Últimos posts

RSS Feeds

22 de maio de 1989: O fenômeno Collor vira febre nacional

O fenômeno Collor vira febre nacional. Jornal do Brasil: Terça-feira, 23 de maio de 1989

O fenômeno Fernando Collor de Mello, visível a olho nu nos índices das pesquisas de opinião e na multiplicação dos adesivos nos automóveis nas principais cidades do país, começou a semana ameaçando assumir proporções epidêmicas. "Vou trabalhar agora para ganhar no primeiro turno", proclamou o candidato em Brasília do alto de seus recentes 32% das intenções de voto, conforme o Ibope.

Outras efemérides de 22 de maio
1935: 50 anos sem Victor Hugo
1959: A Revolta nas Barcas
1983: A luta das Mães da Praça de Maio

Apresentando-se como inimigo declarado do Governo Sarney, Fernando Collor de Mello se projetou no cenário político nacional com a bandeira "Caçador de Marajás", quando governador de Alagoas. Dono de um discurso imponente, sempre aberto pelo bordão "Minha gente...", proferido com entonação destemida e por gestos de bravura, durante sua campanha atacou as mordomias do funcionalismo público, contestou o descontrole da inflação, e pregou o resgate valores morais, condenando a corrupção. Usando ainda de sua jovialidade, sempre buscava associar a sua imagem à prática de atividades esportivas.

Resultante de um marketing político até então muito pouco usual no país,Collor projetou-se como um herói, agrandando um diversificado eleitorado, principalmente aquele insatisfeito com os demais candidatos que a política oferecia à época, que em grande parte participava pela pela primeira vez de uma eleição para Presidente do Brasil. Não foi eleito no primeiro turno, mas cumpriu sua promessa e chegou ao poder ao derrotar o candidato Lula no segundo turno na eleição de 15 de novembro de 1989.

O promissor Fernando Collor de Mello tomou posse no dia 15 de março de 1990, para um mandato de quatro anos. Contudo, o mesmo frenesi popular que o projetou nesta vitória voltaria à cena dois anos depois. Só que não mais como seu aliado.

 Comentar

21 de maio de 1968: 10 milhões param a França

Primeira página do Jornal do Brasil: Quarta-feira, 21 de maio de 1968

Trezentas fábricas ocupadas e centenas interditadas, inclusive as grandes indústrias siderúrgicas, metalúrgicas, químicas e as automobilísticas. Paralisação total do sistema de transportes, à exceção dos táxis. Nenhum trem, ônibus ou avião em circulação para a locomoção municipal, interprovincial ou para o exterior. No setor das comunicações, em funcionamento apenas o sistema telefônico direto e o serviço de telegramas. Fora do ar todo o sistema de rádio e televisão. Contingentes da Polícia no entorno dos prédios públicos. Esgotados os estoques de alimentos, falta de combustíveis e acúmulo de lixo nas ruas. Pichados os muros e monumentos de Paris, historicamente zelados pela importância cultural. Escolas fechadas. A França isola-se. Paris transforma-se na capital da crise do mundo moderno.

Outras efemérides de 21 de maio
1968: O dia em que a França parou
1975: Julgamento do Baader-Meinhof
1998: Suharto abdica do poder na Indonésia

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 21 de maio de 1968 - página 7
Continuando o efeito dominó, o movimento grevista, que já abalava a França desde o início do mês com os protestos dos estudantes e o apoio pleno da classe operária, alcançou seu ponto máximo estimando-se 10 milhões de integrantes, em virtude da adesão de novos setores em todo o país. Pararam os portos marítimos e fluviais, as instituições financeiras e os serviços públicos, que colocaram em xeque-mate o fornecimento de energia elétrica, gás e água.

Na maior greve de sua história, a França teve sua infra-estrutura largamente paralisada ou rendida ao controle operário.


O alvo das reivindicações era o Governo De Gaulle: reclamava-se a derrubada do governo, a tomada do poder e por mudanças políticas radicais. Acuado o presidente Charles de Gaulle anunciou que o governo levaria a cabo as reformas educacionais pedidas pelos estudantes e garantiria melhores condições à classe trabalhadora.

