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Jonathan, a esperança vascaína não tem idade

Por Claudio Fernandez

O homem do jogo entre Vasco e Atlético-GO, no último sábado, foi um menino, com rosto e corpo de adolescente e ímpeto de uma criança feliz. Jonathan, 19 anos, encheu os olhos. Nem tanto pelo que fez na partida, suficiente para torná-lo o melhor em campo, mas pelo prenúncio do que ainda poderá fazer com a camisa do Vasco. Em dois ou três jogos como titular, Jonathan fez o torcedor vascaíno sonhar com algo que ele não tem há muito tempo: um atacante de verdade revelado pelo clube, capaz de honrar as tradições do time que mais teve artilheiros na história do Campeonato Brasileiro.

Jonathan não é que o que se possa chamar de um jogador feito em casa. Dispensado pelo Cruzeiro, chegou ao Vasco há pouco mais de cinco meses. Em pouco tempo, no entanto, já mostrou mais serviço do que muito atacante tarimbado que aportou em São Januário apenas para comer e dormir. Integrado aos juniores, foi decisivo na conquista do Campeonato Estadual da categoria em cima do Fluminense – diga-se de passagem, uma vitória didática, boa para os jovens tricolores perceberem que freguesia se aprende desde menino.

Marcelo Sadio/vasco.com.br


Não sei o que ocorre nas divisões de base do Vasco. Há tempos que o clube não revela um grande jogador, mas grande mesmo, daqueles de carregar torcida para o estádio, decidir jogos e ganhar títulos – Philippe Coutinho poderia ter sido a exceção, mas foi efêmero; antes de chegar já havia partido. A julgar pelos atletas que sobem para os profissionais, os times de baixo devem jogar com nove cabeças de área e um poste no comando do ataque. Nos últimos anos, só se vê chegar ao time de cima um manada de volantes e centroavantes no estilo Anderson e Alan Kardec.

Onde estão os laterais e os zagueiros. E os meias? Existem? São escalados, bem treinados e preparados? Ou os técnicos do fraldinha aos juniores preferem seguir o exemplo que vem de cima e entulham o time de cabeças de área preocupados em não perder o jogo e o emprego? Divisão de base não é feita necessariamente para ganhar título, mas para formar talentos e municiar o time principal. O jogo das duas da tarde só tem importância se, dois ou três anos depois, alguns daqueles atletas estiverem em condições de jogar às quatro horas. Nisso, o trabalho feito pelo Vasco nos últimos anos é uma lástima. As preliminares têm sido um obituário de esperança. Muito pouco ou quase nada se aproveita no time principal.

Ainda é cedo, muito cedo para se fazer qualquer vaticínio sobre o futuro de Jonathan. Mas seu surgimento resgata a expectativa do torcedor do Vasco de ver um jovem de talento quebrar a casca do ovo em São Januário. Não sou nem louco de pedir algo perto de um Roberto Dinamite, mais do que um jogador, um clube com rosto de gente. Tampouco um Romário – até porque Deus tem as responsabilidades do cargo, entre elas dividir democraticamente essas raridades do futebol entre tantos clubes, tantos torcedores. Mas faz tempo que não aparece no Vasco um atacante sequer da linhagem de Sorato, o grande Agnaldo Luiz Sorato, capaz de estrear em uma decisão de turno contra o Flamengo e marcar dois gols e, um ano e meio depois, entrar na história do clube com o gol do título em um Campeonato Brasileiro.



Em poucos jogos como titular, Jonathan deu mostras de ser um jogador impetuoso. Contra o Atlético-GO, partiu para cima da defesa sem pudor e acertou praticamente todas as jogadas que tentou, incluindo a bela infiltração pela direita que resultou no gol de Fumagalli. Há quanto tempo esperamos por um jogador capaz de pegar aquela bola em um contra-ataque no Maracanã, 30 minutos do segundo tempo, refletores acesos, zaga adversária cansada e desarrumada, e partir em diagonal desde a intermediária, entrar na área quando a torcida já se levanta na arquibancada gritando “chuta, chuta, chuta”, acertar um petardo e estufar a rede. Ah, quem é torcedor sabe exatamente do que estou falando.

Domingo tem jogo contra o Flamengo. Dia de consagrar craques, ainda que por uma tarde, quiçá por uma vida. Jonathan não precisa repetir Romário. Não precisa sair do mesmo barro do qual Roberto foi esculpido. É pedir demais da providência divina. Basta ser Jonathan, e, se puder, um pouquinho de Sorato.

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Obrigado, Muricy

Por Gustavo Conte

Não, não é obrigado por ter se recusado a dirigir a seleção brasileira e ter ficado no Flu (até porque a gente sabe que existem muitos caroços embaixo desse angu). Obrigado por ter devolvido a confiança a um clube que nunca podia tê-la perdido. Um clube que tem 108 anos de história e é um dos maiores deste país.

A gente vê no olhar dos jogadores. As arquibancadas sentem que estão brigando pelo título. Podemos não ganhar? Podemos, é futebol. Mas, depois de muitos anos, incluindo aí a campanha da Libertadores-2008 e o título da Copa do Brasil-2007, nós voltamos a sentir que estamos jogando para ficar em cima da tabela.

