Arquivo de May 2010

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As cooperativas de vinho do Languedoc Roussillon

Todo vilarejo francês que se preza tem um posto dos correios, a sede da prefeitura e o monumento aos mortos nos campos de batalha. No Languedoc Roussillon, além destes, existe a cooperativa de vinho, um símbolo regional. São mais de 550 adegas cooperativas distribuídas neste que é o maior vinhedo do mundo. O livro "Caves Coopératives en Languedoc Roussillon" faz uma justa homenagem a estes filhos do movimento cooperativista francês, que tem início no começo do século XX. O livro recém lançado pela editora Lieux Dits traça um perfil preciso e rico em imagens.

caves
Capa do livro Caves Coopératives en Languedoc Roussillon

A obra mostra tanto as grandes cooperativas que se impõem por sua qualidade e capacidade de produção como algumas de pequeno porte. Explica o processo de reestruturação e fusão que estas vinícolas estão passando sem esquecer-se de mostrar suas origens, o patrimônio arquitetônico e a saga dos homens que se uniram para que suas uvas dessem bons vinhos.
Os autores do texto são Geneviève Gavignaud-Fontaine, Jean-Louis Vayssettes, Jean-Michel Sauget, Michel Wienin, Jean Marc Touzard, Sabine Normand e Lionel Rodriguez, as fotografias são de Marc Kérignard e os mapas de Véronique Marzo-Marill. História, arquitetura, movimentos sociais, enologia e o patrimônio cultural deste movimento são abordados neste luxuoso livro co-patrocinado pela Região Languedoc Roussillon.
mapa coop
O mapa mostra as cooperativas, ativas, no Languedoc Roussillon.

Obra interessante, pois valoriza a evolução das cooperativas que hoje produzem grandes vinhos tal qual os bons châteaux. Voltarei ao tema. Santé.


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Francês paga R$ 6,50 por taça de vinho

Consumidor francês pagou em média R$ 6,50 por uma taça de vinho em 2009. Estudo realizado por France Agrimer, organismo governamental francês que centraliza estudos e informações do setor agrícola, divulgou na semana passada pesquisa realizada junto a 175.000 cafés, hotéis e restaurantes. Os franceses, que adoram abreviar tudo, como me lembrou o Reinaldo Paes Barreto, craque que joga na página ao lado, abreviam a fórmula cafés, hotéis e restaurantes por CHR.
Na verdade metade destes estabelecimentos oferece taças a menos de R$ 6,00. 90% de todos os consultados comercializam vinhos em taça, o que representa um aumento de 14% em relação a 2008. 96% dos restaurantes do tipo "brasserie" servem vinhos em taça. Em geral as taças são de 120 ml. Esqueçam as canecas para o vinho estas são para chopp.

taça vinho

Os CHR oferecem, em geral, vinhos de seis origens diferentes e 25 rótulos. Os restaurantes gastronômicos, mais caros, possuem em suas cartas, em média, 75 etiquetas de garrafas de vinhos. Na média os perguntados oferecem 4 referências de vinhos em taças e 16% oferecem 7 opções.
Com certeza bem superior à média brasileira, e o preço então nem se discute. Os CHR conseguem oferecer o vinho a este preço simplesmente por que este chega barato para o comerciante. Mesmo praticando margens mais altas do que no Brasil o vinho chega ao cliente final com preço atraente. Afinal, o único imposto direto que o produtor vai agregar é a TVA de 19,6%, uma espécie de ICMS. Não tem Cofins, IPI ... e todos os penduricalhos que travam o consumo nacional. Claro, que existem outros impostos na França, mas não incidem sob a produção e, sim, sob o faturamento ou salário. Ah, os impostos na França são altos. Verdade. Mas você não precisa pagar escola particular, plano de saúde privado e tantos outros custos duas vezes, como acontece no Brasil.
Quanto você paga por uma taça de vinho? Santé.

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A batalha do vinho orgânico

Vinho proveniente de vinhedo orgânico o leitor do blog já conhece e é relativamente fácil de entender o que seja. Em linhas gerais um vinho sem agrotóxicos e sem adubos sintetizados pelo homem. Um vinhedo que se propõe a respeitar o meio ambiente. O vinho originário de um vinhedo orgânico recebe na França uma etiqueta com a logomarca AB, agricultura biológica, como é chamado o cultivo orgânico na França.

