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Moda brasileira: o futuro é agora


A roda gira e com ela chegam novos ventos para a nossa moda

No Aurélio, alma deriva do latim Anima, e significa princípio de vida. E Anima foi o tema desta edição Verão 2011 da São Paulo Fashion Week. Todos que passaram pela Bienal do Parque do Ibirapuera, semana passada, para conferir 34 desfiles, depararam-se com cores e alegria em forma de movimento: uma grande praça, com direito a floresta de cata-ventos e roda gigante. No entanto, uma mensagem subliminar ganhou chancela em todo aquele sopro de festa. É hora de “virar a página”, como frisou o diretor Paulo Borges, acrescentando que, com o Fashion Rio integrado à essa plataforma de moda nacional, novas metas serão traçadas já. Após 15 anos de SPFW (o evento debutou em janeiro), muito será mudado pós-consolidação de uma cultura de moda brasileira e uma ratificação da importância das semanas de moda. Se o Brasil ganhou o foco dos holofotes internacionais pela economia, é tempo de o novo presidente corroborar, segundo Paulo Borges, um entendimento político sobre o setor com uma política de Estado eficiente. “O Calendário Oficial da Moda Brasileira foi criado para ampliar as fronteiras do setor, incorporar a noção e cultura de moda e inserí-la na pauta de desenvolvimento econômico-industrial e de produção cultural do país. Agora, é hora de um novo ciclo”, atestou o CEO da Luminosidade, que coordena a SPFW, o Fashion Rio e In-Mod.

SPFW e o Fashion Rio passarão por uma reformulação?
Vamos vivenciar a maturidade com mais qualidade e refinamento. Isso é também possível, porque fazendo a gestão do Fashion Rio e vocacionando o Rio para esta plataforma de qualidade, podemos transferir para a cidade o que ajuda nessa questão: a moda-praia. O Rio passará a ser o centro global do lifestyle, da cruise collection. Assim, a São Paulo Fashion Week poderá dar um mergulho adicional e mais profundo na vanguarda e no design. Isso é refinar. Desta forma, as duas plataformas de moda, Rio e São Paulo, serão fortalecidas com suas vocações próprias. Para 2011, SPFW terá um salão de negócios voltado para compradores internacionais (nos moldes do Rio-à-Porter, que movimentou R$ 900 milhões em negócios na última edição).

Reuniões foram promovidas pelo MinC para a formulação de plano de cultura do governo, que, pela primeira vez, abrangerá moda...
No Ministério da Cultura, a discussão e o objetivo não são dar suporte financeiro para a moda como muitos estão pensando. É que quando se fala em Ministério da Cultura, todo mundo já fica babando em cima da Lei Rouanet e não é nada disso que está sendo discutido. Há um grande equívoco. O que está em pauta é a inclusão da moda como setor de produção e material no Brasil dentro de um plano nacional de cultura. Não tem nada a ver com financiamento. As pessoas que estão imaginando que vão lá tirar dinheiro do MinC com Lei Rouanet e outras coisas vão bater a cara na porta errada. O grande ganho e inovação é que moda já é um plano estratégico para o MinC como cultura nacional. Isso muda uma série de questões.

E o Rio Summer?
Estamos em reuniões de planejamento com o Grupo ABC para definir. O Rio Summer está mantido como evento do grupo que a Luminosidade passa a fazer a gestão. O que estamos discutindo ainda é se ele deveria ser realizado ainda este ano em função de eleição e Copa do Mundo. Ou se ele entrará neste novo momento em que a gente vira a página dos 15 anos de SPFW e aí você apresenta uma integração de fato estratégica já vivendo o futuro. Em 2011, o nossa realidade será vivenciar o futuro e não mais pensar o futuro da moda.

Em ano eleitoral e pós-eleição também, claro, política é essencial para a indústria da moda. E como CEO da Luminosidade e do Instituto Nacional de Moda e Design (In-Mod) você entrevistou três presidenciáveis...
Eu conversei com o futuro presidente do Brasil. E um dos três o será. Nesses meus 30 anos de trabalho com moda, eu vi pela primeira vez um presidenciável sentar, antes de ser eleito, com alguém ligado ao setor da moda para discutir o futuro. Todas as perguntas giraram em torno de inovação, plano, financiamento, investimento, qualificação e educação, sobre o risco de se trabalhar uma indústria que é criativa, porque isso é novo para o Brasil. E todos compreendem que a indústria da moda por ser pura criação, gerar empregos e ser de transformação rápida, ela é estratégica para o novo momento do Brasil. Vamos torcer para que isso seja válido e aí começar a dialogar com o novo governo de igual para igual.

