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Rosé - Um bom vinho injustiçado


O vinho melhor adaptado ao clima brasileiro é com certeza o rosé. O clima e o estilo de vida descontraído do brasileiro o tornam o palco ideal para este vinho de alegria, delicado, refrescante, frutado, de fácil harmonização e de belo apelo visual. Mas é exatamente este que mais tem dificuldade de ganhar adeptos. No verão francês, que dura três meses, o rosé é o vinho mais consumido. No Brasil tropical a cerveja lhe fecha a porta e suas vendas patinam. Já foi pior. Num passado quando o rosé era tinto misturado com branco sua reputação foi ao chão.
Rosé não é nada disso, ao menos na França. Rosé pode ser feito por dois métodos distintos, mas sempre a partir de uvas tintas de mosto incolor ou pouco colorido. Pode ser por prensagem direta, como nos vinhos brancos, ou por uma vinificação intermediária entre branco e tinto. Esta consiste em realizar um "sangramento" na cuba após uma ligeira maceração das uvas. É o chamado método sangrado. A prensagem direta nos dará um vinho de cor rosa bem claro e no sangrado a cor será de um rosa bem mais escuro.

rosé e peixe
Rosé faz um belo par com uma posta de peixe e aspargos frescos. (Foto CIVP)
O rosé é um vinho excelente para aperitivos, coquetéis, para se beber na beira da piscina ou na praia. À mesa harmoniza-se com legumes (ratatouille), carnes brancas e peixes. Vai ser na cozinha japonesa, tão na moda, que ele vai encontrar uma das suas harmonizações ideais. Não deve ser servido muito gelado para que os aromas não se fechem.
Na França o maior produtor é a Provence, seus rosés são conhecidos por sua cor clara. Se bem que os rosé de Tavel, Rhône, Sul da França, departamento do Gard, possuem a reputação de serem os melhores. Será? Porém quando se fala em rosé o primeiro nome que surge é sempre Provence. Fique sabendo que seus tintos são também bastante apreciados.

carta vinhedo Provence
A carta do vinhedo da Provence
São três grandes denominações de origem que formam a Provence: Coteaux d'Aix-en-Provence, Coteaux Varois en Provence e Côtes de Provence que se divide nos terroirs Côtes de Provence Sainte-Victoire, Côtes de Provence Lalonde e Côtes de Provence Fréjus. A Provence situa-se nos departamentos franceses de Bouche-du-Rhône, Var e parte dos Alpes Marítimos. São 27 mil hectares de vinhedos que produzem 168 milhões de garrafas sendo 86% de rosés, 11% de tintos e 3% de brancos. Estes vinhos são elaborados por 608 produtores sendo 546 domaines e châteaux, 62 cooperativas e 72 empresas de negócio. As principais uvas são a syrah, grenache, cinsault, mourvèdre e carignan.(Fonte: CIVP) Às quais se juntam a tibouren, autóctone provençal e em menor escala a cabernet sauvignon, todas para rosés e tintos. Na quarta o jury do blog “Conexão Francesa” reúne-se e vai degustar a safra 2009 dos rosés de Provence que chegarão em breve ao Brasil. Santé.

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Tradicional versus moderno: o dualismo no mundo do vinho

