A nave espacial Ranger 7 completou com sucesso sua missão exploratória da superfície lunar, e transmitiu à estação rastreadora de Goldstone, no deserto de Mojave, Califórnia, EUA, as primeiras fotografias detalhadas da superfície lunar. O momento mais emocionante do vôo de três dias foi quando o diretor do Projeto Ranger, Harris Schurmeier, disse que as primeiras cópias "parecem excepcionalmente boas".
O êxito de precisão matemática foi louvado pelo Presidente Johnson e pelos cientistas soviéticos, enquanto o Vice-Presidente da Associação Interplanetária Britânica, Kenneth Gaitland, aplaudia o "passo decisivo" no projeto de levar um homem à Lua, e dizia que agora não poderia haver mais dúvida quanto a essa possibilidade por falta de conhecimento da superfície lunar.
As seis objetivas do Ranger 7 funcionaram perfeitamente bem durante cerca de 16 minutos, até um décimo de segundo antes do violento impacto do Ranger com a Lua, a nove mil quilômetros horários, aliviando assim o terrível suspense dos cientistas. As câmeras transmitiram 4320 fotografias através de uma distância perto de 400 mil quilômetros, sendo a última apenas dois décimos de segundo antes do impacto. Focalizaram de um modo geral a mesma área, e ligeiras diferenças de ajustes fizeram com que as imagens se complementassem, sem duplicação. Os sinais recebidos em Goldstone foram registrados em filme de 35 milímetros e em fita magnética.
Os Estados Unidos se adiantaram à União Soviética na exploração do espaço. Em 20 de julho de 1969 o astronauta americano Neil Armstrong entrava para a história como o primeiro homem a pisar na Lua, a bordo da nave Apolo XI.
"Na história
do Brasil republicano,
a figura desse homem
que desapareceu
ressalta
com um fulgor admirável.
O Sr. Lauro Müller
era um dos políticos
mais em foco
no alto cenário brasileiro...
deixará para a posteridade
a tradição de um homem
infinitamente elegante,
no terreno espiritual,
manejando,
com galhardia feliz,
a lâmina da ironia". Jornal do Brasil
Morreu no Rio de Janeiro, aos 62 anos, o Senador Lauro Müller.
Nascido em 1863 na cidade catarinense de Itajaí, Lauro Severiano Müller seguiu jovem para o Rio de Janeiro, onde iniciou cedo uma carreira de sucesso. Inspirado nos ideais positivistas, foi militar, engenheiro e administrador, papeis nos quais se destacou, voltado sempre aos interesse da vida pública do país.
Ascendeu na política, assumindo sucessivos cargos até chegar ao Senado em 1899, mandato que manteve até o final da vida. Mas foi à frente da Pasta da Viação e Obras Públicas, no governo de Rodrigues Alves (1902-1906) que sua carreira atingiu o ápice. Entre suas medidas, ampliou e unificou as estradas de ferro do país, instituiu lei para a construção e o funcionamento dos portos brasileiros, e elevou a economia brasileira a uma nova dimensão, consolidando também elementos eficazes à defesa nacional. Foi membro da Academia Brasileira de Letras, herdando a cadeira de Rio Branco, a quem também substituiu na pasta de Relações Exteriores na presidência de Hermes da Fonseca (1912-1914). Afastou-se do ministério durante a Primeira Guerra (1914-1918) sentindo-se hostilizado por sua origem alemã, e voltou com a eleição de Venceslau Brás (1914-1917).
A intensa experiência pública auferiu-lhe o reconhecimento como um dos mais respeitados políticos da República Velha.
Luis Buñuel morreu aos 83 anos na Cidade do México. Sem permitir que o submetessem a operações cirúrgicas, ele esperava a morte em sua casa. Ao ser hospitalizado sem perceber nada, se sentia tranquilo pensando estar em sua própria casa, e até prometeu a um médico preparar-lhe um Martini Seco.
Vinculado à vanguarda surrealista, dirigiu com Salvador Dali os seus primeiros filmes, Um Cão Andaluz (1928), curta-metragem que se tornou um marco no cinema surrealista, e A Idade do Ouro (1930).
Com o início da guerra Civil Espanhola em 1936, Buñuel mudou-se para os EUA e, na década de 1940, para o Mexico.
Além de sua mulher Jeanne, companheira de todos os momentos por mais de 30 anos, Buñuel só rompia sua solidão para receber seus dois filhos. Ateu, graças a Deus, a religião era para ele motivo de constantes questionamentos e ataques. Esta postura, porém, lhe causaria problemas. Depois que Savador Dali escreveu o livro A Vida Secreta de Dali, no qual apresentava Buñuel como ateu e esquerdista, ele perdeu o emprego em Nova Iorque e viu frustados os seus planos de rodar em Hollywood. Na década de 1950, Buñuel realizou diversos filmes como Os Esquecidos, O Alucinado, e A Ilusão de Bonde. Em 1961, filmou Veridiana, uma terrível sátira religiosa que foi censurado na Espanha mas recebeu a Palma de Ouro no Festiva de Cannes.
Depois vieram O Anjo Exterminador e A Bela da Tarde, este estrelado por Catherine Deneauve. Em 1970 Buñuel filmou Tristana e em 1972, O Discreto Charme da Burguesia, ganhando o Oscar de melhor filme estrangeiro. Seu último filme foi o Esse Obscuro objeto do Desejo filmado cinco anos depois.
Assista o trailler original de Un Chien Andalou (Um Cão Andaluz).
Vaidade põe fim a uma amizade
Quando reviu o amigo Salvador Dali e comentou as conseqüências do livro que o pintor escrevera, Dali respondeu bruscamente que escrevera A Vida Secreta para sua própria projeção e promoção. Não lhe passara pela cabeça ajudar ninguém nem o preocupavam problemas que causaria a outros.
Nasceu aí a ruptura de uma velha amizade. Dali implorou uma reconciliação durante anos.
Suas memórias, Meu Último Suspiro (1982), é um livro charmoso e elucidativo que narra suas memórias sobre a guerra, o cinema, a arte e a vida.
"Maceió - A coluna volante, comandada pelo Tenente Bezerra, da Polícia Militar deste Estado e que no sertão empenhava-se na caça aos bandoleiros, surpreendeu no local denominado Angico, no município de Porto da Folha, em Sergipe, o grupo de cabras chefiado pelo famoso Lampião.
A coluna volante empenhou-se em forte tiroteio com o grupo de bandidos. Após a refrega, os soldados da polícia avançaram sobre o campo inimigo. Fuzilaram todos, e entre os mortos estava Lampião, que foi imediatamente reconhecido". Jornal do Brasil
Parecia uma caravana de circo a volante que exibia as cabeças de Lampião, Maria Bonita e outros cangaceiros, recém fuzilados, para o povo do sertão de Alagoas. Para as autoridades, era a vitória final contra o cangaço. Para o povo, o espanto diante do mito reduzido a uma cabeça em decomposição.
Durante vinte anos a polícia foi derrotada na luta contra os cangaceiros porque esqueceu que aquela não era uma guerra regular, onde a organização e a coragem prevalecem como os dois elementos essenciais ao êxito. Lampião comandou um miserável bando de guerreiros a praticar uma liberdade selvagem. Não que fosse propriamente um revolucionário, mas porque fazia a síntese de dois ícones de uma geração: cangaço e coronelismo. Os que o seguiam veneravam o seu terrível poder. Mas para os sete estados que dominou - mais pela fria vontade de resistir à polícia do que pela ilusão de erguer uma nova ordem social - o seu nome era símbolo de terrorismo. Foi então que o Cabo João Bezerra entrou em cena. Investiu sua inteligência no conflito, induziu o bando ao refúgio, que, surpreendido, não resistiu à violência do ataque. Entrava para a história o homem que matou o homem.
O selvagem e extravagante cangaceiro
Figura de símbolos obscuros, a religiosidade de Lampião era de um fetichismo bárbaro. Místico extravagante e selvagem: no pescoço medalhas de santos, escapulários, rezas pagãs para fechar o corpo, e um grande crucifixo em ouro maciço. Foi o cangaceiro supremo do Nordeste Brasileiro. A sua morte, contudo, não encerraria a história do cangaço. Pelo contrário. O extermínio do bando de Lampião não impediria que as muitas lendas que corriam o sertão a seu respeito continuassem a habitar o imaginario popular. Nem que prosseguisse o processo de mitificação do heroi cangaceiro.
