O Mozarteum Brasileiro, uma das mais importantes associações culturais do país, realiza 8 concertos internacionais em São Paulo em sua temporada 2010. Os concertos, que acontecem na Sala São Paulo e no Teatro Alfa, começam em abril com o Ensemble Berlin, conjunto de câmara formado por integrantes da Filarmônica de Berlim. Seguem com o Waldstein Quartet e a Oslo Camerata (maio). A célebre NDR Radiophilharmonie Hannover, regida por Eiji Oue, se apresenta em junho com a violinista Isabelle van Keulen.
Ensemble Berlin
Em agosto, a premiada Sinfônica de Heidelberg, regida por seu fundador Thomas Fey, interpreta o concerto para piano no.21, de Mozart, com o jovem pianista Haiou Zhang, entre obras de Haydn e Salieri. Um nome em ascensão no cenário internacional, o violoncelista Leonard Elschenbroich toca o concerto para violoncelo de Dvorák com a Sinfônica Heliópolis, regida por seu diretor artístico, Roberto Tibiriçá.
Haiou Zhang - Leonard Elschenbroich
Em setembro, um grande momento, e o único a vir ao Rio: Zubin Mehta com a centenária Filarmônica de Munique. O encerramento com chave de ouro da temporada será com a Orquestra Bach da Gewandhaus de Leipzig e os Meninos Cantores de São Tomás executando a Missa em Si menor, de Bach, regidos por Georg Christoph Biller.
A Associação Cultural Música é Vida caminha para seu 10º vídeoconcerto comentado e prepara novas programações. Neste sábado, dia 6 (16h), no auditório multimídia da loja Modern Sound, em Copacabana, assistiremos a obras dos dois grandes pianistas virtuoses da era romântica, Frédéric Chopin e Franz Liszt, interpretadas pelos maiores virtuoses da nova geração, como os chineses Lang Lang e Yundi Li, o canadense Marc-André Hamelin e o francês François-Frédéric Guy.
Lang Lang - Yundi Li
Ícones da arte pianística do último século também participam da seleção. O grande Alfred Brendel, que se retirou dos palcos em 2008, aos 77 anos, imprime a sua marca na “fantasia quasi sonata Aprés une lecture de Dante”, de Liszt. O legendário pianista russo Sviatoslav Richter interpreta peças que revolucionaram a técnica para o instrumento, os Estudos opus 10, de Chopin.
Alfred Brendel - Sviatoslav Richter
No dia 5 de março, dia nacional da música clássica e aniversário de Villa-Lobos, a associação inicia seu novo projeto, Música na Praça, com um objetivo essencial: apresentar a grande música a um público pouco familiarizado a ela. O programa levará alguns dos grandes momentos da música ocidental, em interpretações de alta qualidade e comentários explicativos, para exibição em telão nas praças de cidades do interior do estado, iniciando em Piraí.
Marc-André Hamelin - François-Frédéric Guy
Ouçamos Après une lecture de Dante: Fantasia Quasi Sonata, de Franz Liszt, na interpretação excepcional de Alfred Brendel (vídeo dividido em duas partes):
A nova temporada da Ópera Estatal Bávara, a Ópera de Munique, não poderia ter título mais sugestivo: “Corpos amaldiçoados, Almas Redimidas”. A justaposição dá o tom das óperas selecionadas e discute temas fundamentais da condição humana através das ações, motivações e destinos dos protagonistas. Atualizar a relevância destas questões foi o desafio dado aos diretores das novas produções, alguns em sua estreia no teatro alemão ou mesmo em um palco de ópera.
Don Giovanni, de Mozart, na produção de Stephan Kimmig para a Ópera de Munique
A atual temporada da Ópera Bávara (2009-2010) engloba 24 títulos, sendo sete as óperas que recebem novas encenações. Como nos grandes teatros líricos mundiais, as demais óperas sobem ao palco em montagens de repertório, ou seja, já consagradas na casa.
Alex Esposito e Mariusz Kwiecien em Don Giovanni, de Mozart, na Ópera Bávara
A produção de Stephan Kimmig para a obra-prima de Mozart, o dramma giocoso Don Giovanni, abriu a temporada. A estreia do diretor em ópera abriu novas perspectivas para a personalidade ambivalente do protagonista, atualizando-o como um pária da sociedade e não meramente um hedonista sedutor. Encarnando um intenso Don Juan, o polonês Mariusz Kwiecien, que vem se tornando o nome mais fulgurante entre os barítonos da atualidade. Ótimo ator e intérprete de inteligência inquietante, Kwiecien é dono de uma voz excepcional e responsiva às necessidades dramáticas do texto musical. Em um jogo cênico de contrastes e semelhanças, o onipresente Leporello do momento, vivido pelo baixo italiano Alex Esposito.
