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6 de novembro de 1981: A condenação de Doca Street

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 6 de outubro de 1981
Raul Fernandes do Amaral Street, conhecido por Doca Street, foi condenado a 15 anos de prisão por ter assassinado Ângela Diniz, de 32 anos, chamada de A Pantera de Minas. O crime ocorreu na tarde de 30 de dezembro de 1976, em Búzios, no litoral do Rio de Janeiro.

A agitação em frente ao fórum era formado por mulheres dos movimentos feministas, curiosos e uma enorme movimentação de jornalistas.

O cansaço dos participantes do julgamento era aparente. O filho de Ângela não conseguiu tirar os olhos de Doca, com uma mistura de raiva e desprezo.

A acusação montou sua tática para convencer o conselho de jurados da tese do "assassino a sangue frio" e de que "Doca era um gigolô". O promotor salientava os momentos que antecederam a morte de Ângela em que a vítima não teve nenhuma chance de defesa.

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A defesa de Doca Street apelou para laudos de sanidade mental de Ângela Diniz, atestando personalidade neurótica e dependência de sedativos, anorexígenos e maconha.

Doca havia sido absolvido em 1979, por alegar em seu primeiro julgamento que agiu sob legítima defesa da honra por sentir-se traído pela companheira. A frase "matei por amor", foi dita à imprensa depois do julgamento do qual fora absolvido. O advogado Evandro Lins e Silva, que defendeu Raul Doca Street no primeiro julgamento, qualificou de terrorismo publicitário os movimentos da imprensa e das feministas em torno do julgamento.

A promotoria recorreu com o slogan "quem ama não mata", repetido por militantes feministas que acompanharam o segundo julgamento. O movimento feminista considerou a vitoria da Justiça e uma esperança no sentido de julgar os crimes passionais.

Doca cumpriu pena e lançou o livro Mea Culpa, pela Editora Planeta.

Doca Street e Angela Diniz

Doca Street não foi o primeiro nem o último brasileiro a matar uma mulher. A notoriedade do caso veio por evidenciar os extremos da vida brasileira naquela época. Enquanto a truculência do regime militar torturava, matava e fazia desaparecer perseguidos políticos, gente como Doca e Angela viviam, alheios a essa realidade.

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