Com tapete vermelho estendido na entrada, o cine Odeon, no Centro, foi o palco da cerimônia de encerramento do festival do Rio que premiou os melhores filmes, diretores e atores com o trófeu redentor. Marcada para às 21h, a premiação, que contou com a presença dos principais nomes do cinema nacional, atrasou bastante e começou só uma hora depois. Depois de um filme institucional de cinco minutos com o balanço do festival e alguns depoimentos, os apresentadores Leandra Leal e Murilo Rosa deram início ao evento.
Durante a Première Brasil, a mostra competitiva do festival, foram exibidos dezoito longas, sendo oito ficções e dez documentários, além de quinze curtas-metragens foram exibidos para os jurados da Première Brasil. O júri deste ano foi formado pela atriz Camila Pitanga, o diretor e roteirista Jorge Duran, pela produtora argentina Lita Stantie, e pelo ator e diretor alemão Wieland Spenk, responsável pela programação do Panorama do Festival de Berlim desde 1992 (que ficou com cara de assustado quando Matheus Nachtergaele subiu ao palco para receber o redentor de Melhor Diretor e começou a cantar).

A grande surpresa da noite ficou por conta do longa-metragem Apenas o Fim, do diretor estreante Matheus Souza, que ganhou dois prêmios em seqüência: Menção Honrosa e Melhor Longa-Metragem de Ficção, pelo voto do júri popular. Assim como o diretor, a maioria da equipe e do elenco, jovens estudantes universitários, estavam presentes e eram só sorrisos depois de levar dois redentores para casa. O outro Matheus presente na festa, o Nachtergaele, estreante na direção, também esbanjava animação depois que o seu filme, A Festa da Menina Morta, recebeu dois prêmios na cerimônia, (além do prêmio que o próprio Matheus recebeu, Daniel de Oliveira levou o prêmio de Melhor Ator).
Documentários lançados para homenagearem grandes nomes da música brasileira, Arnaldo Baptista e Jards Macalé, também levaram prêmios na noite desta quinta feira: Loki - Arnaldo Baptista, de Paulo Henrique Fontenelle recebeu o prêmio de Melhor Longa documentário, pelo voto do júri popular e Jards Macalé – Um morcego na porta principal de Marco Abujamra levou o Prêmio especial do júri. O Melhor Longa de Documentário, segundo o júri oficial, ficou com o filme Estrada real da cachaça, do diretor Pedro Urano. O longa-metragem Se Nada Mais Der Certo, de José Eduardo Belmonte, recebeu o principal prêmio da noite, Melhor Longa de Ficção, segundo júri oficial.

A bela atriz Caroline Abras recebeu o prêmio de Melhor Atriz por seu trabalho no filme. Uma cerimônia que premiou diretores consagrados, mas também reconheceu o valor de cineastas em início de carreira, que mesmo sem dinheiro, apenas com uma câmera na mão e uma idéia na cabeça, realizaram bons trabalhos.
Confira a lista completa dos ganhadores
Júri Popular
- Melhor Longa ficção: Apenas o Fim, de Matheus Souza
- Melhor Longa documentário: Loki - Arnaldo Baptista, de Paulo Henrique Fontenelle
- Melhor Curta – Urubus têm asas, de André Rangel e Marcos Negrão
Júri Oficial
Presidido por Wieland Speck e composto Camila Pitanga, Jorge Duran e Lita Stantic.
Melhor longa-metragem de ficção: Se nada mais der certo, de José Eduardo Belmonte
Melhor longa-metragem documentário: Estrada real da cachaça, de Pedro Urano
Melhor direção ficção: Matheus Nachtergaele (A festa da menina morta)
Melhor direção documentário: Helena Solberg (Palavra (En)cantada)
Melhor ator: Daniel de Oliveira (A festa da menina morta)
Melhor atriz: Caroline Abras (Se nada mais der certo)
Melhor curta de ficção: Blackout , de Daniel Rezende
Melhor curta documentário: 69 – Praça da Luz, de Carolina Markowicz, Joana Galvão
Prêmio especial do júri: Jards Macalé – Um morcego na porta principal, de Marco Abujamra, co-direção de João Pimentel
Menção honrosa: Apenas o Fim, de Matheus Souza
Prêmio Fipresci - Júri da Federação Internacional da Imprensa
A Mulher Sem Cabeça (Mujer sin Cabeza), de Lucrecia Martel
Júri presidido por Diego Brodersen (Argentina) e composto por Lídice Varas (Chile), Fernando Palumbo (Uruguai), Ivonete Pinto (Brasil - Porto Alegre), Pedro Butcher (Brasil - Rio de Janeiro): A Mulher sem cabeça, de Lucrecia Martel (Argentina, 2008)
Prêmio dos Autores de melhor roteiro
Se nada mais der certo, de José Eduardo belmonte
Prêmio melhor filme da Mostra Geração
Somos todos diferentes (Taare Zameen Par), de Aamin Khan – Juri Popular
Durante a Première Brasil, a mostra competitiva do festival, foram exibidos dezoito longas, sendo oito ficções e dez documentários, além de quinze curtas-metragens foram exibidos para os jurados da Première Brasil. O júri deste ano foi formado pela atriz Camila Pitanga, o diretor e roteirista Jorge Duran, pela produtora argentina Lita Stantie, e pelo ator e diretor alemão Wieland Spenk, responsável pela programação do Panorama do Festival de Berlim desde 1992 (que ficou com cara de assustado quando Matheus Nachtergaele subiu ao palco para receber o redentor de Melhor Diretor e começou a cantar).

A grande surpresa da noite ficou por conta do longa-metragem Apenas o Fim, do diretor estreante Matheus Souza, que ganhou dois prêmios em seqüência: Menção Honrosa e Melhor Longa-Metragem de Ficção, pelo voto do júri popular. Assim como o diretor, a maioria da equipe e do elenco, jovens estudantes universitários, estavam presentes e eram só sorrisos depois de levar dois redentores para casa. O outro Matheus presente na festa, o Nachtergaele, estreante na direção, também esbanjava animação depois que o seu filme, A Festa da Menina Morta, recebeu dois prêmios na cerimônia, (além do prêmio que o próprio Matheus recebeu, Daniel de Oliveira levou o prêmio de Melhor Ator).
Documentários lançados para homenagearem grandes nomes da música brasileira, Arnaldo Baptista e Jards Macalé, também levaram prêmios na noite desta quinta feira: Loki - Arnaldo Baptista, de Paulo Henrique Fontenelle recebeu o prêmio de Melhor Longa documentário, pelo voto do júri popular e Jards Macalé – Um morcego na porta principal de Marco Abujamra levou o Prêmio especial do júri. O Melhor Longa de Documentário, segundo o júri oficial, ficou com o filme Estrada real da cachaça, do diretor Pedro Urano. O longa-metragem Se Nada Mais Der Certo, de José Eduardo Belmonte, recebeu o principal prêmio da noite, Melhor Longa de Ficção, segundo júri oficial.

A bela atriz Caroline Abras recebeu o prêmio de Melhor Atriz por seu trabalho no filme. Uma cerimônia que premiou diretores consagrados, mas também reconheceu o valor de cineastas em início de carreira, que mesmo sem dinheiro, apenas com uma câmera na mão e uma idéia na cabeça, realizaram bons trabalhos.
Confira a lista completa dos ganhadores
Júri Popular
- Melhor Longa ficção: Apenas o Fim, de Matheus Souza
- Melhor Longa documentário: Loki - Arnaldo Baptista, de Paulo Henrique Fontenelle
- Melhor Curta – Urubus têm asas, de André Rangel e Marcos Negrão
Júri Oficial
Presidido por Wieland Speck e composto Camila Pitanga, Jorge Duran e Lita Stantic.
