos em 5", tinha como meta modernizar o país, e a sociedade brasileira começava a adquirir um perfil urbano.

A rivalidade entre cariocas e paulistas
Os debates acalorados sobre a divisão do movimento entre paulistas e cariocas tiveram um capítulo à parte nas páginas do Suplemento Dominical do Jornal do Brasil. Segundo Lygia Pape, que pertencia ao grupo carioca, a separação do grupo paulista ocorreu porque estes eram "muito racionalistas", enquanto os integrantes do grupo do Rio queriam trabalhar com a "intuição, mais soltos".
O tema tornou-se uma batalha literária e rendeu muitas discussões, como o manifesto Plano Piloto para a Poesia Concreta, de Haroldo de Campos, Augusto de Campos e Décio Pignatari.

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20 de março de 1953 — A arte do Mestre Graça

Jornal do Brasil: homenagem a Graciliano Ramos
O escritor e jornalista Graciliano Ramos nasceu em Quebrângulo, no sertão de Alagoas, em 1892. Passou a infância em Buíque (PE), e em Viçosa (AL). Em 1910 foi morar com a família em Palmeira dos Índios (AL), onde foi eleito prefeito da cidade em 1928. Renunciou ao cargo em 1930 e mudou-se para Maceió. Os relatórios que escreveu como prefeito chamaram a atenção do editor Augusto Schmidt, que o incentivou a publicar o seu primeiro livro, Caetés. Em seguida veio São Bernardo (1934), que foi adaptado para o cinema por Leon Hirszman.
Angústia foi lançado em 1936, ano em que o autor foi preso pelo governo Vargas, sob suspeita de participação na Intentona Comunista. Graciliano foi demitido do emprego na Imprensa Oficial e preso. Em seguida foi levado para Recife de onde embarcou para o Rio de Janeiro junto com outros 115 detidos. Passou pelo Pavilhão dos Primários da Casa de Detenção, pelo Presídio da Ilha Grande, e retornou à Casa de Detenção. Os sofrimentos pelos quais passou na prisão foram relatados em Memórias do Cárcere, lançado em 1953, ano de sua morte. Graciliano foi solto em 1937 e transferiu-se para o Rio, onde continuou a escrever outros romances, contos e livros infantis. Um ano depois lançou Vidas Secas, sua a obra mais famosa, que conta a saga de retirantes nordestinos.
Mestre Graça, como era chamado pelos amigos, explicava que escrevia sobre as experiências que viveu: "Só conseguimos deitar no papel os nossos sentimentos, a nossa vida. Arte é sangue, é carne. Além disso não há nada. As nossas personagens são pedaços de nós mesmos, só podemos expor o que somos". Em 1939, foi nomeado inspetor Federal do Ensino Secundário. Em 1945, ingressou no Partido Comunista Brasileiro e fez uma viagem para a ex-URSS, que foi registrada no livro Viagem. Ao retornar caiu gravemente doente e morreu em 1953.

A cadela Baleia em Cannes
Vidas Secas foi adaptado em 1963 para o cinema por Nelson Pereira dos Santos. O filme representou o Brasil no Festival de Cannes e conquistou diversos prêmios internacionais.
Baleia, a vira-lata da história de Graciliano Ramos, foi o destaque do elenco. A cena do sacrifício da cadela de tão realista gerou protestos de associações de proteção aos animais, que acusaram o cineasta de assassinar a vira-lata. A polêmica só terminou quando uma companhia de aviação ofereceu uma passagem para que a cadela fosse a Cannes. Baleia foi recebida como celebridade e tornou-se a grande vedete do festival.

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19 de março de 1965 — Astronauta russo flutua no espaço


Jornal do Brasil: Astronauta russo
O primeiro astronauta a fazer um passeio pelo espaço foi Alexey Leonov. O cosmonauta flutuou durante 20 minutos preso por um cabo de cinco metros à nave Voskhod 2. A caminhada teve início quando a cápsula estava sobre o noroeste da África e terminou quando esta passava sobre a Sibéria Oriental.
Leonov preparou-se na câmara de pressurização inflável da nave, com diâmetro de 1,2 metros e comprimento de 2,5 metros, antes de sair para o espaço. O astronauta fotografou a Terra, enquanto imagens do passeio eram transmitidas para toda a Europa pela TV.

Leonov teve dificuldade para retornar à câmara de pressurização porque o seu traje havia se expandido no vácuo e teve de forçar a porta durante 8 minutos até conseguir entrar. Três meses depois, o astronauta norte-americano Edward White passaria pela mesma experiência ao voltar para a nave Gemini 4, após ter realizado a sua caminhada espacial.

A Voskhod 2, que em russo significa alvorada, permaneceu 26 horas no espaço e deu 17 voltas e meia em torno da Terra no sentido Sul-Norte. A nave aterrissou nos Montes Urais, a 800 quilômetros do ponto marcado para a descida, depois de uma demora de 5 horas. O atraso foi devido a uma falha no controle, que obrigou o comandante Pavel Belyayev a dar uma volta suplementar.

Pouso difícil
Os astronautas passaram por momentos de grande tensão quando o módulo de serviço não se separou completamente, tal como planejado, colocando a nave e a tripulação em risco, ao girar violentamente e sem controle. Depois do pouso, a tripulação passou a noite na floresta, ameaçada por lobos e nevascas, até ser localizada e resgatada no dia seguinte.
Os dois acidentes ocorridos no voo resultaram no cancelamento de uma missão tripulada apenas por mulheres. Por fim, o desenvolvimento das naves Soyuz acabou por aposentar o projeto Voskhod.

