Arquivo de February 2010

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DESAFIO MUSICAL

A Associação Cultural Música é Vida vem realizando quinzenalmente, no auditório da Modern Sound, em Copacabana, ótimos vídeoconcertos comentados, divididos em duas séries: uma tradicional, com o repertório consagrado das salas de concerto, e uma chamada Desafio Musical. Nesta, o repertório abordado compreende composições que, por diversos motivos, são negligenciadas ou pouco conhecidas, mas que merecem um lugar de destaque no cânone musical ocidental.

Anton BrucknerAnton Bruckner
Anton Bruckner

Hoje, dia 27 (16h), o 5º vídeoconcerto da série Desafio apresenta a monumental Sinfonia no.8, a última terminada pelo austríaco Anton Bruckner (que tem ainda a 9ª, inacabada). Em uma performance de inegável valor histórico e alta qualidade artística, assistiremos à Filarmônica de Viena regida por Pierre Boulez em concerto gravado em 1996, ano do centenário de morte do compositor, na Igreja de St.Florian (Linz – Áustria), onde Bruckner atuou como organista durante décadas e onde foi sepultado.

Pierre Boulez
Pierre Boulez

Assistamos ao trailer da gravação que será exibida hoje:

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REDESCOBRINDO PROKOFIEV

Um dos compositores emblemáticos do século XX, o russo Sergei Prokofiev teve a première, 57 anos após a sua morte, de obras recentemente descobertas.

O pianista Boris Berman, especialista maior na obra do compositor russo, acaba de executar, com seus alunos da Universidade de Yale, a versão camerística da Música para Exercícios Atléticos.

Boris Berman
Boris Berman

A obra foi composta em 1939 para a realização de uma grandiosa parada de atletas soviéticos na Praça Vermelha, em Moscou, e, para tanto, deveria ser executada em larga escala. A apoteose acabou não acontecendo porque o diretor encarregado, o célebre Meyerhold, foi aprisionado e executado. Somente em 2004 um fac-simile do manuscrito de Prokofiev foi publicado.

O concerto, realizado no Zanker Hall de Nova York, apresentou também dois movimentos recém-descobertos do ballet Trapézio, composto por Prokofiev em 1924, sua fase mais abrasiva e vanguardista, antes do retorno à União Soviética.

Sergei Prokofiev
Sergei Prokofiev

Completando a série de estreias, Berman e o tenor Rolando Sanz interpretaram um fragmento de 20 minutos, localizado em um arquivo moscovita, de uma ópera inacabada, Mares Distantes, que Prokofiev começou a compor em 1948.

Baseada em uma comédia de erros, a ópera, simples e acentuadamente melódica, seria uma “resposta” de Prokofiev ao governo soviético que, naquele ano, recrudescera as acusações e perseguições aos compositores que não se adequavam aos ideais populistas do regime.

Ouçamos: Boris Berman interpreta Sarcasmus, opus 17-1, "Tempestoso", de Sergei Prokofiev (photovideo com imagens de Dali e Magritte):

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CELEBRANDO CHOPIN, O POETA DO PIANO

Uma das grandes efemérides musicais de 2010 é o bicentenário de nascimento do compositor polonês Frédéric Chopin (1810-1849). Chopiníssimo marca a abertura das comemorações brasileiras dedicadas ao “poeta do piano” nos próximos dias, no Teatro SESI/Rio (Av.Graça Aranha no.1), dentro da programação oficial internacional do Ano Chopin.

A pianista Linda Bustani
A pianista Linda Bustani

Elaborado por Eli Rocha com roteiro de Viviane Mosè, Chopiníssimo começa nesta segunda, dia 22 (19h), data de aniversário do compositor, com um belo concerto cênico envolvendo três artistas do mais alto quilate. O ator Fernando Eiras dá vida às ideias e sentimentos de Chopin, enquanto suas obras serão interpretadas pela pianista Linda Bustani e pela mezzo-soprano Carolina Faria. A escolha do repertório recaiu sobre composições menos executadas, como as Variações Brilhantes, opus 12, e as Melodias Polonesas, estas raramente cantadas no país.

Fernando EirasCarolina Faria
Fernando Eiras - Carolina Faria

Antes do concerto cênico, o projeto inaugura, no foyer do Teatro SESI, uma indispensável exposição de fotografias cedidas pelo Instituto Fryderyk Chopin, de Varsóvia. O acervo mostra partituras, documentos, objetos, pinturas e gravuras relevantes para a maior compreensão da vida e obra do compositor, tanto em sua terra natal como em seu período radicado na França. A exposição permanece aberta até a sexta-feira, dia 26, das 14 às 19h30.

Chopin fotografado no ano de sua morte, 1849
Chopin fotografado no ano de sua morte, 1849

Na terça, dia 23, às 15h, apresento um “bate-papo com Chopin”, palestra multimídia em que comento algumas de suas composições mais importantes, verdadeiros marcos da literatura pianística, através de gravações em DVD com alguns dos maiores intérpretes chopinianos de ontem e de hoje.

O projeto se encerra na quarta com a exibição de À Noite Sonhamos (A Song to Remember), filme realizado em 1945 por Charles Vidor, com Cornel Wilde vivendo Chopin e Merle Oberon como a sua grande paixão, a escritora Aurore Dupin, mais conhecida por seu pseudônimo George Sand.