Melhor longa-metragem de ficção: Se nada mais der certo, de José Eduardo Belmonte
Melhor longa-metragem documentário: Estrada real da cachaça, de Pedro Urano
Melhor direção ficção: Matheus Nachtergaele (A festa da menina morta)
Melhor direção documentário: Helena Solberg (Palavra (En)cantada)
Melhor ator: Daniel de Oliveira (A festa da menina morta)
Melhor atriz: Caroline Abras (Se nada mais der certo)
Melhor curta de ficção: Blackout , de Daniel Rezende
Melhor curta documentário: 69 – Praça da Luz, de Carolina Markowicz, Joana Galvão
Prêmio especial do júri: Jards Macalé – Um morcego na porta principal, de Marco Abujamra, co-direção de João Pimentel
Menção honrosa: Apenas o Fim, de Matheus Souza
Prêmio Fipresci - Júri da Federação Internacional da Imprensa
A Mulher Sem Cabeça (Mujer sin Cabeza), de Lucrecia Martel
Júri presidido por Diego Brodersen (Argentina) e composto por Lídice Varas (Chile), Fernando Palumbo (Uruguai), Ivonete Pinto (Brasil - Porto Alegre), Pedro Butcher (Brasil - Rio de Janeiro): A Mulher sem cabeça, de Lucrecia Martel (Argentina, 2008)
Prêmio dos Autores de melhor roteiro
Se nada mais der certo, de José Eduardo belmonte
Prêmio melhor filme da Mostra Geração
Somos todos diferentes (Taare Zameen Par), de Aamin Khan – Juri Popular
Na noite desta terça-feira uma multidão se concentrava na porta do cine Palácio por volta das 20h para a sessão de lançamento do longa-metragem Romance do diretor brasileiro Guel Arraes, famoso por filmes como Lisbela e o Prisioneiro e Caramuru - A invenção do Brasil.
Por conta da presença do diretor do filme, de grande parte do elenco, como Wagner Moura, Letícia Sabatella, Vladimir Brichta e Marco Nanini, e de muitos convidados célebres, a sessão ficou lotada e sofreu um pequeno atraso, começando por volta das 20h25.
Enquanto famosos como Sandra de Sá, Carolina Dieckman, Paula Bularmarqui, Paula Lavigne (a produtora do filme), Caetano Veloso (que assina a direção musical do filme) e Adriana Esteves (esposa de Vladimir Brichta) ocupavam seus lugares, alto-falantes do cinema tocavam samba.
O filme conta a história de dois atores, Pedro e Ana, interpretados por Wagner e Letícia, que começam a ensaiar a peça Tristão e Isolda em um teatro independente de São Paulo,se apaixonam, começam a namorar, mas depois seguem caminhos diferentes. Apesar do título óbvio, que define todo um gênero cinematográfico, Romance nos leva a conhecer a intimidade dos atores, que por vezes se confundem e encontram dificuldades para separar os conceitos entre realidade e ficção, levantando questões como "quando um ator realmente pára de interpretar?".
Antes do início do filme, o elenco levantou dos seus lugares para serem aplaudidos, e depois se acomodaram para assistir ao resultado final de seu mais novo trabalho.

Por conta da presença do diretor do filme, de grande parte do elenco, como Wagner Moura, Letícia Sabatella, Vladimir Brichta e Marco Nanini, e de muitos convidados célebres, a sessão ficou lotada e sofreu um pequeno atraso, começando por volta das 20h25.
Enquanto famosos como Sandra de Sá, Carolina Dieckman, Paula Bularmarqui, Paula Lavigne (a produtora do filme), Caetano Veloso (que assina a direção musical do filme) e Adriana Esteves (esposa de Vladimir Brichta) ocupavam seus lugares, alto-falantes do cinema tocavam samba.
O filme conta a história de dois atores, Pedro e Ana, interpretados por Wagner e Letícia, que começam a ensaiar a peça Tristão e Isolda em um teatro independente de São Paulo,se apaixonam, começam a namorar, mas depois seguem caminhos diferentes. Apesar do título óbvio, que define todo um gênero cinematográfico, Romance nos leva a conhecer a intimidade dos atores, que por vezes se confundem e encontram dificuldades para separar os conceitos entre realidade e ficção, levantando questões como "quando um ator realmente pára de interpretar?".
Antes do início do filme, o elenco levantou dos seus lugares para serem aplaudidos, e depois se acomodaram para assistir ao resultado final de seu mais novo trabalho.

“Gostaria de ter falado mais”, disse Malu, na última noite da mostra
Por Carlos Helí de Almeida
A última noite da competição da Première Brasil, nesta segunda-feira, no Cine Odeon, pôde ser traduzida como uma grande reunião de famílias. No primeiro programa, o documentário em longa-metragem Contratempo, dirigido por Malu Mader, estreando na função, e Mini Kerti, foi antecedido pelo curta Se não fosse o Onofre..., conduzido e co-estrelado por Erika Mader, sobrinha de Malu, e protagonizado pelo primo, Antônio Bellotto, com participação da tia. Na seqüência, foi a vez de Verônica, thriller de baixo orçamento de Maurício Farias, que tem como estrela e co-roteirista sua mulher, a atriz Andréa Beltrão.

Contratempo reúne histórias de jovens músicos de comunidades carentes, em geral, que se iniciaram na área em projetos de inclusão social, como a Orquestra Villa-Lobinhos, do morro Santa Marta. Nela, os personagens traduzem – em palavras e música – a forma como a arte afetou a vida de cada um. Visivelmente emocionadas com a primeira projeção para o público, as diretoras se limitaram a chamar a equipe do filme para o palco do Odeon e desejar “uma boa sessão”.
– Gostaria de ter falado mais. Não que eu tivesse bolado um discurso ou algo assim – explicou Malu. – Mas porque sou entusiasmada, queria ter feito uma homenagem a Tina Pereira, diretora da ProArte (morta há duas semanas), que teve uma importância enorme no nosso projeto, e a outros grandes parceiros também. A gente tinha uma entrevista editada com ela, que acabou fora do corte final, para dar espaço aos jovens músicos do filme. Mas, no fim das contas, o que importava era mostrar o filme mesmo, que fala por si.
Mini Kerti resumiu o que sentiu no palco do Odeon:
– Estavam todos ali: nossos amigos, os personagens do filme, os familiares deles, ex-alunos...
O documentário da dupla se concentra nas experiências de vida de 11 jovens. O filme é dedicado a Thiago, ex-aluno da Villa-Lobinhos assassinado no início do ano por bandidos. Ele chegou a entrar para uma clínica de desintoxicação por duas vezes, por causa do vício com drogas.
– A princípio, selecionamos os personagens pelo grau de envolvimento que tínhamos com eles. Depois, levamos em consideração o talento de cada um – explicou Malu.
– Durante o processo, tivemos de parar porque eu tinha uma novela e a Mini estava envolvida noutro trabalho. Quando voltamos, nos deparamos com turmas novas, alunos novos e tivemos de levar isso em consideração. Foi aí que percebemos que havia poucas meninas no grupo e passamos a buscar por mais personagens femininos. Tínhamos até mais jovens do que o filme mostra, mas tivemos que deixá-los de fora na mesa de edição.
Verônica é uma versão brasileira de Gloria (1980), de John Cassavetes (1929-1989), no qual Gena Rowlands, mulher do diretor, protege com unhas e dentes a vida do filho pequeno de um casal vizinho, eliminado pela máfia. Na reinterpretação de Maurício Farias, o centro da ação é uma professora primária (Andréa Beltrão), que trabalha em zona de risco, e se vê obrigada a defender um de seus alunos, cujos pais foram eliminados por traficantes. Um capitão de polícia ocupa o lugar do mafioso do original americano.
– A gente ficou um pouco insatisfeita com o roteiro original e aí pedimos ajuda do Bernardo Guilherme – comentou Andréa, co-autora dos diálogos do filme e ex-aluna de escola pública.
Por Carlos Helí de Almeida
A última noite da competição da Première Brasil, nesta segunda-feira, no Cine Odeon, pôde ser traduzida como uma grande reunião de famílias. No primeiro programa, o documentário em longa-metragem Contratempo, dirigido por Malu Mader, estreando na função, e Mini Kerti, foi antecedido pelo curta Se não fosse o Onofre..., conduzido e co-estrelado por Erika Mader, sobrinha de Malu, e protagonizado pelo primo, Antônio Bellotto, com participação da tia. Na seqüência, foi a vez de Verônica, thriller de baixo orçamento de Maurício Farias, que tem como estrela e co-roteirista sua mulher, a atriz Andréa Beltrão.

