Arquivo de November 2009

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AIDA, DO MET, CHEGA AOS CINEMAS

Aida, de Giuseppe Verdi, é a segunda ópera da temporada 2009-2010 do Metropolitan Opera de Nova York transmitida, em HD, para cerca de mil cinemas ao redor do mundo. No Brasil, por iniciativa da MovieMobz, a ópera verdiana, em cartaz desde a última sexta, poderá ser assistida até a próxima quinta, diariamente em dois horários.

Aida, de Giuseppe Verdi, no MET
Aida, de Giuseppe Verdi, no MET

Uma obra-prima, Aida foi composta por Verdi nos moldes do estilo grand ópera francês, fruto da comissão do khediva do Egito. Como os cenários ficaram retidos na França por conta da guerra franco-prussiana, a estreia foi atrasada em um ano, acontecendo em 24 de dezembro de 1871 e, na Europa, em fevereiro de 1872 (Scala de Milão). O libretto de Antonio Ghislanzoni é baseado em argumento do egiptologista francês Auguste Mariette, combinando uma intensa história de amor em um drama épico situado no Egito antigo.

Johann Botha e Violeta Urmana em Aida, de Verdi, no MET
Johann Botha e Violeta Urmana em Aida, de Verdi, no MET

Na atual montagem do MET, a escrava etíope Aida é interpretada pela extraordinária cantora lituana Violeta Urmana, notável em papeis dramáticos, tanto no registro de soprano quanto de mezzo-soprano. Como sua rival pelo amor do comandante egípcio Radamès, interpretado pelo tenor sulafricano Johan Botha, a maior mezzo-soprano verdiana da atualidade, a norteamericana Dolora Zajick. O barítono italiano Carlo Guelfi vive o pai de Aida, Amonasro, rei dos etíopes, o baixo Stefan Kocán canta Il Rè e Roberto Scandiuzzi, excelente baixo, interpreta o sumo-sacerdote Ramfis.

Aida, na produção de Sonja Frisell para o MET
Aida, na produção de Sonja Frisell para o MET

A produção de Sonja Frisell, tradicional e suntuosa, coerente com o caráter monumental da obra, conta com cenários de Gianni Quaranta, figurinos de Dada Saligeri e direção cênica de Stephen Pickover. Em DVD, a montagem de Frisell pode ser conferida na gravação realizada em outubro de 1989, com Aprile Millo como Aida, Placido Domingo como Radamès, Sherrill Milnes como Amonasro, Paata Burchuladze, Dimitri Kavrakos e a mesma Dolora Zajick como Amneris. A performance vocalmente estupenda, lançada também em CD, é regida com vigor por James Levine.

Aida, do MET, em DVD

Assistamos à grande performance de Dolora Zajick e Aprile Millo no dueto do segundo ato da Aida, de Verdi, no Metropolitan Opera:

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CRÍTICA: TOSCA, DE PUCCINI, no MET

Um drama verista em estado puro, a Tosca de Giacomo Puccini inaugurou, na última semana, a segunda temporada de óperas do Metropolitan Opera House de Nova York transmitidas em high-definition para os cinemas brasileiros.

Karita Mattila como Tosca, de Puccini, no MET
Karita Mattila como Tosca, de Puccini, no MET

A nova produção, assinada por Luc Bondy, abriu a temporada 2009-2010 do MET em setembro (a récita transmitida foi gravada em 10 de outubro) e marcou um fato inusitado no maior teatro lírico norte-americano: os cenários foram recebidos com vaias. Extremamente fechada e simples, a cenografia de Richard Peduzzi não poderia ser mais contrastante com a da produção anterior do MET, encenada nas últimas décadas e trazendo a marca registrada de seu diretor, Franco Zeffirelli: cenários grandiosos e luxuosos, recriados com a maior riqueza possível de detalhes, mas que, vez ou outra, resvalam no kitsch. O mesmo se aplica à ação cênica do diretor italiano, repleta de acontecimentos secundários que, em alguns casos, acabam por sufocar a ação principal.

Tosca, na produção de Luc Bondy para o MET
Tosca, na produção de Luc Bondy para o MET

A nova versão do MET, com sua ambientação minimalista e escura, contribuiu, e muito, para intensificar a atmosfera claustrofóbica da ópera pucciniana, realçando apenas alguns detalhes cênicos importantes, como o quadro de Madalena pintado por Cavaradossi no primeiro ato. A direção de Luc Bondy apresentou soluções cênicas impactantes, como o salto de Tosca no encerramento da ópera, apenas vislumbrado antes que as luzes se apagassem abruptamente, ou o beijo de Scarpia na imagem da santa, fechando o magnífico jogo de contraponto e uníssono do Te Deum elaborado por Puccini no ato primeiro. Em outros momentos, mostrou-se menos inspirada, e mesmo perdida, ao evitar seguir a marcação cênica original, minuciosamente fornecida pelo compositor, como no fim do segundo ato, após Tosca matar Scarpia.

Marcelo Álvarez e Karita Mattila em Tosca, no MET
Marcelo Álvarez e Karita Mattila em Tosca, de Puccini, no MET

Controvérsias à parte, a montagem do MET trouxe alguns dos maiores intérpretes da atualidade em performances excepcionais. No papel-título, a finlandesa Karita Mattila construiu uma Tosca de intensidade vocal e cênica exuberantes, delineando com vigor e musicalidade as múltiplas emoções vividas pela temperamental protagonista, das crises de ciúme à amargura, das explosões de ira ao desespero mais acentuado. Com sua voz robusta de soprano spinto, em um timbre belíssimo e homogêneo, Karita Mattila é hoje intérprete de eleição do repertório dramático italiano.