O grande mestre de xadrez soviético Viktor Korchnoi pediu asilo político na Holanda, depois de ter participado do Torneio Anual IBM, disputado em Amsterdã.
Korchnoi tornou-se Grande Mestre em 1956 e conquistou o título soviético em 1960, mantendo-o até 1965 (com exceção de 1963). Classificou-se para as semifinais do Campeonato Mundial de Xadrez de 1974, até ser derrotado por Karpov em uma série de 24 jogos. Karpov acabou por conquistar o título mundial pelo não comparecimento do norte-americano Bobby Fischer, então campeão mundial, que se recusou a jogar por divergir de algumas normas do torneio.
Apoiando Fischer e criticando Karpov, Korchnoi foi duramente atacado pela imprensa soviética por suas declarações "irrefletidas e visando à auto-promoção". Logo depois, voltou atrás em suas declarações, afirmando em entrevista publicada na imprensa iugoslava: "Depois da partida não havia ainda me acalmado, e após uma árdua luta o jogador mantém o estado de tensão nervosa por mais de dois meses. Isto explica o tom veemente e a natureza excessiva de alguns dos meus pronunciamentos".
Esta declaração teve ampla repercussão. Como a Guerra Fria estava no auge, a rivalidade entre as duas superpotências se manifestava em todas as áreas.
Xadrez como uma guerra psicológica
Desde muito os russos reinavam absolutos nos tabuleiros de xadrez, mas em 1972 o americano Bobby Fischer derrotou o russo Boris Spassy no chamado "jogo do século" , conquistando o título de campeão mundial para os Estados Unidos. Com esta conquista tornou-se um dos símbolos do governo americano na Guerra Fria contra os russos. Temperamental e imprevisível, Fischer perdeu o título em 1975, ao se recusar a jogar contra Karpov. Korchnoi acabou desafiando Karpov, mas não como soviético e sim com dissidente. Korchnoi conseguiu asilo político na Suíça.
"Abalou fortemente a população desta capital a notícia do assassínio do Sr. João Pessoa, presidente da Paraíba. Conhecidos os principais lances dessa cena indigna para os foros de civilização de um povo, levanta-se um coro unânime de condenação e protesto contra esse processo bárbaro de eliminação de uma alta autoridade política e administrativa. Os telegramas do nosso correspondente no Recife detalham o lutuoso fato e dão à impressão do horror que o assassínio produziu no governo, no povo e na culta sociedade". Jornal do Brasil
O governador da Paraíba, João Pessoa, candidato derrotado à vice-presidência na chapa da Aliança Liberal de Getúlio Vargas, morreu após não resistir aos tiros disparados por seu desafeto, o fazendeiro João Dantas, enquanto passeava numa confeitaria no Recife. Foi prontamente dada a ordem de prisão ao assassino, que acabou também baleado pelo motorista de João Pessoa, agindo em sua defesa. Ainda hoje discute-se o real motivo do crime contra João Pessoa: se por questões políticas ou se de ordem passional. O episódio abalou a opinião pública, causando comoção nacional. E contribuiu com o clima emocional que desencadeou a Revolução de 30, movimento armado que culminou com a deposição do Presidente Washington Luís em 24 de outubro.
O jurista e juiz consciencioso
Auditor da Marinha e depois ministro do Supremo Tribunal Militar. Indicado por seu partido e por correligionários para governar a Paraíba, logo se revelou exímio administrador. Populista, amado com fervor pela gente simples da Paraíba e reverenciado pela elite como um opositor sem medo do poder central, seu desempenho público, contudo, foi uma consagração póstuma. A brusca interrupção de sua carreira em plena ascensão política serviu para que os líderes da Aliança Nacional o transformassem num mártir para insuflar a propaganda do partido no âmbito nacional.
Uma bomba explodiu na Estação de Passageiros do Aeroporto Internacional de Guarapes, em Recife, onde cerca de 300 pessoas esperavam o Marechal Costa e Silva. Quase simultaneamente com a explosão no Aeroporto, duas outras bombas de forte poder de expansão explodiram, uma no Serviço de Filmes da Agência para o Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (USAID) e a outra na sede da União Estadual dos Estudantes, mas sem provocar maiores danos materiais e pessoais.
A bomba que explodiu no Aeroporto estava dentro de uma maleta deixada junto ao balcão de bagagens em desembarque. Essa maleta havia sido notada pelo guarda-civil Sebastião Tomás de Aquino, e, ao retirá-la do local, a bomba explodiu. Morreram além do guarda-civil, o Almirante Nélson Fernandes, Diretor da Companhia Hidrelétrica do São Francisco e o jornalista Édson Régis, ex-secretário de Estado em Pernambuco. O ex-secretário de Segurança de Pernambuco, Coronel Sílvio Ferreira perdeu os dedos da mão esquerda e mais 15 pessoas ficaram gravemente feridas.
A chegada do Marechal Costa e Silva ao Aeroporto estava prevista para a hora da explosão, mas uma pane no avião em que viajava obriou-o a dirigir-se de João Pessoa para Recife em automóvel.
Um movimento revolucionário
Com a eclosão do terrorismo, o movimento estudantil começou a se radicalizar em enfrentar o governo. Politizados e ideologicamente conduzidos, os estudantes foram levados a sucessivas greves e manifestações de rua até ao desencadear o enfrentamento generalizado. Nos meios políticos considerou-se que as explosões ajudaram a linha dura em seus argumentos em favor de um regime mais forte. Foi determinada a prisão de todos os suspeitos pelo General Antônio Carlos Murici: "pois depois é que se verá quem é grego e quem é troiano".
"No terreno sempre difícil da comédia - onde não mais que um fio separa a criação genial da chanchada - Peter Sellers foi um artista raro. Não só pelas mil caras e mil vozes que emprestou aos muitos papéis vividos ao longo de 51 filmes. Mas também, e principalmente, por ser ele, mais que um comediante, um intérprete capaz de imprimir a cada papel uma força interior que o situava muito além das piadas... A força que, afinal, diferencia o simples clown do verdadeiro ator". Jornal do Brasil
A morte de Peter Sellers, 54 anos, em Londres, de ataque cardíaco, não colheu ninguém de surpresa. Nem a ele mesmo. Nos últimos 14 anos, foram nada menos que 12 enfartes, oito paradas cardíacas, uma delicada cirurgia para colocar um marcapasso... sustos e mais sustos. Sellers era um homem permanentemente ameaçado por seu coração imprevisível. E viveu até o último dia tentando fazer humor da desconfiança que, da próxima vez, seria para sempre: "Ressuscitar tem sido um dos meus passatempos favoritos".
O ator de mil caras e mil vozes era quase uma extensão do homem de mil personalidades. Mas foi sua mãe, também atriz e sua grande fonte de inspiração, a presença contínua a quem se reverenciou em todos os papéis. Sempre pensava nela, quando da interpretação de um personagem, se ela aprovaria. Mas a crítica nunca hesitou em sua parte, saudando-o como a primeira grande revelação da comédia inglesa, assumindo também a excelência de sua versatilidade e o esplendor que dava até aos mais secundários de seus personagens. "Viver para mim, já é um presente". costumava dizer. Mas, desde o primeiro ataque cardíaco em 1964, tornou-se cada vez mais triste. E a irreverência ímpar que encantava legiões de admiradores passou a revelar os seus momentos de solidão, quando cosumava ser ele mesmo.
O hilário inspetor Jacques Clouseau
Seller souber dosar o cinismo e o humor do diretor Stanely Kubrick nos clássicos Lolita (1962), Doutor Fantástico (1964). Deu vida aos filmes e Blake Edwards Um Convidado Trapalhão (1968) e a série da Pantera Cor-de-Rosa.
No filme original da Pantera (1962), que inspiraria a série de cinco episódios, o desajeitado inspetor Jacques Clouseau consagrou-se como o verdadeiro herói da trama. Atuando como mero coadjuvante dos personagens Sir Charles e Dalla, vividos por David Niven e Claudia Cardinalle, a sua insuperável interpretação logo projetaria o excêntrico policial.
