Arquivo de February 2009

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28 de fevereiro de 1935 — O pioneirismo de Chiquinha Gonzaga

Jornal do Brasil: a música de Chiquinha Gonzaga


Francisca Edwiges Neves, a Chiquinha Gonzaga, desafiou os costumes do seu tempo ao separar-se do marido e sustentar-se dando aulas de música, tocando em bailes, e compondo trilhas para operetas. A independência de Chiquinha causou escândalo na sociedade carioca. A pianeira — como gostava de ser chamada — foi a primeira compositora popular brasileira, a primeira mulher a reger uma orquestra no país, e ainda compôs a primeira marcha de carnaval, Ô abre alas, para o cordão Rosa de Ouro. A musicista conheceu o sucesso em 1877, com a polca Atraente. Resolveu então lançar-se no teatro de variedades e fez a trilha da opereta A corte na roça, em 1885. A partir daí não parou mais e compôs 2 mil músicas para 77 peças teatrais.
A ousadia de Chiquinha causava tanta polêmica quanto suas composições. A apresentação do maxixe Corta-jaca, 1897, pela primeira-dama Nair de Tefé em uma recepção no Palácio do Catete, provocou alvoroço na elite carioca. Rui Barbosa condenou o episódio e disse que a música era "a mais grosseira de todas as danças selvagens, a irmã gêmea do batuque, do cateretê e do samba."
A peça Forrobodó foi o seu maior sucesso e atingiu 1.500 apresentações. O espetáculo só foi encenado em 1912 por insistência da compositora. Os produtores acreditavam que a peça seria um fracasso. A história se passava num baile da Cidade Nova, bairro pobre do Rio e os personagens eram tipos populares. Apesar de o enredo ser pouco usual para a época, Forrobodó caiu no gosto popular.
Chiquinha morreu na antevéspera de carnaval de 1935.

Movimentos republicano e pela libertação dos escravos

Chiquinha participou ativamente das manifestações pela abolição dos escravos, vendendo de porta em porta suas partituras para angariar fundos para comprar alforrias. Envolveu-se também no movimento republicano.

Em 1913, iniciou a luta pelos direitos autorais, quando descobriu que suas partituras foram reproduzidas sem a sua autorização. As peças faziam a fortuna das empresas de teatro e os compositores quase nada recebiam. A discussão em torno do assunto resultou na aprovação da lei sobre a propriedade artística e literária. Em 1917, os autores teatrais se reuniram e fundaram a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (Sbat). A instituição visa a resguardar os direitos dos autores teatrais e também dos compositores musicais. Chiquinha foi a fundadora e patrona da Sbat, ocupando a cadeira de número 1.

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27 de fevereiro de 1997 — A clonagem da ovelha Dolly

Jornal do Brasil: Ovelha Dolly

Dolly, o primeiro mamífero clonado, foi gerado a partir de outra ovelha adulta, o que deixou em polvorosa o mundo científico. O animal nasceu em 1996 mas o resultado da pesquisa só foi publicada no ano seguinte, na Revista Nature. Os responsáveis pelo experimento foram os professores Ian Wilnut e Keith Campbell, do Roslin Institute, da Escócia.

Dolly foi gerada a partir do núcleo de uma célula mamária de uma ovelha adulta, o qual foi fundido, com a ajuda de uma corrente elétrica, ao óvulo de outro animal, cujo núcleo tinha sido previamente retirado. Para obter a clonagem os pesquisadores tiveram de fazer 276 tentativas. O nome Dolly foi uma referência à cantora country norte-americana Dolly Parton, que tem seios muito grandes.

O clone teve um filhote, que recebeu o nome de Bonnie, nascida de um
cruzamento normal com um carneiro montês da raça Welch, chamado David. Dolly gerou ainda mais três filhotes em uma única gestação, que morreram.

A experiência abriu debates a respeito dos limites morais das pesquisas científicas, e o Vaticano pediu que as pesquisas sobre clonagens fossem abolidas. Muitos países, inclusive o Brasil, estabeleceram medidas jurídicas para impedir que o processo fosse empregado em seres humanos.

A ovelha mais famosa do mundo foi sacrificada em 2003 depois de contrair uma infecção pulmonar degenerativa, que lhe infligiu muito sofrimento.

Ao completar 5 anos a ovelha apresentou uma forma rara de artrite, que ataca geralmente animais velhos. Os pesquisadores interpretaram a doença como um sinal de envelhecimento precoce a que poderiam estar sujeitos os clones. Dolly também ficou obesa, mas os cientistas não souberam explicar se o sobrepeso foi causado pelo confinamento ou se era outra consequência da clonagem.




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26 de fevereiro de 1983 — Nova técnica de transplante de medula óssea

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Uma nova técnica para o transplante de medula óssea restabeleceu a saúde de 18 crianças. A experiência foi realizada no Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, em Nova York. Em cada um dos pacientes foram transplantadas cerca de 30 gramas de medula.

Todas as crianças tratadas pelo novo processo haviam nascido com poucas defesas naturais em seu sistema imunológico. A falha é chamada de grave imuno-deficiência conjugada, e pode levar à morte. Infecções comuns ou mesmo germes insignificantes ameaçam a vida desses pacientes. Segundo os médicos a única cura possível é o transplante de medula. A medula óssea, um tecido líquido que ocupa o interior dos ossos, é popularmente conhecida por tutano. Nela são produzidos os componentes do sangue, como as hemácias (glóbulos vermelhos), os leucócitos (glóbulos brancos) e as plaquetas.

O grande obstáculo para o sucesso do tratamento era encontrar um doador compatível com as crianças a tempo de salvar as suas vidas. A nova técnica desenvolvida no hospital americano permitiu o transplante entre tipos de tecidos muito diferentes. A forma como a medula óssea é preparada antes de ser injetada impede que o organismo do paciente que a reeberá desencadeie uma reação destrutiva. O processo é resultado de mais de 20 anos de estudos e consiste em remover as células "T" maduras, que provocam a rejeição.

A eficácia do transplante de medula óssea como meio de tratar doenças relacionadas ao sangue foi reconhecida em 1990, com o Prêmio Nobel de medicina concedido a Donnall Thomas.
O primeiro transplante de medula foi realizado no Brasil em 1979 pela equipe chefiada pelos médicos Ricardo Pasquini e Eurípedes Ferreira, no Paraná.

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25 de fevereiro de 1986 — A queda do ditador das Filipinas

Jornal do Brasil: A queda de Ferdinando Marcos


Milhares de pessoas comemoraram nas ruas de Manila, capital das Filipinas, a renúncia do presidente Ferdinando Marcos, que estabeleceu no país uma das mais longas e corruptas ditaduras do século 20. Marcos foi acusado de acumular mais de dez bilhões de dólares durante os 21 anos em que ficou no poder. Em boa parte desse período o governo do ditador contou com o apoio dos Estados Unidos.

Marcos pediu garantias para deixar o palácio onde morava e refugiou-se com a família e alguns assessores na base aérea americana de Clark.

O palácio de Malacanang foi invadido e saqueado por uma multidão. Documentos foram jogados pela janela. Retratos de Marcos e de Imelda, sua mulher, foram arrancados das paredes e queimados. A ex-primeira-dama, vencedora de um concurso de beleza nas Filipinas, ficou conhecida por sua grande coleção de sapatos, estimada em mais de 3 mil pares.

