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1908 - O imortal Machado de Assis

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 2 de outubro de 1908
O autor da obra mais consagrada da literatura brasileira, Machado de Assis, 69 anos, morreu em sua casa no bairro carioca do Cosme Velho. Chegava ao fim o sofrimento em que sobrevivia desde a perda da sua esposa, Carolina, três anos antes.

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839, no Morro do Livramento, nesta cidade. De origem humilde, neto de escravos alforriados, filho de um pintor de paredes e de uma lavadeira portuguesa, o escritor soube vencer dificuldades de toda ordem até tornar-se um dos mais respeitados nomes da nossa literatura. Autodidata por necessidade e aptidão, aos 16 anos publicou o seu primeiro trabalho literário, e conquistou o seu primeiro emprego como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional. No ano seguinte começou a escrever durante o tempo livre. Seu primeiro romance, Ressureição, foi lançado em 1872.
reprodução


Machado de Assis foi um autor singular no panorama literário do seu tempo. Primou pelo uso essencial das palavras para exprimir seu pensamento. Usou intensamente recursos de metalinguagem e envolveu a participação do leitor em suas narrativas. Exercitou a ironia e o sarcasmo como ferramentas de crítica social.

O conjunto de sua obra retrata a coexistência do amor e do ciúme, da verdade e da mentira, do ser e do parecer. Chama a atenção para a ambiguidade e as sutilezas emocionais dos seus personagens, e para as mazelas da sociedade do seu tempo. A sua obra mantém-se tão atual e tão influente quanto há um século atrás. Desde sempre revisitado por gerações, os estudos de sua obra são incontáveis. Jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e dramaturgo, foi fundador Academia Brasileira de Letras, instituição que presidiu de 28 de janeiro de 1879 até o fim da vida.




Quem respirava de perto

Jornal do Brasil: Edição especial 'Jornal do Século'
O enterro do insigne homem de letras, Machado de Assis, foi velado por amigos do timbre de Euclides da Cunha, Mário de Alencar, José Veríssimo, Raimundo Correia e todos os colegas da ABL. Rui Barbosa, com sentimento e eloqüência, fez o discurso de despedida: "Designou-me a Academia Brasileira de Letras para vir trazer no amigo que de nós aqui se despede.(...) Não é o clássico da língua; não é o mestre da frase; não é o árbitro das letras; não é o filósofo do romance; não é o mágico do conto; não é o joalheiro do verso, o exemplar sem rival entre os contemporâneos, da elegância e da graça, do aticismo e da singeleza no conceber e no dizer: é o que soube viver intensamente da arte, sem deixar de ser bom. (...)"


Confira também: No JB online curta "O Rio de Machado" produzido em 1965, uma inciativa do Jornal do Brasil, dirigido por Nelson Pereira dos Santos.



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1991 - Miles Davis, intenso até o fim

Primeira página do Caderno B: Segunda-feira, 30 de setembro de 1991
"Carros de luxo,
mulheres bonitas,
drogas e bebidas,
doenças e operações,
frases polêmicas
e dezenas de discos
de inovadora
e excelente música.
Esta pode ser
a síntese da vida
- repleta de excesso,
na trajetória pessoal
e no talento artístico
- de Miles Dewey Davis III,
o grande trompetista...
"
Jornal do Brasil


A música, o jazz em particular, perdeu um de seus mais consagrados expoentes. O artista americano Miles Davis, 65 anos, não resistiu às complicações decorrentes de apoplexia, pneumonia e insuficiência respiratória, e morreu em Santa Mônica, Califórnia. Ele foi enterrado no Bronx, Nova Iorque.

Sempre consciente de que não era como os outros, Miles nasceu diferente dos tantos outros que habitariam seu mesmo universo. Não teve a infância difícil, nem o início de carreira miserável, tal como outros gênios do trompete. Foi criado num seio familiar burguês, com o conforto de frequentar boas escolas e a oportunidade de aprimorar com estudos seu talento ao trompete. Esta base, que muito contribuiu com o seu ingresso na prestigiada e seleta Juilliard School of Music de Nova Iorque, também favoreceu ao seu estigma de rebelde. Se por um lado as portas se abriam por sua performance musical, por outro, as regalias a que se acostumou, possibilitaram um comportamento desregrado, que acabaria por levá-lo ao submundo. Essa complexidade se notabilizaria a partir do final dos anos 40, quando já consagrado como a grande revelação do jazz, sairia de cena pela primeira vez, por quatro anos, em função do consumo de drogas. Neste ritmo, desfilou toda sorte de suas experiências: os músicos geniais que conheceu, os sons que criou, as fusões musicais que promoveu, as mulheres que amou, as violências em que se envolveu, as perdas que sofreu. Uma vida frenética, até o fim.

Um artista atraído pelas experimentações

Indiossincrático. Miles Davis foi um furacão, de pensamento a mil, inquieto e alucinógeno, passional e contraditório, indecifrável. Um dos maiores trompetistas do século XX, redefiniu constantemente sua música. Inventivo, permanentemente atraído pelas experimentações, revolucionou o jazz, inserindo outros estilos ao gênero, como o rock, criando o que passou a ser convencionado como 'fusion'. Criticado pelos jazzistas tradicionais, que condenavam seu poder inventivo, Miles manteve-se firme em suas convicções, para a sorte do grande público que sua produção musical arrebatou.

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1952 - A morte do 'Rei da Voz'

Jornal do Brasil: Terça-feira, 29 de setembro de 1952
O maior cantor brasileiro de todos os tempos, Francisco Alves, morreu em um desastre de automóvel na Via Dutra, no Estado de São Paulo, quando viajava em direção ao Rio de Janeiro. Seu carro chocara-se com um caminhão em plena rodovia, e, explodindo o motor, as chamas envolveram o veículo carbonizando o corpo do querido artista. Seu primo Haroldo Alves, estudante que o acompanhava na viagem, foi projetado à grande distância no momento da colisão, escapando com vida, porém em estado grave.

Francisco Alves era carioca, filho de José Alves e Isabel Alves nasceu nesta capital, à rua da Prainha, na Gamboa, em 19 de agosto de 1898, contando portanto com 54 anos de idade.
Encontrava-se em plena mocidade, a julgar pelo seu espírito sempre alegre, e pela intensa atividade que desenvolvia na arte que elegera.

O nome de Francisco Alves atravessara as fronteiras do Brasil. Era considerado um grande intérprete de Carlos Gardel, o saudoso cantor de tango argentino de quem ele era grande admirador. Amigo de todos os que se iniciavam carreira do rádio, protegia e encaminhava às emissoras os que lhe pediam amparo.

Além de artista era um apaixonado turfista, proprietário de vários cavalos de corrida.

Era contratado da Rádio Nacional, em cujo elenco artístico estava há dez anos. Tão logo chegou a notícia do falecimento de Chico Alves, a emissora suspendeu a sua programação habitual em sinal de luto. As demais emissoras homenagearam igualmente a sua memória fazendo ouvir os seus discos, inclusive a Rádio Jornal do Brasil, que sentiu profundamente a morte do artista das multidões.


Brasil canta Adeus a Chico Alves

Jornal do Brasil: Edição Especial Jornal do Século
"Adeus, adeus, adeus / Cinco letras que choram / Num soluço de dor".
A canção de Silvino Neto foi o fundo musical da despedida de Francisco Alves, o Rei da Voz. Sua morte arrancou lágrimas no Brasil inteiro.

Os seus restos mortais foram transportados para esta capital durante a noite, e no dia seguinte filas intermináveis passaram diante do seu esquife, multidões compungidas, chorosas, saudosas do seu ídolo desaparecido.

Quem conhecia o artista que se impôs pelos seus predicados vocais e pelos dotes do seu coração, sentiu profundamente o acontecimento que o destino determinara.

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1960 - O inflamado discurso de Fidel

Primeira página: Terça-feira, 27 de setembro de 1960.

"Cuba dará, também, seu grão de areia para que o mundo se entenda... Cuba deve constituir, para o mundo, neste momento, uma preocupação, porque é um dos problemas mundiais... Dizem que em Cuba não existe a paz que o mundo deseja... Mas somos nós, cubanos, representantes de Cuba, merecedores do mau tratamento que temos recebido?"