AB logo
Logomarca do certificado de agricultura orgânica, chamada de biológica na França.

Neste momento a Comissão Européia está tentando normatizar a criação do vinho vinificado organicamente, isto é, um vinho que seja elaborado respeitando os princípios que norteiam a viticultura orgânica. Até aí tudo bem, afinal muitos produtores desejam fazer um vinho dentro deste conceito.
A questão é que existem abordagens diferentes do que seja este vinho 100% orgânico. Um grupo enxerga uma oportunidade imediata para a indústria do vinho europeu abocanhar uma fatia de um mercado em plena expansão. Neste momento é o ponto de vista encampado pela Comissão e que prefere permitir quase tudo, desde que isto ajude nas vendas. Outro grupo pretende restringir quase tudo e tornar o vinho orgânico um produto limitado a uma "elite de produtores e a uma clientela de elite". Em resumo: aos fundamentalistas do vinho natural. Ah, não é só no mundo religioso que eles existem. O sindicato dos vitivinificadores independentes (Vignerons Indépendants) da França e da Itália mandaram uma carta aberta assinada por dezenas de produtores orgânicos solicitando que a Comissão Européia encontre um "justo termo" que limite práticas que contrariam o espírito orgânico como o excesso de sulfitos, a osmose inversa, a adição de bicarbonato de potássio e várias outras que alteram a essência do vinho. O "justo termo" preconizado pelos autores da carta aponta para práticas que protegem o vinho, que garantem seu equilíbrio e conservação, que respeitam o consumidor e que não interferem no “conteúdo vivo do vinho”. Exemplo: a filtragem com bentonita, bastante praticada e que evita a quebra protéica - o excesso de proteínas que gera uma precipitação de flocos esbranquiçados - um defeito do vinho.
De fato a visão da Comissão de permitir tudo é imediatista, de curto prazo, que atende apenas um segmento industrial sedento de mercado. A médio e longo prazo o certificado de vinho orgânico deixaria de ter valor na medida em que o público perceberia que ele é igualzinho ao tradicional. Pondo por água abaixo todo o trabalho longamente construído da viticultura orgânica. Publico abaixo a relação dos signatários. Santé.
Michel Issaly (Président des Vignerons Indépendants de France)
Sylvie Augereau, Alexandre Bain, Christian Binner, Francis Boulard, Clémentine Bouveron, Catherine et Pierre
Breton, Sébastien Brunet, Xavier Cailleau, Jean Clavel, Philippe Delesvaux, François Chidaine,Christian Gaubicher, Laurent Cazottes, Nathalie et Christian Chaussard, Michel Courty, Jean-Christophe Comor ,Marie Joëlle Cournet, Hippolyte Courty, Elian Da Ros, Nathalie, François Décombe, Alain Dejean, Camillo Donati, Julien et Alain Guillot, Eric Dubois, Peter Fischer, Bertrand Galbrun, Jocelyne et Michel Gendrier,Matthieu de Genevraye, Anne Godin, François Grinand, Arnaud Guichard, Emile Héredia, Adeline Houillon, Manuel Jorel, Lises et Bartrand Jousset, Keito Kato, Pascal Kerbiquet, Joseph Landron, Suzel De Lanversin, Marie et Marcel Lapierre, Michael Latz, Claire Laval, Stephano Legnani, Patrice Lescarret, Loïc Mahe, Virginie Maignien, Jacques Maillet, Gérard Marula, Maita Masuko, Angiolino Maule, Luc Michel, Bertrand Minchin, Pascal Montaut, Eric et Christine Nicolas, Pierre Overnoy, Pierre Paillard, Marc LucMichel Penavayre, Jean-Yves Péron, Eric Pfifferling, Daniel Piccini, Isabelle et Jo Pithon, Bernard et Myriam Plageoles, Danièle Portinari, Marcel Richaud, Michel et Thérèse Rieuspeyroux, Sébastien Riffault, Patrick Rols,Jean-françois Rouet, Nicolas Rousset, Frantz Saumon, Jérôme Sauvette, Anselme Selosse, Jean-Baptiste Sénat,David Spillare, Dominique Techer, Nicolas Testard, David Turecamo, Gilles et Catherine Verge, Hervé Villemade. Vignerons indépendants de France et d’Italie.

