Arquivo de December 2009

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RETROSPECTIVA 2009

MET NOS CINEMAS:
Uma das iniciativas mais revolucionárias da ópera mundial chegou ao Brasil por iniciativa da MovieMobz. As transmissões digitais, em alta definição, do mais importante teatro lírico americano, o Metropolitan Opera de Nova York, alcançaram diversas cidades brasileiras com sucesso extraordinário. O projeto MET Ópera nos Cinemas apresentou, nas salas do país, desde a sua transmissão inicial em janeiro deste ano, obras emblemáticas com os maiores intérpretes da atualidade, em novas produções ou em montagens consagradas.

A diva do momento, a estupenda soprano russa Anna Netrebko, encarnou a Lucia di Lammermoor, de Donizetti, em uma performance magistral na produção de Mary Zimmermann. Em La Sonambula, de Bellini, as vozes inacreditáveis, e o perfeito timing cômico, de Natalie Dessay e Juan Diego Flórez eletrizaram as platéias brasileiras e internacionais. Na Cinderela (Cenerentola) de Rossini, brilhou a voz (e beleza fulgurante) da mezzo-soprano Elina Garanca.

Anna Netrebko e o barítono Mariusz Kwiecien na Lucia di Lammermoor do MET
Anna Netrebko e o barítono Mariusz Kwiecien na Lucia di Lammermoor do MET

O coreógrafo Mark Morris montou um instigante Orfeo ed Euridice, de Gluck, com a voz suntuosa da mezzo Stephanie Blythe e outra grande sensação da atualidade, a soprano australiana Danielle de Niese.

De Puccini, Angela Gheorghiu e Roberto Alagna viveram os protagonistas na pouco encenada (e bela!) La Rondine, a arte interpretativa de Patricia Racette deu voz à pungente Madama Butterfly (na produção de Anthony Minghella) e, abrindo a nova temporada 2009-2010, Karita Mattila viveu uma Tosca de alta intensidade dramática na controversa (e vaiada!) montagem de Luc Bondy. A grande soprano finlandesa encontrou partners à altura no barítono George Gagnidze e no tenor argentino Marcelo Álvarez, que brindou o centenário do Theatro Municipal carioca no concerto realizado ao ar livre, na Cinelândia, em julho, com a soprano Sumi Jo.

Marcelo Álvarez:  na Tosca do MET (com Karita Mattila) e no concerto do centenário do Theatro Municipal carioca
Marcelo Álvarez: na Tosca do MET (com Karita Mattila) e no concerto do centenário do Theatro Municipal carioca.

PELO BRASIL:
A grande efeméride de 2009 foi o cinquentenário de morte de maior compositor brasileiro, Heitor Villa-Lobos, homenageado nas séries de música clássica e nas temporadas de todas as principais orquestras do país, culminando com a 47ª edição do grande festival dedicado à sua obra, em novembro. A data de nascimento do maestro carioca, 5 de março, já celebrada em nível estadual, foi decretada pelo presidente da República como Dia Nacional da Música Clássica.

Heitor Villa-Lobos
Heitor Villa-Lobos

O Ano da França no Brasil moldou a programação musical no Brasil. Compositores pouco tocados no país foram redescobertos e apareceram como nunca.

Após uma conturbada demissão de seu cargo de diretor artístico da OSESP após doze anos, o maestro John Neschling foi substituído interinamente pelo francês Yan-Pascal Tortelier. As alterações da programação não tiraram o brilho da temporada, que teve inúmeros pontos altos, como as apresentações semi-encenadas das óperas Falstaff, de Verdi, e O Cavaleiro da Rosa, de Richard Strauss (com a ótima Anne Schwanewilms!) e os concertos dedicados à obra inquietante da compositora russa Sofia Gubaidulina. Outros intérpretes notáveis somaram sua arte à da OSESP, como o pianista Alexandre Tharaud, o maestro Louis Langrée, a percussionista Evelyn Glennie e as sopranos Maria Bayo e Juliane Banse.

Yan-Pascal Tortelier rege a OSESP
Yan-Pascal Tortelier rege a OSESP

O Quarteto Radamés Gnatalli se firma como um dos melhores grupos camerísticos brasileiros. Além de uma excursão com concertos didáticos pelo Norte e Nordeste, o grupo realizou um verdadeiro tour-de-force ao executar a integral dos quartetos de cordas de Villa-Lobos.

Um ano de reconhecimento para o talento da pianista brasileira Sonia Rubinsky, que amealhou o Prêmio Carlos Gomes por seu álbum dedicado às sonatas de Scarlatti e o Grammy Latino por sua gravação integral das obras para piano solo de Villa-Lobos.

Sonia Rubinsky
Sonia Rubinsky

O compositor e maestro Marlos Nobre comemorou seus 70 anos de vida, 50 deles dedicados à música, com uma agenda intensa de celebrações e estréias de obras, como o seu concerto para percussão e orquestra no.2, executado pela OSESP.

NO RIO:
A cena musical internacional celebrou em grande estilo os 200 anos de nascimento de Félix Mendelssohn, os 200 anos de morte de Joseph Haydn, os 250 anos da morte de Georg Friedrich Händel e os 350 anos do nascimento de Henry Purcell. No Rio, a grande homenagem a Händel foi em abril, pelo Mozarteum Brasileiro, através da apresentação dramatúrgico-musical Händel Gala, com a orquestra barroca alemã Elbipolis e o Coro da Academia de Música de Schleswig-Holstein, regidos por Rolf Beck.

Händel
Georg Friedrich Händel

Com o Theatro Municipal fechado no ano de seu centenário, a Sala Cecília Meireles abrigou quase toda a programação musical erudita carioca neste ano, mas também realizou seus próprios ciclos com excelência e originalidade. O essencial ciclo Claudio Santoro homenageou um de nossos maiores compositores em seus 20 anos de morte e o ciclo Contrapontos Vienenses estabeleceu um diálogo musical interessante entre compositores da Segunda Escola Vienense e de gerações anteriores, como Mozart e Beethoven. Marcando o ano Händel e Haydn, a Sala trouxe a excepcional mezzo-soprano Vivica Genaux para um concerto apoteótico com a orquestra alemã Concerto Köln. Outros concertos internacionais da Sala nos ofereceram momentos musicais de tirar o fôlego, como os da fenomenal violinista virtuose americana Hilary Hahn, do ensemble vocal francês Soli-Tutti e de um dos melhores quartetos do planeta, o Emerson String Quartet.

