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Vascaínos abandonam o time. Que time?

Por Claudio Fernandez

Os jogadores se queixam da ausência da torcida; a comissão técnica reclama da ausência da torcida; a diretoria lamenta a ausência da torcida. E o que faz a torcida? Simplesmente, protesta contra a ausência de um time. Os vascaínos estão no seu papel. Os últimos quatro jogos do Vasco reuniram apenas 4.109 pagantes, média de 1.027 ingressos vendidos por partida. Os torcedores abandonaram o time? Se ainda houvesse um time a se abandonar...

A Taça Guanabara já foi. A Taça Rio caminha para a sua quarta rodada. E o Vasco ainda não tem um time. Vágner Mancini parece cada vez mais perdido. Não sabemos quem é o lateral direito. Elder Granja e Fagner travam uma disputa às avessas. Quem não joga é sempre o melhor. No meio de campo, começamos com Jumar, passamos por Leo Gago e, enquanto Nilton não volta, vamos de Rafael Carioca e Souza. Carlos Alberto, por sua vez, joga de cobertor curto. É armador quando o meio-de-campo não funciona; é homem de frente quando o ataque empaca. Sobrecarregado, acaba não sendo nem uma coisa nem outra.

No ataque, Mancini abandonou o sistema com um só jogador, com que disputou toda a Taça Guanabara. No entanto, Dodô e Elton ainda não formam uma dupla. Aliás, o treinador dá pinta de que perdeu a paciência com o camisa 10. Dodô foi substituído nas quatro últimas partidas. Sua barração está caindo de madura.

Não são apenas as mudanças na escalação que evidenciam o quanto Mancini está atarantado. O Vasco joga de uma forma sem graça e desorganizada. Parece que o time não treina. Os laterais, que já não são lá essas coisas, jogam sozinhos, quase sempre sem apoio dos meio-campistas. Não há jogadas ensaiadas, sempre úteis em momentos de sufoco, que não têm sido poucos. O Vasco é um time lento, burocrático, sem criatividade. Seus jogos têm sido invariavelmente enfadonhos, sonolentos. E ainda querem que o torcedor vá ao estádio.

Se ainda não temos um time, muito menos temos um banco de reservas que nos dê alguma esperança. As opções para se mexer no time são sofríveis. Na partida do último domingo contra o Boavista, aos 17 minutos do segundo tempo, Vagner Mancini chamou Philippe Coutinho e deu a seguinte instrução: “Manda o Robinho entrar no jogo”. Não, Mancini. É o contrário. Manda o Robinho sair do jogo.

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Uma multidão de erros em São Januário

Por Claudio Fernandez

Na saída de São Januário, a fidalga diretoria do Vasco deveria ter colhido nome e endereço de todos os 593 abnegados torcedores que, quatro dias após a perda da Taça Guanabara, deixaram suas casas, enfrentaram a noite chuvosa e pagaram ingresso para ver Dodô, Magno, Robinho e Rodrigo Pimpão. Estes missionários mereciam receber um título de sócio remido e uma rosa.

O jogo contra o Sousa não serviu para nada. Ou, melhor, quase nada. Serviu para irritar ainda mais a torcida, já amuada pela derrota para o Botafogo. Serviu também para comprovar os que os torcedores já estão cansados de saber: jogadores como Magno, Robinho e Pimpão, para ficarmos apenas nos mais óbvios, não podem atuar no Vasco. Ao menos não em um Vasco com pretensões de disputar títulos. Se isso é o melhor que o clube pode contratar, melhor não fazer nada. Ao contrário do velho jargão futebolístico, há jogadores que chegam para subtrair.

Vágner Mancini deve explicações à torcida vascaína pela insistência com Magno. O jogo contra o Sousa foi o terceiro consecutivo em que Mancini colocou o pobre rapaz em campo com a expectativa de mudar os rumos da partida. Como sempre, nada aconteceu. Magno é uma piada e, como qualquer piada contada seguidas vezes, já perdeu a graça.

Magno é o típico “fominha”. Acha que o futebol é feito exclusivamente de dribles. Se ainda soubesse driblar... Em praticamente todas as jogadas, busca a finta e ignora solenemente um companheiro mais bem colocado. Quase sempre, perde a bola. O individualismo é a máscara que alguns jogadores usam para tentar disfarçar suas deficiências técnicas. Magno não passa simplesmente porque não sabe passar. Ainda assim, tornou-se o 12º jogador de Vágner Mancini. Valha-me Deus.

