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Entrevista com Bernard Magrez

Entrevistei nesta quarta-feira na Vinexpo, a maior feira de vinhos do mundo, em Bordeaux, uma das pessoas mais importantes do mundo do vinho: Bernard Magrez. Produtor do excelente Château Pape Clément, Grand Cru Classé de Graves, e parceiro do ator Gérard Depardieu em vinhedos em Bordeaux e no Languedoc. Magrez possui ainda vinhedos em Portugal, Espanha, Marrocos, Japão, Chile, Uruguai, Argentina e EUA. Na França possui ainda os châteaux Grandes Crus Classés Fombrauge, La Tour Carnet e Haut Peyraguey, todos na região bordalesa. Santé.

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Encontrei um Château Perfeito

Podia tê-lo feito em minúscula, mas como é o Santo Graal de cada um preferi as maiúsculas. O craque Gerson Lopes é um destes que vive esta incessante busca e em altos patamares de qualidade. Antes de começar a palestra de Olivier Leblans, enólogo da Cordier Mestrezat Grands Crus convidado pelo Supernosso de BH, no sábado passado, dia 8 de junho, a identificação dos dois foi imediata. Ambos vivem tentando, e conseguem, achar seus Châteaux Perfeitos. Pegaram seus smartfones, abriram o álbum de "figurinhas" e mostraram suas mais raras e perfeitas etiquetas degustadas. Troca de ideias, comentários e a constatação de que Gerson tem muito mais figurinhas raras do que o enólogo francês que já trabalhou em Lafite Rothschild, correu o mundo e hoje dirige e acompanha diversos "châteaux" de prestígio do importante negociante bordalês.
Vencido, vencedor e testemunhas foram jantar no Gluton - recomendo o aipim bravo, delicioso. Gerson começou o serviço com Salon 1997, um Champagne de gente grande, depois o que eu e Lesblans consideramos o Château Perfeito do ano um Grand Cru da Borgonha o Bienvenue Bâtard Montrachet, 1988 do Domaine Ramonet, na sequência o espanhol Pingus 1995 e finalizando um Château d'Yquem 1999. Noite incrível que tive o prazer de testemunhar e desfrutar na companhia de amigos de Gerson no maior respeito da cordialidade mineira. Merci.

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Bienvenue Bâtard Montrachet, 1988 do Domaine Ramonet é o meu Château Perfeito.

Que vinho este Bienvenue Bâtard Montrachet pleno de frescor exalando uma multiplicidade de aromas que explodiam delicadamente no palato, tal qual os fogos de artifícios do Réveillon carioca que nunca acabam e sempre são diferentes e surpreendentes. Classe, fineza, persistência, complexidade, volume, tudo estava lá. Santé.

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Reflexões do vinho e a busca do Château Perfeito

Passei os últimos sete dias no Brasil. Fui ao Rio, Belo Horizonte, São Paulo e Vitória. Muita correria, avião, carro, táxi e muitos encontros com importadores, lojistas, sommeliers, chefs e donos de restaurantes. Contato com o público consumidor, com o enófilo e o chamado cliente final. Estamos vendo cada vez mais o interesse do brasileiro pelo vinho e principalmente pela busca de coisas novas, pelo prazer da descoberta. Esporte muito praticado na França onde o enófilo vive a busca incessante do Château Perfeito. Perfeito até no preço.
A Expovinhos, na bela Vitória, é uma feira para o consumidor. Este paga para entrar e vai ao encontro dos vinhos. Degusta, bebe e pergunta onde pode encontrar o vinho na cidade. Muitas vezes faz ali mesmo seu pedido para festa ou consumo próprio. Os importadores aproveitam a ocasião para visitar clientes, conversar com seus representantes, analisar o mercado e desenhar perspectivas.
Em BH, na feira do Supernosso, vi um público ávido por informação e novidades. Os novos vinhos trazidos de Itália e França fizeram muito sucesso e outras denominações e países devem chegar em breve, promete o consultor Gerson Lopes. Após cada palestra e degustação a busca por vinhos era grande no salão. Interessante era ver que o cliente não buscava apenas os vinhos do dia a dia, mas queria comprar e descobrir os melhores que estavam à venda. As palestras geraram enorme número de perguntas e lotaram os espaços disponíveis.
São Paulo, que não pode parar, viu manifestações explosivas, chefs revoltados com a falta de segurança e uma população indignada com tanta violência. Nas mesas e festas cada vez mais o vinho tem espaço. Mesmo em restaurantes com serviço de "buffet" ou semi rápidos, práticos na hora do almoço espremido pelo tempo, o vinho está presente. Uma grande diferença em relação à Europa é que o vinho é a bebida dos jovens. O que aponta para um mercado promissor. Nas festas dos jovens europeus os destilados dominam.
No Rio tudo é alegria. O carioca vive um momento mágico, restaurantes cheios, povo feliz, hotéis sempre lotados. Talvez a grama do vizinho esteja mais verde. Pode ser, afinal, moro na França onde a crise tem gerado um sentimento de desânimo e de desespero em alguns países vizinhos. Sigo agora direto para Bordeaux onde acompanharei a Vinexpo, a maior feira de vinhos do mundo, que começa neste domingo. Santé.