Vivica Genaux
Vivica Genaux

A Orquestra Sinfônica Brasileira continua a sua trajetória de ascensão sob a direção do maestro Roberto Minczuk. Sua temporada 2009 foi uma das mais ricas em programação e qualidade musical, trazendo expoentes internacionais como o violinista Joshua Bell e as pianistas Maria João Pires e Anna Vinnitskaya, que realizou um dos melhores concertos de 2009 no Rio. Com a OSB, a soprano francesa Michelle Canniccioni cantou a aguardada estreia carioca de Olhos de Capitu, obra de João Guilherme Ripper baseada em Machado de Assis. Com a OSB, o pianista Ivo Pogorelich protagonizou o concerto mais polêmico do ano. E em parceria com a Fundação Eva Klabin, a OSB inaugurou uma ótima série de música de câmara na casa-museu da Lagoa.

Michelle Canniccioni
Michelle Canniccioni

Mesmo com o Theatro Municipal fechado, a Dell’Arte inovou, mantendo o alto padrão artístico que a consagra, há mais de duas décadas, como a maior produtora de concertos internacionais do país. A Série Pianíssimo, no primeiro semestre, trouxe à Sala Cecília Meireles pianistas do quilate dos brasileiros Jean-Louis Steuerman e Eliane Rodrigues ou dos russos Vadim Rudenko e Nikolai Lugansky que, com a Sinfonietta Dell’Arte organizada especialmente para a ocasião, interpretaram os dois concertos para piano do mestre Chopin. Os concertos do segundo semestre possibilitaram alguns dos momentos musicais mais extraordinários do Rio em 2009, como a performance espiritual do pianista Arcadi Volodos e a noite mágica de lieder com a voz soberana da contralto Nathalie Stutzmann. Raridades de Schubert e Haydn foram ouvidas com veemência e autenticidade pela Wiener Akademie, regida por Martin Häselbock.

Nathalie Stutzmann
Nathalie Stutzmann

A Orquestra Petrobrás Sinfônica, dirigida por Isaac Karabtchevsky, realizou uma temporada inventiva e de fôlego, culminando com a performance antológica do tenor Marcos Paulo como O Anão, na estreia latino-americana da ópera homônima de Zemlinsky.

O histórico Quarteto da Guanabara retornou à cena musical brasileira, com nova formação, em um auspicioso concerto de estreia.

O incansável maestro Ricardo Rocha e sua Cia. Bachiana Brasileira abraçaram obras de grande escopo, como o oratório Elias, de Mendelssohn (em primeira execução completa no Rio), e a Missa Pastoril do Pe.José Maurício Nunes Garcia, com resultados musicais surpreendentes.

A Série Música nas Igrejas concentrou a sua atividade de concertos em dois grandes momentos do ano. Celebrando a Páscoa, trouxe o cravista Olivier Beaumont e uniu os violoncelistas Antonio Meneses e Alberto Kanji à cravista Rosana Lanzelotte, curadora do projeto, para um belo recital de sonatas do século 18. Em novembro, a programação marcou o ano Villa-Lobos com concertos em igrejas históricas do país.

Rosana Lanzelotte e Antonio Meneses
Rosana Lanzelotte e Antonio Meneses

O Instituto de Cultura e Arte Organística manteve a qualidade (e regularidade) de sua programação trazendo alguns nomes de destaque do órgão internacional para sua agenda de recitais.

A música brasileira de concerto vai muito bem, como atestam a quantidade e a qualidade de estréias de novas obras na 18ªBienal de Música Brasileira Contemporânea, ou em projetos menores, porém de igual vigor, como o Panorama da música brasileira para violão, coordenado por Nícolas de Souza Barros na UNIRIO.

Em uma Folle Journée dedicada a Mozart em quatro dias de concertos ininterruptos, sobressaiu a musicalidade ímpar do Quarteto Ysaÿe.

Quatour Ysaÿe
Quatour Ysaÿe

A Rádio MEC FM, um verdadeiro símbolo de resistência cultural em nosso país, celebrou, em seus programas, a arte de grandes intérpretes brasileiros como os pianistas Nelson Freire, Jacques Klein e Heitor Alimonda. Comemorando o centenário do Theatro Municipal, o produtor Lauro Gomes resgatou as principais gravações com as grandes vozes, nacionais e internacionais, que eternizaram o palco carioca em seus tempos áureos de temporadas operísticas regulares. O programa Sala de Concerto promoveu a tardia estreia carioca de uma das grandes cantores brasileiras da atualidade, a paraense Adriane Queiroz, radicada em Berlim.

O primeiro concurso internacional de piano no Rio de Janeiro em 36 anos prestou homenagem a Jacques Klein. Patrocinado pelo BNDES e organizado por Lilian Barretto e Luiz Fernando Benedini, ex-alunos de Klein, o concurso premiou o ucraniano Sasha Grynyuk.

Jacques Klein
Jacques Klein em frente ao Theatro Municipal do Rio

Música é Vida, a mais nova associação cultural do Rio de Janeiro, inaugurou sua série especialíssima de vídeoconcertos comentados no auditório multimídia da loja Modern Sound, em Copacabana. Em dois encontros mensais, foram apreciadas e discutidas de obras maiores do repertório sinfônico, camerístico e vocal a composições pouco conhecidas e injustamente negligenciadas.

O belo projeto musical e social do Instituto da Ópera, coordenado pelo barítono Nelson Portella, produziu um coro infantil e recitais esmerados como o dedicado à Canção brasileira de Câmara.

Pequenas séries com grandes objetivos, como Toda Palavra é Música (no CCBB), Guitarríssimo, UNIRIO Musical, Pátio Musical e Música no Fórum (completando 10 anos de atividades musicais) realizaram concertos que enriqueceram a vida cultural carioca.

A jovem Orquestra Sinfônica de Barra Mansa, fruto mais maduro do projeto Música nas Escolas, apresentou um crescimento exponencial em repertório e número de concertos. É a grande prova de que a arte, e a música em particular, transformam vidas e conceitos.

Isaac Karabtchevsky rege a OSBM - foto de Valdinei Ferreira
Isaac Karabtchevsky rege a Orquestra Sinfônica de Barra Mansa - foto de Valdinei Ferreira

MÚSICA NO MUSEU:
Música no Museu, a maior série musical brasileira, fecha o ano de 2009 com um novo recorde: a realização de 534 concertos gratuitos, um terço deles com jovens instrumentistas. O grande sucesso de dois novos festivais promovidos pela série, o I Pianestival (mostra internacional de pianistas amadores) e o I Festival de Flauta, Oboé e Fagote, veio se somar ao já consagrado RioHarp Festival, que nesta quarta edição inseriu o Rio definitivamente no circuito internacional das harpas. O concerto de encerramento, com o compositor Michel Legrand e a harpista Catherine Michel, foi o ponto alto da série neste ano.