Com essas palavras o Primeiro-Ministro de Cuba Fidel Castro abriu o discurso mais longo até então proferido da tribuna da Assembléia Geral da ONU, fazendo um pronunciamento inflamado contra os EUA, no qual ratificou as acusações levantadas desde que assumiu o poder em janeiro de 1959. No ponto máximo de seu discurso Fidel declarou: "Cuba já não recebe ordens da Embaixada dos Estados Unidos". Afirmou que as dificuldades com os americanos começaram com a lei da reforma agrária, já que esta afetava diretamente os interesses monopolistas dos EUA. Entre as acusações reiteradas estavam a sustentação da ditadura de Fulgêncio Batista com a influência militar americano; a famigerada agressão econômica encabeçada pelos EUA contra Cuba, com a redução da cota açucareira; os ataques aéreos advindos de bases americanas ao território cubano e o isolamento imposto a Cuba sob o pretexto da segurança americana. Defendeu o desarmamento. Propôs o modelo cubano como inspiração aos países da América Latina no desenvolvimento econômico independente do capital estrangeiro. Pediu ao Ocidente que preservasse a África, e respeitasse a natureza, e a cultura dos seus povos.

Fidel foi aplaudido por delegações dos países comunistas e africanos. Em sua maioria, os delegados latino-americanos mantiveram-se em silêncio. O Embaixador americano na ONU, James Wadsworth, comentou que o líder cubano fizera somente acusações, já rechaçadas pelos EUA.

A aguerrida reestruturação de Cuba

No início dos anos 60 Cuba tornou-se o centro nevrálgico da Guerra Fria. De um lado, os EUA tentavam desestabilizar o regime revolucionário cubano, e recuperar sua estratégica posição militar. Do outro, a URSS, em busca da hegemonia no bloco socialista, promovia Cuba decisivamente. O alto preço deste impasse coube à ilha caribenha, que, adotando uma política de defesa dos interesses nacionais e de combate ao imperialismo, passou a sofrer retaliações extremas, incluindo um rigoroso bloqueio econômico por parte do mundo capitalista. O isolamento de Cuba, contudo, não impediu a implementação do processo de socialização dos meios de produção e no ensino.

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1973 - Apolo desce no Pacífico

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 26 de setembro de 1973
Depois de testar os motores direcionais e fechar cuidadosamente o laboratório espacial, os cosmonautas da nave Apolo receberam do Centro de Controle de Houston a autorização para o retorno à Terra. A nave espacial aterrisou com absoluto sucesso no oceano Pacífico, a 360 quilômentros a Sudoeste de San Diego, Califórnia, EUA, e os cosmonatuas Alan Bean, Owen Garriott e Jack Lousma foram recolhidos pelo porta-aviões New Orleans. Os três cosmonautas estabeleceram o recorde de permanência no espaço de 59 dias a bordo da estação Skylab, onde realizaram pesquisas sobre a Terra, o Sol, os animais e sobre o próprio ser humano. O programa Skylab foi concebido para testar a resistência e a capacidade de trabalho do homem no espaço, em situação de gravidade zero. O Skylab era até então a maior espaçonave lançada ao espaço; quatro vezes maior que o Salyut soviético, pesava 86364 quilos, e tinha, acoplada à nave Apolo, 35,96 metros de comprimento. Ela cobriu a maior quilometragem em experiências tripuladas, e deu o maior número de voltas à Terra.
Na missão Skylab-1, Charles Conrad era um recordista de permanência individual no espaço, com a marca de 49 dias, uma hora e oito minutos - obtidos conjuntamente com quatro missões anteriores. A Segunda missão, Skylab - 2, que então se encerrou, levou um minizoológico ao espaço, que incluía peixes, camundongos, mosquitos, moscas e duas aranhas.

Em 15 de agosto deste ano, Owen Garriot comunicou ao centro de comando de Houston o nascimento do primeiro ser terrestre no espaço: um peixe. o Skylab foi desativado em 1979, e substituído pela Estação Espacial Internacional - ISS , que desde então permanece em serviço.

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1968 - Pára o coração de Lucio Cardoso

Primeira página do Caderno B: Quarta-feira, 25 de setembro de 1968

"Quase seis anos atrás, um derrame havia paralisado seu braço de escritor. Mas em pouco tempo ele encontrou um novo meio de se exprimir, na escrita de uma tela e um pincel. Agora a interrupção foi definitiva. É doloroso, mas é verdade: o coração de Lucio Cardoso parou de bater". Jornal do Brasil

O escritor e artista plástico Joaquim Lucio Cardoso Filho, 56 anos, morreu no Rio de Janeiro, de complicações decorrente de um novo acidente vascular cerebral.

Uma produção cultural sombria e sinistra. Foi este o contexto da literatura de Lucio Cardoso: um universo atormentado, de contra-luz, desespero e solidão. Dono de uma obra marcada pela angústia, mergulhou nas questões existenciais pelas quais tinha obsessão. Deus, o homem, o destino, a carne e o pecado eram temáticas freqüentes em seus romances. Na busca incessante dos males da alma, Lucio enveredou também pelo caminho das artes cênicas. Escreveu peças de teatro, foi roteirista e diretor de cinema.

Mas uma madrugada de dezembro de 1962 interrompeu brutalmente sua carreira. Um derrame cerebral paralisou todo o seu lado direito, comprometendo também sua fala. Impedido de escrever ou ditar, foi forçado a encontrar outra saída para seu talento. A fatalidade foi superada por uma inabalável persistência. Logo começou a pintar com a mesma urgência e compulsão com que escrevia. Do pastel e do guache pintados com os dedos, passou para a pintura a óleo, quando adquiriu maior comando muscular e controle manual dos pincéis.

Mas foi com as sombras febris da sua literatura que conquistou um lugar de honra na cultura brasileira. Em 1966, a ABL conferiu ao artista o Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto de sua obra literária.

Com Clarice, uma intensa amizade

Foi com Lucio, autor de A luz no subsolo, Mãos vazias e Crônica da casa assassinada, que Clarice Lispector percorreu parte do seu mundo literário, encantada com a vida misteriosa e secreta do escritor. A parceria amorosa não se concretizou, mas a forte amizade possibilitou a descoberta de suas afinidades, entre elas a exigência íntima com que empreendiam suas obras. Para eles viver e criar eram indissociáveis.

Clarice externou a saudade do amigo numa crônica publicada no Jornal do Brasil após sua morte: "... Não fui ao velório, nem ao enterro, nem à missa porque havia dentro de mim silêncio demais..."


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1966 - O massacre da Praia Vermelha

Jornal do Brasil: Sábado, 24 de setembro de 1966


A Faculdade de Medicina da Praia Vermelha transformou-se num autêntico campo de batalha. O grande portão de ferro da faculdade foi arrebentado às 3h45, pela polícia. As forças policiais do regime militar espancaram cruelmente os jovens estudantes que haviam se abrigado no prédio da Faculdade Nacional de Medicina, e depredaram suas instalações.

Jornal do Brasil: Sábado, 24 de setembro de 1966


As portas da Universidade Federal estiveram fechada durante todo o dia anterior para a concentração de estudantes que pretendiam fazer várias reivindicações ao Reitor, e para comemorar, por determinação da recém-extinta UNE, o Dia Nacional de Protesto contra a Ditadura. As manifestações se sucederam em vários outras Universidades do Brasil.

O Chefe do Serviço de Relações Públicas da PM, Capitão Jorge Francisco de Paula, informou ao JB que todos os meios foram utilizados para conter a agitação estudantil, inclusive com a penetração de alguns oficiais à paisana no meio dos estudantes, aconselhando-os a irem para casa, como se falassem de colega para colega.
Jornal do Brasil: Sábado, 24 de setembro de 1966



A Secretaria de Segurança da Guanabara informou em nota oficial que a intervenção policial na Faculdade de Medicina da UFRJ foi moderada, e que apenas 32 pessoas, entre as quais dez soldados, foram atendidas nos hospitais.

A invasão da Faculdade foi o ponto máximo do conflito, provocando a destruição parcial das instalações do Departamento de Bioquímica e do setor de Técnica Operatória.
Jornal do Brasil: Sábado, 24 de setembro de 1966

Segundo o então Reitor Prof. Dr. Pedro Calmon,o conflito estudantil causou estragos em sete laboratórios. Informou ainda que a Faculdade ficaria fechada por 10 dias, prazo considerado necessário para a reparação dos danos havidos, e que todas as aulas estariam suspensas nesse período.



