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Por que o espanto? Dodô sempre foi uma farsa

Por Claudio Fernandez

Dodô é uma farsa. Sempre foi uma farsa. Não sei a razão de tanto espanto. Os vascaínos estão descobrindo o que santistas, palmeirenses, botafoguenses e tricolores – paulistas e cariocas – sempre souberam, a despeito dos desmedidos festejos de cronistas esportivos e aduladores de plantão, com o perdão da redundância. Dodô é um engodo, um estelionato futebolístico, um jogador medíocre. Sua carreira é uma enorme fraude, uma eterna propaganda enganosa. O clássico de ontem contra o Flamengo foi mais um grande jogo que mostrou o quanto Dodô é pequeno.

A alcunha de “artilheiro dos gols bonitos” sempre escondeu uma trajetória de números insignificantes. Aos 35 anos, Dodô conquistou somente três títulos – um campeonato paranaense pelo Paraná Clube (1996), um paulista pelo São Paulo (1998) e um carioca pelo Botafogo (2006). Foi o goleador máximo em apenas quatro das competições que disputou. Em 16 anos de carreira profissional, o tal artilheiro não fez mais do que 200 gols.

Na verdade, estes números não têm importância. Dodô é menor do que todos eles. Bastaram três meses para os vascaínos perceberem o quanto foram ludibriados. Nas horas em que mais se precisa dele, menos ele aparece. Não é de hoje. Sempre foi assim. Na maioria das vezes, Dodô nunca entregou a mercadoria prometida. É caso para o Conar ou para a Delegacia de Defraudações.

Marcelo Sadio/vasco.com.br


Perder um pênalti é acidente de trabalho. Perder dois pênaltis no mesmo jogo, uma fatalidade. Perder dois pênaltis no mesmo jogo, contra o maior rival, um pesadelo. Mas, vá lá, acontece. O pior é um jogador dispersivo, irritante, que passou tanto a semifinal quanto a final da Taça Guanabara absolutamente alheio às partidas, perder dois pênaltis contra o maior rival. Pior ainda é um time que depende de um jogador como Dodô.

Preservo o leitor do canto endereçado pela torcida do Vasco a Dodô no jogo de ontem, assim como das palavras que este blogueiro vociferou logo após a perda do segundo pênalti. Garanto que não foi nada muito diferente do que cada vascaíno pensou ou bradou ontem à noite. Sejamos minimamente polidos: Fora, Dodô. Este é o grito que deve ser entoado por cada torcedor do Vasco. Três meses já está bom demais. Chega desse farsante. Chega desse ar blasé. Chega desse sorriso que carrega a empáfia dos medíocres. Dodô é, foi e sempre será um jogadorzinho, de brilharecos e lampejos contra adversários escolhidos a dedo. Na hora da onça beber água, é o primeiro a ficar longe do rio.

O Vasco – sim, vamos tratar do Vasco – fez uma boa partida ontem contra o Flamengo. Ou melhor: Philippe Coutinho, este, sim, fez uma grande partida. Teve ótima atuação no primeiro tempo e em boa parte da segunda etapa. Como não é máquina, acabou esgotado por jogar sozinho. Do meio para a frente, só deu ele. Toró e Willians, coitados, estavam aturdidos na marcação. Assim foi no lance do primeiro pênalti, quando Willians chegou uns três dias atrasado e cometeu a falta. Perdido, aproximou-se de Coutinho e lhe tascou um carinhoso beijo. Por dentro, gostaria de tê-lo esganado.

O Flamengo teve suas chances, com Leonardo Moura, Vagner Love e Juan, mas o Vasco foi melhor no primeiro tempo, sobretudo quando aproveitou as subidas do irritadiço lateral-esquerdo adversário. Por ali, nas largas costas de Juan, criou suas melhores jogadas, inclusive o lance do primeiro pênalti.

No segundo tempo, o árbitro Péricles Bassols errou feio ao assinalar pênalti para o Flamengo no lance em que Leonardo Moura jogou-se na área. Adriano, que nada tinha com isso, fez aquilo que se espera de um jogador decisivo. Em uma das poucas chances que teve, marcou.

A partir daí, as fragilidades do Vasco apareceram, a começar pelo banco de reservas. Vagner Mancini ainda terá de explicar por que Elton não ficou nem no banco. Deve haver uma razão muito forte, daquelas que fogem ao comum, para a decisão. Quando o time precisou reforçar o ataque, Mancini se viu obrigado a recorrer a Rodrigo Pimpão. Valha-me Deus. Quem é o empresário de Rodrigo Pimpão? Parabéns a ele.