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Promaude é a feira agropecuária do Aude

Começou dia 21 e vai até dia 24 de maio, feriado de Pentecoste, a XXI edição de Promaude, a grande feira agropecuária do departamento do Aude, Sul da França, na cidade de Lézignan-Corbières. Situada entre Carcassonne e Narbonne esta cidade de dez mil habitantes do Languedoc recebe anualmente dezenas de produtores de mel, queijo, leite, vinho, olivas, azeite e milhares de visitantes. Desde 2006 participam também produtores de outros países europeus. Este ano estão presentes Holanda, com seus deliciosos morangos, e Alemanha, com sua boa cerveja.
No primeiro dia Promaude é reservada para as crianças e dezenas de ônibus escolares chegam de toda a região Languedoc Roussillon. Os estudantes participam e curtem as diversas atrações. Tem torneio hípico, corrida de porcos, pesca de truta, concurso de adestramento de cães, brincadeiras, música e muita alegria.

promaude e mauzac degusta

Boa oportunidade para travar contato com alguns bons vinhos do Sul da França e descobrir produtos típicos como mel de acácia, queijos de vaca ou cabra, salames, azeites e azeitonas lucques ou picholine, típicas da região. Ou mesmo de cervejas feitas no Alto Vale do Aude ou em Narbonne.Tudo servido e preparado pelos produtores. Santé.

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Profissionais do vinho apostam em crescimento das vendas em 2010

O mercado mundial do vinho está mais otimista em 2010 do que no ano anterior. Segundo relatório do Wine Trade Monitor da Sopexa 58% dos profissionais (agentes, atacadistas, distribuidores e importadores) acreditam que em 2010 as vendas de vinhos tranquilos vão aumentar e para 2011 o otimismo atinge 72% dos questionados. A pesquisa foi realizada pela Sopexa, empresa francesa especializada na promoção do setor agrícola francês, hoje privatizada, que ouviu 1500 profissionais de 14 países que representam 85% das exportações de vinhos franceses.
Algumas constatações mundiais são interessantes. A queda da demanda de vinhos de primeiro preço e o aumento do pedido de vinhos de qualidade premium é um claro sinal de fim de crise. Explico. Em momentos difíceis a venda dos vinhos baratos aumenta, substituição natural na hora em que o consumidor se vê obrigado a apertar o cinto. Persiste a dualidade internacional de vinhos varietais e vinhos de denominação de origem os AOC/AOP/IGP. Na hora de arrumar os vinhos nas prateleiras a segmentação por país de origem é a regra nos supermercados estrangeiros.

Percepção da imagem francesa

Para 95% dos profissionais o vinho francês é a espinha dorsal das suas cartas, porém um maior trabalho de promoção e divulgação é solicitado, especialmente nos países maduros para melhor se beneficiar desta percepção. O vinho francês tem a melhor imagem global para estes profissionais, mas há diferenças marcantes em países maduros e emergentes. As vantagens francesas são a dimensão festiva dos seus vinhos e a amplitude da oferta. A força dos seus vinhos orgânicos é reconhecida pelos profissionais entrevistados dos 14 países. No que tange a acessibilidade aos seus vinhos e inovação é nítido o atraso em relação aos vinhos do novo mundo.

elefante bottle
Etiqueta ousada de vinhos varietais franceses. Você gosta?

Acessibilidade quer dizer poder pagar por um vinho francês. Hoje começamos a ter acesso a bons vinhos franceses, notadamente da região Languedoc Roussillon, o chamado Sul da França, que possuem preços muito competitivos. Fato que o leitor carioca pode conferir indo nos supermercados Mundial ou Zona Sul onde encontrará bons vinhos na casa dos 20 reais. Em termos de inovação é mais complicado, pois o consumidor espera, normalmente, encontrar no vinho, na garrafa e na etiqueta francesa a tradição que construiu sua reputação. Santé.