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1977 - A violenta invasão da PUC-SP

Primeira página do Jornal do Brasil: Sexta-feira, 23 de setembro de 1977


"Pelos primeiros cálculos, cerca de 3 mil pessoas - 2 mil alunos em aulas, mais funcionários e professores da PUC, além dos manifestantes, que se encontravam defronte e no interior da Escola - foram detidas pela polícia e confinadas num estacionamento... Depois de 10 minutos de violência, com uso de bombas, elementos da tropa de choque e agentes do DEOPS dominaram a situação, sob o comando direto do Secretário de Segurança Pública, Coronel Antônio Erasmo Dias". (Jornal do Brasil)

Um dia após iniciar um cerco de vigilância policial ao redor da PUC - SP para coibir a tentativa dos estudantes de realizar o 3º ENE - Encontro Nacional de Estudantes, e com garantias de que não responderia à manifestação com violência, a Polícia Militar de São Paulo invadiu o campus da instituição e investiu com truculência contra tudo e contra todos. Era pouco mais de nove horas da noite quando alunos que realizavam um protesto pacífico foram surpreendidos pela tropa policial que, sob o comando do Coronel Erasmo Dias, e usando bombas de efeito moral, gás lacrimogênio e cassetetes, bloqueou todas as saídas da universidade. Detida, a multidão passou por uma triagem visual onde os policiais buscavam reconhecer manifestantes com antecedentes subversivos. "Guerra é guerra", esbravejava o coronel.

Cerca de 700 estudantes foram presos. Alguns seguiram para a Delegacia Estadual de Ordem Política e Social (DEOPS). Todos foram fichados. Trinta e sete foram enquadrados na Lei de Segurança Nacional. Diversas entidades de ensino se pronunciaram a respeito da violência do episódio, e em defesa aos estudantes. O tom de irritação do coronel foi recebido como notória demonstração dos seus desmandos e do desapreço de que se servia no comando de suas responsabilidades.

Uma noite de inferno e triunfo

A invasão da PUC-SP foi mais uma tentativa de difamar a classe estudantil criando um clima de subversão e insegurança. Tratava-se de um esforço desesperado de um grupo radical que se acostumou ao monólogo e à arbitrariedade, consolidados em intermináveis anos de ditadura. Mas a essa altura, a manobra já não surtia efeito. E mesmo diante do inferno que tinham enfrentado, havia um consenso entre os estudantes: o gosto de vitória.

Aquela noite fez parte dos movimentos de luta social contra a ditadura e pela democracia que efervesceram a política nacional do final dos anos 70.

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1909 - Primavera de Sangue

Jornal do Brasil: Quinta-feira, 23 de setembro de 1909
Foi num dia claro com Sol de primavera que se desenrolou a cena bárbara, selvagem, inacreditável e desumana nesta capital. No deplorável acontecimento, que veio patentear a inaptidão da força armada, atentou-se contra as vidas de pessoas indefesas. No final, dois acadêmicos morreram assassinados pela força pública.

Os acadêmicos das escolas superiores vinham fazendo manifestações contrarias a diversas autoridades e pessoas de alta posição social, mas nunca tinha havido intervenções das forças policiais para reprimir distúrbios. Obedecendo à praxe dos anos anteriores, os estudantes da Faculdade de Medicina levavam a efeito a festança, à qual que se associaram alguns colegas de outros cursos superiores. Quando os estudantes seguiam pela rua Senador Dantas, surgiu, em sentido contrário, uma carroça da Força Policial, transportando uma banda de música. Os estudantes gritaram para o cocheiro que se detivesse, no que não foram atendidos. A carroça foi atirada brutalmente contra os acadêmicos que, indignados, protestaram em altas vozes.

Valeu-lhes isto serem chicoteados pelo cocheiro da carroça. Em face desta agressão, resolveram os estudantes ir ao Quartel da Força Policial. Recebido pelo General Souza Aguiar, que sabia que a queixa era contra um de seu subordinado, declarou aos acadêmicos que o incidente não tinha valor algum, e que se houvesse algum culpado no caso, ele estaria entre os estudantes que costumavam fazer impunemente as suas desordens. Tendo em vista a maneira que foram recebidos, resolveram os estudantes fazer o "enterro" do General Souza Aguiar. A Força Policial recebeu avisos que os estudantes pretendiam ridicularizar o comandante daquela corporação.

Uma manifestação de desagrado

Estudante morto Francisco Pedro Ribeiro Junqueira
Saiu da Faculdade de Medicina o cortejo dos estudantes. Eles levavam um grande caixão de pano negro, com diversos emblemas e dizeres. Em cima do caixão foi colocado uma coroa roxa com uma faixa com a frase "Ao General Souza Aguiar - recordação dos estudantes".
Estudante morto José de Araujo Guimaraes
No largo de São Francisco, quando chegou o cortejo, alguns indivíduos mal-encarados saltaram à frente de um estudante, agredindo-o à torto e a direito. Os atacantes estavam como fúria. Ouvia-se de todos os lados as exclamações: "É soldado à paisana! É soldado!" Neste episódio morrem dois estudantes.



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1935 - Centenária Revolução Farroupilha

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 20 de setembro de 1935 - página 7

"Está fazendo agora um século que o heroismo farroupilha escreveu nas cochilas do sul, a epopéia refulgente do seu incomparável denodo, em um decênio de lutas tremendas em que os anseios de liberdade de um povo não mediam sacrifícios, nem poupavam abnegações... A luta deflagrada, há um século, nos campos do Sul é sem dúvida a página mais dramática na história da liberdade do Brasil, pelos lances angustiosos que a caracterizaram, pela tenacidade de que se revestiu, pelo largo sopro da sua inspiração cívica, mas principalmente pela beleza do seu desfecho em que o alto pensamento da união nacional domina os ímpetos guerreiros daqueles centauros e os faz trocar a flâmula do seu sonho pela Bandeira do Brasil". Jornal do Brasil

No centenário da Guerra dos Farrapos, o país reverenciou a memória dos que pelejaram pela honra da terra gaucha numa luta de gigantes, na figura dos seus maiores líderes, entre eles Antonio de Souza Neto, Bento Gonçalves e David Canabarro. A comemoração na capital da República revestiu-se de homenagens cívicas, como a gosto do Presidente Getúlio Vargas, que, contudo, seguiu na companhia de seus familiares para a capital gaúcha, especialmente para acompanhar as solenidades junto aos cidadãos de seu estado natal.

A Revolução Farroupilha foi uma guerra regional travada contra o governo imperial brasileiro pela província de São Pedro do Rio Grande. A deterioração econômica da região, penalizada com a desvalorização do charque nacional, o desprestígio dos militares gaúchos perante as forças imperiais, o desejo republicano de liberdade e democracia, aguçado pela disseminação de ideais separatistas inspirados na Guerra Cisplatina, foram alguns dos aspectos que motivaram o levante.

As conquistas de uma década de resistência

Durante a Revolução de Farrapos, o Rio Grande manteve-se uma república independente do restante do país. Separação mantida a alto custo. Foram dez anos de renúncia num conflito sanguinário, até que os revolucionários e o governo imperial chegassem a um acordo. O armistício foi assinado na Ata de Pacificação, em fevereiro de 1845. Os rebeldes conquistaram a anistia plena e o direito de escolher um novo presidente provincial. Os combatentes foram incorporados ao Exército Brasileiros, que concedeu a patente de oficial aos seus líderes. Era o fim da Farroupilha e o Rio Grande do Sul voltava a ser parte integrante do Brasil.


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1977 - Roman Polanski é condenado a prisão

Jornal do Brasil: 20 de setembro de 1977

O diretor de cinema Roman Polanski foi condenado a 90 dias de reclusão em uma prisão estadual, para que seja feito um diagnóstico sobre se deve ou não receber pena maior.

Acusado de ter tido "relações sexuais ilegais" com uma menina de 13 anos, na residência do ator Jack Nicholson, Polanski foi considerado culpado. Alegando inocência, disse que não violentou e nem drogou a menina, e criticou a maneira com que a imprensa abordou os fatos. Seus advogados disseram que provariam que a garota já tivera "diversas experiências sexuais" antes de se envolver com Polanski. Por decisão do Juiz, Polanski só começaria a cumprir a pena no mês de dezembro seguinte, de modo a poder concluir um filme em andamento. A sentença foi proferida logo depois que dois psiquiatras chegaram a conclusão de que ele não padecia de nenhuma enfermidade mental.

Polanski, como estrangeiro nascido na Polônia, ainda corria o risco de ser expulso dos Estados Unidos. Para sua sentença, o Juiz Rittenband disse que levou em conta o fato de Polanski "ter tido uma vida desgraçada, senão trágica". Sua mulher, a atriz Sharon Tate foi assassinada em 1969 pela quadrilha de Charles Manson. Polanski admitiu culpa, mas apenas por ter tido "relações sexuais ilegais". As penas aplicadas poderiam ser internamento em clínica psiquiátrica, prisão por um prazo de um a 50 anos, ou deportação.