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A moda caminha, a passos largos, para o Planalto

São Paulo – Ag. Fotosite/Luminosidade

Após anos de sonhos, investimentos e concretizações, a moda brasileira está a um passo de tornar-se, oficialmente, cultura em nosso país. Diante da tão esperada mudança, Paulo Borges registrou, em vídeo, para o site FFW as entrevistas que comandou com os três candidatos que lideram as pesquisas à Presidência da República. Na passarela: Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PV) e José Serra (PSDB) e a importância da moda nacional em projetos governamentais.

Moda brasileira e projeção mundial


Dilma Rousseff: Acredito que o país espelha cada momento histórico pelo qual passa. Hoje, temos uma imagem no exterior que reflete a nossa identidade e as nossas conquistas. O Brasil deu um passo grande no sentido de ser respeitado não apenas por ter tido um crescimento econômico elevado. Hoje, somos capazes de agregar várias percepções internamente e, se queremos construir uma imagem no exterior, temos que, antes, construir uma imagem aqui.
Marina Silva: Acho que o Brasil tem de ter a marca do seu próprio olhar e da sua própria escuta. Sempre repito a frase de Caetano: “Narciso acha feio o que não é espelho”. O mundo procura sempre aquilo que lhe é semelhante, mas nós somos um planeta com uma diversidade cultural fantástica. Se nós nos transformamos em uma mesmice perdemos a possibilidade da troca. O Brasil é uma potência cultural, social e ambiental. Quando estava no Ministério do Meio Ambiente, percebi que podíamos criar o que chamávamos de etnogrifes, buscando nossas raízes mais profundas. Por exemplo, o que os índios, a cultura negra, a diversidade que veio com os europeus têm para mostrar ao mundo? E fazê-lo sem uma posição xenófoba. Trabalhar com a ideia de que o mundo também pode se inspirar na gente.
José Serra: Primeiro, temos de ser um governo preocupado com a produção. Pode parecer banal dizer isso, mas na prática, é como as coisas funcionam. Hoje, por exemplo, temos políticas tributárias e cambiais que desfavorecem o desenvolvimento da produção interna, a agregação de valor, a exportação e favorecem a importação. Por isso, para moda, e vários outros setores, é preciso que se tenha uma política econômica mais fraterna. Quero uma política mais favorável à produção local.

São Paulo – Ag. Fotosite/Luminosidade

Centralização e investimentos

DR: Acho que algumas coisas têm de ser combinadas para a formalização das empresas. A desoneração tributária é muito importante, o 'super simples' é um passo. Para fazer financiamentos, você tem de utilizar todas as instituições que financiam as empresas no Brasil. Se for a longo prazo, inovação, recorre-se ao BNDES. Se for para capital de juros, recorre-se ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica. Você tem de estruturar esse ministério, colocando dentro dele, ou ligado a ele, os órgãos que atuam, hoje, com a pequena empresa. Para o BNDES é preciso que se dê status de inovação ao design e à gestão da marca. É preciso destacar o fato de que uma coleção, ou o lançamento de um produto, pode ser inovador. A meu ver, quem vai ter de financiar serão os mesmos órgãos que financiam, hoje, qualquer empresa no Brasil. O financiamento à moda tem de ser legitimado. E isso só pode ser feito através dos canais onde se concentra o dinheiro. E, aos poucos, o setor privado financeiro vai notar a importância, notar que uma pequena empresa de design pode ser extremamente lucrativa. É preciso uma política específica de financiamento e de inovação. O fato de ser pequena não significa que uma empresa não possa concorrer no mercado internacional. É possível entrar se você tiver redes de suporte à sua comercialização. O país tem de estruturar pontos de venda, os quais você possa compartilhar. Nós estamos engatinhando na política de pequena e médias empresas. Não imaginamos o potencial que temos.
MS: Para que haja um centro é preciso uma base, um entorno e que cada um de nós busque essa centralidade. O mundo é multicêntrico. Cada vez mais vamos precisar de uma relação em coautoria, na qual o teu fazer sustenta o meu fazer. O Estado deve mobilizar setores que possam, juntos, conseguir os melhores recursos para elevar a moda. Penso em parceria com o BNDES, com o Banco do Brasil, com o setor financeiro e com as medidas corretas que possam, inclusive, diminuir os juros. Precisamos também entender a moda como um espaço de criação, de entretenimento, conhecimento, tecnologia e inovação, não como um supérfluo passageiro, mas como algo que está criando identidade para o nosso país.
JS: Acho que tínhamos de aproveitar três modalidades de crédito. Uma delas, que é bem pequenininha, e muito usada em SP, é o Banco do Povo. Temos também o crédito que tem mais vocação para chegar aos produtores já de certo porte, que é o dado pelos bancos estaduais de desenvolvimento. Em SP, recorremos à Nossa Caixa Desenvolvimento. Ela, como outros bancos, pode também repassar linhas de apoio. O BNDES e o Banco do Nordeste englobam a terceira modalidade de crédito. Ambos deveriam ser usados para desenvolver linhas junto ao ministério que cuida de políticas industriais e, sobretudo, junto ao setor. Se você disponibiliza R$ 5 bilhões para uma grande empresa comprar outra, você não está agregando nenhum valor. É preciso uma organização a nível nacional, estadual e municipal e do ponto de vista dos ministérios e secretarias que cuidam destas áreas. Deveriam ser criados parques tecnológicos para o design e a moda. Já trabalhamos com parques tecnológicos em SP, que funcionam como incubadoras de talentos. Alí estão pessoas pesquisando e visando um interesse comum entre as empresas.