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Enoturismo é comunicação do terceiro grau

Enoturismo é uma forma de comunicação em pleno crescimento na França. Digo forma de comunicação e não modalidade turística, note bem. Na França o produtor há muito tem o turismo como um complemento de receita. É o caso das pousadas dos viticultores, conhecidas por aqui como "gîtes, chambres d'hôtes (quartos de hóspedes) ou “table d'hôtes” (mesa de hóspedes) se a casa servir refeição. Seu lado pitoresco e campesino consiste no fato de que o turista é recebido na casa ou na propriedade pelo produtor e sua família, podendo desfrutar da sua convivência. Isto muitas vezes permite uma maior percepção da vida rural e da produção do vinhedo. O turista vive mais intensamente aquele momento tornando-o único.
O que tem aumentado a cada ano são os eventos que atraem um público maior e permitem ao mesmo tempo um contato com os produtores de uma determinada região. São mais curtos, porém cheios de intensidade e calor humano. Um destes é o Elégance des Volnay, na Côte D'Or, Borgonha, a ser realizado dia 26 de junho.
Já na sua sexta edição o maior acontecimento desta pequenina cidade, após a colheita, claro, atrai centenas de turistas. A programação é feita pelos produtores que participam ativamente. Pela manhã degustação da nova safra por um júri feminino, basta se inscrever para participar. Depois, para todos, degustação de Volnay Villages e Volnay Premier Cru das 10:30 da manhã até às 17:30 da tarde, basta comprar uma taça personalizada por 5€ na prefeitura local. Você pode levar seu sanduíche e fazer seu pic-nic nos vinhedos ou almoçar em um dos restaurantes das redondezas. O passeio em charrete entre as videiras e na cidade é uma atração à parte e faz voltar no tempo. Ao final da tarde a jovem escritora Amanda Sthers, madrinha do evento, planta uma nova cepa na fileira de vinhas de Elégance des Volnay, uma recente tradição que confere pompa e glamour. Para quem quer treinar o olfato a Cave aux Aromes (adega de aromas), versão em grande escala do kit "nez du vin", é uma grande oportunidade para ver e identificar aromas de flores, frutas e outros produtos que fazem o buquê do vinho.

sensorial
Adega de aromas é um grande kit nariz do vinho.

"Paulée" é o grande momento

Na Borgonha a festa do fim da colheita é conhecida como "Paulée", e no Elégance des Volnay ela acontece durante um jantar chique nos jardins do Domaine La Pousse d'Or, com música ao vivo. O bacana da noite é que trinta vitivinicultores trazem vinhos de suas adegas e estes são compartilhados entre visitantes e produtores, uma bela oportunidade para descobrir os grandes vinhos de Volnay e conversar sobre cada um deles. O jantar, que só acaba com o raiar do sol, custa 95€ por pessoa e será preparado pelo chef borguinhão Bruno Pothier.  

volnay
Passeio de charrete em Volnay.
Desfrutar momentos mágicos como no Elégance des Volnay, em pleno coração da Côte d'Or, desfrutando a convivência destes produtores é muito mais do que enoturismo. É uma comunicação íntima e sublime entre o amante do vinho, o vinho, a região de produção e o produtor. São momentos inesquecíveis de cumplicidade. Essa é a comunicação do terceiro grau. Santé.

Inscreva-se diretamente com o presidente da associação "Elégance des Volnay"
Monsieur Pascal Bouley bouleypascal@wanadoo.fr

Fotos: Divulgação e Patrick Landanger

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Grandes vinhos do Médoc em embalagem bib

Ainda falando das virtudes do Bag in Box, o bib, aquela caixinha de papelão que envolve e protege um saco de alumínio que contém litros de vinho embalados a vácuo e que saem de lá por uma torneirinha, são também conhecidos na França como "fontes de vinho". Protegido da luz e do ar, seus grandes inimigos, o vinho tem longa vida depois de aberto.
Reforçando as postagens anteriores mostro que os ótimos vinhos dos Domaines Rollan de By, do vitivinicultor Jean Guyon, um dos expoentes do Médoc, também estão disponíveis em formato bib. Para valorizar a embalagem Guyon as chamou de Bacchus Box e decorou as caixas com ilustrações do costureiro Georgeus Escada. Aproveito para lembrar que Château Haut Candissas e Château Rollan de By são vinhos notórios, bem conceituados e vendidos na Bolsa de Bordeaux. Isto ajuda a mostrar que mesmo grandes vinhos podem aderir ao Bag in Box. Santé.

bacchus box
Na foto os bibs decorados por Escada - Château Haut Condissas, Médoc tinto AOC, Château Rollan de By, Médoc tinto AOC, La Demoiselle de By, Médoc AOC, La Fleur de By, Médoc tinto AOC, Château Tour Seran Médoc tinto AOC, Château La Clare, Médoc tinto AOC e La Fleur de Laussac, Côtes de Castillon tinto AOC.