Por volta da meia-noite cerca de 50 crianças de rua dormiam enroladas em cobertores próximo à Igreja da Candelária, no centro do Rio de Janeiro. Nenhuma percebeu a chegada de dois Chevettes com as placas cobertas por plástico: um táxi, e o outro carro comum, ambos amarelos. Ao perceber que os meninos dormiam, um dos homens fez o sinal para que os comparsas se aproximassem. Em seguida foi o horror. Os homens começaram a atirar indiscriminadamente na direção dos menores.
Enquanto muitos preferiram fugir, sete deles que dormiam sobre uma banca de jornais, preferiram ficar imóveis, e foram executados com tiros na cabeça.
O local escolhido para a chacina foi a Praça Pio X, centro financeiro e sede de um símbolo sagrado do Rio: a Igreja de Nossa Senhora da Candelária.
Na verdade, a operação começara antes, na Rua do Acre, quando o lavador de carros Wagner dos Santos, de 22 anos, e mais dois menores foram apanhados por dois homens e jogados no banco de trás do Chevette amarelo. Wagner recebeu logo um tiro e desmaiou. Quando acordou estava estirado no chão perto do Museu de Arte Moderna, ao lado dos menores mortos.
As crianças e jovens que viviam nas ruas nas imediações da Igreja da Candelária eram atendidos de maneira voluntária pela Sra. Yvonne Bezerra de Mello, hoje presidente do projeto UERÊ. Neste dia, com o pedido de socorro, ela mesma conduziu mortos e feridos no seu carro, depois de uma longa espera pela chegada da polícia.
Muitos dos sobreviventes foram morar debaixo de um viaduto em São Cristóvão e continuaram a serem atendidos pela Sra. Yvonne. Em 1992 o Rio de Janeiro terminou o ano com 424 crimes contra crianças de rua.
Crime repercutiu no mundo
A notícia correu o mundo. Muito se especulou sobre os reais motivos da chacina que causou a morte de seis menores e dois maiores de idade, além de várias crianças e adolescentes feridos.
O sobrevivente Wagner dos Santos testemunhou no processo criminal que indiciou sete policiais, entre militares e civis. Destes três foram condenados. Wagner, hoje em dia, vive na Suíça, protegido depois de receber ameaças de morte. Outro sobrevivente da chacina, Sandro Rosa do Nascimento, mais tarde voltou aos noticiários, quando participou do famoso seqüestro do ônibus 174, também no Rio.
A Conferência Monetária e Financeira das Nações Unidas de Bretton Woods, Nova Hampshire, promoveu grandes expectativas em torno do futuro do sistema econômico mundial, até então, regido pelo padrão ouro de troca. Simbolizando a construção de uma nova ordem econômica, estabeleceu a criação do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BIRD). Propôs medidas para assegurar estabilidade monetária internacional e restringir a especulação com as moedas mundiais, esperando-se coibir novas falências coletivas como a Grande Depressão (1929).
Representando o Brasil, o Ministro das Finanças Arthur de Sousa Costa, sentenciou na sessão de encerramento: "As duas instituições que resultarão do trabalho de Bretton Woods são a expressão do êxito obtido pelo esforço concentrado sobre um único objetivo - que a felicidade seja distribuída através da face da terra. Através do FMI será permitido enfrentar as crises temporárias, pelo uso de saldos igualmente transitórios, que poderão ficar disponíveis em outros países. Através do BIRD estará guarnecida a cooperação de longo alcance... Os países que possuem maiores recursos à sua disposição colaborarão para assistir os demais, aumentando assim a riqueza de todos".
Os órgãos mundiais pelo desenvolvimento
A fundação do FMI e do BIRD fizeram parte da estratégia para a reconstrução do mundo no pós-guerra. Complementares, foi delegado ao primeiro auxiliar os governos a sanarem suas balanças de pagamento. Ao banco, coube a injeção de fundos em ações e programas incentivadores do desenvolvimento. Desde então, os órgãos mantém seus papéis, frequentemente criticados pelos critérios e formas de atuação: o FMI acusado de usar uma receita única para todos os países; e o BIRD de não dar atenção aos problemas humanos e ambientais em seus projetos.
Após a sangrenta revolução de cinco dias surgiu um regime formado pelos liberais trabalhistas e estudantes, derrubando o governo do ditador Gualberto Villarroel, que controlou o país durante dois anos e meio sob o regime militar.
Villarroel, que governou em coalizão com o Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), recorreu ao autoritarismo e à intolerância, provocando descontentamento popular.
Numa ação coordenada, os líderes universitários, à frente de cinco mil trabalhadores e estudantes armados, ocuparam a sede da Polícia Municipal e conseguiram ainda mais armas assumindo o controle completo do centro da capital. As unidades do Exército de Villarroel permaneceram quase todos em seus quartéis. Os membros do "Movimento Nacional Revolucionário" estavam todos fortemente armados mas o seu apoio ao Presidente foi ineficiente.
Os estudantes tomaram o Palácio e os corpos do Presidente Villarroel e de três de seus principais auxiliares foram pendurados em postes de iluminação pública.
A violência dos combates foi comprovada pelo número de dois mil mortos e feridos.
Grande massa popular foi para o local dessa macabra cena, a Plaza Murillo, onde se travou o combate decisivo, comemorar a vitória.
O governo foi assumido pelo Presidente da Corte Suprema de Justiça, auxiliado por uma junta Provisória. Os primeiros cuidados foram os de restabelecer os serviços de eletricidade, telefone e tráfego, para que a capital boliviana voltasse à normalidade.
O governo provisório prometeu restaurar as liberdades constitucionais do país, assegurando que permanecerá no poder até a realização de eleições livres.
A força do movimento popular
Revoluções e golpes dominam a história da Bolívia desde a sua independência proclamada em 1809. O Presidente Villarroel assumiu o governo aos 33 anos de idade, depois do golpe de estado em dezembro de 1943.
Para deter o crescente movimento de oposição colocou no seu gabinete companheiros de armas do Exército e suspendeu as manifestações públicas. Depois que um estudante foi morto, veio a greve geral dos trabalhadores, seguida pelo fechamento de todas as casas de comércio da capital. Os estudantes organizaram a revolução triunfante, pondo fim ao regime nazifascista.
No centenário
de nascimento
de Santos Dumont,
o Jornal do Brasil
relembrou o talento
do inventor,
cujos serviços
prestados à pátria
e à humanidade
trouxeram-lhe
um prestígio internacional
que poucos brasileiros,
em todos os tempos,
conseguiram alcançar.
O espírito inventivo do mineiro Santos Dumont lançou-o em vôos jamais experimentados pelo homem, buscando reunir as facilidades da navegação aérea para aproximar as distâncias entre os povos do mundo. Além de dominar a técnica dos dirigíveis, e de inventar aeroplanos de diversas modalidades, criou outra máquina que serviria à posteridade: o relógio de pulso. De sua imaginação sem fim vieram também o salva-vidas, o chuveiro aquecido a álcool, entre outras peripércias.
Homem de reservas emocionais e hábitos discretos, que circulava à vontade nos mais refinados salões de Paris da belle èpoque, Santos Dumont marcaria presença no Brasil em lugares que nada tinham a ver com aquele novo mundo europeu: A Fazenda do Casal, no pequeno município de Rio das Flores, no estado do Rio, onde passou a infância. A Fazenda Cabangu, em Minas, onde nasceu e mais tarde criou gado. E o Chalé da Rua do Encantado, a casa de veraneio em Petrópolis, também no Rio, posteriormente transformada em museu, que assim perpetuou a memória do ilustre morador, preservando seus objetos de uso pessoal e suas invenções domésticas.
O triste fim do notável inventor
Os últimos anos de vida de Santos Dumont foram o de alguém que sobreviveu a si mesmo. Obstinado pelo sonho de voar, viveu o anticlímax depois da sua realização. Na Revolução Constitucionalista de 1932, testemunhou assombrado a utilização da sua maior criação como arma fratricída, pairando sobre as cidades de Guarujá e Santos. Embora de pouco efeito prático, o ineditismo da façanha ganhou destaque gigantesco na sua mente. E em poucos dias, o homem que foi capaz de enfrentar a morte em cada aventura em que se arriscou nos céus das Europa, sucumbiu. Foi encontrado enforcado num quartel de hotel em Guarujá, no dia 23 de julho de 1932.