São Paulo – Ag. Fotosite/Luminosidade

Produção e mercado externo

DR: Temos uma série de instituições ocupadas em lançar produtos nacionais lá fora. A Apex é um exemplo. Além disso, abrimos um braço do BNDES para o exterior. Se eleita, eu vou ser como o Lula, uma espécie de caixeiro-viajante. Usar marcas brasileiras e não ficar encantada com as estrangeiras.
MS: Acho que dois movimentos precisam ser feitos: consolidação do setor e a promoção. É muito bom saber, por exemplo, que alguém sonhou em promover um evento como a SPFW que, 15 anos depois, ainda é um sucesso e continua apostando em um novo caminho para a moda brasileira. Uma forma de desqualificar quem sonha é achar que não somos capazes de realizar, mas eu nunca vi nada grandioso que não tenha na origem um sonho. E essas pessoas que sonham são capazes de antecipar o futuro. Eu chamo esse tipo de movimento de núcleos vivos da sociedade. Agora, temos de apostar no financiamento, na promoção, na consolidação, na formação, na busca dos espaços corretos para que a moda brasileira, cada vez mais, se firme como este lugar de criatividade e de exportação de sonho, beleza, riqueza e diversidade brasileira.
JS: Não existe uma fórmula. O que tem de ser feito é um trabalho conjunto e de maneira efetiva para que o poder público reconheça a moda como um setor importante para o Brasil. Não da boca para fora, mas na prática e que envolva toda política industrial, econômica e a política de inovação. E também nas práticas comerciais, claro. Os eventos têm uma importância crucial, pois eles aproximam comercialmente e, mais do que isso, eles difundem as criações. Eles tornam as criações um produto que acaba sendo agregado de forma coletiva, na medida que, quem consome ou assiste, cria identidade com aquilo.