Marcos chegou a ser empossado para um novo mandato como vencedor de eleições fraudadas., mas foi destituído do cargo. Com a queda do ditador, Corazón Aquino assumiu a presidência. Corazón é viúva do lider da oposição Benigno Aquino assassinado em 1993. Muitos choraram ao ouvir pelos alto-falantes a cerimônia de posse da nova chefe da nação. A nova presidente enfrentou, em sua gestão, várias tentativas de golpe organizadas por partidários de Marcos.

Pobreza e repressão violenta
Durante seu primeiro mandato, Ferdinando Marcos governou democraticamente e a economia do país cresceu. Já o segundo mandato foi marcado pelo autoritarismo. A pobreza e a criminalidade também aumentaram nas Filipinas. A oposição protestava e crescia o movimento de guerrilha.

Em 1972, a pretexto de combater a luta armada, o ditador decretou estado de sítio e suspendeu a constituição. No ano seguinte aprovou uma nova constituição e se reelegeu. A partir daí, a repressão aos opositores tornou-se violenta e milhares de pessoas foram torturadas e mortas.

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24 de fevereiro de 1946 — Perón é eleito presidente da Argentina

Jornal do Brasil: Eleições na Argentina

Juan Domingo Perón foi eleito pela primeira vez presidente da Argentina em 1946, com mais de 56% dos votos. Perón havia entrado para a política três anos antes, quando participou da Revolução Militar de 1943, que derrubou o presidente Hipólito Yrigoyen. Ingressou no Departamento Nacional do Trabalho e em 1945, foi preso e obrigado a renunciar a todas suas funções. Uma semana depois de intenso protestos de trabalhadores foi posto em liberdade.

Seu primeiro mandato presidencial foi marcado pela nacionalização das ferrovias, empresas de telefonia, do petróleo e das companhias de eletricidade. Nesse período o setor industrial cresceu e os trabalhadores conquistaram o direito à aposentadoria, férias remuneradas, cobertura de acidentes de trabalho e seguro médico. As mulheres também passaram a ter direito a voto e foi permitida a reeleição. Perón adotou uma política antiamericana e antibritânica, que chamou de "terceira posição", entre o comunismo e o capitalismo.
Fortalecido pelo sucesso do primeiro mandato, Perón foi reeleito em 1951, em um momento crítico da economia argentina.

O aumento da concorrência internacional e o baixo investimento para instalação de novas indústrias geravam desemprego e inflação. O líder argentino não conseguiu combater a crise, perdeu o apoio da Igreja e ainda enfraqueceu os laços com as forças armadas. O presidente não resistiu à pressão, e em setembro de 1955 sofreu um golpe militar, que o afastou do cargo. Perón ficou 17 anos exilado na Europa, mas continuou a influenciar a política do seu país.

A volta do exílio de 17 anos
Em 72, Perón retornou à Argentina e no ano seguinte foi eleito pela terceira vez para a presidência. Novamente não conseguiu cumprir o mandato até o fim, e um ano depois morreu de enfarte. A mulher de Perón, Isabellita, eleita vice-presidente, assumiu a chefia do governo e foi deposta por um golpe militar em 1976.

A junta chefiada pelo general Jorge Rafael Videla tomou o poder, dissolveu o Congresso e deu início à "guerra suja" - repressão violenta aos opositores do regime. O número de desaparecidos durante a ditadura militar argentina é estimado entre 15 mil e 30 mil pessoas.

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23 de fevereiro de 1997 — A economia de mercado chinesa

Jornal do Brasil: Morre Deng Xiaoping

O político e líder comunista chinês Deng Xiaoping implantou a partir de 1978 as reformas que fizeram da China o país com maior crescimento econômico do planeta. No campo diplomático, reatou relações com os Estados Unidos e o Japão, além de se reaproximar da ex-União Soviética.
A estratégia de Deng baseou-se na modernização de quatro setores: agricultura, indústria, ciência e tecnologia, e área militar. O dirigente chinês consolidou o ciclo de transformações com a criação de Zonas Econômicas Especiais (ZEE). Nessas regiões eram concedidas condições especiais para a instalação de empresas estrangeiras desde que estas firmassem parcerias com empresas chinesas. Primeiro as ideias eram testadas nos municípios e nas províncias e só depois eram implantadas gradualmente em todo o país.

As ações foram resumidas em três slogans — "socialismo com características chinesas", "economia socialista de mercado" e "ser rico é glorioso" — que buscavam conciliar o passado comunista com a economia de mercado.

Deng também foi quem abriu caminho para a solução da chamada questão de Hong Kong e de Macau, com a criação da fórmula "um país, dois sistemas". Segundo o acordo, Hong Kong e Macau, que eram antigas colônias do Reino Unido e de Portugal respectivamente, poderiam continuar a praticar o capitalismo or 50 anos depois de serem reintegradas à China socialista.

Massacre da Praça da Paz Celestial
O desenvolvimento social e econômico foi notável, mas os avanços democráticos foram poucos. Deng defendeu até o fim do seu governo a existência de um partido único e manteve controle rigoroso sobre a oposição.

Em julho de 1989, o dirigente ordenou que tropas do Exército Nacional massacrassem milhares de estudantes reunidos na Praça da Paz Celestial, em Pequim, que reivindicavam a abertura política.

Deng abriu mão de todos os cargos e títulos vitalícios a que tinha direito em 1992, e morreu cinco anos depois em conseqüência de complicações decorrentes do mal de Parkinson.

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22 de fevereiro de 1993 — Tribunal julga crimes da guerra da Iugoslávia

Jornal do Brasil: tribunal da ONU  julga crimes de guerra

O Conselho de Segurança das Nações Unidas criou um tribunal internacional para julgar crimes de guerra cometidos na antiga Iugoslávia. A resolução apresentada pela França foi aprovada por unanimidade.

Esse é o primeiro tribunal internacional do gênero desde os de Nuremberg e Tóquio, que julgaram os criminosos de guerra alemãs e japoneses. A grande diferença neste caso é que não serão os vencedores, mas toda a comunidade mundial representada pela ONU, que julgará as violações dos direitos humanos.

Tanto sérvios quanto croatas e muçulmanos foram acusados de tortura, massacres, execuções sumárias, violações sexuais sistemáticas, deportações e tratamento desumano a presos, nas guerras que dividiram a Iugoslávia a partir de 1991. As maiores acusações recaíram sobre os sérvios. O conflito gerou grandes baixas civis e mudou os limites territoriais da região.

O tribunal trabalha paralelamente à Corte de Haia e julga exclusivamente pessoas, e não estados ou governos. Os suspeitos não podem ser submetidos a processo à revelia. A sentença máxima para um acusado no Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia é a de prisão perpétua. Até agora, o tribunal já concluiu processos contra 115 pessoas. Destes, 10 foram inocentados e 56 foram condenados.

Slobodan Milosevic, ex-presidente da Iugoslávia e quatro de seus colaboradores foram acusados de responsabilidade criminal direta na deportação de 740 mil albano-kosovares e por genocídio. Ao todo são 10 acusações de crimes contra a Humanidade e 17 de crimes de guerra. Milosevic morreu na prisão em 2006.

A maior sentença aplicada pelo tribunal foi a de 40 anos de detenção, recebida pelo sérvio bósnio Milomir Stakic, ex-prefeito da cidade de Prijedor. Ratko Mladic, comandante militar sérvio bósnio durante o conflito, é acusado com Radovan Karadzic de genocídio no cerco de Sarajevo, e de chefiar o massacre em Srebrenica. O outro indiciado é Goran Hadzic, acusado de crimes contra croatas na cidade de Vukovar.