Michel Legrand e Catherine Michel no RioHarp Festival
Michel Legrand e Catherine Michel no RioHarp Festival

Os concertos internacionais chegaram aos EUA, Portugal, Espanha, França e Marrocos, apresentando intérpretes brasileiros como os pianistas João Carlos Assis Brasil e Carol Murta Ribeiro, o violonista Paulo Pedrassoli e a percussionista Karla Bach.

Patrocinada pela Light, pela Cemig e pelo BNDES, a Série Música no Museu repetiu projetos projetos bem-sucedidos de anos anteriores, como a Mostra de Música Antiga, o III Encontro de Empreendedorismo na Área Musical e o II Concurso Jovens Talentos. No certame, a comissão julgadora presidida pelo nonagenário maestro Alceo Bocchino premiou o jovem pianista Lucas Thomazinho.

PELO MUNDO:
A maior orquestra do mundo, a Filarmônica de Berlim, do maestro britânico Simon Rattle, protagonizou outra grande inovação de mídia e inaugurou seu Digital Concert Hall, com transmissões de concertos de sua rica temporada via web.

Sir Simon Rattle rege a Filarmônica de Berlim
Sir Simon Rattle rege a Filarmônica de Berlim

Também pela internet, a revista britânica Gramophone disponibilizou integralmente todos os seus arquivos para leitura online, desde a primeira publicação, em abril de 1923.

Apesar da crise mundial solapando os EUA, as temporadas líricas norte-americanas surpreenderam pela vitalidade e diversidade. A Ópera de San Francisco recebeu seu novo diretor, maestro Nicola Luisotti, enquanto que Los Angeles desponta como o um dos principais centros de ópera e música sinfônica no país. O prodígio venezuelano, maestro Gustavo Dudamel, assumiu o pódio da orquestra (podemos vislumbrar a melhor da América em pouco tempo?) enquanto que Placido Domingo empresta todo o seu prestígio na direção da Ópera da cidade californiana, repetindo o êxito obtido em Washington. A primeira produção do Anel do Nibelungo, de Richard Wagner, em Los Angeles atesta a envergadura de sua temporada.

Placido Domingo no concerto de gala do MET
Placido Domingo no concerto de gala do MET

Onipresente, Placido Domingo dominou a cena lírica mundial mais uma vez. Celebrou seus 40 anos de MET com um concerto de gala (que também festejou os 125 anos do teatro), abraçou o repertório para barítono (com o Simon Boccanegra, de Verdi) e foi o primeiro ganhador (1 milhão de dólares) do maior prêmio da música clássica mundial, atribuído pela Fundação Birgit Nilsson, da legendária soprano sueca morta em 2005, aos 87 anos.

Placido Domingo - foto de Charles Gallay
Placido Domingo

O site de vídeos You Tube organizou a primeira orquestra sinfônica do planeta com músicos selecionados virtualmente. O concerto inaugural da YouTube Symphony, regida pelo maestro Michael Tilson Thomas, aconteceu em abril no Carnegie Hall.

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MET OPERA: NAS ONDAS DO RÁDIO

A Rádio MEC FM, em parceria com a Rádio Cultura FM, iniciou, no último domingo, no programa Ópera Completa (15h), as transmissões semanais da temporada 2009-2010 do grande teatro lírico nova-iorquino. No Brasil, as óperas do MET serão ouvidas uma semana depois do broadcast ao vivo.

Metropolitan Opera, New York
Metropolitan Opera, New York

Os Contos de Hoffmann, obra-prima de Jacques Offenbach, é a segunda ópera a ser ouvida (hoje, dia 27). O tenor maltês Joseph Calleja, um dos melhores tenores da nova geração, encarna o poeta romântico alemão E.T.A. Hoffmann. Em seus três contos fantásticos, seus amores serão vividos pela mezzo-soprano russa Ekaterina Gubanova (como a cortesã Giulietta), a soprano coreana Kathleen Kim (como a boneca Olympia) e a grande diva da atualidade, soprano Anna Netrebko (como a cantora Antonia). Os quatro vilões, que impedem o protagonista de consumar seu amor, serão interpretados pelo barítono Alan Held.

Joseph Calleja em Os Contos de Hoffmann, de Offenbach, no MET
Joseph Calleja em Os Contos de Hoffmann, de Offenbach, no MET

A nova produção da ópera de Offenbach para o MET, do premiado diretor Bartlett Sher, foi gravada e filmada em high-definition no sábado dia 19 e poderá ser assistida nos cinemas brasileiros no início de janeiro. A regência é do consumado maestro James Levine, diretor artístico do MET.

A primeira produção transmitida foi do célebre Trittico de Giacomo Puccini, formado por três óperas de curta duração: a tragédia verista (em estilo grand guignol) Il Tabarro, o drama místico e sentimental Suor Angelica e a deliciosa comédia Gianni Schicchi (inspirada no Inferno de Dante).

Suor Angelica, de Puccini, no MET
Suor Angelica, de Puccini, no MET

Na trilogia pucciniana, cuja estreia foi no mesmo Metropolitan em 1918, a soprano norte-americana Patricia Racette (uma sensível e intensa Butterfly na temporada anterior) empreende um verdadeiro tour-de-force ao interpretar as protagonistas das três óperas, feito equiparado no MET somente por duas outras duas grandes vozes, as sopranos Renata Scotto e Teresa Stratas.

Patricia Racette
Patricia Racette

A produção de Jack O’Brien para Il Trittico, regida pelo milanês Stefano Ranzani, conta com outras vozes excepcionais, como o tenor Salvatore Licitra e o barítono sérvio Zeliko Lucic na ópera Il Tabarro, o basso buffo italiano Alessandro Corbelli como Gianni Schicchi e a poderosa mezzo-soprano Stephanie Blythe, onipresente nos três títulos.

Il Tabarro, de Puccini, na produção de Jack O'Brien para o MET
Il Tabarro, de Puccini, na produção de Jack O'Brien para o MET

De valor cultural inestimável, as transmissões radiofônicas do Metropolitan Opera começaram em 1931, totalizando 78 temporadas ininterruptas de alta qualidade artística. A partir dos anos 90, os célebres MET Radio Broadcasts, que formaram gerações de amantes da ópera em todos os Estados Unidos, atingiram a Europa, Austrália, Ásia e finalmente a América Latina.

As próximas óperas transmitidas pela MEC FM serão a trágica Elektra, de Richard Strauss (com Susan Bullock e Deborah Voigt), e o conto infantil Hansel e Gretel, de Humperdinck, na versão em inglês, com Angelika Kirschlager e Miah Persson vivendo os dois irmãos abandonados João e Maria. A bruxa será interpretada novamente pelo grande tenor inglês Philip Langridge. Em ambas, a regência é do italiano Fabio Luisi.