George Gagnidze, Marcelo Álvarez e Karita Mattila na Tosca, de Puccini, no MET
George Gagnidze, Marcelo Álvarez e Karita Mattila na Tosca do MET

O tenor argentino Marcelo Álvarez fez um Cavaradossi vocalmente perfeito, iluminando com seu fraseado de extrema sensibilidade, e pianíssimos de tirar o fôlego, todos os estados de espírito do torturado pintor. Uma revelação extraordinária, o barítono George Gagnidze não apenas representou o Barão Scarpia, mas verdadeiramente introjetou todas as facetas do cruel chefe de polícia. Gagnidze não cantava Scarpia, ele era Scarpia, trazendo em sua máscara facial (impressionante!) e em sua sólida voz de barítono toda a vilania, perversidade e luxúria do personagem.

Ótimas contribuições do elenco de apoio, destacando-se o veteraníssimo baixo norteamericano Paul Plishka como o cômico sacristão. A regência de Joseph Colaneri, embora correta e, por vezes, sutil, não acompanhou a altíssima voltagem dramática do que acontecia em palco.

Karita Mattila como Tosca, de Puccini, no MET
Karita Mattila, uma estupenda Tosca

Confira a performance de Karita Mattila da ária Vissi d'arte, no ato II da Tosca pucciniana (photovideo):

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HOMENAGEM A ARMANDO PRAZERES

A Orquestra Petrobrás Sinfônica reapresenta, nesta terça (20h30), no Espaço Tom Jobim do Jardim Botânico, parte do programa executado nos concertos especiais deste fim-de-semana, na Sala Cecília Meireles, em homenagem ao seu idealizador e criador, maestro Armando Prazeres.

Armando PrazeresMaestro Armando Prazeres

Com regência de seu filho Carlos Prazeres, a orquestra executa César Guerra-Peixe (Tributo a Portinari) e o Improviso para Cordas, composição do maestro Prazeres descoberta por seus filhos há 10 anos, após a sua trágica morte.

A celebração de seu grande legado artístico culmina com a interpretação do Requiem, do francês Gabriel Fauré, com participações do barítono Marcelo Coutinho, do menino soprano Bernardo Francisco Speranza e do Coro dos Canarinhos de Petrópolis.

Carlos Prazeres
Carlos Prazeres

Do sensível Requiem de Fauré, vamos ouvir o Pie Jesu e o Agnus Dei interpretados pelo King's College Chapel Choir, de Cambridge:

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KOBAYASHI, JUDD e MINCZUK: NOTÍCIAS DA OSB

A pianista-prodígio japonesa Aimi Kobayashi se apresenta com a OSB nesta quinta, 26, e sábado, dia 28 (16h), na Sala Cecília Meireles. Com 14 anos recém-completados e multipremiada, Kobayashi vem provocando sensação pela musicalidade e técnica impressionantes para a sua idade.

Aimi Kobayashi
Aimi Kobayashi

O maestro inglês James Judd, co-fundador da Orquestra de Câmara Europeia, é o convidado da OSB para reger um programa integralmente dedicado à Beethoven, onde entram a sua descritiva Sinfonia no.6 (a Pastoral), a Abertura Coriolano e o Concerto para piano no.1 em dó maior. Apesar do número, o opus 15 é o 2o. concerto composto por Beethoven para piano e orquestra, quando tinha 25 anos. Suas cadências para o primeiro e terceiro movimentos causaram furor na estreia em 1798, executada pelo próprio compositor. Ouviremos agora na versão Kobayashi.

James Judd
James Judd

Na Europa, o diretor artístico da OSB, maestro Roberto Minczuk, depois de estrear em Bergen e em Helsinki, rege as Variações Sinfônicas sobre um Tema Original, do compositor santista Almeida Prado, com a Orquestra Nacional de Lille, na França.

Assista à pequena Aimi Kobayashi executando o Allegro da Sonata para piano no.10, de Beethoven:

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MÚSICA NO MUSEU – ANIVERSÁRIO EM RECITAL E CONCURSO

A Série Música no Museu comemora seus 12 anos de programação ininterrupta (um recorde brasileiro!) com um recital do pianista João Carlos Assis Brasil nesta sexta, no Palácio da Cidade (mediante convite). Inserindo o programa no I Festival Internacional de Flauta, Oboé e Fagote promovido pela série, Assis Brasil recebe a flautista norteamericana Jane Strauman.

João Carlos Assis Brasil
João Carlos Assis Brasil

A última semana do festival conta com vários outros artistas internacionais em seus concertos diários e gratuitos. O Duo Devienne, da Texas Tech University, formado pelo oboé de Amy Anderson e pelo fagote de Richard Meek, interpretaram um programa essencialmente clássico, dedicado a Mozart, Beethoven e Sigismund Neukomm, nesta segunda, na Biblioteca Nacional (12:30), com a participação de Pierre Descaves no Trio de Quantz para dois oboés e fagote.

Duo Devienne
Duo Devienne

Amy Anderson e Meek se unem a Harold Emert, oboísta curador do festival, ao percussionista Sergio Naidin, ao violonista Eduardo Camenietzki e ao tenor Camillo Michalka para um segundo concerto, hoje, terça, no Forte de Copacabana. Outro grupo norteamericano, o Trio West Virginia executa obras de compositores conterrâneos, além de Villa-Lobos, no CCBB (quarta, 12h30) e no Museu da República (quinta, 12h30).

No sábado, a flautista Beth Chandler e o pianista brasileiro, radicado nos EUA, Paulo Steinberg interpretam Bartók, Widor e Jolivet no Palácio São Clemente (18h).



Além das múltiplas iniciativas, a vitalidade da Série Música no Museu fica patente pela realização de seu II Concurso Jovens Músicos, após o grande sucesso da primeira edição, realizada no ano passado. A comissão organizadora, formada pelas pianistas Maria Helena de Andrade e Miriam Grossman, pelo violonista Paulo Pedrassoli, pela harpista Maria Célia Machado, pela gambista Kristina Augustin e pelo maestro Israel Menezes, selecionou, entre candidatos de alto nível, 21 semifinalistas (a previsão inicial seria de apenas 12) que se apresentarão nos próximos sábado e domingo, no MAM, a partir das 9h. A grande final acontece na segunda, dia 30, na Sala Cecília Meireles (18h).

