Ooh la la, Gaga!
“Lady Gaga está na moda! Definitivamente. Porque ela quer, a América quer e todos nós estávamos precisando de alguém que causasse essa estranheza, essa fascinação e até um certo repúdio. Os Estados Unidos têm divas bonitinhas, gostosas e politicamente corretas, que não se permitem ‘enfeiar’ e que têm a plasticidade perfeita como meta. Traduzindo: nenhuma menina quer ser estranha. Só a Gaga. Cheia de autoironias e deboches, ela é aquela baranga que só anda com gays, beija go go boys na noite e transa por transar. Certo? Certíssimo. Mas também é muito mais do que isso. Gaga é talentosa, tem bela voz, é esforçada, compõe muito bem e o mais difícil: tem estilo. Além de tudo, adora o que faz e ama o palco. Seus shows em NY, quatro datas (20, 21, 23 e 24 de janeiro), estavam todos sold out. Fui para lá sem ter comprado ingresso, contando com cambistas. Acabei pagando US$ 200 a um que me deu um ingresso falso. Ele há de arder no fogo do inferno! Vai virar churrasquinho de gato vira-lata. Inclusive, hoje, estou levando uma garrafa de Chandon para a pomba-gira. Moët, of course. Mas, graças a minha amiga, Marisol Rivera, que trabalha na Saks da Quinta Avenida, consegui um ingresso e um bom lugar: fila G assento 502. Deus existe! Principalmente na América.
As Gaguinhas e Gagonas que desfilaram pelos corredores do Radio City Music Hall
Fiquei um pouco ‘nudebegelilás’, com a frequência do show: meninas de 10 anos vestidas de Gaguinhas, bibinhas pão-com-ovo, bibas de camisa pólo da Lacoste, bibas Abercrombie, meninas de família acompanhadas de seus pais pacientes, e muitas velhinhas super elegantes e distintas. Muito paetê, covers da Gaga e também patricinhas erradas, desfilando com cosmopolitans pelo Radio City Music Hall. Uma biba glam andrógina, de salto alto, abriu o show. Um rapper gostosão também se apresentou. Não lembro os nomes. Talvez, um dia, quando eles se tornarem grandes no mundo pop, eu me arrependa de não me recordar. Mas eu estava ali mesmo para ver a mulher que brinca de ser drag. O show começa com um número meio Léo Aquila (drag paulista, conhecida por suas engenhocas perfeccionistas), com Gaga vestindo uma roupa que é cheia de luzes e brilha na luz negra. A música é Dancing in the dark, uma das melhores do disco, que versa sobre como ser altiva, mesmo com o ego destroçado pelo namorado escroto. Muita tecnologia, telões que transportam a Lady para uma outra dimensão e nos deixam tontos e empolgados. Sem perder o fôlego (até porque a primeira música teve bastante playback), ela arrasa em Just dance, um hino à jogação. Alejandro ficaria cafona com qualquer outra cantora, mas, na voz dela, a canção ficou debochada e a loura a dedicou à comunidade porto-riquenha de NY. Aliás, o povo mais bonito da cidade, porque o americano anda bem judiado. A musa dançou direitinho em Love game, me fez chorar em Speechless e Teeth parecia uma coreografia saída do musical Rent. Na parte dinheiro e ambição do show, ela coloca uma roupa dourada – meio egípcia, meio romana – com uma cabeça de chacal e manda ver nas materialistas Beautifull dirty rich, The fame e Money honey. Já Boys boys boys, ela dedica a seus fiéis fãs gays. E os bailarinos dançavam com um tesão de fazer as tias de 65 anos ovularem. Quando o show acaba com o hit Bad romance dá até vontade de chorar, porque terminou! Durante toda a performance, ela troca de roupa uma dúzia de vezes. Todo os looks são super pensados, sendo o mais engraçado o da música Monster, em que ela fica parecendo uma King Kong no cio. O palco muda o tempo todo também e a banda é dividida em duas partes: uma de cada lado do palco. Tudo é simples, funcional e genial, como o piano que parece que ter sido tirado de um ferro-velho. Visualmente fantástico. Os vídeos nos telões parecem editoriais de moda da Vogue América. Tem ela de bonita, ela vomitando em si mesma, e há referências de sadomasoquismo fashion, com máscaras e outras esquisitices. Nada é banal no show, tudo foi arquitetado e, mesmo assim, nada é mecânico, pois Gaga fala mais que vizinha sem ter o que fazer. Conclusão: este show é um divisor de águas na selva pop, pois Gaga não faz a diva distante. Ela é possível, de carne, osso e celulites, que, muitas vezes, as luzes do palco realçavam. Por ter celulites, ela é adorável e toda mulher se identifica. Resultado: Lady é cool, jovem, moderna e humanamente gostosa. Ah, eu ia me esquecendo: e não é que a música dela é boa também?”
Evandro não resistiu e tirou uma casquinha da Monster Ball da Lady
#Gaga dedicou Speechless ao pai, que estava na plateia.
#Donald Trump e o diretor de arte carioca Marcelo Sebá também apareceram por lá.
#Antes do show, todos têm de dar o número de seus celulares. No palco, Gaga sorteia um felizardo para ligar e bater um papo.
#Clubes gays, como Monster, Barracuda e Splash deram festas pós-show.
#A única parte chata é quando Gaga faz a linha “tenham pena de mim”, contando sobre o difícil começo de carreira, época na qual cantava para 11 pessoas e comia cachorro-quente.