Clementina, cadê você? Cadê Você? Cadê você? O coro foi puxado em seu velório no Teatro João Caetano, onde a cantora empolgara grandes platéias do Show das Seis e Meia.
Clementina tinha prazer em cantar. Na adolescência saía sempre fantasiada de peixeira nas Folias de Reis. Desfilou em carro aberto dirigido por Noel Rosa num carnaval. Cantou nas sessões de candomblé em Inhaúma, onde morava Tia Ciata, uma das baianas pioneiras que disseminaram o samba no Rio. Frequentava os jongos e caxambus da Tia Dorotéia em Osvaldo Cruz.
Assista aqui o vídeo com fotos do acervo do CPDoc JB
Devota da Senhora da Glória do Outeiro, participava das festas das Igrejas da Penha e de São Jorge, cantando músicas de romaria. Foi ali que o compositor Hermínio Bello de Carvalho ouviu-a, por acaso, cantar. Trabalhou por muito tempo como empregada doméstica até iniciar sua carreira artística em 1964. Sua estreia foi no Teatro Jovem, em Botafogo, num movimento chamado Menestrel, que unia eruditos e populares. No ano seguinte integrou o musical Rosa de Ouro.
Clementina, tão longeva, às vezes tinha sérios problemas de saúde. Em 1983, já com 82 anos, desenvolvia uma atividade artística tão intensa que foi internada para se recuperar de estafa. Em suas últimas apresentações já cantava sentada, mas tão ativa quanto podia.
Suas músicas, ligadas à história do nosso país, representam o povo negro, sobretudo os jongos, e os lundus, que vêm do fundo de nossas origens. Clementina era uma lenda viva.
Em 1982 ela foi homenageada como tema do samba-enredo da escola de samba de Lins Imperial, "Clementina - Uma Rainha Negra".
O canto popular que retrata o Brasil
Clementina nasceu em 7 de fevereiro de 1901, em Valença, Estado do Rio. Aos 10 anos mudou-se para o bairro de Oswaldo Cruz. Neta de africanos, descendia da Nação Bantu, um grupo etnolingüistico localizado principalmente na África subsariana.
Seu pai foi mestre de capoeira e violeiro. Sua mãe lavava roupa cantando modas, jongos, incelenças e outros cantos de seu repertório que continham ecos da África. Foi nesta época que Clementina aprendeu os cantos de escravos, que mais de meio século depois registrou em disco. Ficou conhecida como a Rainha Guinga ou Quelé.
Mal terminara mais uma apresentação de Roda Viva na noite paulistana, um grupo armado de aproximadamente 20 pessoas invadiu o galpão do Teatro Ruth Escobar, num ato extremo de selvageria. Em trajes que dificultavam a identificação, diziam-se integrantes do CCC (Comando de Caça aos Comunistas), agindo contra a obscenidade teatral. Enquanto iniciavam a depredação, desfigurando o cenário, o público ainda presente apressava-se em fuga. Em seguida os invasores seguiram para os camarins. Destruindo o que encontravam pela frente, espancaram o elenco e a equipe técnica da peça. Duas pessoas foram detidas.
O crime promoveu resposta imediata da classe artística que se reuniu à porta do teatro, exigindo a detenção dos culpados e a condenação do terrorismo de direita. No dia seguinte, movida pela solidariedade de outras companhias, Roda Viva voltava ao palco, com casa cheia e as marcas da truculência da véspera: cenário improvisado, figurino remendado, elenco lesado - mas bravo, pela coragem com a qual conduziu o espetáculo. A inépcia com que foi conduzida a prisão dos dois detidos, o impasse entre o DOPS e a 4ª Delegacia em assumir o paradeiro de ambos e o mistério do desaparecimento dos mesmos fortaleceram a hipótese do envolvimento da polícia no caso, embora o exército nunca tenha admitido sua participação. O CCC foi responsabilizado como único autor do crime.
A agressão ao elenco de Roda Viva fez parte da série de intimidações clandestinas promovidas contra a classe teatral durante o regime militar. Os executores declaravam-se defensores da ordem e dos bons costumes da família brasileira, interessados em coibir as manifestações subversivas.
A ousada proposta de Roda Viva
Com texto de Chico Buarque e direção de José Celso Martinez Corrêa, Roda Viva veio no embalo das manifestações artísticas que questionaram a postura da classe média no contexto do autoritarismo em vigor. Escandalizou não apenas por desafiar a ditadura, ou pela barbárie do CCC, mas, principalmente, pelo rompante do seu ritual cênico. A provocação evocada durante o espetáculo confundia a realidade com a dramaturgia, enquanto os artistas serviam-se de uma agressividade até então inédita para com o público presente, visando subtraí-lo da letargia, reivindicando deste respostas e ação para os seus questionamentos.
Um dos maiores criadores e improvisadores da história do Jazz morreu aos 40 anos. O saxofonista John William Coltrane nasceu em Hamlet, Carolina do Norte, no dia 23 de setembro de 1926. Depois da morte do pai, Coltrane e sua família se mudaram para Filadélfia. Iniciou sua vida profissional num conjunto comercial em 1945. Mas sua vida como músico começou mesmo em 1947, quando passa a tocar em orquestras de rythms and blues, como as de Joe Webb, King Kolax e Eddie Vinson.
A experiência de Coltrane em orquestras foi de grande importância na estruturação de seu estilo maduro, sobretudo no que diz respeito ao vigor de seu sopro e à plenitude do seu som. Vieram, logo após, os conjuntos e orquestras de jazz: Dizzy Gilespie, Earl Bostic, Johny Hodges e Miles Davis.
John Coltrane juntou-se ao quinteto de Miles Davis em 1955, e foi a partir daí que seu nome passou a ser conhecido. No início de 1957, o saxofonista teve uma das mais importantes experiências de sua carreira ao tocar com o pianista Thelonius Monk, no Five Spot de Nova Iorque. "O trabalho com Monk aproximou-me de um arquiteto de primeira ordem. Sinto que aprendi com ele todas as maneiras - em sensibilidade, téorica e tecnicamente".
No fim de 1957, Coltrane voltou ao conjunto de Miles Davis, nesta época interessado em experiência modais. Sentiu-se à vontade com a modalidade, uma vez que lhe permitia uma exploração mais intensa da base harmônica das melodias. O fascínio de Coltrane pela música indiana, pelos ragas de Raví Shankar e Ali Akbar Khan, pela hipnose do alap e pelo espasmos do drut, marcou o início de uma aventura que libertou totalmente o jazz contemporâneo.
Mais perto da essência da música
Considerado, já no fim da década de 1950, o mais importante saxofonista-tenor do jazz, ao lado de Sonny Rollins, era reconhecido ao mesmo tempo pelo vigor do seu ataque e pelo lirismo de suas linhas melódicas. Coltrane jamais se satisfez com uma posição conquistada. Cada uma de suas apresentações, cada uma de suas gravações se constituíram numa nova experiência, numa etapa a mais de um importante work in progress.
A partir de 1959 tomou rumos inusitados, abrindo para o jazz e para a música contemporânea os horizontes do mais livre e audacioso expressionismo musical.
"Está terminada a disputa
da Coupe Jules Rimet.
Mais uma vez,
sagram-se
os campeões do mundo
os uruguaios.
Rendamos-lhes
a homenagem
a que tem direito.
Seu triunfo foi lícito
sendo ainda
de inteira justiça
que se reconheça o ardor,
a fibra extraordinária
com que se atiraram à luta
sem se preocuparem
com a superioridade técnica
do adversário
que lhe rondava,
persistentemente
o último reduto". Jornal do Brasil
O Maracanã inteiro se calou diante da tragédia. O que parecia impossível aconteceu, renegando todo o retrospecto de favoritismo brasileiro, conquistado jogo-a-jogo até a grande final. O Uruguai venceu o Brasil por 2 a 1, de virada, e conquistou a 4ª Copa do Mundo. Ninguém acreditava que a máquina brasileira, que só precisava de um empate para sagrar-se campeã, sucumbiria no último instante. Desde o início o Uruguai demonstrou-se aguerrido, com uma forte marcação às investidas da nossa seleção. O Brasil, servindo-se da mesma tática usada ao longo do campeonato, era um adversário previsível. E mesmo com o brasileiro Friaça abrindo o placar no segundo tempo, o Uruguai não se curvou com a desvantagem. Buscou o empate, e virou, quando o uruguaio Gigghia chutou cruzado e balançou a rede, às costas do goleiro Barbosa. Em silêncio, o estádio lotado chorou.