Jovens instrumentistas mostrarão seu talento ao piano, violão, violoncelo, viola, contrabaixo, clarineta, flauta, saxofone e tuba, concorrendo a prêmios em dinheiro, concertos, gravação de programa na Rádio MEC e ao prêmio especial, uma bolsa de mestrado ou doutorado, no valor de 93.000 dólares, na James Madison University.

Alceo Bocchino
Maestro Alceo Bocchino, presidente do júri

O júri conta com nomes de destaque na cena musical brasileira, como os maestros e compositores Alceo Bocchino, Ricardo Tacuchian e Edmundo Villani-Côrtes, o contrabaixista Sandrino Santoro e o pesquisador da Rádio MEC Lauro Gomes, além da flautista norteamericana Beth Chandler e dos pianistas Adriano Jordão e Paulo Steinberg.

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RARIDADES NA ESCOLA DE MÚSICA

Duas raridades, uma absoluta, serão ouvidas nesta quarta na Escola Nacional de Música da UFRJ (19h30). Regidos pelo maestro mineiro Ciro Tabet, o Coral Brasil Ensemble, a harpista Vanda Eichbauer, o organista Eduardo Biato e o percussionista Tiago Calderano executam a Missa Sine Credo, do compositor Roberto Macedo, e os Chichester Psalms, de Leonard Bernstein.

Vamos ouvir, na íntegra, os Chichester Psalms, de Bernstein, interpretados pelo Coro e Orquestra do La Scala, de Milão, regidos por Gustavo Dudamel. O contratenor é Iestyn Davies.
Parte I - Psalm 108 v. 2, Psalm 100 (Maestoso ma energico):


Parte II - Psalm 23, Psalm 2 v. 1-4 (Andante con moto, ma tranquillo):


Part III - Psalm 131, Psalm 133 v. 1 (Sostenuto molto):


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CELEBRANDO VILLA-LOBOS

O CCBB presta a sua homenagem a Villa-Lobos no cinqüentenário de morte do maior compositor das Américas. Através de quatro concertos, sempre às terças em dois horários (12h30 e 18h30), o ciclo celebra, a partir desta semana, quatro grandes paixões de Villa-Lobos, onipresentes em sua obra: o violão, as serestas, os choros e a educação musical infantil.

Turíbio Santos e Trio Madeira Brasil
Turíbio Santos e Trio Madeira Brasil

Parte deste universo riquíssimo e plural estará presente em concertos realizados por artistas do quilate dos violonistas Turíbio Santos, diretor artístico do projeto, Fábio Zanon e Paulo Pedrassoli, do Trio Madeira Brasil e da soprano Carol McDavit, que se unem a ótimos intérpretes populares como Rafael Nogueira e Luis Claudio Muca.

Fábio Zanon
Fábio Zanon

Encerrando a série, coordenada por Carlos Belém, 30 jovens da orquestra do Projeto Villa-Lobos e as crianças, regidos por Sérgio Barboza, apresentam arranjos do Guia Prático, a antologia do cancioneiro infantil compilada por Villa-Lobos e base de seu programa de educação musical. Certamente a melhor homenagem ao maestro!

Ouçamos, pelo grande Turíbio Santos, Choros no.1, composto por Heitor Villa-Lobos em 1920:

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JOCY DE OLIVEIRA, DUAS VEZES E SEMPRE

A grande dama da música brasileira contemporânea, Jocy de Oliveira teve participação especial encerrando, nesta segunda, a edição 2009 do projeto Música Ampliada da Fundação Eva Klabin.

Jocy de Oliveira
Jocy de Oliveira

No programa, Jocy comentou a ópera Kseni, a estrangeira, composta, roteirizada e dirigida por ela, através de ilustrações em DVD. Os encontros com Jocy de Oliveira são oportunidades excepcionais de iniciação e compreensão de seu trabalho musical e teatral, originalíssimo, profundo e genial.

Kseni, a Estrangeira, de Jocy de Oliveira
Kseni, a Estrangeira

Hoje, Jocy de Oliveira fala sobre a obra de outro gênio, Villa-Lobos, através de cartas e gravações inéditas, na Academia Brasileira de Letras.

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SOPROS NO MUSEU II

O I Festival Internacional de Oboé, Flauta e Fagote, promovido pela Série Música no Museu, entra em sua terceira semana de sucesso. Destaque da programação, o Trio da OSN, que presta homenagens ao grande Noel Devos, o “pai dos fagotistas brasileiros”, se apresenta hoje no CCBB.

Formado pelo oboísta Leo Fuks, pelo clarinetista Walter Junior e pelo fagotista Cosme Silveira, o Trio Noel Devos executa obras de Jacques Ibert, Erik Satie, Bach e Francisco Mignone. No mesmo concerto, os oboístas Harol Emert, curador do projeto, e Moisés Ávila Maciel, acompanhados pelo pianista Cláudio Vettori, interpretam composições do compositor clássico alemão Ludwig August Lebrun, um virtuose do oboé em sua época.

Trio Noel Devos
Trio Noel Devos

Nesta terça, dia 17, a Série Música no Museu celebrou o cinquentenário de morte de Villa-Lobos com um recital especial da pianista Maria Helena de Andrade no Museu da República. Com sua classe interpretativa e domínio pleno da obra do maestro carioca, Maria Helena tocou algumas de suas páginas mais significativas para piano, com participação do flautista Carlos Ratto.

Maria Helena de Andrade Maria Helena de Andrade

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MÚSICA BRASILIS – BACH ENCONTRA VILLA-LOBOS

Música Brasilis: de Bach às Bachianas é o circuito de concertos promovido pela série Música nas Igrejas para homenagear o maior compositor brasileiro, Heitor Villa-Lobos, em seu cinqüentenário de morte. O projeto se estende até 17 de dezembro levando concertos gratuitos a igrejas barrocas do Rio de Janeiro, Ouro Preto, Tiradentes, São Paulo e Recife, tombadas pelo patrimônio histórico e restauradas com o apoio do BNDES, patrocinador do circuito.