George Sand e Frédéric Chopin retratados por Delacroix
George Sand e Frédéric Chopin retratados por Delacroix

A festa chopiniana inaugura a programação 2010 do Sistema FIRJAN que, através do SESI-RJ, promoverá também outras atividades culturais voltadas para a música clássica, com uma programação variada e necessária.

Chopiníssimo segue para Curitiba em abril e, em maio, chega a São Paulo.

Ouçamos alguns grandes momentos da obra imortal de Chopin:

- O prodígio chinês Yundi Li interpreta a sua Fantasie-Impromptu, opus 66:


- O pianista polonês Krystian Zimerman toca a sua Ballade no.1:


- Polonaise opus 53 (Heróica) interpretada pelo legendário Arthur Rubinstein:


- E a leitura de Nicolai Lugansky para o Noturno opus 27, no.2:

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MÚSICA NO MUSEU

A Série Música no Museu inicia as suas comemorações do Ano Chopin nesta terça, dia 23, com um recital da pianista Fany Lowenkron integralmente dedicado à obra do compositor polonês, no Museu da República (12h30).

Amanhã, o pianista Boris Marques toca de Villa-Lobos a Gershwin, passando por Lecuona e Michel Legrand (MAM, 12h30). Outros bons concertos da semana, sempre gratuitos, incluem a pianista Marianna Lima interpretando a Sonata opus 109, de Beethoven e, com Gabriel Novotný, a Fantasia para un gentilhombre, do espanhol Joaquín Rodrigo (quarta, 12h30, CCBB).



O violonista Phelipe Henriques executa composições próprias e de Villa-Lobos no Real Gabinete Português de Leitura (quinta, 12h30) e, na sexta, o Museu Histórico Nacional recebe o Grupo Cordas Douradas.

O violonista e compositor Gaetano Galifi é o artista especial do recital de sábado, dia 27, no Museu Parque das Ruínas (11h30). O argentino radicado no Brasil interpreta obras autorais e adaptações para seu instrumento de composições de Chopin, Bach e Paganini.

Museu Parque das Ruínas - foto de Leandro Marins
Museu Parque das Ruínas (foto de Leandro Marins)

No MAM, domingo 28, os pianistas Itajara Dias e seu filho, Vinícius Dias, interpretam compositores russos, Beethoven (Sonata ao Luar) e o Estudo Revolucionário de Chopin.

Confira um pouco da obra de Gaetano Galifi, que executa a sua composição Escorpião, do álbum Amazonas Poema Violonístico:

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BACHIANA BRASILEIRA PREMIADA

A Sociedade Musical Bachiana Brasileira foi agraciada com o 1º Prêmio de Cultura do Estado do Rio, resultado inteligente da unificação de três prêmios existentes anteriormente: o Golfinho de Ouro, Estácio de Sá e Governo do Rio de Janeiro.

Ricardo Rocha rege a Cia.Bachiana Brasileira
Ricardo Rocha rege a Cia.Bachiana Brasileira

De uma lista tríplice em 15 categorias, que englobam da literatura à gastronomia, o vencedor foi anunciado na quarta passada no Teatro João Caetano. A cerimônia prestou merecidas homenagens especiais a Heitor Villa-Lobos, ao diretor Augusto Boal e à atriz Fernanda Montenegro.

A categoria música erudita reconheceu o trabalho artístico de notável integridade da Cia. Bachiana Brasileira e de seu maestro Ricardo Rocha, que recebeu o prêmio das mãos do maestro Roberto Minczuk. Uma escolha sábia e meritória, que deixa uma marca auspiciosa de qualidade nesta 1ª edição.

Maestro Ricardo Rocha
Maestro Ricardo Rocha

A última apresentação de 2009 da Cia. Bachiana Brasileira, a primeira execução em 50 anos da bela Missa Pastoril do Pe. José Maurício Nunes Garcia (1767-1830), também marcou o lançamento de outro projeto indispensável: a disponibilização em DVD-ROM e na web (www.acpm.com.br) do acervo da musicóloga e maestrina Cleofe Person de Mattos, a principal pesquisadora e responsável pelo resgate da obra de nosso maior compositor colonial.



Assistamos ao vídeo institucional da Cia.Bachiana Brasileira (criado por Luiz Duarte):

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OSB REALIZA AUDIÇÕES

Importante para os jovens talentos do país: a Orquestra Sinfônica Brasileira, que completa setenta anos de atividades, abriu inscrições (até dia 3 de março!) para ampliação de seu corpo orquestral e preenchimento de vagas: 8 para violinos, 3 em viola, 2 para violoncelo e 1 respectivamente para clarineta, fagote, trompa, trompete e trombone.

Já a OSB Jovem, comemorando seus 10 anos de vida, aumentou de 60 para 83 o seu número de integrantes, preparando-se para uma temporada especial. As inscrições para a seleção dos instrumentistas para a orquestra-academia da OSB podem ser realizadas até a próxima quinta, dia 18.

Maiores informações podem ser obtidas no site da orquestra (www.osb.com.br).