A longa espera brasileira
O sonho nacional de sediar uma Copa do Mundo foi cogitado pela primeira vez em 1938, durante um Congresso da FIFA, ousadia do jornalista Célio de Barros. Além de convencer os delegados da entidade esportiva quanto ao potencial brasileiro em assumir o evento, precisava superar a favorita Alemanha, motivada pelo sucesso dos Jogos Olímpicos dois anos antes. Mas, com a Segunda Guerra (1939-1945), o projeto foi adiado. Com a derrota alemã ao fim das hostilidades, e as dificuldades econômicas da Europa, o Brasil tornou-se o candidato ideal. Sonho realizado em 24 de junho de 1950.
A vinda da Corte Portuguesa para o Brasil em 1808 trouxe a abertura dos portos, o estabelecimento da Imprensa Régia e outras grandes melhorias para a colônia e, em especial, para o Rio de Janeiro. De igual importância no plano cultural, foi a contratação da Missão Artística Francesa, que chegou no Rio em março de 1816.
Considerou-se a necessidade de criar escolas de arte e ofícios para o ensino profissional regular, em substituição ao autodidatismo predominante. Composta por um número grande de profissionais, eles trouxeram novas concepções estéticas e uma metodologia de ensino artístico.
O francês Grandjean de Montigny, cujo bicentenário de nascimento é lembrado, teve grande importância na evolução da arquitetura brasileira no século XIX. Apesar do pouco que resta de sua obra, sua influência está presente em numerosas construções que, no Rio e em outras cidades brasileiras, atestam a força da escola neoclássica em nossa arquitetura.
A Escola Real das Ciências, Artes e Ofícios, a Real Academia de Belas Artes, hoje Escola Nacional de Belas Artes, iniciou suas atividades em 1826, no prédio projetado por Grandean de Montigny. Ele foi o primeiro professor oficial de Arquitetura no Brasil e reuniu um numeroso grupo de alunos.
Difusor da arquitetura neoclássica
Auguste Henri Victor Grandjean de Montigny nasceu em 15 de julho de 1776, em Paris. Das diversas obras que projetou, poucas foram executadas e sobrevivem até hoje. Entre seus projetos, no Rio de Janeiro, estão a sede da primeira Praça do Comércio, hoje Casa França Brasil; o pórtico da Academia Imperial de Belas Artes que pode ser visto no Jardim Botânico; o chafariz do antigo Rocio Pequeno, hoje no Alto da Boa Vista. O mais destacado dos solares que projetou foi o da sua residência da Gávea, em estilo pompeiano, atualmente no campus da PUC.
"Hoje, as oito e meia da noite, abrem-se as portas do Theatro Municipal, pela primeira vez, para um espetáculo. O programa já o publicamos, mas não é demais repetí-lo. A saber: 1ª parte - Hino Nacional, à chegada do Sr. Presidente da República; discurso oficial, pelo Sr. Olavo Bilac; Insomna, poema sinfônico do maestro Sr. Francisco Braga. 2ª parte - Bonança, comédia em um ato, original do Sr. Coelho Neto, pela companhia Arthur Azevedo. 3ª parte - Moema, ópera do maestro Sr. Delgado de Carvalho, cantada por artistas do Centro Lírico Brasileiro, sob a regência do maestro Sr. Francisco Braga". Jornal do Brasil
O Rio ainda não era a Paris dos sonhos nacionais, mas, com uma memorável programação genuinamente nacional, inaugurava uma casa de espetáculos à altura das melhores da Europa: o Theatro Municipal. Localizado no coração da cidade, fez parte do audacioso projeto de urbanização republicano para a então capital do Brasil. Durante sua gestão, o prefeito Pereira Passos (1902-1906) promoveu uma grande modernização do centro da cidade, abrindo-se a Avenida Central moldada à imagem dos boulevardes parisienses e ladeada por magníficos projetos de arquitetura eclética. Foi nesse contexto que se figurou a construção de um novo teatro, mediado por uma concorrência pública para a seleção do projeto arquitetônico, do qual saiu vitorioso o empreendimento idealizado por Francisco de Oliveira Passos (curiosamente, filho do prefeito), que contou com a colaboração do francês Albert Guilbert. Após 54 meses em obras, foi erguido o Theatro Municipal, inspirado no design do Teatro da Ópera Charles Garnier de Paris. A casa imponente e sofisticada, finamente decorada, tornava-se marco de novos tempos para a vida cultural da capital brasileira.
"Leve um recado pros meus amigos Vinicius de Moraes, Fernando Lobo e Reinaldo Dias Leme. Diga a eles que é pra não chorar, porque eu tenho um encontro marcado com Pixinguinha, Stanislaw Ponte Preta e Benedito Lacerda. Eu não bebo há dois anos e agora vou tomar o maior pileque da minha vida". Ainda lúcido quando pronunciou estas palavras, Ciro Monteiro morreu depois de 10 dias em que permaneceu internado.
Um dos maiores sambista do Brasil, seu primeiro sucesso veio com a música Se acaso você chegasse, em 1938. Esta música tornou parte em 15 filmes. Nessa época casou-se com Odete Amaral.
Tinha o hábito de cantar em casa para os amigos quando, a pedido de Sivio Caldas, entrou no "Programa Casé" da Rádio Philips. No ano seguinte foi contratado pela Rádio Mayrink Veiga, onde viveu grandes momentos da sua vida profissional. Daí em diante os êxitos se sucedem, e marcam toda a década seguinte.
Com os dedos ágeis tirava da caixa de fósforo uma forma coloquial de ritmo, em perfeita consonância com a voz. Sobre esta base Ciro Monteiro mostrava suas principais características como cantor: a noção extraordinária de espaço musical e a total intimidade com o que cantava.
Formigão, como era conhecido no meio musical, criou seu próprio estilo e honrou um legado familiar. Sobrinho do grande pianista de samba Nonô (Romualdo Peixoto), conhecido como o "Chopin do samba", da chamada época de ouro da música popular brasileira, as décadas de 30 e 40.
Deixa um legado de mais de 50 músicas de sua autoria exclusiva e em parceria com Herivelto Martins, Erastóteles Frazão, Mary Monteiro, Vinicius de Morais e Dias da Cruz.
O romântico cidadão do Catete
Nascido a 28 de maio de 1913 no subúrbio carioca do Rocha, era um dos nove filhos do dentista, Capitão do Exército e funcionário público Ildefonso Monteiro.
Mudou-se para Niteroi quando tinha dois anos de idade. No Catete, onde morou por mais de 20 anos, transformou-se num patrimônio do bairro. A ternura pela mulher Lu, que o acompanhou por todo o tempo difícil da doença, deixou registrada no samba Minha Marilu, de seu LP de 1961. Para Ciro, o Flamengo era tão importante quanto a música. Foi enterrado ao som da marcha do Flamengo, coberto pela bandeira do clube.
"A melhor maneira de definir João Saldanha é dizer que ele foi um ativista. Não apenas pelo socialismo - que defendeu desde a juventude, mas também por mudanças na estrutura do futebol brasileiro. As experiências como jogador, técnico e jornalista esportivo lhe deram condições de conhecer por dentro as engrenagens do esporte. Quando treinou o Botafogo, nos anos 50, viveu o drama das excursões mal planejadas e da exploração de jogadores sem condições físicas. Na seleção brasileira, que classificou para a Copa de 1970, sofreu pressões políticas de todos os tipos, que motivaram a sua saída. Ele, certamente, tinha muitas histórias para contar. Foi isso o que ele fez ..." Jornal do Brasil
Toda lenda tem um fundo de verdade. João Saldanha nasceu no dia 3 de julho de 1917, na gaúcha cidade de Alegrete e morreu em Roma, após oito dias de internação, vítima de um edema pulmonar agudo. Nesses 73 anos e nove dias, foi escrito e vivido como um capítulo à parte da história do futebol brasileiro. Saldanha, como técnico e comentarista, era cristalino em suas posições e determinado em suas críticas. Como contador de casos era insuperável. Diante de uma vida tão intensa, a verdade chega a ter um fundo de lenda. Coerente e convicto, construiu um monumento de credibilidade ao longo de sua vida absolutamente dedicada ao futebol. Era também craque do bate-pronto, da frase de primeira, da presença de espírito, da resposta fulminante, dos adágios e axiomas.