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18 de março de 1985 — A crise do governo soviético

Jornal do Brasil: Gobarchev é eleito secretário geral do Partido Comunista
Mikhail Gorbachev foi eleito secretário geral do Partido Comunista, sucedendo a Konstantin Chernenko, que havia morrido. Gorbachev, 54 anos, era então o membro mais jovem do Politburo – órgão executivo do Partido Comunista da URSS. O novo líder soviético herdou o maior país do mundo, com um poderio militar só comparável ao dos Estados Unidos, mas com graves problemas econômicos.
Gorbachev foi arquiteto de profundas mudanças na União Soviética, baseadas nos conceitos de Glasnost (abertura) e de Perestroika (reforma). Números divulgados pelo semanário Gazette, de Moscou, sobre os dois primeiros meses de 1985 ilustravam as dificuldades que o líder soviético teria de enfrentar, como a queda acentuada da produção industrial, do petróleo e do carvão.
Em meio às reformas, Gorbachev teve de lidar em 1986 com a explosão do reator da Usina Nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, que fez milhares de vítimas na região e provocou uma onda de radiação por toda a Europa. Em 1988, Gorbachev anunciou que a União Soviética abandonaria oficialmente a Doutrina Brejnev, ao admitir que os países do Leste Europeu adotassem regimes democráticos se assim o desejassem. Essa política resultou na reunificação da Alemanha, com a queda do muro de Berlim, e na dissolução do Pacto de Varsóvia, que pôs fim ao bloco militar de países socialistas, formado por 15 nações.

O líder das reformas soviéticas desencadeou também o processo de desarmamento nuclear, com a assinatura do tratado para a eliminação dos mísseis de médio alcance na Europa, além de retirar as tropas soviéticas do Afeganistão. Gorbachev recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1990 pelos esforços para acabar com a Guerra Fria.

A extinção da URSS
Em agosto de 1991 Gorbachev foi vítima de uma tentativa de golpe por parte da ala conservadora do partido, e em dezembro do mesmo ano renunciou ao cargo de chefe de estado da União Soviética. Aproveitando-se dessa situação, as repúblicas bálticas (Lituânia, Letônia e Estônia) proclamaram a independência.

No mesmo ano foi assinado o acordo de Minsk pela Rússia, Ucrânia e Bielorússia, criando a Comunidade dos Estados Independentes (CEI), que teve a adesão de oito países. A partir desse momento a União das Repúblicas Soviética deixou de existir.

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17 de março de 1982 — A guerrilha de El Salvador


Jornal do Brasil: El Salvador
Os guerrilheiros da Frente Farabundo Marti de Libertação Nacional (FMLN) abriram uma nova frente de luta na guerra civil de El Salvador, desta vez em plena capital. Até uma ano antes os guerrilheiros se restringiam às zonas rurais, só realizando ataques rápidos a cidades do interior. Os confrontos entre rebeldes e o exército salvadorenho, este último financiado pelos Estados Unidos, começaram em 1980 e se estenderam por 12 anos. O conflito deixou 75 mil mortos, 8 mil desaparecidos, 1 milhão de desabrigados e 1 milhão de exilados. Crianças de 12 anos eram recrutadas para o exército.
O fato que marcou o início da atuação aberta da guerrilha foi o assassinato de dom Oscar Arnulfo Romero, arcebispo de El Salvador, em março de 1980, enquanto celebrava missa na capela do Hospital da Divina Providência, que foi seguido da execução de 42 pessoas durante o funeral do religioso.
As negociações entre o governo e a FMLN começaram durante o mandato do presidente João Napoleão Duarte e continuaram com o presidente Alfredo Cristiani, eleito em 1989. O impasse militar, e a chacina de seis sacerdotes jesuítas da Universidade Centro-Americana (UCA) de San Salvador aceleraram as negociações de paz.
Ambas as partes aceitaram a mediação da Organização das Nações Unidas (ONU) e, depois de um longo período de negociações, foi firmado em janeiro de 1992 o Tratado de Chapultepec. O fim da guerra civil foi anunciado em dezembro daquele mesmo ano, com a libertação de presos políticos e a anistia aos exilados. A FMLN tornou-se, então, um partido político.
El Salvador é o menor país da América Central, e limita-se com Honduras e Guatemala. Os habitantes são descendentes, na sua grande maioria, de índios e espanhóis. O café e a cana-de-açúcar são as lavouras mais importantes do país.

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16 de março de 1978 — Aldo Moro é sequestrado

jornal do Brasil: Aldo Moro é sequestrado

O presidente do Partido Democrata Cristão, Aldo Moro, foi sequestrado, em Roma, quando saía de casa de carro, e se dirigia para o Senado para assistir ao debate sobre o programa do novo governo de Giulio Andreotti. Quatro guarda-costas de Moro morreram na hora e um chegou a ser levado para o hospital em estado gravíssimo. O veículo que transportava o político, e os outros dois em que estavam a sua escolta foram fechados por um dos quatro carros que transportavam 12 jovens armados.
As Brigadas Vermelhas assumiram o sequestro e exigiram a libertação de 14 integrantes do grupo, que estavam sendo julgados em Turim. Segundo a polícia italiana, os brigadistas presos riram e comemoraram quando souberam do sequestro.
Mais de 50 mil homens das três forças policiais da Itália uniram-se para caçar os sequestradores. Milhares de pessoas saíram às ruas para protestar e pedir o fim da violência na política. Muitos correram para os supermercados para estocar comida e foram aos bancos sacar dinheiro.
Moro era catedrático de Direito Penal, foi deputado pela Democracia Cristã em 1948, e desde 1955 foi várias vezes Ministro dos Negócios Estrangeiros. Entre 1963 e 1976 dirigiu três governos de coligação com os socialistas. Era um hábil negociador e apoiava um governo de coalizão entre os dois mais populares e antagônicos partidos políticos italianos: o Partido Comunista e a Democracia Cristã. Pela primeira vez em 13 anos os comunistas ficaram ao lado da maioria e foram incluídos no plano de governo articulado por Aldo Moro.

Governo não negociou libertação
O governo italiano recusou-se a negociar com os sequestradores. Em mensagens escritas no cativeiro, Moro chegou a implorar para que fossem considerada as condições impostas à sua libertação. Mas depois de 55 dias mantido como refém foi encontrado morto com 11 tiros no porta-malas de um carro em Roma.
As Brigadas Vermelhas surgiram em Milão, em 1969, do encontro de ex-militantes do Partido Comunista Italiano, dirigentes sindicais e estudantis, alguns vindos de meios católicos. O sequestro de Aldo Moro desencadeou uma crise no grupo, que foi desarticulado em 1980 pela polícia italiana, com a colaboração de toda a sociedade. Em 1999, as Brigadas reapareceram, mas desta vez, sem contar com o apoio da esquerda.