Orquestra Sinfônica Brasileira
Orquestra Sinfônica Brasileira regida por Roberto Minczuk

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GRANDES MOMENTOS NO MET

O programa Ópera Completa da Rádio MEC FM continua as aguardadas e imperdíveis transmissões semanais da temporada 2009-2010 do maior teatro lírico norte-americano, o Metropolitan Opera de Nova York. Sempre aos domingos, às 15 horas, as transmissões cariocas acontecem uma semana depois do broadcast ao vivo do MET.

Plácido Domingo como Simon Boccanegra, de Verdi, no MET
Plácido Domingo como Simon Boccanegra, de Verdi, no MET

O Rio poderá conferir hoje mais um grande feito do tenor Plácido Domingo: a sua estreia norte-americana na personagem-título da ópera Simon Boccanegra, de Giuseppe Verdi. Aos 69 anos e dono de uma carreira artística inigualável, Domingo assume um papel concebido para a voz de barítono, repetindo a sua soberba atuação como Boccanegra nos palcos de Berlim e Londres em 2009, recebida com unanimidade pela crítica internacional.

Plácido Domingo como Simon Boccanegra em Berlim
Plácido Domingo como Simon Boccanegra em Berlim

O tenor italiano Marcello Giordani assume o principal papel para tenor, que foi de Plácido Domingo na estreia desta produção do MET, concebida por Giancarlo del Monaco, em 1995 (disponível em DVD). Recentemente visto no consagrado palco nova-iorquino como Calàf, na Turandot de Puccini, Giordani interpreta Gabriele Adorno, apaixonado por Amelia, filha perdida e reencontrada de Boccanegra em uma das tramas mais convolutas da história da ópera. A protagonista feminina será vivida pela soprano canadense Adrianne Pieczonka, uma excelente intérprete wagneriana incursionando pela lírica italiana.

Adrianne Pieczonka
Adrianne Pieczonka

Outra grande voz wagneriana, e um dos maiores intérpretes do Wotan da célebre tetralogia, o sexagenário baixo norte-americano James Morris interpreta Jacopo Fiesco, o principal inimigo do doge de Gênova, Boccanegra, e avô de sua filha desconhecida. No pódio, um dos mais intransigentes defensores da ópera em questão, o veteraníssimo diretor artístico do MET, maestro James Levine.

Marcello Giordani
Marcello Giordani

Composta originalmente em 1857, a ópera de Giuseppe Verdi sofreu importantes revisões com o auxílio do libretista e compositor Arrigo Boito, que seria responsável pelos textos das duas obras-primas finais de Verdi: Otello e Falstaff. É nesta versão final estreada em 1881, com inserções de alto valor dramático e musical, que Simon Boccanegra é habitualmente encenada.

Simon Boccanegra, de Verdi, na produção de Giancarlo del Monaco para o MET
Simon Boccanegra, de Verdi, na produção de Giancarlo del Monaco para o MET

Na atual temporada do MET, o plural e incansável Plácido Domingo também regeu com convicção outra obra verdiana, Stiffelio, somando mais um título a sua já profícua carreira como maestro, iniciada em 1984. Transmitida no último domingo, Stiffelio contou com as performances do tenor argentino José Cura e da soprano Julianna Di Giacomo, uma estrela em ascensão na cena lírica.

Dame Kiri Te Kanawa
Dame Kiri Te Kanawa

No próximo domingo, a MEC FM transmite outro grande momento: a provável despedida do MET da diva neozelandesa Dame Kiri Te Kanawa. Uma das mais belas e extraordinárias vozes do último século, Kiri vive a Duquesa de Krakenthorp na ópera cômica de Gaetano Donizetti, A Filha do Regimento.

Diana Damrau e Juan Diego Flórez em A Filha do Regimento, no MET - foto de Sara Krulwich
Diana Damrau e Juan Diego Flórez no MET, em A Filha do Regimento (foto de Sara Krulwich)

A movimentada e deliciosa montagem de Laurent Pelly para A Filha do Regimento, co-produção com a Royal Opera House de Londres e com a Ópera de Viena, estreou no MET em 2007 com imenso sucesso. Os protagonistas foram interpretados por uma estupenda Natalie Dessay (uma atriz inigualável) e pelo maior tenor di grazia da atualidade (ou mesmo de todos os tempos), o peruano Juan Diego Flórez, que reassume o seu papel na nova temporada da ópera de Donizetti. Como Marie, a órfã criada por um batalhão de soldados, outro excepcional soprano coloratura, a alemã Diana Damrau.

Juan Diego Flórez em La Fille du Régiment, de Donizetti, no MET
Juan Diego Flórez em La Fille du Régiment, de Donizetti, no MET

Na retomada da produção no último dia 6, ovacionada ao entrar no palco do MET, Kiri Te Kanawa levou a plateia ao delírio ao fazer acréscimos cantados a um papel originalmente apenas falado. Vocalizando temas orquestrais da abertura da ópera e interpretando a Canción al Arbol del Olvido, de Alberto Ginastera, Dame Te Kanawa comprovou a longevidade de seu belíssimo timbre e a classe indestrutível de seu talento.