Antes de seguir para a Itália, já muito doente, dizia que, se tinha que morrer, que fosse durante um Mundial. Conseguiu satisfazer esse desejo. Quanto ao outro - a superação dos erros do futebol brasileiro - resta, aos que ficam, tentar corrigir.
Personagem mais célebre da redação
"Mais de 30 linhas é enrolar o leitor". A frase de Saldanha, todos os domingos, para dizer quanto queria escrever, era mais uma de suas marcas. Outra era, invariavelmente, escrever mais de 30 linhas.
O ritual era só uma parte do que representava a sua presença na redação do Jornal do Brasil, desde que chegara pela primeira vez para escrever sua coluna em 2 de fevereiro de 1976. Era mais que um jornalista famoso. Discutia as edições do jornal, comentava reportagens. Podia ser sobre o jogo, um seqüestro, o último pacote econômico ou a eleição mais próxima. Tinha sempre uma história para contar.
O primeiro satélite de telecomunicações internacionais, o Telstar, foi posto em órbita por um foguete Thor-Delta. As imagens fornecidas pelo Centro de Recepção de Andover, no Maine - EUA, através da Amercian Telephone and Telegraph Co. - ATT, foram captadas por antenas parabólicas em diversos pontos do país e do exterior, e retransmitidas aos aparelhos de televisão domésticos.
Quinze horas após seu lançamento milhões de pessoas nos Estados Unidos, França e Inglaterra
puderam captar em seus rádios e televisores vozes e imagens retransmitidas pelo satélite. Os programas só podiam ter por volta de quinze minutos de duração, uma vez que a órbita percorrida pelo satélite impedia a retransmissão de programas mais longos.
As primeiras palavras retransmitidas pelo satélite foram através de telefone, que se comunicava em Washington com o Vice-Presidente Lyndon Johnson. Posteriormente para a televisão, o Telstar transmitiu a imagem da bandeira norte-americana ao som do Hino Nacional, além de paisagens do Estado do Maine, onde ficava a estação de Terra que realizava à experiência. A pequena povoação de Andover, tornou-se centro de atenção mundial. Foi montada uma gigantesca antena parabólica com 380 toneladas de peso.
Satélite Telstar orbita a Terra
Pesando cerca de 80 quilos, o Telstar tinha uma capacidade de 600 circuitos telefônicos ou um circuito de televisão. Gravitava numa órbita excêntrica a uma altitude entre 920 e 5520 quilômetros, e completava uma volta à Terra a cada 157,8 minutos.
Para o lançamento o Telstar foi fixado a uma massa de matéria plástica encerrada numa cápsula de alumínio, para reduzir as vibrações. Quatorze transitores amplificavam os sinais elétricos 10 bilhões de vezes. Nos anos 80, o nome Telstar foi reativado para denominar uma série de satélites geoestacionários.
A embolia cerebral que surpreendeu Jackson do Pandeiro num leito de hospital em Brasília, onde se tratava de uma descompensação diabética, privou o músico da sua vida, os fãs da sua alegria contagiante e as gravadoras de se redimirem da indiferença com que puniram seu talento.
Foi do brejo paraibano que José Gomes Filho, de família humilde mas com grande tradição artística na região, saiu para se consagrar Jackson do Pandeiro. Decidido a ganhar a vida com o seu dom musical, começou tocando em bailes populares em Campina Grande, na companhia de Luiz Gonzaga. A popularidade cresceu a largos passos. Da Paraíba foi para Pernambuco, onde o sucesso atingiu âmbito nacional. Em parceria com Altamira Carrilho, com quem se casou, atingiu o auge da carreira, na década de 50. Mas o talento eclético, registrado em gravações de toda ordem, sucumbiu nos anos 60, num longo período de esquecimento no Rio de Janeiro. Voltou resgatado em regravações de outros artistas. Mas o sucesso não teve mais a projeção dos velhos tempos. Desquitado, dupla desfeita, entre uma e outra participação em shows, ficou distanciado do reconhecimento maior, e reduzido ao mercado de músicas juninas. Mas jamais deixou de transmitir alegria ao povo sofrido, de origem pobre, de cujo seio ele próprio nasceu e viveu.
O senso rítmico como marca pessoal
"Poucos cantores no mundo inteiro têm o seu fabuloso senso rítmico, característica marcante do mulato magrinho que, com seu chapéu de abas curtas e o bigodinho fino, foi, durante 63 anos de vida, a própria expressão da alegria do povo simples de seu Nordeste natal. Foi o senso rítmico que lhe deu o pseudônimo artístico Jackson do Pandeiro... Figura na galeria dos grandes da música popular brasileira por causa de suas virtudes de cantor, um intérprete em cuja marca pessoal - o ritmo - jamais conseguiu ser igualado por ninguém". Jornal do Brasil
O poeta e compositor Vinicius de Moraes morreu aos 66 anos. Marcus Vinicius da Cruz de Mello Moraes, o homem, o poeta, o boêmio, o letrista, o diplomata, o cronista, o amigo, o personagem, o eterno apaixonado. Quando menino transformava em poesia páginas inspiradas do Tesouro da Juventude. Uma poesia sempre impregnada de música. Cresceu habituado aos saraus de fim de semana, o pai recitando versos de Bilac e dedilhando o violão, a mãe tocando ao piano tangos e valsas românticas. Vinicius nasceu na Gávea, a 19 de outubro de 1913. Mas foi na Ilha do Governador, para onde a família se mudou, que nasceram o poeta e o eterno apaixonado.
Do Colégio Santo Inácio vieram os primeiros amigos boêmios, as primeiras namoradas mais sérias e a permanente presença da música e da poesia em sua vida. Colheu experiência em outras terras, estudou literatura inglesa em Oxford. Depois do curso de direito entrou na carreira diplomática. Desta experiência de quase três décadas, guardou as amizades, a oportunidade de viajar e conhecer o mundo, travar contatos valiosos para a sua formação de poeta e ser humano, no fundo uma coisa só. Em 1956, depois de concluir a peça Orfeu da Conceição, precisava de um compositor para musicar seus poemas. Lucio Rangel apresentou-o a Tom Jobim. Deste encontro nasceu uma grande amizade e uma parceria que mudaria os rumos da música popular brasileira. Como no soneto, onde amores não são eternos mas infinitos, casou-se nove vezes.
"Numa perspectiva humana, ele é o único poeta brasileiro que ousou viver segundo o signo da paixão. Vale dizer, da poesia, em estado natural". (Carlos Drummond de Andrade).
Se todos fossem iguais a você
O poetinha, como ficou conhecido, cercou-se ao longo da sua carreira de inúmeros parceiros. Às 4 e meia da manhã, com Toquinho, Vinicius terminava mais um trabalho. Foi dormir e às 6h sentiu-se mal. Abriram-se as portas do Céu. Sua morte pegou de surpresa representantes de todos os setores artísticos e culturais, os quais, emocionados, ressaltavam que mais do que um grande poeta e um grande artista, Vinícius de Moraes foi um ser humano excepcional.
Debaixo de um céu azul e rosa, o poeta foi sepultado ao som de Garota de Ipanema,Se Todos Fossem Iguais a Você e A Felicidade.
"O Rio de Janeiro perdeu o seu Museu de Arte Moderna. Quarenta minutos de fogo, um extintor enguiçado, o atraso dos bombeiros e a falta de água consumiram, enquanto a cidade dormia, o acervo da instituição". Jornal do Brasil
O incêndio do Museu de Arte Moderna(MAM) do Rio de Janeiro foi um desastre sem precedentes na história das grandes coleções de artes plásticas, e o maior já ocorrido no mundo desde 1966, quando uma enchente no rio Arno destruiu centenas de obras em Florença, sem contudo, atingir de forma tão devastadora as peças de uma só das coleções. Arderam duas telas de Pablo Picasso, outras duas de Juan Miró e centenas de obras de artistas brasileiros colecionadas ao longo de 20 anos. Das mil obras, restaram 50, e dos dois andares atingidos, cinzas. Era o primeiro incêndio de museu desde 1941, quando ardeu uma coleção em Bogotá. Mas os indícios logo apontaram que a impetuosidade do sinistro do MAM atingiu dimensões jamais registradas. Além do acervo do museu, que só não perdeu a cinemateca e o restaurante, queimou-se toda a mostra Arte Agora II, onde estavam em exposição 205 quadros de pintores latino-americanos, entre eles toda a fase construtivista do uruguaio Joaquin Torres Garcia, um período de quase duas décadas de criação.
