Arquivo de August 2011

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Uma das seis colheitas mais precoces da história da Borgonha

Em mais de 300 anos apenas seis colheitas começaram em agosto na Borgonha. Foram nos anos de 1719, 1822, 1893, 2003, 2007 e agora em 2011, assegura o diretor técnico do CIVB (Comitê Interprofissional da Borgonha) Gilles Remoriquet. Os dias mais frescos de julho diminuíram um pouco a precocidade, mas resta sendo um dos anos mais precoces que se tem notícia na Borgonha.
O produtor Thibaud Marion, do Domaine Seguin-Manuel, em Beaune, faz um resumo da evolução vegetativa. -"A primavera foi muito precoce, seca e quente e permitiu ao vinhedo um avanço de maturidade enorme. A floração se passou em excelentes condições. A pressão das doenças criptogâmicas - oídio, míldio e podridão cinza - foi fraca e a quantidade de tratamentos fitossanitários necessários para debelar os ataques foi pouca. O verão em julho foi atípico e diminui a velocidade do amadurecimento da vinha, mas a volta do calor em agosto acelerou novamente o processo. A colheita para os vinhos tranquilos começou ontem. A safra se anuncia promissora, mas devemos aguardar alguns dias, até que as uvas estejam nas adegas, para fazer um julgamento preciso", conclui Marion.



Veja o vídeo do CIVB mostrando vinhedo borguinhão antes da colheita e suas uvas bem maduras.

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Colheita manual ou mecanizada. Qual a melhor opção?

Nesta época do ano, ao menos na França, um tema sempre volta à tona: colheita manual ou mecanizada? A questão pode ter várias respostas e todas certas. O tema não desperta tanta paixão quanto orgânico, biodinâmico, sustentável (minha tradução para "raisonée") ou tradicional. O assunto tem como eixo rentabilidade e qualidade. Os dois nem sempre conseguem andar juntos. De um lado temos o "lobby" das indústrias mecânicas produtoras (Braud, Pellenc, Alma, New-Holland e Grégoire são as principais empresas) que alardeiam o baixo custo, a rapidez e a qualidade do serviço prestado por uma máquina colheitadeira, cada vez mais perfeita e sofisticada. De outro a tradição e o "savoir faire" de uma mão de obra treinada para selecionar e catar as melhores uvas.
As implicações não são simples. As máquinas custam caro e são usadas apenas uma vez no ano, seu aluguel é uma opção. Nem todas as colheitadeiras são de última geração, as mais antigas danificavam bastante as vinhas. Todas elas exigem que a distância entre cada carreira seja suficiente para que o trator passe entre elas e que estejam sustentadas por arame para que a colheita mecanizada funcione a contento. Há uma perda na colheita de ao menos 6%, índice oficial dos produtores. A colheita manual, se feita por uma equipe bem orientada, é uma garantia de qualidade da seleção das melhores uvas, de que estas vão chegar em perfeito estado na adega de vinificação, de que o vinhedo não sofrerá qualquer dano e que todas as uvas desejadas serão colhidas. Seu custo é sempre mais elevado e o tempo de colheita maior. Em caso de uma chegada de chuva não prevista há a necessidade de aumento de equipe para acelerar a colheita, o que nem sempre é possível no último momento. A colheitadeira faz rapidamente o serviço de vários homens.


Veja o vídeo de uma moderna colheitadeira para vinhedos até 100 hectares produzido pela Alma.