Hansel e Gretel, de Humperdinck, no MET
Hansel e Gretel, de Humperdinck, no Metropolitan Opera

Segue, ainda em janeiro, O Cavaleiro da Rosa (Der Rosenkavalier), comédia primorosa de Richard Strauss e Hoffmansthal. As três protagonistas da ópera straussiana, que será exibida também em HD para os cinemas em janeiro, serão interpretadas pela soprano Renée Fleming, a grande Marechala da atualidade, pela mezzo-soprano Susan Graham (como Octavian) e pela alemã Christine Schäffer (como Sophie).

Renée Fleming e Susan Graham em Der Rosenkavalier, de Strauss, no MET
Renée Fleming e Susan Graham em Der Rosenkavalier, de Strauss, no MET

Através da MEC FM, o Rio tem a oportunidade única de acompanhar a temporada singular do mais importante teatro norte-americano. No mínimo, imperdível!

Ouçamos Joseph Calleja e Anna Netrebko cantando o dueto de Hoffmann e Antonia - Ne plus chanter! - na ópera Les Contes d'Hoffmann, de Offenbach, no Metropolitan Opera:


Ouçamos agora a cena final da ópera Suor Angelica, do Trittico de Puccini, em interpretação comovente de Patricia Racette no MET:

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FELIZ NATAL

"O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz... Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz." (Isaías 9: 2,6)

Este é o verdadeiro e feliz Natal!

Iluminura: A Natividade - Livro de Horas de Besançon, 1445
Iluminura: A Natividade - Livro de Horas de Besançon, datado de 1445.

Como presente de Natal, ouçamos a extraordinária Jessye Norman interpretando O Holy Night, de A.Adam, com o Coro da Catedral de Ely e Orquestra Sinfônica de Bournemouth, regidos por Robert de Cormier. Concerto realizado na Ely Cathedral em 1988.

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MACUNAÍMA EM NEW YORK

A Filarmônica de Nova York, em sua segunda temporada sob a direção musical do maestro Alan Gilbert (primeiro nova-iorquino a ocupar o posto), apresenta Contact!, sua nova série. Formados exclusivamente por estréias mundiais comissionadas pela orquestra, os concertos incluem introduções pessoais às obras pelos sete compositores participantes.

Arthur Kampela
Arthur Kampela

O primeiro programa, realizado nesta semana no Metropolitan Museum e no Symphony Space, regido pelo também compositor Magnus Lindberg, trouxe estréias da norte-americana Arlene Sierra (Game of Attrition), do chinês Lei Liang (Verge), do francês Marc-André Dalbavie (Melodia) e MACUNAÍMA , do compositor e violonista carioca Arthur Kampela, inspirada no livro de Mário de Andrade.

A obra inventiva de Arthur Kampela, radicado nos EUA, funde elementos populares brasileiros a técnicas composicionais e de execução inovadoras, resultando em um discurso musical surpreendente, ampliando especialmente as fronteiras de seu instrumento, o violão.

Arthur Kampela - foto de Celso de Menezes
Arthur Kampela ao violão - foto de Celso de Menezes

Em abril, o segundo concerto será regido por Alan Gilbert e inclui as novas composições de Sean Shepherd (These Particular Circumstances), Nico Muhly (New Work) e Matthias Pintscher. Com o excepcional barítono Thomas Hampson, serão ouvidas suas canções do jardim de Salomão (Solomon’s garden), fruto de uma comissão conjunta com a Orquestra Sinfônica da Rádio de Frankfurt.

A seguir, Arthur Kampela discute a sua nova composição para a Orquestra Filarmônica de Nova York - Macunaíma:


E Magnus Lindberg introduz CONTACT!, a nova série musical da filarmônica nova-iorquina:

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ESTREIAS DE MARLOS NOBRE

Após concertos em homenagem aos seus 70 anos de vida, 50 deles dedicados à música, em São Paulo, Havana e Madrid, o maestro e compositor Marlos Nobre acaba de estrear em Paris a sua obra Variações Rítmicas. Composta para piano e percussão brasileira, a audição aconteceu na Salle Olivier Messiaen da Radio France com membros da Orquestra Nacional da França.

Marlos Nobre
Marlos Nobre

No último dia 16, o XII Festival Virtuosi de Recife encerrou oficialmente as comemorações do ano Marlos Nobre no Teatro Santa Isabel. O violoncelista Leonardo Altino e o pianista Victor Asunción executaram as Três Cantilenas para violoncelo e piano, a terceira delas composta especialmente para o concerto. Parabéns, maestro!

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GREGORIANO EM CD

O Coro dos Monges Beneditinos do Colégio São Bento e o Coro Bento de Núrcia lançam o CD Jubilate Deo, em comemoração aos 150 anos da criação do Colégio São Bento (e aos mais de quatro séculos de vida monástica no Rio de Janeiro).

Na gravação, os coros entoam do canto gregoriano tradicional, do qual são especialistas maiores, a obras do século XX, como de Jacques Berthier e do regente do grupo, Dom Plácido Lopes de Oliveira. O lançamento, hoje, no Mosteiro de São Bento, conta com as participações inspiradas da harpista Cristina Braga e do organista Alexandre Rachid.



Assistamos ao vídeo promocional do CD Jubilate Deo:

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O ANÃO NOS PALCOS E TURANDOT NAS TELAS

A estreia latino-americana da ópera O Anão (Der Zwerg) ou O Aniversário da Infanta, do compositor austríaco Alexander von Zemlinsky (1871-1942), quebra o prolongado jejum lírico dos palcos cariocas neste fim-de-semana, na Sala Cecília Meireles (récitas no sábado, às 20h, e domingo, às 17h).

Isaac Karabtchevsky rege a Orquestra Petrobrás Sinfônica
Isaac Karabtchevsky rege a Orquestra Petrobrás Sinfônica

Em concerto cênico, a Orquestra Petrobrás Sinfônica, regida por seu titular Isaac Karabtchevsky (um maestro consagrado em ópera), se une a intérpretes (e vozes!) especiais como o tenor carioca Marcos Paulo, que cantará de joelhos o Anão de Zemlinsky, e a soprano russa Marina Shevchenko no papel da Infanta Donna Clara. Premiada em diversos concursos, Shevchenko vem se consagrando em alguns dos principais papéis dramáticos da ópera italiana, como a pucciniana Tosca, La Gioconda (de Ponchielli) e as verdianas Aida, Abigaile (de Nabucco) e Lady Macbeth, seu papel de estreia na Itália, onde está radicada.