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14 de março de 1978 — O samba de Ismael Silva


Jornal do Brasil: A morte do sambista Ismael Silva
O sambista Ismael Silva criou com Bide, Marçal, Bucy Moreira, Baiaco, Brancura e Mano Edgar a primeira escola de samba do país, a Deixa Falar, no Estácio. A agremiação surgiu 11 anos depois de Donga lançar Pelo Telefone, sucesso do carnaval de 1917, o primeiro samba gravado no Brasil.
Em meados dos anos 60, Ismael explicou ao jornal Correio do Manhã a origem do nome da Deixa Falar: "Naquela época, existia uma grande rivalidade entre os blocos, e todos se achavam superiores. O pessoal do Estácio dizia: 'Deixa falar'. Eles achavam que os sambistas de lá eram melhores e não admitiam que ninguém pudesse diminuí-los". Na mesma entrevista, o sambista contou como surgiu o termo escola de samba: "Perto da nossa sede ficava a Escola Normal para mulheres. Lá as professoras ensinavam a cozinhar, e na Deixa Falar a gente ensinava o samba. Ficou então escola de samba".

A grande novidade da Deixa Falar foi a introdução de instrumentos de percussão na música porque até então os sambas eram acompanhados por violões, pandeiros, violinos e castanholas. Nessa época, o samba era parecido com o maxixe, e Ismael achou por bem mudar a batida para ajustá-la ao ritmo dos desfiles. Em 1932, a primeira escola de samba do país virou um rancho carnavalesco.

Ismael nasceu em 1905, em Niterói, mudou-se com a mãe aos 3 anos para o Largo do Estácio e morou em uma casa de cômodos até meados dos anos 30. Ismael e outros bambas, como Bide, Marçal, Bucy Moreira, Baiaco, Brancura e Mano Edgar costumavam se reunir na subida do Morro São Carlos, no mesmo bairro.

O sambista foi o autor de mais de 200 músicas, e entre as mais famosas estão Se você jurar e Antonico. Em 1931, Ismael deixou o Estácio e foi morar no Centro onde conheceu, por intermédio do cantor Francisco Alves, Noel Rosa ,que se tornou seu parceiro. A partir daí suas composições começaram a ser gravadas por vários intérpretes, entre os quais João de Barros, Silvio Caldas e Carmen Miranda. Ismael ficou esquecido na década de 40, mas seus sucessos foram recuperados na década de 50. Participou do Primeiro Festival da Velha Guarda, fez vários shows, além de gravar como intérprete as próprias músicas. O sambista morreu aos 72, vítima de enfarte.

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15 de março de 1982 — Angra 1 começa a funcionar

Jornal do Brasil: Angra 1

A primeira fissão nuclear na Usina de Angra 1 ocorreu em 1982, mas a produção de energia em escala comercial só foi iniciada em 1985, com 657 MW de potência. Desde então a produção de energia foi equivalente ao consumo de uma cidade com um milhão de habitantes. Ao longo dos anos as operações da usina sofreram interrupções frequentes devido a uma série de problemas técnicos e administrativos.
A primeira usina nuclear brasileira opera com um reator do tipo PWR (reator a água leve pressurizada), desenvolvido pela empresa norte-americana Westinghouse. A construção de Angra 1 foi iniciada em 1972. Em 2000, entrou em operação a Usina de Angra 2, fruto do acordo nuclear Brasil-Alemanha. A usina opera com um reator alemão Siemens/KWU, com potência de 1.350 MW e poderia atender sozinha o consumo de uma cidade com 2 milhões de habitantes.
Esses dois reatores estão instaladas na Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA), em Angra dos Reis, um dos pontos mais bonitos do litoral do país. Os técnicos optaram por um local próximo ao mar porque, embora o combustível seja o urânio, é a água que, através de diferentes circuitos, movimenta o calor gerado e refrigera a usina. Outra vantagem da instalação da CNAAA em Angra dos Reis é a proximidade do município com grandes centros consumidores, como Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, o que evita as perdas de energia características das longas linhas de transmissão. O governo investe ainda na construção de Angra 3, que deve ficar pronta em 2013 e custará 3,7 bilhões de dólares.

O polêmico lixo atômico
O grande inconveniente do processo de fissão nuclear é o lixo atômico produzido no funcionamento da usina. Atualmente esses rejeitos são acondicionados em embalagens metálicas e transferidos, provisoriamente, para um depósito construído na própria central nuclear. Já os elementos combustíveis usados, mais fortemente radioativos, são também embalados e colocados dentro de uma piscina no interior das usinas, enquanto esperam para serem exportados para reprocessamento. Segundo dados da CNAAA, Angra 1 produziu desde que entrou em operação 2.228 metros cúbicos de rejeitos de baixa e média atividades e Angra 2, 41,2 metros cúbicos do mesmo tipo de lixo atômico. O governo estuda a implantação de um sítio permanente para estocar lixo radioativo em algum ponto do território nacional.

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13 de março de 1986 — Soyuz leva 2 cosmonautas à Mir

Jornal do Brasil: Soyuz T-15

A nave tripulada Soyuz-T-15 entrou em órbita terrestre 50 minutos depois do lançamento no Centro Espacial de Baikonur, República do Cazaquistão. No dia seguinte a Soyuz se acoplou à estação orbital Mir, cujo nome significa ao mesmo tempo paz e universo em russo.
O voo da Soyuz T-15 foi o 59º da história espacial soviética, e foi realizado no 25º aniversário da primeira viagem ao espaço tripulada feita pelos soviéticos.

A União Soviética mostrou ao vivo, pela TV, os cosmonautas Leonid Kizin, 44, e Vladimir Solovyoy, 39, preparando-se para a viagem. A cobertura começou 18 minutos antes do lançamento e estendeu-se até momentos depois da partida.

A transmissão marcou uma mudança de atitude do governo soviético, que só mostrava imagens de viagens espaciais que tivessem sido bem-sucedidas. A única transmissão ao vivo feita pelo soviéticos ocorreu em 1975 quando uma nave do programa Soyuz, transportando dois astronautas, foi lançada para acoplar-se com uma nave Apolo, em que estavam três cosmonautas americanos.