O novo desenho da Europa

Com o final da Guerra Fria e o desmantelamento da União Soviética, o mapa da Europa passou por transformações profundas. Seis nações separaram-se da Rússia, e surgiram a Estônia, Letônia, Lituânia, Belarus, Ucrânia e Moldávia. A queda do Muro de Berlin reunificou as duas Alemanhas, a ocidental e a oriental. A Thecoslováquia dividiu-se em dois países: República Theca e Eslováquia.

O conflito nas Balcãs gerou mais cinco nações, que dividiram o território da antiga Iugoslávia. Eslovênia, Croácia, Bósnia, Macedônia, tendo e a própria Iugoslávia se transformado em Sérvia e Montenegro.

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20 de fevereiro de 1992 — Israel invade o Sul do Líbano


Jornal do Brasil: Israel invade o Líbano

Israel invadiu o Sul do Líbano com o objetivo inicial de tomar duas aldeias de onde guerrilheiros xiitas bombardeavam o norte de Israel. Os ataques xiitas foram uma retaliação à morte do líder do Hezbollah Sheik Abbas Mussawi, morto havia cinco dias por jatos israelenses. Sheik Hassan Nasrallah assumiu a liderança do Hezbollah, que significa Partido de Deus, e é apoiado pelo Irã.

O Hezbollah é um grupo político-militar, que começou a atuar no Líbano, inicialmente como uma milícia islâmica, após a invasão israelense naquele país em 1982.

Segundo a Síria, que tinha 35 mil soldados no Líbano, o ataque israelense ameaçava as negociações de paz.

O Líbano enfrentava uma guerra civil entre cristãos e muçulmanos quando foi invadido pela primeira vez por Israel. Os israelenses conseguiram expulsar a Organização de Libertação da Palestina (OLP) do território libanês, e chegaram a ocupar a capital, Beirute. Entretanto nada fizeram para impedir o massacre de refugiados palestinos dos acampamentos de Sabra e Chatila, próximos a Beirute, por milícias cristãs libanesas.

Em 1985, as três principais organizações militares libanesas – a milícia drusa, a Amal (xiita) e a Falange (cristã) – assinaram um cessar-fogo. O pacto foi boicotado pelo Hezbollah, pela Murabitun (milícia muçulmana sunita) e por setores da comunidade cristã.

Intifada e acordo de paz
A reação palestina veio em 1987 com a Intifada, revolta popular, que começou em Gaza e se estendeu à Cisjordânia. A Intifada consistia em manifestações diárias da população civil, que arremessava pedras contra os soldados israelenses. Estes frequentemente revidam a bala.

Em outubro de 1989, a Assembléia Nacional Libanesa, reunida na Arábia Saudita, aprovou o tratado de paz. O acordo determinou a participação no governo, em pé de igualdade, de cristãos (Presidência), muçulmanos sunitas (chefia de governo) e muçulmanos xiitas (presidência do parlamento). Os combates só terminaram em 1990.

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19 de fevereiro de 1974 — Parque Nacional da Amazônia

Jornal do Brasil: Parque tem 1 milhão de hectares

O presidente Médici assinou decreto criando o Parque Nacional da Amazônia, o maior do Brasil, com cerca de 1 milhão de hectares. A reserva fica próxima à cidade de Itaituba, às margens do Rio Tapajós e da Rodovia Transamazônica.

A maior parte dessa imensa área verde está no Pará, um dos estados mais devastados da região. A menor porção, 22 mil hectares, está no Amazonas, no município de Maués, também conhecido como a terra do guaraná.

Esse foi o 18º parque instituído no país. Atualmente existem 11 parques na Amazônia, mas só esse leva o nome da região, que tem a maior biodiversidade do planeta.

As águas azuladas do rio, que banha a floresta, combinadas com o verde da vegetação compõem uma paisagem exuberante. A ave símbolo do parque é a pequena Ararajuba, de coloração verde-amarela, que voa em bandos e só é encontrada nessa região.

A unidade é refúgio para muitos animais ameaçados de extinção, como o raro sauim, um macaquinho branco, que cabe na palma da mão. O maior felino das Américas – a onça pintada – e o peixe-boi também habitam o parque. As árvores frondosas, com altura média de 50 metros, impedem que a luz do Sol atinja diretamente o solo, onde brotam trepadeiras, musgos, cipós, e orquídeas.

Caçadores e madeireiros ameaçam o parque
Os maiores problemas de conservação da reserva são causados por caçadores e invasores que praticam o desmatamento para roubar madeira.

O clima do parque é tropical, quente e úmido, com dois meses secos. A temperatura média anual é de 24 a 26ºC. A máxima fica entre 38 e 40ºC e a mínima entre 12 e 16ºC.

A criação do parque foi sugerida pelo Grupo de Operações da Amazônia (GOA), depois da desapropriação de 6 milhões de hectares, para o Programa de Integração Nacional. Dentre as ações desenvolvidas pelo projeto estava a construção da rodovia Transamazônica.

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18 de fevereiro de 1988 — Descoberta arqueológica em Israel

Jornal do Brasil: Descoberta pode mudar arqueologia


Arqueólogos franceses e israelenses encontraram restos de um homem moderno, que viveu no território correspondente ao atual estado de Israel há cerca de 92 mil anos. Os ossos são típicos do Homem de Cro-Magnon e foram descobertos em uma caverna perto de Nazaré. A descoberta alterou antigas concepções sobre a origem e as migrações do homem primitivo, como, por exemplo, a crença de que os primeiros homens modernos chegaram ao Oriente Próximo há apenas 40 mil anos.
O Homem de Cro-Magnon e o Homem de Neandertal são considerados representantes do Homo sapiens pré-histórico. Segundo os antropólogos, os Neandertal e os Cro-Magnon encontraram-se há cerca de 40 mil anos. Os dois grupos competiram entre si durante 10 mil anos, e o Homem de Neandertal foi extinto.
Os primeiros resquícios do Homem de Cro-Magnon foram descobertos em 1868 numa gruta da localidade do mesmo nome, na região de Dordonha, Sul da França. Não se sabe ao certo durante quanto tempo a população de Cro-Magnon existiu nem o que aconteceu aos seus integrantes. Sabe-se, no entanto, que produziram as primeiras obras de arte da pré-história. As pinturas refinadas encontradas nas paredes das cavernas mostram a habilidade do grupo. Eles também fabricavam utensílios para caçar e pescar, e cozinhavam os alimentos. Inventaram a agulha de osso, que era usada para costurar roupas, feitas de peles de animais.
Os fósseis do Homem de Neandertal foram descobertos em 1856, perto da aldeia alemã do mesmo nome, três anos antes da publicação de A origem das espécies, de Charles Darwin.
O crânio achado pelos arqueólogos era parecido com o de um macaco, só que mais volumoso.

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17 de fevereiro de 1973 — Morre o maestro Pixinguinha

Jornal do Brasil, 18 de fevereiro de 1973


Alfredo da Rocha Viana Filho, o Pixinguinha, foi o maestro responsável por incorporar elementos brasileiros às técnicas de orquestração e arranjo, renovando assim a arte de fazer música no Brasil.

Versão em vídeo:


Algumas composições do mestre receberam letra, como Carinhoso, composta em 1917. O clássico foi gravado em 1928 de forma instrumental e a letra só foi escrita em 1937 por João de Barro, para ser gravada por Orlando Silva. Outras músicas de Pixinguinha que ganharam letras foram Rosa (Otávio de Souza), Lamento (Vinicius de Moraes) e Isso É Que É Viver (Hermínio Bello de Carvalho).

Pixinguinha aprendeu a tocar flauta e logo começou a se apresentar em orquestras, choperias, peças musicais e a participar de gravações ao lado dos irmãos Henrique e Otávio (China), que tocavam violão. Os floreados e os improvisos que tirava do instrumento arrancavam aplausos do público.

