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Vasco só precisa de uma bola para o Éder Luís

Por Claudio Fernandez

Meus amigos vascaínos! Convido a todos a dormirem com serenidade na noite desta segunda-feira. Pois amanhã será impossível pegar no sono. Torcedores obedecem a um calendário biológico diferente. Véspera de final significa vigília, tensão. Os olhos, redomas de ansiedade, teimam em testemunhar a madrugada. Nesta terça-feira, ao se deitarem, os vascaínos tentarão inutilmente cerrar suas pálpebras. E a cada movimento em vão, serão torturados pelo mesmo pensamento: “Uma bolinha para o Éder Luís. A gente só precisa de uma bola para o Éder Luís”.

Poucas vezes um título foi tão necessário para a história de um clube. Os oito anos de estiagem – definitivamente, a Série B não conta – já se constituem no segundo maior período sem conquistas na biografia do Vasco. Perdem apenas para o período entre 1958 e 1970, uma lembrança de fel para os vascaínos na casa dos 60 anos.

A conquista da Copa do Brasil não representará apenas o fim deste doloroso hiato, o que, por si só, já será motivo de enorme alegria. O título vai dar valor a um trabalho silencioso, feito por dezenas de pessoas que estão fora da vista do torcedor comum. Nas acanhadas salas de São Januário, sob arquibancadas e cadeiras, há uma gente que dá duro para reconstruir um clube estilhaçado, repleto de cacos que ainda hoje sangram nossa história.

A Copa do Brasil resgatará a auto-estima do vascaíno, inexoravelmente abalada pelo período de carestia. Mais do que isso, ajudará a formar uma nova geração de torcedores, crianças que, nos últimos dois anos, assistiram aos amigos botafoguenses, tricolores e rubro-negros chegarem à escola gritando “É campeão”. Um título faz milagres. Que mais uma criança vascaína quer senão acordar na quinta-feira com uma faixa no peito e se livrar deste momentâneo complexo de inferioridade?

O título catapultará o Vasco para a maior competição sul-americana. Imaginem o time na Libertadores do próximo ano, com Felipe e Juninho. Só pela lembrança de 1998 já será bom demais.

Por aqueles que trabalham pelo soerguimento do clube, pelos pais e pelos filhos vascaínos, pelo grito acorrentado na garganta, pelos oito anos e noventa minutos de sofrimento, pelo desfile de camisas nas ruas do Rio na quinta-feira de manhã, pela cruz de malta que rasga o coração, pelos 3.400 torcedores que estarão no Couto Pereira e pelos milhões em todo o Brasil, por Juninho e por Felipe, pela Libertadores e, acima de tudo, pela história, eu só peço uma coisa: “Uma bolinha para o Éder Luís. A gente só precisa de uma bola para o Éder Luís”.

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O melhor Vasco de todos os tempos dos últimos três anos

Por Claudio Fernandez

Vivemos o período do futebol quântico, em que o tempo é uma variável relativa. Há um mês, todos, inclusive eu, diziam que o Vasco era a pior equipe da cidade – o mais fraco dos grandes, sem sequer ser o mais forte dos pequenos. Eis que, de repente, temos um time pelo qual torcer. Diria mais: temos um elenco. Há três meses do término do seu atual mandato, Roberto Dinamite parece ter despertado do estado de hibernação. Sem dúvida alguma, montou o plantel mais consistente da sua gestão. Parafraseando os Titãs, o Vasco tem hoje o melhor time de todos os tempos dos últimos três anos.

Vá lá que a base de comparação jogue a favor do atual elenco. Poucos jogadores podem ser piores do que Magno, Elder Granja, Titi, Rodrigo Pimpão, Adriano, Amaral, Geovanne Maranhão, Edgar e o próprio Carlos Alberto, o craque Porcina, que é sem nunca ter sido. Mas o Vasco deu um salto considerável no último mês. Sem que o elenco seja nada do outro mundo, Ricardo Gomes dispõe de opções para mudar o time como nenhum outro treinador nos últimos três anos. As melhores peças são justamente as contratações mais recentes.

Marcelo Sadio / www.vasco.com.br

À exceção da apagada partida contra o Botafogo, Bernardo vem jogando bem. Tem personalidade, como gostam de dizer os comentaristas quando veem um jogador arriscar um chute a mais de 20 metros do gol. Diego Souza fez uma estreia muita boa no último domingo, sobretudo pela entrega com que atuou. Tomara não seja mais um fogo de palha em sua carreira. Diego Souza é produto que vem com prazo de validade na embalagem, normalmente não mais do que seis meses, como comprovam suas recentes passagens por Palmeiras e Atlético Mineiro. Tomara que o leite não vire coalhada.