Kiri Te Kanawa em La Fille du Régiment, no MET - foto de Sara Krulwich
Kiri Te Kanawa em La Fille du Régiment, no MET (foto de Sara Krulwich)

Ouçamos o estupendo finale do Ato I do Simon Boccanegra, de Verdi. Gravação realizada no MET em 2 de fevereiro de 2010, com Plácido Domingo, Adrianne Pieczonka, Marcello Giordani, James Morris, Stephen Gaertner (como Paolo) e James Levine (regência) (photovideo):


NO MET, em 1995, Plácido Domingo interpreta Gabriele Adorno na estreia da produção de Giancarlo del Monaco para Simon Boccanegra, de Verdi:


Ouçamos a performance vocal inacreditável de Juan Diego Flórez na ária Ah, mes amis!, da ópera La Fille du Régiment, de Donizetti (gravada em Londres, Royal Opera House, 2007):


Assista agora ao trailer da estreia da produção de Laurent Pelly para La Fille du Régiment, de Donizetti, na Ópera de San Francisco, com Diana Damrau e Juan Diego Flórez:

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MÚSICOS DO BRASIL NA RÁDIO MEC

A Rádio MEC-FM reprisa aos domingos, ao meio-dia, o ciclo dedicado a uma das maiores intérpretes brasileiras, Guiomar Novaes. Nos próximos programas, ouviremos a grande pianista interpretando, com seu toque inconfundível, Mozart e Debussy (hoje), o concerto no.5, o Imperador, de Beethoven, (dia 21) e o concerto no.2, de Chopin, com a Sinfônica de Viena regida por Otto Klemperer (dia 28).

Guiomar Novaes
Guiomar Novaes

Ouçamos a Sonata no.3, em Si menor, de Chopin (1o.movimento - Allegro maestoso) interpretada por Guiomar Novaes:


Na série “Música e Músicos do Brasil” do próximo sábado (dia 20, meio-dia), o violonista Marcos Alan, falecido precocemente aos 17 anos (em 1973), interpreta obras autorais e de Villa-Lobos. No programa, Lauro Gomes entrevista a também violonista Graça Alan, que fala sobra a vida e a carreira do irmão.

Graça Alan
Graça Alan

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OS LAUREADOS DO GRAMMY 2010

Considerado o Oscar da Música nos EUA, o Grammy é a mais importante premiação da indústria fonográfica norte-americana. Um verdadeiro termômetro do mercado, os prêmios, que contemplam todos os gêneros musicais e tem uma versão latina, não refletem necessariamente os méritos artísticos. Contudo, apesar da ênfase comercial e nos artistas norte-americanos, o nicho erudito agracia geralmente (mas nem sempre!), gravações de alta qualidade em suas categorias.



A 52ª edição do Grammy premiou, em cerimônia realizada na última semana, a gravação da Sinfonia no.8, de Gustav Mahler, pela Orquestra Sinfônica e Coro Sinfônico de San Francisco, regidos por Michael Tilson Thomas, como o álbum clássico do ano. Lançado pelo selo da orquestra californiana, o SFS Media, a performance da sinfonia mahleriana, composta para um gigantesco efetivo coral e orquestral (daí a denominação “dos mil”), contou com solistas do nível das sopranos Laura Claycomb e Erin Wall, das mezzo-sopranos Yvonne Naef e Katarina Karnéus, do tenor Anthony Dean Griffey e do baixo James Morris (o grande Wotan, da tetrologia de Wagner O Anel do Nibelungo, das últimas décadas).

Michael Tilson Thomas rege a San Francisco Orchestra na Sinfonia no.8, de Mahler
Michael Tilson Thomas rege a San Francisco Orchestra na Sinfonia no.8, de Mahler

A gravação de Tilson Thomas, realmente notável, inclui o Adagio da sinfonia no.10 de Mahler e venceu também na categoria performance coral. Neste quesito, fica difícil aceitar o resultado com a presença do extraordinário grupo inglês The Sixteen, do maestro Harry Christophers, em uma gravação irretocável dos Coronation Anthems de Händel.



O álbum da Orquestra de San Francisco competiu com gravações de peso, e sucesso de vendas, como a execução da Mass (Missa), do compositor e maestro Leonard Bernstein, pela Orquestra Sinfônica de Baltimore regida pela carismática Marin Alsop (selo Naxos). A interpretação de mais alto nível na categoria é da ópera O Nariz, de Shostakovich, por um idiomático Valery Gergiev e as forças da Orquestra e Coro do Teatro Mariinsky de São Petersburgo, na quarta gravação oficial do selo Mariinsky. Outra gravação concorrente, da obra Daphnis et Chloé, de Maurice Ravel, interpretada por James Levine à frente da Orquestra Sinfônica de Boston e Coro do Festival de Tanglewood (selo da própria Boston Symphony Orchestra), foi a vencedora na categoria melhor performance orquestral. Ravel se fez presente novamente no quinto álbum da lista, a ópera L’Enfant et les Sortilèges, regida por Alastair Willis no pódio da Orquestra Sinfônica de Nashville (selo Naxos).



Com a crise do mercado fonográfico, observa-se a tendência das principais orquestras mundiais em oferecer suas interpretações através de selos próprios, independentes, que se consolidam como a melhor resposta ao declínio das grandes gravadoras. Além das que citei, destacam-se a Concertgebouw de Amsterdam e a Sinfônica de Londres entre as de maior vitalidade e número de gravações de qualidade na cena atual.