São Paulo – Divulgação/Ag. Fotosite

Fim da desqualificação do produto nacional

DR: Vou citar uma fase do Lula: ‘primeiro vou fazer o necessário, depois vou fazer o possível, e depois, quando menos esperarem, eu estarei fazendo o impossível, sem saber que era impossível’. O Brasil tem de parar com essa mania de que tudo o que vem de fora é melhor. A alma de um país é a sua cultura e a moda entra exatamente na questão de valorizar a criação brasileira. Dentro de todo esse desenvolvimento econômico, que já começou, a moda vai crescer muito e fazer diferença. Seremos tão importantes quanto os grandes centros europeus.
MS: Temos de sair da visão do estado provedor e gosto da palavra parceria. O Estado deve mobilizar setores que possam, juntos, conseguir os melhores recursos para elevar a moda. Quero sair da velha visão de política de fazer para... para a nova política de fazer com. Que cada um faça a sua parte, porque é uma corrida de 4x4. Quem está com o bastão, na mão deve olhar para a moda, para a agricultura, para a indústria, para o turismo e dizer: “eu vou fazer a minha parte!” Esse trabalho de parceria, de coautoria, é o que eu quero.
JS: Devemos nos livrar do complexo de Carmen Miranda, através do qual, só valorizamos aquilo que venceu na América, no exterior. Esse é o tipo de complexo que o Brasil não deveria ter. Se tem algo que não nos falta é criatividade. E eu acho que precisamos ter um governo aberto para isso. Necessitamos passar a comemorar as grandes conquistas internas e sermos capazes de traduzir isso em acolhida, em ouvido, em atenção e em políticas concretas, sejam as tradicionais, sejam as novas, para que o setor possa decolar. A moda é uma das áreas nas quais eu tenho mais esperanças de que sejamos capazes de ocupar uma posição de liderança mundial. E que isso aconteça não para ganharmos uma corrida, mas para criarmos emprego, qualidade e melhor padrão de vida para as pessoas. E ganhar culturalmente.

São Paulo – Divulgação/Ag. Fotosite

São Paulo – Divulgação/Ag. Fotosite

São Paulo – Divulgação/Ag. Fotosite

São Paulo – Divulgação/Ag. Fotosite





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Arquitetas de sonhos da alma brasileira


Preta Gil, por Amilcar Packer

A misteriosa e cult Clarice Lispector (1920-1977), que, entre os anos de 1967 e 1973, nos deu o prazer de escrever crônicas aqui, no Jornal do Brasil, tinha o dom em seus textos de entranhar nas profundezas do sentimento. Imortalizou em Alma perdida: “Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar (...)”.


Costanza Pascolato, por Paschoal Rodriguez

Já o amigo de Clarice, Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) – que durante 15 anos, todas as terças, quintas e sábados, publicava suas crônicas no Caderno B – em Faxina na alma lembrou: “Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo... é renovar as esperanças na vida e o mais importante... acreditar em você de novo. Sofreu muito nesse período? Foi aprendizado... Chorou muito? Foi limpeza da alma... (...)”.


Marcélia Freesz, por André Schiliró

Pensando no que Paulo Borges falou sobre esse novo momento de renovação na moda brasileira e, consequentemente, nas plataformas das semanas de desfiles, destacamos os flagrantes incríveis estampados nas capas do SPFWJournal, que circulou durante o evento. Todas as capas exibiam mulheres com uma energia divina.


Mariana Weickert, por Paschoal Rodriguez

A diretora de redação, Erika Palomino, nos contou que “partindo do tema Anima proposto pela SPFW, quis fazer a interpretação da alma feminina brasileira em diferentes versões, retratando também a diversidade étnica do Brasil”.


Sabrina Sato, por André Schiliró

E assim, segundo ela, “o resultado foi Preta Gil (negra e baiana), Costanza Pascolato (a Europa no Brasil), Mari Weickert (traços germânicos e que representou a primeira geração de tops brasileiras que fizeram sucesso fora do país), Sabrina Sato (oriental e miscigenada), Marcélia (modelo que despontou na temporada) e new faces de rostos instigantes”.


Ana Wesh, Carla Monfort, Malu Bortolini e Marcela Correa, por Paschoal Rodriguez

E acrescentou: “A ideia é sempre surpreender o público da Fashion Week e também levar a temperatura do evento para os leitores que recebem o Journal nos pontos de distribuição fora da Bienal.

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‘A moda precisa ser ética’