De Bach às Bachianas marca a influência do compositor barroco Johann Sebastian Bach, gigante da história da música, sobre a obra de Villa-Lobos, celebrada em seu mais importante ciclo de composições, as Bachianas Brasileiras.

Antonio Meneses, Rosana Lanzelotte e David Chew
Antonio Meneses, Rosana Lanzelotte e David Chew

Os dois concertos de abertura do circuito Música Brasilis aconteceram alternadamente no último sábado, dia 14, no Convento de Santo Antônio e na Ordem 3ª de São Francisco, no Largo da Carioca, e serão repetidos neste domingo 15 em São Paulo, na Igreja de São Francisco. Dois dos maiores intérpretes brasileiros, a cravista Rosana Lanzelotte, curadora da série, e o violoncelista Antonio Meneses tocam sonatas de Bach e Vivaldi, enquanto que o também violoncelista David Chew comanda o programa dedicado a Villa-Lobos, tendo alguns de seus Choros e Bachianas interpretados pelos talentos excepcionais da soprano Carol McDavit, do violonista Paulo Aragão, da flautista Cláudia Ribeiro e do violoncelista Lars Hoefs.

Nesta segunda, no Outeiro da Glória (19h), o Quinteto Villa-Lobos, formado por Antonio Carlos Carrasqueira (flauta), Luis Carlos Justi (oboé), Paulo Sérgio Santos (clarinete), Philip Doyle (trompa) e Aloysio Fagerlande (fagote), interpreta obras brasileiras de Mário Tavares (seu quinteto composto em 1978 e dedicado ao grupo), Lorenzo Fernandez e Edino Krieger. O mais consagrado e premiado grupo de câmara carioca, com décadas de atividade artística, executa também arranjos de obras de Ernesto Nazareth, Pixinguinha e Villa-Lobos, estas presentes no último CD lançado pelo conjunto (“Villa-Lobos: Um Clássico Popular”).

Quinteto Villa-Lobos
Quinteto Villa-Lobos

Outro excelente grupo de sopros, o Art Metal Quinteto, se apresenta na quinta, dia 19, na Igreja N.Sra. do Carmo da Antiga Sé (19h).

Ainda a partir desta quinta, dois grandes intérpretes holandeses da música antiga, o cravista Jacques Ogg e o flautista Wilbert Hazelzet imprimem sua marca em composições de Jean-Marie Leclair, Bach (Johann Sebastian e Carl Philipp, pai e filho) e Hendrik Focking em igrejas do Recife, São Cristóvão (Sergipe), São Paulo e Rio de Janeiro. O concerto no Outeiro da Glória, no dia 28 de novembro, encerra a turnê brasileira dos dois conceituados instrumentistas.

Jacques Ogg
Jacques Ogg

Ouçamos a versão do Quinteto Villa-Lobos para a cantilena das Bachianas Brasileiras no.5, de Villa-Lobos. Concerto da turnê de lançamento do CD Villa-Lobos, Um Clássico Popular realizado em Florianópolis, junho de 2009.


Confira agora a interpretação da cravista Rosana Lanzelotte para a Sonata K.56, de Domenico Scarlatti:

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TOSCA: MET NOS CINEMAS

A nova, e aguardada, temporada de transmissões em HD (high definition) das óperas do Metropolitan Opera House de Nova York, o MET, para os cinemas brasileiros, começou hoje com uma importante inovação. Com o sucesso da primeira temporada, a MovieMobz, parceira do MET no Brasil, transmitirá cada produção do maior teatro lírico norte-americano diariamente, durante uma semana, para cinemas do Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Campinas e Juiz de Fora.

Karita Mattila como Tosca, de Puccini, no MET
Karita Mattila como Tosca, de Puccini, no MET

A primeira ópera, dos nove títulos que serão exibidos, é Tosca, drama verista de Giacomo Puccini que teve a sua estreia em Roma, em 1900. Com libretto de Luigi Illica e Giuseppe Giacosa, baseado na peça de Victorien Sardou, a Tosca de Puccini é um verdadeiro termômetro do impressionante domínio teatral (e senso dramático!) de seu compositor, assim como a sua inventividade musical.

A nova produção de Luc Bondy (com figurinos de Milena Canonero), que substitui a tradicionalíssima versão de Franco Zeffirelli, foi vaiada na sua estreia (fato inédito no MET!), que abriu a temporada 2009/2010 do MET em setembro, mas consagrou definitivamente a arte da soprano finlandesa Karita Mattila como uma das maiores intérpretes do repertório dramático italiano na atualidade.

Karita Mattila, a grande Tosca do MET
Karita Mattila, a grande Tosca do MET

A montagem, captada ao vivo no último dia 10 de outubro, tem direção musical do maestro Joseph Colaneri e conta com participações inspiradas do tenor argentino Marcelo Álvarez, como o pintor Cavaradossi, amante de Tosca, e do barítono George Gagnidze, como o Barão Scarpia, o inescrupuloso e sádico chefe de polícia, que nutre um desejo ardente pela protagonista.

Karita Mattila e Marcelo Álvarez na Tosca do MET
Karita Mattila e Marcelo Álvarez na Tosca do MET

Ainda em novembro, assistiremos à Aida, de Giuseppe Verdi, com a estupenda Violeta Urmana no papel-título, o tenor Johan Botha como Radamés e Dolora Zajick, maior mezzo-soprano verdiano de nosso tempo, como Amneris. Segue, em dezembro, a obra-prima final de Puccini, Turandot, com a soprano Maria Guleghina como a fria princesa chinesa, Marcello Giordani como o príncipe Calaf e Marina Poplavskaya no delicado papel da escrava Liù.