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Bag in Box também é bonito

Alguns bag in box primam pela beleza e chegam a ser mesmo obras de arte. Para que o dono do restaurante ou o consumidor final sinta mais orgulho do bib, o garrafão do século XXI, alguns produtores capricharam na embalagem. Existem opções que valorizam a etiqueta, tal qual nas garrafas, outras que "escondem" o bib numa caixa de madeira lhe dando certo glamour, ou ainda aqueles que transformam o bib em obra de arte. Opção do Château Puech-Haut, importado pela KB-vin rose, do Languedoc, que convida artistas plásticos para pintar barris de carvalho que terão posteriormente suas pinturas aplicadas em bibs. Nos três casos os vinhos são de boa qualidade. Santé.

bib cordier
Embalagem de madeira da Cordier, importado pela Winery, confere nobreza ao vinho.

bib mythique
Mythique, sem importador, mostra a etiqueta, como nas garrafas, valorizando a identidade desta marca do Sul da França.

bib frida
Jean Paul Bocaj pintou a artista mexicana Frida Khalo para o Château Puech-Haut.

bib arte
É novo, é coleção é vinho.A arte em bib.

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O Bag in Box conquista a França

O sucesso do formato bag in box, que permite ao consumidor ou ao restaurante ter sempre um vinho fresquinho, em perfeito estado de conservação, sem a necessidade de abrir uma garrafa inteira quando apenas se deseja uma taça, conquistou definitivamente a França. O bib, como é conhecido, acaba de ganhar um grande admirador: a rede de supermercados francesa Auchan. Pertencendo a família Mulliez o grupo está presente na Europa, Rússia, Oriente Médio, China e totaliza 2300 pontos de venda.
A rede Auchan acaba de lançar uma ampla linha de vinhos AOC no formato bib. Normalmente os bibs vão receber vinhos simples, varietais ou vinhos de qualidade premium como neste caso. Quem ainda pensa que os vinhos dentro das caixas com torneirinhas são sempre de baixa qualidade está bastante enganado. Tal como as garrafas ele pode conter vinhos bons e ruins, diferentemente dos garrafões. O bib, no entanto, não é feito para os vinhos excelentes.
As denominações de origem mais consumidas e que servem bem para bares e restaurantes, estão em bibs de 5 litros como Côtes du Rhône Villages (18,95 €), Beaujolais (14,45 €), Côtes du Ventoux rosé (10,95 €). Os vendidos em bibs de 3 litros são os AOCs Cahors (7,99 €), Graves (12,95€), Saumur Champigny (13,75 €), Bourgogne pinot noir (15,99 €), Côtes du Rhône Villages Rasteau (17,95 €), Crozes Hermitage (21,95€), Touraine sauvignon (14,95€), Bourgogne chardonnay (14,95€), Côtes de Bergerac moelleux (9,20€), Saint-Chinian rosé (7,95€), Rosé d'Anjou (8,99€), Fronton rosé ( 9,95€), Bordeaux rosé (9,95€) e Bandol rosé (21,95€). Aqui no final você percebe a força dos rosés, vinho muito consumido no verão. Note também que o AOC Bandol é o mais caro e é um rosé.

bib 5 l
Na foto um bib de 5 litros Vin de Pays d'Oc Merlot.

Os formatos de 3, 5 ou 10 litros são os mais utilizados. Para o consumidor final o ideal é o bib de 3 litros, pouco maior do que um livro ele cabe perfeitamente na geladeira. Além da conservação o preço é bom, pois uma embalagem substitui quatro garrafas na versão 3 litros. Depois de aberto o vinho se conserva por pelo menos 3 semanas. Pena que no Brasil os importadores e produtores ainda não aderiram de forma mais significativa. Santé.