Tradicional versus moderno, agricultura orgânica versus convencional, Velho Mundo versus Novo Mundo ou ainda comercial x autêntico. Essa polêmica não é este blog quem inventou. O jornalista escreve sobre o que está acontecendo fora da redação, no mundo exterior. Duas grandes escolas se enfrentam neste momento no mundo do vinho. Não são escolas monolíticas e nada impede o mesmo produtor de produzir vinhos nos dois estilos.
Quando Alice Feiring nos diz que fica triste por existirem hoje "apenas uns dois vinhos que eu encontrei da Argentina que me agradaram. Há dez anos costumavam ser mais." Me vem na memória a edição de agosto 2008 da revista argentina sobre vinhos El Conocedor, que teve como matéria de capa a polêmica entre modernos e tradicionalistas. Foram várias matérias e uma grande entrevista-debate com o enólogo francês Michel Roland, adepto do vinho moderno e o crítico argentino Miguel Brascó, tradicionalista convicto. Este também fica triste com a mudança do estilo dos vinhos argentinos feito por consultores como Roland e afirmou "- Hoje todos os vinhos argentinos são iguais, não há nada que os diferencie, são como commodities". O crítico afirma ainda que se produz o vinho moderno para o mercado externo e o tradicional para o mercado interno. Michel Roland é consultor e não crítico e que é pago para fazer vinhos que se vendam, afirma. "-Nunca antes o mundo inteiro gostou e bebeu tanto vinho argentino, sem dúvida é seu melhor momento", assegura Roland.

el conocedor polemica
A capa da revista argentina El Conocedor
Quando os " flying winemarkers" (enólogos viajantes) saem pelo mundo vendendo seus serviços de consultoria levam na sua bagagem as técnicas e conhecimentos do seu país. Quando um produtor contrata um especialista ele quer que este o ajude a fazer um vinho que vá ser bem pontuado e comentado pela crítica e, sobretudo, que venda muito bem. O resultado é uma grande uniformização. A valorização da casta sobre o terroir e a supremacia do paladar de Parker sobre os demais. Afinal, os EUA ainda são o maior país importador e suas notas influem diretamente no preço de um vinho.
Como o paladar da clientela internacional, hoje, está influenciado pela crítica americana a função do consultor é fazer exatamente o vinho que agrade a este mercado. Mesmo que ele seja igual ao do vizinho. Isso acontece e aconteceu na Europa e no Novo Mundo. Em alguns países e regiões mais do que em outras. Se Miguel Brascó ousou dizer que os vinhos argentinos se parecem imagine você no Chile onde a concentração do mercado é enorme. Quem focou na exportação tem tendência a optar pelos vinhos modernos. O vinho não é apenas arte e cultura é também um negócio que movimenta bilhões no mundo inteiro.

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Alice Feiring : - "Não há vinhos do Chile que eu beba"

Alice Feiring - Entrevista exclusiva.
Depois de publicar a resenha sobre o livro "A batalha do vinho e do amor ou como salvei o mundo da parkerização" de Alice Feiring, me senti na obrigação de entrevistar a jornalista do New York Times e outros periódicos americanos. A conversa segue o ritmo do livro e não deixa rolha sobre rolha. Aproveitei para pedir uma dicas para os leitores treinarem o paladar, que acredito serão úteis.

Alice feiring foto de Andrew French
Alice não mede palavras e vai direto ao ponto ao ser perguntada.(Foto de Andrew French)
RR - Na entrevista que fiz com David Biraud (ver post de janeiro), melhor sommelier da França em 2009 e candidato francês ao mundial de sommellerie, este afirmou que Robert Parker tinha um "paladar americano". Parker é o típico gosto americano? Podemos dizer que existe um paladar americano?
AF - A América é um país grande, não posso dizer que há um 'paladar americano' mais do que eu posso afirmar que os americanos gostam de refrigerante mais do que em outros países. Posso dizer que há um "paladar de massa", um paladar mediano. Acho que Parker tem o tipo de paladar que tem apelo de massa, facilmente identificável, que significa o maior e mais escuro é o melhor, não muito sensível às nuanças.
"O paladar de Parker tem apelo de massa"
RR - Por outro lado Biraut disse que por causa de Parker alguns produtores estavam realizando a colheita mais tardiamente para obter uvas mais maduras em Bordeaux e que isto era positivo. Qual sua opinião?
AF - Eu não vejo isso como positivo. Eu sinto que os vinhos de Bordeaux estão demasiadamente maduros e como resultado perderam sua complexidade. Claro que o fato de haver poucas propriedades produzindo vinhos orgânicos e o fato de que muitos usam tecnologia em excesso para seus vinhos faz com que não tenham qualquer interesse para mim.