A estação orbital Mir foi lançada no dia 20 de fevereiro, e foi projetada para abrigar longas missões do homem no espaço, em substituição às pequenas cápsulas de laboratório Salyut.

Pesquisas a bordo da Mir
A bordo da Mir foram realizados 16.500 experimentos em 15 anos de missão em órbita. O complexo orbital era formado por vários módulos que foram acoplados por etapas, pesava 137 toneladas e tinha 40 metros de extensão. Cada astronauta dispunha de uma cabine individual, com saco de dormir, mesa e lavabo. Além de seis docas para receber naves espaciais, a Mir tinha quatro módulos-living, oficina tecnológica, estação de pesquisas biológicas e laboratório médico.

A partir de 1995, uma série de acidentes graves afetou o funcionamento da estação até que em março de 2001, as autoridades russas decidiram destruir o complexo. Os destroços da Mir afundaram o sul do Oceano Pacífico.

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12 de março de 1947 — O impacto da Doutrina Truman


Jornal do Brasil: Truman discursa no Congresso

A pretexto de socorrer a Turquia e a Grécia, envolvidas em uma guerra civil entre comunistas e monarquistas, o presidente dos Estados Unidos, Harry Truman, assumiu de vez sua política externa contrária a ex-União Soviética. O presidente dos Estados Unidos fez um discurso no Congresso para pedir verbas e o envio de tropas para a Grécia e a Turquia, "para assegurar o desenvolvimento pacífico dos países livres de coerção". O pronunciamento foi considerado uma bomba diplomática em Moscou, e teve relação direta com o início da Guerra Fria.

A mensagem lançou formalmente a Doutrina Truman, que justificou as intervenções militares em vários países como meio de conter o avanço soviético. Truman sabia que tinha a seu favor um arsenal de armas nucleares, e o fato de governar um país que não teve o seu território devastado por operações militares.

No campo econômico a Doutrina Truman gerou o Plano Marshall, que liberou entre 1947 e 1951, 13 bilhões de dólares para recuperar a Europa do pós-guerra. Ingleses, franceses, belgas, holandeses, italianos e alemães aderiram ao projeto. Já os países do bloco soviético, composto por Polônia, Hungria, Tchecoslováquia, Iugoslávia, Romênia e Bulgária rejeitaram a oferta.

Intervenções militares
Harry Truman assumiu o poder e abandonou o discurso do seu antecessor Franklin Roosevelt, de "coexistência pacífica" com a União Soviética. A Doutrina Truman resultou na intervenção dos Estados Unidos na Guerra da Coréia (1950 a 1953) e na Guerra do Vietnã (1962-1975), e contribuiu para derrubar os regimes de Mossadegh no Irã em 1953, e o do general Jacobo Arbenz na Guatemala em 1954. Em 1961 os Estados Unidos apoiaram a invasão de Cuba para derrubar Fidel Castro e criaram a Escola das Américas, no Panamá, para treinar militares.

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11 de março de 1955 — As pesquisas de Fleming

Jornal do Brasil: Alexander Fleming descobre a penicilina

O médico e bacteriologista Alexander Fleming disse várias vezes em público que a descoberta da penicilina, o primeiro antibiótico do mundo, em 1928, aconteceu por mero acaso. "Não inventei nada. A natureza foi quem a fez", declarava. O medicamento revolucionou a medicina e transformou o bacteriologista em herói popular.
Fleming estudava estafilococos quando resolveu preparar placas para o crescimento dessa bactéria. Sem notar contaminou duas amostras com esporos de fungo. Deixou as placas na bancada e partiu para duas semanas de férias. Quando voltou notou que as placas estavam cheias de fungo. Em vez de jogá-las fora, resolveu observar o bolor que havia nelas ao microscópio. Constatou então que onde o fungo crescia não havia bactérias. Continuou os estudos e conseguiu isolar a toxina produzida pelo fungo inofensivo para o organismo humano, e a testou em diversos tipos de infecções.
Depois da descoberta, Fleming tornou-se um colecionador fanático de fungos. Revirava as casas dos amigos e cozinhas atrás de outros bolores com efeito antibiótico. Em 1942, uma equipe de Oxford, chefiada por Howard Florey e Ernst Chain, desenvolveu a penicilina como medicamento, que foi usada maciçamente pela primeira vez em pacientes na Segunda Guerra, e salvou milhares de vidas. Os três dividiram o Prêmio Nobel de Medicina de 1945 pela invenção do antibiótico.
Na Primeira Guerra Mundial, Fleming serviu como capitão-médico da Marinha Britânica e especializou-se no estudo e tratamento de ferimentos de guerra nos soldados. Na época ficara profundamente impressionado com a alta taxa de mortes por infecção causadas por bactérias que se instalam nos ferimentos.

Descoberta de enzimas
A primeira descoberta importante do médico foi a lisozima, 1921, uma enzima que impede o crescimento de bactérias. A enzima está presente na lágrima e na saliva humanas, e na albumina do ovo. Flemning nasceu na Escócia e era o sétimo de oito filhos. Ficou órfão de pai aos sete anos e viveu numa fazenda até os 16 anos, quando partiu para Londres para trabalhar com os irmãos e estudar. Depois da formatura, ingressou na equipe de Almroth Wright, um dos pioneiros da vacinação.
Fleming casou-se duas vezes e teve um filho do primeiro casamento. Morreu de enfarte aos 74 anos, em Londres.