No início dos anos 20 formou o conjunto Os oito batutas, e realizou uma turnê pela Europa para divulgar a música brasileira. A banda tinha João Pernambuco e Donga no violão, entre outros instrumentistas. Pixinguinha fez sucesso também entre a elite carioca, tocando maxixes e choros com instrumentos até então só conhecidos nos subúrbios do Rio.

Ainda na década de 20, época em que o sistema elétrico de gravação era uma grande novidade, fez várias gravações para a Parlophon com a Orquestra Típica Pixinguinha-Donga.

Pixinguinha e a música brasileira
Liderou também os Diabos do Céu, a Guarda Velha e a Orquestra Columbia de Pixinguinha. Em 1940 foi indicado por Villa-Lobos como o responsável pela seleção dos músicos populares que participariam da famosa gravação para o maestro Leopold Stokowski, que divulgou a música brasileira nos Estados Unidos. Em 1946, deixou a flauta e passou a tocar saxofone.

Em homenagem ao grande maestro o Dia Nacional do Choro é comemorado em 23 de abril, dia do nascimento de Pixinguinha. A data foi criada oficialmente em 4 de setembro de 2000.

O músico morreu de enfarte dentro de uma igreja, quando ia ser padrinho de um batizado.

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16 de fevereiro de 1923 — Descoberto o sarcófago de Tutankhamon

Jornal do Brasil: Egypto - 1923
A equipe do arqueólogo Howard Carter encontrou a câmara funerária onde estavam os restos mumificados do faraó egípcio Tutankhamon. As escavações para encontrar o túmulo do monarca da 18ª dinastia, no Vale dos Reis, em Luxor, sul do Cairo, despertaram grande interesse entre os cientistas que visitavam a região. Uma multidão acompanhou os trabalhos, que duraram semanas. O mausoléo foi o único, entre os de outros faraós, que escapou aos saques de ladrões na antiguidade. No local foram encontrados um rico mobiliário, tecidos, textos sagrados, jóias e esculturas, com destaque para a famosa máscara mortuária do rei e o sarcófago em ouro.
Tutankhamon não foi um rei importante. Governou por curto espaço de tempo, de 1361 a 1352 a. C., e não realizou nenhum projeto extraordinário. No entanto a descoberta do seu túmulo com 5 mil objetos intactos o tornaram o faraó mais conhecido de todos os tempos. O tesouro sepultado com Tutankhamon revelou o avanço e a sofisticação da sociedade egípcia de 3.400 a. C. O faraó foi coroado aos 9 anos e casou-se com Akhesenamon, sua meio-irmã, de 11. O rei menino morreu aos 19 anos de causas até hoje desconhecidas. Alguns especialistas defendem a tese de morte por doença, talvez tuberculose. Especula-se também que o faraó teria sido assassinado por um de seus assessores que cobiçavam o trono. Outra hipótese é a de que teria sofrido um acidente em um carro puxado por bois, ou ainda que teria morrido em batalha. O rei não deixou herdeiros.
Devido à pequena dimensão do túmulo, os egiptólogos chegaram a duvidar que ele pertencesse a um faraó. Depois chegaram à conclusão de que não houve tempo para construção de um mausoléo e que a cerimônia fúnebre teve de ser feita às pressas.

Lendas sobre a maldição
O fato de a tumba de Tutankhamon permanecer intacta por 3 mil anos gerou várias lendas a respeito de uma maldição que seria lançada naqueles que invadissem a sala mortuária. Coincidência ou não, o aristocrata Lord Carnarvon, que patrocinou a pesquisa, morreu dois meses depois que o arqueólogo Howard Carter abriu o sarcófago do faraó.
Os túmulos dos nobres egipcios eram construídos bem no fundo da rocha para evitar pilhagens. Labirintos eram escavados para que os ladrões se perdessem e morressem de fome antes de encontrar a câmara funerária.

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15 de fevereiro de 1984 — Chilenos vão morar na Antártida

Jornal do Brasil: 15 de fecereiro de 1984

Seis famílias chilenas, 12 adultos e seis crianças, viajaram para a Antártida onde permanecerão por dois anos como colonizadores do continente gelado. O primeiro grupo de civis a habitar a região foi acomodado em um acampamento batizado de Vila das Estrelas, erguido próximo ao aeroporto Tenente March, na Ilha Rei George. As casas de metal de três quartos são parecidas com contêineres. Os arquitetos estudaram materiais resistentes ao frio para construir as habitações especialmente para a experiência. Foram construídos também um banco, um supermercado e uma agência dos correios.
A Argentina e o Chile praticavam uma política oficial de anexação do Continente e da Península Antártida, área que fica mil quilômetros ao sul do Cabo Horn. Em 1940 o Chile publicou um decreto que fixava seus limites sobre a região.
O Tratado da Antártida, 1959, suspendeu todas as reivindicações territoriais no Pólo Sul e determinou o uso exclusivo da região para fins pacíficos. Não são permitidos testes nucleares, depósito de lixo radiativo e manobras militares na região. Desde 1961 o continente é regido pelas normas desse acordo. O Brasil foi um dos últimos países a aderir ao tratado (1975), com o Programa Antártico Brasileiro, que instalou na Antartida a estação de pesquisas científicas Luiz Antônio Carvalho Ferraz. Os primeiros oito módulos da base foram implantados em 1984, também na ilha do Rei George.
A camada de gelo acumulada durante milhares de anos na Antártida é um verdadeiro arquivo natural, que guarda informações importantes sobre a formação e a história natural do nosso planeta, incluindo registros sobre o clima e a composição da atmosfera em eras passadas. O Brasil mantêm o lado de outros 26 países estações de pesquisa na região.

Deserto cobiçado pelos países
A Antártida é o lugar mais frio do Planeta, e também o mais seco. Devido à falta de chuvas, é um grande deserto, porém tem indícios de petróleo, carvão e outros minerais valiosos. Entretanto, por não se conhecer o impacto que poderia causar a exploração econômica desses recursos, a Conferência de Madrid proibiu, em 1991, a retirada de minérios do Continente Antártico por 50 anos, e criou um comitê para a proteção do meio ambiente. A preocupação com a poluição é grande. Todo o lixo produzido pelos pesquisadores é processado e retirado de lá. Nenhum corpo estranho ao ecossistema deve ser deixado no continente gelado, nem mesmo um fio de cabelo.