RR - Parker tem algo de positivo para você?
AF -Claro, ele deu origem a muitos novos consumidores de vinho. Ele ajudou a criar o embrião de uma cultura do vinho nos Estados Unidos.
Evito os vinhos do Chile
RR - Qual sua opinião sobre vinhos do Chile e Argentina, os principais exportadores para o Brasil?
AF - Fico triste em dizê-lo existem apenas uns dois vinhos que eu encontrei da Argentina que me agradaram. Há dez anos costumavam ser mais. Não há vinhos do Chile que eu beba. Evito-os. Estou certa de que há algumas exceções. Mas eu vejo esses dois grandes países cortejando os vinhos grandes, escuros, de sabores maduros e nenhuma expressão de nuanças.

RR - Somente vinhos naturais (orgânicos e biodinâmicos) podem ser bons?
AF - Isso é um bom ponto para começar. Mas eu acho que os melhores vinhos são a partir de uvas plantadas em solos que são interessantes, complexos, não tem nada acrescentado ou retirado, e feito por alguém com talento! Eu conheci alguns vinhos muito bons que não são a partir de uvas orgânicas ou biodinâmicas, no entanto, eu nunca tive um grande vinho de uvas cultivadas com a agricultura convencional.
 
RR - Algumas opções de vinhos abaixo de US$20 (menos de 75 reais no Brasil - RR) que você gosta vindo do Loire, Sul da França e Borgonha.
AF - Os de uva gamay e cabernet franc do Loire como o Clos Roche Blanche, em Chinon Domaine Baudry, em Bourgeuil Domaine Guion, quase todos os grandes produtores de Muscadet como Marc Olivier, Bossard e Jo Landrom.
Há alguns bons e baratos de Bordeaux na Côte de Bourg como o Château La Grolet e Côtes de Blaye como o Château Peybonhomme Les Tours. O Domaine de Deux Ânes no Corbières, os vinhos de Eric Texier no Côtes du Rhône, Chermette e Ducroux no Beaujolais. Na Borgonha é mais difícil, mas olhe para as regiões de Maranges ou Côte Chalonnaise (possuem preços mais acessíveis - RR).
anjos capa alice feiring
Detalhe da capa do livro de Alice Feiring

RR - Nos dê alguns conselhos para que o iniciante evolua e conheça melhor seu paladar.
AF - Provar é a coisa mais importante. Provar às cegas também ajuda a afiar o paladar. Degustar muito, duas garrafas por dia no mínimo. Chame os amigos para ajudar! É a única maneira de descobrir do que você gosta e saber onde se encontra seu próprio gosto. É o passo mais importante. Além disso, não é preciso muito dinheiro para começar a construir uma adega. Vinhos antigos são um maravilhoso prazer, e a única maneira de fazer com que você tenha alguns é comprar agora para beber mais tarde. Existe uma abundância de vinhos que suportam o envelhecimento e custam menos de US$ 25 (no Brasil menos de 100 reais - RR). Pense em guardar por cinco ou dez anos, ao invés de vinte cinco. Pense em um Cru Beaujolais e nos tintos do Loire. Em vez de Borgonha branco, tente envelhecer alguns Muscadet dos melhores produtores, bem como das uvas chenin blanc do Anjou, ou ainda cabernet franc, e comprar pelo menos, quatro garrafas ao mesmo tempo, seis garrafas melhor ainda.

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A batalha contra a parkerização dos vinhos