É absolutamente natural e previsível que um time entre em campo para uma partida como a de ontem com a motivação de quem vai ao dentista na segunda-feira, às sete da manhã. A primeira partida após a perda de um título é sempre desanimadora, ainda mais contra um adversário frágil. Mas o Vasco exagerou. Exceção feita aos 25 primeiros minutos da fase inicial, por conta de algumas boas jogadas de Philippe Coutinho, o time teve uma noite medíocre. A soma dos sucessivos erros de passe, falta de imaginação e pouquíssimas chances de gol só poderia mesmo dar zero. O Vasco chegou ao terceiro jogo seguido sem marcar um gol.

Dodô, Robinho, Magno e Rodrigo Pimpão tiveram uma atuação inclassificável. Dodô foi saudado pelos torcedores com o grito de “pipoqueiro”. Exagero. Pipoca ainda pula; Dodô, nem isso. Fagner conseguiu a proeza de ser substituído por Elder Granja. Marcio Careca, que nem reserva tem, goza de estabilidade no emprego. Estabilidade e emprego que começam a perigar para Vágner Mancini. Ontem, torcedores o chamaram de “burro” e pediram sua saída. Eram menos de 600 vozes, mas que carregavam procuração para falar pelos muitos vascaínos insatisfeitos com o time.

Mancini tem um trabalho duro pela frente. Precisará encontrar um time, algo que não fez até o momento, superar a crescente desconfiança da torcida, recuperar alguns jogadores, urgentemente, e se livrar de outros, definitivamente. Há alguns bons nomes em São Januário que vêm sendo prejudicados pela dificuldade de Mancini em montar um time e um esquema capazes de aproveitar o que há de melhor no elenco. É o caso de Rafael Carioca, de Souza, do sobrecarregadíssimo menino Philippe Coutinho e do próprio Carlos Alberto, obrigado a jogar mais do que deve e do que pode.

Certo ou errado, justo ou injusto, o futebol segue sua própria contagem de tempo, com o ponteiro das horas apontado para as vitórias e os dos segundos correndo junto às derrotas. Mancini terá a Taça Rio para descobrir um time. Se não conseguir, o Vasco é que terá de descobrir um técnico.

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Fred e Love mereceram assistir à final pela TV

Por Gustavo Conte

E Dodô também merecia. Os três foram muito mal nas finais da Taça GB. Dodô talvez tenha sido pior porque conseguiu bisar a atuação ruim da semi com uma atuação péssima na final. Aliás, Dodô nunca foi muito afeto a decisões, quando conseguiu decidir um jogo de finalíssima o bandeirinha lhe roubou a glória (contra o Fla pelo Botafogo em 2007).

Já Love se concentrou muito no jogo contra o Botafogo na Quarta-Feira de Cinzas. Começou a concentração no domingo de carnaval. Ele e alguns outros jogadores do mengão resolveram se “hospedar” em um hotel no Centro do Rio, mais precisamente na Av. Marquês de Sapucaí. Hotel sem cama e com frigobares gigantes...

Falando em hotel e em love, a alcunha dada ao ataque do mengão não parece nome de motel da Av. Brasil ou da Dutra? “Império do Amor: suítes a partir de 29,90 com almoço executivo grátis”. A decoração, claro, remeteria ao Império romano, com suas colunas e esculturas clássicas.

Por fim o nosso querido Fred. “O Fred vai te pegar”, cantamos nós no Maraca. No sábado de carnaval nosso centroavante não pegou ninguém (pelo menos no Maracanã...). Dava até para escrever um livro: A Arte de Perder Gols. Inclusive o centroavante Washington, atualmente no São Paulo, poderia ser convidado para co-autoria...

Pela primeira vez Fred me irritou muito, já havia ficado “semi-irritado” com ele, mas como no sábado de momo nunca. Aquela tentativa de cavar um pênalti, após driblar Fernando Prass, fechou com chave de ouro sua “brilhante” atuação.

Mas quem se irritou muito, mas muito mesmo com o Fred foi uma amiga minha rubro-negra. A festa de seu casal de filhos gêmeos estava marcada há meses para o domingo 21 de fevereiro. Ela e o marido, vascaíno daqueles que vai assistir a Vasco e Friburguense às 22 horas em São Januário já com o time sem chances nenhuma de classificação, reservaram a casa de festas com muita antecedência e ele nem lembrou da final da Taça GB prevista para a mesma data. Festinha de meio-dia às quatro com o jogo começando às cinco. Imaginem como foi o final, ele louco para ir para o Maraca e tendo que dar beijinho em todas as tias e mães de coleguinhas do colégio. Parecia Escola de Samba quando sente que vai estourar o tempo de desfile. Toda vez que passava por mim na festa ela não perdoava: -Eu odeio o Fred, se ele tivesse feito pelo menos um daqueles gols que perdeu...

Edno seria uma boa. O interesse em Tinga parece as piadas do humorístico Zorra Total: toda vez a mesma coisa, a mesma repetição sem graça.

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