P.S. - Bastou falar bem do Rio para as manifestações chegarem.

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Enólogo conta os segredos do Château La Rousselière em Saint Estèphe

Entrevistei o enólogo Olivier Leblans diretor técnico da Cordier Mestrezat Grands Crus, importante e arrojado negociante de Bordeaux, que estará conduzindo uma degustação vertical do Château La Rousselière, AOC Saint Estèphe e do Vieux Château Gachet, cuvée Eminence, de Lalande de Pomerol no dia 8 de junho no Supernosso em Belo Horizonte. Com 37 anos Olivier já trabalhou na Nova Zelândia, Austrália, Rhône, Languedoc, Sudoeste e em Bordeaux no Château Lafite Rothschild (veja mais detalhes do seu percurso na coluna abaixo).
A denominação Saint Estèphe tem suas particularidades dentro da margem esquerda do rio Gironde. Ela é a mais setentrional das denominações comunais do Médoc.Seu solo é argilo calcário com influência lacustre que data do período Eoceno, 57 milhões de anos atrás. Este vai dar origem ao que é chamado de calcário Saint Estèphe. O lado sul da denominação vai ter seus tabuleiros de cascalho, de fato uma continuação de Pauillac.São os solos mais periféricos, tanto ao norte como ao sul, que são os melhores, é lá que vamos encontrar os Crus Classés e os melhores Crus Bourgeois da denominação. A presença deste solo argiloso vai explicar a forte presença da uva merlot que vai representar em geral 40% do vinhedo plantado. No caso do La Rousselière a merlot ocupa 50% do terreno. As cepas de cabernet Sauvignon vão preferir os solos mais drenados na periferia da denominação, explica o enólogo.

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Vista do vinhedo tendo ao fundo o Château La Rousselière. Foto Olivier Leblans.

Leblans diz que seu principal trabalho é de fazer a ligação da equipe técnica dos diversos châteaux com quem a Cordier trabalha. Com destaque para os châteaux que a empresa detém a exclusividade, como no caso do Club Elite Cordier, a linha exclusiva de grandes vinhos. O La Rousselière é o vinho mais vendido dentre os membros do Club Elite, uma seleção de châteaux e "cuvées" exclusivas onde o esmero no acabamento e o perfil do vinho produzido atendem uma demanda precisa. Olivier estabelece um perfil de vinho definido que ele busca atingir quando faz seu acompanhamento nas vinícolas. Ele deseja vinhos de muita qualidade, cor, muito apoiado na fruta, de madeira bem discreta, untuosos, prontos para beber imediatamente e que podem ser guardados vários anos. "Não busco vinhos de estilo internacional, busco uma relação clássico-moderno. No La Rousselière a colheita é manual, com triagem em esteiras e desengaçamento. As vinhas têm em média 40 anos. O corte é 50% merlot, 40% cabernet sauvignion e 10% cabernet franc, que se exprime bem no terroir. Aqui vamos obter um vinho de cor púrpura profunda e, diferentemente dos tradicionais vinhos de Saint Estèphe, ele é mais feminino, elegante, remetendo aos vinhos de Pauillac". O vinificador do château, que pertence a Jacky Lorenzetti, também proprietário de Lilian Ladouys é Vincent Bache-Gabrielsen conhecido por fazer também o AOC Bordeaux Supérieur Château Bolaire e o no Médoc Château Belle-Vue, ambos muito bem vistos pela crítica. "Nos entendemos bem e hoje nossa tabelinha funciona por música, o que facilita o trabalho", assegura Olivier.
Quem quiser descobrir o terroir de Saint Estèphe e participar da degustação vertical deve vir à feira do Supernosso. Estaremos lá neste sábado. Santé.
Serviço:
19h: Degustação vertical do Chateau La Rousselière, com o enólogo Olivier Leblans. Inscrição: R$ 200, revertidos em vale-compras para a Feira de Vinhos.
Local: Espaço Meet (Av. Raja Gabablia 2.671, São Bento – Belo Horizonte /MG)


