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Capital Fashion Week e a diversidade como vitrine brasiliense

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Capital Fashion Week e a diversidade como vitrine brasiliense

Depois de comprovarmos in loco, no Distrito Federal, há 15 dias, e mostrarmos aqui o eco da sustentabilidade, da inclusão social e do novo luxo nos desfiles do Park Fashion, voltamos à Brasília para a oitava edição da Capital Fashion Week. Desta vez, o evento pilotado pela empresária Márcia Lima, além de ressaltar a chancela das cadeias produtivas da indústria da moda no Centro-Oeste, apresentou, pela primeira vez no Brasil, o desfile de três grifes italianas: Missoni, Mabro Antichi-Telai e Renato Balestra. Um start para as comemorações do Ano da Itália no Brasil, em 2011, sintetizando o aquecimento das relações comerciais e lembrando todo um passado de colonos italianos. A coluna pinçou highlights da Pocket Edition da CFW Inverno 2010:

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Márcia Lima

A arquitetura de Oscar Niemeyer, os jardins de Burle Marx e os paineis coloridos de Athos Bulcão andaram de mãos dadas com a moda apresentada na capital federal. Márcia Lima escolheu como tema desta edição os 50 anos de Brasília, ressaltando o pioneirismo de JK. Em tempos de baixa autoestima para muitos brasilienses com tantos escândalos envolvendo o governador do DF, José Roberto Arruda, a idealizadora da CFW disse: “É necessário mostrar nossa força produtiva. E o fizemos com vendas geradas através do CFBusiness e a parceria essencial com a Apex-Brasil e Sebrae-DF, além de mesclar a diversidade dos estilistas brasilienses com grifes internacionais”.

Como sempre frisamos aqui, é indiscutível o fato de que as principais semanas de moda do eixo Rio-SP são as grandes lançadoras de tendências e plataformas para novos talentos do país. Mas, precisamos voltar os olhos para as passarelas desse Brasil enorme e nos deleitarmos com nomes como Sann Marcuccy, que teve Jum Nakao como mestre e apresentou um dos mais belos desfiles-síntese de um amadurecimento conceitual. E olha o que eu disse anteriormente: a inspiração foi o universo da arquitetura urbana + uma fotomontagem de Athos Bulcão, denominada A invasão dos marcianos, de 1952, e um poema da artista Sandra Lima.

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Look Sann Marcuccy

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Look Sann Marcuccy

Outros destaques: Akihito Hira – que investiu na pesquisa dos looks dos integrantes da Missão Cruls, em 1892, ao Planalto Central, até os pioneiros dos canteiros de obras da construção da cidade, no governo de Juscelino Kubitschek – e Romildo Nascimento, ex-balconista de farmácia e de loja de tintas e que não esmorece nunca. “Vou mostrar minha arte, sempre. E acredito que vencerei”, disse Romildo.

Unir a tradição do artesanato têxtil ao prêt-à-porter ou à alta-costura é totalmente viável. E conferimos a estreia em solo brasileiro da Missoni. Na passarela, a coleção inspirada nos pensamentos do poeta francês, Paul Valéry. Este mês, a Missoni inaugura sua segunda loja no Brasil, na ala nobre do Iguatemi Brasília. As peças chegam já nos próximos dias para todos os pontos da grife ao redor do mundo. Foi apresentada a coleção Primavera-Verão, desfilada em 2009 na Milano Fashion Week e com um adendo: um colar com pingente-apito, contra agressores nas ruas. Vittorio Missoni, diretor de marketing da empresa, e o filho, Ottavio Missoni Jr., um dos responsáveis pela parte de produção da grife italiana, estiveram em Brasília. Segundo Ottavio Jr: “o Brasil se encontra em um crescimento contínuo, com ótimo desempenho na economia, no turismo, na exportação e importação, o que deu ao país a oportunidade de se reposicionar internacionalmente. Isso representa grande garantia para os investidores”.

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Missoni

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Vittorio e Ottavio Missoni Jr.

Federica Balestra esteve na capital federal a convite da Embaixada da Itália, representando a marca da família, Renato Balestra, com a coleção de alta-costura desfilada em Roma. Sempre repleta de estampas ou com o célebre azul consagrado há anos. “Em um mundo de catástrofes e crises financeiras, as mulheres precisam de autoestima e alegria no vestir”, comentou. Outro italiano, Antonio di Pietrantonio, dono da marca Mabro Antichi-Telai, com sua alfaiataria luxo-tradicional da Toscana, mostrou o Outono-Inverno europeu. “O Brasil está pronto para consumir uma alfaiataria de qualidade sob medida”, disse Pietrantonio.

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Federica Balestra

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Looks Renato Balestra

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Antonio di Pietroantonio

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Mabro

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Mabro

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Mabro

Sempre empenhado em ressaltar “o valor do design e as economias criativas”, Jum Nakao – o estilista que fez uma revolução na SP Fashion Week de 2004, quando pediu às modelos que rasgassem as roupas, feitas de papel vegetal, no final do desfile – continua o trabalho de orientar novos talentos, como Ana Paula Osório, Erika Duarte e Ivan Cerqueira, que desfilaram na CFW, assim como acompanhar Sann Marcuccy, Sandra Lima, Akihito Hira e Eliel Sallustiano, antigos pupilos. “Vejo o amadurecimento e a consistência necessária para a moda brasiliense. A nova geração sensibiliza pelo conteúdo. Faz um design transparente e sincero. Os jovens dão subsídio e oxigênio ao futuro da moda. Se a sociedade não responder, os novos valores não existirão. E todos serão sugados pelas marcas que querem ganhar mais e mais dinheiro em novas potências mundiais, como China, Índia, Rússia e Brasil”, desabafou. E Jum, quando teremos você de volta às passarelas? “Quem sabe? Agora, estou à frente de um exército da nova geração da moda. Preciso pegar o cavalo e seguir em frente com ele”.

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Wan Vieira, diretor artístico

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Sann Marcuccy e Thales Sabino

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Romildo Nascimento




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