A atribulada vida do cineasta

Roman Polanski nasceu em Paris em 1933, mas aos 2 anos de idade seus pais se mudaram para a Polônia, dois anos antes do início da II Guerra Mundial. Sendo judeus, acabaram em campos de concentração, onde sua mãe morreu. Polanski escapou do gueto e viveu com famílias católicas na zona rural.

O diretor de A Faca na Água, O Bebê de Rosemary, A Dança dos Vampiros, Repulsa ao Sexo, Armadilha do Destino, Macbeth, Chinatow e O pianistas, entre outros, desde que foi condenado por estupro, não voltou mais aos Estados Unidos e vive na Europa.


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1987 - Morre o controverso Golbery

Jornal do Brasil: Sábado, 19 de setembro de 1987.

Depois de quatro dias de agonia, o general Golbery do Couto e Silva, 76 anos, não resistiu a um câncer de pulmão e morreu no início da tarde de uma sexta-feira no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. O capitulo final da sua extensa e rica biografia mostrou-se fiel a um estilo avesso a movimentos ruidosos. Em 1981, incomodado com a impunidade dos autores do atentado do Riocentro, resolveu deixar a Chefia do Gabinete Civil do governo João Figueiredo. Poderia ter abalado o Palácio do Planalto com declarações mais fortes. Em vez disso, ofereceu aos repórteres que o cercaram para a provável entrevista, apenas um sorriso e um recado em francês: Je m´en vais. Reservado em vida, morreu discretamente, recolhido a conversas com um fechado clube de interlocutores e, sobretudo, às suas lembranças e reflexões.

Personagem-chave da História do Brasil a partir da metade do século XX, o gaúcho Golbery, militar de formação, sempre se posicionou como uma influente base conceitual dentro das Forças Armadas, destacando-se por sua ideologia em defesa de um Brasil Grande. Aliando a condição de estrategista, própria dos militares, a uma grande capacidade intelectual e de articulação pessoal, esteve à frente de episódios decisivos da política nacional nesse período. Na década de 50 conspirou para derrubar governos constitucionais, como o de Getúlio Vargas e o de João Goulart; criou e dirigiu o SNI nos anos 60; a partir dos anos 70, convencido de que a abertura política era inadiável, passou a defender a tese de que o Brasil deveria retomar à trilha democrática, perdida com o transcorrer do regime militar.

Controverso, suscitou admiração e repúdio extremos ao longo de sua vida pública.

General Golbery do Couto e Silva. Reprodução/CPDoc JB
As mãos que esculpiram o perverso SNI

Golbery criou o SNI - Serviço Nacional de Informações em 1964. Concebido como o coração de todo um sistema de espionagem interna, agigantou-se à sombra da doutrina de segurança nacional, condicionou a vida brasileira e subverteu, graças à clandestinidade em que podia operar, princípios fundamentais da hierarquia das Forças Armadas. Transformou-se num pomo da discórdia no seio da instituição, instaurando a desconfiança mútua entre os oficiais, uma vez que cada um tornou-se ao mesmo tempo uma ameça aos planos do militar alheio e sua própria vítima. Mais tarde o próprio general admitiria publicamente ter criado um monstro.

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1976 - Censura apreende edição do Pasquim

Jornal do Brasil: Sábado, 18 de setembro de 1976
Agentes do Departamento de Censura Federal apreendeu mais de 80% da edição de 90 mil exemplares do número 377 do jornal Pasquim em todo o país. As autoridades não disseram qual o motivo que originou a medida, determinada pelo Ministro da Justiça, Armando Falcão.

A ordem de apreensão chegou ao Departamento de Censura Federal no Rio pela manhã e foi recebida pelo diretor do órgão, Wilson Queirós. O supervisor do Pasquim tentou inutilmente saber as razões da apreensão. Tentou entrar em contato com a censura no Rio e em Brasília, onde a resposta de um funcionário da divisão que se identificou como Dr Romão, foi negativa.


O supervisor do semanário, jornalista Jaguar, disse que soube da apreensão através do distribuidor, responsável pela circulação do jornal. O Pasquim não chegou às bancas em São Paulo e Belo Horizonte, onde os carros de entrega foram interceptados antes da distribuição. Em Brasília a operação começou pela banca do Hotel Nacional com 91 exemplares.


Esta é a Segunda apreensão de tiragem determinada pela Censura contra o jornal. A primeira ocorreu em 1975 com o número 300, quando o Departamento de Polícia Federal suspendeu a censura que vinha submetendo ao semanário.

Nota divulgada pela ABI

"A Associação Brasileira de Imprensa, surpreendida com a informação de que foi apreendida a edição de O Pasquim, jornal humorístico, já há tempos liberado da censura prévia, manifestada, desde logo sua inconformidade com este novo desrespeito à liberdade de imprensa. A ABI aguarda esclarecimento dos motivos da decisão das autoridades, a fim de dirigir-se ao Sr. Ministro da Justiça, para renovar a afirmação de seu ponto-de-vista, tradicionalmente contrário a qualquer restrição à liberdade de opinião e de crítica".
Prudente de Moraes Netto e Barbosa Lima Sobrinho - Presidente



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1896 - A morte de Carlos Gomes

Primeira página do Jornal do Brasil: Sexta-feira, 18 de setembro de 1896

"Parafraseando umas palavras célebres, podemos afirmar hoje que, quando na história se chamarem as nações pelos seus gênio, o Brasil pode dizer - presente. Carlos Gomes, que é signo de sua pátria no planisfério deste século, acaba de perder a única coisa que havia de mortal na sua imortalidade... Carlos Gomes morreu. Mas, ele teve a rara felicidade de assistir à sua apoteose em vida." Jornal do Brasil

A caminho do ostracismo, Carlos Gomes, 57 anos, morreu em Belém do Pará, onde ocupava a direção do Conservatório de Música. Sua história caberia numa ópera: os dias difíceis da infância, o apogeu como compositor aclamado na Itália, e a dor da desilusão no final.

Nascido na cidade paulista de Campinas em 1839, ainda pequeno e incentivado pelo pai, Carlos Gomes revelou um talento fora do comum ao tocar o violino. Desde então, mesmo com as dificuldades de sua origem humilde, jamais deixou a música. Sempre dedicado, trilhou o caminho da composição. Aos dezoito anos, já no Rio de Janeiro, escreveu a primeira da série de obras que colecionaria ao longo da sua carreira. A amizade com a Corte imperial abriu-lhe as portas para o reconhecimento internacional, mas custou-lhe um alto preço. Com a proclamação da República do Brasil e o exílio de Dom Pedro II, Carlos Gomes perdeu suas regalias, passando a sofrer retaliações por parte dos novos governantes do país.

A intensa influência européia

Considerado o grande acontecimento da nossa música na segunda metade do século XIX, até então rendida à imitação dos moldes europeus, Carlos Gomes se projetou na Itália como a primeira manifestação de uma música genuinamente brasileira. Embora não tenha atingido amplitude, principalmente em visitas do predomínio das óperas de Giuseppe Verdi, a expressão lírica da sua obra, contudo, revela vários e significativos índícios da nossa música, nos impulsos nativistas que lhe dão um sabor todo especial. Como em O Guarani, sua principal referência.

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1980 - O conceituado pianista do jazz

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 17 de setembro de 1980
Considerado um dos pianistas mais influentes da história do jazz, Bill Evans morreu aos 51 anos.

Nascido em Painfied, Nova Jérsei, EUA, em 1929, além do piano estudou violino e flauta. Aos 16 anos formou um conjunto com o seu irmão. Formou-se em piano na Universidade de Lousiana e foi lá que identificou-se com o jazz. Em 1954 foi para Nova Iorque onde tocou no quarteto do clarinetista Tony Scott.

Em 1956 , gravou seu primeiro disco,New Jazz Conceptions onde já incluía uma de suas mais conhecidas canções, "Waltz for Debbie".


Despertou a atenção dos críticos e músicos a partir de 1958, como integrante do sexteto de Miles Davis, com o qual gravou o disco Kind of Blue, estabelecendo uma nova sintaxe para a improvisação no jazz baseada em escalas, ao invés de acordes.

Formou seu primeiro trio em 1959 com Scott LaFaro (baixo) e Paul Motian (bateria). Esse grupo modificou completamente a concepção tradicional do trio, assumindo o baixo e a bateria a mesma importância do piano, com uma constante interação entre os três instrumentos. A obras-primas do trio de Bill Evans estão reunidas no algum "The Village Vanguard Sessions".