Der Zwerg, de Zemlinsky, na Ópera de Los Angeles
Der Zwerg, de Zemlinsky, na Ópera de Los Angeles

O elenco conta com a participação de cantores do calibre da soprano carioca Flávia Fernandes (como Ghita) e do barítono catarinense Douglas Hahn (como Don Esteban). As três damas serão interpretadas pela mezzo-soprano Carolina Faria e pelas sopranos Maíra Lautert e Priscila Duarte . A direção do concerto cênico, que traz ainda as vozes femininas do Coro Sinfônico do Rio de Janeiro, é do premiado André Heller-Lopes e as imagens são de Angélica Carvalho.

Alexander von Zemlinsky
Alexander von Zemlinsky

A ópera Der Zwerg foi composta por Zemlinsky entre 1919 e 1921 sobre libreto de George Klaren, inspirado livremente na obra de Oscar Wilde. A escolha do drama, que narra a paixão de um anão pela Infanta da Espanha, foi certamente influenciada pelo fim de um relacionamento conflituoso do compositor com a belíssima Alma Mahler.

Em um ato e de curta duração, O Anão é muitas vezes apresentada em conjunto com outra ópera de Zemlinsky, Eine florentinische Tragödie (Uma Tragédia Florentina), um dos pontos altos da música no Rio em 2008, executada pela OSESP com três grandes cantores: o tenor Anthony Dean Griffey, a soprano Tatiana Pavlovskaya e o barítono Sergei Leiferkus.

Turandot, de Puccini, na versão de Franco Zeffirelli para o MET
Turandot, de Puccini, na versão de Franco Zeffirelli para o MET

Se, ao vivo, a ópera é uma ausência sentida nos teatros do Rio, o mesmo não se pode dizer das transmissões em high-definition para os cinemas. Dando continuidade à temporada de óperas do Metropolitan Opera de Nova York , a MovieMobz traz, a partir desta sexta, dia 18, em dois horários diários durante uma semana, a obra-prima final de Giacomo Puccini, Turandot, gravada no dia 7 de novembro.

Turandot, de Puccini, no MET
Turandot, de Puccini, no MET

Um dos maiores êxitos do MET, a produção suntuosa (em diversos momentos, excessivamente) do diretor italiano Franco Zeffirelli ganha a interpretação de uma das vozes mais dramáticas da atualidade, a soprano ucraniana Maria Guleghina, como a cruel princesa Turandot, que sacrifica todos os pretendentes incapazes de solucionar seus enigmas. O tenor Marcello Giordani vive o apaixonado príncipe Calaf, aguardado em um dos maiores hits da história da ópera, a ária Nessun dorma. Marina Poplavskaya canta a delicada escrava Liù, pungente em seu sacrifício de amor pelo príncipe mongol, e o veterano baixo norte-americano Samuel Ramey interpreta Timur, o rei destronado, pai de Calaf. A regência está a cargo de Andris Nelsons.

Maria Guleghina
Maria Guleghina

A montagem de Zeffirelli, encenada há mais de duas décadas no MET, é conhecida pela versão disponível em DVD, gravada em 1987, ano de estreia da produção, com duas grandes vozes em seu apogeu, a soprano Eva Marton como Turandot e o tenor Placido Domingo como Calaf, além de Leona Mitchel, Paul Plishka e do veteraníssimo tenor francês Hugues Cuenod cantando, aos 84 anos, o papel do Imperador Altoum, pai da princesa chinesa. É ver para conferir se ainda resiste ao tempo.

Eva Marton como Turandot, no MET
Eva Marton como Turandot, no MET

Assistamos à interpretação da ária In questa reggia, da Turandot de Puccini, pela grande soprano húngara Eva Marton na produção de Zeffirelli para o MET:


Na mesma montagem da Turandot de Puccini, ouçamos a ária Nessun dorma interpretada por Plácido Domingo. A regência é de James Levine.

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RUSSOS NO VERÃO

As vozes da mezzo-soprano russa Oxana Kornievskaya, que impressionou o Rio neste último semestre, e do tenor Georgiy Arivle se apresentam no concerto de verão do interessante projeto 4 Estações, no Morro da Urca, neste sábado (22h), ao lado das Meninas Cantoras de Petrópolis.

Oxana Kornievskaya e Georgiy Arivle
Oxana Kornievskaya e Georgiy Arivle

Comemorando a mudança de estação e o período festivo, o conjunto vocal feminino, em atividade há 33 anos, dá ênfase a canções natalinas, enquanto que os russos cantam árias e duetos de óperas francesas e italianas. Como de praxe, um novo talento abre a programação às 21h e, neste verão, ouviremos o Quarteto Quatro Estações.

Meninas Cantoras de Petrópolis
Meninas Cantoras de Petrópolis

Assistamos à grande performance de Oxana Kornievskaya na Carmen, de Bizet, no Bolshoi (cantada em russo):

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OSB VISITA JOHN WILLIAMS

A Orquestra Sinfônica Brasileira, regida por Roberto Minczuk, abraça a obra de um dos principais compositores de trilhas sonoras do cinema, o norte-americano John Williams, criador dos compassos que pontuam filmes como E.T, Star Wars, Indiana Jones e Harry Potter.

John Williams
John Williams

Os concertos realizados nestas quinta e sexta trazem o violino solista de Daniel Guedes executando, com a orquestra, um das obras mais premiadas de Williams (com o Oscar e o Grammy), a trilha de A Lista de Schindler. Versátil, Williams também é pianista e regente, além de compor sinfonias, concertos (para flauta, violino, tuba, trompete, fagote e violoncelo) e o ciclo de canções Seven for Luck.O concerto da OSB será repetido neste domingo, dia 20, às 11h.

Ouçamos a première da obra Soundings, de John Williams, composta para a abertura da Walt Disney Concert Hall, em Los Angeles. O compositor rege a LA Philharmonic no concerto de outubro de 2003.

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NATAL NA CANDELÁRIA

A Banda Sinfônica e o Coro do Corpo de Fuzileiros Navais, regidos pelo barítono Nelson Portella e por Thiago Soares, realizam o Concerto de Natal na Igreja da Candelária nesta quarta, dia 16, às 18h30.

Banda Sinfônica do Corpo de Fuzileiros Navais
Banda Sinfônica do Corpo de Fuzileiros Navais

Com a participação da soprano Magda Belloti, do tenor Ewandro Stenzowski e do Coro Infantil do Instituto da Ópera, interpretam composições de Mozart, Tchaikovsky, Verdi e Mascagni, entre outros, no que promete ser um grande especial natalino, coroando um ano de intensa atividade artística para os conjuntos do corpo de fuzileiros navais. No concerto, destaque ainda para a presença das gaitas de fole da banda marcial.

