9 de fevereiro de 1996 – IRA rompe cessar-fogo com o Reino Unido

Mais de cem pessoas ficaram feridas na explosão de uma bomba atribuída ao Exército Republicano Irlandês (IRA), ocorrida na região das docas de Londres, capital do Reino Unido. Uma hora e meia antes do atentado, um telefonema para a rádio e televisão estatal da Irlanda alertou que o IRA, grupo católico que lutava contra o domínio britânico na Irlanda do Norte, estava naquele momento encerrando o cessar-fogo declarado um ano e cinco meses antes.
A explosão ocorreu às 19h junto à entrada da estação da linha de trens urbanos das docas, sacudindo os edifícios do local. Uma chuva de cacos de vidro caiu sobre os pedestres, e foi esta a causa da maior parte dos ferimentos.
Ao condenar o que chamou de horrível ultraje, o então primeiro-ministro britânico, John Major, reafirmou seu compromisso com o processo de paz na Irlanda do Norte, e fez um apelo ao IRA e ao Sinn Fein (braço político do grupo) para que condenassem a violência. Major insistiu que os grupos paramilitares da Irlanda deveriam entregar suas armas para que não houvesse mais violência, e então iniciar as negociações de paz.
A liderança do Sinn Fein, que se recusou a entregar as armas antes de negociar as condições de paz, declarou-se surpresa com o atentado. Horas antes, o presidente do partido, Gerry Adams, que acabara de chegar dos Estados Unidos, dera uma entrevista a uma rádio norte-irlandesa afirmando que o cessar-fogo declarado em 1994 era “total e permanente”. Mais tarde, depois de lamentar que “o governo britânico e os protestantes tivessem desperdiçado uma oportunidade inédita de negociar a paz”, Adams pediu calma, reiterando o compromisso do partido com a estratégia de não violência.
Sangue levando a sangue
O Exército Republicano Irlandês nasceu em 1916 com o objetivo de tornar a Irlanda independente do Reino Unido, ao qual fora anexada em 1801. Apenas em 1972, após o assassinato de 13 manifestantes irlandeses pelo Exército britânico no chamado “Domingo Sangrento”, o IRA transformou-se em um grupo terrorista. O pior atentado promovido pelo grupo ocorreu em novembro de 1974, em Birmingham, Inglaterra, no qual a explosão quase simultânea de duas bombas em dois bares matou 21 pessoas e deixou 162 feridas. O fim da luta armada do IRA só ocorreu em julho de 2005, quando o IRA iniciou o processo de entrega de armas, que terminou em setembro do mesmo ano.