Solidariedade artística pelo recomeço
O MAM tornou-se símbolo da indigência com que eram mantidas as casas de cultura no país. Revelou o descaso público e o despreparo administrativo na guarda do patrimônio cultural brasileiro, ao arrepio das normas internacionais de segurança. Prejuízo avaliado em mais de US$ 15 milhões à época, a criatividade consumida fez da tragédia artística uma perda inconsolável. Embora as manifestações de solidariedade pela reconstrução do acervo tenham sido imediatas, sob a forma de inúmeras doações, um longo período se passaria até que o Museu reconquistasse um lugar de destaque.
O compositor e cantor Cazuza morreu aos 32 anos, em conseqüência de edema pulmonar progressivo e da AIDS contra a qual lutou por três anos e meio.
Os remédios foram seus maiores companheiros na inquietação desta luta que o deixou com 38 quilos.
Carioca de Ipanema, Agenor de Miranda Araújo neto, Cazuza que nas gírias nordestinas quer dizer moleque, sempre foi moleque no melhor sentido do termo: gostosamente irresponsável, audaciosamente desbocado, docemente agressivo, demolidor.
Adolescente rebelde, descobriu sua paixão pelo palco depois de encarar a arena improvisada do Circo Voador, nas turmas do Perfeito Fortuna. O roqueiro Léo Jaime o apresentou a uma banda de rock que estava a procura de um cantor. Era o Barão Vermelho. Suas músicas acertaram em cheio o gosto do parceiro, Roberto Frejat. Estava formada uma das grandes parcerias da trilha sonora dos anos 80.
O estouro veio em 1984, com Bete Balanço, trilha sonora do filme de Lael Rodrigues, e com Menor abandonado. Um ano depois Cazuza abandonava o Barão e partia para uma carreira solo com o disco Exagerado. No final de 1989, lançou mais dois LPs reunidos no álbum Burguesia.
Falava com sinceridade gritante sobre sua debilidade física: "A pior sensação da doença, para mim, foi a de estar vivo mas sem nenhuma energia. Tudo cansa, tudo é chato, tudo dói. Eu precisei então criar Deus em mim", declarou em meados de 1988, em entrevista ao JB.
Nos últimos anos, o poeta abandonaria o personagem "exagerado" por letras políticas como Brasil, mostra sua cara, que se tornaria o hino de uma geração. Locutor impune da indignação no país, deixou um legado de mais de 300 músicas.
Veja aqui o vídeo com algumas fotos
Ideologia, eu quero uma para viver
O ambiente do velório misturava dor e festa. Entre risos e soluços, amigos lembravam as excentricidades do poeta. Tudo embalado a copos de cerveja e ao alívio de saber que na aléia 12 do Cemitério São João Batista Cazuza estará muito bem acompanhado: a cinco passos de seu túmulo estão enterrados Clara Nunes, Carmem Miranda, Ary Barroso, Vicente Celestino, Francisco Alves.
Quase mil fãs foram se despedir. O amigo Ezequiel Neves puxou o refrão Vamos pedir piedade, da música Blues da Piedade.
Ao lado da sepultura, o povo jogou pétalas de rosa, mostrou exemplares de disco e cantou.
"Castro Alves,
que foi um lírico admirável,
também atuou
nos movimentos nacionais,
colaborando
nas campanhas democráticas e,
principalmente,
no generoso esforço
do abolicionismo.
Neste momento
em que se comemora
o cinqüentenário de sua morte,
é justo que todos se associem
à homenagem piedosa,
que todos devemos
a um poeta maravilhoso
que soube sofrer
as dores nacionais
e que soube batalhar
pelas idéias abnegadas
e pelos planos democráticos". Jornal do Brasil
Foi nos primeiros anos da juventude, ao livrar-se da austeridade do convento em que morou, que o baiano Castro Alves começou a escrever sua intensa e efêmera história.
Ao invés de dedicar-se aos estudos acadêmicos, ingressa na política, mostrando sua firme veia abolicionista, ideal que habitou grande parte de sua obra. Entre um artigo e um soneto, vive a paixão de uma atriz portuguesa. Mas, eis que subitamente, no meio do caminho da glória, um tropeço existencial. A atriz o abandona. O poeta perde o gosto de viver, e desiste da sua obra. Para resistir ao golpe, dedica-se à caça, que por acidente o faz amputar a perna. Sem êxito na cirurgia, é ameaçado por uma gangrena. A saúde nunca mais será a mesma. Descobre um novo amor, em tempo de escrever a última obra: Espumas Flutuantes(1870). A morte chega no ano seguinte.
A eternidade de uma vida breve
Para os românticos, morrer cedo era quase uma necessidade. Iam-se na flor da idade, como se dizia. Mas não sem esgotar antes, tudo o que o mundo tivesse para lhes oferecer em alegrias e em dores, geralmente mais em dores do que em alegrias, pois o sofrimento era um elemento indispensável à realização do herói romântico. Castro Alves não escapou a esse destino. Mas, contrariando os colegas de escola, explorou a vida em outra direção. Dedicou o máximo de suas energias às causas cívicas da época. Este é o alicerce da glória de que desfruta, em vivo contraste com sua breve existência.
A segunda revolta tenentista iniciou-se exatamente dois anos depois da Revolta do Forte de Copacabana e da heróica Marcha dos Dezoito do Forte. O ambiente de descontentamento que predominava entre a pupulação paulista com o Presidente Arthur Bernardes e as práticas politico-eleitorais da Republica Velha deram origem ao movimento.
Os combatentes envolvidos no episódio revolucionário estavam divididos entre militares fiéis ao Governo Federal - os legalistas - e os chamados rebeldes - soldados do Exército e da Força Pública Paulista, chefiados por Isidoro Dias Lopes, e com a participação de numerosos tenentes.
A estratégia consistia em assumir o controle da Cidade de São Paulo e dai marchar para o Rio de Janeiro, com a esperança de obter o apoio dos militares cariocas e derrubar o Governo Federal. O Palácio dos Campos Elíseos, sede do Governo Paulista, foi bombardado, o que levou o governador Carlos de Campos a se retirar para o interior do estado.
O movimento se alastrou com revoltas de menor vulto por diversos outros estados, o que levou o Governo Federal a decretar estado de sítio não só para a capital como para todo o Estadode São Pulo, além do Amazonas, Pará, Sergipe, Bahia, Rio de Janeiro,Paraná, Santa Catarina, Rio Grande de Sul e Mato Grosso.
Foi o maior conflito bélico já ocorrido na Cidade de São Paulo, a qual foi bombardeada por aviões do Governo Federal. Sem poderio militar equivalente para enfrentar as tropas legalistas, os rebeldes retiraram-se para Bauru, onde Isidoro Dias Lopes ouviu notícia de que o exército legalista se concentrava na cidade de Três Lagoas, no atual Mato Grosso do Sul. O ataque àquela cidade provocou a derrota das tropas revoltosas e o fim das hostilidades.
A Revolta de 1924 se enquadra no Movimento Tenenista, que combateu as práticas oligárgicas da República Velha e levou Getúlio Vargas ao poder em 1930.
Dias de guerra em São Paulo
Nos dias em que São Paulo esteve sob a direção das forças revolucionárias, as baixas militares provocadas pelos bombardeios foram pequenas. Porém as vítimas civis atingiram proporções trágicas. Dos 700 mil habitantes da capital, 300 mil a abandonaram, refugiando-se no interior do estado.
Os revoltosos ocuparam a Capital Paulista por 23 dias. Vencidos, marcharam rumo ao Sul, onde, na cidade de Foz do Iguaçu, no Paraná, uniram-se aos oficiais gaúchos revoltados, comandados por Luís Carlos Prestes, no que veio a ser o maior feito guerrilheiro da História do Brasil: a Coluna Prestes.