Em 2010, a MovieMobz transmite Os Contos de Hoffmann, de Offenbach, com Anna Netrebko e Joseph Calleja; Der Rosenkavalier (O Cavaleiro da Rosa), de Richard Strauss, com Renée Fleming e Susan Graham; a Carmen, de Bizet, com a sensação do momento, mezzo-soprano Elina Garanca; Simon Boccanegra, de Verdi, marcando a estreia de Placido Domingo como barítono, e duas raridades: Hamlet, na versão francesa de Ambroise Thomas(com a inigualável Natalie Dessay) e a Armida, de Rossini.

Assista ao trailer da temporada 2009/2010 do premiadíssimo projeto do Metropolitan Opera House - MET LIVE IN HD:

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CELEBRANDO RAPHAEL BAPTISTA

Negligenciado em nossos dias, o maestro, professor e compositor Raphael Batista (1909-1984) ganha hoje, celebrando o seu centenário de nascimento, uma retrospectiva de seu trabalho de inegável valor artístico através de um concerto e de uma exposição em sua homenagem na Escola Nacional de Música.

Contendo manuscritos e documentos de real importância histórica, como partituras e cartas assinadas por figuras de relevo como Villa-Lobos, a exposição “Raphael Baptista – O Tempo de um Mestre” segue até a próxima quinta. A visitação pode ser feita pela manhã e à tarde, até às 17h.

Raphael Baptista
Maestro Raphael Baptista e seu Tratado de Regência

O concerto, promovido pela Academia Brasileira de Música e pela Associação dos Ex-Professores da Escola de Música da UFRJ, apresentou, em um ambiente de muita emoção, algumas das obras mais representativas do compositor Raphael Batista, interpretadas pelas pianistas Maria Helena de Andrade e Inês Rufino, pela soprano Veruschka Mainhard, pelo contrabaixista Sandrino Santoro (a quem foi dedicada a obra ouvida, Noite Seresteira) e por conjuntos instrumentais da Escola de Música, como o quinteto de metais e a orquestra sinfônica, regidos por Ernani Aguiar.

Divertimento Folclórico no.1, uma das peças executadas, foi composto em 1978 e dedicado à formação orginal do Quinteto de Metais da Escola de Música. Já a Dança da Índia Enamorada (de 1966), interpretada pela Orquestra Sinfônica da UFRJ, foi dedicada à filha Sonia Maria, uma das organizadoras do evento. Obras que, como os Instantâneos Folclóricos para quinteto de sopros, se destacam em meio a uma produção musical considerável que engloba poemas sinfônicos (A Conquista do Sertão, Lincoln), ballet (Teresinha) e música de câmara.

Orquestra Sinfônica da Escola de Música da UFRJ

Coerente com o seu objetivo de incentivar e educar o gosto musical dos jovens, Rapahel Baptista foi prolífico em criar orquestras-escolas, culminando com a reestruturação da Orquestra Sinfônica da Escola de Música em 1971. Seu Tratado de Regência, publicado em 1977, ainda hoje é uma referência sobre o tema.

Segundo suas próprias palavras: "... Eu não teria chegado a tão feliz resultado se não tivesse tido a colaboração eficiente e dedicada de elementos que me cercaram. Eles foram tão idealistas quanto eu, perserverantes e crentes num Brasil artístico mais evoluído, num Brasil que já devia se orgulhar também de sua cultura musical..." Bravo, maestro!

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A ARTE PLURAL DE VILLA-LOBOS EM FESTIVAL

A 47ª Edição do Festival Villa-Lobos promete ser especialíssima. A propósito do cinqüentenário de morte do compositor (ocorrida em 17 de novembro), o festival assume proporções inéditas, abrangendo as diversas faces da obra de Villa-Lobos, suas múltiplas influências e seu interesse maior na cultura brasileira. Os concertos se associam a espetáculos de dança e filmes (que usaram a música de Villa como trilha sonora), espalhando-se por espaços culturais privilegiados até o dia 28 de novembro.

Heitor Villa-Lobos

Entre os destaques da programação, iniciada na última sexta com um concerto da Petrobrás Sinfônica (executando as Bachianas Brasileiras no.3 e a Sinfonia no.3, de Prokofiev), está o ciclo Paris de Villa-Lobos, realizado pela Sala Cecília Meireles. Os sete concertos enfocam as composições escritas e apresentadas por Villa em Paris, durante os anos 20 e 30, além de compositores ouvidos que impactaram a sua obra, como Stravinsky, Poulenc, Roussel, Milhaud e Prokofiev, na citada sinfonia. Na linha de frente, dois conhecedores e intérpretes maiores da música de Villa, os maestros Ricardo Rocha e Roberto Duarte, que lança ainda “Villa-Lobos Errou?”, um livro essencial para iluminar o processo de criação musical do compositor. Os talentos especiais dos pianistas Sonia Rubinsky, Sérgio Monteiro, Linda Bustani, Eduardo Monteiro, do Quinteto Villa-Lobos e do maestro Marcelo Lehninger completam a programação primorosamente selecionada.

Sonia Rubinsky
Sonia Rubinsky

Outro destaque absoluto é a execução integral dos 17 quartetos de cordas do maestro pelo Quarteto Radamés Gnattali, e dos trios para violino, violoncelo e piano, com o Trio Aquarius. As composições solo para piano ganham vida pelas mãos de intérpretes consagrados como Maria Teresa Madeira, Flávio Augusto e Sonia Rubinsky, que gravou a integral da produção pianística de Villa-Lobos em oito volumes, e excelentes interpretações, pelo selo Naxos. A obra para violão solo fica com outro especialista, Paulo Pedrassoli.

Quarteto Radamés Gnattali
Quarteto Radamés Gnattali

Complementa a programação o lançamento de três CDs: Villa-Lobos, um Clássico Popular, do quinteto homônimo (47 anos de uma trajetória artística ímpar!); do contrabaixista Bruce Henri e da Orquestra de Sopros da UFRJ, regida por Marcelo Jardim, interpretando duas raridades, a Fantasia em 3 movimentos e o Concerto Grosso.

Quinteto Villa-Lobos
Quinteto Villa-Lobos

Coroando a programação, Ricardo Tacuchian estreia a sua obra Biguás, dedicada ao homenageado, em concerto no dia 20.