Alice Feiring o livro

A jornalista Alice Feiring comprou uma briga e tanto. Não apenas defende os vinhos autênticos, naturais, orgânicos e biodinâmicos, mas se opõe, com todas as suas forças, à padronização do vinho e ao gosto de Robert Parker. Feiring está do lado oposto de Parker e de Wine Spectator. Ela grita não ao vinho super frutado e pesado. Ela grita não ao vinho manipulado com aditivos e técnicas modernas. Ela diz salvem os vinhos autênticos e salvem o terroir.
Alice é uma apaixonada e curiosa jornalista que realiza uma verdadeira cruzada com sua pluma. Lança-se a um combate sem tréguas nas páginas do New York Times, no San Francisco Chronicle, em seu blog e nas conversas junto aos produtores para que não se deixem corromper pela tentação modernosa. O novo front é o livro A batalha do vinho e do amor ou Como salvei o mundo da parkerização (tradução literal, o livro ainda não foi lançado no Brasil, mas merece) é o clímax deste embate. Publicado em 2008 nos EUA e lançado este ano na França a obra vem fazendo barulho e despertando paixões.
Nas suas viagens vínicas por França, Espanha e Itália a jornalista americana visita muitas propriedades, conversa e debate com grandes expoentes da viticultura européia. De um lado nomes como Maria José Lopez de Heredia, Rioja, Nicolas Joly o mestre da agricultura biodinâmica, Bartolo Mascarello, Barollo e de outro referências, de estilos opostos, como Georges Blank, o chefe da adega de Möet et Chandon e Angelo Gaja, expoente do Barollo moderno. Seu tema é sempre a defesa do terroir, da expressão autêntica e natural dos vinhos, prega a explicitação da diferença entre os manipulados e os verdadeiros.
Visita a Universidade da Califórnia Davis, tida como a grande referência acadêmica em enologia nos EUA. Onde se ensina a usar todas as modernas técnicas de vinificação: osmose inversa, acidificação, leveduras industriais transgênicas, micro oxigenação, irrigação gota a gota e, a novidade, extrato de carvalho líquido. Ela coloca o dedo na ferida ao perguntar ao professor Roger Boulton da UC Davis, porque a escola não ensinava a vinificação natural. A resposta vem de forma glacial "- Aqui ensinamos apenas o que é científico, não banalidades. O natural dá resultados variáveis e sabores flutuantes". Mas Boulton é ético e questiona a ética dos produtores americanos que adicionam taninos para correção da estrutura e depois falam de "taninos maduros". Afinal, "estes não vem da uva, mas de uma proveta", assegura.
Em Champagne Feiring trava discussão com Blank sobre o método de condução do vinhedo, onde por causa do clima chuvoso que provoca muitos ataques de oídio e míldio, os tratamentos são intensivos e é impossível conduzir o vinhedo de forma orgânica em grande escala, garante Blank. Feiring contrapõe os argumentos citando Larmandier-Bernier, Selosse e Jacquesson, todos pequenos produtores de Champagne que trabalham em agricultura orgânica. Alice não gosta de beber Veuve Clicquot ou Möet, mas cita alguns grandes produtores de que gosta - Bollinger e Pol Roger.
Nas suas viagens fica feliz por Borgonha resistir mais às investidas modernas que outras denominações. Parker não é uma figura muito querida na Borgonha, ele mesmo brinca com Alice durante um evento na terra da pinot noir "-Engraçado, o homem mais detestado da Borgonha é o convidado de honra". Mas é no Loire onde reina a cabernet franc, uva que nunca foi muito do agrado de Parker, que ela vai encontrar uma grande quantidade de produtores autênticos, que não se deixaram levar pelos encantos da modernidade, da padronização do vinho e dos barris de madeira de forte queima tão adorados por Parker.
O Confronto final
Alice photo Andrew French
Alice posa para a lente de Andrew French e parte para mais uma batalha em defesa do vinho natural