Daniel HardingBilly Budd
Daniel Harding - Billy Budd

A melhor performance de ópera coube a uma excelente interpretação de Billy Budd, do compositor inglês Benjamin Britten, pelo maestro Daniel Harding (à frente da Sinfônica de Londres) e intérpretes excepcionais, como o tenor Ian Bostridge, o barítono Nathan Gunn e o baixo Jonathan Lemalu. A gravação da Virgin Classics concorreu com outras quatro ótimas leituras, como as da ópera Saint François D’Assise, de Olivier Messiaen, por Ingo Metzmacher, e a já comentada O Nariz, de Shostakovich, por Gergiev. Um dos compositores mais prolíficos do momento, o chinês Tan Dun concorreu com a gravação de sua ópera Marco Polo (com a Orquestra de Câmara Holandesa e Capella Amsterdam). Completou a lista uma raridade que merece ser descoberta, a ópera Volpone, de John Musto, regida por Sara Jobin.

Renée Fleming
Renée Fleming

A grande diva norte-americana, soprano Renée Fleming, foi premiada (pela terceira vez) com o seu disco Verismo Arias, lançado pela Decca, na categoria performance vocal. O álbum de Fleming traz uma artista no apogeu de suas possibilidades vocais e expressivas abordando com finesse e estilo o período verista da ópera italiana.



Com a Orchestra Sinfonica di Milano Giuseppe Verdi regida por Marco Armiliato, La Fleming interpreta um repertório nada óbvio, com árias das óperas Iris e Lodoletta (de Mascagni), Siberia e Fedora (de Umberto Giordano), Conchita (de Zandonai), Gloria (de Francesco Cilea), La Wally (de Catalani), Zazà e La Bohème (de Leoncavallo). Do nome maior do verismo, Giacomo Puccini, Renée nos oferece árias de Suor Angelica, La Rondine, Manon Lescaut, Turandot e La Bohème, permitindo um interessante exercício de comparação com sua homônima menos famosa, composta por Leoncavallo.

Anne Sofie von OtterJuan Diego Flórez

A categoria vocal ofereceu um desafio extra à comissão julgadora, ao justapor a brilhante performance de Renée Fleming a outras interpretações não menos inspiradas, como uma perfeita e pungente Anne Sofie Von Otter em árias de Bach (Deutsche Grammophon, selo Archiv), um recital belíssimo de Lorraine Hunt Lieberson em Ravinia(Harmonia Mundi), um programa de canções francesas interpretadas com o charme habitual de Susan Graham (Onyx) e a vocalização d’agilità estratosférica do tenor Juan Diego Flórez em Bel Canto Spectacular(Decca).

Evgeny Kissin
Evgeny Kissin

Na categoria solista instrumental com orquestra, o virtuose pianista russo Evgeny Kissin venceu com sua abordagem intensa dos concertos para piano nos. 2 e 3, de seu compatriota Sergei Prokofiev, com a Orquestra Philharmonia regida por outro notável pianista, Vladimir Ashkenazy (EMI Classics).



A violonista Sharon Isbin ganhou como melhor solista instrumental (sem orquestra) por sua gravação Journey to the New World (Sony Classical), contendo premières de obras de John Duarte (Joan Baez Suite) e do violinista Mark O`Connor. A norte-americana Isbin derrotou as francas favoritas (e, sem dúvida, merecedoras), pianistas Maria João Pires (em uma performance arrebatadora de Chopin) e a jovem virtuose chinesa Yuja Wang em sua soberba leitura de Estudos e Sonatas de Liszt, Chopin, Scriabin e Ligeti (os dois CDs foram lançados pela Deutsche Grammophon).



Em música de câmara, o eterno favorito do Grammy, e um dos melhores quartetos do mundo (como os cariocas puderam muito bem conferir no ano passado), o Emerson String Quartet ganhou mais uma vez por sua gravação Intimate Letters (DG). No programa, interpretações estupendas de obras de dois grandes nomes tchecos, Janácek e Bohuslav Martinu.



Como melhor execução de pequeno conjunto, Paul Hillier e seu notável Theatre of Voices , com o Ars Nova Copenhagen, foram os vencedores pela estreia da obra The Little Match Girl Passion (Harmonia Mundi), compositação instigante do californiano David Lang premiada com o Pulitzer de Música em 2008.

Jennifer Higdon
Jennifer Higdon

No quesito melhor composição contemporânea, que agracia a melhor obra que teve a sua première no último ano, o Grammy reconheceu o talento de Jennifer Higdon em seu Concerto para Percussão, gravado por Marin Alsop e a Filarmônica de Londres. Os concorrentes incluíam nomes de peso como George Crumb, Arvo Pärt e Roberto Sierra (e sua bela Missa Latina Pro Pace).

Plácido Domingo
Plácido Domingo

O tenor (e agora barítono) Placido Domingo recebeu o Prêmio Especial de Mérito por sua carreira sem paralelo na música. E, como não poderia deixar de ser em se tratando de Grammy, há um prêmio para álbum crossover que, neste ano, foi para Yo-Yo Ma & Friends: Songs of Joy and Peace, uma combinação de estilos nem sempre bem resolvida.