O festival, que tem direção artística de Marcelo Rodolfo e João Guilherme Ripper, oferece ainda uma sólida programação infantil e um fórum de debates. Até amanhã, sempre às 14h, a discussão aponta outra grande paixão do compositor, mais atual do que nunca e vital para a formação de uma sociedade íntegra: a educação musical do brasileiro.

Ricardo Rocha
Maestro Ricardo Rocha

Alguns grandes momentos da obra maior de Heitor Villa-Lobos:

Sonia Rubinsky interpreta a Dança do Índio Branco, do Ciclo Brasileiro (1936) em recital realizado em fevereiro de 2008 no Conservatório de Jerusalém:


O Trio Aquarius, formado pelo pianista Flávio Augusto, pelo violinista Ricardo Amado e pelo violoncelista Ricardo Santoro, executa o Trio n° 2 em concerto na Escola de Música da UFRJ. Ouviremos o 4o.movimento:


O pianista Sérgio Monteiro interpreta A Prole do Bebe I em recital na Sala Cecilia Meireles (junho de 2008):

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VILLA NA ACADEMIA

A Academia Nacional de Música presta a sua homenagem a Villa-Lobos com um ciclo de palestras nesta quarta, dia 11, a partir das 10h, no Salão Dourado do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, com entrada franca.

Seis especialistas na obra do compositor comentam os diversos aspectos e gêneros abordados pelo mestre: Turíbio Santos (a obra para violão), Eliane Sampaio (a música vocal), Jacques Nirenberg (a música de câmara), Miriam Ramos (a obra para piano), Ecléa Ribeiro (educação musical e canto orfeônico) e Roberto Duarte (música sinfônica). Em um dia, toda a versatilidade e abrangência do nosso compositor maior!

Heitor Villa-Lobos

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HOMENAGEM A MENDELSSOHN

A Sala Cecília Meireles presta homenagens a Félix Mendelssohn em seus 200 anos de nascimento através de um grande ciclo, de amanhã à sexta.

Félix Mendelssohn
Félix Mendelssohn

Com o título A Reinvenção da Música, os três concertos apresentam algumas das obras capitais da carreira do compositor, tanto camerísticas quanto vocais e sinfônicas. Os Trios (nos. 1 e 2) para piano, violino e violoncelo serão interpretados por Ana de Oliveira, Hugo Pilger e Tamara Ujakova (quarta), e as obras corais executadas pelo ótimo Calíope, regido por Júlio Moretzsohn. Neste programa de quinta, com a participação de Priscila Bonfim ao órgão, a mezzo-soprano Luciana Costa e Silva canta as Drei Geistliche Lieder.

Coro Calíope
Coro Calíope

O concerto de encerramento, na sexta (sempre às 19h), traz a Orquestra Petrobrás Sinfônica, regida por Carlos Prazeres, executando a merecidamente célebre Sinfonia no.3 (a Escocesa) e o concerto para violino, piano e orquestra. Como solistas, a pianista Patrícia Bretas e o violinista Jaroslav Sonsky. O ciclo começa com duas palestras introdutórias proferidas pelo maestro Ricardo Prado.

Orquestra Petrobrás Sinfônica

Ouçamos a Sinfonia no.3 (Escocesa), de Félix Mendelssohn, executada pela Orchestra of the Age of Enlightenment, regida por Sir Roger Norrington. Concerto BBC Proms realizado no dia 25 de agosto de 2009 no Royal Albert Hall, Londres (vídeo dividido em três partes).
Parte 1:


Parte 2:


Parte 3:

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ARTE ORGANÍSTICA

O Instituto de Cultura e Arte Organística é um dos mais prolíficos promotores de concertos do Rio.

Três ótimos recitais acontecem na programação deste mês. Na Escola Nacional de Música, o cravista sueco Anders Danman se apresenta hoje e, na sexta, é a vez do organista japonês Yuzuru Hiranaka tocar no Mosteiro de São Bento.

Domitila Ballesteros

Em uma combinação inusitada, porém instigante, o flautista Afonso Oliveira se une à organista Domitila Ballesteros na sexta, dia 27, na Igreja N.Sra.do Carmo da Lapa.


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CRÍTICA: SOLI-TUTTI - A FORÇA DO CANTO A CAPELLA

Formado por doze cantores, o ensemble vocal Soli-Tutti foi criado por Denis Gautheyrie, seu diretor musical, em 1988. Desde então, segue uma trajetória diferenciada, aliando a alta qualidade musical a um gosto especial pela criação artística e pelo tempo teatral, em concertos a capella ou com formações camerísticas.

Foi toda esta experiência que transbordou no palco da Sala Cecília Meireles na última quarta,onde o Soli-Tutti realizou o programa Cantos de Amor, com obras de Olivier Messiaen e Enrique Munõz.

Desde a entrada, quando o ensemble interpretou a Habañera da ópera Carmen, de Bizet, em arranjo de Jean-Philippe Dequin, ficou patente a sonoridade requintada do Soli-Tutti. O diretor Gautheyrie consegue a proeza de mesclar, em perfeita sintonia com as possibilidades do texto musical, um som perfeitamente homogêneo a uma sonoridade rica em matizes, explorando as peculiaridades tímbricas dos doze integrantes do conjunto.

Soli-Tutti

Desta forma, as visões complementares do amor, evocadas nos universos sonoros distintos do repertório escolhido, foram exploradas em nuances a priori improváveis através das riquezas harmônicas reveladas pelo Soli-Tutti. Do misticismo presente nas Cinq Rechants, compostas em 1948 por Messiaen sobre textos surreais de própria autoria, repletos de referências míticas, à singeleza das versões de Dequin para La vie em rose (de Edith Piaf) e Ne me quitte pas (de Jacques Brel), o que se ouviu foi um ensemble maduro, de vocalização em perfeita sintonia com os propósitos do programa.