Economia versus Qualidade esta é a questão central. Se o objetivo do viticultor é um vinho no máximo muito bom, se o preço é fundamental, se busca um mercado mais amplo e se a Denominação de Origem permite esta é a melhor opção. Mas se o objetivo é a excelência, se o mercado é mais exigente e se a Denominação de Origem obriga (tem força de lei) a colheita manual é a escolha adequada.
Em alguns casos há uma brecha na legislação, como na Borgonha. Recentemente 5 proprietários de monopólios da Cotes de Nuits (La Tâche, La Romanée, Romanée-Conti, La Grande Rue e Clos-de-Tart) exigiram a mudança unilateral na legislação proibindo a colheita mecanizada. De fato menos de 5% do vinhedo é colhido mecanicamente, mas isto atrapalha muito a imagem qualitativa do vinhedo afirmou para revista inglesa Decanter o presidente da l’União de Grandes Crus da Borgonha, Louis Michel Liger Belair.
Para Thibaud Marion, proprietário do Domaine Seguin Manuel em Beaune, que produz vinho de grande qualidade só existe uma opção: colheita manual. Marion ganhou em 2009 o prêmio de melhor jovem talento do vinho e hoje seus caldos são elogiados pelos mais importantes guias franceses e americanos. "No meu vinhedo, inclusive nas parcelas do Village de Savigny-lès-Beaune (na base da pirâmide da hierarquia borguinhona estão os villages, que são as denominações regionais), são colhidos manualmente. No meu caso a vindima manual é uma opção pela qualidade. Mesmo se o seu custo é superior ao de uma mecanizada, este método de trabalho preserva melhor a integridade da colheita. Posso entender que certas denominações que precisam ter preços mais competitivos sejam compelidas a utilizar as máquinas colheitadeiras. Mas que estas sejam utilizadas nos Grandes Crus da Borgonha me parece uma aberração total, conclui Marion.
colheita manual

O gesto perfeito na colheita da uva chardonnay.

Hoje na França os únicos vinhedos onde é proibido taxativamente o uso de máquinas colheitadeiras são os especializados em vinhos espumantes como Champagne e Limoux ou os que fazem colheitas muito rigorosas, selecionadas e precisas como Sauternes e Jurançon. Em geral quem opta pela colheita mecanizada o faz para os vinhos de preços mais competitivos, para os de maior prestígio os châteaux tem por hábito usar a colheita manual. Santé.

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Vinho volta à telona como tragédia grega

Depois do agudo documentário Mondovino e do epicuriano Sideways chegou às telas francesas uma drama encorpado: Você será Meu filho (tradução literal de Tu seras Mon Fils). Com este filme o vinho volta à telona sob a forma de tragédia grega. A receita da película tem como ingredientes paixão, desprezo, egoísmo, herança, traição, câncer, dinheiro, vaidade e assassinato em altas doses. O diretor Gilles Le Grand coloca todos juntos numa receita apimentada que tem como cenário Saint Émilion, cidade patrimônio da Unesco, um château de prestígio Clos Fourtet, no filme chamado de Clos de L'Abbé, e seu magnífico vinhedo de solo argilo-calcáreo.
Paul, o pai e proprietário, é interpretado pelo marcante Niels Astrup, décimo primeiro de uma geração de produtores. É perfeccionista, apaixonado pelo vinho, falante e autoritário, bom copo, nariz e boca capazes de desvendar todos os aromas e sabores do vinho. Detalhe que é realçado ao descrever os perfumes usados pelas mulheres e identificar a marca. Martin, seu filho - interpretado por Lorant Deutsch - estudou enologia, fala quatro idiomas, mas é inseguro, tímido e desprezado pelo pai. Seu nariz e boca são nulos, lhe falta o rigor no trato do vinhedo. O jovem absorve os golpes e sofre calado ao lado da bela esposa. Sua mãe morreu quando tinha 4 anos e o pai o culpa por isto.
François, o capataz do vinhedo, interpretado por Patrick Chesnais, é a memória viva do château. É ele que gerencia a viticultura e que faz a vinificação. Mas um câncer agressivo no pâncreas o ataca às vésperas da colheita. Pânico no Clos de L'Abée. A chegada de Filipe, o filho do capataz (Nicolas Bridet) que era chefe de cultura no vinhedo de Francis Ford Coppola, na Califórnia, faz transbordar o caldeirão. Este torna-se a tábua de salvação de Paul que logo quer fazer dele seu herdeiro. O vinho azeda quando decide adotá-lo como forma de torná-lo seu legítimo herdeiro. Ao comprar o filho de François e manipulá-lo para pegar o posto do pai ainda em vida a ira e mágoa de François transformam-se em ódio. O capataz ao se ver traído pelo próprio filho mata o patrão e amigo sem remorsos. Martin joga as cinzas do defunto pai com desprezo pelo vinhedo e pisa com ódio sobre elas.
O final em boca é longo e fica um tema para reflexão. A transmissão de uma propriedade vitícola aos herdeiros é uma decisão que envolve múltiplos fatores. O proprietário vai buscar quem possa sucedê-lo com sucesso e garantir a transmissão futura aos netos, que, no filme, Martin ainda não lhe deu. Brigas de família são comuns nestes casos e no mundo do vinho envolve outros componentes: uma paixão, um terroir, uma história de gerações e um conhecimento que deve ser transmitido de pai para filho. Quando se entrega o bastão a passagem pode se tornar palco para uma tragédia grega.