Mancini errou ao manter os três zagueiros e dois cabeças-de-área logo após o gol do Flamengo, embora a entrada de Jefferson tenha sido uma boa substituição. Ainda assim, mesmo com todos os problemas, o time não jogava mal e levava perigo ao Flamengo. Veio o segundo pênalti, na primeira jogada de Jefferson. Ele pediu a bola. Dodô exigiu a bola, na ânsia de limpar sua barra. E lá foi ele de novo, rebolando, sacudindo o quadril, uma Gisele Bündchen em cima do salto. Mais uma vez, Dodô mostrou que é um jogador decisivo. Para o adversário.

Às vezes, há frieza em demasia no futebol e na vida. Ontem, não seria exagero se um dirigente cabeça quente entrasse no vestiário chutando porta e demitisse Dodô ali mesmo, na frente de todos, ainda na incandescência do jogo. Não pelos pênaltis perdidos. Mas, sim, pelos pênaltis perdidos somados a soberba, preguiça, sonolência, indiferença, falta de sangue, marcas da sua carreira.

Um breve causo de Dodô. Em novembro de 2002, o Palmeiras veio a São Januário enfrentar o Vasco pela 21ª Rodada do Campeonato Brasileiro. Naquela altura, o time paulista já estava a um passo do rebaixamento para a Série B, que se confirmaria na última rodada. O Vasco venceu por um a zero, gol de Leo Lima. Dodô jogava no Palmeiras. Começou e terminou o jogo no banco, preterido pelo técnico Levir Culpi. Ao fim da partida, dirigiu-se lentamente para o vestiário caminhando próximo ao alambrado. Levava no rosto seu indefectível sorriso. Da arquibancada, um torcedor gritou: “Dodô, você está rindo do quê? Você é reserva do gordo do Muñoz e do Itamar e vai ser rebaixado para a segunda divisão”. Dodô ouviu, olhou de soslaio para o torcedor e aumentou ainda mais o sorriso, como se dissesse: “E daí?”

Talvez esteja certo. Do que tanto ele ri? Dodô não ri. Na verdade, zomba dos míopes e bajuladores que sempre o chamaram de craque. Dodô é o primeiro a não acreditar em Dodô. Trata-se de um craque do cinismo.

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Mancini deve explicações ao torcedor vascaíno

Por Claudio Fernandez

Vagner Mancini é um profissional acuado, assustado, amedrontado. Ontem, ao ser perguntado sobre a ameaça de demissão em caso de derrota para o Flamengo, usou a ironia dos desesperados: “Agora estou mais preocupado. Nem sabia que meu emprego estava em risco”. Mancini não é pato novo no futebol. Sabe, melhor do que ninguém, que sua cabeça está a prêmio. Pois, então, deveria ser o primeiro a preservá-la. No entanto, a julgar pelos treinamentos, a equipe que entrará em campo repete os mesmos erros de escalação da Taça Guanabara.

Marcelo Sadio/vasco.com.br


Mancini deve algumas explicações à torcida do Vasco. Ainda que Rafael Coelho entre no lugar de Dodô, substituição que se anuncia, por que insistir com o esquema de um só atacante? As partidas contra Fluminense e Botafogo, os únicos times de verdade que o Vasco enfrentou neste ano, mostraram o equívoco desta escalação. Em 180 minutos, raras foram as vezes em que o time levou perigo ao gol adversário.

Rafael Coelho pode até se movimentar mais do que Dodô – a inércia é mais dinâmica do que Dodô. No entanto, Philippe Coutinho e Carlos Alberto não se notabilizam exatamente pelo poder de chegada na área. Rafael Coelho será o único jogador com poder de conclusão, dependendo de dois laterais que pouco vão ao fundo, sobretudo Elder Granja.

Mancini também precisa explicar ao torcedor vascaíno por que Elton não ficará nem mesmo no banco de reservas. O jogador pulou de titular a renegado. Trata-se de uma punição? Punição a que? Temo que os punidos sejam o time e o torcedor vascaíno. Elton precisará reencarnar jogador para ser um atacante sublime, mas, no atual elenco do Vasco, é, disparado, o homem de frente mais eficaz. É o único centroavante clássico, daqueles que têm por ofício empurrar a bola para dentro do gol. Mas, sem qualquer justificativa, Mancini decidiu expurgá-lo de uma partida importante. Depois, treinador reclama que o futebol é injusto.