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14 de fevereiro de 1980 — Encouraçado Potenkim é liberado

Jornal do Brasil: 15 de fevereiro de 1980


O Conselho Superior de Censura liberou sem cortes, com proibição para menores de 10 anos, o filme Encouraçado Potenkim, do cineasta russo Sergei Eisenstein. O conselheiro Pompeu de Souza informou que o clássico do cinema ficou anos fora do circuito de exibição sem que houvesse qualquer motivo que justificasse o veto. Pompeu acrescentou que no processo de liberação estavam anexados requerimentos, procurações, licenças de importação, pedidos de cineclubes. "só não havia qualquer parecer de censores sobre o filme", observou.
O Encouraçado Potenkim foi rodado em 1925, para homenagear o regime bolchevique, já então liderado por Stalin.
O filme se baseia em fatos reais e conta a história da revolta da tripulação de um navio de guerra russo, em 1905, que sofria maus tratos por parte dos comandantes. A rebelião eclodiu quando os oficiais deram aos marinheiros carne pobre para comer. A embarcação estava ancorada no porto de Odessa, cidade russa às margens do mar Negro. A população da cidade apoiou os amotinados, e um grande número de pessoas se dirigiu ao cais, levando alimentos. A guarda imperial do czar reprimiu violentamente a manifestação. A cena mais famosa do filme foi realizada nas escadarias da cidade de Odessa, quando um carrinho de bebê escorrega pelos degraus sob os disparos efetuados pelos policiais, e um marinheiro arrisca a vida e consegue salvar a criança.
Serguei Eisenstein foi um inovador, praticamente o inventor da técnica da montagem cinematográfica. Influenciou grandes cineastas ocidentais como Orson Welles, Jean Luc Godard, Brian de Palma e Oliver Stone. Eisenstein fez poucos filmes, mas a exemplo do Encouraçado Potenkim, Outubro, Alexandre Nevisk e Ivã, o terrível, tornaram-se clássicos do cinema pelas cenas de impacto com multidões, que são copiadas até hoje. Eisenstein teve atritos com Stálin e deixou a Rússia para filmar da Metro-Goldwin-Mayer (MGM), mas os seus projetos em Hollywood não tiveram êxito. Retomou os trabalhos na Rússia onde morreu de enfarte.

Censura libera outros filmes

Além do Encouraçado Potenkim, o Conselho Superior de Censura liberou, com proibição para menores de 18 anos, os filmes Emmanuele, A verdadeira, Uma virgem raptada e violentada, e Bordel. Esses filmes poderiam ainda ser vetados pelo Ministro da Justiça. Caso houvesse recurso no prazo de 15 dias por parte qualquer pessoa, entidade ou pelo Departamento de Polícia Federal, a exibição dos filmes poderia ser suspensa. O Diário de uma adolescente foi liberado pelo Conselho com censura até 14 anos.

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13 de fevereiro de 1967 - Cruzeiro Novo começa a circular

Jornal do Brasil: Cruzeiro Novo


O retorno das operações bancárias um dia depois do lançamento do cruzeiro novo foi confuso. As retiradas de dinheiro, e as trocas de moedas estrangeiras provocaram grande movimento nas agências. Os clientes queriam fazer os saques na nova moeda, mas o Banco Central ainda não havia feito a distribuição das notas. A troca da cédula antiga pela nova só podia ser feita através da rede de bancos.
Para se transformar em cruzeiro novo, o cruzeiro perdeu três zeros. As cédulas de CR$ 1, 2 e 5 e as moedas perderam o valor e foram recolhidas. As notas de 10 mil, 5 mil, 1 mil, 500, 100, 50 e 10 cruzeiros passaram a valer respectivamente 10, 5, 1 cruzeiros novos, e 50, 10, 5 e 1 centavos. As novas cédulas com valores mais altos passaram a circular só um ano depois da mudança.

Em algumas vitrines os preços eram exibidos em cruzeiros novos e antigos "como forma educativa", de acordo com a recomendação do governo. Muitos comerciantes especialmente os de alimentos aproveitaram a ocasião para arredondar os valores das mercadorias para cima e outros reclamavam do curto espaço de tempo para se adaptar ao novo padrão. A mudança gerou desconfiança e piadas. Os vendedores de uma loja de roupas do Centro do Rio anunciaram a maior uma liquidação de todos os tempos, com camisas de CR$ 15 mil a NCR$ 14. O novo era dito em voz baixa.

O cruzeiro novo foi criado durante a ditadura militar, no governo do marechal Castelo Branco, como medida para conter a inflação. O padrão monetário ficou em vigor até maio de 1970, quando o Conselho Monetário Nacional determinou o retorno à designação cruzeiro.

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12 de fevereiro de 1984 — Os contos de Júlio Cortázar


Jornal do Brasil: Júlio Cortázar

O escritor Júlio Cortázar nasceu em Bruxelas em pela Primeira Guerra Mundial, e passou os quatro primeiros anos de sua vida na capital belga ocupada pelos alemãs. Os pais o levaram para morar na Argentina e quando o escritor alcançou a idade adulta o país mergulhou em um longo ciclo de golpes e ditaduras militares, iniciada por Juan Domingo Perón.
Cortázar começou a escrever poemas em 1938. Trabalhou como professor e tradutor de autores franceses modernos, entre eles Marguerite Yourcenar.

Em 1952, mudou-se para Paris, depois de recusar um emprego numa universidade argentina oferecido por Perón. Vivia em condições financeiras precárias até que surgiu a oportunidade de traduzir as obras completas de Edgar Allan Poe para a Universidade de Porto Rico. O resultado foi elogiado por vários críticos da época e apareceram outros trabalhos. Cortázar ficou famoso com o romance Rayuela (1963) que recebeu no Brasil o título de O jogo da amarelinha. Seu gênero preferido era o conto. A história curta, dizia, é "uma espécie de esfera", que permite chegar à perfeição. O conto As babas do diabo, do livro As armas secretas (1959) foi transformado em filme com o título Blow-up, dirigido por Antonioni. No conto El perseguidor, inspirado na vida do músico Charlie Parker, o escritor expressou seu gosto pela música, em particular pelo jazz.

Apaixonado pela política, Cortázar apoiou a revolução cubana e defendeu o governo sandinista da Nicarágua, além de ser um crítico ferrenho à ditadura argentina.

Em 1973, recebeu o Prêmio Médicis por seu Livro de Manuel e doou o dinheiro obtido com as vendas aos presos políticos da Argentina. Em 1974, integrou o Tribunal Bertrand Russell II, reunido em Roma para examinar a situação política na América Latina, em particular as violações dos direitos humanos.

Remy Gorga Filho, que traduziu cinco dos seus 10 livros publicados no Brasil, o conheceu de perto e descreveu assim o escritor: "Era um homem tímido mas amável. Gostava muito de Clarice Lispector e de Gal costa. Seu físico era impressionante. Era muito alto, tinha braços longos e estava sempre com a cabeça meio baixa.

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11 de fevereiro de 1996 — O Tesouro de Verger

Jornal do Brasil: O acervo de Pierre Verger

O etnólogo e fotógrafo francês Pierre Verger viveu no Brasil durante 50 anos. Ao longo desse período Verger juntou mais 62 mil negativos, 3.500 espécies de plantas e montou uma biblioteca com 3 mil volumes. O acervo ficava guardado na casa de pouco mais de 100 metros quadrados, na qual o etnólogo morava em Salvador, e que havia sido transformada em centro de pesquisas da cultura afro-brasileira.

A história, os costumes e a religião praticada pelos iorubás e seus descendentes, na África Ocidental e na Bahia, foram os temas centrais de sua obra, que abrange 40 títulos. O último livro que escreveu Ewê é um dicionário sobre o uso de ervas na sociedade iorubá.

Verger fez muitos amigos, entre eles, o pintor argentino Carybé, que ilustrou os livros Lendas Africanas dos Orixás, e Iconografia dos Deuses Africanos no Candomblé da Bahia. Os dois se conheceram em uma pensão em Copacabana, assim que chegaram ao Brasil. A amizade do fotógrafo com o pintor se consolidou em Salvador, onde ambos foram morar apaixonados pela hospitalidade do povo e pela riqueza cultural.

O fotógrafo nasceu em uma família rica em Paris. Aos 30 anos, resolveu viajar pelo mundo, com sua máquina fotográfica. Depois 14 anos percorrendo vários países, fixou residência na Bahia. Um ano mais tarde ganhou uma bolsa do Instituto Francês da África Negra para estudar no continente africano e passou pesquisar a cultura afro-brasileira. Descobriu na África, em 1949, documentos dos séculos 17 a 19 sobre o tráfico de escravos entre o Golfo da Guiné e a Bahia.