Nelson Portella rege o Coro Infantil
Nelson Portella rege o Coro Infantil

Assistamos ao vídeo sobre o Coro Infantil do Instituto da Ópera, belíssimo projeto social fundado pelo barítono Nelson Portella em 2008:

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MOZART EM CAMERATA

O maestro Israel Menezes rege a Orquestra Rio Camerata em dois concertos (quarta, 19h, no Centro Cultural da Justiça Eleitoral, e quinta, 18h, no Teatro da Universidade Santa Úrsula) com as Matinas da Assunção, do Pe.José Maurício, e duas importantes obras de Mozart, sua sinfonia no.23 e seu concerto para clarineta. Como solista, preparando a sua saída dos palcos, o grande clarinetista José Botelho.

Orquestra Rio Camerata
Orquestra Rio Camerata

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NEUKOMM NO BRASIL

A cravista Rosana Lanzelote acaba de lançar o livro “Sigismund Neukomm: Música Secreta – Minha Viagem ao Brasil”, sobre a vida e obra do compositor austríaco durante a sua permanência no Rio de Janeiro, entre 1816 e 1821.



Fruto de extensas pesquisas da autora, o livro é um perfeito complemento para um dos melhores CDs lançados neste ano: Neukomm no Brasil, que reúne os talentos de Lanzelotte, ao pianoforte, e de Ricardo Kanji, à flauta, celebrando o nascimento da música de câmara no Brasil, que teve no compositor austríaco seu mentor e pioneiro.



Ouçamos Rosana Lanzelotte e Ricardo Kanji interpretando Sigismund Neukomm em recital no Palácio São Clemente, maio de 2008:

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TEMPORADA DE CONCERTOS NATALINOS NAS IGREJAS

O Circuito BNDES – Música Brasilis, da Série Música nas Igrejas, coordenada por Rosana Lanzelotte, encerra as suas atividades de 2009 com mais quatro concertos natalinos durante esta semana. Com as vozes solistas da soprano Veruschka Mainhard, do contralto Patricia Peres, do tenor Geilson Santos e do barítono Fabrizio Claussen, o coro Polifonia Carioca executa excertos do Messias, de Händel, hoje, domingo, na Igreja do Carmo (17h), sob a regência de Ueslei Banus.

Polifonia Carioca
Polifonia Carioca

Com as flautas de Ricardo Kanji, as guitarras de Guilherme de Camargo e a voz do tenor Tiago Pinheiro, o Vox Brasiliensis interpreta, na terça (19h), na Ordem 3ª de São Francisco, composições dos séculos 17, 18 e 19, anônimas ou de expoentes como Marcos Portugal e José Maurício Nunes Garcia.

Do padre carioca Nunes Garcia, a excelente Cia.Bachiana Brasileira, fruto do talento (e perseverança!) do maestro Ricardo Rocha, seu diretor artístico, executa uma raridade absoluta, a Missa Pastoril para a Noite de Natal. Composta em 1811, a missa alterna partes corais a árias altamente virtuosísticas, concebidas para os três castrati presentes na corte carioca à época: Gori, Cicconi e Capranica.

Ricardo Rocha rege a Cia.Bachiana Brasileira
Ricardo Rocha rege a Cia.Bachiana Brasileira

O concerto fecha o circuito com chave de ouro na Igreja do Carmo da Antiga Sé, na quinta (19h), e marca o lançamento do site WWW.musicabrasilis.com.br, contendo 35 partituras, algumas nunca editadas, do Pe.José Maurício. A data escolhida celebra o nascimento de Cleofe Peson de Mattos, a maior pesquisadora da obra do nosso mestre da música colonial. Outras partituras se seguirão, disponibilizando no site a obra integral de Nunes Garcia.

Cia.Bachiana Brasileira e seu diretor, maestro Ricardo Rocha
Cia.Bachiana Brasileira e seu diretor, maestro Ricardo Rocha

Na véspera, quarta, a Camerata Natalina, formado pelas vozes especiais da soprano Nadja Daltro e do barítono Marcelo Coutinho, pelo flautista Igor Levy Auras, pelas harpistas Cristina Braga, Sílvia Braga e Wanda Eichbauer, e pelos contrabaixistas Ricardo Medeiros e Ricardo Cândido, reapresenta o seu belo concerto da última quinta (realizado na Igreja N.Sra. da Conceição, em Santa Cruz) no Mosteiro de São Bento (também às 19h). O programa eclético inclui de canções tradicionais galesas, catalãs e francesas a obras dos dois gigantes da música barroca, Bach e Händel.

Nadja DaltroCristina Braga
Nadja Daltro - Cristina Braga

Assistamos ao vídeo institucional (criado por Luiz Duarte) da Cia.Bachiana Brasileira, corpo artístico da Sociedade Musical Bachiana Brasileira, dirigida pelo maestro Ricardo Rocha:

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CRÍTICA: AIDA, DE VERDI, NO MET

Composta por encomenda do khediva do Egito para inaugurar o novo teatro de ópera do Cairo, Aida, de Giuseppe Verdi, teve sua estreia atrasada em quase um ano, acontecendo em dezembro de 1871, por causa dos cenários e figurinos, retidos em Paris pela guerra franco-prussiana.

Tal fato é mais um a ressaltar a importância da ambientação em Aida, e explica parcialmente uma aparente idiossincrasia: como, em pleno século XXI, quando a ópera passa por radicais transformações em seus conceitos cênicos, a obra verdiana resiste a leituras modernas e abstratas, dificultando novas contextualizações. A produção de Sonja Frisell para o MET, já com duas décadas de sobrevida, demonstra que o conservadorismo ainda pode ser uma boa opção, ou mesmo a única, para uma das principais obras do maior compositor da ópera italiana.



A cenografia do MET, tradicionalíssima e aparentemente datada em seu caráter monumental, mostra-se coerente com a dramaturgia da ópera Aida, calcada no estilo francês do “grand opéra”, presente com todas as suas características na segunda cena do segundo ato, que inclui processionais grandiosos, números de balé e maciça participação coral.

Particularmente bem resolvida, a cena final é impactante, delineada em dois ambientes distintos e claustrofóbicos que realçam o contraponto musical e cênico entre o dueto final de Radamès e Aida, aprisionados na tumba à espera da morte, e a súplica da princesa Amneris por paz, no templo acima. Bem menos inspirados são os figurinos, alguns de gosto duvidoso e inadequados ao tipo físico dos intérpretes, e as coreografias excessivamente convencionais.

Aida, de Verdi, na produção de Sonja Frisell para o MET
Aida, de Verdi, na produção de Sonja Frisell para o MET

De qualquer maneira, a grandiosidade cênica de Aida jamais obscurece o aspecto principal da ópera de Verdi: o drama íntimo dos três protagonistas, que vivem um triângulo amoroso impossível e fatal. A diversidade de sentimentos e intensidade dos conflitos, centrados na escrita musical verdiana que privilegia duetos e cenas de conjunto, exige vozes ao mesmo tempo dramáticas e refinadas.

