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Uma pitada de cautela nunca faz mal

A superexposição da vida privada de ídolos como Adriano e Vágner Love dá um ótimo tema de debate nas faculdades de jornalismo. Como em tudo na vida, é preciso ponderação dos dois lados - celebridades e mídia - para que não haja vencedores nem vencidos, e nem se deixe de informar nem se jogue às feras quem não é criminoso.

Do ponto de vista da imprensa, é preciso o maior cuidado para não se deixar levar pela "irritação" quando se é critado por um jogador, e transformar uma cobertura numa perseguição pessoal. Assim: é preciso enfatizar sempre que Adriano não comete nenhum crime se der uma moto de presente a uma senhora - ainda que ela seja mãe de um traficante. Love não comete crime ao ir a um baile funk ou ser fotografado ou filmado próximo a pessoas empunhando armas.

Tão velho quanto é o futebol é a relação de amizade entre jogadores e bandidos. No geral, e não vai aqui qualquer preconceito ou julgamento de valor, jogadores quase sempre nascem e crescem em comunidades mais pobres, onde se fazem muitas amizades na infância. Desses amigos, um vai ser jogador, outro vai ser trabalhador e outro, infelizmente, vai ser traficante. Ninguém tem de responder pelos atos dos amigos, ninguém é bandido por ser amigo de bandido. Falta, a meu ver, na cobertura de Adriano e Love, essa ressalva. Erro da imprensa.

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Do ponto de vista dos jogadores, falta a muitos uma assessoria lhes provenha cautela e explique que, diferentemente do que ocorria há 20 anos (quando não havia internet, celular com câmera, etc) quando o público queria saber o que o jogador rendia em campo, hoje o público consome avidamente as atividades dos ídolos fora do trabalho. Não adianta ficar bravinho, com beicinho, ou pateticamente chamar os jornalistas de "pessoas ruins".

Os jogadores ganham muito dinheiro pelo direito de imagem. Cabe-lhes, portanto, cuidar dela. Se quiser manter a amizade com quem está fora da lei, o atleta tem de estar preparado para assumir isso publicamente. E tem de saber que não está acima do bem e do mal - se chegar à polícia uma gravação em que eu estiver em contato com traficantes, é óbvio que eu vou ser investigado. Está certa a polícia. E tem de investigar Adriano e Love, sim.

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Dodô...

Apesar da chuva e do horário absolutamente infeliz das 19h30, num domingo, o clássico entre Vasco e Flamengo foi muito bom. Pelos talentos que tem, o rubro-negro era favorito, mas a lentidão e falta de alguém no meio-campo para criar equilibrou o jogo. E a extrema dedicação dos vascaínos, que correram como nunca, quase fez o duelo pender para o time de Mancini.

Mas o placar final foi do Flamengo por dois motivos: Phillipe Coutinho joga praticamente sozinho da intermediária adversária para frente - não no sentido de companhia, mas na diferença abissal entre sua rapidez física e de raciocínio em relação aos companheiros; e era Dodô quem estava em campo, e não Carlos Alberto.

Com todo o isolamento do excelente Coutinho, o Vasco poderia ter vencido por 2 a 1. Mas não foi por falta de aviso. Há alguns posts atrás eu sugeria ao Vasco a) que não jogasse sem um homem de referência na frente, e b) que houvesse um susbtituto para Dodô em jogos decisivos ou importantes. Não fizeram nem uma coisa, nem outra...

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Para concluir, que arbitragem catastrófica... Péricles Bassols abusou do direito de errar. É fato que a disposição excessiva do Vasco durante todo o jogo tornou-o mais difícil de conduzir. Mas não dar o pênalti em Léo Moura no primeiro tempo, e dar o pênalti inexistente que originou o gol da vitória do Flamengo é inaceitável. Juan levou uma cotovelada que o tirou de campo por causa de sangramento, e ele nem falta marcou. Fora as inversões. Bassols não ajudou ninguém, prejudicou os dois.

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Fla e Flu em mares, por agora, calmos

A dupla Flamengo e Fluminense cumpriu esta semana, com sobras, seus deveres de meio de semana. Claro que não se deve levar em conta as fraquíssimas condições, cada um em sua proporção, de Caracas e Confiança. Mas se os cariocas não estivessem bem organizados, poderiam, como já fizeram outras vezes, complicar-se. Desta vez não, venceram e seguiram firmes na Libertadores e na Copa do Brasil.

O Fluminense teve mais facilidade. Como se dizia nos tempos do Otelo Caçador (algum estudante de jornalismo sabe do que estou falando?), o placar moral seria 8 a 2 para o tricolor. Felizmente para Cuca e para a torcida, o artilheiro Fred parece ter estreado.

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O Flamengo teve um pouco mais de trabalho. Depois da expulsão de Toró, o Caracas pressionou, empatou e poderia ter virado - não o fez exatamente porque é um time muito ruim. A torcida rubro-negra não deve se iludir e achar que o Fla pode jogar sem Adriano. Se o camisa 10 não enfrentar qualquer dos brasileiros num possível mata-mata, não sei se vai dar. Apesar da inocência futebolística dos venezuelanos, o jogo valeu por Vágner Love. Fez um partidaço, marcando, concluindo, empenhando-se. Tudo o que a torcida quer e o time espera dele.

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