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10 de março de 1998 — Pinochet entrega o comando

Jornal do Brasil: general augusto Pinochet deixa o Exército chileno

O general Augusto Pinochet entregou o comando do Exército Chileno ao seu sucessor Ricardo Izurieta, pondo fim a uma carreira de 68 anos, 25 dos quais como comandante em chefe da corporação. Pinochet abandonou a presidência em 1990, mas manteve a influência política devido ao seu cargo no Exército. O general disse que se sentia satisfeito por ter reconduzido o Chile à democracia, tentando justificar os 17 anos em que exerceu a ditadura no país. O regime militar deixou mais de 3 mil mortos e desaparecidos.
A poucas quadras do palácio do governo, onde havia sido realizada a segunda etapa da cerimônia, com a passagem do bastão de comandante do Exército para o presidente Eduardo Frei, cerca de 150 manifestantes chamavam Pinochet de assassino. O general não tomou conhecimento do protesto. "Obrigado, pátria minha. Fui seu soldado e isso me faz feliz", disse o ex-ditador emocionado durante a solenidade. Pinochet orgulha-se também da Constituição que ele mesmo promulgou em 1980. A Carta assegurou ao general uma cadeira vitalícia no Senado sem precisar concorrer a eleições, além de protegê-lo contra possíveis processos por violações aos direitos humanos.
A deputada Isabel Allende, filha do presidente deposto [por Pinochet, Salvador Allende, lamentou que um homem que fechara o parlamento tivesse se tornado senador vitalício.

Allende morre durante o golpe
A deputada Isabel Allende disse que estava junto ao pai, Salvador Allende, no Palácio de La Moneda quando o golpe foi deflagrado. "Meu pai disse para abandonarmos o lugar porque achava importante que disséssemos ao mundo o que aconteceu". Essa foi a última vez que Isabel viu o pai, que se suicidou. Allende foi o primeiro presidente socialista eleito em um país latino-americano. Segundo os militares, o golpe visava a impedir a nacionalização dos bancos e das minas de cobre. Quem se opunha ao novo regime militar era perseguido e eliminado. O Estádio Nacional de Santiago foi transformado local de execução de prisioneiros.

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9 de março de 1985 — A volta da democracia uruguaia

Jornal do Brasil: Uruguai

A ditadura uruguaia foi implantada em 1973 e só acabou em 1985, com a eleição de Julio Maria Sanguinetti. Dois meses antes da posse do novo governo, 63 presos políticos foram libertados. Sanguinetti assumiu a presidência com a promessa de que entregaria à Justiça os casos mais graves de corrupção e de atentado aos direitos humanos. O compromisso não foi cumprido, e no fim de seu mandato Sanguinetti sancionou a Lei de Caducidade Punitiva do Estado, que anistiava militares e policiais que torturaram e assassinaram militantes políticos durante a ditadura.

O novo presidente governaria um país devastado por graves problemas financeiros. O Uruguai perdera 15% do seu Produto Interno Bruto - soma de todas as riquezas produzidas no país - em três anos. E, se fosse atender a todos os compromissos da dívida externa, como juros, amortizações etc., gastaria 90% das suas reservas, e só lhe restariam 10% para importar o que o país necessitava. Enquanto os jovens emigravam em massa para outros países em busca de uma vida melhor, o governo tinha de pagar 250 mil aposentadorias e pensões a 188 mil pessoas, isso em um país de 3 milhoes de habitantes. Havia casos em que uma só pessoa recebia quatro ou até cinco benefícios. O efetivo militar era de 70 mil homens, número excessivo para a reduzida população do país. Os militares gozavam de muitos privilégios e estavam infiltrados em todas as áreas da economia.
Grupos ligados aos direitos humanos acusavam os militares de terem assassinado 32 uruguaios dentro do próprio país e outros 132 fora do Uruguai, durante a Operação Condor – esquema de cooperação firmado entre os militares do Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai e Uruguai, para perseguir opositores aos regimes em toda a América do Sul.

Lei de Anistia pode ser anulada
O Congresso Nacional uruguaio aprovou por 69 votos contra 2, em fevereiro deste ano, a anulação da anistia concedida aos militares envolvidos em casos de tortura. A última palavra sobre a inconstitucionalidade da lei de anistia será da Suprema Corte de Justiça, que terá 110 dias para se pronunciar.
A discussão sobre a anistia foi reaberta pelo atual presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, que, por meio da Procuradoria da Justiça, pediu a revisão da lei para o caso de uma estudante sequestrada enquanto escrevia a frase "abaixo a ditadura" em um muro. A estudante, que era militante comunista, acabou sendo morta em 1974 em uma unidade militar.

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8 de março de 1999 — O genocídio no Camboja

Jornal do Brasil: Camboja

O último chefe militar do Khmer Vermelho, Ta Mok, foi capturado próximo à fronteira com a Tailândia e será julgado no Camboja. Conhecido como O Carniceiro, Ta Mok, 72 anos, é acusado de participação no genocídio ocorrido entre 1975 e 1979, durante o regime de terror instaurado pelo sanguinário Pol Pot.
Os guerrilheiros do Khmer Vermelho ocuparam a capital Phnom Penh em 1975 sem resistência da população, e começaram a esvaziar a cidade sob o pretexto de eliminar os vícios burgueses e criar um homem cambojano novo, em uma sociedade rural igualitária. Milhares foram enviados para o campo para plantar arroz e construir grandes obras civis. Aqueles que não se submetiam às ordens do poder central eram torturados, executados, deportados ou postos sob rígida vigilância. A insanidade do regime de Pol Pot eliminou em quatro anos mais de 2 milhões de cambojanos, em um país de 7 milhões de habitantes. As mortes foram decorrentes de maus tratos, fome, doenças infecciosas, e esgotamento por trabalhos forçados. O irmão número um, como Pol Pot gostava de ser chamado, foi condenado à prisão perpétua, mas obteve o privilégio de cumprir a pena em sua casa.
Dois outros ex-chefes do Khmer Vermelho, Khieu Samphan e Nuon Chea, foram detidos após terem se rendido. Nuon Chea era o irmão número 2, braço direito de Pol Pot e vivia tranquilamente no interio do país cercado pela família.
A prisão de Ta Mok ocorreu um dia depois de Thomas Hammaber, enviado especial das Nações Unidas, ter debatido com funcionários cambojanos a criação de um tribunal internacional para julgar os ex-dirigentes do Khmer Vermelho. O primeiro ministro, Hu Sen, que também fora dirigente do Khmer Vermelho, preferiu a criação de uma "comissão da verdade", nos moldes da sul-africana.