Vale lembrar que o recordista de prêmios Grammy em qualquer gênero musical é o legendário maestro Sir Georg Solti, vencedor nada menos que 31 vezes.

Michael Tilson Thomas e Renée Fleming
Michael Tilson Thomas e Renée Fleming

Assistamos a alguns vídeos das gravações laureadas pelo Grammy:

- Michael Tilson Thomas rege a Sinfonia no.8, de Mahler, com a San Francisco Orchestra:


- Renée Fleming em Verismo Arias:


- A gravação de Billy Budd, de Britten, pela Virgin Classics:


- Evgeny Kissin grava os Concertos para piano nos.2 e 3, de Prokofiev, com Vladimir Ashkenazy:

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CONCERTOS INTERNACIONAIS DO MOZARTEUM BRASILEIRO

O Mozarteum Brasileiro, uma das mais importantes associações culturais do país, realiza 8 concertos internacionais em São Paulo em sua temporada 2010. Os concertos, que acontecem na Sala São Paulo e no Teatro Alfa, começam em abril com o Ensemble Berlin, conjunto de câmara formado por integrantes da Filarmônica de Berlim. Seguem com o Waldstein Quartet e a Oslo Camerata (maio). A célebre NDR Radiophilharmonie Hannover, regida por Eiji Oue, se apresenta em junho com a violinista Isabelle van Keulen.

Ensemble Berlin
Ensemble Berlin

Em agosto, a premiada Sinfônica de Heidelberg, regida por seu fundador Thomas Fey, interpreta o concerto para piano no.21, de Mozart, com o jovem pianista Haiou Zhang, entre obras de Haydn e Salieri. Um nome em ascensão no cenário internacional, o violoncelista Leonard Elschenbroich toca o concerto para violoncelo de Dvorák com a Sinfônica Heliópolis, regida por seu diretor artístico, Roberto Tibiriçá.

Haiou ZhangLeonard Elschenbroich
Haiou Zhang - Leonard Elschenbroich

Em setembro, um grande momento, e o único a vir ao Rio: Zubin Mehta com a centenária Filarmônica de Munique. O encerramento com chave de ouro da temporada será com a Orquestra Bach da Gewandhaus de Leipzig e os Meninos Cantores de São Tomás executando a Missa em Si menor, de Bach, regidos por Georg Christoph Biller.

Zubin Mehta
Zubin Mehta

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O PIANO VIRTUOSO

A Associação Cultural Música é Vida caminha para seu 10º vídeoconcerto comentado e prepara novas programações. Neste sábado, dia 6 (16h), no auditório multimídia da loja Modern Sound, em Copacabana, assistiremos a obras dos dois grandes pianistas virtuoses da era romântica, Frédéric Chopin e Franz Liszt, interpretadas pelos maiores virtuoses da nova geração, como os chineses Lang Lang e Yundi Li, o canadense Marc-André Hamelin e o francês François-Frédéric Guy.

Lang LangYundi Li
Lang Lang - Yundi Li

Ícones da arte pianística do último século também participam da seleção. O grande Alfred Brendel, que se retirou dos palcos em 2008, aos 77 anos, imprime a sua marca na “fantasia quasi sonata Aprés une lecture de Dante”, de Liszt. O legendário pianista russo Sviatoslav Richter interpreta peças que revolucionaram a técnica para o instrumento, os Estudos opus 10, de Chopin.

Alfred BrendelSviatoslav Richter
Alfred Brendel - Sviatoslav Richter

No dia 5 de março, dia nacional da música clássica e aniversário de Villa-Lobos, a associação inicia seu novo projeto, Música na Praça, com um objetivo essencial: apresentar a grande música a um público pouco familiarizado a ela. O programa levará alguns dos grandes momentos da música ocidental, em interpretações de alta qualidade e comentários explicativos, para exibição em telão nas praças de cidades do interior do estado, iniciando em Piraí.

Marc-André HamelinFrançois-Frédéric Guy
Marc-André Hamelin - François-Frédéric Guy

Ouçamos Après une lecture de Dante: Fantasia Quasi Sonata, de Franz Liszt, na interpretação excepcional de Alfred Brendel (vídeo dividido em duas partes):


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ÓPERA DE MUNIQUE EM TEMPORADA INQUIETANTE

A nova temporada da Ópera Estatal Bávara, a Ópera de Munique, não poderia ter título mais sugestivo: “Corpos amaldiçoados, Almas Redimidas”. A justaposição dá o tom das óperas selecionadas e discute temas fundamentais da condição humana através das ações, motivações e destinos dos protagonistas. Atualizar a relevância destas questões foi o desafio dado aos diretores das novas produções, alguns em sua estreia no teatro alemão ou mesmo em um palco de ópera.

Don Giovanni, de Mozart, na produção de Stephan Kimmig para a Ópera de Munique
Don Giovanni, de Mozart, na produção de Stephan Kimmig para a Ópera de Munique

A atual temporada da Ópera Bávara (2009-2010) engloba 24 títulos, sendo sete as óperas que recebem novas encenações. Como nos grandes teatros líricos mundiais, as demais óperas sobem ao palco em montagens de repertório, ou seja, já consagradas na casa.