Contratempo reúne histórias de jovens músicos de comunidades carentes, em geral, que se iniciaram na área em projetos de inclusão social, como a Orquestra Villa-Lobinhos, do morro Santa Marta. Nela, os personagens traduzem – em palavras e música – a forma como a arte afetou a vida de cada um. Visivelmente emocionadas com a primeira projeção para o público, as diretoras se limitaram a chamar a equipe do filme para o palco do Odeon e desejar “uma boa sessão”.
– Gostaria de ter falado mais. Não que eu tivesse bolado um discurso ou algo assim – explicou Malu. – Mas porque sou entusiasmada, queria ter feito uma homenagem a Tina Pereira, diretora da ProArte (morta há duas semanas), que teve uma importância enorme no nosso projeto, e a outros grandes parceiros também. A gente tinha uma entrevista editada com ela, que acabou fora do corte final, para dar espaço aos jovens músicos do filme. Mas, no fim das contas, o que importava era mostrar o filme mesmo, que fala por si.
Mini Kerti resumiu o que sentiu no palco do Odeon:
– Estavam todos ali: nossos amigos, os personagens do filme, os familiares deles, ex-alunos...
O documentário da dupla se concentra nas experiências de vida de 11 jovens. O filme é dedicado a Thiago, ex-aluno da Villa-Lobinhos assassinado no início do ano por bandidos. Ele chegou a entrar para uma clínica de desintoxicação por duas vezes, por causa do vício com drogas.
– A princípio, selecionamos os personagens pelo grau de envolvimento que tínhamos com eles. Depois, levamos em consideração o talento de cada um – explicou Malu.
– Durante o processo, tivemos de parar porque eu tinha uma novela e a Mini estava envolvida noutro trabalho. Quando voltamos, nos deparamos com turmas novas, alunos novos e tivemos de levar isso em consideração. Foi aí que percebemos que havia poucas meninas no grupo e passamos a buscar por mais personagens femininos. Tínhamos até mais jovens do que o filme mostra, mas tivemos que deixá-los de fora na mesa de edição.
Verônica é uma versão brasileira de Gloria (1980), de John Cassavetes (1929-1989), no qual Gena Rowlands, mulher do diretor, protege com unhas e dentes a vida do filho pequeno de um casal vizinho, eliminado pela máfia. Na reinterpretação de Maurício Farias, o centro da ação é uma professora primária (Andréa Beltrão), que trabalha em zona de risco, e se vê obrigada a defender um de seus alunos, cujos pais foram eliminados por traficantes. Um capitão de polícia ocupa o lugar do mafioso do original americano.
– A gente ficou um pouco insatisfeita com o roteiro original e aí pedimos ajuda do Bernardo Guilherme – comentou Andréa, co-autora dos diálogos do filme e ex-aluna de escola pública.
O ator nova-iorquino Viggo Mortensen e o diretor brasileiro Vicente Amorim, protagonista e realizador, respectivamente, do filme Um Homem Bom, receberam a imprensa na manhã desta terça-feira, dia 7, na sede do festival, no Centro de Ação da Cidadania, para uma entrevista coletiva e contaram que o longa, que trata de um professor universitário que é integrado ao regime nazista na Alemanha da década de 40 , é um drama sobre pessoas comuns e as escolhas que cada um faz na vida. O filme foi selecionado para encerrar o festival, com sessão marcada para esta quarta, dia 8, no cine Odeon, às 22h.
Marcada para às 10h30 da manhã, o encontro começou com cerca de dez minutos de atraso. Muito simpático, Viggo foi o primeiro a responder as perguntas e conquistou a simpatia de parte dos repórteres presentes por estar usando uma camisa do Flamengo, que contou ter sido um presente do diretor Vicente Amorim.

Sobre sua relação pessoal com o nazismo, Viggo contou que apesar de ter nascido em Nova York, sua família é da Dinamarca e que ele se lembra de seus pais e seus irmãos contando sobre os horrores do nazismo e contou também que eles tinham certo preconceito contra a Alemanha e os alemães. O ator fez questão de ressaltar que assim como muitos outros países europeus, a Dinamarca também foi palco da ocupação nazista na época da Segunda Guerra Mundial.
O personagem no filme
Para compor o professor universitário Halder, que desenvolve uma teoria sobre a eutanásia que acaba sendo adotada nos campos de concentração nazistas, Viggo disse que fez uma imersão na cultura alemã.
- Por causa da minha criação, percebi que eu também tinha um certo preconceito contra a Alemanha, não gostava do alemão falado. Passei um tempo no país, em cidades como Munique e Berlim. Fico feliz em dizer que acabei com os meus preconceitos fazendo este filme. Aprendi a gostar de alemão falado e da Alemanha.

Em seguida quem tomou a palavra foi o diretor brasileiro Vicente Amorim, cujo trabalho anterior havia sido Caminhando nas Nuvens, estrelado por Cláudia Abreu e Wagner Moura. Amorim contou sobre os desafios de assumir a direção de um longa com as proporções de Um Homem Bom.
- Foi díficil fazer este filme, tanto pela temática (nazista) quanto pelo tamanho da produção, que teve um orçamento muito maior do que meu filme anterior. Quando estava rodando este filme, me dei conta que é uma história essencialmente sobre amizade e escolhas. A gente não fez um documentário etnográfico sobre a Alemanha - afirmou Amorim.
Trabalhar com Viggo
Quando perguntado sobre como foi trabalhar com um astro do nível de Viggo, famoso no Brasil por filmes como Um Crime Perfeito, O Senhor dos Anéis e Marcas da Violência, Vicente foi só elogios.
- Trabalhar com Viggo foi sensacional. Ele é um ator completo, colaborativo, o tipo de profissional que se preocupa com o filme como um todo, contribuindo com diversas sugestões e detalhes. Foi uma ótima experiência. - contou o diretor.
- Para mim também - completou Viggo, falando espanhol ( o ator também respondeu algumas das perguntas em inglês).
Sobre a reconstrução de época, Vicente contou que Budapeste foi a cidade escolhida para rodar o filme por que atualmente a cidade se parece mais com a Berlim da década de 30 do que a própria Berlim.
- Fizemos um filme fiel à época, mas minimamente datado para que o espectador se foque na temática e não se distraia. Compusemos os ambientes com os elementos mais contemporâneos possíveis. Um equipe alemã cuidou da reconstrução da época e o Viggo pesquisou sobre a época incorporando ao seu personagem detalhes como anéis e cigarreiras.
O filme é baseado em uma peça do escritor C.P. Taylor que Viggo contou ter assistido no início de sua carreira, há 25 anos atrás.
- Tinha me esquecido completamente desta peça até ler este roteiro. Sou uma pessoa supersticiosa e fiquei feliz em interpretar este papel que me inspirou tanto no início de carreira. O filme aproxima o espectador com os seus detalhes e não é sobre a Alemanha e sobre alemães, mas sim sobre pessoas comuns e como suas escolhas também podem ter grande impacto na história - explicou Viggo.
O ator aproveitou o momento para criticar a era do governo de George W. Bush, vigente nos EUA desde o ano 2000.
- Um Homem Bom é um filme atemporal, de grande universalidade, que pode ser inserido em qualquer contexto, até mesmo os EUA dos dias atuais. Talvez se não tivessémos feito certas escolhas há oito anos atrás, não estaríamos na situção que estamos agora - se referindo a eleição que colocou Bush na Casa Branca e a crise econômica que assola os EUA atualmente.
Conforto com alto orçamento
O diretor Vicente Amorim falou também sobre a transição na forma em que trabalha, saindo de uma produção nacional para um projeto internacional.