Clique e veja o trailer do filme em francês. Quem sabe a Universal lança o filme no Brasil este ano?

O enredo mostra a realidade do dia a dia de um vinhedo, os cuidados na aeração da vegetação, o medo com a chuva de granizo, a degustação das uvas antes da colheita, a medição do potencial de álcool, a escolha da data perfeita para a colheita, a ordem da colheita das parcelas, a gestão da equipe de catadores e mesmo como fazer a triagem das uvas na videira durante a vindima. Dos cuidados na vinificação à negociação com um fornecedor de máquinas agrícolas, tudo é abordado com precisão. A degustação e o prazer de beber belas garrafas é outro aspecto que une os que amam o vinho e separa quem não tem esta paixão no sangue. Foram consultores do filme o jornalista especializado Laure Gasparotto e o prestigiado enólogo bordalês Stéphane Derenencourt. Santé.

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Colheita da safra 2011 é atração turística

Por toda a França começa-se a colher da safra 2011. O primeiro corte de alicate aconteceu no dia 4 de agosto no Domaine Rombeau em Rivesaltes, no Roussillon, como gosta de se gabar todos os anos o produtor Pierre Henri de La Fabrégue por ser o primeiro a colher na França seu muscat. Porém agora é para valer. Na planície do Roussillon, que representa 65% da produção, a colheita das uvas para vinho branco como grenache, macabeu e chardonnay, como também para os rosés feitos com a grenache cinza ou preta começaram, informa a Câmara de Agricultura. O mês de julho bastante fresco colocou a data da colheita na sua normalidade, não estamos precoces assegura Marc Guichet do serviço de viticultura da Câmara.
No vale do Rhône os produtores de Vinsobres, um Cru da denominação, já marcaram a data do "Ban de Vendanges", momento em que se inicia festivamente a colheita. O evento é uma atração turística impregnada de folclore vinhateiro e acontece às dezoito horas e trinta minutos do dia 26 de agosto. O local é a praça principal do vilarejo de Vinsobres e é aberta ao grande público. O "Ban de Vendanges" acontece assim: o Comitê dos Produtores, em trajes típicos das grandes confrarias, proclama solenemente que as uvas estão maduras e que a colheita pode ser iniciada. Em seguida iniciam a prensagem das uvas em plena praça e a população pode provar o néctar, explica o vice-presidente do Comitê Pascal Jaune. Um circuito de 9 km no vilarejo permite visitar os produtores, provar vinhos, geleias caseiras, queijos e a riqueza da gastronomia Provençal.

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Produtores prensam a uva na praça durante o "Ban de Vendanges" em Vinsobres, no vale do Rhône. Foto Christophe Grillé