O francês integrou-se de tal maneira à cultura iorubá, que foi iniciado como babalaô e incorporou a palavra Fatumbi, que quer dizer renascido do Ifá (oráculo africano) ao seu nome, passando a chamar-se Pierre Fatumbi Verger.Os 17 anos de estudos sobre a cultura africana renderam-lhe o título de doutor pela Sorbonne (Paris).

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10 de fevereiro de 1912 - O diplomata Rio Branco

Jornal do Brasil: dia 12 de fevereiro de 1912
O jornalista, diplomata, historiador e biógrafo José Maria da Silva Paranhos Júnior, o barão do Rio Branco, cresceu admirando o pai, o também diplomata e senador Visconde do Rio Branco, uma das figuras mais destacadas do Segundo Império. O visconde negociou o fim da Guerra do Paraguai em 1869 e, dois anos mais tarde, quando exercia a presidência do Conselho de Ministros, promulgou a Lei do Ventre Livre, que dava liberdade aos filhos de escravos nascidos após a promulgação da nova lei.
Ainda adolescente o barão costumava acompanhar o pai nas viagens a trabalho ao Sul do Brasil e teria nascido nessas excursões o interesse pelas disputas fronteiriças.
Rio Branco ficou conhecido por solucionar pacificamente questões sobre os limites de território entre o Brasil e os países vizinhos. Nos últimos dias do Império, o barão foi vitorioso ao defender os direitos do Brasil às terras onde ficavam as Missões. Em 1898, resolveu com sucesso o litígio envolvendo o Amapá depois de estudar durante cinco anos o problema. Em 1902, quando foi convidado pelo presidente Rodrigues Alves a assumir a pasta das Relações Exteriores, defrontou-se com a luta pela posse das terras que hoje pertencem ao Estado do Acre, e que a Bolívia pretendia ocupar. Rio Branco pôs fim à polêmica com o Tratado de Petrópolis. O empenho do diplomata encerrou velhas disputas que o Brasil mantinha com quase todos os países da América do Sul e traçou os contornos atuais do mapa do Brasil. O barão resolveu pendências através de tratados com o Equador (1904), Guiana Holandesa (1906), Colômbia (1907); Peru (1904 e 1909), e Argentina (1910).
Rio Branco também lançou as bases de uma nova política internacional, adaptada às necessidades do Brasil moderno.

A vida acadêmica do diplomata

O barão do Rio Branco entrou para o Colégio Pedro II quando tinha 17 anos. Cursou direito nas faculdades de São Paulo e de Recife. Viajou pela Europa e na volta ocupou a cadeira de Corografia e História do Brasil no Imperial Colégio. Em maio de 1876, assumiu o cargo de cônsul-geral do Brasil em Liverpool. Em 1881, substituiu Antonio Prado como superintendente geral na Europa da emigração para o Brasil, função que exerceu até 1893.
Foi promotor público de Nova Friburgo, dirigiu o jornal A Nação e foi colaborador do Jornal do Brasil em 1891, no qual escreveu as colunas Efemérides e Cartas de França.

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9 de fevereiro de 1967 -- Sancionada a Lei de Imprensa

Jornal do Brasil: Castelo Branco sanciona a Lei de Imprensa


O presidente Castelo Branco sancionou em um despacho com o Ministro da Justiça, Carlos Medeiros e Silva, a Lei de Imprensa. O dispositivo recebeu dois vetos: o primeiro por contrariar, de acordo com o presidente, a teoria da prova, e o segundo por conter "privilégios aos jornalistas".

A partir da entrada em vigor das novas regras todos os programas a serem exibidos na televisão deveriam apresentar na tela, antes do início, uma autorização rubricada pelos censores de plantão. Em caso de vigência do estado de sítio, o governo enviaria agentes a todas as redações de periódicos e emissoras de rádio e televisão para fazer a censura prévia.

A Lei de imprensa dos militares atualizou os conceitos da Lei de Imprensa, concebida no governo de Getúlio Vargas em 1934, para a realidade do regime imposto em 1964. O marechal incluiu a televisão que não existia na época de Vargas e ampliou as restrições à liberdade de expressão. A lei de Vargas exigia que as gráficas e jornais tivessem uma matrícula no Estado, e que todos os profissionais da área preenchessem um cadastro, incluindo o endereço residencial.

Castelo Branco criou também o Serviço Nacional de Inteligência (SNI) em 1964, com a função de "superintender e coordenar em todo o território nacional as atividades de informação e contra-informação".

SNI tem regulamento sigiloso

No mesmo dia em que foi sancionada a Lei de Imprensa saiu a publicação no Diário Oficial dando conta de que o novo regulamento do SNI fora aprovado por decreto do presidente Castelo Branco. O texto do documento não foi divulgado por ser considerado matéria sigilosa pelo governo militar. O antigo regulamento era de conhecimento geral.

O SNI foi extinto em 1990, no governo Collor, e suas funções passaram a ser desempenhadas por outros órgãos até a criação da Agência Brasileira de Inteligência, em 1999.

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8 de fevreiro de 1999 -- Jordânia tem novo rei


Jornal do Brasil: Filho de Hussein é o  novo rei da Jordânia

Horas depois da morte do rei Hussein da Jordânia, o filho mais velho do monarca Abdula, 37 anos, prestou juramento no parlamento como seu sucesso. Em seguida, indicou seu meio irmão Hamzeh, 18 anos, filho mais velho da rainha Noor, viúva de Hussein, como príncipe-herdeiro. Noor é o nome árabe Liza Halaby, que era rejeitada pela origem americana, mas que continuou a ter influência no reino por intermédio do filho.

Com a decisão de ungir o filho mais velho, Hussein alterou a linha de sucessória do trono e afastou Hassan, seu irmão mais novo e herdeiro oficial do trono durante 34 anos. Abdula recebeu do pai um país com sérios problemas econômicos, com conflitos nas fronteiras e com um contingente enorme de palestinos entre a população.

A morte do grande estadista, que enfrentou muitos obstáculos para manter seu país coeso, comoveu a população. Hussein tinha 63 anos e governava há 47 anos. O território onde fica a Jordânia é um pedaço do deserto sem petróleo, que foi dado pelos ingleses como prêmio a seus aliados hachemitas, do qual Hussein é descendente. Seu avô, o primeiro rei, foi assassinado. O pai enlouqueceu. Hussein foi coroado aos 16 anos e cinco anos depois frustrou uma tentativa de golpe de estado. Em 1967, Israel invadiu o país e ocupou a Cisjordânia na Guerra dos Seis dias e a parte oriental de Jerusalém.

Equilíbrio difícil
Em 1970, Hussein sofreu dois atentados e tropas do rei sufocam uma rebelião de palestinos em um episódio ficou conhecido como Setembro Negro. Em seguida, a cúpula árabe decidiu que Hussein não seria mais o porta-voz dos palestinos e cria a Organização para Libertação da Palestina (OLP). Os palestinos fugiram para o Líbano e a partir de 1979, o rei inicia a reconciliação com a liderança da OLP. Em 1994, assina um acordo de paz com Israel.
Hussein autorizou eleições em 1989 e 1993. Na primeira saíram vitoriosos os fundamentalistas islâmicos. Os vencedores do segundo pleito foram as forças moderadas.

