PHILIPPE JAROUSSKY EM ENTREVISTA
O contratenor francês Philippe Jaroussky é hoje, aos 30 anos, uma das grandes estrelas da cena lírica internacional. A maior revelação vocal do novo século, Jaroussky se apresenta hoje na Sala Cecília Meireles, acompanhado pelo pianista Jérôme Ducros, em um programa inusitado para seu registro vocal, a canção de arte francesa, a mélodie do século XX e da segunda metade do século XIX. Seu debut profissional aconteceu em festivais franceses de música antiga, como os de Ambronay e Royaumont, chamando a atenção pela qualidade de seu canto e de sua interpretação, logo a seguir, em óperas de Claudio Monteverdi, de Vivaldi e de Scarlatti. Nestas, sua técnica excepcional, sua grande extensão vocal e seu impressionante virtuosismo se destacaram em um repertório originalmente concebido para os célebres castrati do período barroco. Com uma carreira em ascensão fulgurante e uma já imensa discografia, um solícito Philippe Jaroussky nos concedeu uma entrevista na Sala Cecília Meireles, onde ensaiava na tarde desta segunda. Originalmente violinista, Jaroussky falou de seu encontro com a arte do canto aos 18 anos, quando descobriu as suas possibilidades vocais como contratenor, especialmente em um registro raro, de sopranista, seus estudos com Nicole Falien e seu início de carreira aos 20 anos. Inicialmente tímido em relação à representação em palcos operísticos, consagrou-se em papéis virtuosísticos das opere serie (óperas sérias) de Handel e Vivaldi, que tem gravado com bastante freqüência com os melhores maestros e conjuntos de música antiga da Europa. Apesar do sucesso na ópera, sente-se especialmente envolvido pelo caráter pessoal e intimista dos recitais de câmara, que vem realizando com mais freqüência nos últimos tempos, abordando um repertório inicialmente não associado a seu tipo de voz, como a mélodie. Citou, como duas referências vocais na sua carreira, Maria Callas e Cecilia Bartoli, a primeira pela procura da verdade dramática através de seu canto, a segunda, por sua imensa capacidade e seu interesse em resgatar repertórios negligenciados, algo que o tem estimulado bastante, em especial, as opere serie do fim do período barroco, como de Jomelli, Graun e Hasse, injustamente esquecidas e que influenciaram a geração seguinte de compositores, como Mozart. Do passado ao presente, Jaroussky pretende se dedicar também a obras compostas especialmente para ele, retomando uma tradição que remonta ao pós-guerra, com as primeiras composições modernas para contratenor de Benjamin Britten, concebidas para o célebre Alfred Deller. Hoje, sua arte inconfundível brilha no consagrado palco da Lapa. Imperdível!

Assita à performance impressionante de Philippe Jaroussky da ária A dispetto d'un volto ingrato, da ópera Tamerlano, de Händel. Ao cravo, Emanuelle Haïm, e instrumentistas do seu Le Concert D'Astrée (Stéphanie-Marie Degand ao violino e Atsushi Sakai ao violoncelo).
Ouça agora a sua interpretação para a ária Lascia ch'io pianga, da ópera Rinaldo, de Händel.
Veja mais vídeos excepcionais em meu post de ontem!

Assita à performance impressionante de Philippe Jaroussky da ária A dispetto d'un volto ingrato, da ópera Tamerlano, de Händel. Ao cravo, Emanuelle Haïm, e instrumentistas do seu Le Concert D'Astrée (Stéphanie-Marie Degand ao violino e Atsushi Sakai ao violoncelo).
Ouça agora a sua interpretação para a ária Lascia ch'io pianga, da ópera Rinaldo, de Händel.
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