Comissionada e estreada em 2008 pelo Soli-Tutti, Oscuro Amor, peça composta pelo espanhol Enrique Muñoz e baseada nos Sonetos del amor oscuro de Federico Garcia Lorca, encerrou o concerto com intensidade única, por vezes contundente. Fundindo com originalidade elementos musicais diversos, do atonal ao folclórico andaluz, a uma teatralidade violenta, possível pelos textos de Lorca, Oscuro Amor ganhou o reforço de dois bailarinos-coreógrafos: Francisco Velasco, em domínio absoluto do flamenco, e Gianni Joseph, que antes havia enriquecido com novas dimensões a música de Messiaen.

Soli-Tutti

A múltiplas possibilidades da obra de Munõz permitiram ao Soli-Tutti demonstrar seu amplo domínio de música e cena com uma leitura vibrante, versátil e totalmente envolvente. A lamentar somente a ausência do público carioca, que, ao deixar quase vazia a Sala Cecília Meireles, não saboreou uma experiência artística singular.

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SALA DE CONCERTO ESPECIAL

Duas grandes vozes russas, a mezzo-soprano Oxana Kornievskaya e o tenor Georgy Arivle participam hoje do programa Sala de Concerto, transmitido ao vivo do auditório da Rádio MEC.

Oxana Kornievskaya
Oxana Kornievskaya

Depois da estreia brasileira em julho, no Festival de Inverno de Nova Friburgo, promovido pela Dell’Arte, Oxana Kornievskaya participou da Cavalleria Rusticana, de Mascagni, produzida pelo Theatro Municipal na Sala Cecília Meireles. Sua performance arrebatadora transfigurou o pequeno papel de Mamma Lucia.

No recital desta semana, acompanhados pela pianista Priscila Bonfim, Oxana e Georgy interpretam árias e canções russas de Rimsky-Korsakov, Glinka e Tchaikovsky, além de árias italianas de Donizetti, Rossini e Puccini.

Confira o grande talento vocal de Oxana Kornievskaya interpretando a ária Mon coeur s'ouvre a ta voix, da ópera Samson et Dalila, de Saint-Saëns:

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SOLI-TUTTI A CAPELLA

Soli-Tutti

O grupo vocal Soli-Tutti é a atração da segunda edição da Série Concertos Internacionais da Sala Cecília Meireles. Dirigidos por Denis Gautheyrie, os doze componentes do conjunto se dedicam especialmente à música vocal contemporânea a capella, com resultados surpreendentes.

As apresentações do Soli-Tutti envolvem inusitados elementos cênicos que propiciam uma nova experiência do repertório abordado. Em dois concertos distintos, hoje e amanhã (20h), os artistas do Soli-Tutti interpretam obras polifônicas da Renascença ao século XX (quarta) e o programa Chants d’amour, celebrando o ano da França no Brasil através das obras Cinq Rechants, de Olivier Messiaen, e Oscuro Amor, de Enrique Munõz. Estabelecendo universos contrastantes, os doze cantores e dois bailarinos oferecem uma visão múltipla do sentimento maior, o amor. Completam o programa arranjos puramente vocais de canções francesas como La vie em rose e a Habanera, da ópera Carmen, de Bizet.

Soli-Tutti

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EMPREENDEDORISMO EM MÚSICA

O projeto Música no Museu, versátil em seus objetivos, realiza o III Encontro de Empreendedorismo no Meio Musical, nesta quinta, na Escola de Música da UFRJ, com entrada franca e vagas limitadas.

Durante todo o dia, a partir das 9h, o evento discutirá os principais aspectos relacionados à produção na área da música de concerto, assim como o ensino musical nas escolas e os diversos projetos, na cidade do Rio e no interior, que vem transformando vidas e reintegrando jovens através da música. Participam dos debates nomes expressivos em suas respectivas áreas.

A julgar pelo sucesso do ano anterior, um encontro imprescindível.

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MADEIRAS NOBRES EM FESTIVAL: UM SOPRO DE ELEGÂNCIA NO RIO

A Série Música no Museu, que vem se notabilizando por ineditismos, realiza durante o mês de novembro o I Festival Internacional de Flauta, Oboé e Fagote do Rio de Janeiro.

Estão programados mais de 30 concertos gratuitos em museus, centros culturais e igrejas da cidade, com alguns dos principais intérpretes brasileiros dos instrumentos e artistas internacionais de sólida trajetória, como as flautistas norteamericanas Beth Chandler e Jane Straumman, o Duo Devienne e o flautista indiano Sachdev.

O I Festival carioca é inspirado nos festivais anuais da International Double Reed Society, que enfocam os instrumentos de madeira de palheta dupla, como o oboé e o fagote. O evento carioca associa os dois instrumentos à flauta em uma grande festa que celebra a riqueza sonora de seus timbres tão diversificados.

Harold Emert
Harold Emert

Com curadoria do oboísta americano, radicado no Brasil, Harold Emert, o concerto de abertura, hoje, no Forte de Copacabana, traz o oboé de Rodrigo Herculano, a Orquestra de Violoncelos e o Coral de Flautas do Projeto Cidade da Música, de Volta Redonda, regidos por Sarah Higino, em um programa mesclando obras barrocas, de Scarlatti e Michel Correte, e modernas, de Andrew Lloyd Weber e Villa-Lobos.

O notável oboísta Carlos Prazeres, o violinista Felipe Prazeres, o violoncelista Marcus Ribeiro e o violista Ivan Zandonad apresentam composições de Bach, Händel, Mozart e Benjamin Britten amanhã, no Centro Cultural Banco do Brasil (12h30), em concerto em homenagem ao maestro e oboísta Isaac Karabtchevsky.

Isaac Karabtchevsky
Isaac Karabtchevsky

O flautista Norton Morozowicz, acompanhado pela pianista Glacy Antunes, interpreta um programa essencialmente brasileiro na quinta (18h30), na Escola de Música da UFRJ e, no Centro Cultural Light (sexta, 12h30), ouviremos a arte da flautista Odette Ernest Dias.