Em Bordeaux, o Château Carbonieux um Cru Classes de Graves, que sempre é um dos primeiros a colher, o que sempre lhe dá um destaque na imprensa, começou a vindima das uvas sauvignion, dez dias antes do habitual e não três semanas como chegou-se a prever no começo de julho, afirma o gerente Eric Perrin. Já para para Philippe Rivière proprietário e negociante em Saint Émilion apenas no final de agosto começará a colheita dos seus brancos de Graves e os tintos de Saint Émilion entre 8 e 15 de setembro. Apesar da seca de março a junho as uvas não sofreram estresse hídrico e as chuvas de julho foram benéficas neste aspecto. Espero que no momento da colheita os dias sejam secos e ensolarados, deseja Rivière.
Na região produtora de Beaujolais o começo da vindima, precoce, está marcado para 24 de agosto. A previsão até o momento é de uma bela safra informa Inter Beaujolais. A colheita deve começar pela região sul que compreende 18.500 ha entre Lyon e Mâcon. Abril e maio foram bastantes secos e ensolarados e os últimos dias também se mostraram secos o que garantiu ao vinhedo um bom estado sanitário, afirma o presidente o organismo interprofissional Dominique Capard. A colheita deve durar três semanas e 50 mil pessoas devem trabalhar na vindima, conclui Capard.
Na vizinha Borgonha o produtor Patrick Landanger do famoso Domaine de La Pousse d'Or, em Volnay, nos diz que vai começar sua colheita em 3 ou 4 de setembro, ela será de pequeno volume, mas boa e tudo colhido manualmente como devem ser os bons vinhos, assegura Landanger. Santé.

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Santa forte faz chover em pleno verão

Três dias após a procissão de Santa Susana no Corbières, sul da França, aconteceu uma bela chuvarada com raios e trovões que levou aos vinhedos 30 mm de água. Foi rápida e eficiente. A Santa é forte, mas quem está com força mesmo é o vigário episcopal Thierry Ebersohl que celebrou a missa e pediu chuva. Sua agenda vai ficar lotada.

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Quadro mostra a previsão de 13 a 20 de agosto feita pela Météo France para o Corbières, no sul da França.

É bem verdade que o verão este ano não anda muito católico. Mas agosto é o mês tradicionalmente mais quente do ano e ontem, dia 17, os termômetros atingiram 35ºC no Languedoc, deixaram as praias cheias novamente e surpreenderam as previsões iniciais que antecipavam apenas 30ºC. Agora que os cachos estão grandes e bonitos, o volume da safra garantido é hora de pedir ao vigário para que o sol fique firme e que a colheita seja também qualitativa. Qual Santo se candidata? Santé.

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Procissão pede safra boa a Santa Susana

Na última quinta-feira dia 11 acompanhei a procissão viticultora até a Cruz de Santa Suzana, no bosque comunal da Pinède, em Lézignan Corbières, no Languedoc. Reunindo mais de 250 participantes, entre fiéis, viticultores e turistas, que pediam a Santa Susana por uma boa safra e agradecia as chuvas de julho e agosto. Uma marcha de um quilômetro, com duas paradas para a realização da missa e para benzer as vinhas e a terra foi celebrada pelo padre da cidade e pelo vigário episcopal. A procissão é uma iniciativa da Ilustre Corte dos Senhores de Corbières.

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Os fiéis sobem a colina em procissão em Lézignan-Corbières no detalhe os membros da Ilustre Corte dos Senhores de Corbières vestidos tradicionalmente.

Susana, segundo a lenda, é uma cristã que tem sua mão pedida em casamento pelo filho do imperador Diocleciano no século III. Ao recusar o pedido tem a garganta cortada. Na Catalunha e no Corbières Santa Susana é invocada para obter chuva e com isto proteger a safra da seca.

missa campal
Vigário Thierry Ebersohl benze vinhas e solo dos Corbières durante a missa, ao fundo a cruz de Santa susana que data de 1924.

Após a missa houve um jantar campestre no bosque e foi servido um vinho tinto Corbières, 2009, a Cuvée Santa Susana. Claro que os políticos municipais estavam presentes e foi a prefeitura que ofereceu o jantar campestre. Na verdade um pique nique no qual os convidados comiam em mesas. Na entrada foi servido um grande tomate coração de boi, na sequência uma linguiça e batatas chips em saquinho, coisa de político pão duro. O vinho veio da cooperativa da cidade e era sustentado por boa fruta, de médio corpo e persistência média. Na boca tem pequenas frutas negras e taninos bem integrados e macios que se harmonizaram com a linguiça na brasa. Vinho bom e agradável.

cuvéé santa susana
Filhas de viticulores com chapéu típico trouxeram as garrafas da Cuvée Santa Susana.

