Vasco só precisa de uma bola para o Éder Luís
Meus amigos vascaínos! Convido a todos a dormirem com serenidade na noite desta segunda-feira. Pois amanhã será impossível pegar no sono. Torcedores obedecem a um calendário biológico diferente. Véspera de final significa vigília, tensão. Os olhos, redomas de ansiedade, teimam em testemunhar a madrugada. Nesta terça-feira, ao se deitarem, os vascaínos tentarão inutilmente cerrar suas pálpebras. E a cada movimento em vão, serão torturados pelo mesmo pensamento: “Uma bolinha para o Éder Luís. A gente só precisa de uma bola para o Éder Luís”.
Poucas vezes um título foi tão necessário para a história de um clube. Os oito anos de estiagem – definitivamente, a Série B não conta – já se constituem no segundo maior período sem conquistas na biografia do Vasco. Perdem apenas para o período entre 1958 e 1970, uma lembrança de fel para os vascaínos na casa dos 60 anos.
A conquista da Copa do Brasil não representará apenas o fim deste doloroso hiato, o que, por si só, já será motivo de enorme alegria. O título vai dar valor a um trabalho silencioso, feito por dezenas de pessoas que estão fora da vista do torcedor comum. Nas acanhadas salas de São Januário, sob arquibancadas e cadeiras, há uma gente que dá duro para reconstruir um clube estilhaçado, repleto de cacos que ainda hoje sangram nossa história.
A Copa do Brasil resgatará a auto-estima do vascaíno, inexoravelmente abalada pelo período de carestia. Mais do que isso, ajudará a formar uma nova geração de torcedores, crianças que, nos últimos dois anos, assistiram aos amigos botafoguenses, tricolores e rubro-negros chegarem à escola gritando “É campeão”. Um título faz milagres. Que mais uma criança vascaína quer senão acordar na quinta-feira com uma faixa no peito e se livrar deste momentâneo complexo de inferioridade?
O título catapultará o Vasco para a maior competição sul-americana. Imaginem o time na Libertadores do próximo ano, com Felipe e Juninho. Só pela lembrança de 1998 já será bom demais.
Por aqueles que trabalham pelo soerguimento do clube, pelos pais e pelos filhos vascaínos, pelo grito acorrentado na garganta, pelos oito anos e noventa minutos de sofrimento, pelo desfile de camisas nas ruas do Rio na quinta-feira de manhã, pela cruz de malta que rasga o coração, pelos 3.400 torcedores que estarão no Couto Pereira e pelos milhões em todo o Brasil, por Juninho e por Felipe, pela Libertadores e, acima de tudo, pela história, eu só peço uma coisa: “Uma bolinha para o Éder Luís. A gente só precisa de uma bola para o Éder Luís”.