Silvio Tendler
A consagração de Silvio Tendler
Só o processo de feitura do filme
Utopia e barbárie, vencedor da quarta edição do Festival do Paraná de Cinema, nas categorias Direção e Montagem, já daria um longa-metragem. O diretor
Silvio Tendler levou 19 anos para concluir o doc. que retrata a busca pela liberdade perdida em 1968 (“Este não foi simplesmente um ano, mas a construção de uma época”) até a eleição de
Barack Obama. “Achei que o filme estava pronto quando os EUA sofreram o atentado de 11 de Setembro. Mesmo assim, continuei filmando por mais um tempo. Foi a decisão certa, pois Obama só foi eleito por causa das mudanças provocadas pelo atentado”, explica o diretor. Com um vasto material, o papel do montador
Bernardo Pimenta foi fundamental. “Não queria me voltar para a nostalgia, e sim para o futuro. Foi o Bernardo quem trouxe esse olhar fresco e visionário”, pontua Silvio. A maior utopia e barbárie do século 20? “Para ser nacionalista, elejo a nossa luta pela democracia, nos anos 60, como a maior utopia, seguida pela maior barbárie: o que foi feito com o movimento”.
Nasi
Nasi: a mil por hora
O convite para atuar no longa-metragem
Sem fio não poderia ter vindo em melhor hora para Nasi. “Joguei toda a raiva do mundo no meu personagem, mas sempre de forma sarcástica”, conta o ex-vocalista do Ira, explicando a primeira experiência como ator. Como o diretor
Tiaraju Aronovich optou por um não-ator, Nasi preferiu não buscar aulas de interpretação: “Os anos de palco me deram uma base. Deixei-me guiar pelo Tiara”, lembra. E a experiência com o diretor acabou indo parar na música. Prestes a lançar o DVD de seu primeiro trabalho solo como músico, o cantor escolheu o cineasta para dirigir todo o conteúdo. Já quanto às futuras experiências como ator... “Faria um filme dirigido pelo
Selton Mello. Ele é criativo e não tem medo de experimentar”. O cantor ainda recorda os maus bocados pelos quais passou nos últimos anos, quando, em 2007, o irmão,
Airton Júnior, ex-empresário no Ira, tentou mover uma ação de interdição. “Ele quis provar que eu ainda me drogava. Era uma forma de ele manifestar a insatisfação pelo fim da banda. Mas não tinha jeito. O grupo já havia morrido dentro de mim”, declara Nasi.
Caco Ciocler
Cadê as férias?
Após o fim da novela
Caminho das Índias,
Caco Ciocler, se prepara, agora, para dois novos projetos. Em novembro, o moço estreia a peça
Na solidão dos campos de algodão, de
Bernard Marie Koltès (1948-1989), parte das comemorações do Ano da França no Brasil. O ator também está às voltas com o primeiro longa-metragem como diretor: “Já escolhi o protagonista,
Gero Camilo, e a equipe também está escalada”, adianta Caco. O ator acredita que encontrou o caminho para unir atuação e direção. “Quando estou dirigindo, tenho prazer em ajudar os atores, porque me deparo com minhas próprias dúvidas e limitações”. A experiência de viver um surdo em
O dia de ontem, filme exibido no Festival do Paraná, deixou dois marcos na vida de Caco: o casamento com a diretora de arte
Marina Previatto e... uma estranha coincidência. “Depois da conclusão das filmagens, descobri que estava perdendo a audição de um dos ouvidos. Revivi o conflito do personagem”, lembra.

Daniela Escobar
Sonho antigo
Durante o Festival de Cinema do Paraná,
Daniela Escobar desempenhou uma função que está cada vez mais habituada a exercer: a de jurada de festivais. Com essa, já são sete experiências. Em Curitiba, onde presidiu o júri de curtas-metragens, a atriz e, agora, também estudante de cinema em Los Angeles, optou pelo olhar técnico na hora de eleger os vencedores. “Cinema é arte, mas os critérios técnicos são fundamentais. Estudo minuciosamente os detalhes da direção de fotografia. Se a câmera estiver tremida, fico até tonta!”, explica Daniela. Apesar de ter começado a carreira na televisão, o cinema sempre foi o objetivo principal dela. “Decidi ser atriz por causa do cinema. Formei-me no teatro, me destaquei na tevê, mas nunca conseguia espaço na telona. Só agora resolvi realizar meu maior sonho”, revela Daniela. No caminho inverso da maioria dos colegas, a estudante em terras americanas se prepara para encarar o desafio de ser roteirista. “Já tenho dois roteiros para curtas prontos. Adoro escrever, mas preciso me desapegar um pouco das histórias. Sou muito descritiva e faço observações pessoais no roteiro, mas sei que, na maioria das vezes, os diretores não acatam as sugestões”, confessa. A um ano da formatura, a futura bacharel já pensa no que fazer com o trabalho de conclusão. “Quero adaptar o roteiro para o português e filmá-lo”, planeja Daniela.