A montagem atual do MET encontra intérpretes desta envergadura na soprano lituana Violeta Urmana, uma das vozes mais ricas da atualidade, que lhe permite compor uma Aida soberana em emoção e fraseado, explorando um leque dinâmico ímpar com a mesma aparente facilidade, de fortíssimos retumbantes a pianíssimos quase etéreos.

Violeta Urmana e Dolora Zajick na Aida do MET
Violeta Urmana e Dolora Zajick na Aida do MET

Dolora Zajick, como Amneris, rival de Aida pelo amor de Radamès, demonstrou porque é o maior mezzo-soprano dramático verdiano das últimas décadas. Com domínio pleno de um papel que interpreta há vinte anos, a voz poderosa da grande cantora norte-americana trouxe o teatro abaixo na cena eletrizante do julgamento de Radamès.

Como o general egípcio, o tenor Johann Botha compensou a rigidez cênica com uma verdadeira voz de tenor spinto, de excepcional projeção, capaz de momentos de grande beleza, como nos duetos do terceiro e quarto atos. O barítono italiano Carlo Guelfi imprimou, com seu timbre característico, o exato peso heróico verdiano necessário a Amonasro, rei dos etíopes e pai de Aida, em um performance de exceção em nossos dias. O baixo Roberto Scandiuzzi, um notável intérprete da ópera italiana, contribuiu com um sólido e idiomático sacerdote Ramfis, enquanto que o baixo Stefan Kocán interpretou um Rei de suntuosa projeção vocal, embora sem um timbre particularmente belo.

Johann Botha, Dolora Zajick, Stefan Kocán e Violeta Urmana em Aida, no MET
Johann Botha, Dolora Zajick, Stefan Kocán e Violeta Urmana em Aida, no MET

A rica partitura orquestral de Verdi encontrou um maestro à altura na batuta do italiano Danielle Gatti que, sem fazer concessão a uma leitura de efeitos fáceis, mostrou-se sensível às nuances do texto musical e aos momentos de maior impacto dramático.

Assistamos à Marcha Triunfal do Ato II da ópera Aida, de Verdi, na produção de Sonja Frisell para o MET. Gravação realizada em 1989, com regência de James Levine.

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TRIBUTO A ROTA

Um tributo a Nino Rota, celebrando seus 30 anos de morte, encerra a programação do ano da série UNIRIO Musical.

Rememorando o versátil compositor italiano, principal artífice musical da obra de cineastas como Fellini, o flautista Sérgio Barrenechea, a pianista Lúcia Barrenechea, a violinista Mariana Salles e o contrabaixista Gael Lhomeau interpretam uma ótima seleção de suas obras camerísticas hoje, na Sala Villa-Lobos.

Gael Lhomeau, Mariana Salles, Lúcia e Sérgio Barrenechea
Gael Lhomeau, Mariana Salles, Lúcia e Sérgio Barrenechea

Ouçamos o 1o.movimento - Allegro ma non troppo - do Trio para flauta, violino e piano, composto por Nino Rota em 1958:

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II CONCURSO JOVENS MÚSICOS: OS VENCEDORES

O jovem pianista paulistano Lucas Thomazinho, de apenas 14 anos, foi o vencedor do 1º prêmio do II Concurso Jovens Músicos, promovido pelo projeto Música no Museu, arrebatando o júri e a plateia presente na grande final, realizada na última segunda na Sala Cecília Meireles.

O 2º prêmio coube ao contrabaixista carioca Caio Mesquita Xavier de Almeida, enquanto que o 3º lugar, o saxofonista brasiliense Carlos Augusto Gontijo dos Santos, de 28 anos, recebeu também a bolsa de estudos, no valor de 93 mil dólares, na centenária James Madison University. Com sua performance à tuba, o paulista Albert Savino Khattar recebeu menção honrosa.

Os quatro vencedores do II Concurso Jovens Músicos
Os quatro vencedores do II Concurso Jovens Músicos

Os seis finalistas, que incluíram ainda o violonista Franciel Monteiro e a pianista Mariana Rodrigues, foram selecionados dentre 21 semifinalistas. Criteriosamente selecionados pelo alto nível de desempenho técnico e artístico, foram avaliados por uma comissão julgadora especial, presidida pelo maestro Alceo Bocchino e formada pelos compositores e maestros Ricardo Tacuchian e Edmundo Villani-Côrtes, pela pianista Maria Josephina Mignone, pelo contrabaixista Sandrino Santoro, pelo pesquisador da Rádio MEC, Lauro Gomes, pela flautista Elisabeth Chandler e pelo pianista Paulo Steinberg, representantes da universidade norteamericana.

Lucas Thomazinho - 1o. prêmio
Lucas Thomazinho - 1o. prêmio

Mantendo o objetivo de promover e incentivar jovens músicos, os participantes selecionados participarão em recitais do projeto Música no Museu, que fecha o ano de 2009 realizando 532 concertos, nacionais e internacionais.

Na programação de dezembro, a série realiza 21 concertos natalinos, culminando com a apresentação do Messiah, o mais célebre oratório de Händel, interpretado pelo Coro Polifonia Carioca no sábado, dia 19, no Palácio São Clemente. Nesta semana, a Orquestra Rio Camerata, regida pelo maestro Israel Menezes, executa um programa dedicado a Mozart no CCBB (quarta, 12h30) e o Madrigal Cruz Lopes interpreta canções natalinas na Igreja Santa Cruz dos Militares (terça, 14h30). O pianista Alexandre Dietrich toca um programa francês (Poulenc e Ravel) e brasileiro (Camargo Guarnieri e Villa-Lobos) no Centro Cultural da Justiça Federal na sexta, 15h.

Orquestra Rio Camerata
Orquestra Rio Camerata

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VIOLA - CAIPIRA E ERUDITA

Pelas mãos do exímio Marcus Ferrer, a viola caipira, também conhecida como viola de arame, faz sua entrada no universo erudito nesta segunda, com o recital de lançamento do CD “Viola de Concerto” no Auditório Guiomar Novaes (18h30).

O repertório do CD (e do recital) é formado por obras especialmente compostas para a viola caipira por nomes como Edino Krieger, Marisa Rezende, Roberto Victorio, Marcos Branda Lacerda, Roberto Velasco, Frederico Richter e Jorge Antunes, mestres da música brasileira contemporânea.