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7 de fevereiro de 1992 -- Ulisses chega a Júpiter

Jornal do Brasil: Ulisses vai estudar o Sol


A sonda Ulisses, uma missão conjunta da Nasa e da Agência Espacial Européia, mergulhou na zona de radioatividade de Júpiter. A região é repleta de partículas atômicas capturadas pelo campo magnético desse planeta. Os equipamentos mais sensíveis da nave foram blindados para protegê-los da intensa radiação.
A chegada ao maior planeta do Sistema Solar foi apenas o primeiro estágio da missão, cujo objetivo era estudar a estrutura do Sol e o espaço que o circunda, principalmente as regiões polares da nossa estrela.

A força gravitacional de Júpiter e o seu movimento orbital impulsionaram a nave Ulisses rumo ao Sol, a qual orbitou a nossa estrela e em seguida voltou em direção a Júpiter. Esse longo percurso foi feito diversas vezes, durante 17 anos. Nesse vai-e-vém a sonda realizou estudos que mudaram para sempre o modo como os cientistas veem o Sol e os fenômenos que acontecem no espaço que o rodeia.

Projetada para durar cinco anos, a missão ultrapassou todas as expectativas. A pequena nave de 3 metros de largura e 370 quilos obteve uma enorme quantidade de dados sobre a heliosfera – uma grande região do espaço interplanetário ocupada pela atmosfera do Sol e dominada pelo vento solar.

Os levantamentos realizados pela sonda comprovaram que explosões na atmosfera do Sol provocam sérias distorções nas ondas de rádio em nosso planeta, o que prejudica as telecomunicações. A Ulisses investigou também a origem dos raios gama ultra-energéticos que atingem a Terra.

Nave é a mais veloz já lançada ao espaço
A cápsula foi lançada a partir do ônibus espacial Discovery em órbita da Terra, em outubro de 1990. A Ulisses deixou a força de atração do nosso planeta e viajou para Júpiter a uma velocidade de 11,3 km/s, tornando-se a nave mais veloz já lançada. O experimento só terminou devido ao desgaste dos equipamentos da sonda, principalmente da bateria atômica , que alimentava os diversos sistemas e as transmissões de rádio para a Terra. A nave cessou de sinais para a Nasa no ano passado.

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6 de fevereiro de 1984 -- Astronauta voa livre no espaço

Jornal do Brasil: Astronauta americano

Milhões de americanos viram ao vivo pela TV o astronauta Bruce McCandless flutuar solto no espaço, com seu traje branco e com uma grande mochila presas as costas. A façanha de se locomover no espaço sem o cordão umbilical preso ao veículo espacial fez de McCandless o primeiro "satélite humano" da história.

O compartimento de carga do ônibus espacial Challenger abriu-se lentamente e a Unidade Tripulada de Manobras (MMU) levou o astronauta a uma órbita de 100 metros de distância da nave. "Pode ter sido um pequeno passo para Neil, mas foi um grande passo para mim", disse McCandless numa alusão às palavras de Neil Armstrong ditas 15 anos antes quando este pisou o solo lunar.

Embora só se movesse a pouco mais de 10cm/s em relação à nave espacial, McCandless dava voltas à Terra, juntamente com nave espacial, a uma velocidade de 28 mil175 km/h. O astronauta grisalho de 46 anos esperava havia 18 anos para testar a mochila propulsora, que ele ajudou a projetar. O combustível usado no experimento foi o nitrogênio e as duas MMUs levadas para a missão custaram 10 milhões de dólares cada uma. Caso ocorresse algum imprevisto, outro astronauta Robert Stewart estava pronto para socorrer Bruce ou orientar os outros três tripulantes para resgatar o companheiro. Stewart permaneceu preso à nave, carregando outra mochila e observando os movimentos de Bruce.

Equipamento imita ficção científica
A Unidade Tripulada de Manobras (MMU) foi apelidada de Buck Rogers por ser semelhante à mochila que o herói criado pelo desenhista Dick Calkins, em 1929, carregava nas costas.
O personagem de Calkins dormia durante 500 anos depois de sofrer um acidente e acordava em uma guerra no futuro onde todos usavam uma mochila a jato.
O astronauta Bruce McCandless, o primeiro a usar a MMU no espaço, ainda participou em abril de 1990 da missão Discovery, que colocou em órbita o telescópio espacial Hubble.

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5 de fevereiro de 1965 -- Martin Luther King é solto



Jornal do Brasil: Martin Luther King fica três dias na prisão
O Prêmio Nobel da Paz Matin Luther King foi solto logo após a chegada de 15 congressitas americanos a Selma, Alabama. King convocou seus colegas do Movimento pelos Direitos Civis para uma reunião na prisão, onde estava havia três dias, por liderar um protesto pelo direito ao voto dos negros. No encontro seriam estudadas as consequências da ordem judicial, expedida pelo Tribunal Federal, que exigia a aceleração da inscrição dos eleitores negros no Condado de Dallas, Alabama. O direito dos negros ao voto foi conquistado em 1965 depois dessa campanha liderada por King.

O pastor da igreja batista iniciou a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos em 1955, quando Rosa Parks, uma mulher negra, negou-se a dar seu lugar em um ônibus para um branco e foi presa por isso. King e os líderes negros de Montgomery organizaram um boicote aos ônibus contra a segregação racial no transporte. A campanha durou 381 dias. Durante esse período, o pastor recebeu ameaças, foi preso e teve sua casa atacada. O boicote foi encerrado com a decisão da Suprema Corte Americana em tornar ilegal a discriminação racial nos ônibus.

Depois de encontrar-se com Mahatma Gandhi, líder da luta pela independência da Índia, em 1959, King passou a adotar o princípio de persuasão não violenta empregada por Gandhi naquele país como o seu principal instrumento de protesto social. King pregava a fraternidade e disse em um dos seus famosos discursos: "Aprendemos a voar como pássaros e a nadar como peixes, mas não aprendemos a conviver como irmãos''

O pastor foi assassinado em abril de 1968 em Memphis, Tenessee, por um branco que havia escapado da prisão. Desde 1986, no terceiro domingo de janeiro é comemorada a conquista dos direitos civis dos negros dos Estados Unidos e são feitas homenagens a Martin Luther King, defensor da paz e da justiça.

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4 de fevereiro de 1934 - O tango de Ernesto Nazaré


Jornal do Brasil: o desaparecimento do maestro Ernesto Nazaré

Ernesto Nazaré começou a estudar piano com sua mãe, Carolina da Cunha Nazaré, e sua primeira composição foi a polca-lundu Você Bem Sabe, dedicada ao seu pai, Vasco Loureiro da Silva Nazaré, a qual foi editada e colocada à venda. Ernesto formou-se, passou a dar aulas e continuou a compor. Vendia milhares de partituras, mas devido à falta de regulamentação do direito autoral não conseguia receber o suficiente para sobreviver. Por causa de problemas financeiros o autor vendeu os direitos de Brejeiro, uma de suas composições mais famosas e considerada o marco do tango brasileiro, para a Editora Fontes e Cia. por 50 mil réis. A música foi gravada pela banda da Guarda Republicana de Paris. O sucesso Apanhei-te Cavaquinho foi uma das suas únicas composições que ele denominou como choro. A valsa Dora foi dedicada a Teodora Amália de Meireles com quem Nazareth se casou, aos 23 anos. Para sustentar a família, o pianista trabalhou como escriturário no Tesouro Nacional.

Em 1917, começou a tocar na sala de espera do Cine Odeon. As pessoas lotavam o cinema para ouvi-lo tocar mais do que propriamente para ver o filme. Em 1910 já compusera o tango brasileiro Odeon inspirado naquele cinema. Em 1919 arrumou emprego na Casa Carlos Gomes, que mais tarde passou a chamar-se Carlos Wehrs. Lá Ernesto executava as partituras que os fregueses interessavam-se em comprar.