A tradição da procissão de Santa Susana havia sido interrompida durante a Segunda Guerra Mundial e foi retomada há seis anos. Espero que as preces e pedidos sejam ouvidos e que a safra seja abundante e boa, como prometem as previsões do centro de estatísticas Agreste, do Ministério da Agricultura. Santé.

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França colherá 47,9 milhões de hectolitros em 2011

A colheita da nova safra ainda não começou, mas as previsões são otimistas e o potencial da colheita permite estimar a produção em 47,904 milhões de hectolitros. Após dois anos consecutivos de volumes baixos aguarda-se uma safra mais generosa. Serão 23 milhões de hl de vinhos AOP (Denominação de Origem Protegida, antes Controlada), 13,6 de IGP (Indicação Geográfica Protegida, o antigo Vin de Pays), 3,4 milhões de hl para outros vinhos (Sem IGP) e suco e ainda 7,9 milhões hl para aguardentes vínicos, nos informa o comunicado de Agreste, o serviço de estatística do Ministério da Agricultura.

produção francesa
Estimativa do Agreste mostra aumento da produção em 2011.

A seca diminuiu e o mês de julho com duas vezes mais chuva e mais fresco colocaram, em geral, a data das colheitas mais próximas do normal. Estavam avançadas em muitas regiões de até três semanas. As uvas no Languedoc, onde fico, estão em estado de meio pintor ou final de pintor. Isto é as uvas, no caso das tintas, estão terminando de ficar escuras e não mais verdes. A maior parte das regiões vitícolas - todas na fase pintor, umas mais outras menos avançadas - devem começar sua colheita em fim de agosto ou mesmo antes. O leitor viu aqui no Conexão Francesa que as primeiras colheitas de muscat, para vinhos secos, já começaram no Roussillon.
Do ponto de vista sanitário os ataques de botrytis estão sob controle e continuarão assim caso o mês de agosto não seja chuvoso. Já não há risco no Languedoc de míldio nos cachos, pois já estamos em estado de pintor avançado. Os ataques de oídio, outro fungo, foram brandos este ano e não representam mais riscos há alguns dias. O que é um sinal de safra com uvas sãs. Passo importante para se ter um bom vinho. Ainda é cedo para previsões sobre a qualidade da safra. Aguardemos as colheitas.
O comunicado da Agreste lembra que a pequena safra de 2010 produziu 45,373 milhões de hl e que a média dos últimos 5 anos é de 46,899 milhões de hl, portanto um bom ano no que concerne ao volume. Santé.

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Imprensa americana ainda chia dos preços de Bordeaux

Durante a "campanha" de vinhos primeurs (pré-venda da nova safra) e mesmo hoje percebe-se uma grande chiadeira da imprensa americana ao aumento de preços dos vinhos de Bordeaux. Fazendo crer mesmo que tenha havido dificuldade de colocar no mercado a safra 2010. Ledo engano. Conexão Francesa ouviu um dos 5 maiores negociantes de Bordeaux - em off - que confirmou o vigor da campanha de vinhos primeurs. O mercado inglês comprou muito forte, em parte para revender para a China. Os clientes belgas, suíços, asiáticos (China, Hong Kong, Taiwan e Singapura) e da América do Sul, com Brasil em destaque, estiveram bastante firmes e sustentaram as compras em todos os níveis de preço.
É verdade que existem 25 châteaux, os tops e seus segundos vinhos, que aumentaram muito seus preços e diminuíram a oferta da primeira “tranche” (lote), jogando os preços lá no alto, mas esta não foi a regra. Quem está chiando é o americano que continua em uma profunda crise econômica. Também encolheram suas compras alguns importadores do norte da Europa e Alemanha. Os americanos em um cenário econômico positivo e em uma boa safra, como em 2005, podem se mostrar muito agressivos no começo da "campanha" e comprar os châteaux menos famosos e mais baratos como Marjosse, Cantemerle, Haut Berger dentre outros. O único grande produtor que foi conservador nos preços foi o global Bernard Magrez, que considera Robert Parker mais importante que Napoleão III, autor da classificação de Bordeaux, afirmou o negociante. Faz sentido.

petrus
Château Petrus, em Pomerol, foi um dos tops que mais aumentaram seus preços em 2010, mas não faltou comprador. Robert Parker o pontuou com 98-100 na degustação ainda no barril.