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Muralha chinesa ameaça vinho europeu

Na briga entre a União Europeia e a China pela produção de painéis de energia solar surgiu a ameaça de uma muralha para o vinho. Bruxelas considera que os painéis chineses são subsidiados e que este dumping é uma concorrência desleal. Ao taxar ontem pela manhã as importações vindas da China abriu uma zona de conflito. A China não tardou a responder e à noite abriu um processo contra o dumping e o subsídio europeu para o setor vinícola. A China hoje taxa o vinho em 48% o que já freia bastante as importações. Hong Kong com taxa zero é a principal porta de entrada do vinho do Velho Continente.

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Allan Sichel presidente do sindicato dos negociantes de Bordeaux.

A Europa exporta mais de 1 bilhão de euros em vinhos e destilados para a China. A França lidera e responde por 788 milhões de euros e 140 milhões de litros. Bordeaux é a principal referência francesa na China, mas também Borgonha e Languedoc. A exportação francesa de vinhos e destilados é o segundo item mais importante da balança comercial francesa e o que mais emprega mão-de-obra. Segundo o presidente da Union des Maisons de Bordeaux, o sindicato dos negociantes, Allan Sichel a situação e comparou a decisão de Hong Kong que retirou as taxas aduaneiras se Pequim aumentar ainda mais as taxas o impacto deverá ser enorme, concluiu. A briga está apenas começando e uma retaliação chinesa era aguardada. Santé.

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Leilão da adega do Elysée arrecada 718 mil euros

A segunda etapa do leilão de vinhos da adega presidencial francesa terminou ontem. O total arrecadado foi de 718 mil euros, com custas inclusas. Conforme o Conexão Francesa antecipou anteontem, em exclusividade, a venda parcial do primeiro dia atingiu 296 mil euros, sem incluir as custas. Tal como na véspera todos os lotes foram arrematados e o valor da avaliação inicial foi multiplicado por dois e mesmo por quatro em alguns lotes. A venda dos vinhos não vai tapar o rombo do déficit público francês que é de 3,9%, apenas vai permitir comprar mais vinho de menor preço e qualidade para completar a adega presidencial.
A iniciativa demagógica do presidente socialista François Hollande foi criticada pela imprensa especializada e sommeliers renomados que viram os grandes vinhos colecionados pela adega presidencial desde 1947, partir em mãos estrangeiras e não cumprirem seu papel de origem de mostrar o "savoir-vivre" e o "savoir-faire" francês, na mesa de maior prestígio da República.

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Lote de vinhos da Alsácia foi arrematado por 937,50€.

Os compradores eram provenientes da França, mas também da China, Rússia, Estados Unidos e diversos outras nações, informou o comunicado da casa de leilões Druout, onde aconteceram os pregões. Dois lotes que comentamos ontem, a magnum do Château Vieux Télégraph 1989, estimada em 150€ foi arrematada por 937,50€, taxas inclusas e o alsaciano Clos de Capucins, Gewurztraminer, vendanges tardives, do Domaine Weinbach, 1988, estimado em 180€ saiu pelo mesmo valor.Os amantes dos vinhos da Borgonha viram o lote de três garrafas de Romanée Saint-Vivant, Echezaux, Grand Cru, do Domaine de La Romanée Conti 1989, estimado em 2100€ ser arrematado por 5875, taxas inclusas. Santé.

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