Réus devem explicar mortes
Os cambojanos também manifestaram o desejo de ver O Carniceiro e outros torturadores julgados em seu próprio país. Muitos esperam que o julgamento revele como milhões de pessoas foram mortas nos "campos do silêncio", criados por Pol Pot. "Não tenho dinheiro para comprar uma passagem de avião para assistir a um julgamento no exterior", disse Tep Yee, 70 anos, um sobrevivente dos campos.
O primeiro acusado começou a ser julgado no mês passado, na capital do Camboja, Phnom Penh . Kaing Guek Eav, conhecido por Duch, dirigia a prisão S-21, o centro de tortura do regime.

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7 de março de 1999 — Antonio Houaiss, o trabalhador das palavras

Jornal do Brasil: Antonio Houaiss


Antonio Houaiss gostava de definir-se como "um humilde operário das letras". O sofisticado intelectual era filólogo, tradutor, professor, diplomata, enciclopedista e gourmet. Foi também ministro da Cultura e presidente da Academia Brasileira de Letras.

Houaiss escreveu 19 livros e ainda elaborou em 10 anos, as duas enciclopédias mais importantes já publicadas no Brasil – a Delta-Larousse e a Mirador Internacional. Foi autor de dois dicionários bilíngues inglês-português, organizou o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras, além de ser o porta-voz brasileiro junto ao Projeto do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, aprovado pelo Congresso Nacional em 1995.

Uma de suas obras mais notáveis foi a tradução para o português de Ulisses, de James Joyce, publicada em 1965. O trabalho, dificílimo devido à linguagem peculiar do autor, foi realizado em 11 meses e obteve elogios da crítica. Houaiss disse que se baseara em traduções anteriores, inclusive a francesa, que foi a primeira, e a que ele considerava a pior de todas, apesar de ter a aprovação de Joyce. Em 1986, deu início à elaboração do dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, que foi concluído postumamente pela sua equipe, hoje reunida no Instituto Antônio Houaiss de Lexicografia, no Rio de Janeiro. O filólogo acompanhou todas as etapas de criação e realização da obra até sua morte, em 1999.

Paixão pela culinária
O quinto dos sete filhos de uma família de imigrantes libaneses trocava com prazer o fardão da Academia pelo avental de cozinheiro. Houaiss ajudava a mãe a cozinhar desde os 9 anos e adorava ir para a cozinha de sua casa, de amigos ou até mesmo de restaurantes para preparar vários pratos para os seus convidados. O gourmet orgulhava-se de fazer seis pratos para 30 pessoas, e ao terminar, em três horas de operação, deixar a cozinha absolutamente limpa, sem auxílio de ninguém.

Em 1958 fundou com um grupo de amigos a Confraria dos Gastrônomos. Houaiss permaneceu na entidade até 1975 quando se afastou por incompatibilidade com o recém-chegado Emílio Garrastazu Médici. Em 1979 criou a dissidência Companheiros da Boa Mesa.

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6 de março de 1987 — Ilha Grande é reserva biológica

Jornal do Brasil: Ilha Grande

A Reserva Biológica da Ilha Grande foi criada para preservar o ecossistema exuberante da região, que abrange 106 praias – cada uma com suas características próprias – fauna e flora raras, incluindo espécies ameaçadas de extinção. O local faz parte da Área de Proteção Ambiental dos Tamoios, os primeiros habitantes desse território.
Os moradores, veranistas e biólogos consideraram a medida insuficiente para defender o paraíso ecológico e fizeram uma campanha pelo tombamento da região. O temor era de que houvesse uma invasão imobiliária e turística depois da desativação do presídio da Ilha Grande, o que aconteceu em 1994. O impasse acabou quando o então governador do Estado do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, cedeu à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) a área que havia sido ocupada pela Colônia Penal Cândido Mendes, e onde em 1998 foi instalado o Centro de Estudos Ambientais e Desenvolvimento Sustentável (Ceads).
Devido a sua localização privilegiada, a Ilha Grande foi usada desde o seu descobrimento em 1502 como ponto para contrabando de mercadorias, tráfico negreiro e pirataria. O cultivo de café e de cana-de-açucar foi iniciado no século 18 e se estendeu até o século 19. Dizem que as trilhas hoje lá existentes foram abertas pelos escravos que fugiam das fazendas.
Em 1886 começou a funcionar o Lazareto – posto de triagem que tratava de doentes vindos de navios do exterior, especialmente com cólera. Posteriormente o Lazareto transformou-se em uma colônia para doentes de hanseníase. O local ficou abandonado até 1940, quando foi reformado e deu lugar ao presídio Cândido Mendes, por onde passaram presos políticos do Estado Novo e posteriormente da ditadura militar, além de prisioneiros comuns, transferidos da Colônia Dois Rios, também na Ilha Grande. Entre os que cumpriram pena no local estão os escritores Graciliano Ramos e Orígenes Lessa, assim como os revolucionários Flores da Cunha e Agildo Barata. Passaram por lá igualmente delinquentes famosos, como o assaltante de banco Lucio Flávio, o traficante Escadinha e o travesti Madame Satã.

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5 de março de 1979 — A primeira viagem do metrô do Rio


Jornal do Brasil: Metrô é inaugurado

O primeiro trecho do metrô, com 5,1 quilômetros de extensão, ligando a Glória à Praça 11, foi entregue à população, que a usou gratuitamente até meados de março. O metrô iniciou suas operações com cinco estações – Praça 11, Central, Presidente Vargas, Cinelândia e Glória. Quatro trens de quatro vagões cada um circulavam das 9h as 15h, em intervalos de 8 minutos.

As pessoas receberam aos gritos de contentamento a chegada do primeiro trem à plataforma. Cinco minutos depois, as composições estavam superlotadas e o trem partiu sob grande euforia dos passageiros. No fim da linha, quando todos eram obrigados a saltar, a maioria se dirigia para o lado contrário da plataforma para fazer a viagem de volta.

Estima-se que 10 mil pessoas viajaram de graça no primeiro dia de funcionamento do sistema metroviário. Ao todo foram 16 viagens, nos dois sentidos. O horário de maior movimento foi das 13h as 14h30. O embarque foi tumultuado na Cinelândia onde centenas de pessoas se aglomeravam na estação.

Durante a cerimônia de inauguração, o presidente Geisel também sobrevoou as obras da rede provisória básica, da Pavuna ao Estácio, com 37 quilômetros, e conheceu o protótipo do trem do metrô de superfície.