Este acontece no final do livro na entrevista com o crítico Robert Parker, Bob, onde os dois debatem o que é um vinho tradicional. Bob cativante e persuasivo, diz que tradicional "são os que marcaram a história, cabernet em Bordeaux, pinot noir na Borgonha, nebbiolo no Piemonte e sangiovese na Toscana. O estilo muda perpetuamente". No quesito estilo eles concordaram que sempre muda. Hoje “é gordo, potente, com muita fruta e sem elegância", sentencia Alice. Para a jornalista do NYT Parker dá mais importância às pequenas barricas bem queimadas que ao terroir. Para ela tradicional é como o vinho era feito anteriormente, respeitando as tradições. Alice volta ao ataque e pergunta "você gosta de gamay (uva típica de Beaujolais)? A resposta: "Quando ele é maduro". Ela reflete "- O gamay não tem amadurecido corretamente nos últimos anos? "Ele retruca:" - Você não gosta da potente shiraz do Vale do Barossa na Austrália?"
Realmente os dois estão em campos opostos. A leitura leva a descobertas e a abertura de um diálogo, ou melhor, de uma brecha contra um “gosto americano” que vem se impondo de forma global. O mundo do vinho não é um monolito. Você não precisa achar que o vinho que você gosta de beber é ruim apenas porque não é bem pontuado na Wine Advocate. Existem outros paladares, outros gostos e outros vinhos. Talvez seja o seu caso, confie na sua boca.
Voltaremos ao assunto.



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Vinho francês é o melhor e existem baratos

A percepção da qualidade do vinho francês nos EUA segue firme e lidera o pelotão à frente de Califórnia, principal centro produtor da América do Norte e Itália. O consumidor americano o considera o melhor vinho do mundo. Mas este reconhecimento sofre uma concorrência forte tanto de italianos como de californianos. As denominações de origem francesas são pouco conhecidas do americano médio e Champagne é uma marca mais notória que Bordeaux, as mulheres conhecem mais os vinhos os rosados da Provence.
O preço médio do vinho francês exportado para os EUA é de 5,67€ (Fonte: UBI France) a garrafa, no Brasil de 7,12€ (Fonte: UVIBRA). Reflexo da concorrência com os vinhos de Argentina e Chile que pagam menos impostos e abocanham com mais facilidade os vinhos de preço mais competitivos. Isto quer dizer que o vinho francês disputa, principalmente, um mercado de maior qualidade. Não que a França não produza vinhos competitivos, apenas que com a carga tributária bem maior os vinhos europeus chegam às prateleiras necessariamente mais caros. Muitas regiões francesas tem feito esforço de produzir vinhos prazerosos e de bom preço para disputar este segmento. Porém o consumidor brasileiro, que ainda não percebeu este esforço, fica desconfiado.
Vinho francês barato e bom? Vinho francês para o dia a dia? Os céticos vão dizer que não existe. Apesar de toda a carga tributária existe uma boa lista de vinhos franceses entre 19 e 42 reais que podem ser consumidos no dia a dia e fazem bonito à mesa. Quer ver? No Rio vá ao Mundial, ao Zona Sul ou mesmo em lojas e sites de importadoras. A oferta é longa, fiz uma pequena seleção.

douce folie

O douce Folie, do Languedoc, tem um corte com syrah, merlot, carignan e grenache.
Tintos
Douce Folie Vin de Pays d’Hauterive 2005- Sul da França - R$ 41,70 - Decanter
La Fontaine de Genin - Bordeaux - R$ 35,08 - Bom Vinho
Laurent Miquel Syrah Grenache 2006 - Sul da França - R$ 22,98 - Zona Sul
Les Sarments de la Tuilerie rouge 2005 - Rhône - R$ 40,99 - Mistral

Rosés
Costieres de Nimes Mourgues de Grès Les Galets Rosés 2008 - Sul da França - Nova Fazendinha - R$40

Branco
Muscadet de Sèvre & Maine sur Lies Domaine de la Grange 2008 - Loire- Nova Fazendinha - R$42
Espumante
Grand Cuvée 1531 da Aimery - Sul da França - R$ 33,50 - Zona Sul

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O vinho fácil e a mulher difícil