Quem andava pela São Paulo Fashion Week, encontrava cartazes e adesivos com os dizeres: “A moda precisa ser ética. deixar em paz os animais – suas penas, seu couro e suas peles(...)”. A ação foi organizada pela ONG Move Institute, de SP, comandada pela designer Adriana Pierin. Com cinco meses de existência, a organização age em eventos grandes – na Parada Gay de SP distribuiu 30 mil flyers contra maus tratos de animais – e, na SPFW, o dedo foi colocado na ferida de quem utiliza peles, couros e penas e de empresas que testam seus produtos nos bichos. “A moda brasileira copia as tendências europeias. Não precisamos de couro e peles no nosso inverno. Os profissionais da moda têm de exigir que sejam desenvolvidos materiais ecologicamente corretos. O moda está acomodada e não procura alternativas para se adaptar”, aponta Adriana, ativista há 20 anos. O cuidado com o design das peças informativas (como a mostrada abaixo) é um diferencial da ONG, tanto que ela foi convidada a expor seus cartazes no Festival Parede, que está rolando no Centro Cultural da Justiça Federal, no Rio. O próximo passo é organizar um ensaio fotográfico com celebs que já aderiram à causa: Mari Moon e Kika, da MTV, Carlos Careqa, Guto Lacaz e Marina Dias. E é provável que a Move feche parceria com uma ONG francesa. “Agora, quero captar o interesse do poder público, porque a conscientização é a solução. Pegar animais para cuidar é enxugar gelo”, afirma Adriana, que pretende contatar Paulo Borges, o homem por trás da SPFW e do Fashion Rio, para que organizem juntos uma ação durante a próxima edição das semanas de moda.

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O sucesso de Victor Hugo

Roberta Profice

O empresário Victor Hugo aproveitou o burburinho da SPFW, semana passada, para apresenter sua coleção para o Verão 2011. As próximas bolsas que virarão objeto de desejo – como a de tachinhas que conquistou, literalmente, o mundo “pena que ela é tão cara, canso contrário, teríamos vendido muito mais” – vem em tons que vão desde o rosa confete às tradicionais pretas e brancas, passando por tons de amarelo e azul oceânico. “É uma coleção vintage com um toque contemporâneo, inspirado nas metrópoles”, definiu. E, falando em metrópoles, como vai a loja em NY? “Muito bem! Nessas horas é que percebo como as brasileiras são exigentes”, frisou. E sobre a visão da moda brasileira lá fora, Victor foi taxativo: “Ser brasileiro é um selo de garantia no exterior”.

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Um papinho com | Alexandre Herchcovitch



Ele sabe fazer bonito. Sempre. Brincou na sua passarela do desfile masculino com Charles Chaplin em um melange urbano com o personagem Alex DeLarge, de Laranja Mecânica, e a pintura Le Fils de L’Homme, de René Magritte. Os olhos de Alê estão sempre na simbiose de poesia, objeto de desejo para qualquer um da plateia e produto de exportação com um diferencial encantador. É capaz ainda de fazer com que aquele mulherão que é Shirley Mallman (a única no cast) fique irreconhecível e se transforme na síntese da androginia das metrópoles. Conversamos com o estilista que tem uma gama gigantesca de licenciamentos e projetos especiais neste país:

Reuniões foram promovidas pelo Ministério da Cultura para a formulação de um plano de cultura do governo, que, pela primeira vez, abrangerá a moda. Paulo Borges, Ronaldo Fraga e Melk Z-da, entre outros, participaram dos encontros. O que tem a dizer?
Acho que nunca é tarde. Sempre foi uma luta de todos nós, estilistas, para que, além de outros movimentos que expressam o que é o Brasil, a moda também se manifeste através de um produto, que é cultura. A atenção que hoje é dispensada ao Brasil na moda é tão grande que não pode se deixar de atentar para o produto que se faz. Acho ótimo e estou feliz.

O que você espera do novo presidente em relação à moda?
Que ele pense na moda não só como um comércio e sim como uma porta de expansão para o Brasil mostrar cada vez mais o que a gente faz. Levar o país através da roupa para todo o mundo e melhorar todas as condições dentro do país de alíquotas de impostos que facilitariam com que as pessoas tivessem mais acesso para exportação.

Como um brasileiro como você consegue se manter no mainstream internacional?
É bem complicado, porque quando você sai do Brasil a concorrência passa a ser o mundo inteiro e não mais os estilistas do seu estado ou do seu país. Com muita persistência e coragem de se mostrar e muito investimento próprio de tempo e de dinheiro para fazer com que um sonho e uma verdade se concretizem e não parem. A inconstância é muito comprometedora para a imagem. Você fazer e não dar continuidade é muito ruim e, no meu caso, a minha internacionalização começou em 1996 e nunca parou.

Hoje quantos países consomem a moda by Herchcovitch?
Mais de 20 países, incluindo Japão, Estados Unidos, diversos países da Europa e do Oriente Médio, além de 75 pontos de venda no Brasil e 71 multimarcas.

Sonho de um estilista...
Poder fazer com que as pessoas tenham mais acesso ao que eu faço. Aqui e no exterior.