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Maior presença dos vinhos europeus

Estou voltando hoje para a França depois de duas semanas no Brasil. Estive na Expovinis em São Paulo, visitei delis e supermercados em Belo Horizonte, me reuni com sommeliers, chefs e importadores no Rio. Vi muita gente. Volto com a nítida sensação de que os vinhos do Velho Mundo estão ganhando terreno nas cartas, nas prateleiras e nas mesas brasileiras.
O esforço de alguns países e regiões produtoras começa a dar frutos. Claro que não estou dizendo que os europeus passaram a vender mais que os chilenos ou argentinos, longe disto. No entanto, percebo uma maior presença dos franceses e um maior interesse do consumidor nestes vinhos. Isto não é pouco. Santé.

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Análise sensorial dos vinhos e tipicidade

Degustar, analisar e pontuar vinhos é uma decisão nem sempre unânime, mas que utilizando uma metodologia há uma grande tendência à convergência. Os pontos ou estrelas podem mudar, mas a descrição deve ser próxima. Um item que nem sempre é levado em consideração pelos enófilos, mas que é uma exigência dos sindicatos das denominações de origem é quanto à tipicidade do vinho. Será que o vinho é representativo do que se espera da denominação? É o vinho uma verdadeira expressão do "terroir"? Questões como estas fazem pensar não apenas a Associação de Enólogos da França, laboratórios e sindicatos, mas sobretudo produtores que querem preservar tradições e cultura de um “terroir”.
Na França esta é uma questão muito debatida. Deve-se adaptar os vinhos ao gosto das tendências mundiais ou deve-se guardar sua autenticidade? O jornalista e crítico Dusser-Gerber autor do guia do mesmo nome, é um ardoroso defensor de vinhos autênticos. Para ele os únicos verdadeiros a exprimir um « terroir ». Neste ponto concordo com Gerber. Prefiro os autênticos e a escola européia, mas acima de tudo prefiro os bons vinhos. Santé.

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Grandes importadores não foram à Expovinis

A ausência de grandes importadores como Expand, La Pastina, Mistral, Grand Cru e Barrinhas, e de outros importantes "players do mercado" mostra que, no mínimo, há espaço para outros eventos de vinhos no Brasil. Seja com um perfil para delis e restaurantes, seja com um perfil de público consumidor. Quem sabe o Rio de Janeiro não merece uma feira de menor porte, mas de qualidade? Santé.

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França invade Expovinis

A Expovinis é a maior feira de negócios de vinhos do Brasil. Este ano os produtores marcaram forte presença. Foi grande a participação dos brasileiros do Rio Grande do Sul, maior região produtora, de Santa Catarina, nova e promissora fronteira, e dos estrangeiros. Este ano não apenas os produtores da América Latina estavam presentes, mas o forte comparecimento europeu foi destaque. Portugal, velho conhecido, Espanha que trouxe, inclusive, produtores de regiões menos notórias como Aragão. Mas a maior surpresa ficou por conta da França que, literalmente, invadiu o pedaço com dezenas de produtores do Languedoc Roussillon, Provence, Bourgogne, Loire, Bordeaux, Alsace, Rhône e Champagne mostrando que finalmente acordou para o mercado brasileiro. Antes tarde do que nunca. É bem verdade que Bordeaux, Sud France e Provence “descobriram” o Brasil há mais tempo.
Encontrei rapidamente na feira dois coleguinhas da imprensa paulista, primeiro foi o Didú Russo - "Rogerio vai ver o resultado do Top Ten, acho que um espumante do Sul da França, a Bulle, se destacou". Logo depois esbarro com Jorge Carrara, da Folha de SP, que diz "-Provei a Blanquette de Limoux no Top Ten." Os dois sabem que promovo os vinhos do Sul da França no Brasil e que organizo o Festival Sud de France. Fui para a divulgação dos resultados, mas o vencedor na categoria Espumantes do Mundo foi o Prosecco italiano Ferrari Perle 2002, da Decanter, vendido por R$199,90 no site do importador. Mas lendo a coluna de Marcelo Copello, que fez parte do júri, entendi o motivo do bochicho. O Blanquette de Limoux Nº1, 2005, importado pela Winery, chegou em segundo lugar, em “disputa acirrada”. Foi também o preferido do Copello. A diferença é que custa apenas R$75,00. Esta é outra vantagem dos vinhos do Languedoc, o preço justo. Santé.