"A morte de Monteiro Lobato abre um claro iniludível nas letras do Continente americano. Não somos nós somente que perdemos nele uma expressão principesca das nossas letras, no romance, na ficção, na prosa... Em verdade era um maravilhoso criador de histórias. Tinha-as à flor dos lábios como a linfa natural das fontes que escorre cantando sem precisar imitar a voz a ninguém, nem o canto dos pássaros, nem a música do vento, nem os módulos dos anjos. Quando desfiava o fio mágico de sua conversa, lá vinham as doces figuras com que ele enchera a nossa vida literária... Havendo transportado as lindes da língua portuguesa, morre, entretanto, sem atingir a imortalidade acadêmica".Jornal do Brasil
O escritor Monteiro Lobato, 66 anos, exercendo plena atividade intelectual, morreu vítima de um derrame cerebral em São Paulo.
"Um dia pretendo construir livros nos quais as crianças possam morar". Com este sonho, o paulista de Taubaté José Bento Monteiro Lobato abandonou a vida de promotor público e começou a escrever histórias. Do romance social à literatura infantil, percorreu amplamente o terreno das letras, inclusive a política e a sociologia, em seus ensaios e artigos. Combativo e irreverente, espelhou em sua obra muito de si, de sua história de vida e dos costumes nacionais. A primeira coletânea de contos, Urupês (1918) retrata o cotidiano de Jeca Tatu, caboclo do interior paulista, através de suas crendices e tradições. É unânime no reconhecimento do leitor infantil que se identifica com suas histórias lúdicas povoadas por personagens maternalmente caracterizados nas mais fantásticas aventuras, entre elas O Saci(1921), O Marquês de Rabicó(1922), Viagem ao Céu (1932) e O Pica-Pau Amarelo (1939). Legado que figura sem paralelos na literatura brasileira.
A exploração nacional do petróleo
Monteiro Lobato tornou-se um militante do petróleo brasileiro na década de 30. Defendeu com veemência a exploração nacional, denunciando o interesse estrangeiro em negar a existência do combustível no país. Seu discurso feriu os interesses do Estado Novo (1937-1945) e resultou na sua prisão, em 1941, pela polícia política do governo de Getúlio Vargas: “Estou como queria, colhendo o que plantei. A causa do petróleo ganha muito mais com a minha detenção do que com o comodismo palrador aí do escritório”. Lobato estava certo. Logo seria lançada a campanha O petróleo é nosso!
Foi sancionada a resolução legislativa que constituiu contravenção penal a prática de atos resultantes de preconceitos de raça ou de cor. É a primeira lei brasileira a prever expressamente a incriminação de condutas relacionadas à discriminação por etnia ou por cor da pele.
A recusa por parte de estabelecimento comercial ou de ensino em atender ou receber cliente, comprador ou aluno, por preconceito de raça ou de cor, fará com que seja considerado agente de contravenção o diretor, gerente ou responsável pelo estabelecimento.
Recusar a alguém hospedagem em hotel, pensão, estalagem ou estabelecimento da mesma finalidade, por preconceito de raça ou de cor. Pena: prisão simples de três meses a um ano.
Recusar a venda de mercadorias em lojas de qualquer gênero, ou a atender clientes em restaurantes, bares, confeitarias e locais semelhantes, abertos ao público, por preconceito de raça ou de cor. Pena: prisão simples de quinze dias a três meses.
Impedir o acesso de alguém a qualquer cargo do funcionalismo público ou ao serviço em qualquer ramo das forças armadas, por preconceito de raça ou de cor. Pena: perda do cargo para o funcionário dirigente da repartição.
No caso de reincidência em estabelecimento particular poderá o juiz determinar a pena adicional de suspensão do funcionamento do estabelecimento por prazo não superior a três meses.
Conhecida como Lei Afonso Arinos (1.390/51), em homenagem ao jurista Afonso Arino de Melo Franco, que como deputado federal pelo Estado de Minas Gerais, apresentou o projeto de lei. Afonso Arinos foi um intelectual brilhante e um dos parlamentares mais importantes da nossa história republicana.
"E eis que a data
de que hoje se comemora
o centenário da integração
de nossa independência.
Ela representa a soma maior
de esforços que os brasileiros
precisaram empregar
para a obtenção da autonomia.
Foram filhos bem amados
todos os que por ela
pelejaram e venceram". Jornal do Brasil
Quando o grito de D. Pedro I às margens do Rio Ipiranga ecoou proclamando a independência do Brasil, a Província da Bahia já se encontrava há meses de armas nas mãos lutando contra o domínio de Portugal, motivada pelo desejo federalista de emancipação. O conflito se prolongaria por mais um ano, até que as últimas tropas do Exército Colonial Português fossem expulsas do território baiano, consolidando assim a nossa independência territorial.
O potencial econômico do açúcar e do tabaco fizeram do Recôncavo Baiano, principalmente da Vila de Cachoeira, uma próspera região da Província, inspirando fortes ideais de liberdade em seu povo. A vontade coletiva culminou num ataque direto contra a capital, Salvador, então ocupada pelas tropas do Exército Português. Foram sucessivos embates e conflitos sangrentos. As hostilidades se intensificaram com a notícia da proclamação da independência vinda de São Paulo, o que inflamou os ânimos nacionalistas. Com o apoio do novo governo brasileiro, que despachou da Corte navios conduzindo tropas e suprimentos, o efetivo baiano ganhou corpo, e recebeu a adesão de outros efetivos e de voluntários. A manobra de reunião de forças, aliada ao bloqueio naval e terrestre de Salvador, tornou a posição do Exército Português insustentável. Impedido o seu suprimento, os portugueses foram forçados a capitular, abandonando a cidade. Era o triunfo nacional.
Três exemplos heróicos de determinação
Entre tantos anônimos determinados a lutar pela emancipação nacional, três mulheres se projetaram na guerra pela independência. Sóror Joana Angélica dirigia o Convento da Lapa e morreu assassinada a golpes de baioneta tentando impedir a passagem dos portugueses pelo local. Maria Quitéria, disfarçada de Soldado Medeiros, lutou como voluntária no Batalhão Voluntários do Príncipe, o Periquito. E Maria Felipa de Oliveira, negra, alta, corpulenta, liderou a resistência popular à invasão da Ilha de Itaparica. A ela é creditada o comando na queima de 42 embarcações da frota portuguesa na Praia do Convento.
A China realizou um sonho ao recuperar o riquíssimo enclave estrangeiro que, sozinho produzia 160 bilhões de dólares, 15% do PIB da China
Duas imagens marcaram o dia da reunificação: a primeira foi o sorriso exultante do presidente chinês, Jiang Zemin, quando desceu do avião que o trazia de Pequim, e foi cumprimentado com a tradicional saudação oriental - as duas mãos coladas na frente do peito - por Tung Chihua, o novo chefe do executivo local.
A segunda foram as lágrimas enxugadas rapidamente por Christopher Patten, o último governador inglês, quando embarcava no iate Brittania, saudando pela última vez o território que governara durante seis anos.
A antiga colônia inglesa sempre desempenhou um papel especial para a China, por ser uma janela para o mundo capitalista. Hong Kong era uma das principais fontes de moedas forte para a China Comunista e, desde 1978, foi o canal por onde entraram mais de 60% dos investimentos que promoveram o espetacular crescimento chinês.
Hong Kong se transformava então na Região Administrativa Especial de Hong Kong, parte integrante do território chinês com regime ecônomico capitalista. Foram deslocados para lá quatro mil soldados chineses, comprometidos a respeitar as leis, o povo e o modo de vida da ilha, agora politicamente integrada ao país.
O término do acordo que durou 99 anos
No século passado, os comerciantes ingleses começaram uma rota de tráfico de ópio chinês, e em pouco tempo controlavam o comércio da droga dentro da própria China, o que provocou a Guerra do Ópio (1839-1842). Hong Kong era, na época, um amontoado de rochas com pouca população e nenhuma fonte de riqueza. O tratado de Nanquim, de 1842, cedeu Hong Kong formalmente aos ingleses. Em 1898, após nova tentativa militar de tomada de território chinês pelos ingleses, foi assinado um novo acordo. Os ingleses ficariam com Hong Kong por 99 anos.