1917 - A morte de Dr. Oswaldo Cruz

"Teve uma repercussão dolorosa nesta capital a notícia do falecimento do médico ilustre que foi o Sr. Dr. Oswaldo Cruz, considerado com justiça legítima glória da classe cujo renome soube elevar tão alto.
Ninguém poderá esquecer que ele, vencendo o pessimismo do momento, com a fé inabalável no resultado das medidas de higiene que reputava infalíveis, foi o herói da obra de saneamento da Capital da República."
Jornal do Brasil
Ninguém poderá esquecer que ele, vencendo o pessimismo do momento, com a fé inabalável no resultado das medidas de higiene que reputava infalíveis, foi o herói da obra de saneamento da Capital da República."
Jornal do Brasil
Faleceu de insuficiência renal, após prolongada agonia, o ilustre Dr. Oswaldo Cruz, 44 anos, então Prefeito da Cidade de Petrópolis. Perdia o Brasil a genialidade do seu mais ilustre cientista sanitarista.
Oswaldo Cruz nasceu no interior paulista em 1872. Ingressou na Faculdade de Medicina no Rio começando uma notável carreira de higienista que logo transpôs fronteiras através de vários cursos de aperfeiçoamento e especialização na Europa.
Ao voltar para o Brasil, organizou o combate ao surto de peste bubônica registrado em Santos e em outras cidades portuárias brasileiras. Demonstrou que a epidemia era incontrolável sem o emprego do soro adequado. Como a importação era demorada à época, defendeu a fabricação nacional. Foi então criado, em 1900, o Instituto Soroterápico Nacional (atual Instituto Oswaldo Cruz), entidade que assumiu a direção dois anos mais tarde. Em 1903, assumiu o cargo de diretor geral de Saúde Pública no Rio com a difícil e bem-sucedida missão de erradicou a febre amarela e a peste bulbônica na cidade. Manteve-se à frente da marcha pela salubridade do Brasil e reabilitou-lhe a reputação sanitária.
Imortalizado pela Academia Brasileira de Letras em 1913, consagrou-se também como um dos grandes benfeitores da sociedade.

Na direção da Saúde Pública do Rio, Oswaldo Cruz teve o desafio de erradicar a febre amarela na cidade. E empreendeu um rígido combate à doença, movido à base de muitas polêmicas: promoveu o isolamento dos doentes, a vacinação obrigatória e campanhas para eliminar os focos do mosquito.
A iniciativa suscitou resistência na opinião pública, no episódio que ficou conhecido como a Revolta das Vacinas.
Mas o sanitarista, irredutível, fez uso até da força policial para atingir os resultados projetados. E em 1907 atingiu seu êxito: não houve nenhum caso da doença registrado na cidade.
Amanhã: 1968 - Teatro nas ruas contra a censura