Em 1963 gravou Conversations with Myself.
Tocou com Jim Hall, Freddie Hubbard, Stan Getz.

Vencedor cinco vezes do Grammy e inúmeros concursos das revistas especializadas, Bill Evans, com sua execução variada e extremamente pessoal, trouxe ao piano o romantismo da escola européia sem se afastar do idioma do jazz.

Sempre recebidos com o maior entusiasmo pela crítica de todo o mundo. Tocou no Brasil com seu trio em 1973, 1976 e 1979.

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1927 - O último bailado de Isadora Duncan

Primeira página do Jornal do Brasil: Sexta-feira, 16 de setembro de 1927

"Vejo daqui a cena.
No automóvel esguio de corrida,
Isadora, com o seu chale maravilhoso,
uma chale de grandes dobras de seda,
sinuosas e largas ao vento,
lança-se para uma carreira infernal.

Lá vai ela!
O automóvel é apenas
um bólido escuro.
E a echarpe é uma flâmula
cheia de graça!
O dia, em Nice,
está todo azul.
O mar é um mar civilizado, calmo...
Toda a paisagem é
de um encanto sereno...
Isadora e o seu grande manto que voa
lembram uma de suas danças
mais amadas.

Inesperadamente, ela levanta os braços,
altos, agudos, desesperados,
como há anos no Municipal.


É a mesma atitude. É a mesma expressão. É o mesmo gesto coreográfico. E cai. O pano desta vez não desceu. E Isadora Duncan ficou estendida, estrangulada, inerte. Ela havia dançado o último e mais trágico de seus bailados.
" Jornal do Brasil

Reservando a inestimável e trágica perda, a excepcionalidade do acidente que matou Isadora Duncan, 50 anos, não seria destino de outrem. Ambientado pelos detalhes que a cercaram a vida inteira - a beleza, a moda, a liberdade e a solitude dos palcos, o acidente foi um desfecho contundente, mas coerente com a sua história.

Ela era jovem quando chegou em Nova York, para apresentar seu novo estilo de dança livre. Sem despertar no público americano uma resposta conforme suas expectativas, partiu para a Inglaterra em busca deste reconhecimento. Com sua performance de vanguarda logo causou polêmica. E logo chegou o tão almejado sucesso. Com a primeira apresentação nos palcos de Paris em 1902, cativou de vez a Europa. E de lá, o mundo.

Precursora da emancipação feminina
Iniciadora da dança moderna, a americana Isadora Duncan foi uma precursora da emancipação feminina. Com uma atitude transgressora e espírito livre, aliados à sua criativa personalidade, seu estilo revolucionário libertou a mulher da tortura dos coletes, das cintas e dos movimentos rigidamente disciplinados. E rompendo com os padrões clássicos, encantou o mundo com uma maneira inovadora de dançar: de pés descalços, coberta por túnicas leves. Inspirava-se nas figuras dançantes dos vasos gregos de cerâmica. Como se ressuscitasse a expressão helênica, de singeleza, serenidade e elegância.


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1911 - Aos corações não voltam mais

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 15 de setembro de 1911
No meio literário brasileiro há luto grande e sincero. Raimundo Correia morreu em Paris. Nascera a 13 de maio de 1860, na Bahia de Mongúncia, nas costas do Maranhão, a bordo do navio brasileiro São Luís.

Uma vez formado em Direito pela Faculdade de São Paulo, em 1882, ocupou o cargo de Secretário de Legação do Brasil em Portugal, onde pouco se demorou, voltando à Pátria.

Foi então nomeado Juiz Criminal do foro desta Capital, sendo transferido para a 1ª Vara Cível, cargo do qual se licenciara para ir à Europa em busca de melhoras para o seu estado de saúde.

Com uma encantadora inteligência de poeta e uma harmonia cantante de música misteriosa, sua poesia é um misto de surto de águia e de pipilar de pássaros no ninho. O seu temperamento era de uma esquisitice que todo mundo, afinal, compreendia; homem sisudo e artista de requintada delicadeza de sentimentos.

Quem o visse, quem com ele tivesse o ensejo de conversar pela primeira vez, guardaria a impressão de um espírito sombrio, inacessível às comoções por um ideal; quem o lesse depois, principalmente os seus adoráveis sonetos, de forma impecável e originalidade inexcedível, seria arrebatado pelo talento másculo de um burilador de estrofes, de uma imaginação fecunda e de uma alma cheia de sensibilidade.
Jornal do Brasil: Sexta-feira, 15 de setembro de 1911

Foi um grande poeta, ocupando um dos mais altos postos da poesia brasileira.

Raimundo Correia deixa quatro formosos livros de poesias: Primeiros sonhos, Sinfonias, Versos e versões e Aleluias.
Era membro da Academia Brasileira de Letras e um dos seus fundadores. Deixa viúva e três filhos menores.

As Pombas - Raimundo Correa


"Vai-se a primeira pomba despertada... Vai-se outra mais.. mais outra.. enfim dezenas de pombas vão-se dos pombais, apenas raia sanguínea e fresca, a madrugada.

E à tarde, quando a rígida noitada sopra, aos pombais de novo elas, serenas, ruflando as asas e sacudindo as penas, voltam todas em bando e em revoada...

Também dos corações, onde abotoam, os sonhos, um por um, céleres voam, como voam as pombas dos pombais.

No azul da adolescência as asas soltam, fogem... mas aos pombais as pombas voltam. E eles aos corações não voltam mais."


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1977 - Apartheid aniquila Biko

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 14 de setembro de 1977 - página 9
"De acordo com dados fornecidos pelo Instituto de Relações Raciais de Johannesburg, com a morte de Biko eleva-se a 20 o número de negros mortos em prisões desde março do ano passado. A maior parte dos prisioneiros teriam "se enforcado nas celas, se atirado pelas janelas ou rolado por uma escada". (Jornal do Brasil)

Após quase um mês de reclusão, Bantu Steve Biko, 30 anos, foi encontrado morto no chão de uma cela vazia na Prisão Central de Petrória. Desse modo o regime racista da África do Sul se desfazia de um dos seus mais aguerridos líderes políticos. Seu ativismo, contudo, manteve-se vivo através de seus ideais, e o transformou num mártir contra a segregação racial, e em defesa do nacionalismo negro no país.

Tal como a maioria do seu país, Biko foi um sul-africano negro que cresceu numa sociedade segregada, condicionada ao menosprezo e às regras sociais impostas pela minoria branca. Movido pelo seu inconformismo diante desta violência social, ingressou cedo na luta por justiça e igualdade de direitos para os negros. A sua atuante participação nos movimentos estudantis logo projetou sua capacidade de liderança. Na proporção em que recrudescia o regime racial no país, fortalecia a sua interferência política, principalmente junto aos jovens, onde sua ideologia de consciência negra angariava mais convencimento. A popularidade o transformou numa ameaça aos planos das autoridades sul-africanas, que passaram a persegui-lo ostensivamente. Foram sucessivas as prisões até a última, durante um bloqueio policial rodoviário. Levado sob custódia para a sede da Divisão de Segurança, viveu seus últimos dias em cárcere sob seguidas sessões de tortura. Entre as seqüelas, um traumatismo craniano. O agravamento de seu estado de saúde forçou a sua transferência para a Prisão Central de Petória, onde chegou ao seu fim.

O ativista negro Steve Biko. Reprodução/CPDoc JB

Morte anunciada, crime impune

As circunstâncias da morte de Biko geraram uma série de protestos em todo o mundo, mas não foram levadas a juízo. Vinte e seis anos depois, a Justiça da África do Sul arquivou a ação contra cinco policiais acusados do crime. Apesar de deter informações de que Biko havia sido levado nu, algemado e inconsciente, na caçamba de uma viatura, para o Presídio de Pretória, o Ministério da Justiça concluiu que não havia evidências suficientes para sustentar as acusações de assassinato, em parte porque não existia nenhuma testemunha disposta a falar. As acusações de homicídio culposo e agressão também foram consideradas, mas o crime prescreveu e ficou impune.



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1973 - O crime que chocou Brasília

Jornal do Brasil: Quinta-feira, 13 de setembro de 1973
Ana Lídia Braga, sete anos, foi raptada na porta do Colégio Madre Carmem Sales, na Avenida L-2 Norte, onde pouco antes fora deixada pelos pais, funcionários públicos.

