Passei os últimos sete dias no Brasil. Fui ao Rio, Belo Horizonte, São Paulo e Vitória. Muita correria, avião, carro, táxi e muitos encontros com importadores, lojistas, sommeliers, chefs e donos de restaurantes. Contato com o público consumidor, com o enófilo e o chamado cliente final. Estamos vendo cada vez mais o interesse do brasileiro pelo vinho e principalmente pela busca de coisas novas, pelo prazer da descoberta. Esporte muito praticado na França onde o enófilo vive a busca incessante do Château Perfeito. Perfeito até no preço.
A Expovinhos, na bela Vitória, é uma feira para o consumidor. Este paga para entrar e vai ao encontro dos vinhos. Degusta, bebe e pergunta onde pode encontrar o vinho na cidade. Muitas vezes faz ali mesmo seu pedido para festa ou consumo próprio. Os importadores aproveitam a ocasião para visitar clientes, conversar com seus representantes, analisar o mercado e desenhar perspectivas.
Em BH, na feira do Supernosso, vi um público ávido por informação e novidades. Os novos vinhos trazidos de Itália e França fizeram muito sucesso e outras denominações e países devem chegar em breve, promete o consultor Gerson Lopes. Após cada palestra e degustação a busca por vinhos era grande no salão. Interessante era ver que o cliente não buscava apenas os vinhos do dia a dia, mas queria comprar e descobrir os melhores que estavam à venda. As palestras geraram enorme número de perguntas e lotaram os espaços disponíveis.
São Paulo, que não pode parar, viu manifestações explosivas, chefs revoltados com a falta de segurança e uma população indignada com tanta violência. Nas mesas e festas cada vez mais o vinho tem espaço. Mesmo em restaurantes com serviço de "buffet" ou semi rápidos, práticos na hora do almoço espremido pelo tempo, o vinho está presente. Uma grande diferença em relação à Europa é que o vinho é a bebida dos jovens. O que aponta para um mercado promissor. Nas festas dos jovens europeus os destilados dominam.
No Rio tudo é alegria. O carioca vive um momento mágico, restaurantes cheios, povo feliz, hotéis sempre lotados. Talvez a grama do vizinho esteja mais verde. Pode ser, afinal, moro na França onde a crise tem gerado um sentimento de desânimo e de desespero em alguns países vizinhos. Sigo agora direto para Bordeaux onde acompanharei a Vinexpo, a maior feira de vinhos do mundo, que começa neste domingo. Santé.
P.S. - Bastou falar bem do Rio para as manifestações chegarem.