Alex Esposito, Maija Kovalevska e Mariusz Kwiecien em Don Giovanni, na Ópera de Munique
As três personagens femininas foram interpretadas pelas sopranos Ellie Dehn (Donna Anna), Maija Kovalevska (Donna Elvira) e Laura Tatulescu (Zerlina). O eslovaco Pavol Breslik, tenor em ascensão nos teatros europeus, assumiu o papel de Don Ottavio, noivo de Donna Anna, que será interpretada pela ótima soprano norte-americana Anja Harteros quando a produção for retomada em julho, durante o Festival de Ópera. A regência coube ao maestro nipo-americano Kent Nagano, o criativo diretor musical do teatro.
L'Elisir d'Amore, de Donizetti, na versão de David Bösch para a Ópera Bávara
A ópera buffa de Gaetano Donizetti, L’Elisir d’Amore (O Elixir do Amor), foi a segunda nova produção do teatro alemão, coordenada por outro estreante em palcos líricos, David Bösch. A encenação, muito criticada por seus cenários extravagantes e de gosto duvidoso, reuniu duas jovens estrelas do firmamento operístico, o tenor italiano Giuseppe Filianoti e a belíssima soprano georgiana Nino Machaidze, que substituiu a diva Anna Netrebko como a Juliette, de Gounod, no Festival de Salzburgo. Filianoti foi o pivô de uma polêmica e tanto no Scala de Milão há um ano, ao ser substituído de última hora (e contra a sua vontade!) como o Don Carlo, de Verdi, pelo tenor americano Stuart Neill. A reação contrária da apaixonada plateia milanesa não poderia ter sido mais intensa.
Giuseppe Filianoti em L'Elisir d'Amore, de Donizetti, na Ópera de Munique
Em fevereiro, a Ópera de Munique faz a premiére mundial da nova ópera do compositor e maestro húngaro Peter Eötvös, Die Tragödie des Teufels (A Tragédia do Diabo), baseada em libretto do dramaturgo alemão Albert Ostermaier. O texto da ópera “cômica-utópica” de Eötvös foi inspirado no drama nacional húngaro, A Tragédia do Homem, escrito em 1861 por Imre Madách. Nele, Adão e Eva vagam por diferentes épocas da história, vivenciando a trajetória de injustiça e sofrimento da humanidade. Na adaptação de Ostermaier, os momentos históricos são eliminados em favor de um espaço virtual não definido cronologicamente, onde Lúcifer conduz Adão e Eva através de um mundo de conflitos e incertezas. Ao fim, um Lúcifer desencarnado e incorporado a todo o ambiente transmuta a sua própria desgraça na tragédia do ser humano, que não consegue localizar o mal e o percebe em tudo e em si mesmo.
Peter Eötvös - Albert Ostermaier
A produção de Balász Kovalik (diretor artístico da Ópera da Hungria) tem instalações cênicas do casal de artistas plásticos ucranianos Ilya e Emilia Kabakov. O próprio compositor responde pela direção musical da ópera, que traz a mezzo-soprano holandesa Cora Burggraaf como Eva, o tenor Topi Lehtipuu como Adão e o barítono Georg Nigl como Lúcifer. A jovem Burggraaf, que tem agora seu primeiro grande papel, foi Stéphano na montagem de Roméo e Juliette em Salzburgo, com Rolando Villazon e Machaidze, já disponível em DVD. Dono de uma agenda lotada, o finlandês Lehtipuu é um dos maiores especialistas do repertório vocal barroco e clássico dos últimos anos e intérprete de eleição de maestros como René Jacobs e William Christie. Lehtipuu participou da estreia mundial de outra ópera de Eötvös, Anjos na América, em Paris (2004). O austríaco Georg Nigl já marcou com sua impressionante versatilidade vocal e cênica inúmeras estreias mundiais.
Cora Burggraaf - Topi Lehtipuu
Em março, sobe ao palco bávaro a nova montagem da ópera francesa Dialogues des Carmélites, de Francis Poulenc, com Susan Gritton e Soile Isokoski, regidas por Nagano. Seguem novas encenações para Medea in Corinto, uma raridade composta em 1813 por Giovanni Mayr, a pucciniana Tosca na versão de Luc Bondy (co-produção com o MET), e Die Schweigsame Frau (A Mulher Silenciosa), de Richard Strauss. Comentarei mais!
Assistamos aos trailers das novas montagem da Ópera da Munique para Don Giovanni, de Mozart, e L'Elisir d'Amore, de Donizetti:
Veja agora um documentário sobre a nova produção de Don Giovanni na Ópera de Munique:
2010 é o ano Chopin. O primeiro grande projeto brasileiro celebrando o poeta do piano acontece em fevereiro no Teatro SESI/Rio, criado e dirigido por Eli Rocha com roteiro cênico de Viviane Mosè.
Frédéric Chopin pintado por Delacroix em 1838
“Chopiníssimo” marca a abertura das comemorações chopinianas no dia 22, data de aniversário do compositor polonês, integrando o programa oficial de celebrações internacionais. O projeto inclui exposição de fotografias, palestra audiovisual e um concerto cênico com a premiada pianista Linda Bustani, a mezzo-soprano Carolina Faria e o ator Fernando Eiras vivendo o compositor em momentos marcantes de sua trajetória.