- Já havia trabalhado em produções internacionais, a novidade foi a estréia como diretor. Com um pouco mais de dinheiro, temos um pouco mais de conforto e com isso consegui me aproximar mais da ambições que tinha para este filme. Acho que mostramos a ascensão do Terceiro Reich de forma original e como definiu o ator Jason Issacs (co-protagonista do longa) realizamos um thriller ético.
Para finalizar o bate-papo Viggo falou sobre a importância de lançar o filme no festival do Rio, que definiu como o maior da América Latina.
- Não é só a minha primeira vez no festival no Rio, mas é também minha primeira visita a cidade. Estou muito feliz por estar aqui. Gosto do filme por que ele se porta como nós: nele existe amor,perdão, sacríficio, escolhas pessoais, há de tudo - finalizou Viggo que depois ainda posou para fotos em frente ao cartaz do filme e se despediu, seguindo para as entrevistas individuais.
Marcada para às 10h30 da manhã, o encontro começou com cerca de dez minutos de atraso. Muito simpático, Viggo foi o primeiro a responder as perguntas e conquistou a simpatia de parte dos repórteres presentes por estar usando uma camisa do Flamengo, que contou ter sido um presente do diretor Vicente Amorim.

Sobre sua relação pessoal com o nazismo, Viggo contou que apesar de ter nascido em Nova York, sua família é da Dinamarca e que ele se lembra de seus pais e seus irmãos contando sobre os horrores do nazismo e contou também que eles tinham certo preconceito contra a Alemanha e os alemães. O ator fez questão de ressaltar que assim como muitos outros países europeus, a Dinamarca também foi palco da ocupação nazista na época da Segunda Guerra Mundial.
O personagem no filme
Para compor o professor universitário Halder, que desenvolve uma teoria sobre a eutanásia que acaba sendo adotada nos campos de concentração nazistas, Viggo disse que fez uma imersão na cultura alemã.
- Por causa da minha criação, percebi que eu também tinha um certo preconceito contra a Alemanha, não gostava do alemão falado. Passei um tempo no país, em cidades como Munique e Berlim. Fico feliz em dizer que acabei com os meus preconceitos fazendo este filme. Aprendi a gostar de alemão falado e da Alemanha.

Em seguida quem tomou a palavra foi o diretor brasileiro Vicente Amorim, cujo trabalho anterior havia sido Caminhando nas Nuvens, estrelado por Cláudia Abreu e Wagner Moura. Amorim contou sobre os desafios de assumir a direção de um longa com as proporções de Um Homem Bom.
- Foi díficil fazer este filme, tanto pela temática (nazista) quanto pelo tamanho da produção, que teve um orçamento muito maior do que meu filme anterior. Quando estava rodando este filme, me dei conta que é uma história essencialmente sobre amizade e escolhas. A gente não fez um documentário etnográfico sobre a Alemanha - afirmou Amorim.
Trabalhar com Viggo
Quando perguntado sobre como foi trabalhar com um astro do nível de Viggo, famoso no Brasil por filmes como Um Crime Perfeito, O Senhor dos Anéis e Marcas da Violência, Vicente foi só elogios.
- Trabalhar com Viggo foi sensacional. Ele é um ator completo, colaborativo, o tipo de profissional que se preocupa com o filme como um todo, contribuindo com diversas sugestões e detalhes. Foi uma ótima experiência. - contou o diretor.
- Para mim também - completou Viggo, falando espanhol ( o ator também respondeu algumas das perguntas em inglês).
Sobre a reconstrução de época, Vicente contou que Budapeste foi a cidade escolhida para rodar o filme por que atualmente a cidade se parece mais com a Berlim da década de 30 do que a própria Berlim.
- Fizemos um filme fiel à época, mas minimamente datado para que o espectador se foque na temática e não se distraia. Compusemos os ambientes com os elementos mais contemporâneos possíveis. Um equipe alemã cuidou da reconstrução da época e o Viggo pesquisou sobre a época incorporando ao seu personagem detalhes como anéis e cigarreiras.
O filme é baseado em uma peça do escritor C.P. Taylor que Viggo contou ter assistido no início de sua carreira, há 25 anos atrás.
- Tinha me esquecido completamente desta peça até ler este roteiro. Sou uma pessoa supersticiosa e fiquei feliz em interpretar este papel que me inspirou tanto no início de carreira. O filme aproxima o espectador com os seus detalhes e não é sobre a Alemanha e sobre alemães, mas sim sobre pessoas comuns e como suas escolhas também podem ter grande impacto na história - explicou Viggo.
O ator aproveitou o momento para criticar a era do governo de George W. Bush, vigente nos EUA desde o ano 2000.
- Um Homem Bom é um filme atemporal, de grande universalidade, que pode ser inserido em qualquer contexto, até mesmo os EUA dos dias atuais. Talvez se não tivessémos feito certas escolhas há oito anos atrás, não estaríamos na situção que estamos agora - se referindo a eleição que colocou Bush na Casa Branca e a crise econômica que assola os EUA atualmente.
Conforto com alto orçamento
O diretor Vicente Amorim falou também sobre a transição na forma em que trabalha, saindo de uma produção nacional para um projeto internacional.
- Já havia trabalhado em produções internacionais, a novidade foi a estréia como diretor. Com um pouco mais de dinheiro, temos um pouco mais de conforto e com isso consegui me aproximar mais da ambições que tinha para este filme. Acho que mostramos a ascensão do Terceiro Reich de forma original e como definiu o ator Jason Issacs (co-protagonista do longa) realizamos um thriller ético.
Para finalizar o bate-papo Viggo falou sobre a importância de lançar o filme no festival do Rio, que definiu como o maior da América Latina.
- Não é só a minha primeira vez no festival no Rio, mas é também minha primeira visita a cidade. Estou muito feliz por estar aqui. Gosto do filme por que ele se porta como nós: nele existe amor,perdão, sacríficio, escolhas pessoais, há de tudo - finalizou Viggo que depois ainda posou para fotos em frente ao cartaz do filme e se despediu, seguindo para as entrevistas individuais.
Uma grande fila, composta em sua maioria por homens de meia idade, se formava na porta do cine Palácio por volta das 20h desta sexta-feira, para a exibição do documentário Rainhas, estréia na direção de longas-metragens dos cineastas Ricardo Bruno e Fernanda Tornaghi, presentes na sessão. O filme, selecionado para a mostra Mundo Gay do festival, mostra os bastidores do concurso Miss Brasil Gay, que todos os anos mobilizam milhares de jovens no país.
A história é contada com foco no cabeleireiro Fábio Mota, que saiu da distante Porto Velho, capital de Rondônia, para vir para o Rio, onde ganhou o concurso Miss Rio de Janeiro Gay, sua porta de entrada para a competição mostrada no filme. Para participar dos concursos, Fábio passa por uma transformação, quando assume a identidade de Michelle Honda. Com vestido de Miss, e uma faixa com o título do filme, Fábio, ou Michelle, não escondeu a emoção antes do início da sessão e contou das dificuldades para a realização deste projeto.
- Tudo neste filme foi muito difícil. Começamos a filmar em 2004, sem nenhum incentivo ou patrocínio, contando apenas com o apoio de nossas famílias e de nossos amigos. Agradeço a todos da equipe – afirmou o transformista para em seguida passar a palavra para a diretora do filme, Fernanda Tornaghi.
Sorridente, mas visivelmente nervosa, Fernanda preferiu não falar muito.
- A gente na verdade não bolou nada para dizer neste momento. Vamos deixar vocês todos verem o nosso filme. Estou morrendo de vergonha, este é o nosso primeiro filme – finalizou Fernanda para, em seguida, dar início a exibição.
Logo no início, o filme mostra que o concurso é praticamente igual ao concurso Miss Brasil tradicional, afinal a única diferença é que os participantes são homens e não mulheres. Além disso, para participar é preciso ter a anatomia natural: nenhum dos rapazes competidores tem implantes de silicone para simular seios ou quadris femininos, a silhueta feminina é construída a partir de espumas colocadas sob o vestido e sutiãs com enchimentos, por exemplo.