Segundo o jardineiro do colégio um jovem alto, magro e louro foi visto sentado, durante longo tempo, num meio-fio perto da entrada do Colégio. Trajava calça vermelha e fora visto sair de um carro vermelho.
foto divulgação


O corpo da menina Ana Lídia Braga foi encontrado enterrado no terreno da Universidade de Brasília. Estava nu e com os cabelos tosados, queimaduras de cigarro nas nádegas e estava enterrado numa pequena vala. As escoriações e manchas roxas indicavam que ela havia sido arrastada pelo cascalho.

A perícia apontou a causa da morte como sendo asfixia, e o cadáver tinha sinais de estupro.

Um fuzileiro naval, cujo quartel localiza-se nas proximidades, foi quem encontrou o corpo, após seguir alguns lápis de cor e uma boneca Susi no asfalto.

O pai de Ana Lídia, transtornado e em estado de choque, foi afastado do local. O crime tornou-se o assunto mais comentado em Brasília. A população ficou amedrontada, e muitas famílias não deixaram seus filhos ir à escola. Mesmo policiais experimentados mostravam-se estarrecidos diante da barbárie do crime. Os suspeitos foram o irmão da menina e alguns filhos de políticos e de membros importantes da sociedade brasiliense. Os culpados nunca foram identificados, e o caso de Ana Lídia se tornou um símbolo da impunidade em Brasília. Ana Lídia virou nome de um parque em Brasília e seu túmulo é um dos mais visitados na cidade. Há quem acredite que a menina martirizada faz milagres.

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1960 - Pés descalços conquistam Roma

Jornal do Brasil: Domingo, 11 de setembro de 1960 - página

Membro de uma das menores delegações participantes da Olimpíada de Roma, Abebe Bikila, 33 anos, etíope, venceu descalço a Maratona Olímpica, correndo os 42.195 km em duas horas, 15 minutos, 16 segundos e dois décimos, registrando um novo recorde para a prova. O feito entrou para a história dos Jogos simbolizando o espírito olímpico da persistência, da determinação e da superação: um atleta do continente mais pobre do mundo, em processo de descolonização, ganhava descalço a maratona de Roma. Abebe cruzou a linha de chegada, sob o Arco de Constantino, com 150 m de vantagem sobre o segundo colocado, o marroquino Abdesin Radhi, e deixou para trás o favoritismo dos adversários. Sem dar mostras de cansaço, o atleta saltou e pulou de satisfação enquanto era ovacionado pelo público presente.

A medalha de ouro de Bikila foi a primeira medalha conquistada por um atleta negro africano. Este acontecimento marcou o início de uma nova era em competições internacionais de atletismo, quando os africanos passaram a dominar as provas de velocidade e de fundo. Quatro anos mais tarde, Abebe, já uma estrela do atletismo mundial, e desta vez calçado, repetiu o feito nos Jogos Olímpicos de Tóquio, e bateu o próprio recorde em mais de três minutos. Foi a consagração do primeiro corredor a ganhar duas maratonas consecutivas na história das Olimpíadas. Em 1968, no México, foi superado por um conterrâneo. No ano seguinte, tragicamente deixou de vez as pistas, ao sofrer um grave acidente de automóvel. Paraplégico, passou a viver em cadeira de rodas. Mas nem a tragédia foi capaz de ofuscar a grandeza do seu exemplo. Ainda em 1969, Abebe participou de uma prova de arco e flecha nos Jogos Stoke Mandeville, precursores dos Jogos Para-Olímpicos. Morreu aos 46 anos, em outubro de 1973.

O maratonista etíope Abebe Bikila. Reprodução/CPDoc JB

Abebe Bikila, um herói nacional

Com suas firmes passadas nos pés descalços, Abebe Bikila surpreendeu o mundo ao revelar a história do seu povo. Um país subdesenvolvido, de maioria negra e pobre, desde sempre vítima de conflitos internos, além de vítima de frequentes incursões hostis de outros povos pelo seu domínio. Instabilidade que deixou o país nas piores condições econômicas, e o povo na miséria extrema. Herói nacional, Abebe trouxe para seu país uma mensagem de esperança, retirando uma inexplicável força de superação da sola dos seus pés. O que para muitos seria um sacrifício, foi a sua realização.



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1969 - Pena de morte para subversão

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 10 de setembro de 1969

A Pena de Morte, até então só aplicável em caso de guerra externa, teve ampliada sua aplicação no Brasil pelo Ato Institucional no. 14, em nome da garantia de ordem e tranqüilidade para a sociedade brasileira. Assinado com data de 5, mas só divulgado neste dia pela junta militar. O novo Ato alterou a redação do Parágrafo 11 do Artigo 150 da Constituição Brasileira, estendendo a pena de morte e de prisão perpétua aos casos de guerra psicológica adversa e de guerra revolucionária ou subversiva, tal como definidas na Lei de Segurança Nacional.
Jornal do Brasil: Quarta-feira, 10 de setembro de 1969


A Junta de Governo considerou que a guerra revolucionária ou subversiva estava em andamento no país, como foi colocado no AI-14: "Considerando que os atos de guerra psicológica adversa e de guerra revolucionária ou subversiva, os quais, atualmente perturbam a vida do país e o mantém em clima de intranqüilidade e agitação, devem merecer a mais severa repressão...".

A pena de morte no Brasil seria executada por fuzilamento, mas o presidente da República poderia comutá-la. A Lei de Segurança Nacional define como guerra psicológica adversa "o emprego de propaganda e de ações nos campos político, econômico, psicossocial e militar com a finalidade de influenciar ou provocar opiniões, emoções, atitudes e comportamentos de grupos estrangeiros, inimigos, neutros ou amigos, contra a consecução dos objetivos nacionais".

Esse ano foi bastante turbulento no país, com as atividades constantes das organizações de guerrilha urbana inquietando o governo militar. O estopim para a decretação do AI-14 foi o seqüestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil.


A Pena capital pelo poder judiciário

A pena de morte foi, durante séculos, fato comum em todos os países do mundo. Aplicada em grande número de delitos, era precedida freqüentemente pela tortura. Queimar alguém na fogueira ou quebrar-lhe os ossos era tão comum quanto estrangular um condenado com a maior lentidão possível.

Procedimento aplicado pelo poder judiciário a um indivíduo condenado pelo Estado, atualmente foi abolida em quase todos os países. O Brasil ainda mantêm a pena de morte para alguns crimes, como traição em tempos de guerra, os quais não fazem parte da realidade quotidiana.

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1930 - É brasileira a mais bonita do Universo

Jornal do Brasil: Terça-feira, 9 de setembro de 1930 - página 7

A Cidade Maravilhosa amanheceu inebriada pela exaltação da beleza feminina. Nas primeiras horas da madrugada de segunda-feira, a Miss Brasil gaúcha Yolanda Pereira venceu o concurso internacional e conquistou o título de Miss Universo. Superando o favoritismo da portuguesa Fernanda Gonçalves e outras 24 concorrentes, a escolha foi unânime. Foram avaliados a beleza facial, a estética corporal e predicados tais como elegância, postura, equilíbrio e proporção, que definiam a individualidade de cada candidata. "Nunca se viu tanta beleza, tanta graça, aliadas a tanta superioridade e modéstia. Diante daquela divina criatura a impressão de um rio tranqüilo, espelhando em suas águas todas as maravilhas do céu e da terra. Olhei os membros do júri olhando-nos todos, e todos sentimos a sedução daquela radiosa mocidade em flor". Assim o pintor Navarro da Costa, que com o Conde Pereira Carneiro compunha a participação brasileira na comissão julgadora, expressou sua impressão a respeito do encantamento ao qual o mundo se curvava.

A coroação de Yolanda foi o ponto máximo do glamouroso evento, promovido pelo vespertino A Noite, que transformou a capital da República numa grande passarela. Percorrendo a cidade em carros abertos para o Copacabana Palace, as concorrentes eram saudadas por multidões que se aglomeravam em várias partes ao longo do percurso, aclamadas com aplausos e chuvas de flores.

A Miss Universo Yolanda Pereira. Reprodução/CPDoc JB
Yolanda, exemplo de humanitarismo

Colhidos os louros da performance e cumpridos os exaustivos compromissos que lhes foram atribuidos como Miss Universo, e como a maioria das ex-Miss Brasil, Yolanda refugiou-se no anonimato de uma dona-de-casa e mãe-de-família. Mas mesmo em sua discrição social, a Sra. Brigadeiro Homero Souto de Oliveira conservou seu espírito de bondade, sua simpatia e seu humanitarismo que, aliados à sua beleza, fizeram-na rainha.

Yolanda morreu aos 90 anos, no Rio de Janeiro, em 4 de setembro de 2001.