Rede foi contruída em 9 anos
A partir do dia 15 de março, o metrô passou a cobrar Cr$ 4 pelo bilhete unitário. Com a proximidade das festas de fim de ano, em dezembro, o horário de funcionamento foi ampliado para as 23 horas.
A construção da rede foi iniciada em 1970, na Praça Paris, no bairro da Glória. Um ano depois, as obras foram paralisadas por falta de recursos e retomadas somente em 1975. Nessa época, São Paulo já contava com a sua primeira linha em funcionamento.
O metrô do Rio é a segunda rede mais extensa do país, com 42 quilômetros distribuídos em duas linhas e 38 estações, menor apenas que o de São Paulo.

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4 de março de 1974 — Inaugurada Ponte Rio-Niterói

Jornal do Brasil: Dez mil passam sobre a ponte


A Ponte Presidente Costa e Silva, conhecida como Ponte Rio-Niterói, foi aberta ao tráfego um dia depois de sua inauguração. A via que liga as duas cidades tem o maior vão livre com viga do mundo, com 300 metros de largura por 72 metros de altura. Entretanto os seus 13,29 quilômetros de extensão estão bem aquém dos 38 quilômetros da maior ponte do mundo, construída sobre o Lago Pontchartrain, no Estado de Louisiana, nos Estados Unidos. As medidas da Rio-Niterói a classificaram apenas em sexto lugar entre as pontes mais longas do planeta.
O sonho de fazer uma ligação direta entre as cidades do Rio e de Niterói já existia desde o século 19. Em 1875, o imperador Pedro II chegou a contratar um engenheiro inglês para projetar um túnel, que atravessasse a Baía da Guanabara. A idéia não foi adiante, e cariocas e fluminenses tiveram de esperar quase um século por uma via que unisse uma cidade a outra. As obras foram iniciadas simbolicamente em novembro de 1968, com a presença da rainha Elizabeth II e do príncipe Philip, ao lado do então Ministro dos Transportes Mário Andreazza. A construção começou em janeiro de 1969 e foi marcada pela morte de cinco operários durante a edificação do vão central. Em 1971 o contrato de licitação foi rescindido devido a atrasos no cronograma previsto, e a construção passou a ser feita por um novo consórcio. A parte mais complexa da obra foi a construção dos 9 quilômetros erguidos sobre o mar. A manobra exigiu a perfuração do subsolo oceânico na busca de um terreno rochoso, que suportasse a estrutura da ponte. A quantidade de material gasto na construção impressiona. Se os sacos de cimento da obra fossem empilhados, teriam uma altura 1.500 vezes maior do que a do Pão de Açúcar.

Obra foi paga em oito anos
A promessa do governo era de que o investimento na obra seria quitado com recursos obtidos do pedágio, num prazo de oito anos. Mas para o usuário a liquidação da dívida não faria diferença porque o preço na tarifa não seria alterado nem a travessia seria gratuita. Logo após a inauguração, trafegavam diariamente pela ponte cerca de 15 mil veículos. O pedágio custava Cr$ 2 para motocicletas; Cr$ 10 para carros de passeio, Cr$ 20 para ônibus e caminhões. Para as carretas eram cobrados entre Cr$ 40 e Cr$ 70. Hoje, segundo a Ponte S/A, passam diariamente pela via 140 mil veículos.

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3 de março de 1993 — Sabin combate a pólio

Jornal do Brasil: Albert Sabin

O médico e microbiologista Albert Sabin ficou famoso por desenvolver a vacina oral contra a poliomielite. Sabin foi quem convenceu o governo brasileiro, em 1980, a adotar a vacinação de toda a população infantil em apenas um dia. Desde então esteve várias vezes no Brasil para participar da campanha de combate à doença. Naquela época de 2 mil a 3 mil crianças brasileiras contraíam poliomielite todos os anos. Após os primeiros anos de vacinação em massa as notificações tiveram uma redução drástica e caíram para 45 casos.

A doença é fatal e causa lesões em um terço das pessoas atingidas Antes da descoberta da vacina em 1960, anualmente no Brasil, 6 mil pessoas morriam ou eram condenados a andar de muletas ou de cadeira de rodas.

O médico abriu mão dos direitos de patente da vacina contra a pólio, para
permitir que crianças de todo o mundo fossem imunizadas. Pelos esforços para erradicação da pólio o cientista recebeu do governo brasileiro, em 1967, a Grã-Cruz do Mérito Nacional.

Antes de trabalhar na vacina da pólio, Sabin chegou a isolar o vírus da dengue, além de deixar importantes estudos sobre a toxoplasmose, câncer e a encefalite japonesa.
A vacina foi criada a partir de uma variedade enfraquecida, mas viva, do vírus da poliomielite. A atenuação do vírus foi feita a partir de inoculações sucessivas e contínuas em células de cultura, que eram mantidas a uma temperatura inferior a do corpo humano — cerca de 30ºC. Após 30 ou 40 inoculações as amostras de vírus só são capazes de se multiplicar a essa temperatura e não provocam mais a doença.
A vacina anterior, de Jones Salk, desenvolvida cinco anos antes da Sabin, usava vírus mortos em formol e era injetável. Já o vírus atenuado é administrado por via oral e é eliminado nas fezes. Por ser disseminado no ambiente pode imunizar pessoas que não tenham sido vacinadas.
A vacina foi testada na ex-União Soviética e no México e depois de aprovada foi produzida oficialmente nos Estados Unidos.

Vida dedicada a pesquisas
Sabin acabou paralítico devido a uma polineurite, doença que atinge as fibras nervosas. O cientista morreu de ataque cardíaco, aos 86 anos, em sua casa em Washington. No mesmo ano, foi fundado o Instituto Sabin de Vacinas, para dar prosseguimento`as suas pesquisas.

O médico nasceu na aldeia polonesa de Bialystok, então pertencente à Rússia, em 26 de agosto de 1906. Mudou-se para os Estados Unidos em 1921 e mais tarde naturalizou-se americano. Em 1931 concluiu o doutorado em medicina na Universidade de Nova York, onde começara a pesquisar a poliomielite. Passou uma temporada em Londres em 1934, como representante do Conselho Americano de Pesquisas.