Mancini deve ainda explicar ao torcedor do Vasco por que cargas d’água, em quase três meses de trabalho, o time ainda não tem um padrão tático. Aliás, difícil dar padrão a uma equipe que muda a cada jogo. Mancini olha para o elenco e não sabe que time levar a campo.

A seu favor, Vagner Mancini evoca os números. Diz que perdeu apenas uma partida no ano. Sim, perdeu um dos dois únicos jogos de verdade que o time teve até agora – Fluminense e Botafogo, ambos com atuações muito ruins. Macaé, América, Duque de Caxias, Resende e outros afilhados geopolíticos da federação não contam. Neste domingo, contra o Flamengo, o Vasco terá a terceira partida do ano. Talvez seja a última de muita gente. Sem alarmismos ou precipitações. O futebol é assim mesmo.

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Fred é o anti-Dadá Maravilha

Por Gustavo Conte

Ao contrário do lendário centroavante do passado, que dizia que não existia gol feio, feio era não fazer o gol, o nosso bravo atacante parece não gostar, ou não saber, fazer os gols fáceis. Não que ele seja um estilista ou um goleador de gols bonitos (como andam chamando o guerreiro Dodô do CRVG). Domingo contra o Botafogo e na quarta-feira contra o Confiança, Fred perdeu gols que nenhum centroavante que se preze pode perder. Compensou com outros, compensou. Mas não pode perder os que perdeu. Não pode. Nas vitórias eles viram folclore, nas derrotas viram culpa.

Sobre o campeonato carioca de 2010, sonolento e desmotivado é pouco para defini-lo. Os jogos entre “grandes e pequenos” são de um desânimo sem fim. Deveriam ser passados em clínicas de tratamento de insônia. Como bem definiu uma vez o colorado Luís Fernando Veríssimo, a emoção é a mesma que a de uma lua-de-mel com um badejo. Dezesseis clubes é demais, levando-se em conta que o Brasileirão tem 20, aí é que se tem noção do exagero mesmo.

Por que não voltar à ótima fórmula que brilhou na década de 1980, onde os campeonatos botavam 150 mil pessoas no Maraca? Doze clubes jogando entre si em turno (Taça GB) e returno (Taça Rio), com os campeões de cada turno fazendo a grande final. E o melhor, caso um terceiro fizesse maior número de pontos, somados os dois turnos, formaria um triangular final com os campeões de cada turno. Assim foi em 1982 (América, Fla e Vasco), 1983 (Flu, Fla e Bangu), 1984 (Flu, Fla e Vasco) e 1985 (Flu, Fla e Bangu). Para aperfeiçoar a fórmula e adequá-la ao número disponível de datas, reduzir-se-ia o número de times para 10. Cada turno teria nove rodadas, sendo que das nove em seis teríamos clássicos. 20 ou 21 datas seriam suficientes, mesmo número que a fórmula atual exige. Outra coisa: jogo contra o Americano em Campos, contra o Bangu em Moça Bonita, contra o Madureira em Conselheiro Galvão e contra o Olaria na Rua Bariri e assim por diante. O charme do Estadual antigamente era justamente esse. Hoje só se joga no Maracanã, Engenhão e Volta Redonda (e o Vasco em São Januário). Fica a sugestão.

A torcida do Vasco demorou um ano para descobrir que o time era limitado e insosso. Dorival Júnior demorou menos tempo. Provou aí entender de futebol. Abandonou a nau antes que ficasse à deriva e partiu para a Baixada Santista, não deve estar nem um pouco arrependido. Os jogos do time são os piores do campeonato, impossíveis de se assistir. A torcida do Botafogo parece que demorará menos tempo. Apesar do título da Taça GB, ela sabe que o time é bastante limitado e que Lucio Flavio não jogaria em muita pelada séria que existe por aí. Edno deve estar arrependido da escolha que fez...

Nós tricolores também não nos enganamos. Podemos até ganhar a Taça Rio e disputar o título com o Fogão, mas precisamos de reforços para o Brasileirão. A saída de Maicon será sentida e o menino Wellington não tem bagagem para segurar a onda sozinho. Para este Estadual “me engana que eu gosto” dá para o gasto, mas depois... Inclusive para as fases mais agudas da Copa do Brasil.

Triste do time em que o capitão acha normal bater em mulher e o centroavante acha normal apanhar...


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