Os ecos do maio francês de 1968

Paradoxalmente, a greve geral que isolou a França atraiu para o país as atenções de todo o mundo. Após as tensas semanas da primavera, a paralisação chegou ao fim. Com os dias contados estava também o governo do General De Gaulle, que renunciaria ao mandato em abril de 1969, após uma derrota no referendo para transformar o Senado francês num corpo consultivo.

A dimensão daquele maio de 68 ficou evidente na repercussão dada à greve geral além das fronteiras da França. Propagando ideais de igualdade e liberdade, o movimento revolucionário inspirou levantes sociais no mundo inteiro.

 Comentar

20 de maio de 1972: O samba dá adeus ao seu poeta Silas Oliveira

Silas de Oliveira morre cantando. Domingo, 21 de maio de 1972

"... Quando o dia raiava alegremente cantava
Oh! Minha romântica, Senhora tentação
Carnaval, doce ilusão
Oh! Como é tão sublime exaltar o poeta criador...
"
Requiém por um sambista
G.R.E.S. Imperatriz Leopoldinense, carnaval de 1974

O compositor carioca Silas de Oliveira, 55 anos, morreu de enfarte em uma roda de samba depois de cantar uma de suas músicas.

Silas costumava ficar nas ruas próximas ao caminho da Serrinha, em Madureira, observando os sambistas passarem com seus instrumentos musicais. Seu pai, pastor protestante e professor, não via com bons olhos o fato de o filho gostar de samba. Aos poucos Silas foi tomando coragem para se aproximar dos músicos até compor um samba com Manula, partideiro de prestígio da escola de samba Prazer da Serrinha, a qual se transformou mais tarde na Império Serrano. O professor Assunção, pai de Silas, demorou a aceitar a vocação do filho, mas acabou por colaborar, corrigindo e melhorando os versos de suas músicas.

No carnaval de 1945, Silas juntou-se a Mano Décio, com quem formaria uma das melhores duplas de sambas-enredos de todos os tempos. Silas frequentava com Mano Décio os pagodes nas casas das 'tias' baianas, onde havia muita bebida, comida e batucada. O primeiro samba-enredo da dupla foi Conferência de São Francisco ou A Paz Universal, sobre o encontro de Roosevelt e Getúlio Vargas. O tema obedecia a uma determinação de Vargas de que as escolas de samba deveriam abordar temáticas nacionalistas em seus desfiles de carnaval.

O sambista dedicou 28 anos de sua vida ao Império Serrano, escola que ajudou a fundar, e nesse período fez 16 sambas enredo para a escola, dos quais 14 foram defendidos no desfile oficial. Quando o amigo Mano Décio foi para a Portela, a dupla se desfez. Silas continuou na Verde-e-Branco onde compôs obras-primas como Aquarela Brasileira (1964), Os Cinco Bailes da História do Rio, em parceria com Dona Ivone Lara e Bacalhau (1965), Glórias e Graças da Bahia, com Joacir Santana (1966) e Pernambuco, Leão do Norte (1968).


Outras efemérides de 20 de maio
1984: Isabelita Perón retorna à Argentina
1991: Morre o irreverente jornalista Tarso de Castro
1991: Soviéticos ficam livres para viajar

Drumond elogia versos de Silas
A última parceria de Mano Décio e Silas, com o reforço de Manuel Ferreira, da Velha Guarda do Império, aconteceu em 1969. Os três compuseram Heróis da Liberdade cujos versos, que tiveram problemas com a censura do regime militar, foram elogiados por Carlos Drumond de Andrade. A letra dizia assim: Passava a noite/ vinha o dia/ o sangue do negro corria/ dia a dia/ de lamento em lamento/ de agonia em agonia/ pedia/ o fim da tirania. Silas não ganhou dinheiro com sua produção musical.

 Comentar

Hoje na História - Siga no Twitter!