Os participantes, que também são os principais entrevistados no filme, fazem questão de frisar que são transformistas e não travestis, inclusive muitos têm empregos diurnos onde trabalham com suas identidades masculinas.
A estrutura do documentário tenta desvendar as motivações que levaram estes jovens a se tornarem transformistas. Enquanto alguns classificam como fuga da realidade, um momento que eles podem ser outras pessoas, mulheres, participantes de concursos de Miss, outros dizem que se sentiam rejeitados pela sociedade por serem homossexuais e encontraram no transformismo uma forma de ser aceito. Fábio, o personagem principal do filme, diz que se sente feliz com suas duas dentidades, e classifica Michelle Honda como seu alter ego.
Além das entrevistas com a Misses participantes, a família e amigos de Fábio, o documentário também é construído por imagens de arquivo dos concursos brasileiros de Miss tradicionais, das décadas de 60 e 70, que muitos entrevistados classificam como a época de ouro dos concursos. Com uma estrutura simples, Rainhas é um filme de tema inusitado, que leva o espectador a conhecer o universo dos transformistas, com todos os seus dramas e dificuldades, que contribuiu para promover a igualdade entre indivíduos em uma mesma sociedade.
A história é contada com foco no cabeleireiro Fábio Mota, que saiu da distante Porto Velho, capital de Rondônia, para vir para o Rio, onde ganhou o concurso Miss Rio de Janeiro Gay, sua porta de entrada para a competição mostrada no filme. Para participar dos concursos, Fábio passa por uma transformação, quando assume a identidade de Michelle Honda. Com vestido de Miss, e uma faixa com o título do filme, Fábio, ou Michelle, não escondeu a emoção antes do início da sessão e contou das dificuldades para a realização deste projeto.
- Tudo neste filme foi muito difícil. Começamos a filmar em 2004, sem nenhum incentivo ou patrocínio, contando apenas com o apoio de nossas famílias e de nossos amigos. Agradeço a todos da equipe – afirmou o transformista para em seguida passar a palavra para a diretora do filme, Fernanda Tornaghi.
Sorridente, mas visivelmente nervosa, Fernanda preferiu não falar muito.
- A gente na verdade não bolou nada para dizer neste momento. Vamos deixar vocês todos verem o nosso filme. Estou morrendo de vergonha, este é o nosso primeiro filme – finalizou Fernanda para, em seguida, dar início a exibição.
Logo no início, o filme mostra que o concurso é praticamente igual ao concurso Miss Brasil tradicional, afinal a única diferença é que os participantes são homens e não mulheres. Além disso, para participar é preciso ter a anatomia natural: nenhum dos rapazes competidores tem implantes de silicone para simular seios ou quadris femininos, a silhueta feminina é construída a partir de espumas colocadas sob o vestido e sutiãs com enchimentos, por exemplo.
Os participantes, que também são os principais entrevistados no filme, fazem questão de frisar que são transformistas e não travestis, inclusive muitos têm empregos diurnos onde trabalham com suas identidades masculinas.
A estrutura do documentário tenta desvendar as motivações que levaram estes jovens a se tornarem transformistas. Enquanto alguns classificam como fuga da realidade, um momento que eles podem ser outras pessoas, mulheres, participantes de concursos de Miss, outros dizem que se sentiam rejeitados pela sociedade por serem homossexuais e encontraram no transformismo uma forma de ser aceito. Fábio, o personagem principal do filme, diz que se sente feliz com suas duas dentidades, e classifica Michelle Honda como seu alter ego.
Além das entrevistas com a Misses participantes, a família e amigos de Fábio, o documentário também é construído por imagens de arquivo dos concursos brasileiros de Miss tradicionais, das décadas de 60 e 70, que muitos entrevistados classificam como a época de ouro dos concursos. Com uma estrutura simples, Rainhas é um filme de tema inusitado, que leva o espectador a conhecer o universo dos transformistas, com todos os seus dramas e dificuldades, que contribuiu para promover a igualdade entre indivíduos em uma mesma sociedade.
Apesar de já ter sido exibido no festival na última terça-feira, dia 30, a sessão desta sexta-feira de Sob Controle, longa-metragem de ficção da cineasta Jennifer Lynch, filha do renomado diretor David Lynch (que assina a produção executiva), ganhou ar de première por conta da presença do ator norte-americano Bill Pullman, um dos protagonistas do filme, que chegou ao Rio nesta sexta para rodar seu novo projeto, Gringos do Rio, do diretor Jonathan Nossiter.
Simpático, Pullman chegou ao cine Palácio por volta das 18h e na entrada da sala de exibição contou como foi trabalhar com Jennifer, filha do cineasta responsável por obras-primas do cinema, como Eraserhead e Veludo Azul.
- Eu acho que Jennifer e David são cineastas bem diferentes. Jennifer busca imagens claras, mas sem deixar de mostrar a crueldade e a brutalidade humana. Ela quer construir seu próprio conceito, mostrando cenas violentas, mesmo sendo uma mulher – comentou Pullman sobre a cineasta, que estreou nos cinemas com o filme Encaixotando Helena, de 1993. Sob Controle, ou Surveillance, no título original, é o seu segundo longa-metragem.
Sobre filmar no Rio, Pullman se diz animado, mas afirmou que ainda não teve tempo para muita coisa, inclusive se desculpando por estar usando as mesmas roupas desde o dia anterior e estar com a barba por fazer.
- Cheguei do aeroporto, fui ensaiar e vim para cá. Ainda não filmamos na verdade. Como é minha primeira vez no Rio, acredito que rodar um longa por aqui seja uma das melhores maneiras de ser turista na cidade. Alguém me disse que eu iria encontrar chuvas, mas estou encantado com o tempo – contou Pullman, que ainda arriscou um “obrigado”, com sotaque carregado.
Antes de ir embora, Pullman finalizou dizendo que conhece Jennifer Lynch há 20 anos e que acha que ela ficará muito contente quando souber que ele lançou o filme por aqui.
- Eu gostaria de dizer a todos para aproveitar o filme, mas este é um filme pesado.
O adjetivo utilizado pelo ator não poderia ter sido mais adequado. Logo de início, por meio de flashes, três cadáveres surgem na tela, com sinais claro que foram vítimas de homicídio. Dois agentes do FBI, Sam Hallaway (Bill Pullman) e Elizabeth Anderson, chegam a uma pequena cidade do deserto dos EUA com o objetivo de tentar solucionar o caso a partir dos relatos de três pessoas, que tiveram pessoas próximas assassinadas: o policial Jack Bennet, a viciada em cocaína Bobbi e a menina Stéphanie, esta última interpretada pela pequena Ryan Simpkins, que rouba a cena e mantém a calma mesmo quando está em ambientes nada apropriados para crianças.
Para registrar os depoimentos, o agente interpretado por Pullman, monta um circuito de câmeras de vigilância para ouvir as três testemunhas simultaneamente, mas em quartos separados. A partir daí, o filme ganha uma estrutura interlinear, onde as ações seguem de maneira contínua, mas flashbacks são utilizados para ilustrar os depoimentos (algumas vezes contraditórios) das testemunhas e para mostrar como e porque as coisas aconteceram daquele jeito.
Sob Controle é um filme marcado por mistério, onde às vezes as coisas podem não ser exatamente o que parecem. A cineasta Jennifer Lynch voa com asas próprias, e se distancia das loucuras e devaneios que fizeram a fama de seu pai (seu último filme, Império dos Sonhos, foi exibido no festival do Rio 2007).
Simpático, Pullman chegou ao cine Palácio por volta das 18h e na entrada da sala de exibição contou como foi trabalhar com Jennifer, filha do cineasta responsável por obras-primas do cinema, como Eraserhead e Veludo Azul.
- Eu acho que Jennifer e David são cineastas bem diferentes. Jennifer busca imagens claras, mas sem deixar de mostrar a crueldade e a brutalidade humana. Ela quer construir seu próprio conceito, mostrando cenas violentas, mesmo sendo uma mulher – comentou Pullman sobre a cineasta, que estreou nos cinemas com o filme Encaixotando Helena, de 1993. Sob Controle, ou Surveillance, no título original, é o seu segundo longa-metragem.