De volta aos Estados Unidos, tornou-se pesquisador do Instituto Rockfeller de Pesquisas Médicas. Sabin serviu como médico no exército norte-americano durante a Segunda Guerra Mundial e combateu epidemias entre as tropas baseadas na África

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2 de março de 1972 — Pioneer 10 parte rumo a Júpiter

Jornal do Brasil: Pioneer 10


A Pioneer 10 foi lançada rumo a Júpiter. A Nasa previu que a sonda chegaria ao seu destino em 639 dias. A energia para os equipamentos da sonda era forncedia por uma bateria nuclear de longa duração, e ela foi o primeiro objeto enviado da Terra a um ponto além de Marte. O momento crítico da jornada foi a passagem pelo perigoso cinturão de asteróides entre Marte e Júpiter.
O maior planeta do Sistema Solar tem 12 satélites, sua atmosfera é muito densa e muito turbulenta, o que explica a grande mancha vermelha perto da linha do equador.
A história da Pioneer é cheia de recordes. A sonda saiu da órbita terrestre em 1972 a uma velocidade de 51.810 km/h, chegando à Lua em 11 horas e à órbita de Marte em 12 semanas. A sonda foi a primeira a ultrapassar o cinturão de asteróides de 280 milhões de quilômetros de largura e 80 milhões de quilômetros de espessura localizado entre Marte e Júpiter. Os corpos celestes do cinturão, resíduos de um planeta que não chegou a se consolidar devido ao enorme campo gravitacional de Jupiter, viajam a uma velocidade de 20 km/seg e podem ser tão pequenos como um grão de areia ou tão grandes como o território da Bahia. A Pioneer 10 foi criada para funcionar por dois anos, mas conseguiu ultrapassar os 30. Em três décadas, a sonda mapeou o campo magnético de Júpiter e constatou que o maior planeta do sistema solar é gasoso, não tendo pois uma superfície sólida como a Terra. Ultrapassando a órbita de Júpiter, a sonda atravessou a órbita de Plutão, enquanto estudava o Vento Solar e os raios cósmicos de alta energia que invadem a região da Via Láctea onde a Terra está localizada.
A última comunicação recebida ocorreu em 2003, com a transmissão de um sinal eletromagnético fraco, que levou 10 horas chegar à Terra. Quando enviou o sinal a Pioneer 10 estava a 12 bilhões de quilômetros da Terra, ou 82 vezes a distância entre o Sol e o nosso planeta, cerca de 150 milhões de quilômetros. Agora, a nave desloca-se em direção à estrela vermelha Aldebarã, no centro da constelação de Touro, a cerca de 68 anos-luz da Terra e deve demorar 2 milhões de anos para chegar nessa região.

Mensagem para extraterrestres causa discórdia
A Pionner 10 carrega uma placa projetada pelos astrônomos Carl Sagan e Frank Drake em que foram gravados símbolos com informações sobre a vida na Terra. O desenho foi publicado nos jornais americanos um ano depois do lançamento da sonda e deixou a opinião pública americana em polvorosa. As imagens são de um casal nu, com o homem fazendo uma saudação, e um pequeno esquema com a nossa localização no Sistema Solar. Os conservadores reclamaram que o desenho do homem e da mulher nus era obsceno. Já as feministas criticaram o fato de somente o homem fazer a saudação, o que daria a impressão de a mulher ser submissa.
A Pioneer 10 foi programada para explorar as profundezas do espaço, muito além do nosso Sistema Solar. A missão da nave é recolher dados e também estabelecer contato com outras civilizações.


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1º de março de 1948 — Plano Marshall é apresentado ao Senado americano

Jornal do Brasil: Plano Marshall é debatido no Senado americano

O presidente do Senado americano, Arthur Vandenberg apresentou à Câmara Alta o Plano Marshall, destinado a recuperar a economia européia no pós-guerra. Vandenberg defendeu a rápida aprovação do projeto, para, segundo ele, "deter a Terceira Guerra Mundial antes que comece".
O presidente do Senado destacou também que a implementação do plano era um ponto decisivo na história dos próximos 100 anos. Vandenberg alertou ainda que integrantes do Kremlin, sede do governo da ex-URSS, deram ordens aos comunistas em todo o mundo para que boicotassem o programa.

Vandenberg ressaltou o grande perigo representado pelas "conquistas subversivas inspiradas nos russos" e declarou: "O comunismo agressivo ameaça todas as liberdades e todas as garantias tanto no velho como no novo mundo", concluiu.

Ao fim de seis anos de combates da Segunda Guerra a Europa estava em ruínas. Estradas-de-ferro, minas, portos, pontes, canais, linhas de metrô transformaram-se em um imenso entulho.

As baixas entre civis e militares na parte ocidental somavam 16 milhões e na ex-URSS chegavam a 20 milhões. Outros 30 milhões de europeus haviam perdido suas casas e se deslocaram para fugir das batalhas. A fome e a pobreza assolavam o continente, agravadas pelo inverno, que fora especialmente rigoroso em 1947.

Com receio que a ex-URSS expandisse sua influência na Europa, os Estados Unidos resolveram lançar o Plano Marshall, de ajuda aos países envolvidos nos conflitos da Segunda Guerra. O Plano Marshall foi criado pelo então secretário do Estado Americano George Marshall. Ingleses, franceses, belgas, holandeses, italianos e alemães aderiram ao projeto com entusiasmo. Já os países do bloco soviético, composto por Polônia, Hungria, Tchecoslováquia, Iugoslávia, Romênia e Bulgária rejeitaram a oferta.


Investimentos na recuperação da economia européia
Os empréstimos foram concedidos entre 1948 e 1951 e restabeleceram o
crescimento industrial e agrícola da Europa. Inicialmente foram injetados 17 bilhões de dólares.

Os Estados Unidos puderam ser tão generosos com os europeus porque haviam saído da guerra com suas reservas ampliadas em 56%, além de concentrarem 84% de todo o ouro acumulado no ocidente.

Para conter o avanço soviético, paralelamente ao Plano Marshall, os americanos também investiram pesado em armamentos e artefatos nucleares.

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