Alecsandro foi outra bem-vinda contratação. É o típico camisa 9, brigador, sem muita técnica, mas sabe em que lugar do campo fica a baliza, como o próprio Elton, bom centroavante, com quem vai disputar posição.

Não é nada, não é nada, hoje temos um goleiro confiável, como Fernando Prass, um bom lateral direito, Fagner, e Dedé, um dos melhores zagueiros do Brasil. Na cabeça de área, Rômulo e Eduardo Costa, que jogou muito bem contra o Botafogo, fazem o trabalho de segurança de boate.

Da armação para a frente, vem a melhor parte. Felipe voltou a atuar bem, ainda que seja um jogador em flagrante declínio físico – e nem poderia ser diferente. Bernardo e Diego Souza conhecem muito bem do riscado. Jefferson é um bom reserva – esse rapaz joga mais bola do que ele próprio se permite. Há ainda a incógnita Chaparro, que merece crédito por ser um armador argentino – queiramos ou não, além de ótimos Malbec, eles ainda sabem produzir camisas 10.

No ataque, Éder Luis não pode sair do time nem quando joga mal. É o homem do desafogo, da bola longa, do mano a mano com o zagueiro. Papel que também pode ser desempenhado por Leandro. Alecsandro e Elton são boas opções para o comando de ataque.

Torcedor, teu nome é incoerência. Há 15 dias, eu amaldiçoava o elenco do Vasco. No momento, sou um Niágara de otimismo, que pode secar em apenas uma semana. O tempo do futebol mudou. Há duas ou três décadas, os times jogavam juntos por anos e anos. Uma equipe boa era boa por quatro, cinco, seis campeonatos seguidos. Hoje, resta-nos torcer para que o nosso time seja o melhor de todos os tempos, nem que seja apenas por um domingo.

Paciência!

E o que é um torcedor, senão um colecionador de domingos?

P.S. E João e Maria, meus pequenos filhotes, continuam invictos nos estádios cariocas. Ah, que domingo...

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Ser vascaíno é...

Por Claudio Fernandez

• Acordar com vergonha todas as segundas-feiras. E de terça a domingo, também.

• Não poder chamar o filho de cinco anos para assistir a jogos contra Macaé, Rezende, Boavista e Nova Iguaçu.

• Ficar de fora das discussões sobre futebol, sob pena de virar motivo de chacota entre os amigos.

• Ver a torcida diminuir a cada ano pela falta de conquistas.

• Ser a quarta força do Rio. Ou a primeira das fraquezas.

• Estar há quase oito anos sem um título.

• Esgotar os palavrões a cada partida.

• Penar para convencer um filho a torcer pelo time, enquanto os principais rivais são campeões brasileiros.

• Ser, entre os grandes times do Rio, o que menos disputou semifinais de turno nos últimos seis anos.

• Ver a diretoria tentando corrigir em março os graves erros cometidos em dezembro. Pelo terceiro ano seguido.

• Iniciar qualquer campeonato com a certeza de que o time não será campeão.

• Fazer figuração na Copa do Brasil e no Campeonato Brasileiro.

• Ir ao estádio para ver Carlos Alberto, Abedi, Valdiram, Magno, Fernando, Ernani, Marcio Careca, Faioli, Fabio Junior, Andre Lima, Marcel, Elder Granja, Enrico, Perdigão, Alan Kardec, Titi, Rodrigo Pimpão, Geovane Maranhão, Jumar, Eduardo Costa, entre tantos outros jogadores rigorosamente inúteis que vestiram a camisa do Vasco nos últimos anos.

• Torcer pelo único time grande incapaz de vencer os nanicos no Carioca.

• Voltar do estádio com a derrota tatuada na pele.

• Seguir um clube que não tem força na federação para inscrever a tempo os poucos jogadores que contrata.

• Torcer para o time que disputava quase todos os títulos e hoje acumula sucessivas campanhas pífias.

• Não ser mais temido pelos adversários.

• Pintar o estádio todo e permitir a um rival as honras de fazer a primeira partida após as obras.

• Perder, acreditar, perder, acreditar, perder.

• Um orgulho histórico.

• Um sofrimento latente.

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