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Muricy Ramalho dá ótimo exemplo

A recusa de Muricy Ramalho ao cargo de técnico da Seleção Brasileira merece uma bela reflexão de todos. Já ouvi e li por aí que negociação para essa cargo é a mais rápida de todas: a CBF convida e o técnico aceita. Muricy quebra mais esse paradigma. Mostra que contratos não devem ser rasgados, que a palavra não perdeu inteiramente seu valor.

Mostra que é possível em alguns casos que o dinheiro ou o prestígio não berrem mais alto do que tudo, que um clube com a grandeza do Fluminense pode ser o ponto mais alto da carreira de qualquer um. Sem que se precise aceitar qualquer assovio da CBF. Ser técnico da Seleção, principalmente na Copa de 2014, em casa, é algo muito legal. Mas ser técnico do Fluminense - e campeão brasileiro pelo Fluminense - também é. Parabéns, Muricy. Não quero nem saber se há algum outro motivo oculto para a sua negativa. Mas só o fato de, com intenção ou não, você ter jogado a vaidade no lixo e tornado mentiroso o exemplo dado no início do post já garante a você um lugar mais nobre na história.

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Mano Menezes também é um bom nome. É treinador de ofício, já conquistou. Tem tudo pra dar certo, desde que sempre deixe clara sua relação com o empresário Carlos Leite. É só ele e a CBF seguirem os conselhos do post anterior.

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A questão não é o nome, é o conceito

A discussão sobre uma Seleção que vem de duas Copas perdidas e vai disputar em casa a próxima - e perder será tragédia - não pode ser em cima do nome escolhido. Muricy já conquistou muito, é treinador de ofício, deve ir muito bem. O que a CBF precisa ter em mente para não cometer a burrice de repetir erros é não engessar o escolhido em dogmas que são sempre destruídos pelo tempo.

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O último quadriênio foi o do mantra “fim dos privilégios aos craques e cerco à imprensa.” Agora, há um novo mantra no ar: “Juventude já, renovação radical”...

Senhores da CBF, por favor, deixem Muricy trabalhar. O que ele precisa fazer é, ao mesmo tempo que difícil, simples - até porque ele já fez uma vez e deu certo: criar um estilo de jogo, montar um esquema que funcione bem, independentemente dos jogadores. O São Paulo foi tricampeão brasileiro assim, jogando de um jeito que simplesemente funcionava, mesmo trocando jogadores ao fim de cada competição. O Flamengo dos áureos tempos tinha um jeito de jogar, que Cláudio Coutinho desenvolveu, e que só fez melhorar porque houve acréscimo de talento na troca de nomes. Mas o conceito era o mesmo.

Se Muricy repetir isso, terá quatro anos para fazer a Seleção jogar por música, se possível com os melhores jogadores.

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Esse Fluminense promete

Como disse no post anterior, não dá para fazer muitas previsões ainda no Brasileiro. Estamos apenas na nona rodada e muita coisa ainda vai mudar. Mas é difícil não começar a ter ótimos presságios para o Fluminense de Muricy. Ok, o Flamengo venceu, o Vasco também venceu. Mas o triunfo rubro-negro foi sobre o lanterna do campeonato. E o Cruzmaltino só trocou de posição com o Atlético-PR na zona de rebaixamento - onde ainda seguem firmes.

O Fluminense não só alcançou a vice-liderança da competição. Ele venceu o bicho papão Santos, na casa dos caras, com Robinho, Neymar e Ganso - não custa lembrar que o Flamengo fez isso na temporada passada e terminou campeão.

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Por mais que o Santos tivesse criado chances e pudesse ter empatado, a vitória do Fluminense não foi casual. Ao contrário, foi consistente. A defesa se colocou bem, o meio só não criou mais porque compreensivelmente tinha de se preocupar em marcar, e o ataque foi mortal nas poucas chances que teve.

E o campeão Botafogo? Não sei, não... Ou melhora muito, ou Joel não emplaca o returno.

P.S. Uma imagem que me marcou positivamente no fim de semana foi a das lágrimas da presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, em entrevista à TV Globo, falando sobre o caso Bruno e sobre os problemas que tem enfrentado na Gávea. Sem ser piegas, foi bonita sua declaração de amor dela pelo clube, foi legal ver alguém no futebol que não tem medo de se emocionar. É um dado mínimo de humanidade em meio a tanta sujeira e monstruosidade que cercam o caso.

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