Sobre filmar no Rio, Pullman se diz animado, mas afirmou que ainda não teve tempo para muita coisa, inclusive se desculpando por estar usando as mesmas roupas desde o dia anterior e estar com a barba por fazer.
- Cheguei do aeroporto, fui ensaiar e vim para cá. Ainda não filmamos na verdade. Como é minha primeira vez no Rio, acredito que rodar um longa por aqui seja uma das melhores maneiras de ser turista na cidade. Alguém me disse que eu iria encontrar chuvas, mas estou encantado com o tempo – contou Pullman, que ainda arriscou um “obrigado”, com sotaque carregado.
Antes de ir embora, Pullman finalizou dizendo que conhece Jennifer Lynch há 20 anos e que acha que ela ficará muito contente quando souber que ele lançou o filme por aqui.
- Eu gostaria de dizer a todos para aproveitar o filme, mas este é um filme pesado.
O adjetivo utilizado pelo ator não poderia ter sido mais adequado. Logo de início, por meio de flashes, três cadáveres surgem na tela, com sinais claro que foram vítimas de homicídio. Dois agentes do FBI, Sam Hallaway (Bill Pullman) e Elizabeth Anderson, chegam a uma pequena cidade do deserto dos EUA com o objetivo de tentar solucionar o caso a partir dos relatos de três pessoas, que tiveram pessoas próximas assassinadas: o policial Jack Bennet, a viciada em cocaína Bobbi e a menina Stéphanie, esta última interpretada pela pequena Ryan Simpkins, que rouba a cena e mantém a calma mesmo quando está em ambientes nada apropriados para crianças.
Para registrar os depoimentos, o agente interpretado por Pullman, monta um circuito de câmeras de vigilância para ouvir as três testemunhas simultaneamente, mas em quartos separados. A partir daí, o filme ganha uma estrutura interlinear, onde as ações seguem de maneira contínua, mas flashbacks são utilizados para ilustrar os depoimentos (algumas vezes contraditórios) das testemunhas e para mostrar como e porque as coisas aconteceram daquele jeito.
Sob Controle é um filme marcado por mistério, onde às vezes as coisas podem não ser exatamente o que parecem. A cineasta Jennifer Lynch voa com asas próprias, e se distancia das loucuras e devaneios que fizeram a fama de seu pai (seu último filme, Império dos Sonhos, foi exibido no festival do Rio 2007).
Nesta quinta-feira, dia 2, os três filmes exibidos a partir da sessão das 17h no cinema Odeon, Corpo do Rio, Vingança e Jards Macalé - Um Morcego na Porta Principal, fizeram jus ao nome deste festival. Apesar de temas adversos, desenvolvidos em dois documentários e um longa-metragem de ficção, os três filmes tinham um elemento singular em comum: a cidade do Rio de Janeiro como pano de fundo.
Uma longa fila já se formava por volta das 16h50 para o filme Corpo do Rio, documentário das diretoras Izabel Jaguaribe e Olivia Guimarães, em competição na Première Brasil do Festival, dentro da mostra Cenas do Rio. Quando todos já estavam de pipoquinha em punho, os funcionários vêm com a má-notícia: por um erro de cálculo no tempo de duração do filme da sessão anterior - Depois das Nove - a sessão teve seu início atrasado em cerca de 40 minutos, logo depois que a equipe técnica do filme subiu ao palco para agradecer a todos que foram importantes na produção (como fariam as outras equipes dos dois filmes següintes).
Para que o festival possa contar com a presença de estrangeiros, um projetor secundário, instalado no inferior da tela, exibia legendas em inglês do filme, que por vezes aumentavam o efeito cômico de algumas cenas (a tradução de palavrões por exemplo). O filme trata de uma das maiores obsessões do Rio de Janeiro do século XXI: a estética do corpo perfeito, no qual parece existir uma certa obrigação para que todos os residentes da cidade cuidem da forma física com o único objetivo de mostrá-los na praia mais próxima. Uma realidade caso se considere o número de academias, clínicas de estética, ,de cirúrgia plástica, e de suplementos alimentares que vêm abrindo no Rio nos últimos anos.
O filme debate a questão de forma abrangente entrevistando todas as camadas sociais da cidade, desde mendigos da Lapa, passando por meninas de comunidades carentes da Zona Norte chegando até a patricinha da Barra da Tijuca que diz que como presente de 15 anos tudo o que queria era um implante de silicone nos seios (e conseguiu). Para sustentar as entrevistas, o filme é intercalado com diversos planos de paisagem, que exaltam as belezas naturais que fizeram a fama de nossa cidade, e uma trilha sonora baseada em ritmos cariocas, ou seja, samba e funk. Para contrapor o estilo das meninas do baile funk, uma senhora idosa, integrante da velha guarda da Portela (escola em que ingressou em 1935), se destaca por sua sinceridade, e críticas à juventudade amante de decotes e saias curtas.
Um dos aspectos interessantes de Corpo do Rio é que através de muitas entrevistas, de anônimos e personalidades como Fernanda Abreu, Camila Pitanga (somente voz, em off), Fausto Fawcett (como sempre representando sua idolatrada Copacabana, com seus luxos e lixos) e Luma de Oliveira (que conta que queria ser mulata), o filme mostra que a questão racial no Rio, isto é, se considerar negro, branco ou pardo,perde a importância comparada à vaidade carioca, a vontade de sempre parecer bem (desde o pagodeiro, ao evangélico, a funkeira e a patricinha todos concordam nesse ponto). Outro personagem que se destaca é a personagem Marilene, cozinheira e gari, moradora do morro Pavão Pavãozinho, na Zona Sul, com seu jeito irreverente de lidar com este problema: além dela estar um pouco acima do peso, ainda passa outras dificuldades em sua rotina, mas sempre fica sorrindo. Presente na platéia, Marilene também era só sorrisos ao fim da sessão. Um documentário que em seus 123 minutos de duração mostra que realmente cuidar do corpo e ter saúde é importante, mas não pode ser a única coisa na vida.
Vingança
Na segunda sessão do dia, o enredo também era o Rio mas o tema era bem diferente: a vingança, exatamente a palavra escolhida pelo diretor Paulo Pons para batizar o seu primeiro filme longa-metragem. O cineasta gaúcho de 34 anos, que também assina o roteiro e a produção, realizou o projeto, um suspense de 116 min, com o orçamento de apenas R$ 80 mil, uma quantia baixíssima se comparada aos padrões do cinema nacional. Pons afirma que no Brasil existe mão de obra, talento e tecnologia e pergunta o que mais falta para a produção do filme.
- Esse filme é muito imporante para mim, o resultado de um projeto, um sonho de cinema. Acho que todos nós já nos apaixonamos por cinema e todas as loucuras que existem nele. O filme só existe no cérebro, não há filme sem espectador. O resultado é um fruto da nossa interpretação - afirmou Pons no palco do cinema, momentos antes do início da exibição.
O filme começa já com ar de suspense, com uma Bárbara Borges (que estava presente) desnorteada, suja de areia, machucada e acordando na beira de rio, mostrando todos os sinais de um estupro recente. A partir daí o filme centra a figura em Miguel, personagem de Erom Cordeiro (das séries televisivas Presença de Anita e Avassaladoras), noivo da personagem que acorda após um estupro na seqüência inicial.
Ao chegar ao Rio, Miguel adota uma postura estranha e passa a seguir um grupo de amigos, que fazem parte os atores Branca Messina e Márcio Kieling, co-protagonistas do filme. Também presente no lançamento do filme, Márcio afirmou que se inspirou no filme Alpha Dog, do diretor Nick Cassavetes, para compor o seu personagem, Bruno, um carioca que acabou de voltar da Austrália. O ator disse que gostou muito de trabalhar com Pons, afirmando que todos os gaúchos se dão bem (Márcio também é Rio Grande Sul). Antes de correr para a exibição, o ator ainda contou que seu próximo filme será Dores e Amores, do diretor Ricardo Pinto e Silva.