Alex Esposito e Mariusz Kwiecien em Don Giovanni, na Ópera Bávara
Alex Esposito e Mariusz Kwiecien em Don Giovanni, de Mozart, na Ópera Bávara

A produção de Stephan Kimmig para a obra-prima de Mozart, o dramma giocoso Don Giovanni, abriu a temporada. A estreia do diretor em ópera abriu novas perspectivas para a personalidade ambivalente do protagonista, atualizando-o como um pária da sociedade e não meramente um hedonista sedutor. Encarnando um intenso Don Juan, o polonês Mariusz Kwiecien, que vem se tornando o nome mais fulgurante entre os barítonos da atualidade. Ótimo ator e intérprete de inteligência inquietante, Kwiecien é dono de uma voz excepcional e responsiva às necessidades dramáticas do texto musical. Em um jogo cênico de contrastes e semelhanças, o onipresente Leporello do momento, vivido pelo baixo italiano Alex Esposito.

Alex Esposito, Maija Kovalevska e Mariusz Kwiecien em Don Giovanni, na Ópera de Munique
Alex Esposito, Maija Kovalevska e Mariusz Kwiecien em Don Giovanni, na Ópera de Munique

As três personagens femininas foram interpretadas pelas sopranos Ellie Dehn (Donna Anna), Maija Kovalevska (Donna Elvira) e Laura Tatulescu (Zerlina). O eslovaco Pavol Breslik, tenor em ascensão nos teatros europeus, assumiu o papel de Don Ottavio, noivo de Donna Anna, que será interpretada pela ótima soprano norte-americana Anja Harteros quando a produção for retomada em julho, durante o Festival de Ópera. A regência coube ao maestro nipo-americano Kent Nagano, o criativo diretor musical do teatro.

L'Elisir d'Amore, de Donizetti, na versão de David Bösch para a Ópera de Munique
L'Elisir d'Amore, de Donizetti, na versão de David Bösch para a Ópera Bávara

A ópera buffa de Gaetano Donizetti, L’Elisir d’Amore (O Elixir do Amor), foi a segunda nova produção do teatro alemão, coordenada por outro estreante em palcos líricos, David Bösch. A encenação, muito criticada por seus cenários extravagantes e de gosto duvidoso, reuniu duas jovens estrelas do firmamento operístico, o tenor italiano Giuseppe Filianoti e a belíssima soprano georgiana Nino Machaidze, que substituiu a diva Anna Netrebko como a Juliette, de Gounod, no Festival de Salzburgo. Filianoti foi o pivô de uma polêmica e tanto no Scala de Milão há um ano, ao ser substituído de última hora (e contra a sua vontade!) como o Don Carlo, de Verdi, pelo tenor americano Stuart Neill. A reação contrária da apaixonada plateia milanesa não poderia ter sido mais intensa.

Giuseppe Filianoti em L'Elisir d'Amore, de Donizetti, na Ópera de Munique
Giuseppe Filianoti em L'Elisir d'Amore, de Donizetti, na Ópera de Munique

Em fevereiro, a Ópera de Munique faz a premiére mundial da nova ópera do compositor e maestro húngaro Peter Eötvös, Die Tragödie des Teufels (A Tragédia do Diabo), baseada em libretto do dramaturgo alemão Albert Ostermaier. O texto da ópera “cômica-utópica” de Eötvös foi inspirado no drama nacional húngaro, A Tragédia do Homem, escrito em 1861 por Imre Madách. Nele, Adão e Eva vagam por diferentes épocas da história, vivenciando a trajetória de injustiça e sofrimento da humanidade. Na adaptação de Ostermaier, os momentos históricos são eliminados em favor de um espaço virtual não definido cronologicamente, onde Lúcifer conduz Adão e Eva através de um mundo de conflitos e incertezas. Ao fim, um Lúcifer desencarnado e incorporado a todo o ambiente transmuta a sua própria desgraça na tragédia do ser humano, que não consegue localizar o mal e o percebe em tudo e em si mesmo.

Peter Eötvös - Albert Ostermaier
Peter Eötvös - Albert Ostermaier

A produção de Balász Kovalik (diretor artístico da Ópera da Hungria) tem instalações cênicas do casal de artistas plásticos ucranianos Ilya e Emilia Kabakov. O próprio compositor responde pela direção musical da ópera, que traz a mezzo-soprano holandesa Cora Burggraaf como Eva, o tenor Topi Lehtipuu como Adão e o barítono Georg Nigl como Lúcifer. A jovem Burggraaf, que tem agora seu primeiro grande papel, foi Stéphano na montagem de Roméo e Juliette em Salzburgo, com Rolando Villazon e Machaidze, já disponível em DVD. Dono de uma agenda lotada, o finlandês Lehtipuu é um dos maiores especialistas do repertório vocal barroco e clássico dos últimos anos e intérprete de eleição de maestros como René Jacobs e William Christie. Lehtipuu participou da estreia mundial de outra ópera de Eötvös, Anjos na América, em Paris (2004). O austríaco Georg Nigl já marcou com sua impressionante versatilidade vocal e cênica inúmeras estreias mundiais.

