Vinho proveniente de vinhedo orgânico o leitor do blog já conhece e é relativamente fácil de entender o que seja. Em linhas gerais um vinho sem agrotóxicos e sem adubos sintetizados pelo homem. Um vinhedo que se propõe a respeitar o meio ambiente. O vinho originário de um vinhedo orgânico recebe na França uma etiqueta com a logomarca AB, agricultura biológica, como é chamado o cultivo orgânico na França.
Logomarca do certificado de agricultura orgânica, chamada de biológica na França.
Neste momento a Comissão Européia está tentando normatizar a criação do vinho vinificado organicamente, isto é, um vinho que seja elaborado respeitando os princípios que norteiam a viticultura orgânica. Até aí tudo bem, afinal muitos produtores desejam fazer um vinho dentro deste conceito.
A questão é que existem abordagens diferentes do que seja este vinho 100% orgânico. Um grupo enxerga uma oportunidade imediata para a indústria do vinho europeu abocanhar uma fatia de um mercado em plena expansão. Neste momento é o ponto de vista encampado pela Comissão e que prefere permitir quase tudo, desde que isto ajude nas vendas. Outro grupo pretende restringir quase tudo e tornar o vinho orgânico um produto limitado a uma "elite de produtores e a uma clientela de elite". Em resumo: aos fundamentalistas do vinho natural. Ah, não é só no mundo religioso que eles existem. O sindicato dos vitivinificadores independentes (Vignerons Indépendants) da França e da Itália mandaram uma
carta aberta assinada por dezenas de produtores orgânicos solicitando que a Comissão Européia encontre um "justo termo" que limite práticas que contrariam o espírito orgânico como o excesso de sulfitos, a osmose inversa, a adição de bicarbonato de potássio e várias outras que alteram a essência do vinho. O "justo termo" preconizado pelos autores da carta aponta para práticas que protegem o vinho, que garantem seu equilíbrio e conservação, que respeitam o consumidor e que não interferem no “conteúdo vivo do vinho”. Exemplo: a filtragem com bentonita, bastante praticada e que evita a quebra protéica - o excesso de proteínas que gera uma precipitação de flocos esbranquiçados - um defeito do vinho.
De fato a visão da Comissão de permitir tudo é imediatista, de curto prazo, que atende apenas um segmento industrial sedento de mercado. A médio e longo prazo o certificado de vinho orgânico deixaria de ter valor na medida em que o público perceberia que ele é igualzinho ao tradicional. Pondo por água abaixo todo o trabalho longamente construído da viticultura orgânica. Publico abaixo a relação dos signatários. Santé.
Michel Issaly (Président des Vignerons Indépendants de France)
Sylvie Augereau, Alexandre Bain, Christian Binner, Francis Boulard, Clémentine Bouveron, Catherine et Pierre
Breton, Sébastien Brunet, Xavier Cailleau, Jean Clavel, Philippe Delesvaux, François Chidaine,Christian Gaubicher, Laurent Cazottes, Nathalie et Christian Chaussard, Michel Courty, Jean-Christophe Comor ,Marie Joëlle Cournet, Hippolyte Courty, Elian Da Ros, Nathalie, François Décombe, Alain Dejean, Camillo Donati, Julien et Alain Guillot, Eric Dubois, Peter Fischer, Bertrand Galbrun, Jocelyne et Michel Gendrier,Matthieu de Genevraye, Anne Godin, François Grinand, Arnaud Guichard, Emile Héredia, Adeline Houillon, Manuel Jorel, Lises et Bartrand Jousset, Keito Kato, Pascal Kerbiquet, Joseph Landron, Suzel De Lanversin, Marie et Marcel Lapierre, Michael Latz, Claire Laval, Stephano Legnani, Patrice Lescarret, Loïc Mahe, Virginie Maignien, Jacques Maillet, Gérard Marula, Maita Masuko, Angiolino Maule, Luc Michel, Bertrand Minchin, Pascal Montaut, Eric et Christine Nicolas, Pierre Overnoy, Pierre Paillard, Marc LucMichel Penavayre, Jean-Yves Péron, Eric Pfifferling, Daniel Piccini, Isabelle et Jo Pithon, Bernard et Myriam Plageoles, Danièle Portinari, Marcel Richaud, Michel et Thérèse Rieuspeyroux, Sébastien Riffault, Patrick Rols,Jean-françois Rouet, Nicolas Rousset, Frantz Saumon, Jérôme Sauvette, Anselme Selosse, Jean-Baptiste Sénat,David Spillare, Dominique Techer, Nicolas Testard, David Turecamo, Gilles et Catherine Verge, Hervé Villemade. Vignerons indépendants de France et d’Italie.