A trama é cheia de reviravoltas, onde nem sempre as coisas são o que parecem. Quem se destaca em uma participação de apenas alguns minutos, é o veterano José de Abreu, que interpreta o pai de Bárbara Borges, que ao entregar uma arma a Miguel e pedir que ele execute quem estuprou sua filha, afirma que está indo embora do Rio por que para "um gaúcho velho a cidade está muito violenta". Risos no Odeon lotado. Assim como na sessão de Corpo no Rio, Vingança também terminou sob forte aplauso.
Jards Macalé - Um Morcego na Porta Principal
A última atração da noite se mostrou a uma bela homenagem a uma lenda-viva do Rio, o cantor e compositor Jards Macalé, presente no local com um bigode falso no melhor estilo Groucho Marx (ator de Hollywood da década de 40). Batizado de Jards Macalé - Um Morcego na Porta Principal, o filme, o primeiro projeto do diretor Marco Abujamra, joga luz na trajetória de uma figura que não tem o destaque merecido na cultura do Rio. Tijucano, contestador, e multifacetado Macau, como é chamado pelos ilustres amigos Gilberto Gil, Dori Caymmi, Maria Bethânia, Nelson Motta, Nelson Pereira dos Santos e Jorge Mautner, entevistados do filmes, foi punk antes deste movimento sequer existir, no sentido em que não se atrelou à regras, levando sua vida de estilo quase único.
A vida de Jards Macalé é contada focada em seu legado como artista, que inclui além da música, projetos no cinema, no teatro e na televisão, e pouco ou nada é contado de sua vida pessoal. No entanto, isso não faz falta ao filme, que agrada tanto a leigos quanto a fãs do artista (segundo a conversa dos espectadores do lado de fora do Odeon no final da sessão). Além das diversas entrevistas com artistas, o filme também é construído por um vasto material de acervo, que inclui desde recortes de jornais (sobre sua polêmica prisão em Vitória) até muitos filmes de arquivo, com Macalé, Gal Gosta, Maria Bethânia, Caetano Veloso, entre outros em início de carreira, em meados de 1965, com alto nível de restauração em termos de imagem e som.
Antes do início da sessão, o diretor subiu ao palco para agradecer a todos e contou que começou a rodar o projeto quando Jards fez 60 anos (o artista completou 65 em 3 de março deste ano). No melhor estilo vanguardista, Jards fuma cigarros no filme enquanto conversa a câmera, e ao final pergunta à platéia, em um registro de apresentação ao vivo: "Eu queria ver "Amor" na bandeira nacional. Eu queria os políticos discutindo amor no congresso. Ah, isso que queria ver". Com mais uma chuva de aplausos, o filme terminou e o Odeon encerrou suas atividades do dia.
Uma longa fila já se formava por volta das 16h50 para o filme Corpo do Rio, documentário das diretoras Izabel Jaguaribe e Olivia Guimarães, em competição na Première Brasil do Festival, dentro da mostra Cenas do Rio. Quando todos já estavam de pipoquinha em punho, os funcionários vêm com a má-notícia: por um erro de cálculo no tempo de duração do filme da sessão anterior - Depois das Nove - a sessão teve seu início atrasado em cerca de 40 minutos, logo depois que a equipe técnica do filme subiu ao palco para agradecer a todos que foram importantes na produção (como fariam as outras equipes dos dois filmes següintes).
Para que o festival possa contar com a presença de estrangeiros, um projetor secundário, instalado no inferior da tela, exibia legendas em inglês do filme, que por vezes aumentavam o efeito cômico de algumas cenas (a tradução de palavrões por exemplo). O filme trata de uma das maiores obsessões do Rio de Janeiro do século XXI: a estética do corpo perfeito, no qual parece existir uma certa obrigação para que todos os residentes da cidade cuidem da forma física com o único objetivo de mostrá-los na praia mais próxima. Uma realidade caso se considere o número de academias, clínicas de estética, ,de cirúrgia plástica, e de suplementos alimentares que vêm abrindo no Rio nos últimos anos.
O filme debate a questão de forma abrangente entrevistando todas as camadas sociais da cidade, desde mendigos da Lapa, passando por meninas de comunidades carentes da Zona Norte chegando até a patricinha da Barra da Tijuca que diz que como presente de 15 anos tudo o que queria era um implante de silicone nos seios (e conseguiu). Para sustentar as entrevistas, o filme é intercalado com diversos planos de paisagem, que exaltam as belezas naturais que fizeram a fama de nossa cidade, e uma trilha sonora baseada em ritmos cariocas, ou seja, samba e funk. Para contrapor o estilo das meninas do baile funk, uma senhora idosa, integrante da velha guarda da Portela (escola em que ingressou em 1935), se destaca por sua sinceridade, e críticas à juventudade amante de decotes e saias curtas.
Um dos aspectos interessantes de Corpo do Rio é que através de muitas entrevistas, de anônimos e personalidades como Fernanda Abreu, Camila Pitanga (somente voz, em off), Fausto Fawcett (como sempre representando sua idolatrada Copacabana, com seus luxos e lixos) e Luma de Oliveira (que conta que queria ser mulata), o filme mostra que a questão racial no Rio, isto é, se considerar negro, branco ou pardo,perde a importância comparada à vaidade carioca, a vontade de sempre parecer bem (desde o pagodeiro, ao evangélico, a funkeira e a patricinha todos concordam nesse ponto). Outro personagem que se destaca é a personagem Marilene, cozinheira e gari, moradora do morro Pavão Pavãozinho, na Zona Sul, com seu jeito irreverente de lidar com este problema: além dela estar um pouco acima do peso, ainda passa outras dificuldades em sua rotina, mas sempre fica sorrindo. Presente na platéia, Marilene também era só sorrisos ao fim da sessão. Um documentário que em seus 123 minutos de duração mostra que realmente cuidar do corpo e ter saúde é importante, mas não pode ser a única coisa na vida.
Vingança
Na segunda sessão do dia, o enredo também era o Rio mas o tema era bem diferente: a vingança, exatamente a palavra escolhida pelo diretor Paulo Pons para batizar o seu primeiro filme longa-metragem. O cineasta gaúcho de 34 anos, que também assina o roteiro e a produção, realizou o projeto, um suspense de 116 min, com o orçamento de apenas R$ 80 mil, uma quantia baixíssima se comparada aos padrões do cinema nacional. Pons afirma que no Brasil existe mão de obra, talento e tecnologia e pergunta o que mais falta para a produção do filme.
- Esse filme é muito imporante para mim, o resultado de um projeto, um sonho de cinema. Acho que todos nós já nos apaixonamos por cinema e todas as loucuras que existem nele. O filme só existe no cérebro, não há filme sem espectador. O resultado é um fruto da nossa interpretação - afirmou Pons no palco do cinema, momentos antes do início da exibição.
O filme começa já com ar de suspense, com uma Bárbara Borges (que estava presente) desnorteada, suja de areia, machucada e acordando na beira de rio, mostrando todos os sinais de um estupro recente. A partir daí o filme centra a figura em Miguel, personagem de Erom Cordeiro (das séries televisivas Presença de Anita e Avassaladoras), noivo da personagem que acorda após um estupro na seqüência inicial.
Ao chegar ao Rio, Miguel adota uma postura estranha e passa a seguir um grupo de amigos, que fazem parte os atores Branca Messina e Márcio Kieling, co-protagonistas do filme. Também presente no lançamento do filme, Márcio afirmou que se inspirou no filme Alpha Dog, do diretor Nick Cassavetes, para compor o seu personagem, Bruno, um carioca que acabou de voltar da Austrália. O ator disse que gostou muito de trabalhar com Pons, afirmando que todos os gaúchos se dão bem (Márcio também é Rio Grande Sul). Antes de correr para a exibição, o ator ainda contou que seu próximo filme será Dores e Amores, do diretor Ricardo Pinto e Silva.