Cora BurggraafTopi Lehtipuu
Cora Burggraaf - Topi Lehtipuu

Em março, sobe ao palco bávaro a nova montagem da ópera francesa Dialogues des Carmélites, de Francis Poulenc, com Susan Gritton e Soile Isokoski, regidas por Nagano. Seguem novas encenações para Medea in Corinto, uma raridade composta em 1813 por Giovanni Mayr, a pucciniana Tosca na versão de Luc Bondy (co-produção com o MET), e Die Schweigsame Frau (A Mulher Silenciosa), de Richard Strauss. Comentarei mais!

Assistamos aos trailers das novas montagem da Ópera da Munique para Don Giovanni, de Mozart, e L'Elisir d'Amore, de Donizetti:




Veja agora um documentário sobre a nova produção de Don Giovanni na Ópera de Munique:

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CHOPINÍSSIMO

2010 é o ano Chopin. O primeiro grande projeto brasileiro celebrando o poeta do piano acontece em fevereiro no Teatro SESI/Rio, criado e dirigido por Eli Rocha com roteiro cênico de Viviane Mosè.

Frédéric Chopin
Frédéric Chopin pintado por Delacroix em 1838

“Chopiníssimo” marca a abertura das comemorações chopinianas no dia 22, data de aniversário do compositor polonês, integrando o programa oficial de celebrações internacionais. O projeto inclui exposição de fotografias, palestra audiovisual e um concerto cênico com a premiada pianista Linda Bustani, a mezzo-soprano Carolina Faria e o ator Fernando Eiras vivendo o compositor em momentos marcantes de sua trajetória.

Chopin
Chopin - fotografia realizada no ano de sua morte, 1849

Chopiníssimo viaja para Curitiba em abril e para São Paulo em maio.

Para entrar no clima chopiniano: Yundi Li interpreta o Noturno opus 9, no.2:

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CELEBRANDO A HERANÇA AFRO-AMERICANA

O mais importante centro cultural da América, o Lincoln Center for the Performing Arts, de Nova York, em parceria com o Schomburg Center for Research in Black Culture, celebra em fevereiro a inestimável contribuição afro-americana para as artes no país. A programação diversificada abraça os estilos musicais fundamentados na cultura negra, como o jazz, o blues e o gospel, e a influência de mão dupla na música de tradição européia, em especial a ópera.

Cenário para Treemonisha, de Scott Joplin (Opera Memphis)
Cenário para Treemonisha, de Scott Joplin (Opera Memphis)

O concerto especial Opera at the Schomburg apresenta hoje excertos de algumas das principais óperas de temática afro-americana, verdadeiros marcos da música nos EUA, como Treemonisha, composta em 1910 por Scott Joplin (porém somente estreada em 1972), e Four Saints in Three Acts (de Virgil Thomson), assim como imagens e gravações do rico acervo da instituição. As interpretações estão a cargo de quatro jovens talentos, soprano Donita Volkwijn, mezzo-soprano Kendall Gladen, tenor Robert Mack e barítono Sidney Outlaw.

Opera at the Schomburg - Robert Mack e Kendall GladenDonita Volkwijn
Opera at the Schomburg: Robert Mack e Kendall Gladen - Donita Volkwijn

Em março, a New York City Opera e a Opera Noire apresentam, em versão de concerto, a ópera The Life and Times of Malcolm X, de Anthony Davis, marcando o aniversário de 45 anos de assassinato do líder da luta por igualdade dos direitos civis nos EUA. A obra teve sua primeira audição em 1986.

Robert McFerrinRobert McFerrin
Robert McFerrin

Ainda em março, um tributo ao legado do barítono norte-americano Robert McFerrin (1921-2006), o primeiro intérprete masculino afro-americano a cantar no Metropolitan Opera, em 1955, mesmo mês de estreia no teatro da detentora do título de pioneira, a grande Marian Anderson. McFerrin fez Amonasro, pai da escrava etíope Aida, na ópera homônima de Verdi, e interpretaria ainda, no MET, Valentin (do Faust, de Gounod) e o papel-título no Rigoletto, de Verdi. Participa do evento o filho mais famoso do legendário barítono, o também cantor Bobby McFerrin.

Jessye Norman
Jessye Norman

Em 2009, foi o mítico Carnegie Hall que comemorou o legado cultural afro-americano no festival “Honor!”, com curadoria da estupenda Jessye Norman. O clímax da celebração reuniu a voz incomparável de Norman à Orquestra de St.Luke’s e ao grupo de Hip-Hop The Roots para a première mundial de Ask Your Mama. A obra multimídia foi composta por Laura Karpman sobre o poema épico homônimo de Langston Hughes, escrito em 1960 com indicações, às margens, de como o texto poderia ser musicado.

Assistamos a uma entrevista com Jessye Norman sobre o primeiro festival Honor! no Carnegie Hall:


Conheça um pouco mais sobre Treemonisha, de Scott Joplin (do documentário de Tony Palmer):


Ouçamos agora Jessye Norman e Lisa Gasteen interpretando excerto de Treemonisha em concerto realizado em Londres, 1986, regido por Sir Edward Downes:

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