Você, Muricy, nos devolveu uma coisa que vínhamos perdendo com as campanhas medíocres que se repetiram ano após ano, o sentimento de grandeza. O próprio Fred admitiu: “-Agora nós jogamos para ganhar em qualquer lugar.” Foi assim na Vila Belmiro domingo. Uma vitória sem medo, com cara de quem quer ser campeão. Vitória com v maiúsculo. Foi assim contra o excelente Cruzeiro no Maracanã.

Pode ser que daqui a 10 rodadas eu esteja aqui pedindo a sua cabeça? Pode, claro. Quantas vezes eu afirmei aqui no ano passado que o Cuca não era o nome ideal para aquele momento, quantas vezes eu pedi a cabeça do Renato? O futebol é assim. Mas pode ter certeza que com você nossa paciência será triplicada, quadruplicada. Você tem a cara da vitória. Ontem, quando Leandro Eusébio fez o gol de cabeça e saiu apontando para você, nós entendemos tudo. Com o dedo ele falava: “-Valeu ter ficado treinando esse escanteio 100 vezes.” Aí está a diferença. Trabalho, como você diz. Na época da Libertadores-2008 abria-se o site do clube no início da semana e lia-se a programação semanal de treinos. Treinos sempre no horário da manhã e quase nunca em dois períodos. À tarde era comum ver nosso técnico jogando seu futevôlei nas areias de Ipanema e os jogadores por aí fazendo não sei o quê.

Nosso time é um timaço? Não. Longe disso. Temos muitas limitações e você sabe disso. Por exemplo, Diogo e Diguinho. Precisamos de reforços? Sim. Belletti, Sheik e Valencia são bons nomes e vão dar opções. Deco, se confirmado, é um ótimo nome para desafogar um pouco o Conquinha, que anda meio disperso. Até dezembro muita coisa vai acontecer. O campeonato é duro e longo. Mas você, como poucos, também sabe disso.

Obrigado, Muricy. Em 12 jogos você já fez mais do que muitos que por aqui andaram durante anos. A cabeça agora anda em pé.

Ps: a se registrar a rapidez da diretoria em manter nosso técnico. Dr. Horcades saiu de seu estado bonachão e agiu com firmeza e decisão, com o auxílio luxuoso (já dizia o fera Luiz Melodia) do Dr. Celso Barros. Mas, como eu disse no começo, tem muitos caroços embaixo desse angu...tudo muito estranho...

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Vasco se enxuga para enfrentar o Atlético-GO

Por Claudio Fernandez

Agasalhos, donativos e água potável devem ser enviados para a Rua General Almério de Moura, 131, Bairro Vasco da Gama, Rio de Janeiro, e Largo Patrono Fernando Kroeff, nº 1, Azenha, Porto Alegre. Os jogadores de Vasco e Grêmio agradecem. A enchente que atingiu o gramado do Estádio Olímpico na noite da última quarta-feira deixou 28 atletas desabrigados e uma vítima: o futebol. Da partida, só é possível tirar uma conclusão: a de que é impossível tirar alguma conclusão.

De positivo no confronto contra o Grêmio, além do fim do jogo, ficou a sequência invicta do time desde a chegada de Paulo Cesar Gusmão. Em três partidas, uma vitória e dois empates, ambos fora de casa. Não é pouca coisa se comparado à campanha do Vasco nos sete jogos pré-Copa do Mundo, quando o time acumulou quatro derrotas. É cedo para comemorar a chegada de Paulo Cesar Gusmão. Mas nunca é tarde para festejar a saída de Celso Roth, o técnico que ganhou capa na revista oficial do Vasco, posou de comandante e, poucos dias depois, impôs ao clube o constrangimento de ter de recolher às pressas toda a edição.

Vencido o aguaceiro do Olímpico, as atenções se voltam agora para o próximo sábado. A partida contra o Atlético-GO ganha um status ainda maior, seja pelos últimos resultados do time, seja pela estreia dos novos contratados. Ainda não está claro quantos e quais reforços entrarão em campo no sábado. Alguns ainda dependem de regularização; outros padecem de melhor condicionamento físico. De todos, o que parece estar mais perto da estreia é Zé Roberto, que, ontem, marcou quatro gols no jogo-treino contra a Portuguesa da Ilha.

Dos novos contratados, Zé Roberto é o melhor, se a cintura deixar. Éder Luís foi bem no Atlético, razoavelmente no São Paulo e pouco jogou pelo Benfica. É um atacante de correria, de lado de campo, como gostam de dizer os professores-treinadores de hoje, uma peça que o Vasco não tem no elenco. Desconfio de Irrazábal. Para contratar jogador paraguaio, só se for da seleção. O 24º melhor jogador do Paraguai não interessa ao Vasco.

Felipe é o reforço mais badalado e também a maior incógnita. Ninguém sabe como ele está. Nem no Catar se assiste ao futebol do Catar. Quando saiu do Brasil, já era um jogador mais estático, que ficava praticamente restrito a uma faixa de campo do meio para a direita. De todos os reforços, certamente será a estreia mais concorrida e festejada pela torcida. Será também o jogador mais cobrado. Tomara não seja a maior decepção.

Bolinhos de bacalhau

Temo que Zé Roberto fique entalado na tal janela de transferências. Sei não, mas, por via das dúvidas, acho melhor ele usar a porta principal.
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Há chinelos suficientes na rouparia para Felipe e Carlos Alberto?
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E Nilton, o ogro da bola, segue como titular do Vasco. Ele deve saber de algum podre no passado de todo técnico que chega ao clube. Não é possível!

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