E o sonho de um homem...
Trabalhar com tranquilidade, ser feliz, ficar perto de gente digna que eu valorize e que me valorize.

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Mundo fashion se entrega ao esporte

 Ana Colla
Michelle Alves

A exposição Oi Estilo Skate, na SPFW, com curadoria de Alexandre Vianna, contou com fotos, vídeos e looks de todas as fases do movimento skate, dos anos 1960 até hoje. Amiga de Madonna, Demi Moore e de uma penca de hollywoodianos, Michelle Alves, casada com o israelense Guy Oseary, empresário de Madge, desfilou para a grife de moda-praia Água de Coco e contou que até tentou se arriscar no esporte nas ruas de Santa Monica, Califórnia, onde mora. Oskar Metsavaht, o homem-Osklen, é adepto da modalidade esportiva e lembrou que a segunda pista de skate do Brasil foi construída por ele, em Caxias do Sul, em 1978, e que a paixão serve de inspiração para sua marca. Horas antes de sua estreia solo na SPFW, anteontem, a estilista Fernanda Yamamoto se encantou com uma das camisetas criadas por Vitor Santos (ex-V.Rom) para a expô Oi Torcida. Enquanto experimentava o modelito, que será seu uniforme da Copa, Fernanda, que começou a carreira no Rio Moda Hype e foi pupila de Jum Nakao, extravasou: "Agora, depois deste primeiro desfile, é para valer!". Em tempo: Fernanda acabou de abrir uma loja na Vila Madalena.

 Ana Colla
Fernanda Yamamoto

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Jet-setters

Rafael Canas / Ag. Fotosite

André Lima é iluminado. Aquele tipo de ser humano que nunca tira o sorriso do rosto. Minutos antes do seu desfile, que encerrou esta edição da SPFW, ele caminhava pelo prédio da Bienal do Ibirapuera e parava para conversar com cada um dos amigos e fãs que o abordavam. Na primeira fila do estilista estava a amiga Camila Pitanga que, no dia do seu aniversário – a atriz completou 33 anos na segunda-feira – quis prestigiá-lo. E não só com a presença, mas também usando um vestido assinado por André. O estilista, que mudou-se de Belém para São Paulo em 1992 e depois estudou em Paris, com Marie Ruckie, no tradicional Studio Berçot, definiu a sua coleção como “sonho e experimentação”. E as mulheres suspiravam na plateia com aquela profusão de longos e curtos repletos de brilhos. Um caleidoscópio fascinante que alimenta a alma feminina.

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Moda angular

Divulgação

O cenário de um boteco de beira de estrada, o Vestígios Bar, chamava a atenção na SPFW. “O som criado pelo Paulo Beto, os televisores ligados, a desorganização organizada, tudo serve para estimular uma nova ordem. É possibilitar a quem observa o Bar uma nova relação da pessoa com o entorno. É como se tivéssemos teletransportado esse ambiente de algum lugar da cidade para dentro da SPFW”, comenta Jum Nakao, sobre sua instalação artística no prédio da Bienal. Durante os seis dias do evento, o bar que não tinha cores, nem texturas, se transformou ganhando uma espécie de roupa com hexágonos de tecido. “Assim, tornamos o invisível visível. É com a roupa que fazemos a interface com o mundo externo”, explica. E a moda, Jum? “Não podemos limitar nosso pensamento a desfiles e roupas. Moda é mais do que isso”, sentencia.

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Cultura costurada



Seguindo os passos do poeta Mário de Andrade (1893-1945), ao escrever o livro O turista aprendiz, o estilista Ronaldo Fraga – “quase sem perceber”– desbravou as regiões Norte e Nordeste do país com seus projetos voltados a conhecer o artesanato de cantos inimagináveis. E, mais uma vez, o fez... Com o projeto Pernambuco com Design, Ronaldo mostrou, na catwalk da SPFW, o trabalho das bordadeiras de Passira, no agreste pernambucano. “Sempre sonhei percorrer o caminho de Mário e quando comecei a inserir design em cooperativas e grupos de artesãos, acabei me tornando o tal turista aprendiz”, afirmou o estilista, cujas peças para o Verão têm “um país bordado de avessos reveladores. Ponto e linha desenham histórias de sobrevivência, amor e dor. Literalmente por um fio, pontos de um ofício ameaçado de extinção”, frisou.

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