Chopin - fotografia realizada no ano de sua morte, 1849
Chopiníssimo viaja para Curitiba em abril e para São Paulo em maio.
Para entrar no clima chopiniano: Yundi Li interpreta o Noturno opus 9, no.2:
O mais importante centro cultural da América, o Lincoln Center for the Performing Arts, de Nova York, em parceria com o Schomburg Center for Research in Black Culture, celebra em fevereiro a inestimável contribuição afro-americana para as artes no país. A programação diversificada abraça os estilos musicais fundamentados na cultura negra, como o jazz, o blues e o gospel, e a influência de mão dupla na música de tradição européia, em especial a ópera.
Cenário para Treemonisha, de Scott Joplin (Opera Memphis)
O concerto especial Opera at the Schomburg apresenta hoje excertos de algumas das principais óperas de temática afro-americana, verdadeiros marcos da música nos EUA, como Treemonisha, composta em 1910 por Scott Joplin (porém somente estreada em 1972), e Four Saints in Three Acts (de Virgil Thomson), assim como imagens e gravações do rico acervo da instituição. As interpretações estão a cargo de quatro jovens talentos, soprano Donita Volkwijn, mezzo-soprano Kendall Gladen, tenor Robert Mack e barítono Sidney Outlaw.
Opera at the Schomburg: Robert Mack e Kendall Gladen - Donita Volkwijn
Em março, a New York City Opera e a Opera Noire apresentam, em versão de concerto, a ópera The Life and Times of Malcolm X, de Anthony Davis, marcando o aniversário de 45 anos de assassinato do líder da luta por igualdade dos direitos civis nos EUA. A obra teve sua primeira audição em 1986.
Robert McFerrin
Ainda em março, um tributo ao legado do barítono norte-americano Robert McFerrin (1921-2006), o primeiro intérprete masculino afro-americano a cantar no Metropolitan Opera, em 1955, mesmo mês de estreia no teatro da detentora do título de pioneira, a grande Marian Anderson. McFerrin fez Amonasro, pai da escrava etíope Aida, na ópera homônima de Verdi, e interpretaria ainda, no MET, Valentin (do Faust, de Gounod) e o papel-título no Rigoletto, de Verdi. Participa do evento o filho mais famoso do legendário barítono, o também cantor Bobby McFerrin.
Jessye Norman
Em 2009, foi o mítico Carnegie Hall que comemorou o legado cultural afro-americano no festival “Honor!”, com curadoria da estupenda Jessye Norman. O clímax da celebração reuniu a voz incomparável de Norman à Orquestra de St.Luke’s e ao grupo de Hip-Hop The Roots para a première mundial de Ask Your Mama. A obra multimídia foi composta por Laura Karpman sobre o poema épico homônimo de Langston Hughes, escrito em 1960 com indicações, às margens, de como o texto poderia ser musicado.
Assistamos a uma entrevista com Jessye Norman sobre o primeiro festival Honor! no Carnegie Hall:
Conheça um pouco mais sobre Treemonisha, de Scott Joplin (do documentário de Tony Palmer):
Ouçamos agora Jessye Norman e Lisa Gasteen interpretando excerto de Treemonisha em concerto realizado em Londres, 1986, regido por Sir Edward Downes:
Os vencedores do British Composer Award Winners 2009, mais importante premiação britânica para seus compositores, incluem veteranos consagrados e promissores talentos. Entregue pela BASCA, Academia Britânica de Compositores e Autores, a sétima edição premiou um dos nomes mais respeitados da música inglesa contemporânea, John Tavener, na categoria sacra, por sua sequência de cânticos Ex Maria Virgine. Na música de câmara, Alexander Goehr teve sua obra Since Brass, Nor Stone reconhecida por unanimidade. O prêmio internacional foi recebido por um ícone norte-americano, John Adams, por sua ópera, de trajetória igualmente emblemática, Doctor Actomic.
Sir John Tavener
Na categoria vocal, John Casken foi premiado por The Dream of the Rood, uma obra épica com instigante e poderosa linguagem harmônica. Thomas Simaku foi vencedor na categoria instrumental solo por sua obra Soliloquy V, Flauto Acerbo que, segundo o júri, redefine o instrumento de uma forma completamente original e visionária. Na categoria orquestral, Simon Holt foi novamente o ganhador por A Table of Noises, peça de grande inventividade no uso dos timbres instrumentais. Gabriel Jackson venceu no quesito música coral por sua obra The Spacious Firmament e Reel, de Graham Fitkin, venceu na categoria cênica por sua combinação equilibrada de música e dança.
Simon Holt
Ouçamos a ária Batter my heart, que encerra o Ato I da ópera Doctor Actomic, de John Adams, na interpretação excepcional do barítono Gerald Finley. Gravação realizada em junho de 2007 em Amsterdam (De Nederlandse Opera), regida por Lawrence Renes.