O elenco da novela global
Cama de gato reuniu-se, anteontem, na livraria Argumento, no Leblon, para o lançamento do livro
Outros autores, da escritora e autora da trama
Thelma Guedes. “Já coloco esse pessoal para trabalhar para caramba e, não satisfeita, os faço ler trechos do meu livro”, brincou Thelma, referindo-se a
Camila Pitanga, Heloísa Périssé, Carmo Dalla Vecchia, Ângelo Antônio e Paula Burlamaqui. A leitura emocionou os convidados, o resto do elenco e a própria Thelma, que não conseguiu conter as lágrimas ao final das apresentações de seus textos, todos baseados em autores que marcaram sua vida . E falando em autores marcantes... Fomos perguntar aos atores quem são seus escritores de cabeceira. “São tantos! Mas citaria
Hilda Hilst e
Clarice Lispector”, disse Camila Pitanga. Já Carmo Dalla Vecchia, foi bairrista: “Curto muito
Lya Luft,
Caio Fernando Abreu e
Luis Fernando Veríssimo”, disse o gaúcho. “
Gabriel Garcia Marquez é incrível. Cem anos de solidão marcou a minha vida”, contou Heloísa Périssé. Mas, entre tantos nomes ilustres, a estrela da noite era mesmo Thelma: “Ela é demais. Ganhei uma amiga fora dos estúdios”, declarou Camila Pitanga.
Um papinho com | Thelma Guedes
Entre uma noite de autógrafo e um novo capítulo da novela Cama de gato , Thelma trocou umas palavrinhas conosco.
Quando descobriu que escrever era a sua sina?
– Desde que me entendo por gente. Quando comecei a aprender a ler e a escrever, ficava atrás da minha mãe, recitando poemas meus. Era uma pentelha! Mas eu lia e escrevia o tempo todo. Sempre soube que queria viver fazendo isso, porque o universo dos livros me encantava. Quanto mais eu lia, mais esse desejo e essa convicção cresciam.
Três conselhos a um novo escritor?
– O primeiro: não se afastar da matéria-prima da literatura, que é a vida. O segundo: ler muito, muito, muito mesmo. Terceiro: escrever o tempo todo. Quanto mais se escreve, melhor se escreve. Escrever é exercício. Você pediu três. Mas eu daria um quarto: escrever sem pensar no sucesso, mas no processo.
Fala-se muito do mercado fonográfico e discute-se pouco a questão dos livros no Brasil...
– Eu não me sinto dentro do mercado, porque não consigo furar o bloqueio. Uma coisa chata que observo é que autores estrangeiros parecem ter maior facilidade de estar em evidência no nosso mercado do que os autores nacionais. Mas o que mais me preocupa mesmo é saber que as pessoas estão lendo menos no nosso país. Acredito que a poesia, a literatura, a arte, a cultura de um povo são a expressão e o alimento da alma desse povo.
Qual o legado da sua obra?
– Quem tem que identificar qual é o legado de uma obra é o leitor dela. Acho que foi a Clarice Lispector que disse que escrevia para fazer a sua alma cantar. É o que sinto. Se alguém ouvir esse canto e se emocionar, terei alcançado o propósito.