Compôs fox-trots, sambas e até marchas de carnaval por um breve período, em 1920. Participou, como pianista, da inauguração da Rádio MEC, em 1923. Os admiradores do artista arrecadaram dinheiro e deram-lhe um piano de cauda italiano da marca Sanzin, que hoje faz parte do acervo do Museu da Imagem e do Som, no Rio de Janeiro.

Surdez e loucura
Ernesto Nazaré começou a apresentar sinais de surdez aos 54 anos. Seis anos depois foi internado no Instituto Neurosifilis da Praia Vermelha com graves perturbações mentais, sendo transferido para a Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá de onde desapareceu misteriosamente. O corpo do maestro foi encontrado três dias depois em uma represa.

O escritor Mário de Andrade e o maestro Villa-Lobos estavam entre os admiradores do compositor. Villa-Lobos reconheceu que o maestro foi uma das mais notáveis figuras da música brasileira, e o escritor fez uma conferência sobre a obra de Nazaré na Sociedade de Cultura Artística em São Paulo.

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3 de fevereiro de 1927 - A revolta dos militares do Porto


Jornal do Brasil; O Reviralho

A revolta de militares da infantaria aquartelados no Porto levou o governo português a decretar o estado de sítio em todo o país. À frente da rebelião estavam o general Sousa Dias, o comandante Jaime de Morais, o capitão Sarmento Pimentel e o tenente João Pereira de Carvalho, além do capitão-médico Jaime Cortesão e José Domingos dos Santos.

Os rebeldes prenderam o ministro da Instrução Pública e seguiram para Lisboa. Um grupo de oficiais apresentou um ultimato ao governo, exigindo a renúncia do general Carmona e dos seus assessores, que seriam substituídos por um governo militar de caráter republicano e constitucional.

O general reagiu, enviando tropas para as cidades do Porto e de Gaia, que foram bombardeadas. Os revoltosos que partiram de Lisboa e de Lagos não conseguiram chegar a tempo de prestar socorro aos combatentes do Porto. Os revolucionários ficaram encurralados e se renderam. A batalha durou cinco dias e deixou 90 mortos e mais de 500 feridos, entre militares e civis. A repressão aos rebeldes foi violenta, com fuzilamentos sumários e deportações para a Açores e Angola.

A rebelião foi a primeira depois do golpe que instaurou a ditadura de inspiração fascista em 28 de maio de 1926, e deu início ao movimento de resistência que ficou conhecido como o "reviralho". Os protestos contra o regime estenderam-se até os anos 40.
A Constituição de 1933 criou o Estado Novo e Oliveira Salazar passou a controlar o país até 1968. Foi substituído por Marcelo Caetano.

A democracia somente foi restabelecida em Portugal depois de 46 anos de ditadura, com a pacífica Revolução dos Cravos, em 25 de abril de 1974. A nova constituição foi promulgada de 1976 e consolidou as conquistas democráticas.

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1989 - Golpe depõe Stroessner

Jornal do Brasil: Golpe militar depõe ditador paraguaio

O presidente paraguaio general Alfredo Stroessner foi deposto por um violento golpe de estado liderado por seu amigo o general Andrés Rodríguez. Stroessner estava havia 35 anos no poder, e era o mais antigo ditador da América Latina. Rodríguez assumiu a presidência com a promessa de restaurar a democracia e o respeito aos direitos humanos.

O general deflagrou o golpe no fim da noite, quando tropas rebeldes entraram em choque com os efetivos leais ao governo dentro do quartel-general do 1º Corpo do Exército, próximo a Assunção. Cerca de 300 militares morreram no confronto.

Milhares de pessoas foram para as ruas comemorar o fim do regime. As denúncias de nepotismo, prisões e tortura de adversários políticos, ligações com o contrabando e o narcotráfico enfraqueceram o poder do ditador. Stroessner alinhava-se com o regime da África do Sul e era suspeito de dar asilo a líderes nazistas. Nem o crescimento econômico proporcionado pela usina hidrelétrica de Itaipu – projeto desenvolvido em parceria com o Brasil – o pouparam da perda de prestígio.

Rodríguez era o braço direito de Stroessner e contra ele pesavam as mesmas acusações feitas ao ditador. Contudo, Rodríguez cumpriu suas promessas. Convocou eleições, permitiu a volta de exilados e acabou com a censura aos meio de comunicação. Em 1991, assinou com os presidentes do Brasil, Argentina e Uruguai o tratado de criação do Mercado Comum do Sul (Mercosul). Deixou a presidência do Paraguai em 1993.

Stroessner pediu asilo ao Brasil e morreu em agosto de 2006, enquanto estava sendo processado por crimes contra a humanidade durante a operação Condor. Essa ação foi realizada nas décadas de 70 e 80 pelos serviços de inteligência das ditaduras da América Latina, com o objetivo de perseguir opositores na Argentina, Chile, Espanha, França, Itália e Paraguai. O general foi responsável pelo desaparecimento de ao menos 120 ativistas durante o período ditatorial.

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1979 - A revolução do Irã

Jornal do Brasil: Khomeini retorna do exílio

Emocionado, o ayatollah Khomeini voltou ao Irã depois de 15 anos de exílio na França. O líder religioso xiita assegurou que não permitirá o retorno do xá Reza Pahlavi ao país. Khomeini disse que a revolução iraniana só triunfaria fossem "extirpardas as raízes do colonialismo e arrancadas definitivamente as raízes da monarquia". Essa tarefa coube ao Conselho Revolucionário Islâmico, que instituiu também um governo republicano fundamentado no Corão, livro sagrado dos muçulmanos.

O xá Reza Pahlavi estava no poder desde 1941. O governo do monarca destacou-se pela subordinação ao Ocidente e pela perseguição cruel aos opositores. Na década de 70, o descontentamento do povo com a corrupção, com as despesas supérfluas da corte e com a violenta repressão realizada pela polícia do xá, a temida Savak, chegou ao limite. Embora muitas pessoas estivessem passando fome e não tivessem aonde morar, o governo gastou US$ 300 milhões nas comemorações dos 2.500 anos da fundação do Império Persa. O fato causou a indignação das massas.

Depois das pressões por direitos humanos feitas pelo então presidente norte-americano Jimmy Carter, o xá concordou em libertar 300 prisioneiros políticos, relaxar a censura e reformar o sistema judicial. Em 1978, 2 milhões de pessoas foram às ruas protestar contra o regime. No início de 1979, o xá foi forçado a renunciar e instaurada a República Islâmica.
O novo governo republicano reforçou os códigos de vestimenta feminina e de costumes através de uma severa interpretação das leis do Corão. Milhares de professores foram demitidos e milhares de opositores foram mortos ou presos. O Partido Comunista Iraniano, o Tudeh, que apoiou a revolução, foi banido em 1983.

Iraque invade o Irã
Aproveitando-se da confusão em que se encontrava o país, o Iraque invadiu o Irã um ano e meio depois da revolução, que derrubou o xá. O Iraque ocupou a cidade de Khorramshar onde fica a refinaria de Abadã, sob o pretexto de que o Irã poderia bloquear o transporte do petróleo iraquiano para o Golfo Pérsico. O conflito durou oito anos e as tropas iraquianas foram acusadas de usar armas químicas contra os soldados iranianos.

O Iraque era financiado pela Arábia Saudita, pelos EUA e pela União Soviética, enquanto o Irã contava com o apoio da Síria e da Líbia. Depois da morte de Khomeini em 1989, o Irã adotou uma política mais moderada.

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