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1922 - Centenário da Independência

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 8 de setembro de 1922
Milhares de bandeiras de todas as nacionalidades tremulavam nos mastros das fachadas durante a parada militar. O entusiasmo atingiu a multidão que se reuniu no centro da cidade.

À noite, revestiu-se de brilho a recepção oferecida pelo Sr. Presidente da República no Catete, em homenagem à data magna festejada. As vastas dependências da Casa do Governo ostentavam flores dispostas desde a entrada ao salão de honra, onde se efetuou a recepção.
Jornal do Brasil: Quinta-feira, 7 de setembro de 1922

Antes de dar início à recepção, o Sr. Presidente da República reuniu o Ministro da Marinha e os titulares das demais pastas para assinar os decretos que estabeleciam o sistema de defesa do litoral da República, com cinco bases navais e um porto militar.

Recebido com as formalidades de praxe, o Presidente foi conduzido até o palco, onde de pé ouviu o Hino Nacional executado por magnífica orquestra. Reunido o Corpo Diplomático no salão da Santa Sé, Monsenhor Cherubini, na qualidade de decano, proferiu o discurso de saudação. Lembrou que em 1822, fazia cem anos portanto, às margens do Ipiranga, tinha ecoado o grito de liberdade. Esta grande nação obtinha a sua independência sem derramar uma só gota de sangue, nem mesmo uma só lágrima, porque era o sangue português que corria nas veias do jovem e nobre príncipe que acabava de pronunciar a frase histórica: "Independência ou Morte"!

Encerrando a sessão solene, o Sr. Presidente da República proferiu um vibrante discurso no qual declarou que tinha o maior prazer em saudar a todos os brasileiros no dia em que, na mais perfeita cordialidade com os demais povos, comemorava-se a grande data da nacionalidade, dia em que se renovam os sentimentos de brasilidade e orgulho pátrio.

A avenida Presidente Vargas

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 8 de setembro de 1944

No dia 7 de setembro de 1944 a Av. Presidente Vargas foi inaugurada com o desfile militar comemorativo da data de nossa Independência. A cidade viveu horas de intensa vibração, aplaudindo calorosamente as forças militares. O Presidente Getúlio Vargas deixou o Palácio Guanabara em carro aberto. Aclamado vivamente pelo povo, o presidente pôde sentir o apreço, a simpatia e solidariedade de todos os seus concidadãos ao atravessar a Avenida Presidente Vargas até a Avenida Rio Branco.

Em seguida a nova avenida foi entregue ao tráfico público.


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1998 - Akira Kurosawa para a eternidade

Jornal do Brasil: Segunda-feira, 7 de setembro de 1998
"Kurosawa entra também na história do cinema como o homem que conseguiu com o seu caráter e sua profundidade filosófica imprimir de forma genial na linguagem cinematográfica valores humanos como a lealdade e a solidariedade". Jornal do Brasil

Akira Kurosawa, 88 anos, célebre criador que se tornou referência obrigatória da cinematografia universal, e um dos mais premiados diretores da história do cinema, morreu em Tóquio. Sua perda foi lamentada em todo o mundo. Na Itália, onde se realizava a 55ª edição do Festival de Veneza, o público que lotava o Palácio do Cinema rendeu-lhe homenagem com uma comovente e interminável ovação. Os organizadores do evento exibiram Rashomon, que lhe concedeu o prêmio de melhor diretor na edição do festival de 1951, abrindo-lhe de vez as portas do Ocidente.

Gênio da composição, explicitava em seu trabalho suas origens como desenhista e pintor, fazendo storyboards de suas produções, prática a qual manteve-se fiel até o fim. Reconhecido e venerado como nenhum outro cineasta de seu país, foi consagrado por uma geração inteira do cinema americano. Francis Ford Coppola, George Lucas, Steve Spielberg e Martin Scorsese são alguns dos que trazem a oportuna experiência profissional com Kurosawa em sua bagagem.

O imperador do cinema japonês

Primeira página do Caderno B do Jornal do Brasil: Segunda-feira, 7 de setembro de 1998
"Pegue a palavra eu e retire a palavra cinema que não sobra nada". As palavras de Kurosawa retratam sua cumplicidade apaixonada pelo cinema, de um artista que não saberia viver sem realizar a sua obra. Do início ao fim, viveu o cinema como uma essencial necessidade para a sorte a de seus admiradores.

Reconhecido pelas mais importantes academias do cinema, conquistou o Oscar e o Leão de Ouro por Rashomon(1950), o Leão de Prata com Os sete samurais (1954), o Oscar de melhor filme estrangeiro com Dersu Usala (1975), a Palma de Ouro com Kegemusha, (1981) e o Oscar de 1990, pelo conjunto de sua obra.

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1972 - Massacre de Munique

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 6 de setembro de 1972
Com 121 países participando os XX jogos olímpicos foram os maiores realizados até então, com recorde de provas. As Olimpíadas de Munique se desenvolviam em ambiente fraterno de limpa e sadia competição entre atletas de vários países até acontecer o trágico seqüestro e assassinato de 11 atletas de Israel por membros do grupo terrorista árabe Setembro Negro.

Os palestinos invadiram o edifício 31 da Vila Olímpica - onde estavam alojados israelenses, uruguaios e representantes de Hong-Kong. Alguns israelenses conseguiram fugir dos alojamento graças ao heroísmo do técnico de luta-livre, Moshe Weinberg, e do halterofilista Joseph Romano, que tentaram impedir a entrada dos terroristas e foram alvejados por tiros de metralhadoras.

As exigências dos terroristas eram claras: aviões que os levassem e aos reféns até uma capital árabe que não Amã ou Beirute, sob a responsabilidade da Alemanha Ocidental, e a liberação de 230 prisioneiros em Israel. Ameaçaram matar sumariamente dois reféns por hora, caso o Governo israelense não atendesse suas exigências.

Os policiais alemães armaram uma emboscada para tentar salvar os atletas que terminou numa batalha travada no aeroporto militar de Fursten feldbruck, perto de Munique. No tiroteio morreram os 9 reféns israelenses, quatro terrorista e um policial alemão. Dois dos Israelense morreram quando na Vila Olímpica.

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 6 de setembro de 1972
Jornal do Brasil: Quarta-feira, 6 de setembro de 1972


A delegação egípcia retirou-se depois dos Jogos por temer represálias depois do atentado.

Os jogos foram suspensos e foi realizada uma homenagem às vítimas no Estádio Olímpico de Munique. A organização retomou as competições 34 horas após os assassinatos.


Organização Setembro Negro

Black September Organization - BSO, foi um grupo terrorista palestino, fundado em setembro de 1970. Na Jordânia, por ordens do Rei Hussein, unidades regulares do Exército perseguiam os rebeldes em ação rápida e eficaz, matando grande número de combatentes de diversas organizações, sobretudo da Frente Popular de Libertação da Palestina, comandada pelo médico George habache, e do Al Fatha, de Yassir Arafat. Para lembrar esta dizimação foi criado o o movimento Setembro Negro. Em fins de 1971, seus dirigentes anunciavam eliminar todos os inimigos todos os inimigos da revolução palestina.


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1978 - Enfim, a Laranja Mecânica

Primeira página da revista de Domingo: Domingo, 3 de setembro de 1978

"Baseado em romance
de Anthony Burgess,
o filme Clockwork Orange,
ou Laranja Mecânica,
segundo o título brasileiro,
trata, conforme definição do diretor,
"das aventuras de um jovem
cujos interesses principais são
estupro, ultraviolência e Beethoven".
Um filme feito sob figurino
para não escapar da intolerância
dos censores brasileiros,
por isso os distribuidores
sequer tentaram apresentá-lo à Censura,
para a liberação.
Assim, ... o celulóide
em que Kubrick imprimiu
um pouco de sua angustiada reflexão
sobre o destino do homem na Terra
ficou nas prateleiras
da Warner Communications,
até que ventos liberais
soprassem pelas janelas
do Ministério da Justiça
".
Jornal do Brasil



Concluído em 1971, Clockwork Orange foi legendado e importado para distribuição comercial no Brasil pela Warner em 1974. O receio de seus produtores quanto a retaliações fez com o filme não chegasse à Censura Federal, aguardando uma ocasião mais favorável. Somente quatro anos mais tarde, intitulado Laranja Mecânica, a polêmica obra de Kubric estrearia nas telas do cinema, sem cortes, da maneira como foi concebido, para maiores de 18 anos, em circuito nacional.