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Languedoc: o patinho feio virou cisne

Durante a 14ª Expovinis realizada de 27 a 29 de abril em São Paulo, apresentei ao lado de Breno Raigorodsky uma palestra comparativa entre vinhos do Languedoc Roussillon, abrigados sob a marca guarda-chuva Sud de France, e vinhos do Novo e Velho Mundo de mesma faixa de preço na grande sala de degustação. O objetivo não era dizer se um vinho era bom e outro ruim, o que queríamos era mostrar que os vinhos do Sul da França tem qualidade, boa relação qualidade e preço e que são uma opção diferente de prazer no mercado. As principais castas para os tintos de denominação de origem são grenache, carignan, syrah e mourvèdre, o que já os torna diferentes. Além disto, o cultivo tradicional, o baixo rendimento e o clima mediterrâneo vão conferir uma tipicidade marcante a estes vinhos. O público presente era composto por profissionais, notadamente do Rio e São Paulo. Todos foram degustados às cegas e ao final eram revelados os rótulos. Com exceção dos espumantes, os vinhos foram comprados no Pão de Açúcar e Empório São Paulo
Inicialmente fiz uma apresentação histórica do vinhedo do Languedoc, o mais antigo da França, de sua recente evolução e em seguida iniciamos as degustações. A primeira foi entre espumantes europeus versus a Blanquette de Limoux Bulle Nº1, Fushia, de Sieur d'Arques importada pela Winery. A uva de base é a mauzac, típica da região, e o método é o tradicional. O target de preço era de 60 a 70 reais, portanto um segmento de qualidade superior entre os espumantes, com exceção do champagne Moet Chandon Imperial, que gira em torno dos 160 reais. Os demais concorrentes eram o prosecco italiano Valdo, Marca Oro, a cava espanhola Codorníu Clássico de método tradicional. Após a apresentação, perguntei aos presentes qual espumante lhes havia dado mais prazer e qual deles era realmente o champagne. Grande parte cravou a Bulle nas duas perguntas, esta eu já previa a resposta. Exercício semelhante já foi feito por Roberto Rodrigues na ABS-Rio e os resultados são muito parecidos seja com a champagne Veuve Clicquot, seja com a Moet Chandon.
palestra expovinis reboucas sud france
Ao microfone, comentando seu vinho, o produtor Julien Seydoux of Chateau des Estanilles e o jornalista Rogerio Rebouças, coordenador da degustação.

O que me surpreendeu mais foram os tintos, especialmente nos tops, quando colocamos vinhos do Languedoc de grande qualidade como o Altatura, Roussillon Villages 2007 do Arnaud de Villeneuve, que se confrontou com o Grand Reserve de Conha y Toro, Carménère, série Riberas 2007 e o interessante sul africano Glen Carlou de 2005. O Altatura produzido bem pertinho dos Pirineus e importado pela Del Maipo, de Brasília, foi o preferido. O outro representante do Languedoc era o Faugéres, do Château Estanilles Grand Cuvée 2004, que também brilhou, mas ainda não tem importador. Os vinhos custavam cerca de 80 reais.
No confronto com o Velho Mundo, o representante do Languedoc foi o Prima Donna, Minervois La Livinière 2007 do Domaine L'Oustal Blanc, que vai chegar pelas mãos da Decanter, brevemente, ao Brasil. Na comparação, um italiano Fontana Freddo, Dolcetto d'Alba 2007 e um Marquês de Riscal Reserva 2005 que custou 120 reais, portanto acima da faixa. O Minervois surpreendeu e agradou pelo seu equilíbrio, expressão e comprimento, encarando de igual para igual o famoso e bom vinho espanhol.
O exercício mostrou que os comerciantes, "restaurateurs" e importadores podem mostrar com orgulho suas boas ofertas do sul da França, porque são vinhos de muita qualidade e de bom preço: o patinho feio virou cisne. Descubra você também os vinhos deste que é o mais antigo vinhedo francês. Santé.

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