A trama é cheia de reviravoltas, onde nem sempre as coisas são o que parecem. Quem se destaca em uma participação de apenas alguns minutos, é o veterano José de Abreu, que interpreta o pai de Bárbara Borges, que ao entregar uma arma a Miguel e pedir que ele execute quem estuprou sua filha, afirma que está indo embora do Rio por que para "um gaúcho velho a cidade está muito violenta". Risos no Odeon lotado. Assim como na sessão de Corpo no Rio, Vingança também terminou sob forte aplauso.
Jards Macalé - Um Morcego na Porta Principal
A última atração da noite se mostrou a uma bela homenagem a uma lenda-viva do Rio, o cantor e compositor Jards Macalé, presente no local com um bigode falso no melhor estilo Groucho Marx (ator de Hollywood da década de 40). Batizado de Jards Macalé - Um Morcego na Porta Principal, o filme, o primeiro projeto do diretor Marco Abujamra, joga luz na trajetória de uma figura que não tem o destaque merecido na cultura do Rio. Tijucano, contestador, e multifacetado Macau, como é chamado pelos ilustres amigos Gilberto Gil, Dori Caymmi, Maria Bethânia, Nelson Motta, Nelson Pereira dos Santos e Jorge Mautner, entevistados do filmes, foi punk antes deste movimento sequer existir, no sentido em que não se atrelou à regras, levando sua vida de estilo quase único.
A vida de Jards Macalé é contada focada em seu legado como artista, que inclui além da música, projetos no cinema, no teatro e na televisão, e pouco ou nada é contado de sua vida pessoal. No entanto, isso não faz falta ao filme, que agrada tanto a leigos quanto a fãs do artista (segundo a conversa dos espectadores do lado de fora do Odeon no final da sessão). Além das diversas entrevistas com artistas, o filme também é construído por um vasto material de acervo, que inclui desde recortes de jornais (sobre sua polêmica prisão em Vitória) até muitos filmes de arquivo, com Macalé, Gal Gosta, Maria Bethânia, Caetano Veloso, entre outros em início de carreira, em meados de 1965, com alto nível de restauração em termos de imagem e som.
Antes do início da sessão, o diretor subiu ao palco para agradecer a todos e contou que começou a rodar o projeto quando Jards fez 60 anos (o artista completou 65 em 3 de março deste ano). No melhor estilo vanguardista, Jards fuma cigarros no filme enquanto conversa a câmera, e ao final pergunta à platéia, em um registro de apresentação ao vivo: "Eu queria ver "Amor" na bandeira nacional. Eu queria os políticos discutindo amor no congresso. Ah, isso que queria ver". Com mais uma chuva de aplausos, o filme terminou e o Odeon encerrou suas atividades do dia.
Hugo Cals
Um dos filmes integrantes da mostra Première Latina do festival do Rio 2008, La Leonera, novo trabalho do diretor Pablo Trapero, marca a estréia do ator Rodrigo Santoro falando espanhol na telinha, já que The Argentine, filme em que Santoro interpreta Raúl Castro, também produzido este ano, ainda não estreou por aqui.
Apesar da presença do ator no filme ser o principal chamariz para atrair o público brasileiro, Santoro, que interpreta Ramiro, um homossexual atormentado com o assassinato de seu amante, tem papel coadjuvante no filme, aparecendo muito pouco, em apenas algumas cenas isoladas. As poucas aparições do ator limitam sua capacidade de interpretação, impedindo que Santoro desenvolva o potencial do personagem.
Ele contracena com a atriz Martina Gusman, que protagoniza o filme e leva o espectador a conhecer a realidades de mulheres grávidas que dão à luz na prisão, que são obrigadas a lutar por seus direitos e de seus filhos-recém nascidos. Martina vive Julia, uma mulher que um dia acorda suja de sangue e descobre em seu apartamento o corpo do pai de seu filho, que também é amante do personagem de Santoro. Incapaz de se lembrar do que aconteceu, ela é acusada de assassinato.
Martina é detida em um pavilhão especial, para mulheres grávidas ou que tenham tido filho recentemente, dentro de um presídio feminino. Por conta da presença de diversas crianças, o ambiente do pavilhão é mais leve em relação aos outros, com brinquedos coloridos espalhados por todos os lados. A partir daí o filme cai um pouco na previsibilidade da maioria dos filmes ambientados em carceragens: uma protagonista que chega sozinha a um ambiente hostil e diferente, sofre abusos, físicos e sexuais, e também é desrespeitada, mas aos poucos vai conquistando respeito das outras internas e acaba por encontrar a felicidade mesmo atrás das grades.
Apesar de o filme ser narrado com uma estrutura linear, sem “flashbacks” do passado ou prévias do futuro, o diretor arrasta o roteiro e os 113 minutos de duração do filme são excessivos para contar a simples história da pobre Julia, que deseja apenas a felicidade ao lado de seu filho Tomás e por vezes flerta com a colega de cela Marta, com quem chega a trocar alguns beijos. La Leonera é uma co-produção entre Brasil, Argentina e Coréia do Sul e também competiu no Festival de Cannes 2008.
Serviço
La Leonera – Festival do Rio 2008
Sábado - 04/10/2008 Odeon Petrobras 19h45
Segunda - 06/10/2008 Estação Ipanema 2 17h30 22h00
Terça - 07/10/2008 Estação Vivo Gávea 1 15h30 | 19h50
Quarta - 08/10/2008 Cine Santa 21h
Um dos filmes integrantes da mostra Première Latina do festival do Rio 2008, La Leonera, novo trabalho do diretor Pablo Trapero, marca a estréia do ator Rodrigo Santoro falando espanhol na telinha, já que The Argentine, filme em que Santoro interpreta Raúl Castro, também produzido este ano, ainda não estreou por aqui.
Apesar da presença do ator no filme ser o principal chamariz para atrair o público brasileiro, Santoro, que interpreta Ramiro, um homossexual atormentado com o assassinato de seu amante, tem papel coadjuvante no filme, aparecendo muito pouco, em apenas algumas cenas isoladas. As poucas aparições do ator limitam sua capacidade de interpretação, impedindo que Santoro desenvolva o potencial do personagem.
Ele contracena com a atriz Martina Gusman, que protagoniza o filme e leva o espectador a conhecer a realidades de mulheres grávidas que dão à luz na prisão, que são obrigadas a lutar por seus direitos e de seus filhos-recém nascidos. Martina vive Julia, uma mulher que um dia acorda suja de sangue e descobre em seu apartamento o corpo do pai de seu filho, que também é amante do personagem de Santoro. Incapaz de se lembrar do que aconteceu, ela é acusada de assassinato.
Martina é detida em um pavilhão especial, para mulheres grávidas ou que tenham tido filho recentemente, dentro de um presídio feminino. Por conta da presença de diversas crianças, o ambiente do pavilhão é mais leve em relação aos outros, com brinquedos coloridos espalhados por todos os lados. A partir daí o filme cai um pouco na previsibilidade da maioria dos filmes ambientados em carceragens: uma protagonista que chega sozinha a um ambiente hostil e diferente, sofre abusos, físicos e sexuais, e também é desrespeitada, mas aos poucos vai conquistando respeito das outras internas e acaba por encontrar a felicidade mesmo atrás das grades.
Apesar de o filme ser narrado com uma estrutura linear, sem “flashbacks” do passado ou prévias do futuro, o diretor arrasta o roteiro e os 113 minutos de duração do filme são excessivos para contar a simples história da pobre Julia, que deseja apenas a felicidade ao lado de seu filho Tomás e por vezes flerta com a colega de cela Marta, com quem chega a trocar alguns beijos. La Leonera é uma co-produção entre Brasil, Argentina e Coréia do Sul e também competiu no Festival de Cannes 2008.
Serviço
La Leonera – Festival do Rio 2008
Sábado - 04/10/2008 Odeon Petrobras 19h45
Segunda - 06/10/2008 Estação Ipanema 2 17h30 22h00
Terça - 07/10/2008 Estação Vivo Gávea 1 15h30 | 19h50
Quarta - 08/10/2008 Cine Santa 21h