Muita gente hoje, não apenas no Brasil, passou a gostar de vinhos modernos. São vinhos fáceis de beber, com bastante fruta na boca, perfumados e muito parecidos. Bem fresquinho agrada a um largo público. Podem ser feitos em qualquer lugar do planeta que serão sempre muito semelhantes. Um grande exemplo de produtor destes vinhos é o Chile, que faz vinhos muito similares, pouco importando o produtor. Trata-se de um país onde cinco grandes grupos respondem pela metade dos vinhos produzidos no país. Este tipo de situação acontece em alguns países do Novo Mundo. Na França as pequenas propriedades dominam.
Os vinhos fáceis possuem, em geral, uma grande dose de tecnologia para oferecer certos aromas e gostos que normalmente seriam encontrados apenas em vinhos de maior qualidade. São artificiais e desnaturados sem deixar de ser agradável. As grandes empresas querem transformar o vinho em refrigerante. Explico. O consumidor leigo, quando compra um determinado vinho, gosta de encontrar o mesmo vinho que o agradou num determinado ano, igualzinho no ano seguinte. Vinho não é refrigerante. Vinho é um ser vivo. Não apenas muda de ano para ano em função da safra como evolui, trabalha, dentro de uma garrafa, para melhor, se for um bom vinho, ou para pior, se for um vinho inferior.
A indústria do vinho e aqui falo de grandes empresas como Concha y Toro, Pernod Ricard e muitas outras procuram vender um produto em que o cliente possa fazer uma escolha fácil e segura. No sentido de que quando comprar aquele vinho ele terá sempre o mesmo líquido dentro da garrafa. Para se obter isto o viticultor vai ter de atuar desde a plantação para controlar o desenvolvimento das videiras. Um exemplo simples é a irrigação gota a gota, mesmo em locais onde não haja necessidade. A videira tem raízes capazes de irem a mais de 20 metros de profundidade em busca de água. O resultado são vinhas de raízes superficiais que não expressam a riqueza do solo. Aproveita-se, neste caso, para adicionar adubos (nutrientes) para estas vinhas junto com a água. Lembre-se que a uvas tem seu berço no Mediterrâneo, região seca, de baixa pluviometria.
Na Austrália onde esta prática é muito utilizada as recentes secas tem provocado enormes problemas. Sem água abundante a irrigação não pode ser feita e as raízes não estão preparadas para "procurar" águas, pois estão na superfície.
Volto a dizer que existe mercado para este vinho e prefiro começar a conhecer vinhos com estes do que com os garrafões que me iniciaram nos prazeres de Baco. Uma uva cabernet pode nos oferecer aromas de frutas vermelhas, mas seu aroma típico é de pimentão verde. As leveduras são responsáveis pela fermentação alcoólica e por diversos aromas. Hoje o vinicultor pode chegar numa loja e comprar leveduras que vão favorecer determinados aromas e mesmo "terroirs", basta escolher.

leveduras aromaticas
Três saquinhos de leveduras que oferecem aromas e estilos diferentes para vinhos

Para que o vinho fique macio mais rapidamente existe a micro oxigenação, que simula o envelhecimento em barris. Para ter notas de baunilhas, típicas do carvalho adicionam-se chips, lascas ou pó de carvalho. Opção mais barata e rápida do que deixar o vinho envelhecer num barril de 500€ com capacidade para apenas 225 litros, com vida útil de três anos, ou seja 74€ o hl e um quilo de chips sai por 10€ o kg ou 5€ o hl.
Existem vinhos baratos que não usam estes artifícios e mesmo não sendo sofisticados mostram um pouco da personalidade do viticultor e do local onde foi produzido. Para começar a conhecer vinhos não é nenhum pecado beber estes mais fáceis. Mas para casar é melhor buscar aqueles mais difíceis, que tem algo mais a dizer, que expressam o terroir onde são produzidos e que podemos guardar e beber para sempre pois seus prazeres sempre se renovam. Se não é como um antigo bordão do Jô Soares - "Casa, separa, casa, separa,..."

Solidariedade

O Chile que sofreu uma terrível catástrofe, terremoto fortíssimo, está às vésperas de sua colheita. Situação preocupante. As adegas do Vale Central foram bastante atingidas, aparentemente sem mortos. Espero que façam uma boa colheita e que retomem o ritmo normal rapidamente. Coragem.

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