A programação diária e variada traz um momento especial no próximo domingo, quando o inventivo oboísta e compositor Leonardo Fuchs realiza concerto e workshop no MAM (11h30).

Nas próximas semanas, apresentam-se intérpretes de quilate maior como o fagotista Aloysio Fagerlande, os oboístas Luis Carlos Justi, Marco Miglieta e Moisés Ávila, os flautistas Carlos Ratto, Sérgio Galvão, Hélder Teixeira e Michael Lovelock, os pianistas Paulo Steinberg, Maria Helena de Andrade, Fernanda Canaud e Cláudio Vettori, além do inusitado Trio de Fagotes da OSN, que presta homenagem ao “pai dos fagotistas brasileiros”, o grande Noel Devos .

Odette Ernest DiasAloysio Fagerlande
Odette Ernest Dias - Aloysio Fagerlande

Confira um momento especial: ao lado do grande Jean-Pierre Rampal, o flautista e maestro Norton Morozowicz executa uma sonata do compositor barroco belga Loeillet de Gant. Concerto realizado no Teatro Guaíra em 1982.

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CRÍTICA: WIENER AKADEMIE E MARTIN HASELBÖCK - SCHUBERT E HAYDN AUTÊNTICOS E VIVOS

Martin Haselböck e sua Wiener Akademie tem se destacado no cenário internacional por resgatar obras desconhecidas dos repertórios barroco e clássico, ou por imprimir vitalidade musical, através de seus instrumentos de época, a composições mais usuais do mesmo período, abrangendo o início do romantismo germânico.

Foi essa inerente musicalidade, desenvolvida tanto no âmbito sinfônico quanto sacro e operístico, que a Wiener Akademie e Haselböck demonstraram no concerto da última segunda, realizado pela Série Dell’Arte de Concertos Internacionais.

Com a participação do premiado Chorus Sine Nomine, também austríaco, e de quatro jovens e talentosíssimos cantores, como a soprano polonesa Aleksandra Zamojska, a mezzo-soprano Ida Aldrian, o tenor Bernhard Berchtold e o barítono Christian Hilz, orquestra e maestro interpretaram duas pérolas do repertório sacro, a Missa no. 2, em sol maior, D.167, do vienense Franz Schubert, e o Stabat Mater, de Joseph Haydn, nome fundamental do período clássico.

Martin Haselböck
Martin Haselböck

Na obra de Schubert, composta em 1815, Haselböck extraiu da Wiener Akademie uma interpretação extremamente clara e articulada, enfatizando a diferença de climas e as expressões contrastantes das seis partes desta delicada Missa Brevis. O destaque absoluto coube à sonoridade perfeita, homogênea e transparente do Chorus Sine Nomine, crucial a uma performance irretocável desta pequena jóia schubertiana. As pequenas intervenções solistas contribuíram para a alta qualidade da execução, em especial o fraseado sensível da soprano Zamojska. A entrada de sua voz, ao mesmo tempo cheia e cristalina, repleta de emoção interiorizada, no Kyrie, foi um dos momentos mais emocionantes da noite. O canon para os três solistas, desenvolvido por Schubert no Benedictus, ganhou um equilíbrio ideal nas vozes perfeitamente timbradas e entrelaçadas de Zamojska, do tenor Berchtold e do barítono Hilz.

Encerrando a primeira parte, o violinista ucraniano Ilia Korol, spalla da orquestra, foi o solista da graciosa e rara konzertstück, para violino e cordas, D.345, também de Schubert. A peça curta, dividida em um Adagio inicial e um Allegro extremamente brilhante e melódico, obteve da formação uma leitura vigorosa, que realçou o acentuado caráter rítmico e as nuances do diálogo entre o tutti e o solista. Korol exibiu um excelente domínio técnico, dominando com bravura as passagens de virtuosismo da partitura, embora sem demonstrar aquela riqueza sonora última que se espera de um grande solista ao violino.

Martin Haselböck rege a Wiener Akademie
Martin Haselböck rege a Wiener Akademie

O Stabat Mater, composto em 1767 por Joseph Haydn, uma das obras-primas do repertório sacro clássico, preencheu de ricos matizes harmônicos e introspecção profunda o Teatro João Caetano na segunda parte do concerto.

Dividida em treze partes, a equação aqui se inverte, com participação proeminente dos cantores solistas em árias de grande beleza e sobriedade. Aleksandra Zamojska confirmou a sua imensa musicalidade, delineando com sua voz belíssima momentos de fervor e espiritualidade, como em Quis non posset e no duo com o tenor em Sancta Mater.

Bernhard Berchtold demonstrou porque é um dos tenores mais requisitados da atualidade para a interpretação dos oratórios de Bach e óperas de Mozart. Seu timbre claro, nuançado, sensível às exigências do texto e demonstrativo de sua vivência como camerista, foi o veículo ideal para a interpretação de árias pungentes como o Vidit suum dulcem natum ou o Stabat Mater dolorosa, em diálogo com o coro.

Wiener Akademie
Wiener Akademie

A jovem Ida Aldrian, mezzo-soprano, empregou seu timbre escuro, porém delicado, para acentuar, com inteligência musical, o caráter suplicante em passagens de maior gravidade, como as árias O quam tristes e Fac me vere.

O barítono Christian Hilz, normalmente um ótimo intérprete, traiu o seu estado de saúde (parecia gripado, ou algo similar, e tossia bastante). Sua voz não conseguiu emitir os graves com o peso necessário para dar vida a momentos como Pro peccatis suae gentis, ou manter as qualidades de timbre nos grandes saltos de Flamnis orci ne succendar.

Martin Haselböck e orquestra, em seu elemento, iluminaram os diversos estados de espírito da obra, da contrição ao desespero, do ardor à serenidade final. Cordas e sopros em equilíbrio, secundados por um coro em sua melhor forma, foram essenciais à revelação dos ricos e inusitados detalhes harmônicos da partitura do mestre Haydn.

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