O comprador americano gosta mais dos "petit châteaux" do que de marcas internacionais para os vinhos bordaleses. Este mesmo negociante vendeu quase somente os 25 châteaux mais caros para os EUA. Isto quer dizer que apesar da chiadeira os especialistas e grandes compradores estavam atuantes e sua clientela abastada ávida por esta bela safra. As vendas para este negociante ficaram estáveis para os EUA em relação a 2009, quando a crise estourou nos EUA. Para que o leitor tenha um parâmetro de comparação o negociante disse que compraram menos do que Brasil ou Singapura. Em 2005 estavam entre os 5 maiores "players"do mercado. Tempos de recessão na América.
Se você observa o conjunto dos grandes vinhos bordelenses verá que os demais châteaux aumentaram na média cerca de 10% os seus preços em relação a 2009, afirmou o negociante. Bastante razoável para uma safra nobre e mercado aquecido. O topo da pirâmide não é uma bolha. O que explica os preços altos é a conjunção da excelência da safra e da raridade dos tops, com a atuação firme dos países emergentes e dos compradores tradicionais. Na base tem muito vinhozinho muito bom e barato dando sopa e produtor sofrendo para vender os Bordeaux genéricos ou menos conhecidos. O choro vem apenas dos EUA no Brasil não vai faltar Grand Cru Classé. Veremos em setembro como vai se comportar o preço da nova safra do Alma Viva chileno. Santé.

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Fotografia de satélite orienta colheita francesa

Os produtores de vinho franceses estão utilizando uma ferramenta de alta tecnologia para acompanhar a maturação das uvas, efetuar seleção parcelar, definir precisamente que tipo de vinho cada videira produzirá, o momento da colheita e consequentemente a rentabilidade. Graças à tecnologia da EADS Astrium - do mesmo grupo que fabrica os aviões Airbus e satélites - que lançou o Oenoview, uma ferramenta via satélite que analisa a superfície foliar do vinhedo com grande precisão. Astrium utiliza sistema semelhante para cereais desde 1996. Colocado à disposição dos viticultores pelo grupo ICV, que atende tanto cooperativas quanto adegas particulares. Lançado em 2007 seu uso hoje está se tornando mais comum. As fotos são feitas pelos satélites Spot-5 et Formosat-2.
A associação entre o ICV e a Astrium permitiu desenvolver um sistema de avaliação do vinhedo que acompanha a maturação das uvas desde o estado de pintor, cerca de 4 semanas antes da colheita, permitindo determinar o momento do desbaste, analisar a qualidade da uva a ser obtida e mesmo o tratamento fitossanitário a ser aplicado. As fotografias obtidas por satélite permitem ter uma visão total do vinhedo. O sistema evita colher uvas que não estejam no mesmo estado de maturação conferindo uma homogeneidade ótima das parcelas. Esta tecnologia está sendo usada por grandes châteaux de Bordeaux como o Lynch Bages ou uma grande cooperativa do Languedoc como Mont Tauch, na denominação Fitou.

oenoview
Fotografia de vinhedo com tecnologia Oenoview feita por satélites Astrium.

Mont Tauch é uma das pioneiras na utilização da tecnologia Oenoview, há três anos em parceria com o IVC vem analisando a homogeneidade e vigor das vinhas por fotografias de satélite sobre seus 2000 hectares. " Isto permitiu, por exemplo, dividir as uvas de um lote de 300 ha em dois, com potencial qualitativo homogêneo, afirma Michel Auriol, viticultor e membro do conselho diretor da cooperativa.
Com as fotos o produtor tem uma visão global do vinhedo em instantes. Porém isto não quer dizer que os técnicos e viticultores não vão nas vinhas olhar de perto. É mais uma ferramenta a serviço da qualidade do vinho que vai ganhando popularidade na França. Santé.

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