Há duas décadas se dedicando ao instrumento, Marcus Ferrer tem uma sólida trajetória artística no país, tanto como compositor quanto como solista e camerista, em parceria com grupos como a premiada Orquestra de Cordas Brasileira. Com o conjunto Música Antiga da UFF, Ferrer uniu a viola caipira aos instrumentos antigos em uma surpreendente gravação realizada em 2004: Medievo-Nordeste. Ouçamos as novas sonoridades da viola!

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OSB JOVEM - 10 ANOS

A OSB Jovem comemorou os seus 10 anos de atividades com um concerto especial neste domingo, dia 6, na Sala Cecília Meireles. Os 60 músicos da atual formação tocaram ao lado de 25 ex-integrantes, hoje instrumentistas das principais orquestras profissionais do país, confirmando a excelência do programa artístico e educativo desenvolvido pela OSB Jovem.

O concerto marcou também a premiação do trompista Daniel Soares, um dos quatro vencedores do Concurso Jovens Solistas da OSB, realizado em agosto. Daniel interpretou o Concerto para trompa no.3, em mi bemol maior, de Mozart, regido pelo maestro titular da orquestra jovem, Marcos Arakaki.

Marcos Arakaki rege a OSB Jovem
Marcos Arakaki

O regente convidado Antonio Henrique Seixas, trombonista da OSB, regeu o grupo na Fanfarra para um homem comum, composição de 1942, para metais e percussão, do norteamericano Aaron Copland. O diretor artístico da orquestra principal, Roberto Minczuk, imprimiu a sua marca na jubilosa Sinfonia no.5, composta em 1888 por Tchaikovsky.

Antônio Henrique Seixas
Antônio Henrique Seixas

Na quarta, dia 9 (18h30), a OSB Jovem, regida por Arakaki, continua as comemorações com um concerto gratuito no Instituto Metodista Bennett, executando obras natalinas, excertos da quinta sinfonia de Tchaikovsky e a Suíte L’Arlesienne no.1, de Bizet.

Ouçamos a OSB Jovem em ação, interpretando o 1o. movimento da Sinfonia no.8, de Dvorák, regida por Marcos Arakaki:

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OS SALÕES HISTÓRICOS

Quatro concertos inspirados nos salões de arte alemães, russos, franceses e italianos do século XIX acontecem na Pinacoteca do Estado, em São Paulo. A série Salões Históricos tem curadoria da pesquisadora e musicista Anna Maria Kieffer, que usou descrições de autores contemporâneos, como Proust, Martius e Tolstoi, para recriar a programação.

Anna Maria Kieffer
Anna Maria Kieffer

Iniciado com o Salão Germânico, inspirado nos salões dos Barões Von Lagsdorff realizados no Rio de Janeiro, o recital trouxe, no fim-de-semana passado, a soprano Martha Herr, o barítono Walter Weiszflog, o clarinetista Eduardo Freitas e o pianista Achille Picchi em obras de Haydn, Mozart, Schubert, Beethoven e Neukomm.

Neste domingo, dia 6, o Salão Russo apresenta composições de Tchaikovsky, Rimsky-Korsakoff, Glinka, Mussorgsky e Rachmaninoff interpretadas pelo tenor Mauro Wrona, pela mezzo-soprano Vesna Bankovic e Dana Radu ao piano.

Vesna Bankovic
Vesna Bankovic

O Salão Francês, inspirado nos salões da Princesa de Polignac realizados em Paris e Veneza na virada do século 19 para o século 20, traz a soprano Claudia Riccitelli e o barítono Walter Weiszflog, no sábado, dia 12, interpretando obras de Duparc, Satie, Debussy, Ravel, Milhaud, D’Indy, Fauré, Chausson e Poulenc.

Cláudia RiccitelliWalter Weiszflog
Cláudia Riccitelli - Walter Weiszflog

O Salão Italiano, inspirado no salão da Condessa Massei em Milão, durante o Risorgimento italiano, encerra o ciclo no domingo, dia 13. Cláudia Riccitelli e o tenor Martin Muehle, acompanhados por Aimar Santinho ao piano, interpretam composições de Rossini, Bellini, Tosti, Verdi e Carlos Gomes. Que o Rio seja agraciado com o ciclo!

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CLÁSSICOS NO VERDE

A harpista Cristina Braga e o contrabaixista Ricardo Medeiros se unem hoje, domingo, ao acordeão de João Carlos Coutinho para o encerramento, em alto estilo, do projeto Clássicos no Verde. No Museu do Meio Ambiente do Jardim Botânico, o trio interpreta um programa que mescla franceses, como Saint-Säens e Grandjany, aos brasileiros Tom Jobim e Villa-Lobos.

Cristina Braga
Cristina Braga

Inspirado nos Classiques au Vert, concertos parisienses que acontecem em parques e jardins, o ciclo do Jardim Botânico, concebido pela pianista Lilian Barreto, realizou seis concertos reunindo talentos como os Solistas do Rio de Janeiro, o Quarteto da OSESP, o Trio Caldi e os pianistas Arthur Moreira Lima, Eduardo Monteiro e Maria Teresa Madeira (em recital com o saxofonista Léo Gandelman).

Jardim Botânico
Jardim Botânico, Rio de Janeiro

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TRIBUTO A BERGANZA

A grande mezzo-soprano espanhola Teresa Berganza foi a homenageada especial do Projeto Grandes Vozes, promovido pela Cia. Ópera São Paulo.

O último recital da edição 2009 do Projeto, realizado no Teatro São Pedro na última segunda, coroou uma série de masterclasses ministrada pela diva madrilenha, hoje com 72 anos, uma das cantoras mais celebradas e importantes do último século, intérprete de eleição do repertório clássico, rossiniano e mozartiano, além de uma Carmen eletrizante.

Teresa Berganza
Teresa Berganza

O programa, gratuito, foi cantado por vozes brasileiras privilegiadas, alunos de Berganza, como Mere Oliveira, Keila de Moraes, Angélica Feital, Tati Helene, Miguel Geraldi, David Marcondes, Guilherme Rosa e Randal Oliveira, acompanhados ao piano por Maria Rasetti e Vitor Philomeno.

Teresa BerganzaTeresa Berganza
A mezzo-soprano Teresa Berganza

Em seus últimos recitais no Brasil, realizados pela Dell’Arte há 5 anos, Teresa Berganza selecionou criteriosamente o programa, que enfatizou outro território seu de excelência, a canção espanhola, e demonstrou a classe indestrutível de uma artista maior, dona de uma carreira de cinco décadas.

Confira a grande arte de Teresa Berganza interpretando a Habanera, da ópera Carmen, de Bizet:


E a ária de Rosina, Una voce poco fa, da ópera O Barbeiro de Sevilha, de Rossini, na clássica produção em filme de Jean-Pierre Ponnelle:


Em ambas as performances, a regência é de Claudio Abbado.

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