Apesar da vaga referência a um futuro próximo, os ambientes de Laranja Mecânica diferem de qualquer habitat reconhecível. As referências somente permitem ao espectador concluir que se trata de um governo autoritário que perdeu o controle sobre o exercício da violência individual. No entanto os sistemas vigentes se sentiram atingidos. E onde as censuras não proibiram, outros porta-vozes da sociedade o fizeram, vendo com lentes de aumento as seqüências de violência perfeitamente integradas na forma e no espírito do filme. E negaram-se a aceitar o caráter denunciante da obra: o reflexo da crise individual, movida pelos impulsos destrutivos emergente na sociedade.

Um indivíduo desagregado da sociedade

Marco do cinema por ousar revelar uma realidade que a moral insiste em silenciar, Laranja Mecânica questiona os destinos do homem: a projeção da sua individualidade em detrimento da sua integração ao mundo social. A agressividade exacerbada, a personalidade sem regras formais, a invasão sem limites do direito alheio são partes da dieta normal do ser humano no cotidiano social. E mostra a tendência das sociedades em eliminar essa condição nata de cada indivíduo como solução final para os contornar os problemas originários pela liberdade de pensamento e de escolha.


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1991 - Cineasta de uma época

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 4 de setembro de 1991
Frank Capra, um dos grandes nomes de Hollywood, morreu aos 94 anos.

Nascido em Palermo, na Sicília, em 1897, Frank Capra chegou aos Estados Unidos aos seis anos e enfrentou todas as dificuldades que os personagens dos seus filmes venceriam. Seu pai era catador de laranjas e ele mesmo foi boy em jornal e tocador de banjo nas ruas para ajudar a família e pagar seus estudos. Formou-se em engenharia química em 1918.

O curso universitário havia lhe garantido um emprego num laboratório fotográfico, onde durante um ano revelou e montou filmes amadores. Saiu dali para sua primeira oportunidade em Hollywood. Conseguiu uma chance que mudaria sua vida. Dirigiu um filme curto, baseado num poema de Rudyard Kipling por US$ 75, apesar de não entender nada de cinema.

Tornou-se roteirista de comédias para os dois maiores produtores do gênero: Hal Rouch e Mack Sennett.
Em 1925 iniciou uma parceria com o comediante Harry Langdon e passou a escrever e dirigir os filmes de Langdon. Rompida a parceria, Capra continuou como diretor de curtas-metragens, montador e roteirista de comédias. Seu primeiro sucesso como diretor veio com o filme Submarine (1928). Depois seguiram-se Platinum Blonde e American Madness. Em 1929 assinou com a Columbia Pictures. Com liberdade total para realizar seus filmes, e auxiliado pelo roteirista Robert Riskin, Capra criou um estilo de comédias sentimentais que oferecia à população sofrida com a Grande Depressão uma oportuna mensagem de otimismo. Durante a Segunda Guerra, Frank Capra engajado na luta, produziu documentários para a Marinha.


Precursor da comédias sofisticadas

Capra baseou a maior parte de sua filmografia em personagens idealistas que enfrentam sistemas sociais opressivos, e no triunfo da honestidade e da justiça. Seus filmes, românticos e otimistas, estavam de acordo com a política do New Deal, proposta pelo então presidente Franklin Roosevelt. Em 1951, convenceu-se de que o cinema e o mundo haviam mudado e parou durante oito anos. Fez mais dois filmes em 59 e 61, encerrando definitivamente a carreira e criticando as condições de trabalho na nova Hollywood. Seu filme mais importante no pós-guerra foi "A Felicidade Não se Compra".



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1980 - Morre o jornalista Samuel Wainer

Primeira página do Caderno B: Quinta-feira, 3 de setembro de 1980

O jornalista Samuel Wainer, 68 anos, um dos renovadores da imprensa brasileira a partir dos anos 50, morreu em decorrência de problemas cardíacos. Seu corpo foi cremado no fim da tarde, conforme desejo expresso aos três filhos.

Repórter do qual a sagacidade e o faro para a notícia foram os mais fortes aliados, Samuel Wainer foi o tipo de jornalista que estava sempre no lugar certo e na hora exata. No Carnaval de 1949 decidiu seguir para o retiro gaúcho de Getúlio Vargas em busca de uma entrevista que quebrasse o seu silêncio de três anos. E conseguiu. Assim construiu 30 anos de carreira jornalística, ora testemunhando, ora protagonizando a história política do país, experiência que lhe rendeu a amizade com o próprio Getúlio, JK e Jango, e também fez dele um dos maiores conhecedores do bastidores do poder no Brasil. Escreveu no carioca Diário de Notícias. Lançou a revista mensal Diretrizes de nítida orientação antifascista. Foi repórter especial dos Diários Associados, de onde saiu para fundar o jornal Última Hora, que trouxe um novo conceito para o jornalismo impresso no Brasil. Com os direitos políticos cassados em 1964, seguiu para o exílio. Regressou três anos depois, e teve que vender o jornal em 1971 para saldar dívidas trabalhistas. Lançaria ainda um semanal Aqui São Paulo, de vida curta. Manteve-se no jornalismo até o fim. Nos últimos anos, trabalhava para a Editora Três e escrevia também na Folha de São Paulo.

Uma vitória do Progresso foi o título do seu último artigo, publicado à véspera da sua morte, em que analisava o alvorecer de novos tempos na Polônia, com as conquistas do operariado liderado por Lech Walesa, seus reflexos no ABC Paulista e as perspectivas de um novo sindicalismo.

O inovador Samuel Wainer. Reprodução/CPDoc JB

Jornalismo, sua razão de viver

Uma placa de bronze, exibida no hall de entrada do Última Hora, jornal que fundou em 12 de junho de 1951, manifestava a gratidão: "Samuel Wainer revolucionou o jornalismo brasileiro, elevando o padrão de salários na imprensa, como primeiro passo para a verdadeira dignificação da atividade profissional".

Teria sido, para muitos, mérito suficiente para posicioná-lo entre os mais brilhantes jornalistas do país. Mas Wainer foi muito além. Foi parte irrefutável da história política do país na segunda metade do século XX. E fez de sua trajetória jornalística sua razão de viver.


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1946 - Esmagadora vitória da Monarquia nas eleições grega

Jornal do Brasil: Terça-feira, 3 de setembro de 1946
O povo grego decidiu, por esmagadora maioria, pelo monarca Jorge II.

O Rei Jorge vinha observando os republicanos de esquerda e os comunistas, que tinham o apoio moral de Moscou e o apoio popular pela atuação na resistência contra os nazistas, perderem a batalha contra os conservadores adeptos da monarquia. Enquanto isso os monarquistas mostravam-se confiantes, pois supunham a sua causa apoiada pela Grã-Bretanha.

À medida que aumentava a tensão diplomática neste drama dinástico, Jorge II, sozinho nos seus aposentos do Claridge Hotel em Londres, considerava os últimos trinta anos e observava que os grandes conflitos políticos na Grécia tinham girado em torno da pessoa do monarca. Tristemente relembrava o avô, Jorge I, príncipe dinamarquês, irmão da Rainha Vitória. O rei Jorge I ascendeu ao trono grego em 1863, governou por 50 anos e foi assassinado pouco antes do seu jubileu, em 1913.

O filho Constantino o sucedeu, mas o seu pró-germanísmo, sublinhado pelo seu casamento com a irmã do Kaiser Guilherme II, entrou em conflito com o ardente sentimento pró-Aliados do povo grego. Constantino se viu forçado a abdicar. O seu filho mais velho, também foi posto de lado porque era muito pró-alemão, e assim Alexandre, irmão mais moço, ascendeu ao trono.

A Grécia então se juntou aos Aliados, e lutou bravamente contra a vizinha Turquia e a Alemanha na Primeira Guerra Mundial. Alexandre morreu em 1920. Após a Primeira Guerra a depressão econômica atingiu a Grécia e Constantino I foi chamado de volta do exílio e se fez novamente rei. Desde então a história da Grécia tornou-se a história da luta entre monarquistas e republicanos.


Condenação das doutrinas comunista

Durante a Segunda Guerra Mundial, grupos guerrilheiros monarquistas e comunistas lutaram contra a Itália e a Alemanha, e após a Guerra estes grupos rivais passaram a lutar entre si até 1949. A década de 50 foi de expansão da economia grega, com a assistência norte-americana prevista no Plano Marshall. Em 1964 Constantino II, subiu ao trono, depondo Papandreau que era o primeiro ministro. Em 1967, tropas do Exército grego deram um golpe de estado, instaurando uma ditadura militar de direita. Em 1973 o coronel George Papadopoulos aboliu a monarquia e proclamou a república.


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